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Comportamento Desafios da Psicologia Educação Psicologia

20.10.22, Dia Mundial de Combate ao Bullying

“Porque o amor pela vida, gera amor pela vida.” Assim fecha um dos mais interessantes livros que li nos últimos anos. Uma frase muito marcante no contexto do livro e que, parecendo simples, encerra uma enorme complexidade associada ao facto de podermos substituir “amor pela vida” por diferentes e diversas expressões. Dois exemplos: complacência/aceitação do bullying | não-complacência/não-aceitação do bullying.

A forma como conseguimos (ou não) construir uma cultura de Escola e de sociedade que considere, sem qualquer ambiguidade, inaceitável a violência e o bullying em crianças e jovens (tal qual consideramos chover numa sala de aula) é factor preponderante para a prevenção deste grave fenómeno social que impacta significativamente as vítimas (muitas vezes, também no seu futuro), as e os agressores (idem) e os e as observadoras.

Esta foi uma das mensagens que procurei transmitir em entrevista à TSF que partilho a propósito do Dia Mundial de Combate ao Bullying, onde procurei sublinhar a importância das respostas concertadas ao nível de toda a Escola, naturalmente com ênfase e especificidades nas vítimas, mas também nas e nos agressores e observadores, bem como as características distintivas do bullying face a outras práticas agressivas (repetição; desequilíbrio de forças e/ou de poder; e intencionalidade clara de provocar sofrimento na(s) outra(s) ou outro(s)).

Também na entrevista foco o aumento de denúncias caracterizadas pelas forças de segurança como “ameaças e injúrias” (que ocorreu mesmo em anos onde a denúncia de agressões físicas diminuiu), para reforçar que a crescente sensibilização também leva a que hoje se considerem (bem) determinadas práticas como agressão ou violência quando antes assim não se considerariam (ou quem poderia denunciar não percepcionava que pudesse vir a produzir efeitos). Foco ainda o papel que a pandemia por COVID-19 terá tido no aumento de situações reportadas, quer no que se refere a alterações de comportamento resultantes da mesma e de uma intensificação dos problemas de saúde mental na população mais jovem, quer no aumento de situações de cyberbullying pela intensificação da utilização dos meios digitais (já pré-pandemia, mas principalmente com a pandemia). Algo que, conforme referi, comporta um “acréscimo de desafio” ao problema.

Outro desafio, que no mesmo dia mas em 2021 havia procurado sublinhar trata o papel de quem observa, no que aos impactos em si tem mas, particularmente, na baixíssima percentagem de observadoras/es que decide e concretiza a denuncia das situações. Enquanto comunidade, devemos dar segurança para esta denuncia e, essencialmente, dar significado à mesma…

Porque a não-complacência/não-aceitação do bullying, gera não-complacência/não-aceitação do bullying. Porque o seu contrário gera o seu contrário.

Mais informação: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_vamosfalarsobrebullying_documento.pdf

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Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

E  você, qual julga que pode ser o contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para um ponto final à pobreza?

“Ter mais informação sobre como constituir uma associação ou cooperativa (…) Desenvolver estratégias de trabalho informal na comunidade em benefício das relações de proximidade (…) Investir na promoção da literacia em saúde e em justiça social (…) Promoção de grupos de intervisão profissional na área do combate à pobreza (…) Disponibilizar formação profissional contínua de psicólogas e psicólogos na área a pobreza e introduzir conteúdos desta área na formação inicial da/o psicóloga/o júnior (…) Estimular a formação dos órgãos de gestão e das lideranças de instituições a partir de contributos da psicologia (…) mapeamento de projectos e intervenções de sucesso e contributo para a sua adaptação e implementação em Portugal (…) contribuir para uma metodologia de construção de políticas públicas que considerem a pobreza em todas as políticas (…) reforço da investigação em torno da eficácia das políticas públicas nesta área que incluam, também, dimensões de saúde e bem-estar (…) investir em programas específicos de competências parentais e socioemocionais junto de populações com maiores vulnerabilidades (…) (…) (…)”

E  você, qual julga que pode ser o contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para um ponto final à pobreza? De que sente necessidade? O que lhe seria importante e útil? E como podemos reforçar o contributo da psicologia e das psicólogas e dos psicólogos neste importantíssimo desafio social?

Colabore em https://finalapobreza.pt. Participe na construção da estratégia e do plano de acção nas suas quatro dimensões (profissão, sociedade civil, decisoras/es e cooperação nacional e internacional).

