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SEKEM

Ontem soubemos que a “Alianza Ceibo” venceu a edição deste ano do Prémio Gulbenkian para a Humanidade. Sucede ao “Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming”, a “Rattan Lal” e a “SEKEM”, vencedores em conjunto da anterior edição de um dos mais prestigiados prémios atribuídos por uma Fundação sediada em Portugal e que reconhece “indivíduos e organizações que alcancem enormes progressos na luta contra as alterações climáticas”. Parabéns.

 

O Luis de Melo Jerónimo dizia ontem à comunicação social (ver comentários) – e muito bem, a meu ver – que um dos impactos positivos dos prémios é a possibilidade de “estimular parcerias” e que a Fundação Calouste Gulbenkian está a estudar “criar uma rede entre vencedores” com esse objetivo. Nada mais relevante. Como Karin Nosková dizia recentemente “systems change requires trust and long-term partnerships” (ver comentários).

 

Na miríade de curiosidades e coincidências que acompanham quem simplesmente vive, isto acontece poucos dias depois de regressar do Egipto e de um conjunto de ações, reuniões, visitas e participações exatamente em e com SEKEM e, também exatamente, para reforço dos laços e possibilidades de relação e cooperação entre SEKEM e a Fundação Mendes Gonçalves (FMG).

 

Foi para mim e para nós, sei-o, um momento extraordinário de reflexão e inspiração. No particular, reunião a reunião, projeto a projeto, visita a visita, contacto a contacto. Mas, essencialmente, na perceção e no sentir, pleno, de como aquele conjunto e aquele sistema funcionam. Das práticas da agricultura à educação, da saúde à intervenção social, da investigação aos postos de trabalho e marcas, da formação (incluindo vocacional e universitária) ao desenvolvimento de pessoas e comunidades, da associação de agricultores à liderança, visão e ambição, cuidada, centrada e respeitadora de cada pessoa. Perceber, afinal, que é possível e que SEKEM é exemplo vivo dessa bonita e esperançosa possibilidade.

 

Mas conheçam e descubram por vós, valerá a pena. Quanto a nós, na FMG, comprometemo-nos a fazer algo com este sentir, a partir da nossa agência, tentando com SEKEM, e com quem faz SEKEM, colaborar no que de alinhamento há na nossa visão e projeto e fazendo daquela demonstração de possibilidade – em muito resultante das relações, partilha e construção de (verdadeira) comunidade – inspiração para o que dia-a-dia estamos a procurar construir e contribuir na Golegã, na região ao redor, em Portugal e no Mundo.

 

Obrigado Katrien Buys, por o teres proporcionado e pela atenção, cuidado e palavras. Serás certamente e na maneira em que possas e desejes, parte deste nosso caminho. Obrigado Helmy Abouleish por, com toda a equipa, nos receber e mostrar… Por nos querer compreender e ainda me convidar a participar no debate “Rethinking leadership in times of uncertainty”, inserido na conferência “Sustainable Development for Global Impact” promovida pela Heliopolis University, parte do SEKEM Group.

 

Obrigado. Por o fazerem. Por o mostrarem possível.

 

……

 

Ps. E… @Ines Queiroz, já disseste como foi à @Francisca Canais? E… @francisca, não custa sonhar porque “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”.

Ps2. O (incrível) Palma, se não conheceu, haveria de ter gostado de conhecer aquela comunidade, visão e ideia de presente e futuro… E SEKEM de o conhecer e acolher.

……

https://gulbenkian.pt/read-watch-listen/sekem/

https://observador.pt/2026/09/21/projetos-distinguidos-pelo-premio-gulbenkian-para-a-humanidade-replicados-em-varios-paises/

Philanthropy is not defined only by resources but by relationships

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Educação Filantropia Política Psicologia

Hoje, amanhã e depois…

9130. No passado Sábado reencontramo-nos na nossa Évora, cerca de 9130 dias depois. Passam, por estes dias, 25 anos do início do nosso curso e, por isso e “em turma”, juntamo-nos para almoçar. Se quiserem pensar esta quantidade de tempo em vós (e se tiverem “idade que o permita”), pensem no momento em que souberam dos atentados que a 11 de Setembro de 2001 aconteciam nos EUA e que, entre outros, conduziram à queda das Torres Gémeas e a um Mundo necessariamente diferente. Eu penso-o muito também para me “pensar” e perspetivar… Em como o que fazemos hoje impacta o futuro. Nosso e do e de quem nos rodeia. Penso-o, especialmente, hoje.

