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Nós, verdadeiramente, não sabemos

Certamente já viveram acontecimentos de vida significativos que, mais ou menos positivos, foram para vós transformadores e tornaram claras questões que podiam não ser claras antes.

 

Assim aconteceu comigo. Amanhã, dia duplamente importante para a nossa família, é um daqueles dias em que ela poderia sorrir, orgulhosa. Não pode. Perdemo-la antes de ter oportunidade de conhecer quem amanhã cumpre mais uma bonita etapa profissional e quem amanhã cumpre mais um aninho. Perdemo-la e essa perda tornou claro, claríssimo, para mim algo que, sabendo, talvez não sentisse como passei a sentir: nós, verdadeiramente, não sabemos. Julgamos, pensamos, cremos que sim, mas, muitas vezes, não sabemos. E inscrevermos isso em nós é exigente, duro até, mas, simultaneamente, muito libertador.

 

Há semanas, aquando da missão Ártemis II em torno da Lua e do que invariavelmente sucede quando os seres humanos realizam feitos extraordinários (o consequente surgimento de narrativas de que tudo é falso, de que só alguns predestinados sabem a verdade), o jornal Público publicou um “Prova dos factos” que garante – sim é necessário hoje garanti-lo – que “fomos mesmo à Lua” mas que “narrativas que garantem que é encenado existem desde 1969”.

 

Este “Prova dos factos” cita um artigo que escrevi com um amigo e colega (Miguel Ricou), em 2021, quando coordenava o Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses, num tempo em que a incerteza e o desconhecido eram parte permanente do dia-a-dia. Escrevemos então o agora citado: que quem acredita em teorias da conspiração procura, no fundo, uma sensação de segurança e controlo, “a segurança de que a pessoa sabe o que se passa, de que detém um conhecimento superior face aos outros e às narrativas oficiais”. Uma ilusão entendível, humana se quisermos, mas tremendamente perigosa a meu ver.

 

Quem acredita que sabe tudo tende a fechar-se ao outro. Quem recusa a incerteza torna-se menos disponível para aprender, adaptar-se e de, genuinamente, relacionar-se. A humildade de aceitarmos que não sabemos (tudo), que podemos estar errados, que há mais do que o que vemos e que as outras pessoas são, também elas, capazes não é uma fraqueza. É uma força, felizmente também humana, que nos aproxima dos outros e de ser e estar mais, melhor.

 

O “Global Flourishing Study”, o maior estudo sobre florescimento, confirma-o: o que mais nos faz florescer não é a certeza (e controlo), nem a riqueza. São, antes, as relações que estabelecemos connosco, com os outros (com abertura à surpresa e diferença e sem julgamento) e com o que nos rodeia. É, antes, como nos integramos e contribuímos em comunidade e como criamos sentido e propósito.

 

Por isso na Fundação Mendes Gonçalves procuramos algo que vai além dos projetos e programas: novas formas de estar em e criar comunidade. Acreditando que o florescimento e um futuro de maior e mais equitativo bem-estar começa precisamente no reconhecimento de que não estamos sozinhos e que não sabemos e podemos tudo, sós.

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Eleições OPP 2024

 

Estou certo de que algumas pessoas que, acompanhando o que escrevo e o que outras e outros colegas psicólogas/os aqui escrevem, não sendo elas próprias psicólogas ou psicólogos, estarão admiradas/os pela quantidade de mensagens relativas às eleições da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que amanhã, dia 29.11, acontecem. 

 

Peço-lhes paciência para uma mais e peço que reflictam, comigo, sobre o quão bom é vermos esta vitalidade no debate de uma ordem profissional, particularmente quando o debate é construtivo e voltado para a principal missão e atribuição de uma ordem: “A defesa dos interesses gerais dos destinatários dos serviços”. Mais, no tempo que vivemos em que a psicologia, enquanto ciência e prática, é tão relevante aos principais desafios que se colocam à vida e ao bem-estar das pessoas, sejam de índole societal ou individual.

