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Dia Europeu das Fundações e Doadores – Café com FMG

Em 2024, ano da criação da Fundação Mendes Gonçalves [FMG], o tema foi “Construir confiança, conectar comunidades”. Em 2025, ano de início de atividade da FMG, “Rumo à equidade como uma realidade vivida”. Já em 2026, “Filantropia para as pessoas e para o planeta”.

 

A cada 1 de outubro comemoramos o Dia Europeu das Fundações e Doadores – promovido pela Philea – Philanthropy Europe Association – e, este ano, procuramos assinalá-lo junto da comunidade que procuramos servir – a Golegã e, a partir dela, a nossa região, país e Mundo.

 

Fizemo-lo participando no programa “Portas Abertas”, do Centro Português de Fundações, ao estar no Café Central da Golegã numa iniciativa simbólica: Um café com a Fundação Mendes Gonçalves onde, em equipa, conversamos com as pessoas que nos procuraram ou que simplesmente nos quiseram agradecer aquele café, naquele dia. Ali estivemos para as escutar, compreender e para respondermos a questões sobre a missão, objetivos e atividades da FMG.

 

Continuaremos a fazê-lo no “Sabores com Memória”. Nesta iniciativa, que conta com o apoio da Câmara Municipal da Golegã e de um conjunto de coletividades e IPSS do concelho, organizaremos, no próximo dia 16 de outubro (Dia Mundial da Alimentação), um jantar comunitário, retomando essa ideia e prática no Mercado Municipal, espaço central da comunidade. Nesta refeição e mesa partilhada procuraremos, além de construir comunidade, valorizar o património gastronómico, cultural e humano do território, pelo espaço de encontro entre gerações através das receitas, tradições e histórias, parte da nossa identidade coletiva (informações/inscrições no link nos comentários).

 

Estas duas iniciativas, com cerca de 15 dias de distância, procuram uma síntese destes 3 temas do Dia Europeu das Fundações e Doadores: “Construir confiança para conectar comunidades”; [contribuir para mais] “equidade como uma realidade vivida” e para uma “filantropia para as pessoas e para o planeta”. Procuram-no, conforme procuramos, de forma mais ampla na FMG, responder ao desígnio que a OECD – OCDE atribui à filantropia: “a capacidade de apoiar o que tem mais risco, de responder com flexibilidade e de testar soluções que outros possam depois levar mais longe”.

 

Fazê-lo depende certamente – em particular numa Fundação de base comunitária como a FMG – de estarmos próximo das pessoas que servimos e co-construirmos esse espaço de diferenciação. De adicionalidade.

 

A Philea, a partir do tema das comemorações deste ano, incentivava ao “despertar da imaginação coletiva” e ao mostrar “como pode ser um futuro melhor, um futuro ao serviço das pessoas e do planeta”. Mostrarmos como a “filantropia pode reforçar a capacidade de adaptação, a resiliência, a sustentabilidade e a prosperidade partilhada, mantendo a ousadia mesmo perante retrocessos recentes”.

 

Procuramo-lo e procuraremo-lo na Fundação Mendes Gonçalves. A cada ação, é certo. Mas, também, a cada conversa, café ou refeição partilhada, com cada pessoa, parte da nossa comunidade.

 

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“European Day of Foundations and Donors” | @Philea | https://philea.eu/events/european-day-of-foundations-and-donors-2

“Sabores com Memória” | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/sabores-com-memoria/

“Private philanthropy should scale its collaboration with governments to boost financing for sustainable development” | @OECD | https://www.oecd.org/en/about/news/announcements/2026/03/private-philanthropy-should-scale-its-collaboration-with-governments-to-boost-financing-for-sustainable-development.html

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Comunidade, comunidade…

“Vivemos, dizem-nos, uma crise de saúde mental: milhões de pessoas em listas de espera, serviços incapazes de responder à procura, crianças a chegar às urgências em desespero”. Assim afirma, num artigo já de 2022 mas atual e que convoca à reflexão (até porque não concordaremos todos com todo o seu conteúdo), Sanah Ahsan, psicóloga com anos de experiência no SNS do UK, para logo nos interpelar com a seguinte questão: “Doesn’t it make sense that so many of us are suffering?” Fará – mesmo – sentido que tantos de nós estejamos a sofrer?

