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Ao redor... (Revista Sábado) COVID-19 Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade Psicologia

1000 dias….

1000 dias… Os primeiros 1000 dias. Um conceito com cada vez maior relevância, que parte de um quadro significativo de investigação e trata o período fundamental de desenvolvimento das estruturas neurológicas (cerebrais) e biológicas dos bebés. 1000 dias, tempo que dista de hoje a 06.02.2020, dia em que o Públicofez um trabalho sobre um artigo escrito por profissionais de saúde pública que, partindo da forma errática como foi gerido um 1º caso suspeito e não confirmado de COVID-19 em Portugal (1º caso confirmado surgiria apenas quase um mês depois), procurava promover uma melhor preparação dos cuidados de saúde, visando o que aí viria e de acordo com o que sabíamos pós-emergências H5N1, SARS e da pandemia H1N1.

“1000 dias”, 44º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte destas premissas (tomar decisões informadas pela ciência e pela melhor evidência disponível; aprender com erros e construir sobre a experiência passada) para pensar o aumento das pessoas a viver em risco de pobreza e exclusão. Pensar, “além do risco potencial de quebra de equidade e coesão social”, duas questões que podem contribuir para uma maior dificuldade de saída desta situação no futuro e a consolidação e reprodução de ciclos geracionais.

“A primeira toca o sofrimento psicológico resultante do actual contexto e a forma como ele pode potenciar o stresse, mas também situações de ansiedade e depressão. Estes problemas de saúde mental relacionam-se de forma cíclica e forte com fenómenos sociais complexos como a precariedade, a exclusão e a pobreza, algo que determina que a probabilidade do seu desenvolvimento é até três vezes superior em crianças e adultos de contextos com os mais baixos rendimentos.”

A segunda, o conceito dos 1000 dias, “período que corresponde aos 9 meses de gestação de um bebé e os seus primeiros dois anos de vida (extrauterina), período particularmente sensível no desenvolvimento e que corresponde, em simultâneo, a uma janela de oportunidade ou de vulnerabilidade (…) A investigação demonstra como o stresse que chega ao bebé em gestação, associado ao facto de mães viverem a gravidez em contexto de escassez, exclusão ou pobreza, tem um impacto significativo no seu desenvolvimento. Estes bebés no seu dia 0 de vida têm já um gap negativo, uma desvantagem, face a bebés cuja gestação decorre noutro tipo de contextos com menor exposição à adversidade e ao stresse resultante (…) Desvantagem que se acentua ao longo da vida.”

“Duas áreas de actuação, sustentadas na ciência e que tornadas prioridade e política no presente, garantiriam mais possibilidades de futuro, maior possibilidade de mobilidade social e que apontariam a dois problemas estruturais do país (elevada prevalência de problemas de saúde mental; elevada pobreza e a sua reprodução geracional) que condicionam o seu crescimento económico e o desenvolvimento sustentável, equidade e a coesão social. Que condicionam a dignidade das pessoas e a sua possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação.”

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Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

É ou não é / Pobreza (RTP1, 25.10.2022)

“Ainda bem que estamos aqui hoje a conversar sobre isto, mas nós conversamos muito pouco sobre pobreza. A pobreza é o principal determinante da saúde, educação, da área social em Portugal e está normalmente ausente daquilo que é o debate público a não ser quando surgem alguns dados… É pouco presente no debate público, portanto, apelo a que um dos pontos da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza (ENCP), que é exactamente tornar esta matéria um desígnio nacional, possa ser endereçado e abraçado e isso implica que toda a sociedade se mobilize no combate a este enorme problema social que impacta todas as pessoas”.

Foi esta a minha última intervenção no programa “É ou não é” (RTP; abaixo) sobre pobreza. Antes enquadrei o https://finalapobreza.pt e o contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos nesta área, particularmente: 1) melhor informação e literacia sobre as causas e consequências do fenómeno, contribuindo para a diminuição do estigma e compreensão de que é um problema que afecta todas as pessoas (particularmente, mas não apenas, quem vive em situação de pobreza); 2) contribuir para o desenho e implementação de políticas públicas mais eficazes e eficientes.