 

Às e aos colegas reforço o atrás, dizendo que são quase 3% do universo eleitoral (quase 10% em algumas regiões) as pessoas que se propõem dedicar do seu tempo e empenho à sua Ordem, candidatando-se. Isto num tempo em que todos os incentivos estão do lado de nada fazer, de com nada nos comprometermos, de a nada aderirmos porque, se o fizermos (e particularmente se eleitos), seremos, naturalmente, julgados, criticados, atacados, muitas vezes de forma injusta, desadequada e pouco construtiva, por quem nunca se tendo confrontando com os desafios com que as pessoas eleitas se confrontam, se precipita de forma por vezes pouco empática para verificações de incompetência, não integralidade ou não compromisso.

 

Eu, em 2020, depois de 6 anos enquanto coordenador operacional da OPP e quando vivíamos o 1º ano de pandemia por COVID-19 e coordenava o gabinete de crise, candidatei-me a vogal da direcção nacional integrado na lista que venceria as eleições, liderada pelo Francisco Miranda Rodrigues, a quem agradeço a confiança. Não fiz tudo bem, certamente, mas fiz o que fiz, contribui o que contribui, de forma dedicada e totalmente comprometida com a profissão e com o melhor interesse das pessoas que beneficiam da psicologia.

 

Hoje sou, orgulhosamente e assumindo responsabilidade, o 1º candidato pela Região Sul à Assembleia de Representantes (AR), integrado na lista B, Mais Ordem Mais Profissão, liderada pela Sofia Ramalho, a quem agradeço a confiança e a dedicação. Como agradeço às muitas centenas de psicólogas/os que fizeram, fazem e farão parte deste grupo, deste projecto, e que para ele tanto contribuíram num compromisso com uma visão que julgo merecer a oportunidade (de que creio todas e todos creio beneficiaríamos) de continuar e aprofundar o caminho que vem sendo percorrido.

 

Partilho qual sentimos ser o nosso contributo, a partir AR. Partilho o programa que participadamente construímos e que assumimos. Partilho 9 razões para 6ª Feira, dia 29.11, merecermos a vossa confiança.

 

 

Apresentação das/os candidatas/os à AR: https://www.youtube.com/watch?v=3s5VdJ3PKIw

 

Programa: https://maisordemmaisprofissao.pt/programaeleitoral/

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Saúde Mental no Trabalho

“Não pode haver assédio no local de trabalho e ioga à hora de almoço… E quem lidera não pode entender que, por haver ioga, os problemas estão todos resolvidos.”

Foi esta a frase que a CNN Portugal destacou da conversa que tive com a Diana Bouça-Nova no Domingo que aqui partilho.

Conversa a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, da Saúde Mental no trabalho (tema em 2024) e que tocou:

a) A preocupação crescente de empresas e organizações com este tema, mas a necessidade de se continuar e aprofundar este caminho;

b) O papel da World Health Organization na promoção de literacia da população e no reforço da importância, também, dos factores psicológicos e sociais na saúde mental;

c) O destacar que o tema do dia em 2024 assinale a importância dos locais de trabalho, quer no quanto podem ser um factor protector, como um factor de risco da saúde mental das/os trabalhadoras/es;

d) Os custos, também económicos, que acarretam às empresas e organizações o absentismo e presentismo relacionado com situações de stresse e problemas de saúde mental (https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_relatorio_prosperidadeesustentabilidadedasorganizacoes2023.pdf);

e) Como até 30% destes custos podem ser preveníveis com intervenções de avaliação e prevenção de riscos psicossociais e o quanto poderia ser importante a concretização das recomendações da Direção-Geral da Saúde e de grupos de peritos ao Governo visando alterações legislativas para a criação da figura da/o “Psicóloga/o do Trabalho” e sua inclusão nas equipas de saúde ocupacional;

