A última semana culminou na sexta-feira, 25.09, Dia Nacional da Sustentabilidade. Como tantas/os de vocês – estou certo – tenho sentimentos ambivalentes sobre o real impacto destes dias na consciencialização e potencial de mudança que deles decorrem e face ao próprio conceito de sustentabilidade, à sua hoje menor densificação e num momento em que, em tantas áreas, “sustentar” é já insuficiente e importa, isso sim, regenerar.
Mas este dia em Portugal tem algo de simbólico. Assinala-se no dia (25.09) em que em 2015 a Assembleia Geral das United Nations aprovou a resolução com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e os seus objetivos e metas para 2030, referencial importantíssimo, mesmo que insuficientemente prosseguido, pela abrangência e consideração das diversas dimensões que contribuem para a possibilidade de bem-estar neste Mundo e para o equilíbrio do nosso Planeta, no presente e para o futuro.
Em linha com esta multidimensionalidade, durante essa semana várias pessoas da Equipa e dos Órgãos da Fundação Mendes Gonçalves (FMG) representaram-na em diferentes eventos de diferentes áreas.
Eu estive no domingo (20.09) na “Cidade do Zero” onde, a convite do João Barreiros (obrigado pela confiança!) e sob moderação do Rodrigo Castro, pude discutir com a Eunice Maia (e que bom foi!), com uma presença especial no público (😊), o tema “Educar é transformar: que escola queremos para o futuro?”. Pensar, portanto, como estamos no presente e procuraremos no futuro contribuir na FMG para a qualidade da educação, para a sua relação com um conjunto amplo de dimensões relevantes para a sustentabilidade/regeneração e para a necessidade de a pensarmos a partir logo dos primeiros anos, incluindo o período 0-3 anos.
Estive, depois, na 5ªF (24.09) no “Cascais International Health Forum” onde, a convite da Andrea Lima e da Alexandra Bento (obrigado pela confiança!) participei numa mesa sobre “Alimentação, longevidade e estilos de vida saudáveis” com um conjunto diverso de oradoras/es (Carlos Barranha, Helena Real, Joana Sousa, José Camolas, Paulo Carvalho, Ricardo Assunção e Sílvia Coutinho). Aí salientei o quão relevante pode ser uma mais assertiva presença do binómio alimentação/nutrição no ecossistema da filantropia e da economia social, considerando a sua preponderância em temas como a saúde, bem-estar, fatores de produção ou desenvolvimento económico e comunitário e o quão estratégico pode ser ter mais capital paciente e de risco numa área em que urge a experimentação e inovação e em que o sistema público tem menos incentivos a investir, considerando a demora do retorno expectável.
Dois temas que parecem distantes. Nada mais falacioso. Antes fundamentais à naturalização da importância da educação de qualidade e do binómio alimentação/nutrição saudável e sustentável desde a primeira infância.
Naturalizando-os e, assim, tendendo a torná-los estruturantes no presente e futuro. Temas base da regeneração. Temas base da possibilidade de futuro… De todos.