A propósito do 2º ponto, evocando o que não aconteceu aquando da crise sócio-económica do início da década passada (reforço da área da saúde mental), afirmei a associação cíclica e forte entre problemas de saúde mental (stresse, ansiedade e depressão) e pobreza e exclusão, sublinhando não poder haver prioridade no combate à pobreza sem promoção da saúde mental e vice-versa. Abordei, ainda, os “1000 dias” e o impacto no desenvolvimento das estruturas neurológicas e biológicas nos bebés que nascem em contextos de maior adversidade (exclusão e pobreza), devido ao stresse, má nutrição, entre outros. Estes têm, desde ainda antes do nascimento, um gap negativo (desvantagem) de desenvolvimento, que se intensifica ao longo da vida, justificando-se políticas mais assertivas nesta área, também pela injustiça social que representa.

Na 2ª intervenção, com uma excelente entrevista ao Eldar Shafir pelo meio, reforcei que é possível erradicar a pobreza, sublinhei que a complexidade do desafio implica que sejamos exigentes (dando o exemplo da ENCP não ter ainda o plano de acção 22-25) e que capacitemos e demos condições às organizações e serviços públicos que trabalham nesta área. Abordei ainda a importância da oportunidade (contexto) para a par da conhecimento e motivação, podermos mobilizar comportamentos e a forma como o stresse, a ansiedade, o insucesso escolar (muito presente) e o estigma afectam crianças e jovens, com impacto ao longo da vida.

Reforcei, finalmente, o estigma e auto-estigmatização e seu o impacto, por ex., no facto de algumas pessoas não recorrerem aos apoios sociais por esse motivo, condicionado a sua eficácia.

 

https://www.rtp.pt/play/p9816/e-ou-nao-e-o-grande-debate (parte I)

https://www.rtp.pt/play/p9816/e649260/e-ou-nao-e-o-grande-debate/1096150 (parte II)

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Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

E  você, qual julga que pode ser o contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para um ponto final à pobreza?

“Ter mais informação sobre como constituir uma associação ou cooperativa (…) Desenvolver estratégias de trabalho informal na comunidade em benefício das relações de proximidade (…) Investir na promoção da literacia em saúde e em justiça social (…) Promoção de grupos de intervisão profissional na área do combate à pobreza (…) Disponibilizar formação profissional contínua de psicólogas e psicólogos na área a pobreza e introduzir conteúdos desta área na formação inicial da/o psicóloga/o júnior (…) Estimular a formação dos órgãos de gestão e das lideranças de instituições a partir de contributos da psicologia (…) mapeamento de projectos e intervenções de sucesso e contributo para a sua adaptação e implementação em Portugal (…) contribuir para uma metodologia de construção de políticas públicas que considerem a pobreza em todas as políticas (…) reforço da investigação em torno da eficácia das políticas públicas nesta área que incluam, também, dimensões de saúde e bem-estar (…) investir em programas específicos de competências parentais e socioemocionais junto de populações com maiores vulnerabilidades (…) (…) (…)”

E  você, qual julga que pode ser o contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para um ponto final à pobreza? De que sente necessidade? O que lhe seria importante e útil? E como podemos reforçar o contributo da psicologia e das psicólogas e dos psicólogos neste importantíssimo desafio social?

Colabore em https://finalapobreza.pt. Participe na construção da estratégia e do plano de acção nas suas quatro dimensões (profissão, sociedade civil, decisoras/es e cooperação nacional e internacional).

