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Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global

Ainda a propósito da minha última partilha que começava com 2 bebés que terão hoje 4 dias, volto com outro recurso que complementa – porque amplifica a outros desafios societais – o texto da passada 2ªF que se referia principalmente à desigualdade/iniquidade.

Falo de uma publicação que parte da colaboração entre a American Psychological Association e as United Nations, da responsabilidade de Odile Frank intitulada: “Psychological aspects of multilateral social development policy and the global development agenda” [Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global] | https://www.apa.org/international/united-nations/social-development-policy.pdf

Documento que parte da identificação de 3 dimensões psicológicas importante ao momento actual de progresso (ou da ausência de progresso ou mesmo do retrocesso) em vertentes da agenda global de desenvolvimento:

. O impacto da pobreza e exclusão no bem-estar e o que podemos fazer para o prevenir;

. A compartamentalização de disciplinas científicas (quando os desafios societais complexos carecem de abordagens interdisciplinares) e a centração em ideias (por vezes preconceitos) e modelos conceptuais de intervenção que nem sempre são os mais custo-eficazes, condicionando o progresso;

. A nível global as tensões mais hedoinistas de maximização e, consequente, concentração da riqueza e algum desequilibrar da balança para mais empatia que altruísmo – a empatia é importantíssima, não me entendam mal, mas, por si só, insuficiente à mudança.

Convido, pois, à sua leitura e a reflectirmos sobre:

. Como pode o desenho de políticas atender mais significativamente às questões sociais, valorizando o impacto nas pessoas e comunidades das necessárias decisões de base económica;

. Como podemos co-construir e desenvolver de forma eficaz e ampla a segurança económica de todos, a partir de redes de proteção mais inclusivas;

. Como podemos renovar e actualizar os princípios de solidariedade entre pessoas, comunidades e gerações, a partir do fortalecimento dos laços e da coesão social e intergeracional e da confiança nas instituições, visando sociedades e um Mundo mais resiliente e com futuro.

É difícil? Certamente.

Os temos ajudam? Nem por isso…

Mas ignorar que o necessitamos de fazer enfraquecerá, sempre e mais ainda, as instituições e a agenda de desenvolvimento global, com repercussões que imagino duras e que historicamente conhecemos com o sofrimento e sacrifício de muitas pessoas. Já fazer destes desafios desígnio, pode dar-nos um propósito, primeiro individual, depois de comunidade e, finalmente, global que estimule uma sociedade mais justa, equitativa e melhor equipada para o presente e futuro.

Farei por isso. Faremos por isso.

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2 bebés. 2 Mundos.

Hoje nascerão certamente dois bebés, sem problemas de saúde, cuja família vive em Birmingham. Espera-se, no entanto, que daqui a 5 anos um deles possa ter mais de 4 meses de atraso em termos desenvolvimentais e 4 a 5 vezes mais probabilidade de desenvolver um problema de saúde mental que o outro. A diferença? Um destes bebés nascerá em contexto de pobreza e o outro não. Hoje (2025!), nada mudando, é o que os espera no Reino Unido (UK).

A desigualdade é, certamente, uma das causas maiores das camadas de ressentimento, desconfiança e desesperança que pairam sobre um UK que, pós-Brexit, parece caminhar para que Nigel Farage, um dos seus mais radicais e sinistros obreiros – porque optou por declaradamente ludibriar, se não mentir, aquando da campanha do referendo – possa vir a ser o seu primeiro-ministro.

Nessa Birmingham, na convenção do Reform UK (o seu partido de direita populista/radical, já líder na maioria das sondagens), Farage anunciou a adesão ao partido de Nadine Dorries, ex-ministra da cultura de Boris Johnson e outrora sua grande apoiante que defende hoje que Partido Conservador está “morto” e que só Farage pode “mudar o UK”.

Infelizmente conhecemos cada vez melhor esta proposta de mudança que “varre” a Europa e as Américas do Norte e do Sul e como se foca em políticas de curto prazo, de questionamento de direitos humanos que muitas/os consideramos universais e de fragilização das instituições democráticas e da política baseada em factos e evidência (científica).

