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Educação Fundação Mendes Gonçalves Tomada de Decisão

Fórum Rege

Propósito. Como a sustentabilidade, é uma palavra poderosa que, infelizmente, também por isso e pela forma como tende a ser utilizada, significa hoje tudo e nada e é, não raras vezes, usada (e “abusada”) como mantra para o ultrapassar de todos os desafios e dificuldades, pessoais e profissionais.

Por isso hoje – Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho – permitam-me avançar deste “propósito” para uma triangulação do envolvimento, celebração e compromisso que sinto, dia-a-dia, no meu trabalho. E o Fórum Regenerar 2026 que na Fundação Mendes Gonçalves organizamos a 23 de abril foi um momento fantástico de sua demonstração.

No envolvimento que se sentiu naquela sala e jardim e no sentido do que ali se discutiu, sentiu e viveu. De tantas e tantos amigos, parceiros e companheiros de caminho que deram significado e coerência aquele momento.

Na celebração do nosso 1º aniversário… 1 ano e que ano!

No compromisso. Que sinto e sentimos. E que afirmamos com uma declaração que sinaliza o caminho que nos propomos prosseguir, para o qual pretendemos juntar outros agentes e parceiros e cuja avaliação pretendemos fazer na 2ª edição do Fórum Regenerar (2028). Na declaração que partilhei no Fórum comprometemo-nos a:

. Educar com evidência e cuidado: advogar e contribuir para o desenvolvimento de um ecossistema educativo de qualidade dos 0 aos 10 anos (…);

. Nutrir com equidade e dignidade: promover a literacia alimentar, a segurança nutricional e estilos de vida e hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis (…);

. Regenerar solos, ecossistemas e comunidades: promover e disseminar práticas de agricultura regenerativa baseadas na evidência científica (…);

. Comunicar, advogar e multiplicar (…);

. Apoiar projetos de impacto na Regeneração: preparar e lançar um Fundo de Apoio de Investimento de Impacto, com contributo da Fundação Mendes Gonçalves mas aberto a diferentes participações.

Fizemo-lo referindo que (…) “Hoje, reunidos na Golegã, no 1º Fórum Regenerar, afirmamos uma crença e a convicção que partilhamos ao longo deste dia: é possível e é imperativo regenerar (…) convidamos fundações e outras organizações da economia social, entidades públicas e privadas e todos os agentes do bem-comum, alinhados com esta visão, a construírem, em parceria connosco, este futuro coletivo. Partilhando e envolvendo-se com esta declaração, assumindo o compromisso de contribuir para uma cultura de regeneração e de agir, dia-a-dia e a partir de cada território, na direção de um futuro de maior equidade, coesão social e regeneração”.

No fórum Regenerar 2028 prestaremos contas. E demonstraremos envolvimento, celebraremos e voltaremos a comprometer-nos, pois:

“Juntos, cuidamos.

Juntos, regeneramos.

Juntos, criamos e inspiramos futuros. De todos.”

Declaração Inspirando Futuros | Uma Declaração para Regenerar no presente e para o futuro: https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/04/INSPIRANDO-FUTUROS-Declaracao-Regenerar-2026.pdf

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Comportamento Educação Filantropia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia Tomada de Decisão

Heckman

Este é apenas um exemplo… Alicia, filha de Alfredo Quintana, guarda-redes de Andebol do FCPorto e da selecção nacional falecido há 4 anos, brinca com Gustavo Capdeville, guarda-redes do SLBenfica e da selecção nacional depois de um FCP-SLB. Vem ela propósito de ontem ter visto uma imagem de um jogador da selecção de rugby do País de Gales com um/a bebé ao colo, logo após um jogo intenso, e dois jogadores adversários de Inglaterra a brincar/interagir com a/o bebé. Mas podia vir a propósito, também e num sentido menos positivo, de Alan Kurdi, o menino sírio da camisola vermelha que morreu há quase 13 anos e cuja imagem, caído numa praia da Turquia, quem viu não mais esquecerá.

Nem rivalidades desportivas, nem frases/pensamentos tipo “vai para a tua terra” sobrevivem, geralmente (sublinho, geralmente), a bebés/crianças, tal é o nosso instinto protector e de carinho e cuidado. Do mais bonito que o Mundo nos dá.

Mas, se assim é face a situações particulares, temo que um conjunto de forças e dinâmicas actuais (políticas e sociais) possam obstaculizar a uma visão da importância de investirmos, hoje, nos bebés/crianças para, hoje e amanhã, todos beneficiarmos enquanto comunidade e sociedade desse investimento.

