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Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Dois temas que parecem distantes. Nada mais falacioso.

A última semana culminou na sexta-feira, 25.09, Dia Nacional da Sustentabilidade. Como tantas/os de vocês – estou certo – tenho sentimentos ambivalentes sobre o real impacto destes dias na consciencialização e potencial de mudança que deles decorrem e face ao próprio conceito de sustentabilidade, à sua hoje menor densificação e num momento em que, em tantas áreas, “sustentar” é já insuficiente e importa, isso sim, regenerar.

Mas este dia em Portugal tem algo de simbólico. Assinala-se no dia (25.09) em que em 2015 a Assembleia Geral das United Nations aprovou a resolução com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e os seus objetivos e metas para 2030, referencial importantíssimo, mesmo que insuficientemente prosseguido, pela abrangência e consideração das diversas dimensões que contribuem para a possibilidade de bem-estar neste Mundo e para o equilíbrio do nosso Planeta, no presente e para o futuro.

Em linha com esta multidimensionalidade, durante essa semana várias pessoas da Equipa e dos Órgãos da Fundação Mendes Gonçalves (FMG) representaram-na em diferentes eventos de diferentes áreas.

Eu estive no domingo (20.09) na “Cidade do Zero” onde, a convite do João Barreiros (obrigado pela confiança!) e sob moderação do Rodrigo Castro, pude discutir com a Eunice Maia (e que bom foi!), com uma presença especial no público (😊), o tema “Educar é transformar: que escola queremos para o futuro?”. Pensar, portanto, como estamos no presente e procuraremos no futuro contribuir na FMG para a qualidade da educação, para a sua relação com um conjunto amplo de dimensões relevantes para a sustentabilidade/regeneração e para a necessidade de a pensarmos a partir logo dos primeiros anos, incluindo o período 0-3 anos.

Estive, depois, na 5ªF (24.09) no “Cascais International Health Forum” onde, a convite da Andrea Lima e da Alexandra Bento (obrigado pela confiança!) participei numa mesa sobre “Alimentação, longevidade e estilos de vida saudáveis” com um conjunto diverso de oradoras/es (Carlos Barranha, Helena Real, Joana Sousa, José Camolas, Paulo Carvalho, Ricardo Assunção e Sílvia Coutinho). Aí salientei o quão relevante pode ser uma mais assertiva presença do binómio alimentação/nutrição no ecossistema da filantropia e da economia social, considerando a sua preponderância em temas como a saúde, bem-estar, fatores de produção ou desenvolvimento económico e comunitário e o quão estratégico pode ser ter mais capital paciente e de risco numa área em que urge a experimentação e inovação e em que o sistema público tem menos incentivos a investir, considerando a demora do retorno expectável.

Dois temas que parecem distantes. Nada mais falacioso. Antes fundamentais à naturalização da importância da educação de qualidade e do binómio alimentação/nutrição saudável e sustentável desde a primeira infância.

Naturalizando-os e, assim, tendendo a torná-los estruturantes no presente e futuro. Temas base da regeneração. Temas base da possibilidade de futuro… De todos.

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Desafios da Psicologia Educação Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves

SEKEM

Ontem soubemos que a “Alianza Ceibo” venceu a edição deste ano do Prémio Gulbenkian para a Humanidade. Sucede ao “Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming”, a “Rattan Lal” e a “SEKEM”, vencedores em conjunto da anterior edição de um dos mais prestigiados prémios atribuídos por uma Fundação sediada em Portugal e que reconhece “indivíduos e organizações que alcancem enormes progressos na luta contra as alterações climáticas”. Parabéns.

 

O Luis de Melo Jerónimo dizia ontem à comunicação social (ver comentários) – e muito bem, a meu ver – que um dos impactos positivos dos prémios é a possibilidade de “estimular parcerias” e que a Fundação Calouste Gulbenkian está a estudar “criar uma rede entre vencedores” com esse objetivo. Nada mais relevante. Como Karin Nosková dizia recentemente “systems change requires trust and long-term partnerships” (ver comentários).