Ora, as desigualdades que atrás menciono persistirão se nada de significativo for feito para prevenir a exposição de bebés e crianças a situações de pobreza e exclusão e, particularmente, para os que nascem em alguns contextos considerando que os valores e princípios destas políticas ao invés de os protegeram, tendem a vulnerabilizá-los mais, com graves consequências para o seu desenvolvimento e possibilidade de bem-estar futuros e para o contrato e coesão social.

O “Child Poverty Action Group” publicou este ano o relatório “Building Blocks – How to deliver a child poverty strategy” cuja leitura recomendo. Dele, com o meu viés, destaco:

. A importância de definir metas/objectivos e serem publicamente assumidos;

. Uma reforma dos diversos apoios sociais informada pela ciência;

. Expandir refeições escolares gratuitas, habitação social e creches (de qualidade);

. Garantir responsabilização através de uma monitorização independente dos resultados das políticas;

. E, finalmente, investir nos primeiros 1000 dias de vida, quando comprovadamente as políticas de equidade têm maior impacto e custo-efectividade, se perspectivadas a médio/longo prazo.

Vamos a isso?

Ps. O presente texto poderia ser totalmente sobre Portugal se alterando – apenas – a menção a uma cidade, o nome de um partido, do seu líder, de um/a sua/seu apoiante e de alguns (poucos) números.

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Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

Pensemos os primeiros 1000 dias de vida. É neste período, dos nove meses de gestação aos primeiros dois anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.

Conjugando estas evidências com o conjunto de estudos sobre a maior eficiência e custo-eficácia (melhores resultados com menores custos) das políticas públicas neste período – bem demonstradas, entre outros, pelo prémio Nobel da Economia James Heckman – talvez tenhamos mesmo uma bala de prata para a promoção da equidade. Desde logo, através de políticas com eficácia e eficiência que, no período da gravidez e primeiros três anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento. Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção precoce na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.

Esta é uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo. Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.

 

Tiago Pereira

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

JN, 30.07.2025

https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Uma bala de prata para a promoção da equidade

1, 2, 3, (…) 1000… “Pensemos os primeiros mil dias de vida. É neste período, dos 9 meses de gestação aos primeiros 2 anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.”

Num período em que publicamente se debate a relevância da estimulação e da relação e vínculo mãe-bebé/criança e o currículo de crianças/jovens em matérias que envolvem o desenvolvimento e a cidadania, venho partilhar um artigo que escrevi para o Jornal de Notícias. Começa com o excerto anterior e chamei-lhe “Uma bala de prata para a promoção da equidade”.

Nele – abordando os estudos do Prémio Nobel da Economia James Heckman que demonstram a maior eficiência das políticas públicas que visam a equidade quando decorrem no período da primeira infância – destaco 3 prioridades que me parecem essenciais e, particularmente, possíveis de implementar pela existência de recursos e por serem mobilizadoras de diversas forças políticas/movimentos da ciência e sociedade civil:

a) “Políticas que, com eficácia e eficiência, no período da gravidez e primeiros 3 anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante de situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições, visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento;

b) Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;

c) Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.”

Termino, afirmando que a considero que “uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo.”

“Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.”

Link para Artigo: https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Nuno Portas, tolerância, liberdade, ternura

“Camila Sosa Villada, escritora, actriz, travesti”, escreveu Isabel Lucas em Abril deste ano para titular a sua entrevista para o Ipsilon (Público) a Camila Villada acentuado, a seguir, uma frase sua: “Cada dia era o último dia”.

Este “cada dia era o último dia” é uma descrição de Camila do que refere ser o facto das pessoas travestis estarem, a cada dia, perante um abismo. Escreve-o e descreve-o, com profundidade e intensidade, no seu primeiro livro – “As Malditas”.

