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Cheque Psicólogo

São mais de 830 as psicólogas e psicólogos que, a partir desta semana, estão disponíveis para o apoio e suporte a estudantes das instituições de Ensino Superior.

Estas e estes estudantes são, na sua grande maioria, jovens de uma geração particularmente impactada nas suas dimensões da saúde mental e do bem-estar, resultado de um conjunto de determinantes e condicionantes, principalmente de índole social e económica. Geração com pouco acesso e, particularmente pouca equidade no acesso, a serviços de psicologia clínica e da saúde. Geração muito impactada, sublinho, mas, apesar de tudo, com melhores indicadores de saúde mental e bem-estar que a geração que se lhe segue, hoje no Ensino Secundário.

Foi com este enquadramento que segunda-feira, numa entrevista à @SIC para uma reportagem que enquadrava a medida “cheque psicóloga/o” no Ensino Superior, procurei sublinhar:

  1. A necessidade da complementaridade da medida com um urgente reforço do orçamento, da valorização e das condições de actuação dos Serviços de Psicologia em instituições de Ensino Superior, particularmente considerando o seu importante papel no processo de acompanhamento aos momentos de transição e à importância da prevenção e da capacitação por via da promoção de competências facilitadoras e/ou transversais junto das/os estudantes;

 

  1. A necessidade da sua complementaridade com o urgente reforço das psicólogas e psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (e nos Cuidados de Saúde Primários em particular) considerando a importância da intervenção da psicologia estar registadas e integradas no sistema, numa perspectiva de acompanhamento de saúde em proximidade e contingência;

 

  1. A discussão sobre os factores de inclusão e de exclusão acordados com o intuito de procurar garantir melhor e mais personalizada resposta para cada situação específica e garantindo, na medida do possível, a integração da resposta com outras respostas existentes, sejam relativas a situações de crise, sejam de necessidade de continuidade.

 

Aos três anteriores pontos acresce a tentativa de contributo para reforçar a importância da avaliação de impacto no sentido da melhoria da resposta mas, também e eventualmente, a extensão de medidas desta natureza a outros contextos / necessidades.

Tudo a partir de um contributo da @Ordem dos Psicólogos Portugueses para um programa que, qualquer um/a de nós, tenderia a desenhar, certamente, com uma ou outra alteração. Mas, apesar de tudo, no sentido certo… O sentido de busca de um caminho de melhoria paulatina do acesso (e da equidade de acesso) a serviços de psicologia e a práticas psicológicas de qualidade, com benefício das pessoas e da sociedade.

 

Ps. Link para a notícia completa: https://sicnoticias.pt/pais/2024-09-30-estudantes-do-ensino-superior-ja-podem-pedir-consultas-de-psicologia-e-nutricao-c7fac756

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VI Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses | XIII Congresso Ibero-Americano de Psicologia.

Faltam agora 4 meses para muitas e muitos de nós, espero, nos reunirmos e encontrarmos no VI Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses que, em virtude da presidência da Federación Iberoamericana de Asociaciones de Psicología (FIAP) pelo Bastonário da OPP (Francisco Miranda Rodrigues) decorrerá em simultâneo com o XIII Congresso Ibero-Americano de Psicologia.

Conforme há 10 anos, quando em 2014 se organizou o II Congresso da OPP em simultâneo com o IX Congresso Ibero-Americano, regressamos a Lisboa e ao Centro Cultural de Belém, depois de Congressos da OPP no Porto (2016), Braga (2018) e Aveiro (2022).

Foi exactamente no CCB e, mais especificamente, no caminho José Saramago – personalidade que procurou, também, pensar e discutir uma “sociedade ibero-americana” – que gravei o “vídeo convite” para o Congresso, cujo link abaixo partilho.

Um Congresso que, na linha dos anteriores, se propõe a uma discussão e debate interdisciplinar dos contributos e da colaboração potencial da ciência e da prática psicológica na resposta às necessidades e anseios das pessoas (nos seus mais diversos contextos, circunstâncias e acontecimentos de vida) e comunidades e aos principais desafios societais.

Um congresso que contou com cerca de 700 submissões já analisadas num enorme e extraordinário trabalho de uma comissão científica superiormente presidida pela Isabel Soares e que tem uma call específica associada ainda aberta (ver link abaixo) para submissões para a revista científica da OPP. Um congresso que conta com um espaço específico de apresentação para as e os mais jovens – Espaço Jovem. Um congresso que procura uma nova e reforçada experiência de relação com o espaço, com outras/os congressistas nacionais e internacionais, com expositores e com patrocinadores. Um congresso, finalmente, que potencia a colaboração com um conjunto de entidades, incluindo a American Psychological Association, num evento colaborativo dentro do próprio congresso sobre novas tecnologias, inteligência artificial, contributos da psicologia e potenciais desafios e impactos na sociedade.