 

Na miríade de curiosidades e coincidências que acompanham quem simplesmente vive, isto acontece poucos dias depois de regressar do Egipto e de um conjunto de ações, reuniões, visitas e participações exatamente em e com SEKEM e, também exatamente, para reforço dos laços e possibilidades de relação e cooperação entre SEKEM e a Fundação Mendes Gonçalves (FMG).

 

Foi para mim e para nós, sei-o, um momento extraordinário de reflexão e inspiração. No particular, reunião a reunião, projeto a projeto, visita a visita, contacto a contacto. Mas, essencialmente, na perceção e no sentir, pleno, de como aquele conjunto e aquele sistema funcionam. Das práticas da agricultura à educação, da saúde à intervenção social, da investigação aos postos de trabalho e marcas, da formação (incluindo vocacional e universitária) ao desenvolvimento de pessoas e comunidades, da associação de agricultores à liderança, visão e ambição, cuidada, centrada e respeitadora de cada pessoa. Perceber, afinal, que é possível e que SEKEM é exemplo vivo dessa bonita e esperançosa possibilidade.

 

Mas conheçam e descubram por vós, valerá a pena. Quanto a nós, na FMG, comprometemo-nos a fazer algo com este sentir, a partir da nossa agência, tentando com SEKEM, e com quem faz SEKEM, colaborar no que de alinhamento há na nossa visão e projeto e fazendo daquela demonstração de possibilidade – em muito resultante das relações, partilha e construção de (verdadeira) comunidade – inspiração para o que dia-a-dia estamos a procurar construir e contribuir na Golegã, na região ao redor, em Portugal e no Mundo.

 

Obrigado Katrien Buys, por o teres proporcionado e pela atenção, cuidado e palavras. Serás certamente e na maneira em que possas e desejes, parte deste nosso caminho. Obrigado Helmy Abouleish por, com toda a equipa, nos receber e mostrar… Por nos querer compreender e ainda me convidar a participar no debate “Rethinking leadership in times of uncertainty”, inserido na conferência “Sustainable Development for Global Impact” promovida pela Heliopolis University, parte do SEKEM Group.

 

Obrigado. Por o fazerem. Por o mostrarem possível.

 

……

 

Ps. E… @Ines Queiroz, já disseste como foi à @Francisca Canais? E… @francisca, não custa sonhar porque “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”.

Ps2. O (incrível) Palma, se não conheceu, haveria de ter gostado de conhecer aquela comunidade, visão e ideia de presente e futuro… E SEKEM de o conhecer e acolher.

……

https://gulbenkian.pt/read-watch-listen/sekem/

https://observador.pt/2026/09/21/projetos-distinguidos-pelo-premio-gulbenkian-para-a-humanidade-replicados-em-varios-paises/

Philanthropy is not defined only by resources but by relationships

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The Global Community Foundation Leaders Summit

Há uma semana viajava de autocarro entre capitais europeias numa mesma ilha, mudando de país (sem fronteira física) e saindo da UE. Pouco depois perguntava (quando visitávamos os Muros da Paz): “estes portões ainda se fecham?” – “Sim, fecham à noite”, responderam-me.

Em Belfast pude testemunhar como uma Fundação Comunitária (Community Foundation Northern Ireland) teve e tem um papel determinante no que de mais importante existe: a paz e o caminho de construção de diálogo e coesão social nas comunidades, mesmo numa sociedade (ainda) com fortes tensões políticas/religiosas.

Lá estava, integrado num grupo de 32 líderes de Fundações Comunitárias de todo o Mundo (EUA, UK, Irlanda, Canadá, Alemanha, Itália, Palestina, Espanha, Hungria, Roménia, …), umas mais recentes (a nossa Fundação Mendes Gonçalves), outras não tanto (incluindo a primeira de todas – Cleveland Foundation | 1914), reunidas pela Community Foundation Ireland para 4 dias de intenso trabalho e uma honesta e segura discussão sobre temas/desafios partilhados globalmente.

“Communities everywhere are facing complexities and challenges”, disse Denise Charlton a abrir (aproveito para agradecer o convite e a oportunidade de me e nos integrar em tão importante momento, grupo de líderes e organização – Jerry O’Connor e Isabel Pergande), tal qual diria mais tarde Kathrin Dombrowski (a quem também agradeço).

