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Da capilaridade e interdisciplinariedade…

Foi também em Junho (1712) que Rousseau nasceu. Considerado um dos grandes influenciadores da Revolução Francesa e dos seus valores (Igualdade, Liberdade e Fraternidade), o seu mais importante livro (“Do contrato social”) defende que a liberdade, bem-estar e a segurança dos seres humanos depende e é preservada pelo contrato social. Além de sustentar ideias próximas da justiça social e direitos humanos, Rosseau introduziu o conceito de “interesse público”. Deixou-nos um intenso legado quando desapareceu, também, a 2 de Julho (1778).

Foi em Junho (mas de 2022, 310 anos após o seu nascimento) que uma menina perdeu trágica e precocemente a possibilidade de viver e se cumprir. Mês em que a CMTV superou “o recorde de audiências”, conforme assinala a capa do “Correio da Manhã” de 2 de Julho (mas de 2022, 244 depois da morte de Rosseau) e após 10 dias em Junho com uma cobertura inenarrável e deontologicamente questionável desse desaparecimento, com consequências nas pessoas, comunidade e instituições.

Ao contrário do interesse do público, o “interesse público de Rosseau”, resulta da vontade geral das pessoas e, grosso modo, do contrato social. Advogo que o contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos na possibilidade de autodeterminação, de saúde e bem-estar das pessoas se faz com intervenções e apoios directos (às pessoas) mas, complementarmente, com maior capilaridade da psicologia. Capilaridade e interdisciplinariedade, contribuindo para uma sociedade mais sensitiva e responsiva à compreensão do comportamento das pessoas e grupos e dos impactos na saúde (e saúde mental) e bem-estar, presentes e futuros, de determinadas experiências/acontecimentos.

Isso faz-se, a meu ver, com participação cidadã e profissional de psicólogas/os no “contrato social”, como é exemplo o contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses na “Diretiva para a cobertura informativa televisiva de guerras e conflitos armados” que afirma que “na exibição de declarações de pessoas em manifesta situação de vulnerabilidade física, emocional ou psicológica, deve assegurar-se o seu obrigatório consentimento, preservar a sua identidade e garantir a sua segurança.”

Faz-se, a meu ver, com psicólogas e psicólogos a dinamizarem e se envolverem em conversas com outras disciplinas e em torno dos contributos da psicologia em áreas e desafios diversos, conforme objectivo do nosso 5º Congresso onde se discutirá, por exemplo, o “Jornalismo e desafios societais”. Este e dezenas de outros temas em sessões, incluindo práticas, visitas, debates, entrevistas, cinema… Oportunidades para “sair do dia-a-dia” e apoiar a nossa reflexão enquanto psicólogas/os “contribuidores” para a mudança social.

No congresso ou não, permitamo-nos ir além do nosso dia-a-dia para irmos além do muito que já contribuímos. As pessoas esperam-no. Os desafios societais exigem-no.

 

 

 

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Estado da União 2022 – Saúde mental; pobreza e exclusão

“[O painel de cidadãos] incluiu uma nova iniciativa na saúde mental. Devemos cuidar melhor uns dos outros. E, para muitos que se sentem ansiosos e perdidos, um suporte adequado, acessível e “pagável” pode fazer toda a diferença.”

A passada semana trouxe-nos das instituições europeias duas notícias fundamentais a pensarmos o presente e futuro:

a) O discurso do Estado da União onde Ursula von der Leyen, a propósito da “resposta unida” da União a um conjunto de crises, fez esta declaração sobre uma nova iniciativa na saúde mental que discuti na minha intervenção no Fórum da TSF – Rádio Notícias (que partilho) no dia do discurso. Proposta que parte do painel de cidadãos da Conferência do Futuro da Europa (conclusões aqui) que, como assinalo, procura responder às crises sucessivas que vimos enfrentando (COVID-19, climática; sócio-económicas; …) que impactam as pessoas, particularmente as com maiores vulnerabilidades, ao condicionarem a previsibilidade, a sua percepção (e possibilidade) de controlo e as exporem a mais situações de precariedade, desemprego e exclusão associadas ao stresse, ansiedade e depressão. Iniciativa que resultando da pressão de cidadãs e cidadãos, assenta em três dimensões essenciais – melhor evidência científica disponível (adequada); ser contingente, rápida e acessível (acessível); ser equitativa e não deixar ninguém para trás (“pagável”) – mas que, por si só e mesmo minimizando-os, não resolve uma parte dos determinantes que concorrem para parte destes problemas;

b) Os dados do Eurostat sobre o risco de pobreza ou exclusão social que assinalam o agravamento da situação em Portugal que, de 2020 para 2021, passa do 13º para o 8º país da UE com maior percentagem de população (22,4%) nesta situação. Complementarmente à actuação “nas consequências”, é fundamental uma estratégia concertada nacional e internacionalmente que possa actuar sobre esta terrível realidade, com enormes consequências na saúde, bem-estar e na possibilidade de futuro e autodeterminação de pessoas e comunidades.

