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5º Congresso da OPP – Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior

Passa amanhã uma semana do fim do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses com mote “Tempo da Psicologia” e cuja cidade de Aveiro tão bem acolheu. Passa também uma semana de um dos momentos que nele dinamizei/participei (a par dos em torno do desafio societal da pobreza – https://lnkd.in/dPbCYhtC – e de outros sobre os quais ainda escreverei): a empowertalk “Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior”.

Cerca de 6 meses após a apresentação da  1ª edição do Programa FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento / OPP “Saúde Mental no Ensino Superior”) a 11 de Abril (https://lnkd.in/deZNXHwS), ali estava para enquadrar a conversa, num momento subsequente à discussão com seguradoras sobre o acesso a serviços de psicologia e de se terem abordado estudos que indicam a saúde mental (incluindo dimensões de prevenção e promoção), como a área que a população mais jovem mais valoriza hoje num seguro de saúde. Ali estava, também, para enquadrar o trabalho e contributo da OPP e meu neste relevante programa, creio, atendendo aos desafios que se colocam à saúde mental das e dos jovens (incluindo estudantes de Ensino Superior) e que sublinhei a partir dos pontos cardeais: (N)otas (e a pressão colocada) – (O)utras/os (e a “obrigatoriedade de estar bem”) – (E)stabilidade (precariedade, incerteza e as dificuldades associadas a questões sócio-económicas) – (S)uporte (dificuldade e iniquidade de acesso contingente a apoio na área da saúde mental).

Mais de um ano após as (primeiras) conversas e o trabalho conjunto, particularmente com a Liliana Valpaços a quem agradeço o empenho, dedicação e a visão, ali estávamos, também, para apresentar os 3 projectos vencedores (de 32 candidaturas): Universidade da Madeira (Projecto Wellbeing) – Dora Pereira; Instituto Politécnico de Viana do Castelo(RES4ALL+) – Carla Faria; e Instituto Politécnico da Guarda (Desejar-Comunicar-Agir) – Odilia D. Cavaco.

Um momento de celebração e mais um marco do importante investimento da FLAD e da OPP na área da saúde mental e do Ensino Superior que pretendemos continuar e aprofundar, conforme também discutimos. Um momento que, conforme acabei por referir no final da sessão, gostaria que se repetisse no 6º Congresso da OPP em 2024, para apresentação dos projectos vencedores da 3ª Edição do Prémio. Para tal ou para todas e todos discutirmos outro tema, isto caso essa potencial edição do prémio não venha a existir por ter perdido o seu sentido, considerando que as instituições de ensino superior portuguesas assumem a área a promoção da literacia em e da saúde mental como verdadeiramente prioritárias no quadro da sua acção.

Parabéns à FLAD. Parabéns às IESP vencedoras. Obrigado Liliana.

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Giorgia Meloni e o 5º Congresso da OPP

Portugal joga amanhã com Espanha a passagem à fase seguinte da Liga das Nações tal como jogou, em Junho de 2004, a passagem à fase seguinte do Euro 2004, que Portugal organizou. Muitas e muitos de nós recordam esse jogo que vi em Turim (Norte de Itália).

Ali vivi(a) enquanto estudante Erasmus e dali viajei, várias vezes, rumo a outras cidades italianas, muitas no Sul. Viagens num país lindíssimo e diverso. Num país com muitos países (e dialectos) dentro e de diferenças significativas entre Norte e Sul, diferenças que ajudam a compreender as eleições de ontem.

Meloni conduziu o Irmãos de Itália, partido de direita nacionalista, a força política mais votada. Independentemente do Governo que se constituir, da sua consistência (Itália teve 45 governos desde 1945) e do que será Meloni líder de Governo, é paradigmático que o partido cresça de 4 para 26% entre as eleições de 2018 e as de 2022. Há, como sempre existem, múltiplas razões que podem justificá-lo em Itália. Como existem para o comunicado do Chega que defende “que estes ventos de mudança [chegarão] a Portugal” e levarão “a uma reconfiguração política da Europa”.

Meloni faz da defesa da meritocracia, escola. Diz que o “mérito é o carburante do Mundo”, que tudo “reside na vontade, sacrifício e paixão” e que “não se devem aceitar limites impostos pelos outros”. Discurso motivacional, com ressonância, mas que choca com o discurso anti-imigração e o seu apego à “teoria” da “grande substituição” que torna seu objectivo evitar a “extinção dos Italianos”. O contrassenso continua quando afirma que a “segurança das cidades italianas está fora de controlo” pelas “políticas migratórias dos últimos anos”, apesar da taxa de criminalidade ter caído significativamente de 1990 a 2019 (a de homicídios 72%). Contrassenso aqui, coerência no desconsiderar dos factos, da ciência, dos valores democráticos e direitos humanos (veja-se a posição sobre pessoas LGBTI+) ou da preservação do Planeta (e sobre crise climática).

18 anos (desde 2004) ou 4 anos (desde 2018) que nos trouxeram a uma Meloni previsível chefe de governo, demonstração da aceleração e volatilidade do tempo que vivemos e de como, respeitando resultados eleitorais e as/os votantes, devemos mobilizar-nos contra a utilização do ressentimento e ódio como programa político. Um Mundo complexo precisa de respostas sustentadas que tragam esperança às pessoas e “vençam” as soluções simplistas resultantes deste tipo de partidos/coligações, Mundo fora.