É assim, como sabemos e concretamente testemunhamos, entre sessões de trabalho e visitas a organizações em Dublin e Belfast e em temas como a paz e a coesão social; as comunidades e lideranças; o clima, a natureza e a resiliência; a democracia e o desenvolvimento; ou a inteligência artificial, a tecnologia e a (des)informação. Da Golegã a Toronto, de Messina a Bucareste, de Dublin a Pecs, de Nova Iorque à Palestina, de uma pequena ilha Canadiana a Essex.

Ainda que com impactos e em fases diferentes em cada contexto, vivemos tempos desafiantes, incertos e de desconfiança, onde a filantropia comunitária (de proximidade), a coragem e o dever da esperança que ali partilhamos são fatores protetores e base do que as comunidades (e a confiança e coesão que nelas podem ser desenvolvidas) de melhor têm para florescerem nestes tempos e garantirem possibilidades de bem-estar (e futuro) para todos.

Venho do “The Global Community Foundation Leaders Summit” com a ideia reforçada do quão privilegiado sou e somos mas, também, comprometido com o fazer bem com a nossa equipa e órgãos e, humildemente, contribuir(mos) para o ecossistema das Fundações Comunitárias em Portugal e no Mundo.

Caroline Taylor Rob Williamson OBE DL Tonia Wellons Kyra van Hoof Nour NusseibehRichard Williams Justin Sargent OBE Giacomo Pinaffo Rüdiger Ratsch-Heitmann Susanne Hauswaldt Sharon Avery Andrea Dicks, ICD.D Roisin Wood Alina Kasprovschi Paul Buchanan MBE Ulrike Reichart Emma de Closset Steph Taylor Danielle Gibbie Michelle Prater Cristina González Alcalá, PhD Helen Wray Martin O’Brien Aleix Pujol Puigmal Jan Despiegelaere

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Comportamento Desafios da Psicologia Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

Ainda a confiança…

Uma equipa multidisciplinar é reunida para procurar soluções para as pragas constantes de percevejos nas habitações de um bairro em Lowell, Massachusetts (USA). Na equipa surge uma proposta: disponibilizar aos moradores capas de colchão seladas. Proposta sensata, pensamos… Porém, também na equipa, alguém sugere que se converse sobre este problema com os moradores. É dessas conversas (focus groups) que se conclui que na maioria das casas não existem (sequer) os colchões que seriam protegidos pelas capas seladas.
Um de inúmeros exemplos que poderia partilhar de como soluções incríveis, se não contextualizadas e personalizadas, são ineficazes ou, pelo menos, ineficientes e que trago a partir de um texto que abaixo partilho. Texto que reflete sobre como a ciência psicológica deve assumir outro envolvimento com o “público” (contextos e pessoas a que se destina) para obter confiança e legitimidade, bases fundamentais de uma ciência com um contributo determinante em períodos de desafio ou crise significativos (pessoais ou sociais), onde muitas vezes a confiança se encontra mais seriamente ameaçada.
E é exatamente sobre ela, neste momento em que movimentos sociais e políticos a procuram fragilizar, intuindo os “ganhos” que para si que daí resultam (fingindo ignorar o mal pessoal e social que resulta da quebra da confiança e da coesão social), que gostava de partilhar duas ideias que penso, paradoxalmente, simples e poderosas:
a) Tal como as soluções maravilhosas só funcionam (maravilhosamente) se adaptadas aos contextos e públicos, também só podem ser eficazes se os contextos e públicos confiarem nelas e nas pessoas/organizações/entidades que as implementam. Daqui sucessivamente resulta que construir confiança é fundamental para a intervenção social e para apoiar a mudança no sentido de mais oportunidades de bem-estar e autodeterminação para todos;
b) Que todos – todos – temos um papel pessoal (e profissional) neste processo. Todos inclui a própria economia social que, não raras vezes, também a partir dos incentivos do próprio sistema (incluindo do Estado) que a financia e dos apoios que recebe (incluindo das Fundações) é ela própria, também paradoxalmente, organizada em torno da desconfiança e pouco promotora de confiança. É certo que existem (talvez mais hoje que ontem) exemplos em que assim não é como os que o Ricardo Garcia aponta no excelente texto que também partilho, mas são ainda assim a excepção.
O André Barata – excelente, sempre – escrevia este fim de semana que “a vida não se faz escassa quando nos dispomos a vivê-la. Passamos tanto tempo a pensar que viver é conquistar e não deixar escapar. E depois basta um dia de praia para o corpo descobrir que viver não é ganhar a vida. Ela está aí”.
É, não é? E é assim com a desconfiança… Passamos tanto tempo dedicados a ela que nos esquecemos do bom que é confiar, não é?
Até porque, conforme a desconfiança gera desconfiança, a confiança gera confiança. Construamo-la. Pelo futuro de todos.
……..
. “Publicly Engaged Science” | @Zara Abrams | @AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION |  http://resources.magappzine.com/feeds/production/comboapp/2335/media/262502/17e216f4-47dc-4f27-97b1-246cf10be01a.html
. “Financiar a confiança: o que o caso de MacKenzie Scott nos deve fazer pensar” | @Ricardo Garcia | @SAPO | https://sapo.pt/artigo/financiar-a-confianca-o-que-o-caso-de-mackenzie-scott-nos-deve-fazer-pensar-6a677580fb226a497b8f6b9e
. “Sobrar” | André Barata | @PÚBLICO | https://www.publico.pt/2026/08/21/culturaipsilon/opiniao/sobrar-2185314
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Democracia Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Nós, verdadeiramente, não sabemos

