9130. No passado Sábado reencontramo-nos na nossa Évora, cerca de 9130 dias depois. Passam, por estes dias, 25 anos do início do nosso curso e, por isso e “em turma”, juntamo-nos para almoçar. Se quiserem pensar esta quantidade de tempo em vós (e se tiverem “idade que o permita”), pensem no momento em que souberam dos atentados que a 11 de Setembro de 2001 aconteciam nos EUA e que, entre outros, conduziram à queda das Torres Gémeas e a um Mundo necessariamente diferente. Eu penso-o muito também para me “pensar” e perspetivar… Em como o que fazemos hoje impacta o futuro. Nosso e do e de quem nos rodeia. Penso-o, especialmente, hoje.
E, pensando-o hoje, 25 anos levar-nos-ão sensivelmente a 2050. A meio deste complexo, incerto e imprevisível (não terão sido todos?) mas “ultra-veloz” século que partilhamos e para o qual as nossas ações, hoje, contribuem para o presente e futuro. Também por isso, há dias, pensando em algo que teve, tem e (espero) continuará a ter um papel fundamental de agregador de pessoas e comunidades – alimentação/refeições – e que, simultaneamente, se cruza com importantes dimensões pessoais (económicas, saúde e bem-estar, auto-estima, pertença, etc.) e sociais (economia, clima e biodiversidade, serviços de saúde, etc.) escrevi um artigo que aqui convosco (ver comentário).
“Uma ideia para a sustentabilidade futura do SNS? Investir na alimentação e nos espaços de refeição da primeira infância”, chamei-lhe. Com ele procuro suscitar que se pense em como investir na alimentação e nos espaços de refeição da primeira infância é uma das formas mais eficazes — mas pouco intencionalizada — de cuidar do que aí vem. Da saúde, desenvolvimento e bem-estar das crianças. Da comunidade que, também, se constrói “à volta de uma mesa”. E para a própria sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.
…“os espaços de refeição – na escola e em casa – podem ser um importante “educador silencioso” (…) porque uma criança não aprende a comer apenas e só porque lhe explicam o que é saudável. Antes, aprende porque observa, repete, associa e sente. Aprende com o espaço, com a rotina, com o tempo que lhe é dado e que é dado à refeição. Aprende com a calma ou com o stresse de quem a rodeia, com a possibilidade de escolher e de participar, com o prazer e o respeito com que vê os adultos comerem. A cada refeição, este educador silencioso está a contribuir para as memórias, a criar relação e a formar o comportamento (alimentar, e não só) das crianças, hoje, e dos adultos de amanhã.” Escrevo. Sinto.
“Porque investir nos ambientes de refeição da primeira infância é um dos exemplos mais claros daquilo que hoje rareia: um contributo que não polariza, não simplifica e não promete o impossível. Que não é particularmente caro, que é eficaz e que tende a, de forma evidente, contribuir para melhorar, hoje e amanhã.”
Como o que somos hoje foi, em boa parte, semeado no que se fez e aconteceu, o que seremos amanhã está a ser co-construido, hoje. Pelo futuro de todos.