f) O quão relevante poderá ser generalizar, por via dessa alteração, padrões e actividades mínimas que permitam avaliar e gerir riscos psicossociais com equidade (para todas e todos os trabalhadores e não apenas em empresas / organizações mais sensíveis a estes temas) e, dessa forma, estabelecerem-se planos de acções visando os factores que concorrem para a emergência dos problemas (exigências cognitivas e/ou emocionais; problemas de conciliação; problemas de confiança, relação e comunicação; horários de trabalho; …) e não apenas actuar sobre as consequências dos mesmos;

g) Como, além do rendimento disponível, naturalmente muito importante, um foco na promoção da saúde e bem-estar no trabalho em Portugal pode ser, também, factor de atração e vínculo ao país, particularmente da população mais jovem;

h) Com a intervenção que destaco no início, salientar a necessidade das respostas de promoção da saúde mental e bem-estar no trabalho serem integradas, alinhadas, priorizadas e generalizadas em toda a organização e que “nem tudo serve”, reforçando que existe ciência e evidência científica e que existem profissionais preparados para com eficácia apoiar organizações e empresas neste objectivo.

Grosso modo, assim foi a conversa mas convido-vos a ver…A ver e a comentar, se desejarem. Até porque, como a Diana Bouça-Nova diz no final, também eu gostava que continuássemos esta conversa. Esta importante conversa.

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Deve a psicologia influenciar as pessoas a partir de valores pró-sociais? Reflexões a propósito da Ética Aplicada à Psicologia

Estamos no início da semana onde, 5ª feira (10.10), se comemora o Dia Mundial da Saúde Mental. Felizmente, nos últimos anos e num processo crescente desde antes da pandemia (acelerado nesse período), escrevemos, conversamos, partilhamos e educamos muito mais sobre saúde mental todos os dias do ano. Como em tudo, esse facto, não tendo apenas aspectos positivos, é algo muito importante e relevante e tem um forte contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos que para ele contribuem com o seu trabalho e com a sua participação.

Outra, creio, vem mais paulatinamente a caminho. Também muito importante e relevante e com um forte contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos, refere-se à forma como se escreve(rá), conversa(rá), partilha(rá) e educa(rá) sobre os processos de tomada de decisão e o conjunto de factores pessoais, interpessoais, sociais e contextuais que apoiam a sua compreensão. E como, paralelamente, podemos crescer em quantidade, qualidade e impacto os contributos das ciências comportamentais – particularmente da psicologia – para o desenho, implementação e avaliação de políticas públicas.

Ambas as alterações carecem de uma ciência psicológica sólida e confiável e de uma profissão de psicóloga/o com um exercício claramente assente em padrões éticos e deontológicos co-construidos, partilhados e consequentes.

Também por isso, em boa hora, a Ordem dos Psicólogos Portugueses viu finalmente consagrada a sua representação no Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida onde é superiormente representada pelo Miguel Ricou. Ele e a presidente do CNECV (Maria do Céu Patrão Neves ) editaram o “Ética Aplicada – Psicologia” e, simpaticamente, convidaram-me a escrever um capítulo: “A psicologia nos processos de tomada de decisão: das razões e das emoções” (sobre isso aqui escrevi).

Ora, amanhã (na FPCE da Universidade do Porto), estarei numa conversa/apresentação do livro com o Miguel Ricou e o Luís Fernandes com o mote: “Deve a psicologia influenciar as pessoas a partir de valores pró-sociais? Reflexões a propósito da Ética Aplicada à Psicologia”. Tenho viés porque admiro-os muito mas tenho cá para mim que vai ser estimulante. Junta(m)-se a nós?

Ps. Hoje passa um ano sobre os hediondos acontecimentos resultantes da invasão por combatentes do Hamas de Israel. Faltam-me palavras para os descrever. Como me faltam para descrever tudo quanto nestes 365 dias, incluindo os graves crimes cometidos pelo exército de uma Democracia/Estado de Direito, aconteceu em sua consequência e/ou por eles justificado. Proponho, hoje, um pequeno texto que escrevi sob forma de pequena e singela de reflexão e proposta acção. Chamei-lhe “Reconhecer”.