Com cerca de dois terços dos bilhetes presenciais já vendidos, nos próximos dias começaremos a conhecer o programa que, creio, estimulante e um contributo importante para pensar a psicologia em Portugal e no espaço Ibero-Americano.

Quando a 26.09.2010 caminho José Saramago foi inaugurado pela sua filha, ela disse sentir pena por “ele não estar aqui [lá] para ver”. No 2º dia do Congresso passarão 14 anos dessa dia e espero que esteja lá para ver. Para ver e contribuir para se construir um grande Congresso e, com ele, um importante contributo para a sociedade.

Link Congresso

Link Call Revista

Link Vídeo

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Violência nas Escolas

Por estes dias, embora não pelos melhores motivos e até sem o melhor e, porventura, mais factual, enquadramento, discutiu-se a temática das práticas agressivas e da violência na Escola. Algo que, por si, tem já um enorme valor pela importância que tem para a prevenção e mitigação destes fenómenos a afirmação cabal da não complacência das Escolas e da sociedade com estas situações e o sublinhar da não inevitabilidade das mesmas.

Na passada quinta-feira, a @Antena 1 dedicou mesmo o seu programa Antena Aberta a este tema e, tendo tido oportunidade de nele participar (contributo que abaixo partilho), procurei:

 

a) Sublinhar o que atrás refiro notando, também, que a violência em contexto escolar, aliás como a doméstica, não é um problema apenas do presente (embora, enquanto seres humanos, tendamos o colocar o foco no presente e nas questões mais negativas, dando-lhes uma atenção mais signficativa face a aspectos mais positivos e/ou antigos), procurando rebater uma ideia que havia sido levantada numa intervenção anterior que procurava defender que há 4 ou 5 décadas não existia violência no namoro e na Escola como hoje, infelizmente, existe;

b ) A necessidade de progressivamente se caminhar para uma alteração na forma como a sociedade olha, pena e classifica a Escola e a sua actuação. “Além do conhecimento, aprendizagem e resultados escolares (naturalmente muito importantes), a escola tem de preparar as crianças e jovens para a sua autorregulação comportamental e emocional, para a abertura ao outro e para a empatia”, e isso é um trabalho das Escolas que tem que ser reconhecido, contribuindo esse reconhecimento para maior envolvimento das Escolas na resposta, na ctuação e na prevenção dos fenómenos de violência;

c) Também o quão fundamental é, para a prevenção destas situações, a forma como a Escola pode (deve) contribuir para a promoção da possibilidade de ocupação com segurança e com propósito de tempos livres;

d) Ainda, que a Escola é hoje, felizmente e ao contrário de outros momentos históricos, para todas e todos, algo que necessariamente comporta desafios pela menor motivação de envolvimento de alguns/algumas estudantes ou pela necessidade de espaços e práticas mais inclusivas, dando apenas dois exemplos.

Finalmente, algo que acabei por não poder referir, mas cuja importância creio relevante. A par de docentes e de técnicas/os especializadas/os, incluindo psicólogas e psicólogos, devemos intencionalizar a participação e o papel do pessoal não docente nestas matérias. Mas, para isso, temos também e enquanto sociedade, de valorizar mais e mais esta função e papel – a todos os níveis – e, particularmente, empoderar estas pessoas para um complemento a cada dia mais essencial numa Escola em profunda transformação.

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Behavioural Insights COVID-19 Desafios da Psicologia Psicologia

TSF e Jornal II – Comportamentos e Novo dever de recolhimento obrigatório

Nos últimos dias generalizou-se no debate público a ideia de que a maioria da população não aderiu às últimas medidas do Governo. Ideia assente em imagens e níveis de mobilidade comparados a Março, quando as Escolas encerraram e pouco sabíamos do vírus. Ao contrário, a maioria fá-lo responsavelmente há muitos meses com enorme sacrifício, mesmo existindo hoje mais barreiras à adesão voluntária e mais comportamentos inadequados involuntários, algo que procurei abordar em intervenções na TSF e no Jornal 2 da RTP de 2ªF, sublinhando 5 condições hoje distintas: vulnerabilidade emocional e psicológica da população, já significativa pré-pandemia e hoje acrescida com impacto na auto-regulação de comportamentos; fadiga da pandemia e necessário maior apoio, estímulo e nudge ao comportamento adequado; percepção de risco, avaliada a cada momento, fundamental à estimativa da adopção de comportamentos; comunicação hoje negativa, culpabilizante e ilegitimadora do cansaço, que diminui a adesão ao comportamento esperado; e crise de confiança nos decisores e media.
5 diferenças face a Março, que se consideradas na decisão e comunicação de medidas produziriam efeitos… Já! Urgente que é, com propósito comum, ultrapassarmos este exigentíssimo desafio.