Certamente já viveram acontecimentos de vida significativos que, mais ou menos positivos, foram para vós transformadores e tornaram claras questões que podiam não ser claras antes.

 

Assim aconteceu comigo. Amanhã, dia duplamente importante para a nossa família, é um daqueles dias em que ela poderia sorrir, orgulhosa. Não pode. Perdemo-la antes de ter oportunidade de conhecer quem amanhã cumpre mais uma bonita etapa profissional e quem amanhã cumpre mais um aninho. Perdemo-la e essa perda tornou claro, claríssimo, para mim algo que, sabendo, talvez não sentisse como passei a sentir: nós, verdadeiramente, não sabemos. Julgamos, pensamos, cremos que sim, mas, muitas vezes, não sabemos. E inscrevermos isso em nós é exigente, duro até, mas, simultaneamente, muito libertador.

 

Há semanas, aquando da missão Ártemis II em torno da Lua e do que invariavelmente sucede quando os seres humanos realizam feitos extraordinários (o consequente surgimento de narrativas de que tudo é falso, de que só alguns predestinados sabem a verdade), o jornal Público publicou um “Prova dos factos” que garante – sim é necessário hoje garanti-lo – que “fomos mesmo à Lua” mas que “narrativas que garantem que é encenado existem desde 1969”.

 

Este “Prova dos factos” cita um artigo que escrevi com um amigo e colega (Miguel Ricou), em 2021, quando coordenava o Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses, num tempo em que a incerteza e o desconhecido eram parte permanente do dia-a-dia. Escrevemos então o agora citado: que quem acredita em teorias da conspiração procura, no fundo, uma sensação de segurança e controlo, “a segurança de que a pessoa sabe o que se passa, de que detém um conhecimento superior face aos outros e às narrativas oficiais”. Uma ilusão entendível, humana se quisermos, mas tremendamente perigosa a meu ver.

 

Quem acredita que sabe tudo tende a fechar-se ao outro. Quem recusa a incerteza torna-se menos disponível para aprender, adaptar-se e de, genuinamente, relacionar-se. A humildade de aceitarmos que não sabemos (tudo), que podemos estar errados, que há mais do que o que vemos e que as outras pessoas são, também elas, capazes não é uma fraqueza. É uma força, felizmente também humana, que nos aproxima dos outros e de ser e estar mais, melhor.

 

O “Global Flourishing Study”, o maior estudo sobre florescimento, confirma-o: o que mais nos faz florescer não é a certeza (e controlo), nem a riqueza. São, antes, as relações que estabelecemos connosco, com os outros (com abertura à surpresa e diferença e sem julgamento) e com o que nos rodeia. É, antes, como nos integramos e contribuímos em comunidade e como criamos sentido e propósito.