 

Também eu, tantas vezes, o penso e faço esta pergunta. Fará sentido, neste nosso tempo, que tantos de nós soframos? Que tantas crianças e jovens sofram?

 

É certo que vivemos um momento de instabilidade, incerteza e desconfiança. Mas é também certo que, além de mais recursos, temos hoje mais conhecimento que pode(ria) ajudar a contrabalançar estes movimentos. Um, fundamental, a importância das relações e da forma como participamos na construção de comunidade e nos sentimos parte dela, como fatores fundamentais de proteção face a este Mundo incerto e fontes de suporte, confiança e capacidade de adaptação. Como as relações e a comunidade nos aproximam de um propósito e da possibilidade de bem-estar.

 

É, também por isso, que tenho procurado refletir sobre qual pode ser o meu e nosso papel como cidadãos e profissionais, nas mais diversas áreas, na revitalização do que significa hoje construir comunidade e, simultaneamente, criar confiança e reforçar a coesão (social).

 

A este propósito sugiro, também, a leitura de uma interessante reflexão de David Sharpley sobre como a reconstrução da confiança (e coesão) social – muitas vezes “perdida” por via de sentimentos de injustiça e do ressentimento e dúvida que se instalam – começa, precisamente, pelo sentido de pertença.

 

Sentido de pertença base de um estudo recente – que também aconselho – publicado pela BIT e que analisou seis mil milhões de amizades (em redes sociais) no UK e que conclui que crianças de famílias com menos recursos que crescem em comunidades mais conectadas entre diferentes estratos sócio-económicos podem ter salários 28% superiores aos 28 anos face às que crescem em zonas mais isoladas… Isso e que a proximidade física, por si só, não é suficiente… São as atividades (e propósitos) partilhados que transformam vizinhança em vínculo. Conexão. Comunidade.

 

Ahsan termina o seu artigo com a imagem de uma planta a murchar: “não lhe diagnosticaríamos uma “síndrome de murchidão”, procuraríamos alterar as suas condições”. Certo. E porque não nas comunidades, pergunto eu? Para “criarem raízes” e as pessoas que as constituem tenham espaço de crescimento e desenvolvimento. Porque não reforçar, hoje e no futuro, aquilo que mais protege(u) (sempre) o bem-estar e desenvolvimento? Uma comunidade, coesa e baseada na confiança.

Ps. A imagem que partilho é da Cueva de las Manos onde quem habitava a Patagonia, algures entre há 13000 e 9500 anos, pensava a comunidade, assim.

 

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I’m a psychologist – and I believe we’ve been told devastating lies about mental health | Sanah Ahsan | @The Guardian | https://www.theguardian.com/commentisfree/2022/sep/06/psychologist-devastating-lies-mental-health-problems-politics

Why social trust is failing – and how Psychology can restore it | The Psychologist @David Sharpley | https://www.bps.org.uk/psychologist/why-social-trust-failing-and-how-psychology-can-restore-it

Friends with benefits: How to connect communities to create opportunities | @The Behavioural Insights Team | https://www.bi.team/wp-content/uploads/2025/12/Friends-with-benefits-How-to-connect-communities-to-create-opportunities.pdf

Cova de las Manos | @UNESCO | https://whc.unesco.org/en/list/936/

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A IA: uma certeza, uma inquietação

Tenho para mim que não devemos ignorar a complexidade. Antes a devemos assumir, pensar, talvez “navegar”. Penso-o a propósito de um contributo enquanto “júri” do Big Impact 26, organizado pela imatch • amplifying innovation e de desse dia ter trazido uma certeza e uma inquietação.

Primeiro a certeza. Que há uma geração de empreendedoras/es com ambição, rigor e vontade genuína de contribuir para desafios societais e para a resolução de problemas que impactam a possibilidade de bem-estar. Assisti à apresentação de 11 ideias e projetos sólidos (listagem em comentário), bem pensados, com potencial de impacto concreto e, onde, a ancoragem à tecnologia e, especialmente, à inteligência artificial (IA) e ao que hoje (e amanhã) permite (e permitirá) foi evidente.