História em parte autobiográfica, que acabo de ler num momento particularmente sensível do nosso país onde a intolerância, a reacção hostil ao diverso e a invisibilidade parecem cavalgar um território não imune ao ressentimento, onde a vergonha (de insultar, inventar, mentir, lubridiar e de assumir publicamente os instintos mais básicos) parece ter desaparecido e extremamente permeável aos discursos e narrativas simplistas e de facção (nós vs. outras/os) e à balada da (des)informação das redes sociais.

Que acabo de ler, também, no momento do desaparecimento de Nuno Portas, figura e pessoa maior de um tempo que, em parte, pude viver e de um tempo em que benefício significativamente do seu trabalho, pensamento e, por vezes abnegação. Seu e de seus companheiros de tempo, mesmo quando uns e outras/os, naturalmente, não concordavam em tudo.

Também no Público na homenagem de Paulo Portas (e da família) ao Pai leio: “o nosso Pai [Nuno Portas] viveu a vida que quis viver e não me lembro de o ouvir falar pelos outros, ou por nós. É um homem inteiramente livre e ensinou-nos a viver apenas como a nossa liberdade determinasse. Numa família tão plural, essa lição de tolerância e ternura está guardada nos nossos corações.”

De tolerância e de ternura, que se guarda, que se inscreve, nos corações dos que toca e dos que o rodeiam e nele se inspiram. Uma lição que contrasta com a frase final (pequeno mas inócuo spoiler, desculpem) do livro de Camilla Villada: “Nós, as esquecidas, já não temos nome. É como se nunca tivéssemos estado ali.”

Que não nos esqueçamos, nunca. Do e do que representa Nuno Portas. De todas as pessoas.

E que não esqueçamos que, por vezes, pequenas lutas (eventuais vitórias) no presente têm significativos e não previstos impactos no futuro. E que não esqueçamos que por vezes, pequenas lutas programáticas ou ideológicas (eventuais vitórias) no presente têm reais e não previstos impactos na vida de pessoas reais, concretas. As ou os sem nome são, afinal, muitos nomes, muitas vidas, muitas histórias, não raras vezes de muito empenho, sacrifício e sofrimento de pessoas. De pessoas como cada um/a de nós.

Parte, portanto, de nós.

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Raio X

“And now for something completety different”… Eu, de outra forma.

Na passada 6ª feira participei num evento promovido no âmbito do projeto NHNAI (Um novo humanismo na era das neurociências e da inteligência artificial) que, pela pertinência e actualidade, vos sugiro conhecerem.

Fi-lo a convite da Rita Francisco e para debater com a Ana Rita Silva, o Jorge Amorim e o Nuno Loboantunes, com moderação da Bárbara Wong, o desenvolvimento humano dentro do tema mais amplo do evento: “Ser humano na era da inteligência artificial: Desafios da coexistência” (https://nhnai.pt/desafios-coexistencia/). Foi uma interessante conversa marcada, também, pelo que ainda não sabemos e não podemos saber do futuro e as dúvidas que temos sobre o presente, mas informada pelo que sabemos do passado.

A certa altura o Nuno Lobo Antunes disse ter tido como professor de Português o Vergílio Ferreira. Eu, admirador da sua obra literária, em particular do “Em nome da Terra”, e “percorredor” assíduo e apaixonado dos espaços do “Aparição” (estudei e vivi em Évora) não pude não o sentir como algo excepcional e que isso não ressoasse em mim por estes dias. Daí que pensei numa forma que em tempos li, por si escrita, de pensar o tempo: “O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou.”

Assim é. O que passa depressa é o tempo que passou.

A expressão com que começo este texto foi cunhada pelos Monty Python para um “best of” televisivo dos seus sketches. Uso-a, juntando a ideia de sketches (pequenos apontamentos) do tempo que passou e passei para partilhar convosco o resultado de um convite generoso do Canal S+ para gravar um episódio do Raio X, programa que, de acordo com a sinopse, “consiste numa entrevista de fundo a um profissional na área da saúde (…) o objetivo do programa é através de uma conversa descontraída e informal traçar o perfil humano dos entrevistados e das suas histórias de vida.”