 

Por isso na Fundação Mendes Gonçalves procuramos algo que vai além dos projetos e programas: novas formas de estar em e criar comunidade. Acreditando que o florescimento e um futuro de maior e mais equitativo bem-estar começa precisamente no reconhecimento de que não estamos sozinhos e que não sabemos e podemos tudo, sós.

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Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

Desde 2021 mantenho a tradição de terminar o ano a escrever um artigo com um desejo para o ano seguinte. Fi-lo até ao ano passado na rubrica “Ao Redor” (Revista SÁBADO) e desejei “Construirmos mais Paz” (para 2022); “Promovermos mais bem-estar para todas e todos” (2023); “Um país mobilizado contra a violência doméstica” (2024) e “Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” (para este 2025).

Agora fi-lo na Líder – Ideias que fazem futuro com um artigo chamado “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” que funciona como o meu desejo para 2026. Resumidamente trata:

. A ideia de que a “filantropia, tantas vezes vista como gesto distante, nasce da presença, da relação e da ligação aos territórios e às suas pessoas” e que “aproximar quem generosamente doa de quem dessa doação mais pode beneficiar é, verdadeiramente, construir comunidade.”

. Da afirmação da filantropia de proximidade “como resposta relevante para desafios sociais complexos com aplicação local e de pertinência global” e do papel das Fundações Comunitárias na sua promoção.”

. O momento que vivemos “particularmente exigente, de grandes ameaças, de transformações constantes, de aprofundamento da insatisfação e do ressentimento, de agravamento das desigualdades.” (…) “um tempo em que urge retomar o envolvimento e a conexão e que, nesse sentido, beneficia do balanço de ações de filantropia de escala global com ações de proximidade e base comunitária. Co-construir soluções colaborativas, no nosso caso [Fundação Mendes Gonçalves] a partir do coração do Ribatejo, que, quem sabe, influenciem políticas públicas e que inspirem outros territórios, da Golegã para o Mundo.”

. O nosso compromisso com o “desenvolvimento e robustez das Fundações Comunitárias em Portugal e com o seu papel na promoção de territórios mais justos, resilientes e prósperos, com responsabilidade, coragem e convicção. Para um país e um Mundo melhores.”

…Já em 2026, com o contributo de todos. Bom 2026.

—

Links para artigos:

. “Um desejo para 2022? Construirmos mais Paz” | https://lnkd.in/dwvEuytM

. “Um desejo para 2023? Promovermos mais bem-estar para todas e todos” | https://lnkd.in/dU93aNUW)

. “Um desejo para 2024? Um país mobilizado contra a violência doméstica” | https://lnkd.in/dSQNKBzr).

. “Um desejo para 2025? Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_um-desejo-para-2025-protegermos-e-cumprirmos-activity-7275429657066295296-AnB4?utm_source=share&utm_medium=member_ios&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU

. “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” | https://lidermagazine.sapo.pt/revitalizar-a-filantropia-de-proximidade-contribuir-lado-a-lado-para-o-futuro-de-todos/

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Comportamento Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves

Voracidade…

Por estes dias pudemos confirmar a actual voracidade do tempo e da comunicação no espaço público… nos últimos 4 ou 5 dias, ainda as Autárquicas, as Presidenciais, as Leis dos “Estrangeiros” e Nacionalidade, o relatório do trágico acidente do Elevador da Glória, o debate sobre a proposta de projecto de Lei sobre as “roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto”, os julgamentos e crimes bastante mediatizados, os conflitos armados Mundo fora, etc, etc.

Tudo isto e a perda de Francisco Pinto Balsemão (e agora mesmo de Laborinho Lúcio), verdadeiros democratas, conforme tantas e tantos não se têm cansado e não se cansarão de, bem, sublinhar. O primeiro, aliás como o segundo, “dono” de um “projeto de sociedade, que nunca abandonou”, conforme Clara Ferreira Alves anotou. “Uma sociedade livre e civilista, sem tutelas militares ou policiais ou autocráticas. A sociedade civil era o sonho que ele ajudou a tornar realidade.”