Depois a inquietação. A IA está, portanto, a abrir possibilidades com potencial incrível, mas… E o mas vem, mesmo e também, dessa sua omnipresença nos projetos: O que nos cabe e caberá a nós?

Diria, o fundamental. As competências base. A leitura, a escrita, o raciocínio, a atenção e concentração, o pensamento crítico. A capacidade de avaliar, duvidar, de decidir. E os valores… E a criação de comunidade e, com ela, de suporte social. Porque o Mundo será certamente muito diferente se usarmos a IA a partir de uma base sólida de conhecimento, valores e de capacidade de juízo, decisão e crítica face a, no limite, dependermos dela exatamente por não termos essas bases.

E aqui há sinais que nos devem (pre)ocupar. Um extraordinário recente texto do The Economist (ver nos comentários) reflete sobre como estão hoje as/os alunas/os dos “países ricos” a chegar ao ensino superior sem mínimas competências básicas de numeracia e literacia. Em média, 8% das/os estudantes de ensino superior dos países da OECD – OCDE não chegam hoje a valores esperados nestas áreas em crianças de 10 anos (em alguns países são 10, 15, 20% das/os alunas/os – ver gráficos abaixo). Isto enquanto a IA “generativa” é quase plenamente utilizada mas tende a agravar o problema quando substitui o compromisso, em vez de o potenciar. Diz mesmo o artigo que a IA “induz resignação” e isso (…) já “não é pragmatismo; é rendição”.

É aqui que se cruzam, para mim, as duas realidades. Quanto mais poderosa e de maior potencial for a IA, mais decisivo se torna investir no que nos torna capazes de a utilizar, com racionalidade, discernimento e a partir de uma ideia de bem, de bem-comum. E isso deve começar muito cedo.

Também por isso, na Fundação Mendes Gonçalves temos insistido na necessidade de trazer mais investimento e mais acesso e qualidade para a educação no período 0-10 anos. É aqui a base. É aqui que podemos desenvolver “as bases”. É aqui que, com maior eficácia, podemos promover equidade e o desenvolvimento de todos.

O futuro construir-se-á certamente com IA. Mas construir-se-á, antes de tudo, com pessoas capazes de o imaginar. E isso — esse tal fundamental — não é delegável e nele devemos investir. Verdadeiramente desde o início.

 

Comentários:

Aqui partilho link para artigo mencionado no texto: “Students are doing worse than you think  Some at college or university are testing no better than ten-year-olds“| https://www.economist.com/international/2026/06/25/students-are-doing-worse-than-you-think
E, aqui, a listagem das 11 startups e projetos finalistas: @Mena.ai, @ConnecTee – Education, @Gripwise, @Trash4Goods, @Simpl.care, @Curya, @Parlensky by McMinsky, @Telos Care, @Equivalence, @Tacitum e @GreenDash. Uma palavra especial de encorajamento à @Telos Care, vencedora do pilot grant atribuído.
E, finalmente, um especial agradecimento à @imatch, e em particular ao @André Costa, pela organização e pela confiança no convite. À @Siemens Portugal e à @Sofia Tenreiro, pela forma como nos receberam. Aos colegas de júri, parceiros e investidores com quem, também, foi um gosto partilhar a tarde e os debates e comentários: @Helio Jonathan Jesus, @Alisson Avila, @Casa do Impacto, @Gaspar João, @Pedro Cortez, @Carlos Alves, @Paulo Dias. E ao @Tomás Archer de Carvalho, que tão bem dinamizou e geriu a sessão.
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Nós, verdadeiramente, não sabemos

Certamente já viveram acontecimentos de vida significativos que, mais ou menos positivos, foram para vós transformadores e tornaram claras questões que podiam não ser claras antes.

 

Assim aconteceu comigo. Amanhã, dia duplamente importante para a nossa família, é um daqueles dias em que ela poderia sorrir, orgulhosa. Não pode. Perdemo-la antes de ter oportunidade de conhecer quem amanhã cumpre mais uma bonita etapa profissional e quem amanhã cumpre mais um aninho. Perdemo-la e essa perda tornou claro, claríssimo, para mim algo que, sabendo, talvez não sentisse como passei a sentir: nós, verdadeiramente, não sabemos. Julgamos, pensamos, cremos que sim, mas, muitas vezes, não sabemos. E inscrevermos isso em nós é exigente, duro até, mas, simultaneamente, muito libertador.