Numa e noutra situação, também como discuti no Fórum da TSF, é possível mudar. Pela pressão das pessoas, com novas iniciativas e atitudes em torno da saúde mental. Olhando para os 12 países da UE que, mesmo com a pandemia, progrediram na redução do risco de pobreza e exclusão social.

Finalmente, e também sobre isso reflicto na intervenção, fazê-lo é lutar contra o encerramento, a polarização e radicalização. É prevenir a irracionalidade, o ódio às outras e outros e a procura de soluções simplistas. É responder às necessidades e às legitimas expecativas das pessoas. Se o formos capazes de fazer, juntas e juntos, defenderemos as instituições e os valores democráticos, outra das importantes preocupações do discurso do Estado da União e outra das crises que vivemos, decisiva para no presente e para o futuro.

Fórum TSF – 14.09.2022 / https://www.youtube.com/watch?v=_MHNI2o6s4U

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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Psicologia

(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem (Ao redor…; Sábado; 02.09.2022)

Se hoje temos mais informação, mais literacia e se temos melhores condições (socioeconómicas), porque temos mais problemas? Conversava sobre saúde mental com um conjunto de estudantes de medicina e, já perto do final da sessão, isto mesmo me perguntaram, a propósito da saúde mental da população jovem, particularmente das e dos estudantes de ensino superior. Questão que julgo merecedora de especial atenção e cuja reflexão procuro estimular a partir dos quatro pontos cardeais.

N(otas). Uma das mais importantes e significativas transformações de Portugal nas últimas décadas prende-se com o aumento da escolaridade da população, especialmente da população mais jovem. De 1981 a 2021, e apesar da diminuição considerável do número de jovens em Portugal, as e os estudantes a frequentarem o ensino superior aumentaram quase 5 vezes de 84 para 412 mil. Hoje, Portugal tem 44% da população entre os 30 e 34 anos com o ensino superior completo, percentagem já superior à média da União Europeia (42%). Este ano, apenas na primeira fase, candidataram-se mais de 61 mil pessoas (para pouco mais de 55 mil vagas), números que reforçam a competição para a entrada, que acresce à competição, “à décima”, para determinados cursos de determinadas instituições.

A centralização nos resultados, medidos pelas classificações internas no ensino secundário e pelas provas de ingresso (exames nacionais), impacta significativamente o período de ensino secundário no que ao bem-estar respeita. O excessivo foco nos exames e nos resultados, com prejuízo do desenvolvimento de outras competências, incluindo as sócio-emocionais, bem como uma lógica que procura premiar o mérito mas que, não raras vezes, desconsidera a falta de oportunidades e as situações de vulnerabilidade prévias de estudantes, acaba por resultar na promoção da competição e competitividade ao invés da colaboração e coesão, importantíssimas à percepção de suporte social enquanto factor protector da saúde mental fundamental nestas idades.

O programa do actual governo prevê “avaliar a melhoria a introduzir no acesso ao ensino superior, com vista à separação entre a certificação do ensino secundário e o acesso ao ensino superior”. Algo essencial, ainda pouco discutido em Portugal, apesar da recente aprovação de uma reforma em Espanha que, progressivamente, concretizará a mudança de sistema, com redução das tradicionais provas de acesso (exames) pela introdução de uma prova centrada na “maturidade académica”, nas competências e na interrelação de conteúdos, inspirada no modelo PISA da OCDE. Importa acompanhar esta experiência porquanto é fundamental que Portugal possa vir a ter um sistema mais responsivo ao conhecimento hoje existente (na avaliação, mas também nos processos de ensino-aprendizagem e estudo), melhor prevenindo problemas de saúde mental (nomeadamente stress, ansiedade ou depressão) também resultantes do actual sistema e da pressão associada à (imposta) necessidade de determinado tipo de resultados.

(O)utras e Outros. Um inquérito recente demonstra que 73% de estudantes respondem “sim” quando questionadas/os se procuram “sempre parecer positivas/os e felizes com tudo o que se associe ao seu nome verdadeiro”. Esta constante exigência, especialmente quando as redes sociais, as relações e o reconhecimento no espaço virtual são tão importantes, acrescentam uma pressão significativa às e aos jovens, potencialmente estigmatizante, penalizadora e até violenta para as e os que estão em situação de maior vulnerabilidade, que estão mais tristes, mais tímidas/os, questionadora da sua autoestima e da integração social.

