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Ainda o 6º Congresso OPP/XIII FIAP

O 6º Congresso da OPP/XIII da FIAP terminou há uma semana mas continua aqui. Associo-me a esse belo movimento com uma mensagem última em forma de agradecimento(s):

. Ao Francisco Miranda Rodrigues por ter confiado e me ter convidado a presidir à sua Comissão Organizadora e, nele, a todas as largas dezenas de psicólogas/os com diferentes papéis na Ordem dos Psicólogos Portugueses pelos seus múltiplos contributos para o sucesso do congresso;

. À Clara Silva e nela a toda equipa de trabalhadoras/es da OPP que formam, particularmente quando perante exigências complexas, uma força coesa, empenhada, criativa e segura. São inexcedíveis e são ainda capazes de agregar outras pessoas, no caso do Congresso o grupo de voluntárias/os (a quem também agradeço) que são a base (e que importante é a base) para que tudo funcione;

. À comissão científica excepcionalmente liderada pela Isabel Soares que teve um papel determinante da preparação da recepção das mais de 7 centenas de submissões à organização e moderação das sessões de comunicações, pósteres digitais e espaço jovem (especial agradecimento à Carolina Oliveira, força motriz desta iniciativa). Incrível trabalho.

. Ao João Reis, com quem tive uma impactante (pelo menos para mim) conversa sobre “um só planeta”; à Raquel Corval , Leonor Carvalho, Sandra Araújo e Isabel Soares com quem conversei sobre os primeiros mil dias (e que orgulho serem tema no congresso da OPP); à Ana Rita Gomes, Inês Pimenta de Castro, Andresa Oliveira, João Salgado, Maria João Mosca e Daniel Maia com quem conversei sobre a intervenção psicológica à distância e seus desafios e oportunidades. Neles agradeço às quase 5 centenas de oradoras/es e às/aos restantes quase 2500 participantes;

. Aos patrocinadores e stands que confiaram no congresso para associarem as suas marcas e produtos e que co-construiram a sua experiência, também fora das salas de sessões;

. Às organizações internacionais participantes, nomeadamente do espaço ibero-americano, países língua oficial portuguesa e à EFPA (European Federation of Psychologists’​ Associations), American Psychological Association e COP.

A todas e todos agradeço o sentido de comunidade, o espaço de celebração.

“…e este percurso”, disse o Sr. Presidente da República na sessão Solene falando do processo de afirmação da psicologia e da valorização do contributo das psicólogas e psicólogos na sociedade portuguesa, “foi um percurso que explica estes congressos. Quem chega aqui aos congressos a sensação que tem é que este duplo congresso [OPP/FIAP] é uma festa. Não é o cumprimento de um dever, de uma obrigação, é uma festa. Se quiserem, uma festa de autodeterminação”.

A celebração da autodeterminação e da procura incansável da promoção da sua possibilidade para todas as pessoas por parte de 28.000 psicólogas/os, dia após dia, nos mais variados contextos. 28.000 psicólogas/os, cidadã(o)s.

Foi uma honra ter tido esta oportunidade e ter podido dar este meu contributo para este nosso Congresso.

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Dia Mundial das Redes Sociais

“Um em cada quatro jovens em Portugal utiliza as redes sociais mais de 6 horas por dia. É evidente que este é um comportamento inapropriado, desde logo porque essas 6 horas não podem ser utilizadas noutro tipo de actividades que poderiam ser importantes para o seu desenvolvimento e participação social.”

Parte da conversa que tive com a Cristina Freitas, na SIC Notícias, na manhã de Domingo, Dia Mundial das Redes Sociais que partilho. Conversa sobre a utilização das redes sociais e os seus impactos, sobretudo na população mais jovem. Sobre um tema tão importante e, creio, tão urgente.