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Ainda o 6º Congresso OPP/XIII FIAP

O 6º Congresso da OPP/XIII da FIAP terminou há uma semana mas continua aqui. Associo-me a esse belo movimento com uma mensagem última em forma de agradecimento(s):

. Ao Francisco Miranda Rodrigues por ter confiado e me ter convidado a presidir à sua Comissão Organizadora e, nele, a todas as largas dezenas de psicólogas/os com diferentes papéis na Ordem dos Psicólogos Portugueses pelos seus múltiplos contributos para o sucesso do congresso;

. À Clara Silva e nela a toda equipa de trabalhadoras/es da OPP que formam, particularmente quando perante exigências complexas, uma força coesa, empenhada, criativa e segura. São inexcedíveis e são ainda capazes de agregar outras pessoas, no caso do Congresso o grupo de voluntárias/os (a quem também agradeço) que são a base (e que importante é a base) para que tudo funcione;

. À comissão científica excepcionalmente liderada pela Isabel Soares que teve um papel determinante da preparação da recepção das mais de 7 centenas de submissões à organização e moderação das sessões de comunicações, pósteres digitais e espaço jovem (especial agradecimento à Carolina Oliveira, força motriz desta iniciativa). Incrível trabalho.

. Ao João Reis, com quem tive uma impactante (pelo menos para mim) conversa sobre “um só planeta”; à Raquel Corval , Leonor Carvalho, Sandra Araújo e Isabel Soares com quem conversei sobre os primeiros mil dias (e que orgulho serem tema no congresso da OPP); à Ana Rita Gomes, Inês Pimenta de Castro, Andresa Oliveira, João Salgado, Maria João Mosca e Daniel Maia com quem conversei sobre a intervenção psicológica à distância e seus desafios e oportunidades. Neles agradeço às quase 5 centenas de oradoras/es e às/aos restantes quase 2500 participantes;

. Aos patrocinadores e stands que confiaram no congresso para associarem as suas marcas e produtos e que co-construiram a sua experiência, também fora das salas de sessões;

. Às organizações internacionais participantes, nomeadamente do espaço ibero-americano, países língua oficial portuguesa e à EFPA (European Federation of Psychologists’​ Associations), American Psychological Association e COP.

A todas e todos agradeço o sentido de comunidade, o espaço de celebração.

“…e este percurso”, disse o Sr. Presidente da República na sessão Solene falando do processo de afirmação da psicologia e da valorização do contributo das psicólogas e psicólogos na sociedade portuguesa, “foi um percurso que explica estes congressos. Quem chega aqui aos congressos a sensação que tem é que este duplo congresso [OPP/FIAP] é uma festa. Não é o cumprimento de um dever, de uma obrigação, é uma festa. Se quiserem, uma festa de autodeterminação”.

A celebração da autodeterminação e da procura incansável da promoção da sua possibilidade para todas as pessoas por parte de 28.000 psicólogas/os, dia após dia, nos mais variados contextos. 28.000 psicólogas/os, cidadã(o)s.

Foi uma honra ter tido esta oportunidade e ter podido dar este meu contributo para este nosso Congresso.

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Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Lugar de…

Lugar de (re)encontro.

Lugar de debate.

Lugar de equipa.

Lugar de desafio.

Lugar de advogar.

Lugar de celebrar.

Lugar de contributo.

Lugar de equidade.

Lugar de interdisciplinariedade.

Lugar de autonomia.

Lugar de autocuidado.

Lugar de heterocuidado.

Lugar de ciência.

Lugar de prática.

Lugar de compromisso.

Lugar de intergeracionalidade.

Lugar de valorização.

Lugar de mobilização.

Lugar de questionamento.

Lugar de ética.

Lugar de formação.

Lugar de inovação.