Mais e melhor informação e investigação sobre redes sociais, a sua organização e as suas consequências. Mais e melhor literacia para as crianças, jovens e seus responsáveis sobre a sua utilização consciente e sobre formas de prevenir os seus impactos, incluindo para a saúde mental. Uma nova atitude em torno do sucesso e da sua obstinada associação à felicidade e mérito. Todos elementos essenciais a uma sociedade mais inclusiva, respeitadora da diversidade e de suporte à vulnerabilidade. De uma sociedade mais capaz de apoiar aquando da adversidade, de crises individuais e colectivas e de promover a saúde mental, o bem-estar e a possibilidade de futuro das e dos jovens.

S(uporte). Recentemente um outro estudo apontou a saúde mental como terceira maior preocupação da população jovem, depois do custo de vida e da crise climática. Também a Agenda da Juventude para a Saúde 2030 lhe confere especial enfâse, destacando que “não devem existir barreiras à (…) saúde mental”, que “a promoção do bem-estar psicológico deve ser especialmente considerada em todos os momentos de contacto com os serviços de saúde e deve articular-se agilmente com o meio escolar” e que a “capacitação de jovens em meio escolar para a promoção do bem-estar físico e psicológico deve recorrer a estratégias aliadas à aprendizagem social e emocional”.

É importantíssimo o capital social associado à aspiração da população jovem a uma outra resposta, mais contingente e com mais recursos, aos desafios que a sociedade contemporânea coloca à saúde e à saúde mental. Desde logo para concluir o caminho de diminuição do estigma, visível no facto das respostas que, passo a passo, têm vindo a ser criadas e/ou reforçadas terem elevada procura – veja-se nas Escolas, o sucesso do programa Cuida-te+ ou o facto do Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS24 ser maioritariamente utilizado por população jovem e/ou em situação de desemprego. Mas, também, para um verdadeiro reforço de recursos que perpasse diversas áreas e inclua um real acesso a serviços de psicologia e saúde mental no SNS e nos seus cuidados de saúde primários, o reforço dos recursos nas Escolas, nas Comunidades e no Ensino Superior, neste contexto particularmente dirigidos à prevenção e promoção, conforme o recente programa da FLAD (Saúde Mental no Ensino Superior), que conta com o apoio da Ordem dos Psicólogos Portugueses, procura estimular e apoiar.

E(stabilidade). Numa fase de constante necessidade de adaptação à transformação e de resposta a desafios e crises sucessivas, de procura e construção de autonomia, de saída de casa e transição, é fulcral que o país possa ter uma estratégia concertada de apoio, procurando garantir mais estabilidade e previsibilidade à população jovem. Tal investimento é essencial ao futuro do país e implica pensar a habitação, a remuneração e reconhecimento no trabalho, os vínculos e o combate à precariedade e a promoção da saúde, saúde mental e do bem-estar. É essencial, porque condiciona significativamente o futuro da população jovem, incluindo a tomada de decisão de manutenção ou não no país, de ter ou não filhas/os e as oportunidades e capacidades de desenvolvimento, florescimento, empreendedorismo e produtividade.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, os pontos cardeais são pontos de referência que se associam e complementam. Assim é também com as notas, as outras e outros, o suporte e a estabilidade (ou as suas ausências), elementos essenciais a pensarmos a rosa dos ventos da saúde mental da população jovem e à resposta aos seus problemas e aos seus desafios. Assim é, pois, conforme na rosa dos ventos, “um mínimo desvio inicial torna-se cada vez maior, à medida que vai aumentando a distância”, desvio com forte impacto na saúde e bem-estar da população mas também em alguns dos principais desafios do país, nomeadamente o envelhecimento da população, a (in)sustentabilidade dos sistemas de saúde e segurança social ou a produtividade.

 

(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem

in Sábado (Ao redor…); 02.09.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/rosa-dos-ventos-da-saude-mental-da-populacao-jovem

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Ao redor... (Revista Sábado) Desafios da Psicologia Política Psicologia

O SNS e os seus profissionais – Um ditado para Manuel Pizarro

“É criado, no âmbito do Ministério dos Assuntos Sociais, o Serviço Nacional de Saúde (SNS), pelo qual o Estado assegura o direito à protecção da saúde, nos termos da Constituição.” Artigo 1º da Lei 56/79 que criou o SNS, publicada há exactamente 43 anos. Lei que continuou o ciclo aberto pelo célebre “Despacho Arnaut” (Julho de 1978) que afirmava o compromisso com a criação do SNS, a saúde como um direito fundamental e a garantia do acesso de todos, independentemente da sua condição económica. Do “Despacho Arnaut” até hoje, o SNS, no que teve e tem de transformador, de muito bom e de melhorar, constrói-se com todas e todos e dia após dia, vivendo hoje desafios significativos que coexistem com mudanças na sua liderança. É que “onde alhos há, vinho haverá”.

