“Uma pessoa quando pensa em problemas de saúde mental não pensa automaticamente em pobreza. São duas questões dissociadas, mas que vocês associam neste projecto. Interligam-nas. Com que objectivo?” Questão inicial que o Rodrigo Pratas me colocou em entrevista (Edição da Noite; SICNotícias; 12.08.22) a propósito da aprovação, em Conselho de Ministros, do reforço no Abono de Família e da Garantia para a Infância e com o intuito último de discutir a campanha “.Final à Pobreza”.
Entrevista 20 meses após aqui ter partilhado que uma das 100 medidas do programa de candidatura à Ordem dos Psicólogos Portugueses seria a implementação de “um programa de apoio e desenvolvimento profissional para o combate à pobreza e exclusão social”. Fi-lo em NOV2020, afirmando que, conforme refere Wallace-Wells em “A terra inabitável”, “a postura intelectual da impotência é sempre uma boa desculpa” mas “porque a rejeito e porque rejeito que nos puxem para trás, advogo uma Psicologia a responder com excelência a desafios micro, junto das pessoas nos seus contextos e acontecimentos de vida significativos, mas também macro.
Respondi que o https://finalapobreza.pt servia “desde logo para que se compreenda melhor esta relação causa-consequência” e a pobreza “enquanto um dos principais determinantes não apenas da saúde mental mas da saúde no global” (…), altamente condicionadora daquilo que são a dignidade humana, a capacidade das pessoas se cumprirem, florescerem.” Disse, ainda, ser “importantíssimo que a OPP e as psicólogas e psicólogos portugueses se associem a um esforço nacional de tornar o combate à pobreza um grande desígnio, como previsto na estratégia nacional de combate à pobreza” [eixo f].
Na entrevista, que partilho, afirmei os 4 domínios de contributo do projecto (profissão, sociedade civil, decisoras/es e cooperação), além dos impactos das sucessivas crises nas pessoas e comunidades. Discuti como os problemas de saúde mental da população contribuem para que em Portugal seja difícil sair (geracionalmente) da pobreza sem apoios sociais, o que faz com que devamos, naturalmente, reforçar apoios sociais, mas também as condições psicológicas da população, se quisermos ser eficazes. Finalmente, aprofundei essa necessidade de reforço do apoio e a necessária e possível complementaridade entre respostas mais remediativas e respostas preventivas/promotoras, fundamentais para o futuro do país e para, enquanto pessoas, famílias e comunidades, lidarmos melhor com a adversidade no presente e futuro.
Conforme também havia escrito, advogo “uma psicologia activista no combate à pobreza e à exclusão”. Espero que este possa ser um contributo e estímulo para que mais pessoas e mais psicólogas e psicólogos se envolvam neste fundamental desígnio: contribuir para um “. final à pobreza”.