Uma oportunidade extraordinária para, quando em breve se cumprem 20 anos do início do meu estágio académico (para o ano de ser psicólogo) e quando acabo de realizar uma mudança profissional significativa, pensar o meu percurso, da minha infância e crescimento, família e grupo de amigas/os, às escolhas relativas ao meu percurso académico e, depois, profissional. Tudo, naturalmente, com base central nas minhas dimensões mais pessoais e familiares (❤️❤️❤️) e como se foram e vão cruzando e conciliando com as minhas actividades profissionais, com especial foco na minha actual condição de CEO da Fundação Mendes Gonçalves, do seu processo de instalação e lançamento, sua missão e o que e como se procurará contribuir para o desenvolvimento da Golegã, da região ao redor, de Portugal e do Mundo, com um foco pelo futuro de todos.

São cerca de 50 minutos de mim que abaixo partilho, guiados pelo Vasco Domingos, a quem agradeço, também, o convite, cuidado e a conversa.

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Diálogos Cruzados: A responsabilidade social da psicologia

Hoje partilho umas palavras convosco, profundamente sentidas, escritas para uma pessoa que, creio, não as lerá. Não é seu hábito partilhar este espaço virtual connosco e não é minha intenção com ela as partilhar, directamente. Antes aqui as escrever, deixar e, quem sabe, um dia se cruze com elas ou alguém as partilhe com ela…

Convidou-me para ontem voltar à Universidade onde estudei e cresci, antes de mais como pessoa e cidadão, mas, também, como profissional. À Universidade, também, onde, depois e em parte também com ela, pude trabalhar e contribuir para a investigação e, sobretudo, formação de (futuros) colegas. À Universidade, finalmente, onde, também com ela, iniciei um processo que a envolvia que, por vicissitudes (boas, maioritariamente), não terminei e que parte do lamento que sinto por isso ter acontecido advém do quanto ela desejava que assim não tivesse sido e o quão era para si importante.

Fi-lo para falar sobre algo sobre o qual falamos muito e muitas vezes nos últimos 20 anos: a responsabilidade social da psicologia nos diversos momentos do país e do Mundo que vivemos. Fi-lo, também, porque ela tem uma capacidade (escrevo-o propositadamente) profundamente profunda a si de acreditar e confiar, não naturalmente sem se por vezes desiludir e frustrar. Junta-lhe a capacidade de reconhecer, muitas vezes muito além do que lhe é reconhecido.

Foi, é, uma pessoa fundamental no meu percurso. Não certamente por ser a professora com mais publicações, daquelas que valem muitos pontos em avaliações e CV, mas, nos bons e menos bons momentos lá estava. Sempre, comigo, connosco, dando valor à palavra relação naquilo que tem de melhor, mas também no que tem de desafiante e nos faz crescer. Partilhava com entusiasmo os novos textos, livros, o que sabia, não guardando para si e fazendo-o com o entusiasmo com que eu, anos antes, partilhava música com amigas/os. Fora sempre assim…

Estimulou-me a pensar a psicologia além da psicologia. Estimulou-me a pensar-la a contribuir para políticas públicas. A contribuir para uma sociedade e um Mundo melhor, para cada pessoa. É, por isso, parte fundamental do caminho que me trouxe à Fundação Mendes Gonçalves e do meu contributo, junto com o de outras pessoas, para a afirmação da missão, valores e da nossa forma de fazer: https://fundacaomendesgoncalves.org/a-fundacao/

Espero que se reveja. Espero que se orgulhe.

Características suas e uma dimensão mais activista e ligada ao movimento feminista e à cultura brasileira lembram-me uma frase que há dias me foi recordada por uma outra pessoa amiga: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso… Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

Uma frase da Clarice Lispector que devemos guardar, fundo, connosco, no que queremos e desejamos. Para nós e para as outras e outros.