E, pensando-o hoje, 25 anos levar-nos-ão sensivelmente a 2050. A meio deste complexo, incerto e imprevisível (não terão sido todos?) mas “ultra-veloz” século que partilhamos e para o qual as nossas ações, hoje, contribuem para o presente e futuro. Também por isso, há dias, pensando em algo que teve, tem e (espero) continuará a ter um papel fundamental de agregador de pessoas e comunidades – alimentação/refeições – e que, simultaneamente, se cruza com importantes dimensões pessoais (económicas, saúde e bem-estar, auto-estima, pertença, etc.) e sociais (economia, clima e biodiversidade, serviços de saúde, etc.) escrevi um artigo que aqui convosco (ver comentário).

“Uma ideia para a sustentabilidade futura do SNS? Investir na alimentação e nos espaços de refeição da primeira infância”, chamei-lhe. Com ele procuro suscitar que se pense em como investir na alimentação e nos espaços de refeição da primeira infância é uma das formas mais eficazes — mas pouco intencionalizada — de cuidar do que aí vem. Da saúde, desenvolvimento e bem-estar das crianças. Da comunidade que, também, se constrói “à volta de uma mesa”. E para a própria sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

…“os espaços de refeição – na escola e em casa – podem ser um importante “educador silencioso” (…) porque uma criança não aprende a comer apenas e só porque lhe explicam o que é saudável. Antes, aprende porque observa, repete, associa e sente. Aprende com o espaço, com a rotina, com o tempo que lhe é dado e que é dado à refeição. Aprende com a calma ou com o stresse de quem a rodeia, com a possibilidade de escolher e de participar, com o prazer e o respeito com que vê os adultos comerem. A cada refeição, este educador silencioso está a contribuir para as memórias, a criar relação e a formar o comportamento (alimentar, e não só) das crianças, hoje, e dos adultos de amanhã.” Escrevo. Sinto.

“Porque investir nos ambientes de refeição da primeira infância é um dos exemplos mais claros daquilo que hoje rareia: um contributo que não polariza, não simplifica e não promete o impossível. Que não é particularmente caro, que é eficaz e que tende a, de forma evidente, contribuir para melhorar, hoje e amanhã.”

Como o que somos hoje foi, em boa parte, semeado no que se fez e aconteceu, o que seremos amanhã está a ser co-construido, hoje. Pelo futuro de todos.

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Educação Fundação Mendes Gonçalves Tomada de Decisão

Fórum Rege

Propósito. Como a sustentabilidade, é uma palavra poderosa que, infelizmente, também por isso e pela forma como tende a ser utilizada, significa hoje tudo e nada e é, não raras vezes, usada (e “abusada”) como mantra para o ultrapassar de todos os desafios e dificuldades, pessoais e profissionais.

Por isso hoje – Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho – permitam-me avançar deste “propósito” para uma triangulação do envolvimento, celebração e compromisso que sinto, dia-a-dia, no meu trabalho. E o Fórum Regenerar 2026 que na Fundação Mendes Gonçalves organizamos a 23 de abril foi um momento fantástico de sua demonstração.

No envolvimento que se sentiu naquela sala e jardim e no sentido do que ali se discutiu, sentiu e viveu. De tantas e tantos amigos, parceiros e companheiros de caminho que deram significado e coerência aquele momento.

Na celebração do nosso 1º aniversário… 1 ano e que ano!

No compromisso. Que sinto e sentimos. E que afirmamos com uma declaração que sinaliza o caminho que nos propomos prosseguir, para o qual pretendemos juntar outros agentes e parceiros e cuja avaliação pretendemos fazer na 2ª edição do Fórum Regenerar (2028). Na declaração que partilhei no Fórum comprometemo-nos a:

. Educar com evidência e cuidado: advogar e contribuir para o desenvolvimento de um ecossistema educativo de qualidade dos 0 aos 10 anos (…);

. Nutrir com equidade e dignidade: promover a literacia alimentar, a segurança nutricional e estilos de vida e hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis (…);

. Regenerar solos, ecossistemas e comunidades: promover e disseminar práticas de agricultura regenerativa baseadas na evidência científica (…);

. Comunicar, advogar e multiplicar (…);

. Apoiar projetos de impacto na Regeneração: preparar e lançar um Fundo de Apoio de Investimento de Impacto, com contributo da Fundação Mendes Gonçalves mas aberto a diferentes participações.