Podia enumerar diversas e variadas forças/dinâmicas. Destaco quatro:

a) O crescimento do populismo e, com ele, de um estímulo a políticas tendentes a ganhos mais imediatos e tangíveis, retirando foco/prioridade ao investimento significativo nos primeiros anos de vida, com resultados a médio/longo prazo;

b) A crescente desconsideração da ciência face a percepções e visões mais “puramente” ideológicas e/ou assentes numa suposta meritocracia, algo que periga a utilização dos recursos onde e quando se mostram mais eficientes e eficazes;

c) O enfraquecimento do conceito de direitos humanos universais e uma menor atenção à procura da promoção da equidade e da possibilidade de autodeterminação, com intervenções robustas junto das/os bebés/crianças em situação de maior vulnerabilidade;

d) A quebra da confiança, a maior dificuldade de diálogo e colaboração entre decisoras/es políticos e de continuidade de políticas fragilizam investimentos a médio/longo prazo;

Razões que, creio, nos devem preocupar e fazer regressar a Heckman, prémio Nobel de Economia e que na sua célebre equação refere: “A maior taxa de retorno do desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível, desde o nascimento até os cinco anos de idade, em famílias vulneráveis. Começar na idade de três ou quatro anos é um pouco tarde demais, pois significa não reconhecer que habilidades geram habilidades de uma forma complementar e dinâmica. Os esforços devem concentrar-se nos primeiros anos em busca de maior eficiência e eficácia.”

Regressemos a Heckman e – apesar do tempo, do dia-a-dia muito complexo e das forças que nos arrastam para o que de mais imediato existe – não esqueçamos de a cada dia prepararmos, enquanto comunidade e sociedade, o futuro.

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Comportamento Desafios da Psicologia Política Psicologia Tomada de Decisão

Curtoprazismo e Individualismo

Este Sábado tive uma (boa) conversa com o Miguel Ricou e com um conjunto de pessoas, incluindo amigas/os, que dedicaram um final de tarde de fim de semana para estar connosco e connosco discutir. Falamos sobre democracia, confiança e futuro. Falamos sobre a psicologia em tudo isto e sobre potenciais contributos dos e das psicólogas, enquanto profissionais e enquanto cidadã(o)s, nestes fenómenos. Falamos porque democracias enfraquecidas correspondem a riscos, por vezes significativos, para os direitos humanos, para a equidade e para a possibilidade de bem-estar para todas as pessoas. No presente e para o futuro.

 

Falamos, além de consequências, de causas e do papel das políticas públicas e de cada pessoa na prevenção da preocupante (caracterização minha) tendência que hoje se pode observar. A este propósito, queria partilhar convosco algumas considerações e um interessante exemplo.

 

As considerações versam o papel da conjugação da vertigem para o “curtoprazismo” com um certo individualismo contemporâneo para este processo de enfraquecimento. Tendencialmente explicáveis por uma certa ideia de sucesso e mérito inscrita na sociedade (retorno e afirmação individual), por uma cultura assente no imediatismo (também à boleia das redes sociais e no crescimento voraz), na perda de laços e vínculos comunitários de base mais fundacional. Isto, além da crescente desconfiança e na dificuldade de se assumirem compromissos e planos de médio e longo prazo num contexto de incerteza e imprevisibilidade.

 

São políticas públicas que ousam inovar/experimentar, co-construidas, bem-sucedidas e centradas nas pessoas, no seu bem-estar e no bem-comum, que melhor podem contrabalançar estas forças. Um extraordinário exemplo foi-nos mostrado pelo Público e versa o projecto de Bjørvika, uma intervenção no espaço urbano de Oslo. Um trabalho dos estudantes Gabriel Miraldo e Maria Maia (as maiores felicidades) que convido a conhecerem. A certa altura… “Hoje, Sofie reconhece Bjørvika como um bairro que “funciona para as pessoas”, incluindo estruturas que garantem uma comunidade local activa.” E… “Muitas vezes nós pensamos que os políticos vêm sempre atrás, mas eu acho que aqui há mesmo esta vontade da parte política.”

 

Vontade que deve complementar a agência de cada pessoa. Na tertúlia de Sábado procurei estimular que reflictamos sobre o que estamos dispostos a abdicar… Decidir de forma diferente da que decidiríamos sem pensarmos no futuro. Decidir para não ganhar (tanto) hoje, contribuindo para uma melhor sociedade a médio/ longo prazo para todas as pessoas.

 

Façamos este exercício. Ajuda-nos, creio, a perceber, até pela dificuldade do mesmo, porque aqui chegamos. Ajuda-nos, pela consciência, a termos mais agência e a podermos fazer algo, mais. E, quem sabe, se essas eventuais mudanças e diferentes decisões, menos “curtoprazistas” e individuais não resultarão melhor(es), não apenas para o que nos rodeia e para todas e todos, mas, também e principalmente, para nós próprios.