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Psicologia

Dia L / Para uma Escola + sustentável – Contributos da Psicologia para a acção climática

Dezembro, 2012. A.Lanza, 20 anos, dispara vários tiros de várias armas entre a sua casa e a Escola primária de Sandy Hook matando 28 pessoas onde se incluem a sua mãe, alunos, a minha colega psicóloga da Escola (M. Sherlach) e ele próprio.

“Temos de nos coordenar e tomar medidas significativas para prevenir mais tragédias como esta, independentemente das questões políticas” diz Obama, num emocionado discurso, suscitando um debate profundo na sociedade Americana. Tocava-se no fundo. Nada podia ficar igual, a começar na legislação de uso e porte de arma, mas…

Dezembro,2019. Austrália ardia, tocava-se no fundo. Nada podia ficar igual, a começar nos combustíveis fósseis, mas…

Foi assim que na 5ªF – nas conferências do “Dia L/Para uma Escola + sustentável” da ES António Arroio e a convite da Luisa Mota – comecei uma conversa com alunos sobre contributos da Psicologia para a acção climática.

Sobre o porquê deste (poderoso) mas. Sobre contributos específicos na prevenção, mitigação, resposta aos problemas, crises e catástrofes, desenho de políticas e na promoção da mudança comportamental.

Deste dia, crê-se, surgirão projectos para acções concretas dos alunos no seio da comunidade escolar.

Deste dia trago um enorme encorajamento face ao futuro a partir da reflexão e visão destes jovens.

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O contributo dos psicólogos diferencia-se do de outros profissionais? Psicologia e ciências comportamentais (PsiCarreiras Summit)


“Temos de revitalizar o século das luzes e reafirmar o nosso compromisso de honrar os seus valores de liberdade,respeito pelo conhecimento e democracia”.

Stiglitz a defender o respeito pelo conhecimento a par com a liberdade e a democracia, valores que urge defender contra movimentos que, com diversas motivações/organizações, prosseguem a opressão, o obscurantismo e o populismo.

Quando fronteiras (Suécia/Brexit) e muros regressam ao Mundo (EUA/Cisjordânia), progredindo até na Europa (Grécia-Macedónia-Sérvia-Hungria), há muros fundamentais a construir. Não entre países mas entre valores. Entre a liberdade e a opressão, entre a democracia e o populismo. Não entre o diverso conhecimento científico (inter ou intra-ciências) mas entre o respeito pelo conhecimento e o obscurantismo.

Urge reforçar a identidade dos psicólogos, sem muros internos, conforme urge afirmar a Psicologia no panorama da ciência, sem muros externos, pelo respeito pelo conhecimento, afirmando-nos pelo contributo junto das pessoas e comunidades nos principais desafios societais.

Na próxima 6F na #psicarreirassummit discutirei com o Eduardo Sá, o Jaime Ferreira da Silva e a Teresa Espassandim a Psicologia, sem muros, e o seu papel diferenciado e liderante na psicoterapia, no coaching e nas ciências comportamentais.

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Climate change and Psychology: Past, present and a better future (Moderação International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action)

Há uma semana começava em Lisboa a International Summit on Psychology and Global Health – A Leader in Climate Action, momento histórico para a Psicologia a nível mundial.

Da Summit, organizada pela APA e pela OPP resultaram uma proclamação e uma resolução conjunta (https://lnkd.in/g8xZNab), além de compromissos de cada uma das 42 Associações nacionais e internacionais de Psicologia, dos 5 continentes,para promover os contributos da Psicologia e das/os psicólogas/os na crise climática.

Além de ter tido a oportunidade de trabalhar na sua organização, moderei na sessão aberta a mesa “Climate change and Psychology: Past, present and a better future” onde intervieram os tão inspiradores quanto conhecedores Janet Swin e José Palma-Oliveira.

Como aí referi, se a Psicologia estuda há décadas o comportamento, as suas motivações e a tomada de decisão,é urgente (re)posicioná-la como ciência que informa e que é decisiva na decisão política e no desenho das políticas.

“Encorajados pela recente onda de preocupação” mas também por uma de optimismo, assumamos, psicólogas/os, a nossa responsabilidade, multipliquemos e apliquemos o nosso contributo neste enorme desafio societal.

Pelas pessoas. Por um mundo com futuro. Por um futuro com mais bem-estar e equidade para todas/os.

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Emergência climática: O meu papel. O nosso papel.

“A vida, exigente, quer a resposta certa ao mesmo tempo da pergunta difícil formulada.”