Porque certamente todos sentimos os seus impactos. Os menos positivos, conforme os referidos no enquadramento da peça, a partir de declarações da minha colega Sofia Ramalho, nomeadamente na diminuição do diálogo entre gerações, na dependência e na saúde mental. A estes, na peça, acrescento que quando o uso é desadequado (referindo que isso depende dos tempos, momentos e objectivos de utilização e de características individuais de quem utiliza), podem existir outras consequências negativas na saúde e bem-estar, como a diminuição da prática de actividade física, participação social, alterações no sono, no comportamento alimentar ou um maior isolamento. Assinalo, ainda, impactos negativos em dimensões emocionais e na auto-estima quando a utilização visa o contacto e partilha com conteúdos violentos ou tendentes à comparação social.

Mas, na conversa, procuro sublinhar existirem também um conjunto de impactos positivos da utilização, quando adequada, das redes sociais. Entre outros que poderia ter focado, refiro a relação e conexão com pares, o maior suporte social e a partilha, participação e envolvimento em grupos, iniciativas e organizações.

Abordo, ainda, a importância da supervisão dos adultos de referência desta utilização por parte da população mais jovem, seja a partir da família ou dos contextos de educação formal e não formal, advogando pelo estabelecimento de canais de comunicação que permitam conhecermos e apoiarmos a sua participação, protecção e segurança em ambiente digital.

Termino procurando assinalar um conjunto de contributos que a psicologia pode aportar a esta conversa. Desde logo na literacia e apoio às tomadas de decisão, mais individuais (pessoas e famílias) e de desenho de políticas, a partir da informação e conhecimento da ciência psicológica – a esse propósito a Ordem dos Psicólogos Portugueses disponibilizará em breve um conjunto de documentos/contributos e este será um tema central do seu próximo congresso. Ainda, e finalmente, na intervenção e apoio que psicólogas e psicólogos podem disponibilizar junto de pessoas com usos mais problemáticos das redes sociais ou com problemas que desse uso decorram.

Uma conversa que devemos continuar… Uma conversa que necessita da participação de todos.

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VI Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses | XIII Congresso Ibero-Americano de Psicologia.

Faltam agora 4 meses para muitas e muitos de nós, espero, nos reunirmos e encontrarmos no VI Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses que, em virtude da presidência da Federación Iberoamericana de Asociaciones de Psicología (FIAP) pelo Bastonário da OPP (Francisco Miranda Rodrigues) decorrerá em simultâneo com o XIII Congresso Ibero-Americano de Psicologia.

Conforme há 10 anos, quando em 2014 se organizou o II Congresso da OPP em simultâneo com o IX Congresso Ibero-Americano, regressamos a Lisboa e ao Centro Cultural de Belém, depois de Congressos da OPP no Porto (2016), Braga (2018) e Aveiro (2022).

Foi exactamente no CCB e, mais especificamente, no caminho José Saramago – personalidade que procurou, também, pensar e discutir uma “sociedade ibero-americana” – que gravei o “vídeo convite” para o Congresso, cujo link abaixo partilho.

Um Congresso que, na linha dos anteriores, se propõe a uma discussão e debate interdisciplinar dos contributos e da colaboração potencial da ciência e da prática psicológica na resposta às necessidades e anseios das pessoas (nos seus mais diversos contextos, circunstâncias e acontecimentos de vida) e comunidades e aos principais desafios societais.

Um congresso que contou com cerca de 700 submissões já analisadas num enorme e extraordinário trabalho de uma comissão científica superiormente presidida pela Isabel Soares e que tem uma call específica associada ainda aberta (ver link abaixo) para submissões para a revista científica da OPP. Um congresso que conta com um espaço específico de apresentação para as e os mais jovens – Espaço Jovem. Um congresso que procura uma nova e reforçada experiência de relação com o espaço, com outras/os congressistas nacionais e internacionais, com expositores e com patrocinadores. Um congresso, finalmente, que potencia a colaboração com um conjunto de entidades, incluindo a American Psychological Association, num evento colaborativo dentro do próprio congresso sobre novas tecnologias, inteligência artificial, contributos da psicologia e potenciais desafios e impactos na sociedade.

Com cerca de dois terços dos bilhetes presenciais já vendidos, nos próximos dias começaremos a conhecer o programa que, creio, estimulante e um contributo importante para pensar a psicologia em Portugal e no espaço Ibero-Americano.