Juntas e juntos vamos contribuir para um ponto final à pobreza.

http://https://www.youtube.com/watch?v=ymK5UDmPyrc&feature=emb_logo

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Comportamento Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Pobreza e Desigualdade Psicologia

Dia Internacional da Erradicação da Pobreza

“Continuamos amanhã?”, perguntava ontem a fechar o artigo que escrevi para a @CNNPortugal (ver abaixo) a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, nele refiro que “o dia que hoje [ontem] se celebra deve ser o nosso dia-a-dia. Toda e qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição socioeconómica, é impactada pela sua situação de pobreza actual, potencial ou pelas situações de pobreza ao seu redor. Toda e qualquer pessoa tem um papel na sua erradicação, algo possível, conforme o caminho percorrido nas últimas décadas no Mundo demonstra, mas que depende de essa ser (a) prioridade das prioridades de todas e todos.”

“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, “ao contrário do futebol, a pobreza não tem um lado que vence e outro que perde ou lados que empatam. Com a pobreza, todas e todos perdem.” Pessoas, sociedade e instituições (democráticas). Também, porque, enquanto país, “previmos, mas podemos prever muito mais [nomeadamente o impacto de medidas na taxa de (risco de) pobreza, não considerada no quadro macroeconómico ou Orçamento do Estado]. Decidimos e aplicamos medidas, algumas delas relevantes, mas podemos decidir e fazer muito mais [particularmente na pobreza infantil e nas pessoas em situação de desemprego, sem apoios sociais]. Desenhamos e publicamos estratégias, mas podemos operacionalizar e concretizar muito mais. Tudo “isto implica priorizarmos o combate à pobreza, intencionalizá-lo e considerá-lo em todas as políticas (públicas). Implica uma atitude de não complacência com a pobreza, com a não utilização e operacionalização dos instrumentos ao nosso dispor para a sua erradicação e com a ineficácia de políticas (públicas) neste âmbito.”

“Continuamos amanhã?”, porque, conforme terminei a conversa de Sábado com a @Carla Rocha (Quarto do Fundo; Renascença) há, felizmente, “muitas pessoas e organizações sensibilizadas para esta problemática” e para um contributo para um ponto final à pobreza, título do projecto da @Ordem dos Psicólogos Portugueses (https://finalapobreza.pt) que visa um maior contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para este complexo, mas possível, desafio societal.

“Continuamos amanhã?”, porque, pela relação cíclica e forte existente, conforme terminei a intervenção (que partilho) na Antena Aberta (@Antena 1) de ontem, o combate à pobreza depende de priorizarmos o apoio económico às pessoas em situação de escassez e maior vulnerabilidade, mas também de priorizarmos a promoção da saúde mental e bem-estar e apoiarmos de forma próxima e contingente as pessoas em sofrimento psicológico ou com doença mental.

Continuamos hoje, amanhã e depois?

Que o façamos pois, juntas e juntos, podemos contribuir para um ponto final à pobreza.

…

“7-0 ao FMI mas que resultado no combate à Pobreza?” [CNN Portugal: 17.10.2022]

 

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Democracia Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Pobreza e Desigualdade Política

O desafio societal da pobreza no 5º Congresso da OPP

Terminou na 6ªF o 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses. Com o mote “Tempo da Psicologia”, cerca de 1500 pessoas, parte significativa psicólogas e psicólogos, encontraram-se em Aveiro para discutirem, reflectirem e pensarem conjuntamente o país e o Mundo, nos seus desafios e complexidades, e os contributos da ciência e prática da psicologia para as pessoas e sociedade. Eu fui mais uma dessas pessoas.

Entre outros contributos (que aqui discutirei noutro momento), participei/dinamizei três iniciativas dedicadas ao complexo desafio societal da pobreza e, de certa forma, associadas ao projecto https://finalapobreza.pt: uma conversa com a @Maria João Marques que cruzou Economia e Psicologia – “Pobreza: um círculo vicioso ou viciado?”; a apresentação/moderação do keynote do @Eldar Shafir – “A pobreza e a escassez mental”; a sessão prática de recolha de contributos para a estratégia “.Final à Pobreza”.