“O SNS e os seus profissionais – Um ditado para Manuel Pizarro”, 41º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte deste dito popular, memória da minha infância, para, “a propósito da indigitação de Manual Pizarro como Ministro da Saúde e dos desafios com os quais se deparará”, reflectir “sobre os profissionais de saúde que compõem o SNS, incluindo as psicólogas e psicólogos”.

Discute, abordando a situação actual das psicólogas e psicólogos (carência de recursos, 4 (!) anos de concurso e a incompreensível não equipação das/os profissionais com contratos individuais de trabalho à carreira de “Técnico Superior de Saúde – Ramo Psicologia Clínica”) que “se não queremos, num futuro provavelmente breve, que também na área da Psicologia seja difícil manter e recrutar profissionais, é, além de justo, indispensável, alterar legislação, revendo e agilizando os processos de contratação e criando um percurso comum de progressão e diferenciação profissional, bem como reforçar a autonomia técnico-científica e a valorização deste grupo profissional.

Afirma-se que o seu “compromisso de participação em programas ao longo de todo o ciclo de vida e de intervenções multidisciplinares, bem como de um contributo para a mudança societal, é algo de muito relevante a uma intervenção não exclusiva em fim de linha, tendente à prevenção e à diminuição do “stresse” e da pressão sobre as organizações do SNS, o que pode concorrer para a diminuição do sofrimento ético e para a motivação dos diferentes profissionais.

Advogam-se “planos nas estruturas do SNS de avaliação, prevenção e acção permanente sobre estes riscos e de formação e apoio às lideranças, no sentido da implementação das melhores práticas e de uma actuação cientificamente validada, visando a criação de locais de trabalho inclusivos e saudáveis, com contributo da psicologia.

É que “creio ser tempo das proclamações políticas, das legitimas expectativas das e dos profissionais e da exigência das populações, redundarem em acções concretas que dêem mais oportunidade e condições às psicólogas e psicólogos para um contributo distinto e distintivo na saúde e bem-estar das populações a partir do SNS e para a sustentabilidade dos serviços públicos em Portugal.”

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Emergência Climática Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

A psicologia e a crise climática…

Jacob Rees-Mogg foi indigitado Ministro da Economia, com a área da Energia, do novo governo do Reino Unido. Como sabem, confio muito na possibilidade de mudança e de reparação (mal seria). Em todo o caso, não deixa de ser inquietante que, alguém que há pouco atribuia ao “alarmismo climático” os “preços elevados da energia” e considerava “irrealistas as projecções científicas das mudanças futuras relativas ao clima” porque as/os “meteorologistas têm dificuldade em prever correctamente o tempo”, assumir esta responsabilidade no UK. A isto acresce, ainda, considerar uma “oportunidade interessante” a possibilidade de se voltar a usar o “fracking” para exploração de gás, com todas as suas consequências factuais – na saúde e ambiente – e potenciais.

Além de inquietante tem duas consequências possíveis que devemos ter presentes e procurar mitigar: a) Sabemos hoje, também pela ciência, que a informação e a comunicação sobre as causas humanas do aquecimento global aumentam o envolvimento das pessoas com as questões associadas à crise climática e que este envolvimento, sendo fundamental à mudança necessária (de atitudes, comportamentos e políticas) é, naturalmente, condicionado por lideranças que questionam e procuram fragilizar, explicita ou implicitamente e com motivações distintas, o amplo consenso científico hoje existente e a confiança na ciência produzida nesta área; b) Facilmente constatamos que estes efeitos não se restringem a um país, impactando outros, bem como quão fundamental é uma resposta concertada a nível global para enfrentar desafios societais complexos, como a crise climática.

Em a) e b) temos (Ordem dos Psicólogos Portugueses) e tenho investido, procurando espaço e oportunidade para o meu, naturalmente singelo, contributo. Fi-lo, recentemente, associando-me à II Semana de Psicologia, conjunto de iniciativas promovido pela Associação de Psicólogos Brasileiros em Portugal (que saúdo), exactamente numa conversa com a Patrícia Egerland (sua Vice-Presidente) que partilho. Conversa que focou contributos da psicologia na crise climática que vivemos, com impactos significativos no Brasil e em Portugal. Conversa que abordou, também, a dignidade e direitos humanos, a colaboração nesta área ou a necessidade de cooperarmos e de fortalecermos e agilizarmos a resposta da nossa ciência e das psicólogas e psicólogos aos desafios das pessoas, comunidades e sociedade.