Juntas e juntos vamos contribuir para um ponto final à pobreza.

http://https://www.youtube.com/watch?v=ymK5UDmPyrc&feature=emb_logo

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Comportamento Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Pobreza e Desigualdade Psicologia

Dia Internacional da Erradicação da Pobreza

“Continuamos amanhã?”, perguntava ontem a fechar o artigo que escrevi para a @CNNPortugal (ver abaixo) a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, nele refiro que “o dia que hoje [ontem] se celebra deve ser o nosso dia-a-dia. Toda e qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição socioeconómica, é impactada pela sua situação de pobreza actual, potencial ou pelas situações de pobreza ao seu redor. Toda e qualquer pessoa tem um papel na sua erradicação, algo possível, conforme o caminho percorrido nas últimas décadas no Mundo demonstra, mas que depende de essa ser (a) prioridade das prioridades de todas e todos.”

“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, “ao contrário do futebol, a pobreza não tem um lado que vence e outro que perde ou lados que empatam. Com a pobreza, todas e todos perdem.” Pessoas, sociedade e instituições (democráticas). Também, porque, enquanto país, “previmos, mas podemos prever muito mais [nomeadamente o impacto de medidas na taxa de (risco de) pobreza, não considerada no quadro macroeconómico ou Orçamento do Estado]. Decidimos e aplicamos medidas, algumas delas relevantes, mas podemos decidir e fazer muito mais [particularmente na pobreza infantil e nas pessoas em situação de desemprego, sem apoios sociais]. Desenhamos e publicamos estratégias, mas podemos operacionalizar e concretizar muito mais. Tudo “isto implica priorizarmos o combate à pobreza, intencionalizá-lo e considerá-lo em todas as políticas (públicas). Implica uma atitude de não complacência com a pobreza, com a não utilização e operacionalização dos instrumentos ao nosso dispor para a sua erradicação e com a ineficácia de políticas (públicas) neste âmbito.”

“Continuamos amanhã?”, porque, conforme terminei a conversa de Sábado com a @Carla Rocha (Quarto do Fundo; Renascença) há, felizmente, “muitas pessoas e organizações sensibilizadas para esta problemática” e para um contributo para um ponto final à pobreza, título do projecto da @Ordem dos Psicólogos Portugueses (https://finalapobreza.pt) que visa um maior contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para este complexo, mas possível, desafio societal.

“Continuamos amanhã?”, porque, pela relação cíclica e forte existente, conforme terminei a intervenção (que partilho) na Antena Aberta (@Antena 1) de ontem, o combate à pobreza depende de priorizarmos o apoio económico às pessoas em situação de escassez e maior vulnerabilidade, mas também de priorizarmos a promoção da saúde mental e bem-estar e apoiarmos de forma próxima e contingente as pessoas em sofrimento psicológico ou com doença mental.

Continuamos hoje, amanhã e depois?

Que o façamos pois, juntas e juntos, podemos contribuir para um ponto final à pobreza.

…

“7-0 ao FMI mas que resultado no combate à Pobreza?” [CNN Portugal: 17.10.2022]

 

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Desafios da Psicologia Política Psicologia

NPD – Normalização, polarização, democracia

Algumas semanas após Marcelo Rebelo de Sousa o ter solicitado, conhecemos em simultâneo com a proposta de Orçamento do Estado (OE), o cenário macroeconómico previsto pelo Governo para 2023. Contém perspectivas sobre o PIB, a inflação, o mercado de trabalho, financiamento e pressupostos como taxas de juro ou preço do petróleo. Nem nele, nem no próprio OE, constam indicadores (e sua variação) sociais como a pobreza e desigualdade ou psicológicos como o bem-estar. Se infelizmente ainda assim é, creio que assim não será sempre e que, indicadores fulcrais como estes para aferir as condições e qualidade de vida, serão mais considerados nas decisões políticas, respondendo-se mais a necessidades e expectativas das pessoas, algo fundamental à preservação da democracia.

“NPD – Naturalização, polarização, democracia”, 43º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) faz uso de 7 simplificações (“que julgo importantes e que procuro serem cuidadosas e simples, mas não simplistas”) para, a partir do trabalho pioneiro de Vygotsky, pensar a relação entre processos de normalização, polarização e (ameaças à) democracia. Democracia, “sistema que, apesar das suas vulnerabilidades, mais permite e promove o envolvimento de todas e todos, procura o desenvolvimento de uma sociedade inclusiva e aberta, assente na equidade e na coesão social e na promoção de saúde, incluindo saúde mental, bem-estar e possibilidade de desenvolvimento e autodeterminação.”