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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Tomada de Decisão

Mudar para envolver e vincular – As organizações e os jovens em Portugal (Ao redor…; 17.07.2024)

“A mensagem principal é dizer aos jovens que vale a pena viver em Portugal (…) Precisamos dos jovens portugueses em Portugal, para termos todos mais futuro”. Estávamos em Maio e foi com estas palavras que Luís Montenegro apresentou e enquadrou as decisões de um Conselho de Ministros voltado para a população mais jovem. Um conjunto de medidas em áreas diversas como a habitação, a fiscalidade, a saúde (com destaque para a saúde mental) ou o alojamento e bolsas de estudo para estudantes. Tudo propostas que, concordando-se mais ou menos, particularmente no detalhe, focam áreas-chave do desafio que se coloca ao nosso (mas não apenas ao nosso) país. Tudo propostas que, creio, serão potencialmente mais eficazes e eficientes se acompanhadas por uma mudança nas organizações, públicas e privadas, no sentido de um maior envolvimento e vinculação da população mais jovem, mudança este que poderia ser impulsionada a partir de estímulos concretos ao reforço dos princípios de equidade, diversidade e inclusão nas organizações.

Se olharmos ao nosso redor podemos ver e perceber. Temos, hoje, em Portugal, uma população jovem, não apenas com mais e mais especializada formação, mas mais diversa, fruto do aumento da mobilidade global e de um certo tipo de migração nos últimos anos. Uma população jovem, empoderada, que prioriza o propósito na vida e no trabalho, que se orienta por valores, pela procura de equilíbrio entre vida profissional e pessoal e pela promoção do bem-estar. Mercê alterações societais, algumas muito influenciadas pelas novas tecnologias, temos também hoje um desfasamento significativo entre gerações e, por vezes, maior dificuldade nos diálogos e na compreensão intergeracional. Temos, por outro lado, uma inversão relevante da pirâmide etária e, por isso, cada vez mais pessoas com maior capacidade e, algumas, com vontade e intenção de trabalhar mais anos e de manter posições de decisão e responsabilidade nas organizações.

Dizia que a população mais jovem prioriza o propósito na vida e no trabalho e o bem-estar. Fá-lo, no presente, mas considerando sempre o futuro e, particularmente, fazendo-o a partir da criação de um caminho, de uma perspectiva. Procura, portanto, previsibilidade e segurança em tempos de incerteza e de maior volatilidade. Procura algum controlo que pode resultar, também, da agência que sente na construção desse caminho e no desejo de ser parte activa e considerada. A população jovem quer, por isso, fazer e ser parte dos processos, da política às instituições da sociedade civil, passando, necessariamente, pelas organizações. Quer, mas, invariavelmente, não consegue. Não acede, não participa de forma abrangente e generalizada.

Neste contexto e com este enquadramento, penso fundamental que as organizações tenham presente referenciais que assumam os valores da equidade, da diversidade e da inclusão como centrais na sua estratégia. Valores capazes de influenciarem a cultura da organização no sentido da maior diversificação das suas pessoas e das pessoas envolvidas nos processos de gestão e tomadas de decisão estratégicas. De influenciar, também, no sentido de serem mais inclusivas na diversidade de experiências e proveniências, incluindo académicas/formativas, de capacidades, de culturas, de géneros, de gostos, de idades. De garantir maior equidade, a partir de oportunidades para todas e todos. Tudo no sentido de que mais pessoas, e mais pessoas mais jovens, sintam espaço de envolvimento, de segurança e de participação nos processos de decisão e condução das organizações, vinculando-se e contribuindo para o seu desenvolvimento, sustentabilidade e futuro. Seu, da sua organização, do país e do Mundo, num quadro de valores e propósito.

Várias organizações têm nos últimos anos assumido este ou referenciais próximos, cuja evidência científica tem demonstrado serem relevantes quer relativamente aos processos internos, quer na melhor resposta das organizações às necessidades das pessoas que servem e da sociedade em que operam. Das melhorias no clima organizacional, na flexibilidade, na inovação e criatividade, ao aumento da segurança psicológica e redução de conflitos, passando, necessariamente, pela maior responsividade às necessidades de clientes e maior capacidade de adaptação a mudanças de contexto e na sociedade, são inúmeros, amplos e significativos os impactos potenciais do reforço destes referenciais e vão muito além do importante papel de responsabilidade social para que concorrem.