 

Há semanas, aquando da missão Ártemis II em torno da Lua e do que invariavelmente sucede quando os seres humanos realizam feitos extraordinários (o consequente surgimento de narrativas de que tudo é falso, de que só alguns predestinados sabem a verdade), o jornal Público publicou um “Prova dos factos” que garante – sim é necessário hoje garanti-lo – que “fomos mesmo à Lua” mas que “narrativas que garantem que é encenado existem desde 1969”.

 

Este “Prova dos factos” cita um artigo que escrevi com um amigo e colega (Miguel Ricou), em 2021, quando coordenava o Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses, num tempo em que a incerteza e o desconhecido eram parte permanente do dia-a-dia. Escrevemos então o agora citado: que quem acredita em teorias da conspiração procura, no fundo, uma sensação de segurança e controlo, “a segurança de que a pessoa sabe o que se passa, de que detém um conhecimento superior face aos outros e às narrativas oficiais”. Uma ilusão entendível, humana se quisermos, mas tremendamente perigosa a meu ver.

 

Quem acredita que sabe tudo tende a fechar-se ao outro. Quem recusa a incerteza torna-se menos disponível para aprender, adaptar-se e de, genuinamente, relacionar-se. A humildade de aceitarmos que não sabemos (tudo), que podemos estar errados, que há mais do que o que vemos e que as outras pessoas são, também elas, capazes não é uma fraqueza. É uma força, felizmente também humana, que nos aproxima dos outros e de ser e estar mais, melhor.

 

O “Global Flourishing Study”, o maior estudo sobre florescimento, confirma-o: o que mais nos faz florescer não é a certeza (e controlo), nem a riqueza. São, antes, as relações que estabelecemos connosco, com os outros (com abertura à surpresa e diferença e sem julgamento) e com o que nos rodeia. É, antes, como nos integramos e contribuímos em comunidade e como criamos sentido e propósito.

 

Por isso na Fundação Mendes Gonçalves procuramos algo que vai além dos projetos e programas: novas formas de estar em e criar comunidade. Acreditando que o florescimento e um futuro de maior e mais equitativo bem-estar começa precisamente no reconhecimento de que não estamos sozinhos e que não sabemos e podemos tudo, sós.

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Um outro Fuji, da Golegã para o Mundo

Hoje passam 42 anos do nascimento do projecto TED Conferences. Nascido no mítico 1984, o projecto cresceu e o seu lema – “ideias que merecem ser disseminadas” – levou (e continua a levar) reflexão e boas-práticas, nos mais diversos temas, aos quatro cantos do Mundo com uma energia, dinâmica e estilo muito próprios. Só aqui, no LinkedIn, tem mais de 24 milhões de seguidores (mais de dois “Portugais”), sendo a 5ª organização mais seguida logo após a Google, a Amazon, a Microsoft e o próprio LinkedIn. É obra.

Curiosamente um dos seus últimos posts (https://www.linkedin.com/posts/this-kindergarten-school-is-designed-to-help-ugcPost-7430058540633006080-5tTY?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU), publicado há 4 dias, trata uma obra incrível –  a construção do Jardim-de-Infância (JI) Fuji, nos arredores de Tóquio, pela dupla de arquitectos Tezuka e decorre de um excerto de uma conferência TED do Takaharu Tezuka intitulada “O melhor JI que alguma vez viu”.

O excerto foca a forma como o desenho e a arquitectura do JI permite a sua abertura ao espaço exterior e ao redor, com a quase ausência de limites e barreiras entre espaço exterior e interior. Ainda o facto do projecto assentar na ideia de se fazer um “telhado”, utilizável e baixo (onde as crianças se pudessem ver entre os diferentes níveis do JI) e correr até ao infinito e a exploração, ao limite, da articulação com as árvores e com o espaço exterior no geral e sua utilização intencional para diminuir factores de tensão/stress e potenciar o “risco” controlado, a atividade física e a concentração em sala de aula.