Recentemente li num artigo esta impactante frase de Gonçalo M. Tavares. Pensei, porque pensava vagamente nas questões associadas à emergência climática: A vida, exigente, implica uma resposta (certa, convicta) para a pergunta difícil (que temos de formular) – O que fazer face à emergência climática? O que fazer?

“Somos encorajados por uma recente onda de preocupação…”

Esta frase surge na conclusão uma recente publicação (BioScience Journal) assinada por uma aliança de mais de 11.000 cientistas de 153 países a propósito da comemoração dos 40 anos da primeira Conferência Mundial do Clima (Geneve, 1979). Este documento, além de expor dados concretos (muito além do inquietante facto dos últimos 5 anos terem sido os anos mais quentes de sempre no planeta desde que existem estas medições) que complementam os do IPCC (https://www.ipcc.ch), foca as declarações de emergência climática por todo o Mundo (o parlamento Português aprovou por unanimidade uma declaração nesse sentido em Julho) e um compromisso de apoio aos decisores para uma transição justa para um futuro mais sustentável e equitativo a partir de seis passos para travar a emergência climática que vivemos (aqui nas palavras de Thomas Newsome, um dos promotores: https://www.youtube.com/watch?v=ikmI4wx9MRE&feature=emb_logo).

Creio como decisivo este compromisso de apoio aos decisores. A crise climática é hoje uma preocupação central no Mundo. Segundo o Eurobarómetro de Setembro, 23% dos Europeus consideram-na como o problema “mais sério que o mundo vive” e 9 em cada 10 Portuguesas/es considera-o como um problema muito sério (8 em 10 na Europa) e apenas 1 em cada 100 diz não considerar que seja um problema (6 em cada 100 na Europa).

Eu sou um daqueles 9 Portugueses. E um Português, psicólogo.

Não raras vezes quando falo dos contributos da Psicologia nesta matéria, algumas pessoas reagem com alguma perplexidade e dúvida. É compreensível, pela dificuldade de percepcionar como ´tangíveis´ esses contributos. Tal já não sucede quando acrescento que se a Psicologia estuda o comportamento e as razões (causas, factores) que levam as pessoas a comportarem-se como se comportam (e a decidirem como decidem), então a Psicologia e as/os psicólogas/os são um recurso importante na promoção de mudanças comportamentais (e na tomada de decisão), fundamentais na mitigação deste problema. E julgo possível conceptualizar o seu papel a quatro níveis:

Na mitigação da emergência climática: Por exemplo, através de contributos para a promoção de mensagens e comportamentos pró-ambientais, visando alterações no comportamento dos indivíduos, grupos e comunidades, através da utilização do conhecimento relativo à identidade de espaço, coesão social ou normas sociais / “green nudges” (um exemplo concreto: a maioria das famílias diminui o consumo de água de uma factura para a factura seguinte apenas por lhe ser dado conhecimento na factura de que consomem mais X% de água face a uma família semelhante no seu bairro ou freguesia). Ou, demonstrando como a ciência psicológica tem feito e o psicólogo David Uzzell tem advogado, que a informação mais “pessoal, imediata, concreta e local” é mais eficaz do que factos e estatísticas mais globais. Ou ainda, procurando envolver os cidadãos numa dimensão de justiça para com as comunidades mais sensíveis, vulneráveis e muitas vezes minoritárias (nos seus países, mas também em todo o mundo) algo que a psicóloga Janet Swim muito tem defendido pelo impacto que produz nas alterações comportamentais (a maioria das pessoas é sensível a estas questões e o sentimento de (in)justiça conduz a processos de engagement para a mudança).

Na prevenção dos problemas associados à emergência climática: Além da má nutrição, doenças infecciosas e poluição, fenómenos climatéricos extremos, como fogos rurais, cheias, furacões ou secas prolongadas serão mais frequentes e impactarão no  bem-estar e na saúde psicológica dos cidadãos. A Psicologia e as/os psicólogas/os devem, portanto, envolver-se no planeamento e na concretização de acções preventivas neste âmbito, desenvolvendo iniciativas em comunidades de maior risco a partir da evidência científica existente que, entre outras, podem passar por programas de promoção do coping e da resiliência das populações, pela participação na preparação das comunidades para a resposta e adaptação a estes fenómenos ou pela participação na definição de planos de intervenção ou de gestão e redução do stress.

Na resposta aos problemas associados à emergência climática: Nomeadamente, com intervenção psicológica baseada na vasta evidência científica, em situações como as migrações, os problemas de saúde mental associados a este tipo de fenómenos, desde os mais comuns – stress, a ansiedade e depressão – aos mais complexos – por exemplo, a perturbação de stress pós-traumático. Em todos eles um denominador comum, intervenções mais próximas e imediatas ao problema (por exemplo os primeiros socorros psicológicos), também por mais curtas mas eficazes, demonstram-se claramente custo-efectivas, poupando recursos e sofrimento, pois previnem o desenvolvimento de perturbações nos meses e anos subsequentes aos acontecimentos.