Ao contrário do que o “honorável cavalheiro do século XVIII” (como Rees-Mogg por vezes é apresentado) também disse – que enquanto humanidade “não deveríamos lutar pela mitigação das alterações climáticas, antes adaptarmo-nos a elas” – creio existir caminho a percorrer na prevenção e mitigação de desafios societais complexos (também, mas não apenas, na crise climática) e que existem contributos fundamentais da psicologia enquanto ciência e prática para tal, além dos para a necessária adaptação e reparação relativa às suas múltiplas consequências na saúde e bem-estar das pessoas.

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(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem

Recentemente ouvi Vivek Murthy. Enquanto “Surgeon General”, coordena uma equipa de 6000 profissionais dedicada à saúde pública nos EUA. Falou das prioridades do seu mandato: COVID-19; Desinformação; Burnout nos Profissionais de Saúde e, principalmente, Saúde Mental na Juventude. Sublinhou o enorme e crescente número de jovens que sofrem com problemas de saúde mental, que têm dificuldade em aceder ao apoio que necessitam e do quão urgentes são mudanças políticas, institucionais e individuais que permitam priorizar a saúde mental nos jovens. Assim é nos EUA. Assim é em Portugal.

Lá, como cá, se estabelecidas as prioridades hoje, talvez acrescesse o desafio que a inflação e a crise sócio-económica comportam e como impactam, também, as e os mais jovens. Há dias, quando partilhei uma peça da “Notícias Magazine” para a qual contribui sobre esta temática, dizia “sobre (problemas de) saúde mental na população jovem volto a escrever em breve” – https://lnkd.in/dyhuiUdX. Assim fiz.

“(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem”, 40º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte de uma questão que recentemente me foi colocada: “Se hoje temos mais informação, literacia e se temos melhores condições (socioeconómicas), porque temos mais problemas?”. Penso-a, no artigo, a partir dos 4 pontos cardeais.

N(otas) – sublinhando que “a centralização nos resultados, medidos pelas classificações internas e pelas provas de ingresso, impacta significativamente o período de ensino secundário no que ao bem-estar respeita.”

(O)utras e Outros – afirmando a necessidade de “mais e melhor informação e investigação sobre redes sociais; mais e melhor literacia para crianças, jovens e seus responsáveis sobre a sua utilização consciente e sobre formas de prevenir os seus impactos, incluindo para a saúde mental e uma nova atitude em torno do sucesso e da sua obstinada associação à felicidade e mérito.”

S(uporte), referindo “o importantíssimo capital social associado à aspiração da população jovem a uma outra resposta” e a necessidade de um “verdadeiro reforço de recursos que perpasse diversas áreas e inclua um real acesso a serviços de psicologia e saúde mental no SNS, Escolas, Comunidades e no Ensino Superior.”

E(stabilidade), advogando “fulcral que o país possa ter uma estratégia concertada de apoio, procurando garantir mais estabilidade e previsibilidade à população jovem”.

Recordo, a fechar, que conforme na rosa dos ventos, “um mínimo desvio inicial torna-se cada vez maior, à medida que vai aumentando a distância”.

Aqui, desvios “com forte impacto na saúde e bem-estar da população” e em desafios do país como o “envelhecimento da população, a (in)sustentabilidade dos sistemas de saúde e segurança social ou a produtividade.”

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04.09.2022

Hoje, 04 de Setembro, é Dia Nacional do Psicólogo. Dia em que, desde 2018, quando consagrado pela Assembleia da República após proposta da Ordem dos Psicólogos Portugueses, se celebram as psicólogas e os psicólogos em Portugal, valorizando o seu contributo, dia-a-dia e nas mais diversas áreas de actuação, para a saúde e bem-estar de pessoas e comunidades e para o desenvolvimento, a sustentabilidade e coesão da sociedade.

Dia para pensarmos a profissão (e a ciência que a suporta). O seu passado, em Portugal e no Mundo, no muito de bom e no que também de menos bom teve, contribuindo para a fundamental responsabilidade de exigência e melhoria constantes, únicos garantes da confiança nos seus contributos e nas e nos profissionais.

O seu presente, bem espelhado, entre outros, na carta aberta do Bastonário da OPP, Francisco Miranda Rodrigues, ao Sr. Presidente da República.