O artigo discute e exemplifica o “papel de outras e outros nos processos de normalização, no tornar real o que apenas era potencial” e o “facto de quando o outrora apenas potencial se torna real, automaticamente se criar outro potencial, mais distante.”

Pensa “a forma como a quebra de mediadores externos e sociais (jornalistas, por ex.) “entrega” a intermediação do estímulo–resposta à linguagem e simbólico de cada pessoa ou, quando muito, de cada grupo”. A forma como “as redes sociais determinam o fluxo de informação e influenciam a formação de opiniões e, até, identidades”. Como “a quebra generalizada de confiança (nas e nos outros, nos e nas decisoras e nas instituições) desafia a saudável separação entre factos e opiniões, questiona a ciência e factualidade, dificulta a discussão construtiva e a mobilização das pessoas para a causa pública.”

“Tudo a concorrer para a fragilização dos princípios democráticos e das democracias, enquanto sistema que vive da partilha de princípios comuns fundamentais.” Tudo a exigir que “compreendamos, escutemos e empatizemos com quem vota. Que criemos, em conjunto e com compromisso, políticas que respondam às necessidades e expectativas e atendam às vulnerabilidades económicas, sociais e psicológicas das pessoas. Que façamos da saúde mental e do bem-estar prioridades globais” contribuindo “para a confiança, credibilidade das instituições e qualidade da democracia” garantindo, assim, melhores condições para a promoção da saúde e para a possibilidade de bem-estar de todas e todos.”

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Comportamento Congresso COVID-19 Psicologia

10.10.2022

O tema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2022 que hoje se comemora (Tornar a saúde mental e o bem-estar uma prioridade global) foca a importância da saúde mental como prioridade global (em todas as áreas e todos os países) e de priorizarmos e internacionalizarmos nas políticas (públicas) a possibilidade de bem-estar de todas e todos. Talvez paradoxalmente, o tema permite-nos reflectir sobre o papel da ciência e da prática da psicologia como não apenas cingido à saúde mental. Antes à saúde e bem-estar amplos, no dia-a-dia de comunidades e pessoas, ao longo de todo o ciclo de vida mas também junto de acontecimentos de vida ou em períodos de crise. Um exemplo? O contributo da psicologia na pandemia que, tendo sido/sendo essencial na área da saúde mental, foi/vai muito além desta.

Sobre ele – curiosamente no dia em que o governo decidiu não renovar o estado de alerta – e o meu papel enquanto coordenador do gabinete de crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses fui entrevistado pelo Mésicles Berenguel no 5º congresso da OPP (participação a par de outras na área da pobreza – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_terminou-na-6%C2%AAf-o-5%C2%BA-congresso-da-ordem-dos-activity-6982604315689406464-wUtA?utm_source=share&utm_medium=member_desktop – ou da promoção da saúde mental no Ensino Superior – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_passa-amanh%C3%A3-uma-semana-do-fim-do-5%C2%BA-congresso-activity-6983688804071030784-GSIe?utm_source=share&utm_medium=member_desktop)

Na entrevista, explicitando os objectivos da criação do gabinete a 13.03.2020, frisei o papel da equipa de trabalhadoras/es da OPP na manutenção de toda a estrutura e atribuições da Ordem. Foquei a mobilização de centenas de psicólogas e psicólogos no desenvolvimento de recursos e ferramentas de apoio à prática profissional, nomeadamente linhas de orientação, documentos de apoio, webinares/debates ou fóruns, bem como a forma como procuraram formação (em 2020 e 2021 em maior número que a soma de todos os anos desde 2013). Sublinhei contributos junto da sociedade civil, particularmente na literacia em saúde (e saúde mental) e um conjunto de colaborações, algumas produzindo acções transformadoras (FLAD; RTP, Seguradoras, …). Ainda o papel junto de decisoras/es, contribuindo no desenho de políticas, respostas de apoio psicológico e de promoção da saúde e bem-estar (Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS24, Task Force Ciências Comportamentais, CIG, CNPDPCJ ou Instituto Português do Desporto e Juventude, IP, onde hoje estarei numa sessão do relevantíssimo CUIDA-TE+, …).