Na participação e no contributo para o desenho de políticas: Quer elas sejas centradas nas alterações comportamentais ou nas recompensas (ou penalizações) a atribuir aos cidadãos e organizações face a alguns comportamentos (por exemplo, produção de resíduos comuns Vs recicláveis), utilizando os inputs do conhecimento e da ciência psicológica sobre o comportamento, pensamento (e consequentes enviesamentos) e sentimentos associados a este tema dos cidadãos, dos cidadãos líderes de organizações e dos cidadãos decisores.

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É, no entanto, ainda comum as campanhas que vemos a este respeito parecerem privilegiar o ambiente face às pessoas, que parecem surgir em segundo lugar e o seu bem-estar e felicidade ter necessariamente de ser sacrificado em prol do ambiente. Ora, é hoje claro que as narrativas mais eficazes são em torno dos ganhos e não das perdas, pelo que são tão relevantes projectos como o da Ayr, uma ferramenta de mobilidade sustentável desenvolvida por uma empresa Portuguesa sedeada em Matosinhos (CEiiA)  e agora disponibilizada na cidade de Nova Iorque. Esta tecnologia permite, com facilidade para a/o utilizador/a, “medir” (a não produção / emissão de CO2) e “recompensar” (atribuir um valor, por exemplo para utilizar noutras viagens ou serviços) a opção por deslocações “menos poluentes” na cidade, salientando os aspectos positivos desta opção e incentivando-a. Reforçando-a.

“The global is also local, the global is here.”

Afirmou David Uzzell no Dia da Psicologia nas Instituições Europeias, uma iniciativa realizada em Janeiro de 2019 e promovida pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) com o apoio da ex-Eurodeputada Sofia Ribeiro, para discutir o papel da Psicologia e das/os psicólogas/os face aos grandes desafios societais – migrações, crise climática, emprego e bem-estar e saúde mental.

“O global é também local”. Porque as cheias de Veneza, são e serão também as cheias do Rio Tejo. Porque os incêndios da Austrália, são e serão também, os nossos incêndios rurais. Porque um furação como o Dorian, poderá passar no futuro em Portugal, conforme o Lorenzo passou recentemente na região autónoma dos Açores. Por isto e porque…

“O global é aqui”. Em Lisboa, a partir de hoje e até Sábado, na International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action. Esta cimeira resulta – literalmente – de anos de maturação de uma ideia conjunta da OPP com a American Psychological Association (em particular nas pessoas da Amanda Clinton e Arthur Evans) em torno de ´como criar condições para discutir o papel da Psicologia e das/os psicólogas/os nos principais desafios societais num contexto transnacional (para problemas complexos e globais, uma visão global da Psicologia)´, tendo resultado nesta organização conjunta da OPP com a APA que permite a reunião de representantes de 43 associações nacionais, transnacionais e federações que representam – literalmente – milhões de psicólogas/os dos cinco continentes para discutir contributos globais da Psicologia e das/os psicólogas/os para esta área.

Porque consideramos essencial um (re)posicionar à escola global da Psicologia enquanto ciência que informa e é determinante na decisão política e no desenho de políticas que localmente tenham em consideração as pessoas, grupos e comunidades e as envolvam, trabalhar-se-á num modelo para a integração dos contributos de todas as entidades presentes, em forma de três produtos: uma proclamação (já fechada); uma resolução final (já em draft) e um white paper final que reunirá os contributos de todas as organizações a entregar às Nações Unidas. Nesta edição em torno da crise climática. Noutras, se existirem outras, relativamente a “outras crises”, que aí estão e, certamente, aí virão.

São pequenos estes meus e nossos passos, é certo. Mas são passos. E contributos. Juntemo-los aos demais.

Sejamos “encorajados” por uma “onda de preocupação”. 

Sejamos “encorajados” por uma outra “onda” mas de optimismo.

Meu. Nosso.

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Behavioural Insights Comportamento Política Psicologia Tomada de Decisão

Comportamento. Tomada de decisão. Futuro? [Challenges of Government Conference 2019]

“Parabéns pelo dia sem Escola!”

Foi este o primeiro cumprimento que Kate Forbes, Ministra das Finanças Públicas e Economia Digital do Governo da Escócia, recebeu de um membro do Parlamento Escocês quando assumiu funções como Ministra. Tinha 28 anos e ali sentiu aquilo que já sabia. Que sendo jovem (e mulher) teria que mostrar sempre mais (provar) para ser respeitada naquelas funções.