O seu futuro, particularmente na necessidade de reforço do caminho de complementar, cada vez mais intensamente, os seus contributos de prevenção e promoção da saúde e do bem-estar com as indispensáveis intervenções ditas “remediativas” e as intervenções mais “macro” (sociedade; causas/determinantes de problemas) com as indispensáveis intervenções mais “micro” (pessoa e grupos; consequências dos problemas).

A este propósito convido à descoberta e partilha de uma campanha sobre os contributos da psicologia e das psicólogas e psicólogos nos desafios societais como a saúde e bem-estar, a demografia e envelhecimento, as migrações, a crise climática e sustentabilidade, o trabalho e o desenvolvimento sustentável, a educação, a justiça e equidade, a pobreza e inclusão e a paz.

Dia para também, creio, nos (psicólogas e psicólogos) pensarmos na profissão e enquanto cidadãs e cidadãos psicólogos face ao país e Mundo, hoje. Eu regresso a este meu pequeno texto. Data de 23.03.2020, 10 dias após ter assumido a responsabilidade de coordenar o gabinete de crise COVID-19 da OPP e apenas um dia após o início do primeiro período de dever de recolhimento obrigatório em Portugal. Nele penso os antes e depois a propósito de uma muito significativa situação pessoal e da pandemia por COVID-19, convidando a uma visita à Quinta da Regaleira. Hoje pensarei estes e outros antes e depois, também de ser psicólogo. Hoje vou – finalmente – à Quinta da Regaleira.

Um dia feliz. Obrigado a todas e todos vocês, neste e todos os dias.

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Inflação e Insegurança Económica

Posto de escuta. A nova rúbrica do jornal PÚBLICO propõe-se partilhar “notícias fora do radar”. Na 2ªF (22.08) apresentou-nos a Afriski, a única estância de esqui de África, situada no Lesoto. Notícia duplamente contraintuitiva por não ser propriamente comum associarmos uma estância de esqui ao período de Verão que vivemos e ao Sul de África.

Li a notícia no dia que seguiu à publicação da peça da Catarina Silva na Notícias Magazine (21.08) intitulada “Guia para lidar com a ansiedade provocada pela inflação”. Tema menos contraintuitivo, diria, face ao momento que vivemos e viveremos e aos impactos do mesmo nas pessoas, particularmente nas com maiores vulnerabilidades sociais e económicas. Tema, no entanto, com uma nuance eventualmente mais contraintuitiva, considerando os significativos impactos da inflação e da crise sócio-económica potencial na população mais jovem, população a quem muitas vezes se atribui uma suposta “ausência de responsabilidade” que, existindo, poderia ser protectora dos seus impactos.

No meu contributo para a peça (que partilho), abordo esta questão específica também a propósito do impacto “da crise socioeconómica do início da década passada” na população mais jovem há época, com “impacto muito grande na ansiedade, depressão e noutros problemas de saúde mental” que ajudam a explicar porque chegamos ao período pré COVID-19 como um dos países da União Europeia com mais carga de doença mental. Foco, também, a associação desta situação à maior precariedade da população jovem e à fase de “criar bases, de tomar decisões, construir família, procurar casa” para concluir que “não me surpreende, assim, que sejam os jovens os mais impactados” por “mais uma crise que vem interromper o seu movimento de autonomia”.

Sobre (problemas de) saúde mental na população jovem volto a escrever em breve, reflectindo mais profundamente “os níveis de stress e ansiedade significativa” que na peça refiro, também, a propósito da “acumulação que vivemos e que inclui a Guerra na Ucrânia e as suas diversas consequências, mas também a crise com a COVID-19”. Acumulação de fenómenos que desafiam a previsibilidade e controlo, importantes ao bem-estar. Acumulação de fenómenos que pode acrescentar medo ao stress, impactando o sono, hábitos alimentares, a prática de actividade física ou conduzir a uma menor “propensão para nos relacionarmos com outras pessoas, numa espiral negativa”.

Contraintuitivamente ou não, nestes períodos, reforçar o autocuidado e o cuidado com outras e outros é algo protector. Como pode ser a “possibilidade de conversar com um/a profissional que dá algum sentido ao que a pessoa está a viver” pois, ao contrário do que muitas vezes consideramos, “a ajuda nem sempre necessita de ser algo muito prolongado no tempo”. Apoiemo-nos neste momento difícil, para que a ele melhor possamos resistir e nos adaptar, recordando outros momentos no passado em que já o fizemos e lutando por um futuro de maior possibilidade de bem-estar para todas e todos.