Terminei a referir que, quando comunico, particularmente nos media, sinto representar a profissão (e ciência) e a responsabilidade que isso acarreta. Particularmente quando, face aos desafios do presente e futuro da sociedade, a psicologia é e será um importante valor e recurso e a confiança nela e nos e nas psicólogas é um bem valioso que a todas e todos (e por todas e todos) compete preservar.

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Congresso Democracia Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Tempo da Psicologia (Ao redor…; Sábado; 28.09.2022)

Faltam poucos dias para passarem quatro anos sobre esse 10 de Outubro de 2018. Nesse dia Mundial da Saúde Mental visitávamos um conjunto de projectos da Associação CRESCER. Acompanhamos uma equipa do “É uma rua” a um dos espaços da cidade de Lisboa onde intervém, de acordo com a metodologia de Redução de Riscos e Minimização de Danos. Como naquele dia, ouço-o contar-nos a sua história, que incrivelmente poderia ser a de quase todas e todos nós, como havia entrado e logo saído de diversas respostas e como acumulava diversas condições de vulnerabilidade: as suas dependências, particularmente de álcool e drogas, a sua condição de pessoa sem-abrigo, a sua solidão e problemas de saúde (significativos) variados. Ouço-o, como vejo, uma pessoa com especiais responsabilidades políticas que nos acompanhava, com uma sensibilidade que me impressionou, olhar a medicação que este senhor trazia num saco e mais tarde comentar, apenas connosco, que ali estavam muitas centenas, senão milhares, de euros investidos. Nesse e noutros momentos desse final de dia e noite de visita a outros projectos e pessoas apoiadas pela CRESCER, a clareza, pela realidade, do quão socialmente determinada é a saúde e do quão, sem promoção integrada da saúde e da saúde mental e sem apoio e integração social e comunitária das pessoas, não podemos aspirar a intervenções eficazes e à melhor utilização dos recursos disponíveis. Do quão pode ser relevante a psicologia, enquanto ciência e profissão, para a saúde e bem-estar das pessoas e para a sustentabilidade dos sistemas públicos.

Tempo da Psicologia. É este o mote que reúne em Aveiro, a partir de hoje, cerca de 1500 pessoas, maioritariamente psicólogas e psicólogos, para o 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Também quatro anos após o 4º Congresso e com uma pandemia por COVID-19, uma Guerra no continente europeu e uma nova crise socioeconómica no horizonte. Os mesmos quatro anos que passaram entre as eleições de 2018 e de Domingo em Itália e entre os 4% e os 26% do partido de direita nacionalista “Irmãos de Itália”, liderados pela provável futura chefe de governo, Giorgia Meloni, que confirmam o caminho de progressiva implementação e “normalização” de ideias e ideais anti-imigração, do questionamento de direitos humanos, da ciência e das instituições e do crescimento do autoritarismo, com consequente diminuição da liberdade e das garantias Mundo fora. Quatro anos que confirmam a velocidade e volatilidade deste tempo, a complexidade e globalidade dos desafios, a enorme incerteza que vive(re)mos.

Enquanto países como a Austrália – que segundo um relatório da Equipa de Planeamento do Serviço Nacional de Saúde Mental (NMHSPF), apenas consegue hoje preencher 35% dos 7787 lugares de psicólogas/os disponíveis por falta de profissionais – se vêm forçados a investimentos urgentes na formação e “captação” destes profissionais, em Portugal decorre um concurso, iniciado também há quatro anos, em que mais de 3000 psicólogas/os, muitas e muitos com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e a trabalharem já no SNS, procuram um dos 40 lugares para os cuidados de saúde primários. O estado e as famílias portuguesas investiram significativamente nas últimas quatro décadas na formação de profissionais de psicologia e, confrontados que estamos com problemas e desafios que as e os requerem e com o avanço da sua ciência, hoje com contributos em diversas áreas da sociedade e do ciclo de vida das pessoas, é tempo de apostarmos nas psicólogas e psicólogos e de lhes darmos mais oportunidades e condições de trabalho, particularmente no SNS.