Quando a 26.09.2010 caminho José Saramago foi inaugurado pela sua filha, ela disse sentir pena por “ele não estar aqui [lá] para ver”. No 2º dia do Congresso passarão 14 anos dessa dia e espero que esteja lá para ver. Para ver e contribuir para se construir um grande Congresso e, com ele, um importante contributo para a sociedade.

Link Congresso

Link Call Revista

Link Vídeo

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Ao redor... (Revista Sábado) Congresso Democracia Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Espaço Jovem, Congresso

Neste último Sábado Gabriel Attal comemorou o seu 35º aniversário. Depois de ter tomado posse em Janeiro último, fê-lo enquanto primeiro-ministro de França, sexta maior economia mundial, num período particularmente incerto e exigente. Foi (é) o primeiro-ministro mais novo de sempre em França, depois de ter sido Ministro antes dos 30 anos. E foi nomeado por Macron, também ele, quando inicialmente eleito, o Presidente mais jovem de sempre em França e que tem sempre defendido a necessidade de incluir mais pessoas, mais jovens, nos processos políticos, pela identificação, participação e inovação que aportam ao debate, à co-construção e à decisão política.

Não posso estar mais de acordo e, creio que, além da justiça intergeracional que representa, que o tempo e os desafios que vivemos o exigem. Na política, certamente. Como noutras áreas da nossa vivência cidadã e profissional.

Na Ordem dos Psicólogos Portugueses temos procurado fazê-lo. Desde logo no conjunto de iniciativas que, desde há anos, mantemos junto de estudantes de psicologia, incluindo o mais recente projecto Estudante Embaixador OPP cuja candidatura para a 2ª geração se encontra aberta. Depois junto de diplomadas/os em psicologia e no acompanhamento dos anos profissionais júnior (estágios profissionais), incluindo o conselho consultivo. Ainda num conjunto de iniciativas conjuntas com associações representativas de estudantes e jovens profissionais e num grupo de trabalho com jovens psicólogas/os recentemente criado, numa tentativa de generalizar a identificação e participação da camada mais jovem da profissão no debate, co-construção e decisão da sua organização.

Voltamos a fazê-lo no próximo (6º) Congresso da OPP que decorre em simultâneo com o XIII Congresso da Federación Iberoamericana de Asociaciones de Psicología (FIAP), em Setembro e no CCB. Nele teremos o “Espaço Jovem” onde, partindo-se do conceito 3MT®, desenvolvido na Universidade de Queensland convidamos estudantes, diplomadas/os, psicólogas/os júnior e membros efectivos nos seus primeiros 5 anos de actividade, fundamentais para o crescimento da profissão, a apresentarem trabalhos relativos à sua prática profissional e/ou de investigação. Além dos prémios monetários previstos para as/os vencedoras/es, pretende-se reforçar a sua participação activa, reconhecer, dar visibilidade, comunicar e disseminar os trabalhos, bem como promover redes de contacto entre profissionais.

Se cumpres os critérios, submete o teu trabalho para avaliação pela comissão científica, também ela com jovens profissionais, presidida pela Isabel Soares. Se não, participe no Congresso e, desfrute, entre outras iniciativas e espaços de (re)encontro, neste Espaço Jovem.

2ª Geração – Estudante Embaixador OPP: aqui:

https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/estudante-embaixador-opp

Submissões Espaço Jovem | Congresso OPP/FIAP:

https://abstracts.ordemdospsicologos.pt/pt/

Inscrições Congresso OPP/FIAP: https://congresso.ordemdospsicologos.pt/bilhetes-2024/

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V Encontro DRNorte e “Os Ninguéns”.

 

“Não me sinto responsável por coisa nenhuma”. Esta frase, parte de uma conversa da Sr.ª Procuradora Geral da República com jornalistas foi amplamente abordada e debatida na última quinta-feira, véspera do V Encontro Anual dos Psicólogos do Norte, promovido pela Delegação Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde.

Foi exactamente trazendo esta frase da véspera que comecei a moderação de uma das sessões do encontro, não pela reflexão que possa(mos) fazer da mesma, antes porque a sessão reunia uma psicóloga e dois psicólogos (três colegas a que me junto) exactamente nos antípodas de uma visão de “não se [nos] sentirem[sentirmos] responsáveis por coisa nenhuma”. Muito pelo contrário.