Ao lado de Syed Saddiq, 26 anos, Ministro da Juventude e do Desporto da Malásia, foi este o primeiro estímulo que Kate Forbes deu a quem como eu e o meu colega Duarte Zoio teve oportunidade de participar na Challenges of Government Conference 2019 promovida pela Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford para reflectir sobre as novas gerações, as políticas de envolvimento e o papel das/os jovens, hoje, nas (e fora das) instituições governamentais.

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Batool Asadi considera que “não é nada de mais” ser a primeira mulher Assistant Comissier no Paquistão, sublinhando sentir que tem atributos que não apenas ser mulher. Sim, tem. Mas, é claramente algo, ‘algo de mais’. É um ponto de viragem. Um ponto de viragem, como o que estamos a começar a discutir relativo à forma de governo e à acção nos principais desafios societais que enfrentamos, onde o comportamento e a tomada de decisão são chave para o futuro. Onde a identidade, a sua procura e a sua construção são fundamentais. Mas de que futuro falamos quando…

“No meu país há 1 milhão de novos jovens a entrar no mercado de trabalho a cada mês.”

Dizia no mesmo painel, Snigdha Poonam. 12 milhões de novos jovens trabalhadores a cada ano nesse país (mundo) que é hoje a Índia, com mais de 1300 milhões de habitantes e que se estima que a partir de 2022 passe a ser o país com mais habitantes do Mundo, ultrapassando a China.

Como pensar a identidade num mundo em mudança? Num mundo crescentemente impactado pela tecnologia, onde num ano se guardam tantos bits de dados quantos grãos de areia existem em todas as praias do mundo (estima-se que 1 elevado a 22)? Num mundo crescentemente impactado com ´novos nacionalismos´ e ´tribalismos´? Num mundo em que países antes liderantes parecem ter encontrado ´novos muros´, também no que se refere aos tradicionais indicadores de desenvolvimento, nomeadamente económicos (salário médio não sobe nos EUA desde os anos 70) ou de saúde (a esperança média de vida nos homens nos dos EUA desceu nos últimos três anos, com um contributo significativo das doenças crónicas, do consumo de drogas e do suicídio).

Mas, e o que esperar da juventude e das novas gerações?

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Peter Frankopan autor do “The new silk roads” trouxe-nos pistas para pensar nesta questão ao reflectir sobre o papel das/os jovens ao longo da história, desde os antigos impérios construídos por jovens “que correram riscos” (pensemos em Júlio César, por exemplo), aos não tão antigos ´impérios´ também eles em muito dependentes de jovens (as médias de idades dos participantes no congresso Bolchevique em 1917, no congresso que lançou o partido Nazi Alemão ou dos recrutados pelo ISIS são todas inferiores a 30 anos). E pensando na contemporaneidade, em que parte da inovação e da irreverência juvenil se concentra em Silicon Valley, poderemos reflectir como a norma social de comportamento das/os jovens tem moldado o futuro e como o poderá fazer também ao nível da governação e dos seus modelos.

“E quando tudo parece impossível?”

Perguntou uma jovem do Zimbabwe a Chuka Umunna membro do parlamento e candidato pelos LibDems às próximas eleições no Reino Unido, onde o Brexit mais de três anos após o referendo se mantém como tema de debate (único). Quando olhamos para a estrutura da administração pública do Zimbabwe e não encontramos espaço para a mudança… Espaço para a esperança, espaço para jovens como ela?

“Ask yourself what is possible!”

Havia já respondido, antes, Yemi Babington-Ashaye defendendo que devem as/os jovens, em qualquer circunstância, assumir sempre a sua “representação” ainda que numa perspectiva incremental como forma de ultrapassar esta crise de representação.

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A Challenges of Government Conference 2019, dedicada às novas gerações, foi em mim ainda mais impactante pelo ambiente próximo, amigável, ‘aceitante’ de todas/os criado à volta da conferência pela Dean da Blavatnik School of Government Ngaire Woods e sua equipa. Um ambiente, até certo ponto, contrastante com a polarizada sociedade em que vivemos, mesmo no Reino Unido. Durante o curioso continental breakfast organizado para discutir o Brexit no segundo dia da conferência foi mostrada esta imagem…

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…que mostra bem como se polarizou a sociedade e como Londres parece uma ilha no Reino Unido (continental, neste gráfico). E, dentro ou fora das instituições, as/os jovens devem comprometer-se numa mobilização para aproximar e não extremar, não estigmatizando, antes valorizando a diferença e as diferenças.

Envolvimento, identidade, juventude, norma social, crise de representação, mobilização para aproximar e não extremar… Pistas para pensar o presente e o futuro, a juntar ao papel das ciências comportamentais (do comportamento e da tomada de decisão) para o futuro… Para o futuro do(s) governo(s) e das pessoas que os fazem. Porque, vivemos um ponto de viragem.