Mas porquê? Porque, efectivamente, apesar das condições de vida em quase todo o Mundo terem melhorado substancialmente nas últimas décadas, os níveis de incerteza, precariedade, pressão e desigualdade constituem hoje factores de stress particularmente significativos. A eles, juntam-se, também em Portugal, níveis de literacia em saúde psicológica superiores (ainda que baixos), níveis de estigma inferiores (ainda que altos) e, particularmente, um capital social que faz com que as pessoas se mobilizem, bem, e pressionem por respostas para os seus problemas (e para os das pessoas ao seu redor), também de saúde mental, exigindo, bem também, mais possibilidade de autodeterminação, saúde e bem-estar, independentemente da sua condição. Acresce, depois, maior percepção e compreensão, de decisoras e decisores e das lideranças, do papel e contributo da psicologia no desenho de processos, de políticas e de interfaces, no desenvolvimento, consultoria e formação das pessoas e no apoio à mudança (social e individual) e promoção da inclusão, equidade e justiça social.

Mas há muito caminho por percorrer, muitas conversas para ter, muita interdisciplinariedade por co-construir. Este 5º congresso procurá-lo-á. Discutirá temas desafiantes, com psicólogas e psicólogos junto com profissionais de outras áreas e/ou decisoras e decisores, como a morte medicamente assistida, o rendimento básico incondicional, a semana de quatro dias e a necessidade ou não do aumento das penas máximas de prisão ou da legalização da prostituição ou trabalho sexual. Eu participarei em sessões nas áreas da pobreza, COVID-19 e promoção da saúde mental no ensino superior. Outras e outros, noutros desafios societais como a crise climática, a saúde pública, as migrações, a paz, as relações com a tecnologia e a inteligência artificial e promoção de locais de trabalho saudáveis, além dos mais variados contextos de actuação da psicologia e dos desafios da sua prática no presente e para o futuro. Isto num congresso que procura inovar na sustentabilidade (realizado em diversos espaços “caminháveis”, com utilização mínima de recursos substituídos por uma aplicação que garante a informação e interacção entre participantes) e na relação com a comunidade, promovendo visitas a espaços e projectos da cidade e actividades abertas, como o Mente.morfose, festival de cinema (e conversas) associado ao congresso e seus temas.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, como o responsável político que mencionei reconhece(u), o investimento feito naqueles medicamentos apenas pode ser eficaz se complementado com outras intervenções, sistémicas. A psicologia tem hoje um capital de conhecimento e uma força de trabalho capaz de oferecer garantias, às cidadãs e cidadãos e aos governos, de actuação nas consequências dos problemas e acontecimentos de vida significativos das pessoas, mas também, a montante, nas causas (muitas delas sociais) desses problemas. Com responsabilidade, procuraremos, hoje, amanhã e depois, discutir como o podemos fazer melhor, com todas e todos. Com empenho e foco nas pessoas, procuraremos mobilizar a profissão para um presente e futuro que se afigura desafiante, em Portugal e no Mundo.

 

Tempo da Psicologia

in Sábado (Ao redor…); 28.09.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/tempo-da-psicologia

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Congresso Educação Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

5º Congresso da OPP – Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior

Passa amanhã uma semana do fim do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses com mote “Tempo da Psicologia” e cuja cidade de Aveiro tão bem acolheu. Passa também uma semana de um dos momentos que nele dinamizei/participei (a par dos em torno do desafio societal da pobreza – https://lnkd.in/dPbCYhtC – e de outros sobre os quais ainda escreverei): a empowertalk “Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior”.

Cerca de 6 meses após a apresentação da  1ª edição do Programa FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento / OPP “Saúde Mental no Ensino Superior”) a 11 de Abril (https://lnkd.in/deZNXHwS), ali estava para enquadrar a conversa, num momento subsequente à discussão com seguradoras sobre o acesso a serviços de psicologia e de se terem abordado estudos que indicam a saúde mental (incluindo dimensões de prevenção e promoção), como a área que a população mais jovem mais valoriza hoje num seguro de saúde. Ali estava, também, para enquadrar o trabalho e contributo da OPP e meu neste relevante programa, creio, atendendo aos desafios que se colocam à saúde mental das e dos jovens (incluindo estudantes de Ensino Superior) e que sublinhei a partir dos pontos cardeais: (N)otas (e a pressão colocada) – (O)utras/os (e a “obrigatoriedade de estar bem”) – (E)stabilidade (precariedade, incerteza e as dificuldades associadas a questões sócio-económicas) – (S)uporte (dificuldade e iniquidade de acesso contingente a apoio na área da saúde mental).

Mais de um ano após as (primeiras) conversas e o trabalho conjunto, particularmente com a Liliana Valpaços a quem agradeço o empenho, dedicação e a visão, ali estávamos, também, para apresentar os 3 projectos vencedores (de 32 candidaturas): Universidade da Madeira (Projecto Wellbeing) – Dora Pereira; Instituto Politécnico de Viana do Castelo(RES4ALL+) – Carla Faria; e Instituto Politécnico da Guarda (Desejar-Comunicar-Agir) – Odilia D. Cavaco.