Fizemo-lo referindo que (…) “Hoje, reunidos na Golegã, no 1º Fórum Regenerar, afirmamos uma crença e a convicção que partilhamos ao longo deste dia: é possível e é imperativo regenerar (…) convidamos fundações e outras organizações da economia social, entidades públicas e privadas e todos os agentes do bem-comum, alinhados com esta visão, a construírem, em parceria connosco, este futuro coletivo. Partilhando e envolvendo-se com esta declaração, assumindo o compromisso de contribuir para uma cultura de regeneração e de agir, dia-a-dia e a partir de cada território, na direção de um futuro de maior equidade, coesão social e regeneração”.

No fórum Regenerar 2028 prestaremos contas. E demonstraremos envolvimento, celebraremos e voltaremos a comprometer-nos, pois:

“Juntos, cuidamos.

Juntos, regeneramos.

Juntos, criamos e inspiramos futuros. De todos.”

Declaração Inspirando Futuros | Uma Declaração para Regenerar no presente e para o futuro: https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/04/INSPIRANDO-FUTUROS-Declaracao-Regenerar-2026.pdf

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Educação Filantropia Pobreza e Desigualdade

Ainda os 1000 dias e as oportunidades que se abrem…

Quem por aqui me vai lendo sabe a importância que atribuo aos primeiros 1000 dias e à relevância da estimulação/educação de qualidade no período dos 0 aos 3 anos. A par da possibilidade de relações e vinculações seguras com as figuras parentais e/ou cuidadoras/es e de uma nutrição de qualidade, será um dos investimentos mais efetivos que a sociedade pode fazer, considerando a sua custo-efetividade, o impacto positivo na vida de bebés/crianças e suas perspetivas futuras e como combate a desigualdade e injustiça social e promove a equidade.

Este investimento depende da maior consciência da sociedade da importância deste período, algo que beneficia de mais discussão pública, a par da cada vez mais clara e robusta evidência científica em torno do desenvolvimento do cérebro do bebé e das suas capacidades desde o período intrauterino (gravidez) até aos 2 anos (os tais 1000 dias).

Há portanto que criar oportunidades e aproveitar as que finalmente se abrem em Portugal em áreas para as quais a Fundação Mendes Gonçalves tem também procurado contribuir, a partir através dos programas Educar e Nutrir:

a) Utilizar, efetivamente, as “Orientações pedagógicas para creche” (publicadas há já 2 anos) para estimular junto das creches, um repensar de práticas e intencionalizar a promoção de uma estimulação e educação de qualidade, a partir de mais e mais efetiva formação das/os profissionais, da partilha de práticas e da criação de comunidades que aproximem diferentes instituições;

b) Advogar para que, conforme as orientações pedagógicas, as creches (como acontece noutros ciclos) possuam orientações claras sobre as refeições – e seus momentos e espaços – algo essencial à formação das primeiras relações com os alimentos e importante na promoção precoce de comportamentos alimentares saudáveis e sustentáveis;

c) Finalmente, e porque sabemos que por diversas razões (por indisponibilidade de vagas; viverem em pequenas freguesias/lugares ou apenas por preferência das/os cuidadores) muitos bebés/crianças não frequentam a creche, usarmos do recente debate de projetos de Lei, da aprovação de um projeto de resolução (n.º 673/XVII/1.ª) e da criação pelo Governo de um grupo de trabalho para “re-olharmos” a resposta das Amas e garantirmos mais qualificação e formação inicial e contínua e melhor enquadramento, acompanhamento e partilha de práticas, visando a promoção de práticas com mais efetividade e qualidade.

A Fundação Mendes Gonçalves tem procurado dar contributos nestas áreas, participando e incentivando debates públicos, redes de colaboração e desenvolvendo ou prevendo projetos como a Escola Mendes Gonçalves e o seu Centro de Formação Profissional dedicado ao período 0-3 anos, o “Ambientes que Nutrem” ou o “Cuidar em Rede”, projeto em que apoiamos a formação, formalização e acompanhamento de um conjunto de Amas no concelho da Golegã e região ao redor.

Contem, portanto, connosco.