Uma sessão onde o Jorge Gato abordou as questões da “inclusão e da(s) equidade(s)”, a partir da reflexão sobre uma “prática culturalmente competente e afirmativa com pessoas LGBTQ+”, assente numa importantíssima triangulação entre as dimensões do “conhecimento, da técnica/prática e das atitudes e valores das psicólogas e psicólogos”, enquanto elementos estruturantes de uma intervenção psicológica de qualidade junto de populações vulnerabilizadas.

Uma sessão onde a Himali Bachu reflectiu sobre os contributos da psicologia e das psicólogas e psicólogos para uma “visão multicultural para os dias de hoje”, pensando as novas realidades (nomeadamente pelo crescimento das migrações, também em Portugal) e dos novos desafios, de adaptação, por exemplo, dos serviços públicos às mesmas, enquanto contributo fundamental para a adaptação e para a qualidade de vida das populações migrantes.

Uma sessão onde o Jorge Pereira, a partir da sua experiência, discutiu as dimensões da relação entre a deficiência e a sexualidade a partir do contributo da psicologia, desde logo, na promoção da literacia e contributo para a transformação de estereótipos e preconceitos, bem como no trabalho de promoção de comportamentos desde momentos de vida precoces, fundamentais à vivência deste aspecto fulcral do bem-estar ao longo da vida.

Uma sessão, finalmente, em que todas e todos nos referimos a como a psicologia e em como psicólogas e psicólogos podem, a partir dos seus múltiplos contributos e papéis, influenciar positivamente as vidas de pessoas, famílias e comunidades mas, também, contribuir para transformações políticas e socais, fundamentais à possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação de todas as pessoas.

Um obrigado ao Eduardo Carqueja e, nele, a toda a equipa que organizou e preparou mais um magnifico encontro, marcado pela qualidade científica, claro está, mas, também, pela dimensão humana. Dimensão humana, expressa nos afectos, na forma como o encontro foi enquadrado (incluindo o poderoso “Os Ninguéns” do Eduardo Galeano) e no papel destinado ao desenvolvimento pessoal e profissional que procuramos (e encontramos) na passada sexta-feira. Obrigado. Muito obrigado.

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“Competências; Cooperação; Activação Social”. Tema, simultaneamente, arrojado e que nos confronta e convoca. Tema do III Congresso dos Psicólogos dos Açores que, nos dias 19 e 20 deste mês, decorreu em Ponta Delgada.

Lembro-me muito bem das 1ª e 2ª edições. Do impulso, visão e ousadia da equipa que, coordenada pela Luz Melo, então presidente da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses, as pensou, projectou e concretizou. Saúdo a equipa actual (Carla Rocha, Joana Amen, Filipe Fernandes e Paula Domingues), liderada pelo Marco Santos, por continuarem e aprofundarem estas realizações, pelo tema e pela relevância e impacto de um evento que, reunindo, juntando e aproximando colegas, demonstrou o impacto do trabalho de colaboração desenvolvido com o Governo Regional e Secretarias Regionais, conforme bem expresso pelo presidente José Manuel Bolieiro, bem como com os municípios e diferentes projectos e organizações sociais, conforme expresso, por exemplo, pela vereadora do Município de Ponta Delgada (e colega psicóloga) Cristina Canto Tavares.

Saúdo e agradeço a confiança pelo convite que me foi feito para, neste III Congresso e com moderação da Cristina Dutra, realizar uma intervenção com o mote: “Psicologia: Reforçar o envolvimento e a activação comunitária para promover resultados em saúde, bem-estar e equidade”.

Nela falei do papel da psicologia nos processos de transformação social e como foram, são e serão possíveis. Falei de determinantes macro do individual e como, em qualquer área de actividade, os temos que considerar, afirmando o nosso papel potencial neles. Falei de bem-estar, da sua relação com a saúde (e saúde mental) e de factores protectores e de risco. Falei do Mundo hoje e de como podemos melhorar e potenciar a utilização da ciência psicológica. De como a profissão se deve repensar e como pode e deve influenciar a sociedade para responder aos seus desafios e promover maior possibilidade de autodeterminação a cada pessoa. Falei, ainda, de envolvimento e participação. De propósito, pertença e activação comunitária. De agência e co-criação do futuro colectivo. De que podemos começar por fazer algo para, logo, fazer algo mais e, em seguida, melhor.