“Não apenas é fazermos o que é correcto, é fazermos o que é mais inteligente”, ouvi há anos um CEO referir quando apresentava o referencial Equidade-Diversidade-Inclusão como um dos pilares fundamentais em todas as decisões estratégicas da sua organização. Acrescento, não apenas é fazermos o correcto e mais inteligente nas organizações como, ao fazê-lo, estaremos certamente a contribuir para uma sociedade que vive melhor a sua diversidade, logo mais inclusiva, mais equitativa e com maior possibilidade de bem-estar e de futuro para todas as pessoas, incluindo a sua população mais jovem.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, os desafios do envolvimento da população mais jovem nas organizações implicarão mudanças, progressivas e participadas, nas próprias organizações. É por isso relevante que programas que visem a vinculação das e dos mais jovens jovem ao país visem medidas junto da população mais jovem, mas, complementarmente, estímulos concretos e decisivos que apontem a um caminho de maior diversidade, equidade e inclusão nas organizações. Um caminho que deve ser desejado e acarinhado pela própria sociedade civil e que pode, positivamente, apoiar a inovação, a transformação, o desenvolvimento e a sustentabilidade das organizações e da sociedade.

 

 

Tiago Pereira

Mudar para envolver e vincular – As organizações e os jovens em Portugal

in Sábado (Ao redor…); 17.07.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/mudar-para-envolver-e-vincular—as-organizacoes-e-os-jovens-em-portugal

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Democracia Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Política Psicologia Tomada de Decisão

Kahnemam. 90 anos.

“Tudo o que fiz foi colaborativo”, disse Daniel Kahneman numa entrevista-almoço ao Finantial Times em Maio de 2021 a propósito da apresentação do seu último livro – “Ruído | Como tomamos más decisões e como podemos evitá-lo”, título da tradução portuguesa.

O trabalho de Kahnemam, a forma como o comunicou e, mais importante, o colocou colaborativamente ao serviço da sociedade foi fundamental na afirmação do contributo mais amplo e com impacto da psicologia e na compreensão do comportamento humano e dos processos de tomada de decisão.

Foi, entre outros reconhecimentos, galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 2002. Na conferência associada a este prémio – “Maps of Bounded Rationality” – desde logo pelas palavras que dedica a Amos Tversky, companheiro de estudos e de vida falecido 6 anos antes, deixa claro um conjunto de características que quem de perto o conhecia lhe reconhecia: a junção feliz de uma inteligência e capacidade de análise ímpar com uma imensa abertura a novos saberes, conhecimento e às outras pessoas.

“Uma mente aberta”, algo sempre consigo até final da sua vida e reflectido, por exemplo, na participação que teve nos últimos anos no debate sobre os impactos nas pessoas, na tomada de decisão e na sociedade da inteligência artificial e, mais especificamente, dos novos modelos de linguagem e de aprendizagem profunda. “Uma mente aberta” e uma inquietude que antes o levou, em diferentes momentos e países, a ser decisivo para o aprofundamento dos contributos da psicologia, e de forma mais ampla das ciências comportamentais, para as políticas públicas e para a promoção do bem-estar, tendo mesmo recebido o mais elevado reconhecimento civil nos EUA em 2013 de Barack Obama. De um Obama que considera um dos seus livros – “Pensar Depressa e Devagar,” título da tradução portuguesa – um dos 10 mais importantes livros que leu.

O fim de vida que falava chegou ontem. Tinha 90 anos.

É, como podem perceber e como quem me lê habitualmente saberá, uma pessoa muito relevante no meu processo de reflexão e desenvolvimento. Desafiou-me, muito. É um dos psicólogos e psicólogas cujos livros ofereço (também) a não psicólogas e psicólogos, incluindo a pessoas que muito gosto, como fiz não há muito com o seu último livro. É uma perda tremenda, mas deixa um legado que, espero, o orgulhe e orgulhe todas e todos quantos participaram em “tudo o que [fez colaborativamente]”.

Continuemo-lo. Cumprindo-o.

Obrigado, Kahneman.

 

Entrevista Finantial Times (Maio, 2021): https://www.ft.com/content/7cf78f4f-d40a-44f1-9946-e78eccb3da57

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia Tomada de Decisão

Legislómetro 2024: O Pulsómetro e umas Legislativas para não esquecer (Ao redor…; 13.03.2024)

Pulsómetro, um “indicador de sentimento nas redes sociais”. A CNN Portugal lançou e projectou uma ferramenta experimental que, segundo informou, analisou, “durante a última campanha eleitoral e em tempo real, milhões de dados publicados nas redes sociais com recurso à inteligência artificial”. Disse, também, ser assim formulada “uma aproximação precisa da opinião pública relativamente aos debates eleitorais”. Fê-lo em conjunto com a “Augusta Labs”, organização que se diz “comprometida em aumentar a produtividade corporativa” e cujo seu mandato diz ser “economizar dinheiro para as empresas, diminuindo as perdas de tempo e salvando os seres humanos de tarefas aborrecidas que drenam a moral”.