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Democracia Educação FMG Fundação Mendes Gonçalves

Um outro Fuji, da Golegã para o Mundo

Hoje passam 42 anos do nascimento do projecto TED Conferences. Nascido no mítico 1984, o projecto cresceu e o seu lema – “ideias que merecem ser disseminadas” – levou (e continua a levar) reflexão e boas-práticas, nos mais diversos temas, aos quatro cantos do Mundo com uma energia, dinâmica e estilo muito próprios. Só aqui, no LinkedIn, tem mais de 24 milhões de seguidores (mais de dois “Portugais”), sendo a 5ª organização mais seguida logo após a Google, a Amazon, a Microsoft e o próprio LinkedIn. É obra.

Curiosamente um dos seus últimos posts (https://www.linkedin.com/posts/this-kindergarten-school-is-designed-to-help-ugcPost-7430058540633006080-5tTY?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU), publicado há 4 dias, trata uma obra incrível –  a construção do Jardim-de-Infância (JI) Fuji, nos arredores de Tóquio, pela dupla de arquitectos Tezuka e decorre de um excerto de uma conferência TED do Takaharu Tezuka intitulada “O melhor JI que alguma vez viu”.

O excerto foca a forma como o desenho e a arquitectura do JI permite a sua abertura ao espaço exterior e ao redor, com a quase ausência de limites e barreiras entre espaço exterior e interior. Ainda o facto do projecto assentar na ideia de se fazer um “telhado”, utilizável e baixo (onde as crianças se pudessem ver entre os diferentes níveis do JI) e correr até ao infinito e a exploração, ao limite, da articulação com as árvores e com o espaço exterior no geral e sua utilização intencional para diminuir factores de tensão/stress e potenciar o “risco” controlado, a atividade física e a concentração em sala de aula.

Finalmente – e não menos importante – a forma como o desenho do espaço influencia positivamente a cooperação e o entendimento do JI como uma sociedade, de direitos e deveres de cada uma das partes, terminando com uma forte afirmação: “A arquitectura é capaz de mudar o Mundo | Uma das formas de o fazer é procurar mudar a vida das crianças”.

É, assim é. E assim procuramos fazer no trabalho que estamos – Fundação Mendes Gonçalves – a fazer para a construção da Escola Mendes Gonçalves, o primeiro projecto de um espaço escolar dos arquitectos Tezuka na Europa. Será em Portugal, na Golegã, e reunirá no mesmo espaço as respostas de Berçário, Creche, JI e Escola Básica de 1º Ciclo, integradas e a beber, entre outros, do conjunto de princípios e referenciais atrás referidos e da sua articulação com o seu projeto pedagógico. Mais, da sua articulação, também, com os Centros de Conhecimento e de Desenvolvimento Profissional previstos e com o que o Programa Educar da Fundação Mendes Gonçalves preconiza – “Educar com qualidade muda o Mundo”, sendo fundamental contribuir amplamente para uma educação de qualidade dos 0-10 anos, com especial enfoque no período 0-3 anos.

Um dia teremos uma nova história e, com ela, “ideias que merecem ser disseminadas”, da Golegã para o Mundo.

Ps. Mais e mais aprofundada informação e partilhas nos comentários.

…

“The best kindergarten you’ve ever seen” | Takaharu Tezuka | https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen

Projecto “Escola Mendes Gonçalves” | @Fundação Mendes Gonçalves | https://www.youtube.com/watch?v=99biJdnHfXI

Programa Educar | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-001-FED-Nota-Conceptual-Educar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

Fundação Mendes Gonçalves e Fundação Santander promovem debate sobre espaços educativos com Arquiteto Tezuka | @Fundação Mendes Gonçalves e @Fundação Santander | https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/04/25/fundacao-mendes-goncalves-e-fundacao-santander-promovem-debate-sobre-espacos-educativos-com-arquiteto-tezuka/?doing_wp_cron=1771819478.6236600875854492187500

 

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Educação FMG Pobreza e Desigualdade Política