Além do significativo de podermos num congresso da OPP aprofundar o tema, a presença no Congresso do @Eldar Shafir resultou em importantes peças na comunicação social que permitiram que o tema pobreza, normalmente pouco saliente por pouco glamoroso (como a @Maria João Marques bem definiu), fosse abordado e notícia: “Há algo cómico quando nos preocupamos com o bife que um pobre come” (@PÚBLICO) ou “A mentalidade da escassez ou como um bom cockpit faz um bom piloto” (@CNN Portugal).

Destes três momentos, e das conversas sucessivas, guardo cinco reflexões: a) A ciência, só por si, não é suficiente pois, a cada vez mais clara percepção das causas e das consequências da pobreza, não tem sido suficiente na mudança de percepção da sociedade sobre o fenómeno e na definição de políticas (públicas); b) À (promoção da) mudança individual pelas psicólogas e psicólogos é fundamental associar-se a (promoção da) mudança societal; c) É fulcral reforçarmos o contributo da psicologia na dimensão macro do fenómeno da pobreza e, não apenas, nos impactos da mesma no micro observado nas diversas áreas de intervenção da psicologia; d) Outras áreas científicas reconhecem cada vez mais e melhor o contributo da psicologia e, pessoas e sociedade, “exigem-lhe” um contributo maior; e) Além de justo, é possível solucionar este complexo desafio. É possível uma sociedade sem (ou com níveis residuais de) pessoas em situação de pobreza, investindo na mudança societal e na promoção da saúde mental de pessoas e comunidades.

Cinco reflexões a que junto entusiasmo e a determinação de me associar a tantas outras pessoas no contributo (singelo) para um ponto final à pobreza e o orgulho de ver tantas e tantos colegas a identificarem-se e comprometerem-se enquanto cidadãs e cidadãos e psicólogas e psicólogos. Obrigado, mobilizemo-nos.

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Tempo da Psicologia

Estamos a minutos do início do 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses. “Quatro anos após o 4º Congresso e com uma pandemia por COVID-19, uma Guerra no continente europeu e uma nova crise socioeconómica no horizonte.” Os mesmos quatro anos que passaram entre as eleições de 2018 e de Domingo em Itália e entre os 4% e os 26% do partido de direita nacionalista “Irmãos de Itália” (…) que confirmam o caminho de progressiva implementação e “normalização” de ideias e ideais anti-imigração, do questionamento de direitos humanos, da ciência e das instituições e do crescimento do autoritarismo, com consequente diminuição da liberdade e das garantias Mundo fora. Quatro anos que confirmam a velocidade e volatilidade deste tempo, a complexidade e globalidade dos desafios, a enorme incerteza que vive(re)mos.”

“Tempo da Psicologia”, 42º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) trata o mote do congresso, enquadrando-o no tempo que vivemos. “Mas porquê?”, pergunto no texto. “Porque, efectivamente, apesar das condições de vida em quase todo o Mundo terem melhorado substancialmente nas últimas décadas, os níveis de incerteza, precariedade, pressão e desigualdade constituem hoje factores de stress particularmente significativos. A eles, juntam-se, também em Portugal, níveis de literacia em saúde psicológica superiores (ainda que baixos), níveis de estigma inferiores (ainda que altos) e, particularmente, um capital social que faz com que as pessoas se mobilizem, bem, e pressionem por respostas para os seus problemas (e para os das pessoas ao seu redor), também de saúde mental, exigindo, bem também, mais possibilidade de autodeterminação, saúde e bem-estar, independentemente da sua condição. Acresce, depois, maior percepção e compreensão, de decisoras e decisores e das lideranças, do papel e contributo da psicologia no desenho de processos, de políticas e de interfaces, no desenvolvimento, consultoria e formação das pessoas e no apoio à mudança (social e individual) e promoção da inclusão, equidade e justiça social.”