Pensei-o e partilhei-o, no final com a “Difference” (https://www.youtube.com/watch?v=eSElIhIcHAE) do Benjamim Clementine a acompanhar, qual singelo contributo para o envolvimento na mudança e activação pela saúde, bem-estar e equidade.

Reflecti-o, no final, a partir de uma pergunta da Carla Fernandes, ligando-o à forma como é fundamental reforçarmos a estrutura de projectos e organizações, procurando o por vezes exigente equilíbrio de tempo e foco nas actividades concretas junto do público-alvo e no desenvolvimento da estrutura e envolvimento das equipas no caminho para uma dinâmica que consolide, aprofunde, envolva e torne mais possível e mais fácil para quem se nos segue, continuar, fazendo mais e melhor para o bem comum.

Pois esse é, também, nosso desígnio.

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Solidão… Um problema de saúde pública.

“Quantas/os amigas/os realmente próximos necessitamos?” Num artigo publicado no The New York Times, Catherine Pearson discute este importante e estruturante tema do nosso tempo a partir da constatação do declínio das relações de amizade próximas nos últimos anos e, particularmente, durante a pandemia. Inquéritos da Gallup demonstram que se há 30 anos apenas 3% das/os americanas/os referia não ter amigas/os próximas/os, estudos mais actuais indicam que até cerca de 13% das americanas e 8% dos americanos assim o consideraram, hoje. Em Portugal o aumento é igualmente significativo, contribuindo para uma realidade onde cerca de 330 milhões de pessoas (mais de 3% da população Mundial) afirmaram não ter comunicado com pessoas próximas nas duas semanas anteriores a um estudo desta empresa.

A solidão e o isolamento social são dimensões relevantes de saúde pública e determinantes fundamentais do bem-estar e da saúde. São, nesse sentido, factores fulcrais a considerar e, fundamentalmente, devem informar a definição de políticas, a acção de diferentes entidades/organizações da sociedade civil e de cada pessoa na relação com outras pessoas. Merecem ser faladas, discutidas e ser promovida literacia para todas as pessoas em seu torno.

Foi o que se procurou com o nono episódio do programa online “Eu sinto.me” (https://eusinto.me), recentemente disponibilizado e que aqui partilho. Abordando a solidão, parte destes pressupostos e da realidade que a Julianne Holt-Lunstad (que esteve em Portugal aquando do IV Congresso da OPP) vem estudando há muitos anos, algo que lhe permite afirmar que o “impacto da solidão na saúde é equivalente ao de fumar 15 cigarros por dia ao longo da vida”. Episódio que conta, como habitualmente, com apresentação da Andresa Oliveira e com contribuições de Fabio Medina, Luísa Ribeiro e Júlio Machado Vaz.

“Pessoa jovem ou pessoa mais velha, a solidão não discrimina.” Assim é e assim afirmava Jo Cox, deputada do Reino Unido que criou a comissão para a solidão, sobre os impactos da solidão na sociedade. Criou-a pouco tempo antes de ser barbaramente assassinada por razões relacionadas com o ódio às e aos outros e à diversidade, combustível do que nos afasta e deslaça. Do que fragmenta a sociedade e fragiliza a coesão.

O trabalho da comissão que criou (que continuou depois do seu assassinato) originou uma estratégia intergovernamental nesta matéria e, mais tarde, uma Ministra da Solidão no Reino Unido. A primeira de um caminho que, entretanto, o Japão também trilhou e que, tudo indica, seja sobre a forma de estratégias, seja através de estruturas de decisão, continuará noutras latitudes, tamanhos são os determinantes solidão e isolamento social na saúde e no bem-estar e o problema de saúde pública que representam.

Esperemos que também em Portugal onde, apesar de uma recomendação da Assembleia da República ao Governo ter sido aprovada em Outubro de 2021 nesse sentido, continuamos sem uma estratégia de prevenção e combate à solidão.