Lugar de co-construção.

Lugar de comunidade.

Lugar de todas e todos.

Lugar da Psicologia.

Hoje, amanhã e depois de amanhã, Centro Cultural de Belém e ao redor | 6º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses | XIII Congresso da Federación Iberoamericana de Asociaciones de Psicología (FIAP)

Até já. Lá ou por aí…

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Comportamento Desafios da Psicologia Emergência Climática Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Planeta em mudança

A Fundação Francisco Manuel dos Santos disponibilizou uma extraordinária conversa entre Pedro Pinto e um inspirador historiador Peter Frankopan, gravada à dias em Lisboa para um episódio do podcast “Não é assim tão simples”.

Aconselho-a. Muito. É sobre um “planeta em mudança” e, como não podia deixar de ser, a conversa “dança” permanentemente com a crise climática que vivemos, mas, também, com a crise de confiança, os seus fundamentos e a forma como, globalmente, nos relacionamos, colaboramos e adaptamos. Como no fundo, como diz Frankopan, “recuando no tempo profundo, uma das razões para o sucesso foi sempre a resiliência” e como “continua a ser uma arma poderosa para combater os desafios actuais”.

Ouvi-los fez-me e faz-me:

a) Regressar a 2019 quando estive com o Peter Frankopan, em Oxford, na “Challenges of Government”, conferência à qual aportou uma reflexão impactante sobre o papel da população mais jovem, dos riscos que corre e da disrupção que historicamente trouxe. De Júlio César aos participantes nos Congressos Bolchevique de 1917 ou no que criou o Partido Nazi, terminando na contemporaneidade e nos impactos na sociedade de pessoas muito jovens a partir de Silicon Valley. Num pequeno texto que então escrevi refiro-me à forma como me fez reflectir sobre como “a norma social de comportamento das/os mais jovens tem moldado o futuro e como o poderá fazer também ao nível da governação e dos seus modelos” ou, acrescento, em torno da necessária (priorização da) transição climática;

b) Partilhar, convosco, o projecto “Battered Waters” da Anush Babajanyan, vencedora do prémio “Long-Term Project” do World Press Photo de 2023. A imagem que partilho é apenas uma de um trabalho amplo, diverso e profundo em torno da dificuldade de acesso a água na Ásia Central e da adaptação das populações e impacto nelas desta realidade.

c) E, finalmente, partilhar também um contributo científico onde colaborei enquanto representante da Ordem dos Psicólogos Portugueses no “Expert Reference Group for Psychology and Climate Change” da EFPA (European Federation of Psychologists’​ Associations), intitulado “Climate Crisis and the Human Factor: 10 Psychological Keys to Unlocking Climate Action”. Relatório onde encontram um conjunto específico de contribuições da psicologia, enquanto ciência e prática, para a tão desafiante e hercúlea, quanto relevante e urgente, transição climática.

Uma transição que implica resiliência, é certo, mas, também, capacidade de adaptação, de colaboração e relação. Que implica ciência e uma sociedade comprometida.

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Dia Mundial das Redes Sociais

“Um em cada quatro jovens em Portugal utiliza as redes sociais mais de 6 horas por dia. É evidente que este é um comportamento inapropriado, desde logo porque essas 6 horas não podem ser utilizadas noutro tipo de actividades que poderiam ser importantes para o seu desenvolvimento e participação social.”

Parte da conversa que tive com a Cristina Freitas, na SIC Notícias, na manhã de Domingo, Dia Mundial das Redes Sociais que partilho. Conversa sobre a utilização das redes sociais e os seus impactos, sobretudo na população mais jovem. Sobre um tema tão importante e, creio, tão urgente.