Finalmente – e não menos importante – a forma como o desenho do espaço influencia positivamente a cooperação e o entendimento do JI como uma sociedade, de direitos e deveres de cada uma das partes, terminando com uma forte afirmação: “A arquitectura é capaz de mudar o Mundo | Uma das formas de o fazer é procurar mudar a vida das crianças”.

É, assim é. E assim procuramos fazer no trabalho que estamos – Fundação Mendes Gonçalves – a fazer para a construção da Escola Mendes Gonçalves, o primeiro projecto de um espaço escolar dos arquitectos Tezuka na Europa. Será em Portugal, na Golegã, e reunirá no mesmo espaço as respostas de Berçário, Creche, JI e Escola Básica de 1º Ciclo, integradas e a beber, entre outros, do conjunto de princípios e referenciais atrás referidos e da sua articulação com o seu projeto pedagógico. Mais, da sua articulação, também, com os Centros de Conhecimento e de Desenvolvimento Profissional previstos e com o que o Programa Educar da Fundação Mendes Gonçalves preconiza – “Educar com qualidade muda o Mundo”, sendo fundamental contribuir amplamente para uma educação de qualidade dos 0-10 anos, com especial enfoque no período 0-3 anos.

Um dia teremos uma nova história e, com ela, “ideias que merecem ser disseminadas”, da Golegã para o Mundo.

Ps. Mais e mais aprofundada informação e partilhas nos comentários.

…

“The best kindergarten you’ve ever seen” | Takaharu Tezuka | https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen

Projecto “Escola Mendes Gonçalves” | @Fundação Mendes Gonçalves | https://www.youtube.com/watch?v=99biJdnHfXI

Programa Educar | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-001-FED-Nota-Conceptual-Educar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

Fundação Mendes Gonçalves e Fundação Santander promovem debate sobre espaços educativos com Arquiteto Tezuka | @Fundação Mendes Gonçalves e @Fundação Santander | https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/04/25/fundacao-mendes-goncalves-e-fundacao-santander-promovem-debate-sobre-espacos-educativos-com-arquiteto-tezuka/?doing_wp_cron=1771819478.6236600875854492187500

 

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2026

Nos últimos tempos, para parte significativa de pessoas (em que me incluo), não é fácil olhar para o Mundo com bastante optimismo. À desigualdade, juntam-se os frequentes fenómenos climatéricos extremos, a polarização e divisões crescentes, a desinformação, o autoritarismo, conflitos geopolíticos e a guerra que nos (me) inquietam.

Mas, como que paradoxalmente, 2025 foi um ano em que muitas coisas correram realmente bem. Uma pessoa, muito importante para mim e que desde há muito me “faz” mais optimista, partilhou um artigo comigo (ver comentário), mesmo no final do ano, com 1084 boas notícias de 2025 em áreas como o ambiente, os direitos humanos (sim, os direitos humanos), a economia ou a tecnologia. Dois exemplos: a primeira dessas notícias é sobre como a IA está a contribuir para se produzir melhor vinho; a última sobre como 2025 foi o ano desde 2006 com menor número de “assassinatos em massa” nos EUA.

Neste Mundo desafiante, complexo, polarizado, assumir estes paradoxos, como assumir as nuances conforme Anne-Laure Fayard pensa (ver comentário) é, por si, um acto de coragem. Reconhecer a complexidade, resistindo à tensão simplista e aos binários tipo “tudo certo” Vs. “tudo errado”. Abraçar a incerteza, a diversidade e reforçar o diálogo abrindo espaço a soluções criativas e coletivas é fundamental para navegar o dia-a-dia e o Mundo actual.

Isso e, nesse movimento, exercitarmos (sim, exercitarmos) a esperança e o optimismo. Identificar riscos e perigos, procurar a agência possível sobre os mesmos e desenvolver e treinar as nossas capacidades de propor alternativas e procurar novas possibilidades. Tudo isto em cima do conhecimento que temos de que os seres humanos são, no geral, mais “bons de coração” do que por vezes consideramos… Veja-se o artigo que, também abaixo, partilho em torno de 10 evidências científicas que vão desde a capacidade de partilhar das crianças muito pequenas (1ª) à forma como têm sido questionados nos métodos e resultados um considerável número de estudos/experimentos muito mediáticos em torno do “pior” dos seres humanos (10º).