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Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

E finalmente sobre o 5º Congresso da OPP…

Volto ao 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Faço-o 39 dias após o seu “fim”. Número de dias que se estima que, com a tecnologia actual, poderia demorar uma viagem até Marte mesmo quando, pelo facto da Terra e Marte estarem em órbitas elípticas relativas do Sol, a sua distância se alterar ao longo do tempo (entre 55 e 400 milhões de km).

 

Uso esta “imagem” para 3 notas finais sobre o congresso, que se somam ao que já aqui, aqui e aqui reflecti: a) a importância de conversas interdisciplinares e de se discutirem desafios das pessoas e sociedade; b) a equipa que o planeia e operacionaliza; c) a sua permanência (com maior ou menor proximidade) e o 6º Congresso da OPP.

 

a) Falar é, por si só, importante. Este congresso, marcado pelo (re)encontro, permitiu-o, estimulou-o, motivou-o. Entre pares e entre pessoas de diferentes idades, experiências, contextos e áreas científicas, em diálogos também interdisciplinares, com a sociedade e cultura. Isto reconhecendo que à complexidade dos desafios individuais e societais devem corresponder respostas também elas complexas e interdisciplinares, a partir das ciências e áreas profissionais que “orbitam” os desafios. Que reflictamos, colaboremos, encontremos novas respostas e nos desenvolvamos a partir delas.

 

b) Do planeamento (coordenado pelo Francisco Miranda Rodrigues) à operacionalização (coordenada pela Clara Silva), ao contrário do habitual em congressos com este número de participantes (cerca de 1500), toda a sua organização recaiu na órbita da OPP, nas suas pessoas e equipa. Acrescenta-se proximidade, personalização e relação ao evento, além de uma experiência (e história) crescente, pese embora o desafio de se organizar um grande evento concomitante à gestão das restantes acções do dia-a-dia. Parabéns à equipa que o fez e faz com este nível de empenho, qualidade e superação;

 

c) Finalmente, a ideia do não-término. Verdadeiramente os congressos da OPP não terminam considerando que é a distância para o próximo que se vai alterando. Dos cerca de 670 dias que agora faltam aos 0, aquando do início do 6º Congresso da OPP/XII Congresso da Federação Iberoamericana de Psicologia, cujo planeamento terei a honra e responsabilidade de coordenar (Lisboa; Setembro de 2024; em breve mais informações aqui https://congresso.ordemdospsicologos.pt/2024-2/).

 

Continuemos as conversas… Agora, amanhã e no Congresso em 2024. Obrigado a todas e todos que participaram e fizeram este.

 

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10.10.2022

O tema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2022 que hoje se comemora (Tornar a saúde mental e o bem-estar uma prioridade global) foca a importância da saúde mental como prioridade global (em todas as áreas e todos os países) e de priorizarmos e internacionalizarmos nas políticas (públicas) a possibilidade de bem-estar de todas e todos. Talvez paradoxalmente, o tema permite-nos reflectir sobre o papel da ciência e da prática da psicologia como não apenas cingido à saúde mental. Antes à saúde e bem-estar amplos, no dia-a-dia de comunidades e pessoas, ao longo de todo o ciclo de vida mas também junto de acontecimentos de vida ou em períodos de crise. Um exemplo? O contributo da psicologia na pandemia que, tendo sido/sendo essencial na área da saúde mental, foi/vai muito além desta.

Sobre ele – curiosamente no dia em que o governo decidiu não renovar o estado de alerta – e o meu papel enquanto coordenador do gabinete de crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses fui entrevistado pelo Mésicles Berenguel no 5º congresso da OPP (participação a par de outras na área da pobreza – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_terminou-na-6%C2%AAf-o-5%C2%BA-congresso-da-ordem-dos-activity-6982604315689406464-wUtA?utm_source=share&utm_medium=member_desktop – ou da promoção da saúde mental no Ensino Superior – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_passa-amanh%C3%A3-uma-semana-do-fim-do-5%C2%BA-congresso-activity-6983688804071030784-GSIe?utm_source=share&utm_medium=member_desktop)