1000 dias, investigação e equidade

“[Um desafio] é o bebé precisar de estar confortavelmente deitado no aparelho de ressonância magnética funcional acordado e sem se mexer”, disse ao Público uma investigadora, a propósito de um novo estudo com imagens da atividade do cerébro de bebés. Estudo que permite compreender que bebés pequenos (2 a 4 meses) “vêem o Mundo de forma mais complexa do que se imaginava” tendo já “capacidade de agrupar categorias – distinguir entre imagens de seres vivos e objectos – aos 2 meses”. Um passo importante para “ligar este tipo de imagem cerebral aos resultados cognitivos mais tarde na vida”.
Para tal e para crescermos em evidência e, espero, em sobressalto público e responsividade das/os decisoras/es e das políticas públicas à importância de cuidarmos os primeiros 1000 dias de vida, enquanto período fundamental de desenvolvimento e de promoção da equidade pelo cuidado, conforto e segurança, física e emocional do bebé, mas também pela educação e nutrição de qualidade.
Temos (Fundação Mendes Gonçalves) insistido no tema e na necessidade (de certa forma urgência), não raras vezes desconsiderada em função da necessidade (premente é certo) do mero reforço da oferta e da ausência de uma visão para as instituições educativas dos 0-3 anos voltada para uma estimulação e educação de qualidade. E temo-lo feito com ações concretas que apresentamos num evento que denominamos “Cuidar da Primeira Infância” [Golegã; 11.02.26] onde lançamos o “Cuidar em Rede”, uma rede de insituições educativas que incluem respostas de berçário, creche e JI da Golegã e dos concelhos limítrofes com a qual procuraremos, juntos, contribuir para uma educação de qualidade dos 0-6 anos e para um olhar proactivo para a importância da alimentação e nutrição. Agredecemos aos 5 municípios e às 9 instituições iniciais e nos próximos meses alargaremos a rede e o seu potencial de contributo.
Sabemos bem porque é que esta é uma prioridade de Portugal, “2º país da OECD – OCDE com maior nível de desigualdade de oportunidades” e 1º na responsabilidade das “circunstâncias herdadas, como o contexto socioeconómico dos pais”, na desigualdade – 40% face a uma média de 25% para toda a OCDE.
Complementarmente, como a American Psychological Association sublinha, a saúde mental começa com o começo da vida pelo que “além de reduzirmos as experiência adversas” de bebés/crianças necessitamos potenciar e promover os “aspectos positivos da infância, fundamentais para ajudar a suportar os riscos da vivência de experiências adversas no futuro” e “priorizar a prevenção, ajudando crianças a florescer antes de esperar que os problemas se aprofundem” para depois intervir.
Um e outro procuramos, a partir dos nossos recursos e capacidades, suportados na crença e compromisso forte com este caminho. Para fazer e fazer bem, junto com outras entidades, a partir da Golegã e região ao redor, procurando inspirar o país e, quem sabe, outras partes do Mundo.
Ps. Em comentário partilho links para mais e mais aprofundada informação.
Links Publicação:
“Bebés de dois meses vêem mundo de forma mais complexa do que cientistas imaginavam | @PÚBLICO |
https://www.publico.pt/2026/02/03/ciencia/noticia/bebes-dois-meses-veem-mundo-forma-complexa-cientistas-imaginavam-2163498
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Evento “Cuidar em Rede” | @Fundação Mendes Gonaçlves | https://fundacaomendesgoncalves.org/2026/02/11/apresentacao-da-fundacao-mendes-goncalves-2/
….
Portugal é o 2.º país da OCDE com maior nível de desigualdade de oportunidades e grande parte da “culpa” é da profissão dos pais | @Expresso | https://amp-expresso-pt.cdn.ampproject.org/c/s/amp.expresso.pt/sociedade/2025-09-29-portugal-e-o-2.-pais-da-ocde-com-maior-nivel-de-desigualdade-de-oportunidades-e-grande-parte-da-culpa-e-da-profissao-dos-pais-7a3ac707?utm_term=Autofeed&utm_medium=Social&utm_source=LinkedIn
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Psychologists are reimagining how society supports children – New models of care, education, and prevention prioritize mental health across the life span | @American Psyhcological Association | https://www.apa.org/monitor/2026/01-02/trends-childhood-lifelong-mental-health?utm_source=linkedin&utm_medium=social&utm_campaign=apa-monitor&utm_content=childhood-lifelong-mental-health
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Educação Política Psicologia

1 em cada 4

“1 em cada 4 – Falar sobre Saúde Mental” foi o título que o Município de Caldas da Rainha escolheu para uma iniciativa que, em outubro passado, a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, visou a criação e divulgação de 4 episódios de um podcast com este nome.