Um momento de celebração e mais um marco do importante investimento da FLAD e da OPP na área da saúde mental e do Ensino Superior que pretendemos continuar e aprofundar, conforme também discutimos. Um momento que, conforme acabei por referir no final da sessão, gostaria que se repetisse no 6º Congresso da OPP em 2024, para apresentação dos projectos vencedores da 3ª Edição do Prémio. Para tal ou para todas e todos discutirmos outro tema, isto caso essa potencial edição do prémio não venha a existir por ter perdido o seu sentido, considerando que as instituições de ensino superior portuguesas assumem a área a promoção da literacia em e da saúde mental como verdadeiramente prioritárias no quadro da sua acção.

Parabéns à FLAD. Parabéns às IESP vencedoras. Obrigado Liliana.

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Tempo da Psicologia

Estamos a minutos do início do 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses. “Quatro anos após o 4º Congresso e com uma pandemia por COVID-19, uma Guerra no continente europeu e uma nova crise socioeconómica no horizonte.” Os mesmos quatro anos que passaram entre as eleições de 2018 e de Domingo em Itália e entre os 4% e os 26% do partido de direita nacionalista “Irmãos de Itália” (…) que confirmam o caminho de progressiva implementação e “normalização” de ideias e ideais anti-imigração, do questionamento de direitos humanos, da ciência e das instituições e do crescimento do autoritarismo, com consequente diminuição da liberdade e das garantias Mundo fora. Quatro anos que confirmam a velocidade e volatilidade deste tempo, a complexidade e globalidade dos desafios, a enorme incerteza que vive(re)mos.”

“Tempo da Psicologia”, 42º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) trata o mote do congresso, enquadrando-o no tempo que vivemos. “Mas porquê?”, pergunto no texto. “Porque, efectivamente, apesar das condições de vida em quase todo o Mundo terem melhorado substancialmente nas últimas décadas, os níveis de incerteza, precariedade, pressão e desigualdade constituem hoje factores de stress particularmente significativos. A eles, juntam-se, também em Portugal, níveis de literacia em saúde psicológica superiores (ainda que baixos), níveis de estigma inferiores (ainda que altos) e, particularmente, um capital social que faz com que as pessoas se mobilizem, bem, e pressionem por respostas para os seus problemas (e para os das pessoas ao seu redor), também de saúde mental, exigindo, bem também, mais possibilidade de autodeterminação, saúde e bem-estar, independentemente da sua condição. Acresce, depois, maior percepção e compreensão, de decisoras e decisores e das lideranças, do papel e contributo da psicologia no desenho de processos, de políticas e de interfaces, no desenvolvimento, consultoria e formação das pessoas e no apoio à mudança (social e individual) e promoção da inclusão, equidade e justiça social.”

“Mas há muito caminho por percorrer, muitas conversas para ter, muita interdisciplinariedade por co-construir.” No congresso procurá-lo-emos, discutindo temas desafiantes e inovando na sua sustenatabilidade e na relação com a comunidade local, incluindo visitas a projectos e actividades a si abertas, como o festival de cinema Mente.morfose.

É que, “na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor (…) a psicologia tem hoje um capital de conhecimento e uma força de trabalho capaz de oferecer garantias, às cidadãs e cidadãos e aos governos, de actuação nas consequências dos problemas e acontecimentos de vida significativos das pessoas, mas também, a montante, nas causas (muitas delas sociais) desses problemas. Com responsabilidade, procuraremos, hoje, amanhã e depois, discutir como o podemos fazer melhor, com todas e todos. Com empenho e foco nas pessoas, procuraremos mobilizar a profissão para um presente e futuro que se afigura desafiante, em Portugal e no Mundo.”

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Giorgia Meloni e o 5º Congresso da OPP

Portugal joga amanhã com Espanha a passagem à fase seguinte da Liga das Nações tal como jogou, em Junho de 2004, a passagem à fase seguinte do Euro 2004, que Portugal organizou. Muitas e muitos de nós recordam esse jogo que vi em Turim (Norte de Itália).

Ali vivi(a) enquanto estudante Erasmus e dali viajei, várias vezes, rumo a outras cidades italianas, muitas no Sul. Viagens num país lindíssimo e diverso. Num país com muitos países (e dialectos) dentro e de diferenças significativas entre Norte e Sul, diferenças que ajudam a compreender as eleições de ontem.