Na entrevista, explicitando os objectivos da criação do gabinete a 13.03.2020, frisei o papel da equipa de trabalhadoras/es da OPP na manutenção de toda a estrutura e atribuições da Ordem. Foquei a mobilização de centenas de psicólogas e psicólogos no desenvolvimento de recursos e ferramentas de apoio à prática profissional, nomeadamente linhas de orientação, documentos de apoio, webinares/debates ou fóruns, bem como a forma como procuraram formação (em 2020 e 2021 em maior número que a soma de todos os anos desde 2013). Sublinhei contributos junto da sociedade civil, particularmente na literacia em saúde (e saúde mental) e um conjunto de colaborações, algumas produzindo acções transformadoras (FLAD; RTP, Seguradoras, …). Ainda o papel junto de decisoras/es, contribuindo no desenho de políticas, respostas de apoio psicológico e de promoção da saúde e bem-estar (Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS24, Task Force Ciências Comportamentais, CIG, CNPDPCJ ou Instituto Português do Desporto e Juventude, IP, onde hoje estarei numa sessão do relevantíssimo CUIDA-TE+, …).

Terminei a referir que, quando comunico, particularmente nos media, sinto representar a profissão (e ciência) e a responsabilidade que isso acarreta. Particularmente quando, face aos desafios do presente e futuro da sociedade, a psicologia é e será um importante valor e recurso e a confiança nela e nos e nas psicólogas é um bem valioso que a todas e todos (e por todas e todos) compete preservar.

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Tempo da Psicologia (Ao redor…; Sábado; 28.09.2022)

Faltam poucos dias para passarem quatro anos sobre esse 10 de Outubro de 2018. Nesse dia Mundial da Saúde Mental visitávamos um conjunto de projectos da Associação CRESCER. Acompanhamos uma equipa do “É uma rua” a um dos espaços da cidade de Lisboa onde intervém, de acordo com a metodologia de Redução de Riscos e Minimização de Danos. Como naquele dia, ouço-o contar-nos a sua história, que incrivelmente poderia ser a de quase todas e todos nós, como havia entrado e logo saído de diversas respostas e como acumulava diversas condições de vulnerabilidade: as suas dependências, particularmente de álcool e drogas, a sua condição de pessoa sem-abrigo, a sua solidão e problemas de saúde (significativos) variados. Ouço-o, como vejo, uma pessoa com especiais responsabilidades políticas que nos acompanhava, com uma sensibilidade que me impressionou, olhar a medicação que este senhor trazia num saco e mais tarde comentar, apenas connosco, que ali estavam muitas centenas, senão milhares, de euros investidos. Nesse e noutros momentos desse final de dia e noite de visita a outros projectos e pessoas apoiadas pela CRESCER, a clareza, pela realidade, do quão socialmente determinada é a saúde e do quão, sem promoção integrada da saúde e da saúde mental e sem apoio e integração social e comunitária das pessoas, não podemos aspirar a intervenções eficazes e à melhor utilização dos recursos disponíveis. Do quão pode ser relevante a psicologia, enquanto ciência e profissão, para a saúde e bem-estar das pessoas e para a sustentabilidade dos sistemas públicos.

Tempo da Psicologia. É este o mote que reúne em Aveiro, a partir de hoje, cerca de 1500 pessoas, maioritariamente psicólogas e psicólogos, para o 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Também quatro anos após o 4º Congresso e com uma pandemia por COVID-19, uma Guerra no continente europeu e uma nova crise socioeconómica no horizonte. Os mesmos quatro anos que passaram entre as eleições de 2018 e de Domingo em Itália e entre os 4% e os 26% do partido de direita nacionalista “Irmãos de Itália”, liderados pela provável futura chefe de governo, Giorgia Meloni, que confirmam o caminho de progressiva implementação e “normalização” de ideias e ideais anti-imigração, do questionamento de direitos humanos, da ciência e das instituições e do crescimento do autoritarismo, com consequente diminuição da liberdade e das garantias Mundo fora. Quatro anos que confirmam a velocidade e volatilidade deste tempo, a complexidade e globalidade dos desafios, a enorme incerteza que vive(re)mos.