Sim, “1 em cada 4” para nos recordar que, à elevada prevalência de problemas na área da saúde mental em Portugal e à forma como os dados portugueses comparam muito mal com os dados da grandíssima maioria dos países europeus, normalmente não corresponde um nível de comunicação e interesse público (e, já agora, dos decisores) em linha com estes indicadores, nem, infelizmente, níveis elevados (por vezes sequer razoáveis) de literacia da população nesta área.

Também por isso, creio ser muito relevante que as autarquias, em maior proximidade com as pessoas e comunidades impactadas significativamente por estes problemas, promovam iniciativas que permitam a discussão (informada) destes temas, com a participação das pessoas e que visem a melhoria da literacia da população na área da saúde mental.

Este podcast de que vos falo visou exatamente esse propósito e permitiu o debate sobre Saúde Mental vs. Doença Mental, Doença Mental Grave, Acesso aos cuidados de Saúde Mental e respostas locais, além do episódio para o qual fui convidado e dei um contributo – e que convosco aqui partilho: https://youtu.be/gl4Bvs3xlto?si=EAayJClYRJm79WyK – em torno da Comunicação sobre Saúde Mental: A importância e as boas práticas.

Fi-lo a convite e com a Adriana Oliveira Brites, a quem volto a agradecer a confiança, numa conversa que versou a importância de falar abertamente sobre saúde mental na sociedade atual, as barreiras que se colocam a que se fale mais sobre estes temas, o papel dos media e das redes sociais, bem como as boas (e menos boas) práticas de comunicação num momento de transformação da forma de acesso à informação e de maiores possibilidades de partilha de (des)informação.

Um pequeno contributo que partilho para um importante tema que diz respeito a todos. Falar sobre saúde mental, com informação séria e com cuidado, é uma das melhores formas de reduzir o estigma, aumentar a compreensão e literacia nesta área e de suscitar, junto da sociedade civil e decisores políticos, a urgência que o tema merece, porquanto condiciona e impede o pleno florescimento e o bem-estar, no presente e para o futuro, de um número muito significativo de pessoas, famílias e comunidades.

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Educação Fundação Mendes Gonçalves

Sempre a Educação

“Sempre a Educação”. Título escolhido por Eduardo Marçal Grilo, presidente do Conselho de Curadores (CC) da Fundação Mendes Gonçalves para um artigo (https://expresso.pt/opiniao/2025-12-03-sempre-a-educacao-1defb76b) publicado no Expresso a propósito do Dia Internacional da Cidade Educadora.

No artigo sublinha “a grande importância que deve ser atribuída à formação das crianças dos 0 aos 6 anos de idade e, portanto, à frequência das creches e dos jardins de infância pois é nestas idades que se criam as raízes e as bases em que assenta toda a integração das crianças na sociedade, em especial as que pertencem aos grupos mais desfavorecidos.” Nada mais relevante. Nada mais conectado com a ação e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Nada, também, mais próximo das conclusões do “Talis Starting Strong 2024” (https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2025/12/results-from-talis-starting-strong-2024_763cbc56/20af08c0-en.pdf), importante estudo da OECD – OCDE que, embora sem dados de Portugal, destaca a relevância da educação na primeira infância enquanto algo fundamental ao desenvolvimento educativo e social de bebés e crianças. Afirma o seu enorme “potencial de resposta a um conjunto significativo de desafios” ainda que sublinhando a necessidade de uma “força de trabalho capacitada e motivada para lidar com as exigências únicas de promover o desenvolvimento, a aprendizagem e o bem-estar dos bebés e das crianças mais pequenas”, algo que prosseguimos também na Fundação Mendes Gonçalves e que é base da proposta de Centro de Desenvolvimento Profissional que prevemos associar à Escola Mendes Gonçalves.

Finalmente, nada, ainda, mais próximo do estudo da The Royal Foundation Centre for Early Childhood sobre as “atitudes da sociedade civil sobre a educação na primeira infância” (https://centreforearlychildhood.org/wp-content/uploads/2025/05/The-Royal-Foundation-Centre-for-Early-Childhood_Public_Perceptions_Survey_second_release_April_2025.pdf). Estudo que destaca a relevância atribuída a este período pela sociedade civil, a necessidade de políticas de apoio às famílias, considerando a sua importância para o desenvolvimento de bebés e crianças, mas que, simultaneamente, parece não encontrar espelhado o papel fundamental que a educação (de qualidade) dos 0 aos 3 anos pode desempenhar, algo que reforça a necessidade de continuarmos a promover conhecimento e literacia e a contribuir para um sobressalto da sociedade civil perante a necessidade de aumentar (a qualidade d)a oferta, algo que a Fundação Mendes Gonçalves também persegue.