Não me entendam mal, creio muito importante a integração da tecnologia no nosso dia-a-dia e o seu contributo para um conjunto significativo de desafios pessoais e societais.  Contributo tanto maior quanto se consiga integrar no seu desenvolvimento dimensões éticas, conhecimento científico da forma como os seres humanos se comportam, tomam decisões e interagem com a tecnologia e quando existir rastreabilidade do seu funcionamento e um alinhamento dos seus princípios e valores e da sua utilização e impacto com os direitos e a dignidade humana, no presente e para o futuro. Por assim o crer, e por considerar relevante o uso da inteligência artificial na comunicação e, até, no jornalismo, estranho a publicitação e a forma de disseminação por um órgão de comunicação social de resultados desta ferramenta, que, embora referida como experimental, se procura apresentar como tecnicamente fiável, sendo assegurado pelas entidades que “o modelo utilizado é desprovido de inclinações políticas, garantindo imparcialidade na interpretação dos dados”, ou seja, imparcialidade na “análise de sentimento [relativo] às várias interações identificadas”.

Fá-lo, porém, num contexto (diversas redes sociais) sem mediadoras/es. Fá-lo, porém, num contexto onde o valor da verdade e dos factos é relativo face ao da opinião e da desinformação. Fá-lo, porém, num contexto com algoritmos próprios que, baseados em modelos e princípios económicos e no impacto imediato (desconsiderando importantes externalidades de médio e longo prazo, nomeadamente as referentes ao discurso de ódio e polarização), resultam numa propagação mais rápida e com maior alcance de expressões e posições baseadas em emoções percepcionadas como menos positivas, como o medo, a raiva ou o ódio, face a outros tipo de manifestações como o apoio, a concordância ou a favorabilidade. Fá-lo, porém, sem qualquer intervenção humana após a reunião e classificação da informação pela ferramenta. Fá-lo, portanto, num contexto que tende para a incompatibilidade com um espaço e ferramenta “desprovida de inclinações políticas”, porquanto, como sabemos, com os resultados que conhecemos, há partidos em Portugal que usam determinadas redes sociais, a ausência de mediadoras/es, a desinformação e as emoções percepcionadas como negativas como veículo para a reunião e agregação de seguidoras/es, de apoiantes e de militantes. Fá-lo, finalmente, projectando e legitimando uma ferramenta não conforme as boas práticas científicas (com método e normas, como acontece com as sondagens) ou da Inteligência Artificial, porque não perceptível, porque pouco clara, transparente e rastreável, além de que, pelas suas características, ao contrário de uma “aproximação precisa da opinião pública”, parece favorecer o enfraquecimento do debate público e, com isso, dos princípios e valores da própria democracia.

O pulsómetro, dizem, mede, desta forma, sentimentos. Nada mais complexo. Nada ainda mais complexo quando a partir de um tweet, um post ou um comentário numa rede social. Um complexo tornado simples, não matizado. Um exemplo, qual sinal dos tempos que, curiosamente, pode possibilitar e promover discursos que reforçam forças e partidos populistas que sistematicamente afirmam poder, também, resolver desafios individuais e societais complexos com soluções simples, não matizadas e imediatas.

Tivéramos nós um legislómetro e observá-lo-iamos, com a devida intensidade, nas Legislativas de Domingo passado. Legislativas que, creio, recordaremos por muitos e bons anos e que, ao contrário do que muitas e muitos democratas e defensores de uma visão dos direitos humanos tendente à possibilidade de autodeterminação das pessoas entendem, não são para esquecer. São umas Legislativas para inscrever e para com elas sermos congruentes. Dos cuidados éticos, de transparência e de alinhamento ético na utilização da inteligência artificial para o futuro, ao reforço da mediação em tempos de superior impacto da desinformação, passando pela necessidade de estimularmos um debate público, também, construtivo, também com responsabilidade e a apontar ao médio e longo prazo, por oposição ao, unicamente, polarizador, casuístico e imediatista.

