Recentemente ouvi Vivek Murthy. Enquanto “Surgeon General”, coordena uma equipa de 6000 profissionais dedicada à saúde pública nos EUA. Falou das prioridades do seu mandato: COVID-19; Desinformação; Burnout nos Profissionais de Saúde e, principalmente, Saúde Mental na Juventude. Sublinhou o enorme e crescente número de jovens que sofrem com problemas de saúde mental, que têm dificuldade em aceder ao apoio que necessitam e do quão urgentes são mudanças políticas, institucionais e individuais que permitam priorizar a saúde mental nos jovens. Assim é nos EUA. Assim é em Portugal.
Lá, como cá, se estabelecidas as prioridades hoje, talvez acrescesse o desafio que a inflação e a crise sócio-económica comportam e como impactam, também, as e os mais jovens. Há dias, quando partilhei uma peça da “Notícias Magazine” para a qual contribui sobre esta temática, dizia “sobre (problemas de) saúde mental na população jovem volto a escrever em breve” – https://lnkd.in/dyhuiUdX. Assim fiz.
“(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem”, 40º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte de uma questão que recentemente me foi colocada: “Se hoje temos mais informação, literacia e se temos melhores condições (socioeconómicas), porque temos mais problemas?”. Penso-a, no artigo, a partir dos 4 pontos cardeais.
N(otas) – sublinhando que “a centralização nos resultados, medidos pelas classificações internas e pelas provas de ingresso, impacta significativamente o período de ensino secundário no que ao bem-estar respeita.”
(O)utras e Outros – afirmando a necessidade de “mais e melhor informação e investigação sobre redes sociais; mais e melhor literacia para crianças, jovens e seus responsáveis sobre a sua utilização consciente e sobre formas de prevenir os seus impactos, incluindo para a saúde mental e uma nova atitude em torno do sucesso e da sua obstinada associação à felicidade e mérito.”
S(uporte), referindo “o importantíssimo capital social associado à aspiração da população jovem a uma outra resposta” e a necessidade de um “verdadeiro reforço de recursos que perpasse diversas áreas e inclua um real acesso a serviços de psicologia e saúde mental no SNS, Escolas, Comunidades e no Ensino Superior.”
E(stabilidade), advogando “fulcral que o país possa ter uma estratégia concertada de apoio, procurando garantir mais estabilidade e previsibilidade à população jovem”.
Recordo, a fechar, que conforme na rosa dos ventos, “um mínimo desvio inicial torna-se cada vez maior, à medida que vai aumentando a distância”.
Aqui, desvios “com forte impacto na saúde e bem-estar da população” e em desafios do país como o “envelhecimento da população, a (in)sustentabilidade dos sistemas de saúde e segurança social ou a produtividade.”