Termino como termina o artigo o nosso Presidente do CC, dizendo que como otimista que sempre foi (eu acompanho) está “seguro de que o país vai conseguir ultrapassar este desafio que não é fácil, mas que tem condições para poder vencer. O país precisa de gente nova, bem formada, com pensamento próprio, responsável e pró-ativa. Para isso nada melhor que “Um bom começo” para a sua educação e formação.”

Vamos a isso?

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2 bebés. 2 Mundos.

Hoje nascerão certamente dois bebés, sem problemas de saúde, cuja família vive em Birmingham. Espera-se, no entanto, que daqui a 5 anos um deles possa ter mais de 4 meses de atraso em termos desenvolvimentais e 4 a 5 vezes mais probabilidade de desenvolver um problema de saúde mental que o outro. A diferença? Um destes bebés nascerá em contexto de pobreza e o outro não. Hoje (2025!), nada mudando, é o que os espera no Reino Unido (UK).

A desigualdade é, certamente, uma das causas maiores das camadas de ressentimento, desconfiança e desesperança que pairam sobre um UK que, pós-Brexit, parece caminhar para que Nigel Farage, um dos seus mais radicais e sinistros obreiros – porque optou por declaradamente ludibriar, se não mentir, aquando da campanha do referendo – possa vir a ser o seu primeiro-ministro.

Nessa Birmingham, na convenção do Reform UK (o seu partido de direita populista/radical, já líder na maioria das sondagens), Farage anunciou a adesão ao partido de Nadine Dorries, ex-ministra da cultura de Boris Johnson e outrora sua grande apoiante que defende hoje que Partido Conservador está “morto” e que só Farage pode “mudar o UK”.

Infelizmente conhecemos cada vez melhor esta proposta de mudança que “varre” a Europa e as Américas do Norte e do Sul e como se foca em políticas de curto prazo, de questionamento de direitos humanos que muitas/os consideramos universais e de fragilização das instituições democráticas e da política baseada em factos e evidência (científica).

Ora, as desigualdades que atrás menciono persistirão se nada de significativo for feito para prevenir a exposição de bebés e crianças a situações de pobreza e exclusão e, particularmente, para os que nascem em alguns contextos considerando que os valores e princípios destas políticas ao invés de os protegeram, tendem a vulnerabilizá-los mais, com graves consequências para o seu desenvolvimento e possibilidade de bem-estar futuros e para o contrato e coesão social.

O “Child Poverty Action Group” publicou este ano o relatório “Building Blocks – How to deliver a child poverty strategy” cuja leitura recomendo. Dele, com o meu viés, destaco:

. A importância de definir metas/objectivos e serem publicamente assumidos;

. Uma reforma dos diversos apoios sociais informada pela ciência;

. Expandir refeições escolares gratuitas, habitação social e creches (de qualidade);

. Garantir responsabilização através de uma monitorização independente dos resultados das políticas;

. E, finalmente, investir nos primeiros 1000 dias de vida, quando comprovadamente as políticas de equidade têm maior impacto e custo-efectividade, se perspectivadas a médio/longo prazo.

Vamos a isso?

Ps. O presente texto poderia ser totalmente sobre Portugal se alterando – apenas – a menção a uma cidade, o nome de um partido, do seu líder, de um/a sua/seu apoiante e de alguns (poucos) números.

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Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

Pensemos os primeiros 1000 dias de vida. É neste período, dos nove meses de gestação aos primeiros dois anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.

Conjugando estas evidências com o conjunto de estudos sobre a maior eficiência e custo-eficácia (melhores resultados com menores custos) das políticas públicas neste período – bem demonstradas, entre outros, pelo prémio Nobel da Economia James Heckman – talvez tenhamos mesmo uma bala de prata para a promoção da equidade. Desde logo, através de políticas com eficácia e eficiência que, no período da gravidez e primeiros três anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento. Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção precoce na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.

Esta é uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo. Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.

 

Tiago Pereira

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

JN, 30.07.2025

https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531