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Um ponto de viragem como foi a marcha de Selma a Montgomery, também percorrida por Martin Luther King cujo imaginário nos recorda que o (‘bom’, permitam-me) poder não nos é dado, é (por Nós, permitam-me também) conquistado. E assim sendo…

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A Psicologia e a(s) política(s)

“(…) É mentira. É mentira.”

Será certamente recordado o momento em que António Costa, Primeiro-Ministro de Portugal, reage exaltado a um diálogo com um cidadão a poucas horas do encerramento da campanha eleitoral relativa às Eleições Legislativas de 2019.

E, com esse momento, muitas discussões e reflexões sobre a sua reacção inapropriada (“intempestiva mas humana”, escreveria o PS aos seus militantes numa SMS horas depois), sobre questões da personalidade do anterior e próximo Primeiro-Ministro, sobre a forma como reage sob pressão ou a crises e, consequentemente, a gestão emocional que faz dos processos – em particular nas campanhas eleitorais, em que não parece ser tão eficaz quanto noutras “tarefas” políticas.

“(…) O senhor, quando foram os incêndios lá em cima, de Pedrógão Grande, estava nas suas merecidas férias. (…) Não esteve presente.”

Creio que também se discutirá e reflectirá sobre o que provocou a exaltação de António Costa. Esta frase, com a qual foi interpelado, reproduz algo que foi sendo dito (escrito, partilhado) explícita ou implicitamente por diversas personalidades com responsabilidades e motivações distintas. Algo dito ao longo dos últimos dois anos, com especial ênfase durante e no pós-greve dos motoristas em Agosto e da ligação deste facto ao período de férias de Rui Rio. Algo que é um exemplo claro da propagação de informação errada que – quer seja sem intenção (má informação), com intenção (desinformação) ou com intenção e agenda política (propaganda) – impacta na política e nos políticos podendo claramente influenciar comportamentos e tomadas de decisão neste âmbito.

Olhando de qualquer um dos lados, há um potencial contributo da ciência psicológica na sua compreensão, explicação e prevenção / intervenção. Quando reconhecido pelos políticos, um/a psicólogo/a pode conferir um apoio de e na proximidade, intervindo na dimensão emocional, na redução da ansiedade ou no apoio à preparação / gestão das crises e planeamento da comunicação. Quando reconhecida pela sociedade, a Psicologia, pode, a título de exemplo, contribuir para a sensibilização e o aumento da literacia em torno da temática das fake news, garantindo maiores condições para, conforme o psicólogo Sander van der Linden tem estudado, a sua inoculação (sim, inocular como uma vacina) e reconhecimento (para a identificação das “reais fake news” – não é curiosa esta contradição dos nossos tempos?).

Mas não gostaria de confinar esta reflexão a estas duas dimensões, antes num outro papel da Psicologia e das/os psicólogas/os na(s) política(s). Num momento em que se discute qual o programa e, até, que governo que teremos, gostaria de abordar a (insuficiente) utilização do conhecimento das ciências psicológicas e comportamentais no desenho, implementação e avaliação de políticas (públicas).

Legislar sobre e para pessoas sem as ter em conta ou desenhar políticas que dependem dos comportamentos das pessoas ou neles impactam, sem ter em conta o conhecimento disponível sobre como estas tomam decisões ou se comportam é, numa analogia às comunicações, como investir no desenvolvimento de um smartphone complexo que só funciona com 3G, não aproveitando as capacidades do 4 e do 5G já disponíveis. Logo, não adequado às características de quem poderá utilizar. Não conforme às expectativas destes. Não potenciado. Assim, muitas vezes, continua em 2019 a suceder em Portugal. Nova legislação 3G que se junta a legislação em vigor GPRS (pré-3G), quando o conhecimento disponível está já a preparar o pós-5G.

Este enorme hiato entre o conhecimento científico, em particular das ciências psicológicas e comportamentais, e a sua incorporação na(s) política(s) é gerador de amplos desperdícios e redunda em perdas significativas de eficácia e dinâmica da apelidada “máquina do estado”. Tem também custos enormes do ponto de vista económico e potencia a possibilidade de erro, sem intenção mas também com intenção, não apoiando a prevenção de fenómenos como o da corrupção, que impactam em diversos domínios da sociedade e desgastam a imagem do país, dos responsáveis pelas políticas e do seu próprio sistema democrático.