É. Mesmo que nem todas as pessoas concordem com tudo (como poderia ser de outra forma?), assistimos nas últimas horas ao reconhecimento do legado de uma figura ímpar da democracia e liberdade. Uma pessoa que sempre lutou por uma sociedade civil, livre, civilista e empoderada. Atenta e com agência face aos problemas e às dificuldades que se colocam a nós próprios mas, também e particularmente, às outras e outros, particularmente às e aos com maiores vulnerabilidades. Uma sociedade civil, livre, civilista e participativa. Capaz de identificar e debater as necessidades e expectativas e de co-construir e implementar potenciais soluções que melhoram a vida das pessoas e das comunidades.

Um exemplo? O tenho “Voto na Matéria”, promovido pela UNICEF e cuja

edição de 2025 (https://lnkd.in/dUb5qxHe) demonstra que as “preocupações das crianças e jovens estão a mudar” e que a “pobreza e o custo de vida estão, pela primeira vez, entre as maiores preocupações de crianças e jovens, a par da saúde mental, discriminação e segurança digital”. Ora, não fora a voracidade deste nosso tempo e, talvez, ainda estivéssemos a viver ecos das “comemorações” próximas do Dia Mundial da Saúde Mental (10.10) e o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17.10).

Entendo e entendemos que parte do meu e nosso, Fundação Mendes Gonçalves, contributo é, junto da nossa comunidade e do nosso país, contribuir(mos) para estes temas também a partir do empoderamento e participação das pessoas e da sociedade civil. Partilho duas participações enquadradas nesse objectivo: a) um trabalho publicado no dia 10.10.2025 no Jornal Notícias de Ourém sobre Saúde Mental; b) A participação num evento, promovido anteontem pela Just a Change que tratou a (in)dignidade habitacional e, no caso da minha mesa, a sua relação com a saúde mental.

Temas fundamentais e preocupações “reais”, infelizmente por vezes secundados pela “voracidade” do tempo. Temas fundamentais à tal “sociedade livre e civilista”, de oportunidades para todas e todos puderem florescer e cumprir-se.

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Democracia Desafios da Psicologia Política Psicologia

Dia Mundial da Saúde Mental e dia da atribuição do Prémio Nobel da Paz

Hoje é Dia Mundial da Saúde Mental. Dia que sublinha a importância da saúde mental na possibilidade autodeterminação, de bem-estar individual e colectivo e de desenvolvimento e coesão social. Dia, também, de lembrarmos que “há palavras e expressões cuja definição mais comummente utilizada é a ausência do seu contrário” e que “assim é com a saúde mental”.
“Muitas pessoas definem e entendem saúde mental como um estado em que não se tem uma doença mental (…) [porém] a saúde mental vai muito além da ausência de doença mental, correspondendo aos recursos (internos e externos) que cada pessoa tem para lidar e se adaptar aos seus acontecimentos de vida e à sua possibilidade de florescimento e de bem-estar global.”
Este ano a data coincide com a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2025 pelo que recupero um texto que escrevi e publiquei na Revista SÁBADO a 30.12.21 intitulado: “Um desejo para 2022? Construirmos mais paz”.
Faço-o porque – tendo nas últimas horas surgido notícias promissoras face à terrível situação de Gaza e à libertação dos reféns que persistem dos horríveis atentados do 07.10.23 – não me recordo de outro ano onde tanto se falou sobre quem poderia receber o Prémio Nobel da Paz nos dias anteriores à atribuição.
Faço-o, também e como para a saúde mental, para sublinhar, ainda antes de conhecermos a/o ou as/os vencedoras/es, que a Paz é mais do que a ausência de guerra. Que o “próprio Instituto para a Economia e a Paz publica dois “rankings” que organizam anualmente um conjunto de países: Paz Global [Global Peace Index], classificando a apelidada “Paz negativa” (ausência de violência, conflito destrutivo e guerra) (…) e Paz Positiva [Positive Peace Index], partindo do reconhecimento de que a Paz é mais que a ausência dos indicadores anteriores, ao analisar a civilidade, a cooperação e o cuidado (com outras e outros).”
Apesar de escrito no final de 2021 e do Mundo ter mudado incrivelmente, convido à sua leitura e convido, neste dia, a que reflictamos sobre o conceito de saúde mental, enquanto mais que a ausência de doença mental, e sobre o conceito de Paz, enquanto mais que a ausência de guerra. Que reflictamos neles, na relação entre eles e no que podemos para eles contribuir… Individual e colectivamente.
É que “na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, construir futuro e construir futuro com possibilidade de bem-estar depende de construirmos harmonia, civilidade e de cooperarmos. Dependente de desenvolvermos a partilha, a pertença e a gratidão. De pensarmos que não há individual sem colectivo e colectivo sem individual. De integrarmos que não confiar nas e nos outros e nas instituições em democracia é, antes de mais, não confiarmos em nós, nas pessoas que fazem as instituições e os governos. Depende, pois, de investirmos na paz e na sua promoção e de fazermos do cuidado com as outras e os outros o principal cuidado connosco. 2022 [e 2025] é tempo para nos juntarmos, relacionarmos e para construirmos mais paz.”
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Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global