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Re…cooperar (Ao redor…; Sábado; 16.08.2022)

A história, experiência e os recursos da American Psychological Association (APA) não nos podem “fazer esquecer dos importantes contributos que outras associações podem trazer à nossa acção.” Ouvi-o há dias quando uma pessoa responsável da APA, a mais histórica (130 anos) e uma das mais significativas associações de psicologia do Mundo, discursou para afirmar a “necessidade de se intencionalizar a cooperação global, considerando os significativos desafios que pessoas e sociedades hoje enfrentam”.

Afinal, como bem sabe quem vive no Alentejo, os efeitos da crise climática e da seca extrema não terminam na Extremadura Espanhola. Como bem sabe quem vive na Galiza, a pobreza não impacta a saúde e bem-estar de pessoas apenas no Alto Minho. Sabe Portugal e Espanha. Sabem a Nigéria, o Chile, a Austrália, a Moldávia, o Vietname ou os Estados Unidos da América que desafios societais globais, particularmente quando complexos, não se limitam a ou com fronteiras e que não se ultrapassam sem colaboração e cooperação, nacional e internacional.

Foi (é ainda) a cooperação que nos tem permitido, não sem obstáculos ou críticas e pela definição de princípios e objectivos em torno dos Direitos Humanos e da vida no Planeta, melhorar índices de paz, saúde e bem-estar a nível global. Este caminho conjunto permite que, hoje, milhares de milhões de pessoas no Mundo aspirem e expectem condições de vida que talvez supuséssemos globalmente inatingíveis há não muitas décadas.

Há 50 anos, onde no meu caso, igual ao de tantas outras famílias, seria inimaginável às minhas avós (com 53 e 40 anos em 1972) ou aos meus pais (ambos com 11 anos) imaginarem o neto/filho que nasceria 11 anos depois e, através dele, o Portugal de 2022. Ou há 99, quando se comemorou, em Julho de 1923, o primeiro Dia Internacional das Cooperativas, assinalando o contributo destas organizações centradas no interesse social, geridas de acordo com princípios democráticos e de igualdade de oportunidades e comprometidas com o desenvolvimento comunitário e a integração social e nasceu, em Novembro de 1922 e a poucos quilómetros de onde cresci, José Saramago.

À parte da extraordinária e muito complexa história de vida, Saramago escreveu, talvez como muito poucos, aquilo que apelidou como a “involução humana”, enquanto movimento regressivo aplicado a diversos fenómenos, desde a língua (portuguesa) ao comportamento em sociedade. Pensou e tratou a ideia de que não existe um caminho uno de permanente evolução (humana) e a que involução era, não apenas possível, mas previsível e se “escondia”, para escondida crescer e se propagar, em pequenos nichos, acontecimentos ou realidades.

Saramago não viveu os últimos 12 anos do Mundo. Viveu, no entanto, 4 dos 16 anos últimos anos com consecutivo declínio da liberdade e da democracia, conforme assinala o Relatório “Liberdade no Mundo 2022 – A expansão global do autoritarismo” da Freedom House. Com a proliferação dos regimes autoritários a que vimos assistindo, a proporção de população mundial que vive em países considerados “livres” caiu progressiva e consecutivamente nestes 16 anos (2005-2021) de 46% para 20,3%, considerando o grande aumento da população que vive em países “apenas parcialmente livres” (17,9 para 41,3%) e o aumento da que vive em países “não livres” (36,1 para 38,4%). Ainda de acordo com este relatório são quatro as principais forças internas aos países que o justificam: enfraquecimento das instituições (particularmente judiciais) e do valor da Lei; ataque à liberdade de imprensa; perversão das eleições; e discriminação de migrantes e outras comunidades.

Resumidamente, diminuição propositada da qualidade e independência das instituições e da própria confiança das pessoas nas instituições e nas (outras) pessoas, algo que é depois causa, mas, curiosamente, também consequência do crescimento do individualismo, da competição e de uma certa “meritocracia” em algumas sociedades e da fragilização da colaboração e cooperativismo real ou percebido pelas e pelos outros. Fragilização de instituições económicas, sociais e políticas que, conforme D. Acemoglu e J. Robinson concluem no livro “Porque falham as nações”, explicam mais o porquê de os países florescerem (ou não), do que a sua geografia, as pertenças comunitárias da sua população ou a sua riqueza natural.

Esta situação, e este retrocesso, é particularmente preocupante quando a colaboração, a intervenção articulada e a cooperação são a cada dia mais essenciais, considerando a complexidade dos desafios que as organizações e sociedades enfrentam. Particularmente preocupante quando as redes sociais e a forma de organização da sociedade, globaliza velozmente movimentos, ideais e ideias, particularmente as e os que apelam a emoções fortes e normalmente associadas a aspectos negativos como o medo, o ódio ou a raiva, emoções hoje centrais no comportamento, decisão e participação política e social.