Desde questões, simples, como é exemplo o conhecimento dos estudos de que nos comprometemos mais na resposta a um inquérito ou formulário quando assinamos antes do seu preenchimento face a assinarmos no final do seu preenchimento, respondendo assim com “mais verdade”. A outras mais complexas, como é exemplo o conhecimento de que as/os utentes sentem menos stress e ansiedade (que não raras vezes surgem associados às situações de violência face aos profissionais de saúde) quando têm informação concreta dos passos (e etapas) pelas quais passarão quando entram num serviço de saúde com um mapeamento claro e simples das diversas etapas pelas que passarão e respectivos tempos de espera. Assim o diz a ciência, com estudos e amplos exemplos a comprovarem-no mas… enquanto utentes, se numa situação de fragilidade entrarmos numa urgência de um hospital o mais certo será a incerteza do que depois da triagem virá, por onde passaremos, que tempo demorará… Tal qual se pelo meio ou no final dessa ida ao hospital preenchermos um qualquer inquérito com assinatura (de hábitos de vida, de avaliação de satisfação, …), o mais certo é que o local para assinarmos o formulário seja o último passo. Multipliquemos por muitos estes exemplos e vejamos a quantidade de conhecimento não utilizado no desenho e na própria aplicação de políticas e o que se perde (e se deixa de ganhar) em consequência.

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Como forma de percorrermos um caminho que diminua progressivamente este hiato creio fundamental uma maior sensibilização dos decisores para a utilização deste conhecimento. Nesta viagem, investimentos na simplificação e modernização administrativa e experiências como a da criação do LabX devem ser valoradas, aprofundadas e complementadas por outras que partindo, também, de organizações da sociedade civil consigam demonstrar as mais-valias destes processos. Foi exactamente com esse objectivo que, numa parceria entre Secretaria de Estado da Modernização Administrativa na pessoa do Sr. Secretário de Estado Luís Goes Pinheiro, a Fundação Calouste Gulbenkian na pessoa do Diretor-Adjunto do Programa Gulbenkian Conhecimento, Pedro Cunha, e da Ordem dos Psicólogos Portugueses, se realizou em 11 de Julho passado o workshop Behavioural Insights e Políticas junto de um conjunto de mais de 30 altos dirigentes da administração pública.

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Aqui, o António Silva, o Francisco Miranda Rodrigues e eu procuramos sensibilizar quem participou para as mais valias da integração deste conhecimento na sua prática e na acção das equipas sob sua responsabilidade. Para tal, além de rapidamente passarmos pelas origens e bases deste tipo de conhecimento, procuramos que através de exemplos (e dos seus impactos) e da apresentação de metodologias de trabalho neste âmbito, quem participou levasse consigo uma ideia concreta da razão para utilizar estas ferramentas, dos resultados que daí podem decorrer mas também do como o fazer, partindo de um problema identificado e com a sucessiva exploração do mesmo, procura de soluções e teste das mesmas. Testagem esta determinante nestes processos…

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Esta metodologia – assente no método RCT (Randomized Controlled Trial), o mesmo utilizado no teste de novos medicamentos – tem sempre como pressuposto o teste da eficácia da solução proposta a partir de um grupo experimental de pessoas (a quem se aplica a “solução”) e um grupo de controlo (a quem nada se altera), para validação da solução. Aqui na foto, um ilustrativo simples (não científico) do potencial destas metodologias. Tendo-se como objectivo o aumento do consumo da salada, colocou-se a hipótese de que se esta estivesse mais acessível para um grupo (“à frente” na mesa da comida), este consumiria mais salada face a um outro grupo em que a salada não estive tão acessível (“atrás” na mesa da comida). As fotos abaixo ilustram (na segunda a salada estava inicialmente onde estão agora os pratos de sobremesa) o que aconteceu no almoço do grupo antes do workshop, grupo este que se sentou aleatoriamente em duas mesas redondas que tinham em frente as duas mesas que vêem nas fotos, fotos estas, agora menos impactantes face a quem as viu (e, com elas, se viu no seu comportamento) no workshop.

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É um outro pequeno e muito prático exemplo de como criar ou retirar “barreiras” (retirar ou acrescentar “etapas” entre o comportamento inicial e o objectivo, tornar mais ou menos acessível) pode promover um ou outro comportamento, sem retirar a liberdade da pessoa na “escolha”. Pensemos, por exemplo, nas barreiras que se nos colocam quando necessitamos de aceder digitalmente a uma declaração ou mesmo, voltando às eleições, para votar quando estamos deslocados da nossa residência. Ou, noutra perspectiva, na facilidade como dentro de algumas localidades podemos circular num automóvel na via principal em grande velocidade.

Aqui fica (mais) um desafio para o novo governo – o de a utilizar mais conhecimento da psicologia na sua acção. Da minha e da nossa (OPP) parte o governo pode contar com contributos nesta área mas também com o constante desafio e estímulo nesse sentido, em favor de melhores e mais eficazes políticas. Em favor do país e das pessoas que o fazem país.