Disponibilizar estas soluções exige diálogo e co-construção. Implica conversas interdisciplinares em temas desafiantes. Fá-lo-ei (em torno da pobreza, da COVID-19 e da saúde mental no Ensino Superior) e fá-lo-emos no 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses, sob o mote “Tempo da Psicologia”. Com determinação, empenho e consciência dos riscos que enfrentamos, mas com a certeza de que passo-a-passo, com todas e todos e com a ciência (incluindo a psicológica) é possível caminhar no sentido de um Mundo… melhor.

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Da capilaridade e interdisciplinariedade…

Foi também em Junho (1712) que Rousseau nasceu. Considerado um dos grandes influenciadores da Revolução Francesa e dos seus valores (Igualdade, Liberdade e Fraternidade), o seu mais importante livro (“Do contrato social”) defende que a liberdade, bem-estar e a segurança dos seres humanos depende e é preservada pelo contrato social. Além de sustentar ideias próximas da justiça social e direitos humanos, Rosseau introduziu o conceito de “interesse público”. Deixou-nos um intenso legado quando desapareceu, também, a 2 de Julho (1778).

Foi em Junho (mas de 2022, 310 anos após o seu nascimento) que uma menina perdeu trágica e precocemente a possibilidade de viver e se cumprir. Mês em que a CMTV superou “o recorde de audiências”, conforme assinala a capa do “Correio da Manhã” de 2 de Julho (mas de 2022, 244 depois da morte de Rosseau) e após 10 dias em Junho com uma cobertura inenarrável e deontologicamente questionável desse desaparecimento, com consequências nas pessoas, comunidade e instituições.

Ao contrário do interesse do público, o “interesse público de Rosseau”, resulta da vontade geral das pessoas e, grosso modo, do contrato social. Advogo que o contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos na possibilidade de autodeterminação, de saúde e bem-estar das pessoas se faz com intervenções e apoios directos (às pessoas) mas, complementarmente, com maior capilaridade da psicologia. Capilaridade e interdisciplinariedade, contribuindo para uma sociedade mais sensitiva e responsiva à compreensão do comportamento das pessoas e grupos e dos impactos na saúde (e saúde mental) e bem-estar, presentes e futuros, de determinadas experiências/acontecimentos.

Isso faz-se, a meu ver, com participação cidadã e profissional de psicólogas/os no “contrato social”, como é exemplo o contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses na “Diretiva para a cobertura informativa televisiva de guerras e conflitos armados” que afirma que “na exibição de declarações de pessoas em manifesta situação de vulnerabilidade física, emocional ou psicológica, deve assegurar-se o seu obrigatório consentimento, preservar a sua identidade e garantir a sua segurança.”

Faz-se, a meu ver, com psicólogas e psicólogos a dinamizarem e se envolverem em conversas com outras disciplinas e em torno dos contributos da psicologia em áreas e desafios diversos, conforme objectivo do nosso 5º Congresso onde se discutirá, por exemplo, o “Jornalismo e desafios societais”. Este e dezenas de outros temas em sessões, incluindo práticas, visitas, debates, entrevistas, cinema… Oportunidades para “sair do dia-a-dia” e apoiar a nossa reflexão enquanto psicólogas/os “contribuidores” para a mudança social.

No congresso ou não, permitamo-nos ir além do nosso dia-a-dia para irmos além do muito que já contribuímos. As pessoas esperam-no. Os desafios societais exigem-no.

 

 

 

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Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Lugar(es) da Psicologia

Desde há uns meses partilho no LinKedIn algum pensamento em torno de assuntos emergentes na sociedade e/ou em mim. Também desde há uns meses tenho outra oportunidade de pensar os contributos da Psicologia (da ciência, dos profissionais) na sociedade e nos seus complexos desafios.

Faço-o como membro da comissão organizadora (CO) do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, presidida pela Raquel Raimundo, que partilho com a Carla Fernandes, catarina Alvarez, Edite Queiroz, Renata Benavente e Verónica Ferreira. 

Congresso que se propõe pensar o “Tempo da Psicologia”e ousar novas abordagens,‘abrindo-se’ à rua, à tecnologia, ao debate com outras áreas de saber e artísticas.

Regresso a uma CO de um Congresso da OPP 6 anos depois (2º; CO presidida por Francisco Miranda Rodrigues), após ser voluntário no 1º (David Neto) e membro nos 3º (Miguel Ricou) e 4º (Eduardo Carqueja) da fantástica equipa de colaboradores da OPP que os constrói (alguns como a Sarah Freire e a Clara Silva já não connosco).

Este é também um contributo meu de ‘inscrição’, como o é o LinKedIn e este Lugar da Psicologia, lugar em construção onde reúno o que vou fazendo, pensando, escrevendo.

Aqui, no LinKedIn ou no Congresso, encontremo-nos, discutamos e reflictamos. Juntos.

O mundo isso (nos) exige.