Enquanto países como a Austrália – que segundo um relatório da Equipa de Planeamento do Serviço Nacional de Saúde Mental (NMHSPF), apenas consegue hoje preencher 35% dos 7787 lugares de psicólogas/os disponíveis por falta de profissionais – se vêm forçados a investimentos urgentes na formação e “captação” destes profissionais, em Portugal decorre um concurso, iniciado também há quatro anos, em que mais de 3000 psicólogas/os, muitas e muitos com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e a trabalharem já no SNS, procuram um dos 40 lugares para os cuidados de saúde primários. O estado e as famílias portuguesas investiram significativamente nas últimas quatro décadas na formação de profissionais de psicologia e, confrontados que estamos com problemas e desafios que as e os requerem e com o avanço da sua ciência, hoje com contributos em diversas áreas da sociedade e do ciclo de vida das pessoas, é tempo de apostarmos nas psicólogas e psicólogos e de lhes darmos mais oportunidades e condições de trabalho, particularmente no SNS.

Mas porquê? Porque, efectivamente, apesar das condições de vida em quase todo o Mundo terem melhorado substancialmente nas últimas décadas, os níveis de incerteza, precariedade, pressão e desigualdade constituem hoje factores de stress particularmente significativos. A eles, juntam-se, também em Portugal, níveis de literacia em saúde psicológica superiores (ainda que baixos), níveis de estigma inferiores (ainda que altos) e, particularmente, um capital social que faz com que as pessoas se mobilizem, bem, e pressionem por respostas para os seus problemas (e para os das pessoas ao seu redor), também de saúde mental, exigindo, bem também, mais possibilidade de autodeterminação, saúde e bem-estar, independentemente da sua condição. Acresce, depois, maior percepção e compreensão, de decisoras e decisores e das lideranças, do papel e contributo da psicologia no desenho de processos, de políticas e de interfaces, no desenvolvimento, consultoria e formação das pessoas e no apoio à mudança (social e individual) e promoção da inclusão, equidade e justiça social.

Mas há muito caminho por percorrer, muitas conversas para ter, muita interdisciplinariedade por co-construir. Este 5º congresso procurá-lo-á. Discutirá temas desafiantes, com psicólogas e psicólogos junto com profissionais de outras áreas e/ou decisoras e decisores, como a morte medicamente assistida, o rendimento básico incondicional, a semana de quatro dias e a necessidade ou não do aumento das penas máximas de prisão ou da legalização da prostituição ou trabalho sexual. Eu participarei em sessões nas áreas da pobreza, COVID-19 e promoção da saúde mental no ensino superior. Outras e outros, noutros desafios societais como a crise climática, a saúde pública, as migrações, a paz, as relações com a tecnologia e a inteligência artificial e promoção de locais de trabalho saudáveis, além dos mais variados contextos de actuação da psicologia e dos desafios da sua prática no presente e para o futuro. Isto num congresso que procura inovar na sustentabilidade (realizado em diversos espaços “caminháveis”, com utilização mínima de recursos substituídos por uma aplicação que garante a informação e interacção entre participantes) e na relação com a comunidade, promovendo visitas a espaços e projectos da cidade e actividades abertas, como o Mente.morfose, festival de cinema (e conversas) associado ao congresso e seus temas.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, como o responsável político que mencionei reconhece(u), o investimento feito naqueles medicamentos apenas pode ser eficaz se complementado com outras intervenções, sistémicas. A psicologia tem hoje um capital de conhecimento e uma força de trabalho capaz de oferecer garantias, às cidadãs e cidadãos e aos governos, de actuação nas consequências dos problemas e acontecimentos de vida significativos das pessoas, mas também, a montante, nas causas (muitas delas sociais) desses problemas. Com responsabilidade, procuraremos, hoje, amanhã e depois, discutir como o podemos fazer melhor, com todas e todos. Com empenho e foco nas pessoas, procuraremos mobilizar a profissão para um presente e futuro que se afigura desafiante, em Portugal e no Mundo.

 

Tempo da Psicologia

in Sábado (Ao redor…); 28.09.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/tempo-da-psicologia