Este contexto claramente justifica que o último dos 17 objectivos do desenvolvimento sustentável (ODS) seja mesmo centrado nas parcerias para a implementação dos ODS, através do reforço dos meios de implementação e revitalização da parceria global para o desenvolvimento sustentável. E justifica que tenhamos presente o papel da cooperação na superação e na adaptação à mudança e à(s) crise(s) e de processos muito estudados e trabalhados pela psicologia para a promoção e reforço da cooperação, como a relação, a orientação para os valores sociais, a empatia e altruísmo, a comunicação, o compromisso, a confiança, a identificação e a cultura.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, é fundamental criarmos condições para nos aproximarmos e trabalharmos juntas e juntos, numa perspectiva de persecução de objectivos comuns e/ou complementares. De favorecermos uma sociedade e uma cultura de alianças e compromisso com valores comuns, assentes nos Direitos Humanos e na preservação da vida no Planeta, e com o princípio da colaboração e cooperação a curto, médio e longo-prazo, nacional e internacional, entre pessoas, organizações, ciências e profissões. É momento de recuperarmos do conjunto de crises que vimos enfrentando também pela recuperação da cooperação. Tempo de Re…cooperarmos, pela confiança nas instituições e nas pessoas. De Re…cooperarmos, pela paz, pela saúde e pela possibilidade de bem-estar, de todas e todos. De Re…cooperarmos, pela nossa sobrevivência, enquanto Planeta e espécie, hoje e amanhã, como desde há centenas de milhares de anos.

 

Tiago Pereira

in Sábado (Ao redor…); 16.08.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/recooperar

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Democracia Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Causa-Consequência…

“Uma pessoa quando pensa em problemas de saúde mental não pensa automaticamente em pobreza. São duas questões dissociadas, mas que vocês associam neste projecto. Interligam-nas. Com que objectivo?” Questão inicial que o Rodrigo Pratas me colocou em entrevista (Edição da Noite; SICNotícias; 12.08.22) a propósito da aprovação, em Conselho de Ministros, do reforço no Abono de Família e da Garantia para a Infância e com o intuito último de discutir a campanha “.Final à Pobreza”.

Entrevista 20 meses após aqui ter partilhado que uma das 100 medidas do programa de candidatura à Ordem dos Psicólogos Portugueses seria a implementação de “um programa de apoio e desenvolvimento profissional para o combate à pobreza e exclusão social”. Fi-lo em NOV2020, afirmando que, conforme refere Wallace-Wells em “A terra inabitável”, “a postura intelectual da impotência é sempre uma boa desculpa” mas “porque a rejeito e porque rejeito que nos puxem para trás, advogo uma Psicologia a responder com excelência a desafios micro, junto das pessoas nos seus contextos e acontecimentos de vida significativos, mas também macro.

Respondi que o https://finalapobreza.pt servia “desde logo para que se compreenda melhor esta relação causa-consequência” e a pobreza “enquanto um dos principais determinantes não apenas da saúde mental mas da saúde no global” (…), altamente condicionadora daquilo que são a dignidade humana, a capacidade das pessoas se cumprirem, florescerem.” Disse, ainda, ser “importantíssimo que a OPP e as psicólogas e psicólogos portugueses se associem a um esforço nacional de tornar o combate à pobreza um grande desígnio, como previsto na estratégia nacional de combate à pobreza” [eixo f].

Na entrevista, que partilho, afirmei os 4 domínios de contributo do projecto (profissão, sociedade civil, decisoras/es e cooperação), além dos impactos das sucessivas crises nas pessoas e comunidades. Discuti como os problemas de saúde mental da população contribuem para que em Portugal seja difícil sair (geracionalmente) da pobreza sem apoios sociais, o que faz com que devamos, naturalmente, reforçar apoios sociais, mas também as condições psicológicas da população, se quisermos ser eficazes. Finalmente, aprofundei essa necessidade de reforço do apoio e a necessária e possível complementaridade entre respostas mais remediativas e respostas preventivas/promotoras, fundamentais para o futuro do país e para, enquanto pessoas, famílias e comunidades, lidarmos melhor com a adversidade no presente e futuro.

Conforme também havia escrito, advogo “uma psicologia activista no combate à pobreza e à exclusão”. Espero que este possa ser um contributo e estímulo para que mais pessoas e mais psicólogas e psicólogos se envolvam neste fundamental desígnio: contribuir para um “. final à pobreza”.