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Da capilaridade e interdisciplinariedade…

Foi também em Junho (1712) que Rousseau nasceu. Considerado um dos grandes influenciadores da Revolução Francesa e dos seus valores (Igualdade, Liberdade e Fraternidade), o seu mais importante livro (“Do contrato social”) defende que a liberdade, bem-estar e a segurança dos seres humanos depende e é preservada pelo contrato social. Além de sustentar ideias próximas da justiça social e direitos humanos, Rosseau introduziu o conceito de “interesse público”. Deixou-nos um intenso legado quando desapareceu, também, a 2 de Julho (1778).

Foi em Junho (mas de 2022, 310 anos após o seu nascimento) que uma menina perdeu trágica e precocemente a possibilidade de viver e se cumprir. Mês em que a CMTV superou “o recorde de audiências”, conforme assinala a capa do “Correio da Manhã” de 2 de Julho (mas de 2022, 244 depois da morte de Rosseau) e após 10 dias em Junho com uma cobertura inenarrável e deontologicamente questionável desse desaparecimento, com consequências nas pessoas, comunidade e instituições.

Ao contrário do interesse do público, o “interesse público de Rosseau”, resulta da vontade geral das pessoas e, grosso modo, do contrato social. Advogo que o contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos na possibilidade de autodeterminação, de saúde e bem-estar das pessoas se faz com intervenções e apoios directos (às pessoas) mas, complementarmente, com maior capilaridade da psicologia. Capilaridade e interdisciplinariedade, contribuindo para uma sociedade mais sensitiva e responsiva à compreensão do comportamento das pessoas e grupos e dos impactos na saúde (e saúde mental) e bem-estar, presentes e futuros, de determinadas experiências/acontecimentos.

Isso faz-se, a meu ver, com participação cidadã e profissional de psicólogas/os no “contrato social”, como é exemplo o contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses na “Diretiva para a cobertura informativa televisiva de guerras e conflitos armados” que afirma que “na exibição de declarações de pessoas em manifesta situação de vulnerabilidade física, emocional ou psicológica, deve assegurar-se o seu obrigatório consentimento, preservar a sua identidade e garantir a sua segurança.”

Faz-se, a meu ver, com psicólogas e psicólogos a dinamizarem e se envolverem em conversas com outras disciplinas e em torno dos contributos da psicologia em áreas e desafios diversos, conforme objectivo do nosso 5º Congresso onde se discutirá, por exemplo, o “Jornalismo e desafios societais”. Este e dezenas de outros temas em sessões, incluindo práticas, visitas, debates, entrevistas, cinema… Oportunidades para “sair do dia-a-dia” e apoiar a nossa reflexão enquanto psicólogas/os “contribuidores” para a mudança social.

No congresso ou não, permitamo-nos ir além do nosso dia-a-dia para irmos além do muito que já contribuímos. As pessoas esperam-no. Os desafios societais exigem-no.

 

 

 

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