Ainda a propósito da minha última partilha que começava com 2 bebés que terão hoje 4 dias, volto com outro recurso que complementa – porque amplifica a outros desafios societais – o texto da passada 2ªF que se referia principalmente à desigualdade/iniquidade.

Falo de uma publicação que parte da colaboração entre a American Psychological Association e as United Nations, da responsabilidade de Odile Frank intitulada: “Psychological aspects of multilateral social development policy and the global development agenda” [Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global] | https://www.apa.org/international/united-nations/social-development-policy.pdf

Documento que parte da identificação de 3 dimensões psicológicas importante ao momento actual de progresso (ou da ausência de progresso ou mesmo do retrocesso) em vertentes da agenda global de desenvolvimento:

. O impacto da pobreza e exclusão no bem-estar e o que podemos fazer para o prevenir;

. A compartamentalização de disciplinas científicas (quando os desafios societais complexos carecem de abordagens interdisciplinares) e a centração em ideias (por vezes preconceitos) e modelos conceptuais de intervenção que nem sempre são os mais custo-eficazes, condicionando o progresso;

. A nível global as tensões mais hedoinistas de maximização e, consequente, concentração da riqueza e algum desequilibrar da balança para mais empatia que altruísmo – a empatia é importantíssima, não me entendam mal, mas, por si só, insuficiente à mudança.

Convido, pois, à sua leitura e a reflectirmos sobre:

. Como pode o desenho de políticas atender mais significativamente às questões sociais, valorizando o impacto nas pessoas e comunidades das necessárias decisões de base económica;

. Como podemos co-construir e desenvolver de forma eficaz e ampla a segurança económica de todos, a partir de redes de proteção mais inclusivas;

. Como podemos renovar e actualizar os princípios de solidariedade entre pessoas, comunidades e gerações, a partir do fortalecimento dos laços e da coesão social e intergeracional e da confiança nas instituições, visando sociedades e um Mundo mais resiliente e com futuro.

É difícil? Certamente.

Os temos ajudam? Nem por isso…

Mas ignorar que o necessitamos de fazer enfraquecerá, sempre e mais ainda, as instituições e a agenda de desenvolvimento global, com repercussões que imagino duras e que historicamente conhecemos com o sofrimento e sacrifício de muitas pessoas. Já fazer destes desafios desígnio, pode dar-nos um propósito, primeiro individual, depois de comunidade e, finalmente, global que estimule uma sociedade mais justa, equitativa e melhor equipada para o presente e futuro.

Farei por isso. Faremos por isso.

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Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

Pensemos os primeiros 1000 dias de vida. É neste período, dos nove meses de gestação aos primeiros dois anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.

Conjugando estas evidências com o conjunto de estudos sobre a maior eficiência e custo-eficácia (melhores resultados com menores custos) das políticas públicas neste período – bem demonstradas, entre outros, pelo prémio Nobel da Economia James Heckman – talvez tenhamos mesmo uma bala de prata para a promoção da equidade. Desde logo, através de políticas com eficácia e eficiência que, no período da gravidez e primeiros três anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento. Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção precoce na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.

Esta é uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo. Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.

 

Tiago Pereira

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

JN, 30.07.2025

https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531