Eu procuro fazê-lo. Como procuro não me esquecer de quem é muito importante e a quem estou muito grato.

Obrigado, Madalena Melo.

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23.04.2025 | Fundação Mendes Gonçalves

23 de Abril. Dia Mundial do Livro, Dia de São Jorge (nome do meu querido Pai) e, agora, da Fundação Mendes Gonçalves.

Na quarta-feira, 23 de Abril de 2025, exactamente um ano após a publicação do seu reconhecimento em Diário da República (Despacho n.º 4386/2024), lançamos e apresentamos publicamente a Fundação Mendes Gonçalves (FMG).

Um dia bonito. Um lugar especial. Um conjunto de pessoas incríveis. Um momento a apontar à eternidade, da Golegã para o Mundo.

E, um livro, uma rosa e uma Fundação…

Como estou grato. E como estou comprometido e empenhado nesta missão de Nutrir Futuros para Renegerar Legados e de Regenerar Legados para Nutrir Futuros.

Obrigado Carlos Goncalves, pela bondade de teres sonhado a Fundação, pela generosidade de a teres tornado possível e por todos (tantos) os contributos.

Obrigado a todas as pessoas que nos últimos meses, comigo, se envolveram na sua instalação, particularmente à Conceição Zagalo, presidente da Comissão Executiva da FMG e à Liliana Valpaços, Maria Beatriz Filipe, Quaiela Costa, Teresa Raquel Pereira e Andresa Oliveira.

Obrigado a todos os membros do Conselho de Administração e do Conselho de Curadores da Fundação Mendes Gonçalves (https://fundacaomendesgoncalves.org/orgaos-sociais/).

Obrigado a todo o Board, equipas e colegas da Casa Mendes Gonçalves e obrigado por tantas e tantos terem estado num primeiro momento de apresentação da Fundação, dois dias antes (21.4.2025), para a equipa da Casa.

Obrigado pela exemplar apresentação e gestão do evento Fernanda Freitas e obrigado a todas as pessoas que, comigo, no evento intervieram: Carlos Goncalves, Conceição Zagalo, Pedro Abrunhosa (que bonitas palavras, melodias e o “fazer o que ainda não foi feito”), Conceição Calhau, João Ferreira, Liliana Valpaços, Pedro Cunha, Karim Merali, Ana Avillez, Eduardo Marçal Grilo, presidente do Conselho de Curadores da FMG, e Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação. Além, claro está, da bela e “responsabilizante” mensagem do Sr. Presidente da República ali partilhada e lida.

Obrigado a todas as pessoas que deram cor e calor aquele dia e aquele momento, com a sua presença e carinho. Obrigado Rute Dinis de Sousa.

Obrigado, ainda, a muitas e muitos que não tendo podido estar connosco naquele dia, não deixaram, à sua forma, de estar e de me e nos acompanhar e apoiar.

Obrigado.

Juntos. Pelo futuro de todos.

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Crítica-Elogio

Hoje começa uma semana muito importante para mim e para um conjunto de pessoas que, primeiro confiaram no meu contributo para reflexão e desenho de um plano estratégico, depois confiaram-me o meu actual papel e, finalmente, me acolheram. Será uma semana com um conjunto de iniciativas no âmbito do lançamento da @Fundação Mendes Gonçalves, iniciativas estas que começam hoje e culminam, quarta-feira, dia 23 de abril, com o evento público que o assinala. Até lá, duas sugestões:

  1. Se quiserem conhecer mais e acompanhar a actividade da @Fundação Mendes Gonçalves, sugiro seguirem o perfil aqui no LinkedIn que já nos próximos dias passará, com regularidade, a partilhar e informar sobre a acção da Fundação;

  1. Noutro prisma, partilho abaixo mais um episódio do “Descubra as Diferenças” do canal Canal S+ onde, com a Irina Gomes, desta vez converso e reflicto sobre crítica e elogio.

