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Ainda os 1000 dias e as oportunidades que se abrem…

Quem por aqui me vai lendo sabe a importância que atribuo aos primeiros 1000 dias e à relevância da estimulação/educação de qualidade no período dos 0 aos 3 anos. A par da possibilidade de relações e vinculações seguras com as figuras parentais e/ou cuidadoras/es e de uma nutrição de qualidade, será um dos investimentos mais efetivos que a sociedade pode fazer, considerando a sua custo-efetividade, o impacto positivo na vida de bebés/crianças e suas perspetivas futuras e como combate a desigualdade e injustiça social e promove a equidade.

Este investimento depende da maior consciência da sociedade da importância deste período, algo que beneficia de mais discussão pública, a par da cada vez mais clara e robusta evidência científica em torno do desenvolvimento do cérebro do bebé e das suas capacidades desde o período intrauterino (gravidez) até aos 2 anos (os tais 1000 dias).

Há portanto que criar oportunidades e aproveitar as que finalmente se abrem em Portugal em áreas para as quais a Fundação Mendes Gonçalves tem também procurado contribuir, a partir através dos programas Educar e Nutrir:

a) Utilizar, efetivamente, as “Orientações pedagógicas para creche” (publicadas há já 2 anos) para estimular junto das creches, um repensar de práticas e intencionalizar a promoção de uma estimulação e educação de qualidade, a partir de mais e mais efetiva formação das/os profissionais, da partilha de práticas e da criação de comunidades que aproximem diferentes instituições;

b) Advogar para que, conforme as orientações pedagógicas, as creches (como acontece noutros ciclos) possuam orientações claras sobre as refeições – e seus momentos e espaços – algo essencial à formação das primeiras relações com os alimentos e importante na promoção precoce de comportamentos alimentares saudáveis e sustentáveis;

c) Finalmente, e porque sabemos que por diversas razões (por indisponibilidade de vagas; viverem em pequenas freguesias/lugares ou apenas por preferência das/os cuidadores) muitos bebés/crianças não frequentam a creche, usarmos do recente debate de projetos de Lei, da aprovação de um projeto de resolução (n.º 673/XVII/1.ª) e da criação pelo Governo de um grupo de trabalho para “re-olharmos” a resposta das Amas e garantirmos mais qualificação e formação inicial e contínua e melhor enquadramento, acompanhamento e partilha de práticas, visando a promoção de práticas com mais efetividade e qualidade.

A Fundação Mendes Gonçalves tem procurado dar contributos nestas áreas, participando e incentivando debates públicos, redes de colaboração e desenvolvendo ou prevendo projetos como a Escola Mendes Gonçalves e o seu Centro de Formação Profissional dedicado ao período 0-3 anos, o “Ambientes que Nutrem” ou o “Cuidar em Rede”, projeto em que apoiamos a formação, formalização e acompanhamento de um conjunto de Amas no concelho da Golegã e região ao redor.

Contem, portanto, connosco.

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