“Continuamos amanhã?”, perguntava ontem a fechar o artigo que escrevi para a @CNNPortugal (ver abaixo) a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, nele refiro que “o dia que hoje [ontem] se celebra deve ser o nosso dia-a-dia. Toda e qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição socioeconómica, é impactada pela sua situação de pobreza actual, potencial ou pelas situações de pobreza ao seu redor. Toda e qualquer pessoa tem um papel na sua erradicação, algo possível, conforme o caminho percorrido nas últimas décadas no Mundo demonstra, mas que depende de essa ser (a) prioridade das prioridades de todas e todos.”
“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, “ao contrário do futebol, a pobreza não tem um lado que vence e outro que perde ou lados que empatam. Com a pobreza, todas e todos perdem.” Pessoas, sociedade e instituições (democráticas). Também, porque, enquanto país, “previmos, mas podemos prever muito mais [nomeadamente o impacto de medidas na taxa de (risco de) pobreza, não considerada no quadro macroeconómico ou Orçamento do Estado]. Decidimos e aplicamos medidas, algumas delas relevantes, mas podemos decidir e fazer muito mais [particularmente na pobreza infantil e nas pessoas em situação de desemprego, sem apoios sociais]. Desenhamos e publicamos estratégias, mas podemos operacionalizar e concretizar muito mais. Tudo “isto implica priorizarmos o combate à pobreza, intencionalizá-lo e considerá-lo em todas as políticas (públicas). Implica uma atitude de não complacência com a pobreza, com a não utilização e operacionalização dos instrumentos ao nosso dispor para a sua erradicação e com a ineficácia de políticas (públicas) neste âmbito.”
“Continuamos amanhã?”, porque, conforme terminei a conversa de Sábado com a @Carla Rocha (Quarto do Fundo; Renascença) há, felizmente, “muitas pessoas e organizações sensibilizadas para esta problemática” e para um contributo para um ponto final à pobreza, título do projecto da @Ordem dos Psicólogos Portugueses (https://finalapobreza.pt) que visa um maior contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para este complexo, mas possível, desafio societal.
“Continuamos amanhã?”, porque, pela relação cíclica e forte existente, conforme terminei a intervenção (que partilho) na Antena Aberta (@Antena 1) de ontem, o combate à pobreza depende de priorizarmos o apoio económico às pessoas em situação de escassez e maior vulnerabilidade, mas também de priorizarmos a promoção da saúde mental e bem-estar e apoiarmos de forma próxima e contingente as pessoas em sofrimento psicológico ou com doença mental.
Continuamos hoje, amanhã e depois?
Que o façamos pois, juntas e juntos, podemos contribuir para um ponto final à pobreza.
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“7-0 ao FMI mas que resultado no combate à Pobreza?” [CNN Portugal: 17.10.2022]