Porque certamente todos sentimos os seus impactos. Os menos positivos, conforme os referidos no enquadramento da peça, a partir de declarações da minha colega Sofia Ramalho, nomeadamente na diminuição do diálogo entre gerações, na dependência e na saúde mental. A estes, na peça, acrescento que quando o uso é desadequado (referindo que isso depende dos tempos, momentos e objectivos de utilização e de características individuais de quem utiliza), podem existir outras consequências negativas na saúde e bem-estar, como a diminuição da prática de actividade física, participação social, alterações no sono, no comportamento alimentar ou um maior isolamento. Assinalo, ainda, impactos negativos em dimensões emocionais e na auto-estima quando a utilização visa o contacto e partilha com conteúdos violentos ou tendentes à comparação social.

Mas, na conversa, procuro sublinhar existirem também um conjunto de impactos positivos da utilização, quando adequada, das redes sociais. Entre outros que poderia ter focado, refiro a relação e conexão com pares, o maior suporte social e a partilha, participação e envolvimento em grupos, iniciativas e organizações.

Abordo, ainda, a importância da supervisão dos adultos de referência desta utilização por parte da população mais jovem, seja a partir da família ou dos contextos de educação formal e não formal, advogando pelo estabelecimento de canais de comunicação que permitam conhecermos e apoiarmos a sua participação, protecção e segurança em ambiente digital.

Termino procurando assinalar um conjunto de contributos que a psicologia pode aportar a esta conversa. Desde logo na literacia e apoio às tomadas de decisão, mais individuais (pessoas e famílias) e de desenho de políticas, a partir da informação e conhecimento da ciência psicológica – a esse propósito a Ordem dos Psicólogos Portugueses disponibilizará em breve um conjunto de documentos/contributos e este será um tema central do seu próximo congresso. Ainda, e finalmente, na intervenção e apoio que psicólogas e psicólogos podem disponibilizar junto de pessoas com usos mais problemáticos das redes sociais ou com problemas que desse uso decorram.

Uma conversa que devemos continuar… Uma conversa que necessita da participação de todos.

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Guia Prático de Marketing Pessoal e Profissional – Pistas para fortalecer a marca profissional e visibilidade no mercado de trabalho em psicologia

“Conteúdo. Embalagem. Visibilidade.”

 

Como num triângulo, neste início de semana/mês/semestre, gostava de partilhar convosco o terceiro volume-vértice da colecção de “Artigos PsiCarreiras da Ordem dos Psicólogos Portugueses”.

 

Após o primeiro – “Ser Psicólogo – O Início da carreira em Psicologia Pistas para que está a dar os primeiros passos numa carreira em Psicologia” (https://www.linkedin.com/pulse/prefácio-ser-psicólogo-o-início-de-carreira-em-tiago-pereira/?trackingId=oNyvSQmUQCW8l6TZq%2FjLOg%3D%3D) – qual conteúdo, em torno do que significa, hoje, ser psicólogo e iniciar uma carreira em psicologia…

 

E o segundo – “Carreira em psicologia num mundo imprevisível – Pistas para “navegar” com confiança e adaptabilidade” (https://www.linkedin.com/pulse/prefácio-carreira-em-psicologia-num-mundo-pistas-para-tiago-pereira-kxxif/?trackingId=vJmU2ZHZSliHrjj3EKN1OA%3D%3D), qual embalagem, sobre como participarmos num Mundo vertiginoso e imprevisível, como a confiança e a adaptabilidade são chave para psicólogas e psicólogos e como pode, a ciência e a profissão, contribuir para uma sociedade mais capaz de, com maior equidade, possibilitar saúde, bem-estar e capacidade de autodeterminação…

 

Publicamos, agora, o terceiro volume – “Guia Prático de Marketing Pessoal e Profissional – Pistas para fortalecer a marca profissional e visibilidade no mercado de trabalho em psicologia”, em torno da relevância da presença e da notoriedade no quadro do mercado de trabalho em psicologia, numa sociedade de informação a cada dia mais abundante e de interesse crescente pelos temas da saúde mental e bem-estar.

