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V Encontro DRNorte e “Os Ninguéns”.

 

“Não me sinto responsável por coisa nenhuma”. Esta frase, parte de uma conversa da Sr.ª Procuradora Geral da República com jornalistas foi amplamente abordada e debatida na última quinta-feira, véspera do V Encontro Anual dos Psicólogos do Norte, promovido pela Delegação Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde.

Foi exactamente trazendo esta frase da véspera que comecei a moderação de uma das sessões do encontro, não pela reflexão que possa(mos) fazer da mesma, antes porque a sessão reunia uma psicóloga e dois psicólogos (três colegas a que me junto) exactamente nos antípodas de uma visão de “não se [nos] sentirem[sentirmos] responsáveis por coisa nenhuma”. Muito pelo contrário.

Uma sessão onde o Jorge Gato abordou as questões da “inclusão e da(s) equidade(s)”, a partir da reflexão sobre uma “prática culturalmente competente e afirmativa com pessoas LGBTQ+”, assente numa importantíssima triangulação entre as dimensões do “conhecimento, da técnica/prática e das atitudes e valores das psicólogas e psicólogos”, enquanto elementos estruturantes de uma intervenção psicológica de qualidade junto de populações vulnerabilizadas.

Uma sessão onde a Himali Bachu reflectiu sobre os contributos da psicologia e das psicólogas e psicólogos para uma “visão multicultural para os dias de hoje”, pensando as novas realidades (nomeadamente pelo crescimento das migrações, também em Portugal) e dos novos desafios, de adaptação, por exemplo, dos serviços públicos às mesmas, enquanto contributo fundamental para a adaptação e para a qualidade de vida das populações migrantes.

Uma sessão onde o Jorge Pereira, a partir da sua experiência, discutiu as dimensões da relação entre a deficiência e a sexualidade a partir do contributo da psicologia, desde logo, na promoção da literacia e contributo para a transformação de estereótipos e preconceitos, bem como no trabalho de promoção de comportamentos desde momentos de vida precoces, fundamentais à vivência deste aspecto fulcral do bem-estar ao longo da vida.

Uma sessão, finalmente, em que todas e todos nos referimos a como a psicologia e em como psicólogas e psicólogos podem, a partir dos seus múltiplos contributos e papéis, influenciar positivamente as vidas de pessoas, famílias e comunidades mas, também, contribuir para transformações políticas e socais, fundamentais à possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação de todas as pessoas.

Um obrigado ao Eduardo Carqueja e, nele, a toda a equipa que organizou e preparou mais um magnifico encontro, marcado pela qualidade científica, claro está, mas, também, pela dimensão humana. Dimensão humana, expressa nos afectos, na forma como o encontro foi enquadrado (incluindo o poderoso “Os Ninguéns” do Eduardo Galeano) e no papel destinado ao desenvolvimento pessoal e profissional que procuramos (e encontramos) na passada sexta-feira. Obrigado. Muito obrigado.

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