Por aqui anda a minha reflexão sobre este 2026… Recusar cinismos paralisantes (quando não desculpabilizantes) na exacta medida da recusa de uma tendência para uma negação ingénua da realidade complexa e desafiante que viveremos e viveremos. Mais, usar dados, a experiência, as evidências… Usar da nuance, da relação e cooperação e da base da generosidade humana para pensar 2026 pessoal e profissionalmente com um optimismo realista.

Pelo meio, procurar dar um humilde contributo, também nos meus papéis mais pessoais e profissionais, para um Mundo um pouco melhor. No presente e para o futuro.

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Sofia Corradi

Coincidentemente estava de regresso a Itália, pela primeira vez, aquando da sua morte, na “sua” Roma. Estávamos a 17.10 último e saber da morte de Sofia Corradi, “mãe do (programa) Erasmus”, fez-me reviver memórias muito concretas e importantes da minha vida.

Para mim, que cresci num contexto relativamente distante dos grandes centros (de Portugal e, mais ainda, da Europa), com limitado acesso a determinados estímulos e à possibilidade de viajar, o meu Erasmus foi uma fantástica e única oportunidade de experimentar algo que mudou a forma como via a Europa e, de certa forma, me passei a ver e os outros me passaram a ver, tal o que me transformou.​

O meu Erasmus, iniciado no Inverno de 2004 com base numa Turim onde nevou muito (sim, sou eu…) é a prova de que foi e é possível promover algo com que a Sofia Corradi sonhou: desenvolver pessoas pelo estimular de relações que atravessam países e culturas e do reforço da coesão a partir da diversidade. E isto não é de somenos, para mais num tempo onde viajar era ainda um privilégio e de ausência de redes sociais como hoje as conhecemos.

Estou bastante certo do impacto incrível que aquele tempo teve na expansão do meu horizonte de possibilidades, pessoais e profissionais. Talvez por isso não me surpreenda a cada vez mais robusta evidência científica que demonstra como a qualidade e diversidade das relações impactam positivamente as oportunidades que temos ao longo da vida, sobretudo para quem provém de contextos mais vulneráveis (veja-se o recente relatório da BI Team – https://www.bi.team/wp-content/uploads/2025/12/Friends-with-benefits-How-to-connect-communities-to-create-opportunities.pdf​ – que demonstra como o capital social decorrente de ligações e relações entre pessoas de contextos socioeconómicos diversos aumenta de forma substancial as oportunidades de quem cresce em meios mais desfavorecidos.

E, se isto foi importante há 20 anos, é-o hoje, também, ainda que eventualmente por diferentes motivos. Já não será, tanto, pela ausência de estímulos, possibilidade de viajar e de conhecer realidades diversas. Antes, talvez, como política pública de promoção da equidade e como forma de “combater” os aparentes níveis de bem-estar mais baixos, cada vez mais cedo e durante cada vez mais tempo (https://www.publico.pt/2025/09/08/p3/noticia/ficar-infelizes-cedo-lomba-infelicidade-desapareceu-mundo-2146170). Indicadores que parecem ser sinal de que algo de estrutural não está a funcionar bem na forma como nos relacionamos connosco, com os outros e com o que nos rodeia e em como o decréscimo das relações significativas e de pertença e a ausência de diversidade nas mesmas parecem para isso concorrer.​

Manter o legado da Sofia Corradi é, por isso, contribuir para que ninguém fique confinado e condicionado ao seu ponto de partida e isso faz-se, também, estimulando mais relação e maior diversidade nas relações, com impacto na abertura de possibilidades e no bem-estar.

Aqui estou para o atestar. Obrigado Sofia.