Meloni conduziu o Irmãos de Itália, partido de direita nacionalista, a força política mais votada. Independentemente do Governo que se constituir, da sua consistência (Itália teve 45 governos desde 1945) e do que será Meloni líder de Governo, é paradigmático que o partido cresça de 4 para 26% entre as eleições de 2018 e as de 2022. Há, como sempre existem, múltiplas razões que podem justificá-lo em Itália. Como existem para o comunicado do Chega que defende “que estes ventos de mudança [chegarão] a Portugal” e levarão “a uma reconfiguração política da Europa”.

Meloni faz da defesa da meritocracia, escola. Diz que o “mérito é o carburante do Mundo”, que tudo “reside na vontade, sacrifício e paixão” e que “não se devem aceitar limites impostos pelos outros”. Discurso motivacional, com ressonância, mas que choca com o discurso anti-imigração e o seu apego à “teoria” da “grande substituição” que torna seu objectivo evitar a “extinção dos Italianos”. O contrassenso continua quando afirma que a “segurança das cidades italianas está fora de controlo” pelas “políticas migratórias dos últimos anos”, apesar da taxa de criminalidade ter caído significativamente de 1990 a 2019 (a de homicídios 72%). Contrassenso aqui, coerência no desconsiderar dos factos, da ciência, dos valores democráticos e direitos humanos (veja-se a posição sobre pessoas LGBTI+) ou da preservação do Planeta (e sobre crise climática).

18 anos (desde 2004) ou 4 anos (desde 2018) que nos trouxeram a uma Meloni previsível chefe de governo, demonstração da aceleração e volatilidade do tempo que vivemos e de como, respeitando resultados eleitorais e as/os votantes, devemos mobilizar-nos contra a utilização do ressentimento e ódio como programa político. Um Mundo complexo precisa de respostas sustentadas que tragam esperança às pessoas e “vençam” as soluções simplistas resultantes deste tipo de partidos/coligações, Mundo fora.

Disponibilizar estas soluções exige diálogo e co-construção. Implica conversas interdisciplinares em temas desafiantes. Fá-lo-ei (em torno da pobreza, da COVID-19 e da saúde mental no Ensino Superior) e fá-lo-emos no 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses, sob o mote “Tempo da Psicologia”. Com determinação, empenho e consciência dos riscos que enfrentamos, mas com a certeza de que passo-a-passo, com todas e todos e com a ciência (incluindo a psicológica) é possível caminhar no sentido de um Mundo… melhor.

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O SNS e os seus profissionais – Um ditado para Manuel Pizarro (Ao redor…; Sábado; 14.09.2022)

Nas memórias da minha infância cabem um conjunto de ditados e provérbios populares que acompanhavam vivências quotidianas. O “onde alhos há, vinho haverá”, invariavelmente associado à preparação de uma marinada muito utilizada por uma tia minha, é-me particularmente presente, também porque reforçado por uma memória olfactiva. Evoco-o a propósito da indigitação de Manual Pizarro como Ministro da Saúde, dos desafios com os quais se deparará e de uma reflexão sobre os profissionais de saúde que compõem o Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo as psicólogas e psicólogos.

O novo Ministro da Saúde inicia funções confrontado com um conjunto de problemas instalados. A carência de profissionais das áreas da Medicina e Enfermagem e as dificuldades para o seu recrutamento, por indisponibilidade de candidatas e candidatos, é um deles. Medidas excepcionais e outras estruturais, espera-se, serão brevemente implementadas para responder a este problema estrutural do SNS, cujas causas remontam a acções e/ou inacções do presente, dos últimos anos, mas também de um período mais distante no tempo. Ora, porque “onde alhos há, vinho haverá”, importa que Manuel Pizarro tenha capacidade e motivação para liderar uma equipa capaz de atender a este foco sem esquecer que, inacções noutras áreas ou junto de outros grupos profissionais, podem a médio (ou mesmo curto) prazo resultar em problemas semelhantes. Veja-se o caso das psicólogas e psicólogos.