Umas Legislativas para inscrever, porquanto os seus resultados devem motivar-nos e activar-nos para prevenirmos o que, no Mundo e em Portugal, favorece a adesão a forças e partidos populistas cujo discurso invariavelmente se baseia num nós contra outras/os poderoso em tempos de incerteza, de imprevisibilidade e de potencial divisão. É fundamental, como antidoto, investirmos decisivamente em criar mais condições para mais saúde, incluindo saúde mental, e bem-estar na população. Investirmos num combate sem tréguas, colectivo e como desígnio nacional à pobreza e às mais diversas formas de violência, exclusão e discriminação. Criarmos condições para uma sociedade menos desigual e com maior equidade e igualdade de oportunidades. Para uma sociedade menos individualista e mais colectiva onde a civilidade, a cordialidade e a construção e suporte conjunto sejam factores protectores decisivos nos acontecimentos de vida significativos de cada pessoa e nos desafios individuais e societais mais complexos. Uma sociedade de aceitação e reconhecimento, de pontes e de conexão.

Fazer, falhar melhor aqui, prevenindo que pessoas como cada um/a de nós sinta adesão e entenda propósito no discurso populista. Fazer, falhar melhor aqui e, em simultâneo, não ostracizar, antes compreender, empatizar e conversar com quem assim o sentiu ou sente, não criando fossos, antes apoiando e suportando processos de re-identificação e re-significação e espaço para que pessoas possam mudar e na mudança ser aceites.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, sabemos que antes dos momentos de grande transformação política e social vem, normalmente, a retórica do ódio e a sua normalização. Sabemos, também, que as e os “aquém” – que a Clara Cardoso tão bem tem descrito enquanto as pessoas que, seja em que dimensões for, “estão longe daquilo que eram as suas expectativas” – com os factores de risco certos e sem factores de protecção, são susceptíveis a forças e partidos que usam do ódio, do ressentimento e da raiva como motores da sua ascensão. É hora de sermos coerentes e consequentes com o que sabemos. Mais tarde poderá ser tarde demais.

 

Tiago Pereira,

Legislómetro 2024: O Pulsómetro e umas Legislativas para não esquecer

in Sábado (Ao redor…); 22.02.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/legislometro-2024-o-pulsometro-e-umas-legislativas-para-nao-esquecer

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Emergência Climática Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade Psicologia Tomada de Decisão

2 minutos e a amalhada do curto prazo

Apenas uma em 8760 horas. Se pensarmos o tempo que dista da actualidade ao momento do primeiro ser vivo na Terra como um ano (12 meses, 365 dias, 8760 horas), a extinção dos Dinossauros aconteceu, precisamente, no dia de Natal (25.12), o primeiro Ser Humano surgiu às 23h do último dia do ano e da Agricultura às 23h58m desse dia. Dois minutos apenas, algo que nos deveria fazer reflectir sobre a quantidade imensa de passado atrás de nós e sobre, esperamos, a quantidade imensa de futuro à frente de nós.

Fazer-nos reflectir sobre o que somos e o momento que somos.

Sobre, no fundo, como importa resistirmos à tentação de assumirmos posições e tomarmos decisões que – respondendo a situações circunstanciais, aproveitando erros ou falhas de outras/os ou procurando-se benefícios individuais ou para o nosso grupo – condicionam decisivamente o futuro e não correspondem a benefícios no presente e futuro para o bem-comum, obstaculizando-o ou dificultando a vida de determinadas pessoas ou grupos.

Sobre como importa prevenir que o impulso de um Mundo e de uma sociedade (também digital) que tende, hoje, para o imediato e em que o sistema de estímulos, de recompensas e até de reconhecimento (social) nos impele a assumir posições e tomar decisões demasiado centradas num “aqui e agora” considerando, menos, os impactos no futuro, nas outras e nos outros e a justiça intergeracional.

Penso-o num momento em que vamos para eleições em Portugal muito em breve e um pouco por todo o Mundo, mais tarde este ano. Penso-o num momento em que, contraditoriamente, esta tensão cresce ao mesmo tempo que cresce, significativamente, a necessidade de pensarmos a longo prazo, considerando as transformações e desafios que nos esperam, da crise climática às alterações que advirão do desenvolvimento tecnológico, passando pelos riscos de saúde pública (futuras pandemias, …) ou geopolíticos (Guerras, ameaças à liberdade de democracia, …) que o Mundo vivencia.

É momento de, também, introduzirmos na reflexão e na acção uma noção mais ampla do tempo que vivemos e projectarmos um futuro mais distante, além do nosso tempo, influenciando o futuro, considerando o legado e a prosperidade individual e colectiva.