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Dia Mundial da Saúde Mental e dia da atribuição do Prémio Nobel da Paz

Hoje é Dia Mundial da Saúde Mental. Dia que sublinha a importância da saúde mental na possibilidade autodeterminação, de bem-estar individual e colectivo e de desenvolvimento e coesão social. Dia, também, de lembrarmos que “há palavras e expressões cuja definição mais comummente utilizada é a ausência do seu contrário” e que “assim é com a saúde mental”.
“Muitas pessoas definem e entendem saúde mental como um estado em que não se tem uma doença mental (…) [porém] a saúde mental vai muito além da ausência de doença mental, correspondendo aos recursos (internos e externos) que cada pessoa tem para lidar e se adaptar aos seus acontecimentos de vida e à sua possibilidade de florescimento e de bem-estar global.”
Este ano a data coincide com a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2025 pelo que recupero um texto que escrevi e publiquei na Revista SÁBADO a 30.12.21 intitulado: “Um desejo para 2022? Construirmos mais paz”.
Faço-o porque – tendo nas últimas horas surgido notícias promissoras face à terrível situação de Gaza e à libertação dos reféns que persistem dos horríveis atentados do 07.10.23 – não me recordo de outro ano onde tanto se falou sobre quem poderia receber o Prémio Nobel da Paz nos dias anteriores à atribuição.
Faço-o, também e como para a saúde mental, para sublinhar, ainda antes de conhecermos a/o ou as/os vencedoras/es, que a Paz é mais do que a ausência de guerra. Que o “próprio Instituto para a Economia e a Paz publica dois “rankings” que organizam anualmente um conjunto de países: Paz Global [Global Peace Index], classificando a apelidada “Paz negativa” (ausência de violência, conflito destrutivo e guerra) (…) e Paz Positiva [Positive Peace Index], partindo do reconhecimento de que a Paz é mais que a ausência dos indicadores anteriores, ao analisar a civilidade, a cooperação e o cuidado (com outras e outros).”
Apesar de escrito no final de 2021 e do Mundo ter mudado incrivelmente, convido à sua leitura e convido, neste dia, a que reflictamos sobre o conceito de saúde mental, enquanto mais que a ausência de doença mental, e sobre o conceito de Paz, enquanto mais que a ausência de guerra. Que reflictamos neles, na relação entre eles e no que podemos para eles contribuir… Individual e colectivamente.
É que “na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, construir futuro e construir futuro com possibilidade de bem-estar depende de construirmos harmonia, civilidade e de cooperarmos. Dependente de desenvolvermos a partilha, a pertença e a gratidão. De pensarmos que não há individual sem colectivo e colectivo sem individual. De integrarmos que não confiar nas e nos outros e nas instituições em democracia é, antes de mais, não confiarmos em nós, nas pessoas que fazem as instituições e os governos. Depende, pois, de investirmos na paz e na sua promoção e de fazermos do cuidado com as outras e os outros o principal cuidado connosco. 2022 [e 2025] é tempo para nos juntarmos, relacionarmos e para construirmos mais paz.”
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12.06.2012, gestão do bem-comum e inovação social

Recuemos ao dia 12 de Junho de 2012. Comemorava-se mais um Dia Nacional da Rússia e centenas, senão milhares, de adeptos da Rússia marcharam em comemoração deste dia em plena capital da Polónia, situação que resultou em confrontos com adeptos da Polónia. Mais tarde jogar-se-ia um Polónia-Rússia do Europeu de Futebol de 2012 e, mais uma vez, o o futebol cruzava-se com tensões políticas históricas e com desafios societais complexos. Também neste dia o Mundo perdia Elinor Ostrom.

Elinor Ostrom, além de ter sido a primeira mulher a receber o prémio Nobel da Economia (em 2009, a par de Oliver Williamson), estudou e reflectiu durante décadas sobre a gestão do bem-comum (ou dos bens comuns). No seu discurso de aceitação desse Nobel – intitulado “Beyond Markets and States: Polycentric Governance of Complex Economic Systems” [Para além dos Mercados e do Estado: Governança Policêntrica de Sistemas Económicos Complexos] e cuja leitura muito aconselho – sublinha a necessidade de desenvolvermos abordagens colaborativas e baseadas na inovação para a resolução dos desafios mais complexos, defendendo que a gestão eficaz dos recursos comuns e a resposta a problemas sociais complexos exigem sistemas de governo policêntricos, com diferentes camadas de tomada de decisão que envolvam diferentes pessoas e as comunidades locais e organizações não governamentais a par dos governos.