Portugal investiu consideravelmente na formação destes profissionais. Apesar de ser uma profissão recente em Portugal (maioritariamente a partir da década de 80 do século passado, considerando que a oferta formativa em Portugal se iniciou apenas após o fim do Estado Novo em 1974), existem hoje mais de 26.000 psicólogas e psicólogos (5500 dos quais especialistas em Psicologia Clínica e da Saúde) mas apenas um pouco mais de 1000 (4%) no SNS. Isto, apesar do amplo reconhecimento público, também do ora Ministro da Saúde, da necessidade do crescimento significativo do número de profissionais, em especial nos cuidados de saúde primários (CSP). Reconhecimento que convive com a realidade de um concurso que decorre há quatro (!) anos para a contratação de 40 psicólogas/os para os CSP e com as notícias que informam que um cada vez mais significativo número de profissionais da área optaram por sair do SNS, devido às suas condições de trabalho. Reconhecimento que convive com a situação incompreensível de não equiparação à carreira de “Técnico Superior de Saúde – Ramo Psicologia Clínica” dos e das psicólogas clínicas do SNS com contratos individuais de trabalho, algo que gera situações de desequilíbrio e desigualdade de condições profissionais (de carreira, remuneração e até, imagine-se, de possibilidades de actuação) de profissionais com a mesma formação, perfil técnico e funcional e funções nas estruturas do SNS. Se não queremos, num futuro provavelmente breve, que também na área da Psicologia seja difícil manter e recrutar profissionais, é, além de justo, indispensável, alterar legislação, revendo e agilizando os processos de contratação e criando um percurso comum de progressão e diferenciação profissional, bem como reforçar a autonomia técnico-científica e a valorização deste grupo profissional. É que, “onde alhos há, vinho haverá”.

Mas, se prevenção é uma palavra-chave da prática das psicólogas e psicólogos, a procura de compreensão da pessoa, de acordo com modelos que enfatizem a sua dimensão biológica, psicológica e social também o é. Hoje sabemos bem quanto é importante, em saúde, actuar não apenas nas consequências, mas nas causas dos problemas, influenciando e estimulando hábitos e estilos de vida (mais saudáveis), a promoção de competências, a adesão e manutenção de comportamentos ou terapêuticas ou mesmo contribuindo em importantes determinantes sociais como a pobreza ou a exclusão. O compromisso das psicólogas e psicólogos de participação em programas ao longo de todo o ciclo de vida e de intervenções multidisciplinares, bem como de um contributo para a mudança societal, é algo de muito relevante a uma intervenção não exclusiva em fim de linha, tendente à prevenção e à diminuição do “stresse” e da pressão sobre as organizações do SNS, o que pode concorrer para a diminuição do sofrimento ético e para a motivação dos diferentes profissionais. É que, “onde alhos há, vinho haverá”.

Mas, além da prevenção e do modelo biopsicossocial, o foco no trabalho em equipa de psicólogos e psicólogas e o seu conhecimento e contributo possível nas dimensões do comportamento, da tomada de decisão e da relação são diferenciadores. Num momento em que a organização de trabalho e os riscos psicossociais são responsáveis por muitos milhares de dias de trabalho perdidos e de muito sofrimento instalado, além das fundamentais medidas de valorização das e dos profissionais, importa que se estabeleçam planos nas estruturas do SNS de avaliação, prevenção e acção permanente sobre estes riscos e de formação e apoio às lideranças, no sentido da implementação das melhores práticas e de uma actuação cientificamente validada, visando a criação de locais de trabalho inclusivos e saudáveis, com contributo da psicologia. É que, “onde alhos há, vinho haverá”.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, os sistemas de saúde, porque confrontados com níveis elevados de incerteza, de desconfiança, com a maior longevidade da população e com crises de saúde pública diversas, muito beneficiam da psicologia enquanto ciência e profissão na garantia da sua sustentabilidade. Muito beneficiam na promoção da saúde, bem-estar e equidade das populações que servem. Também por isso, Sr. Ministro, saiba a nossa profissão não apenas disponível, como sempre estivemos, mas preparada, motivada e comprometida com o objectivo de um SNS mais próximo das pessoas e mais responsivo às suas necessidades. Creio ser tempo das proclamações políticas, das legitimas expectativas das e dos profissionais e da exigência das populações, redundarem em acções concretas que dêem mais oportunidade e condições às psicólogas e psicólogos para um contributo distinto e distintivo na saúde e bem-estar das populações a partir do SNS e para a sustentabilidade dos serviços públicos em Portugal.

 

O SNS e os seus profissionais – Um ditado para Manuel Pizarro

in Sábado (Ao redor…); 14.09.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/o-sns-e-os-seus-profissionais–um-ditado-para-manuel-pizarro