 

No prefácio, do qual os excertos anteriores adapto e cujo link abaixo partilho, escrevo que este e-book também é “organizado e triangulado nesta relação. Uma componente conteúdo, com artigos e recursos maioritariamente centrados na forma como nos podemos pensar e projectar pessoal e profissionalmente no presente e no futuro. Uma componente embalagem, com artigos sobre a forma com podemos apresentar, com impacto, esse conteúdo. Finalmente, uma componente visibilidade, com artigos maioritariamente centrados na forma como desenvolver, primeiro, e promover e destacar, depois, a nossa marca e criar, por essa via, oportunidades relevantes e relações significativas. Cada parte, parte indispensável de um todo que resulta da forma como (nos) comunicamos.”

 

Agradeço a toda a equipa, parte indispensável, envolvida neste projecto e às autoras e autores: Ana Leonor Baptista; Ana Sofia Nobre; Artur Moura Queirós, Edite Queiroz, Joana Almeida Monteiro; Joana Inácio, Mafalda Reis, Marta Alves; Rita Tavira Santos e Rodrigo Dumas Diniz.

 

Equipa, parte indispensável de um todo.

 

Muito obrigado.

 

Tiago Pereira

Prefácio | Guia Prático de Marketing Pessoal e Profissional – Pistas para fortalecer a marca profissional e visibilidade no mercado de trabalho em psicologia

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_ebook_guiapraticodemarketingpessoaleprofissional.pdf

JUN2024

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A beleza das pequenas coisas | Gabriela Moita

Cada tempo histórico tem as suas características. Tem as suas dificuldades e os seus desafios específicos. Tem as suas belezas. Este nosso tempo não foge à regra.

Pergunto-vos, quando estão num lugar mais inóspito ou quando se confrontam com uma situação de vida mais exigente, não dão por vós a pensar como pessoas há dezenas, centenas, milhares de anos lidavam com essas situações e o quanto, invariavelmente, mais duro, exigente, por vezes desumano, seria? Eu faço-o. Muito. Recuando milhares de anos, séculos, décadas ou, muitas vezes, apenas alguns anos, para situações mais específicas. Faço-o e isso situa-me. Dá-me “chão”, dá-me aqui e agora, dá-me perspectiva em dois sentidos: para o passado e para quem nos antecedeu; para o futuro e para quem nos sucederá.

Vem esta minha reflexão e partilha a propósito de ter ouvido uma maravilhosa conversa entre duas pessoas que, cada qual à sua maneira, muito admiro. O Bernardo Mendonça, um comunicador nato e dinamizador de (boas, “ricas” e impactantes) conversas. A Gabriela Moita, também uma extraordinária comunicadora, com uma experiência de vida incrível e com uma enorme capacidade de tornar perceptível, tangível e claro, dimensões científicas e fenómenos que são, invariavelmente, profundamente complexos. A Gabriela tem sempre palavras para o que parece não (poder) ter palavras.

É assim hoje. Será assim amanhã, estou certo. Mas, mais relevante, é assim há muito. Quanto era, ainda, mais difícil. A Gabriela é uma pessoa e uma profissional com uma importância fundamental na, hoje, maior literacia da população relativamente aos temas da psicologia e da sexualidade e para uma maior percepção e compreensão dos potenciais contributos da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos nos desafios fundamentais das pessoas e da sociedade.

Além de acompanhar, formar e supervisionar muitas gerações de psicólogas e psicólogos, ajuda desde há muito e ajudará a que seja mais possível a outras e outros darem este contributo, fazerem este trabalho e continuarem este seu caminho. Ajudou-me e ajuda-me, muito. Sempre. Sempre com uma bondade sem limites e com uma generosidade inexcedível.

Ouçam. Sintam. Confrontem-se. Partilhem.

Para mim, e em mim, foram minutos preciosos da minha vida. Para a minha vida. Obrigado.

Podcast: A beleza das pequenas coisas [Gabriela Moita; parte I]

Podcast: A beleza das pequenas coisas [Gabriela Moita; parte II]