É este o tempo da política e das políticas responderem, também, a estas dimensões, prevenindo-se discursos e acções que atendam, exclusivamente, a ganhos de curto prazo, não considerando externalidades e impactos negativos a médio e longo prazo. É este o tempo de se considerar a promoção do bem-estar individual “aqui e agora”, é certo, mas a par das possibilidades de bem-estar colectivo e “ali e no futuro”. Se o conseguirmos, em Portugal e no Mundo, deixaremos um país e um Mundo melhor para quem nos seguirá e, contribuirmos para isso e o seu significado é, no final, fundamental ao nosso bem-estar hoje, individual e colectivo.

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Educação Futuro da Psicologia Política Psicologia Tomada de Decisão

Blitz…

Depois da ocupação da França pela Alemanha dirigida e governada pelo Partido Nazi, a partir 7 de Setembro de 1940 e durante cerca de 8 meses, centenas de aviões da Luftwaffe, brigada das Forças Aéreas Alemães, utilizaram cerca de 80.000 bombas para destruir centenas de milhares de edifícios na região de Londres e noutras cidades do Reino Unido.

Esta operação, apelidada de Blitz (provém de “Blitzkrieg“- Guerra Relâmpago), é, ainda hoje, alvo de particular interesse histórico, também pela forma como a sociedade britânica se procurou “adaptar” às circunstâncias e resistir ao medo, à destruição e à perda, sendo célebres a forma como, por exemplo, o comércio e os estabelecimentos de rua em Londres se mantiveram a funcionar e os famosos cartazes “More open than usual” [(Ainda) mais aberto que habitualmente], numa referência aos estabelecimentos continuarem a trabalhar e a “servir”, muitas vezes sem fachadas, telhados, vidros…

Um exemplo de resiliência colectiva, claro está, mas resultante de uma “união muito forte” e de mobilização conjunta, sem polarizações, num momento em que todas e todos, independentemente da classe social, do partido, do clube, (…) se uniram para, antes de mais, vencerem o medo, o desânimo, a incerteza e, depois, o inimigo.

Mais de 80 anos volvidos, dizia há pouco, permanece como um caso de estudo, caso de estudo que penso devermos evocar. Com as naturais e expressivas diferenças, a população mais jovem, hoje profundamente desafiada na sua saúde mental e bem-estar, olha o futuro e a sua complexidade com significativos receios… E, também aqui, duas notas:

a) A união, a relação, a construção de propósito são os principais antídotos para vencer o medo, o desânimo, a incerteza e, depois, os inimigos, aqui corporizados nas dificuldades que a população mais jovem enfrenta hoje e enfrentará no futuro mais próximo e mais de médio e longo prazo;

b) A necessidade de promovermos pensamento, reflexão e perspectiva (incluindo histórica) também como fundamentos centrais para a população mais jovem pensar e garantir alguma segurança, controlo e a previsibilidade possível (fundamental ao bem-estar) face aos desafios hoje e no futuro mais próximo e mais de médio e longo prazo.

Ainda há semanas, após um simpático convite de uma colega e amiga, estive numa Escola de Évora, com um conjunto de turmas de 9º ano, para assinalar o início simbólico do Programa de Desenvolvimento Vocacional de um Agrupamento de Escolas a pensar estes temas. Estive, portanto, com jovens a olhar o passado, o presente e a procurar pensar o futuro, em torno da forma como tomamos decisões (e o que também o influencia), como nos comportamos e como tendemos a olhar-nos, a olhar as outras e os outros e o Mundo.

No fundo, a procurar reforçar (e a contribuir nesse sentido, espero) como precisamos, hoje, de estar “more open than usual” e unidas/os.

Todas e todos.

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Comportamento Democracia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia Tomada de Decisão

ADSE

Se fora viva, Nadine Gordimer completaria hoje 100 anos. Não os completa porque perdemo-la em 2014 com 90 anos, depois de uma vida intensa, também centrada nos direitos humanos e na luta contra o apartheid. Depois de uma obra intensa, também, que lhe valeu, entre outros prémios, o Nobel da Literatura em 1991. Jamais esquecerei o “Um Mundo de Estranhos”, livro que escreveu ainda cedo na sua vida e que trata com um misto de mestria, simplicidade e genuinidade a diversidade e, particularmente, uma amizade improvável, inaceitável mesmo, para tantas pessoas.

Já Charles Lindblom faleceu, exactamente, com 100 anos. Menos mediático que Nadine Gordimer, também escreveu bastante, embora textos e livros técnicos, sendo essencialmente conhecido pela descrição que fez do “incrementalismo”. Método que remete para a realização de mudanças e para a incorporação de inovação (por ex. na sociedade e nas políticas e administração pública) através de pequenas alterações / incrementos evolutivos, prescindindo da necessidade de permanentes revoluções. Lindblom, apesar de bastante criticado pelo conservadorismo intuído destas posições, defendia-o, particularmente, em contextos de forte divisão política, face a problemas complexos e em períodos de incerteza. Se mais exemplos precisássemos de que o vivemos, Milei acaba de se tornar presidente eleito da Argentina.

