1, 2, 3, (…) 1000… “Pensemos os primeiros mil dias de vida. É neste período, dos 9 meses de gestação aos primeiros 2 anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.”
Num período em que publicamente se debate a relevância da estimulação e da relação e vínculo mãe-bebé/criança e o currículo de crianças/jovens em matérias que envolvem o desenvolvimento e a cidadania, venho partilhar um artigo que escrevi para o Jornal de Notícias. Começa com o excerto anterior e chamei-lhe “Uma bala de prata para a promoção da equidade”.
Nele – abordando os estudos do Prémio Nobel da Economia James Heckman que demonstram a maior eficiência das políticas públicas que visam a equidade quando decorrem no período da primeira infância – destaco 3 prioridades que me parecem essenciais e, particularmente, possíveis de implementar pela existência de recursos e por serem mobilizadoras de diversas forças políticas/movimentos da ciência e sociedade civil:
a) “Políticas que, com eficácia e eficiência, no período da gravidez e primeiros 3 anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante de situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições, visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento;
b) Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;
c) Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.”
Termino, afirmando que a considero que “uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo.”
“Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.”
Link para Artigo: https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531