Partilho-o a propósito de uma reflexão que considero muito relevante e que li, em artigo no Público da autoria da Sofia Lai Amândio e Jürgen Howaldt e cuja leitura também aconselho, intitulado: “Vinte anos de políticas de inovação social na Europa em risco” (https://lnkd.in/d8mEqBEz).

Artigo que, fazendo uma resenha histórica do caminho percorrido nos últimos anos na área da inovação social na União Europeia, reflecte sobre os riscos de regredirmos nos estímulos e suporte conferidos à co-criação e à participação mais ampla na reflexão e desenho de respostas para os desafios societais complexos que vivemos: “A experiência dos últimos 20 anos prova que a inovação social não é acessória. É indispensável para enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro sustentável.”

Enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro mais sustentável com co-criação, inovação social e com modelos policêntricos de gestão e preservação do bem-comum.

Que não desistamos… Pelo presente. Pelo futuro de todos.

Ps. O Polónia-Rússia desse dia terminou 1-1.

Ps2. Nesse Europeu, co-organizado pela Polónia e Ucrânia, Portugal foi eliminado nas meias-finais, em grandes penalidades, pela Espanha (que o venceria). Esse jogo aconteceu na cidade de Donetsk, num estádio que, tendo sido inaugurado em 2009, desde 2014 não recebe qualquer jogo, em resultado de uma Guerra com já mais de uma década que nos últimos 3 anos e meio se agudizou e tomou proporções que em 2012 dificilmente se imaginariam.

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Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global

Ainda a propósito da minha última partilha que começava com 2 bebés que terão hoje 4 dias, volto com outro recurso que complementa – porque amplifica a outros desafios societais – o texto da passada 2ªF que se referia principalmente à desigualdade/iniquidade.

Falo de uma publicação que parte da colaboração entre a American Psychological Association e as United Nations, da responsabilidade de Odile Frank intitulada: “Psychological aspects of multilateral social development policy and the global development agenda” [Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global] | https://www.apa.org/international/united-nations/social-development-policy.pdf

Documento que parte da identificação de 3 dimensões psicológicas importante ao momento actual de progresso (ou da ausência de progresso ou mesmo do retrocesso) em vertentes da agenda global de desenvolvimento:

. O impacto da pobreza e exclusão no bem-estar e o que podemos fazer para o prevenir;

. A compartamentalização de disciplinas científicas (quando os desafios societais complexos carecem de abordagens interdisciplinares) e a centração em ideias (por vezes preconceitos) e modelos conceptuais de intervenção que nem sempre são os mais custo-eficazes, condicionando o progresso;

. A nível global as tensões mais hedoinistas de maximização e, consequente, concentração da riqueza e algum desequilibrar da balança para mais empatia que altruísmo – a empatia é importantíssima, não me entendam mal, mas, por si só, insuficiente à mudança.

Convido, pois, à sua leitura e a reflectirmos sobre:

. Como pode o desenho de políticas atender mais significativamente às questões sociais, valorizando o impacto nas pessoas e comunidades das necessárias decisões de base económica;

. Como podemos co-construir e desenvolver de forma eficaz e ampla a segurança económica de todos, a partir de redes de proteção mais inclusivas;

. Como podemos renovar e actualizar os princípios de solidariedade entre pessoas, comunidades e gerações, a partir do fortalecimento dos laços e da coesão social e intergeracional e da confiança nas instituições, visando sociedades e um Mundo mais resiliente e com futuro.

É difícil? Certamente.

Os temos ajudam? Nem por isso…

Mas ignorar que o necessitamos de fazer enfraquecerá, sempre e mais ainda, as instituições e a agenda de desenvolvimento global, com repercussões que imagino duras e que historicamente conhecemos com o sofrimento e sacrifício de muitas pessoas. Já fazer destes desafios desígnio, pode dar-nos um propósito, primeiro individual, depois de comunidade e, finalmente, global que estimule uma sociedade mais justa, equitativa e melhor equipada para o presente e futuro.

Farei por isso. Faremos por isso.