Depois de o haver feito em torno do binómio “revolta-apaziguamento” [1ª temporada | https://lnkd.in/dqWv82uw] e do binómio “indiferença-empatia” [2ª temporada | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_sa%C3%BAde-activity-7304782430350024704-Sf13?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU], voltei para, desde logo, procurar sublinhar a relevância que a crítica, quando construtiva, assume no nosso processo de reflexão e melhoria, particularmente, na nossa forma de comunicar, decidir ou agir. Também para assinalar a importância de prepararmos e reflectirmos o momento, o contexto e a forma de realizarmos críticas, considerando o impacto que podem ter na/o outra/o e termos presente que, enquanto seres humanos, a nossa tendência – a tendência de quem recebe feedback – é, em geral, considerar mais os aspectos menos positivos da comunicação face aos mais positivos.

Falamos, também, da importância da segurança (psicológica), do reconhecimento e da legitimação/validação no quadro das relações e do feedback. Do elogio, do auto-elogio e da relevância de reconhecermos o que conquistamos/conseguimos. Ainda de liderança e da importância de quem lidera construir relações de confiança e presença e de adoptar estilos de comunicação não-ambivalentes, para que o seu feedback possa ser validante, acolhido e promotor de desenvolvimento em contexto profissional. Falamos, finalmente e não menos importante, de relações de proximidade (amorosas, filhas/os-pai/mãe, …) e de como a crítica/elogio é determinante na comunicação e na nossa relação connosco e com as outras e outros.

Espero que gostem… E venha de lá esta semana que, significativamente (para mim), termina a 25.4.

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Três Pontos” | Catástrofes ambientais e saúde mental

Podemos, ao menos algumas e alguns, procurar desconsiderá-lo… Podemos, mas todos sabemos e sentimos a crescente frequência e intensidade dos fenómenos climatéricos extremos. Em Portugal e no Mundo, temperaturas mais elevadas e extremadas, seca, incêndios, mas também inundações ou furacões, para dar apenas alguns exemplos, impactam, significativamente, a vida, a saúde, incluindo a saúde pública e mental, e o bem-estar de pessoas e comunidades, particularmente as com maiores vulnerabilidades. Isto além do quanto desafiam economias, sociedades, sistemas políticos e ecossistemas, forçando a necessidade do rápido desenvolvimento de estratégias de adaptação para serem mitigados estes efeitos adversos. ​

Conforme aqui escrevi – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_creio-prov%C3%A1vel-que-n%C3%A3o-tenham-existido-muitos-activity-7297174202934005761-c8xd?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU – segundo o Global Risks Report 2025 do World Economic Forum, os eventos climatéricos extremos são mesmo considerados, hoje, um dos principais riscos globais (2º mais identificado) e o principal dos riscos ambientais.

É por via desta relevância (social) que saúdo a iniciativa da @Universidade Aberta de realizar um episódio do seu pod e videocast “Três Pontos” sobre a temática das catástrofes ambientais e saúde mental, agradecendo terem-me confiado esse contributo que aqui partilho convosco (em vídeo no link abaixo, em podcast aqui: https://open.spotify.com/episode/30RVfMUFqrpzOXWvVofpuc). Na entrevista, que permite este trabalho, respondo a 3 questões em concreto:

a) Como é que as catástrofes ambientes afectam a saúde mental?

b) Que estratégias comunitárias podem ser implementadas?

c) O que podemos fazer para evitar a exaustão emocional e a consequente apatia climática?

Convido-vos a ouvir, reflectir, eventualmente comentar. E convido-vos a terem sempre presente que há cada vez mais evidência científica que demonstra a forma como tendemos a subestimar o apoio colectivo às acções e transição climática. Dito de outra forma, tendemos a pensar que estamos mais isolados nesta defesa e na defesa de ações, medidas e políticas que apoiem a transição do que realmente estamos, tendo isso forte impacto nas nossas práticas e, inclusivamente, no grau de definição das próprias políticas (públicas) muito dependentes da percepção da sua aceitação/defesa por parte das populações.