Penso no trabalho da Nadine e do Lindblom a propósito de, finalmente, se ter concluído um processo/trabalho de anos com potencial transformador. Falo dos desenvolvimentos e investimento tecnológico realizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que, num projecto conjunto com a ADSE, IP, permitem, hoje, a validação automática e “on time” da inscrição na OPP da/o profissional que prestou o serviço, possibilitando, sem “esforço” a verificação automática da sua condição para a realização do acto, validação do reembolso e, ainda e para futuro (que espero curto), com a informação de ser (ou não) especialista com possibilidade de aceder a um reembolso diferenciado porque valorizado, conforme já acontece, hoje, com uma das maiores seguradoras de saúde e algo que  a OPP tem sempre advogado. 

Uma pequena grande mudança, única no contexto da ADSE, que impacta, melhorando, a administração pública. Que facilita e acelera processos de reembolso, simplificando, digitalizando, desburocratizando. Que obstaculiza más práticas, previne potenciais erros e fraudes e, essencialmente, garante segurança e saúde pública.

Compete-nos tornar menos “estranho” o Mundo (para algumas pessoas ainda estranho) dos profissionais de saúde e da intervenção psicológica, também pela garantia de acesso, contingente e o mais equitativo possível, a cuidados de saúde nesta área, praticados por profissionais qualificados, capazes de prestar serviços e garantir respostas competentes e eficazes. Incremental ou não, este é também um contributo para isso e para a afirmação do acto das psicólogas e psicólogos, do seu valor e da sua relevância.

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A dúvida e o regresso aos outros

“O Mundo em que vivemos é desafiador e complexo. Sabemo-lo, muitas vezes de forma desconcertante [que o digam estas últimas 48 horas em Portugal], por vezes de forma irónica, outras vezes, infelizmente, com muito sofrimento.” Sendo-o, é preocupante que nos confrontemos com um tempo onde parece não existir espaço para a dúvida.

“A dúvida e o regresso aos outros”, 69º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) detalha e reflecte sobre as causas deste tempo de ausência de dúvida, “da polarização à sobrecarga e facilidade e rapidez de acesso a informação”, das “redes sociais e seus algoritmos” ao efeito descrito como Dunning-Kruger. Das heurísticas e vieses à nossa necessidade de pertença e enquadramento num grupo social.

No fundo, como “os nossos abundantes “nunca” e “sempre” navegam os ventos deste Mundo desafiador e complexo em que vivemos onde a dúvida parece não ter lugar. Rigidificam e limitam opções, diálogos e processos de adaptação no dia-a-dia e ao longo da vida. Afastam-nos de pessoas e de opiniões, polarizando-nos. Promovem a desconfiança que, essa sim e ao contrário da dúvida, floresce com consequências severas na diminuição da coesão social e da qualidade das instituições e da democracia.”

Aborda, depois, a forma como “cultivar a dúvida, a possibilidade de não estarmos (sempre) certos, é um contributo fundamental para respondermos aos desafios contextuais que se nos colocam”, detalhando e reflectindo, mais uma vez, sobre a forma como a podemos promover. Desenvolvendo “capacidades de escuta, relação e competências socio-emocionais”, promovendo “o interesse, a curiosidade e literacia científica e capacidade de pesquisa, organização e interpretação da informação” e contextos de “segurança psicológica” e comunicação aberta.

“Fazermo-lo pode, mesmo, ser um antídoto para interpretações, decisões e comportamentos automáticos e precipitados associados a processos como os de desinformação, de oposição e destruição e do extremar de posições. Pode, ainda e nesse sentido, ser fundamental a um questionamento essencial ao progresso social e científico, ser gerador de espaço de construção e co-criação, de um espaço de entendimento entre polos e posições diversas, permitindo mais crítica construtiva, colaboração e potenciado melhores e mais participadas respostas aos problemas e desafios mais significativos.” Pode ser estímulo para um outro RTO que não o “Return to Office”, o “Return to Others” [Regresso às Outras e Outros].

“A dúvida, ao invés de uma demonstração de fraqueza ou de vulnerabilidade, é virtuosa (…) Particularmente se assente em princípios de confiança e não de desconfiança, é elemento central de construção de soluções em áreas muito diversas, incluindo o respeito e a paz, de aproximação de comunidades e de progresso da sociedade, dependendo isso de que, dia-a-dia, nos nossos diferentes papéis, pratiquemos e utilizemos pensamento crítico e a dúvida construtiva.”