“Mas há muito caminho por percorrer, muitas conversas para ter, muita interdisciplinariedade por co-construir.” No congresso procurá-lo-emos, discutindo temas desafiantes e inovando na sua sustenatabilidade e na relação com a comunidade local, incluindo visitas a projectos e actividades a si abertas, como o festival de cinema Mente.morfose.

É que, “na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor (…) a psicologia tem hoje um capital de conhecimento e uma força de trabalho capaz de oferecer garantias, às cidadãs e cidadãos e aos governos, de actuação nas consequências dos problemas e acontecimentos de vida significativos das pessoas, mas também, a montante, nas causas (muitas delas sociais) desses problemas. Com responsabilidade, procuraremos, hoje, amanhã e depois, discutir como o podemos fazer melhor, com todas e todos. Com empenho e foco nas pessoas, procuraremos mobilizar a profissão para um presente e futuro que se afigura desafiante, em Portugal e no Mundo.”

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Estado da União 2022 – Saúde mental; pobreza e exclusão

“[O painel de cidadãos] incluiu uma nova iniciativa na saúde mental. Devemos cuidar melhor uns dos outros. E, para muitos que se sentem ansiosos e perdidos, um suporte adequado, acessível e “pagável” pode fazer toda a diferença.”

A passada semana trouxe-nos das instituições europeias duas notícias fundamentais a pensarmos o presente e futuro:

a) O discurso do Estado da União onde Ursula von der Leyen, a propósito da “resposta unida” da União a um conjunto de crises, fez esta declaração sobre uma nova iniciativa na saúde mental que discuti na minha intervenção no Fórum da TSF – Rádio Notícias (que partilho) no dia do discurso. Proposta que parte do painel de cidadãos da Conferência do Futuro da Europa (conclusões aqui) que, como assinalo, procura responder às crises sucessivas que vimos enfrentando (COVID-19, climática; sócio-económicas; …) que impactam as pessoas, particularmente as com maiores vulnerabilidades, ao condicionarem a previsibilidade, a sua percepção (e possibilidade) de controlo e as exporem a mais situações de precariedade, desemprego e exclusão associadas ao stresse, ansiedade e depressão. Iniciativa que resultando da pressão de cidadãs e cidadãos, assenta em três dimensões essenciais – melhor evidência científica disponível (adequada); ser contingente, rápida e acessível (acessível); ser equitativa e não deixar ninguém para trás (“pagável”) – mas que, por si só e mesmo minimizando-os, não resolve uma parte dos determinantes que concorrem para parte destes problemas;

b) Os dados do Eurostat sobre o risco de pobreza ou exclusão social que assinalam o agravamento da situação em Portugal que, de 2020 para 2021, passa do 13º para o 8º país da UE com maior percentagem de população (22,4%) nesta situação. Complementarmente à actuação “nas consequências”, é fundamental uma estratégia concertada nacional e internacionalmente que possa actuar sobre esta terrível realidade, com enormes consequências na saúde, bem-estar e na possibilidade de futuro e autodeterminação de pessoas e comunidades.

Numa e noutra situação, também como discuti no Fórum da TSF, é possível mudar. Pela pressão das pessoas, com novas iniciativas e atitudes em torno da saúde mental. Olhando para os 12 países da UE que, mesmo com a pandemia, progrediram na redução do risco de pobreza e exclusão social.

Finalmente, e também sobre isso reflicto na intervenção, fazê-lo é lutar contra o encerramento, a polarização e radicalização. É prevenir a irracionalidade, o ódio às outras e outros e a procura de soluções simplistas. É responder às necessidades e às legitimas expecativas das pessoas. Se o formos capazes de fazer, juntas e juntos, defenderemos as instituições e os valores democráticos, outra das importantes preocupações do discurso do Estado da União e outra das crises que vivemos, decisiva para no presente e para o futuro.

Fórum TSF – 14.09.2022 / https://www.youtube.com/watch?v=_MHNI2o6s4U

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A chuva voltou e o que aí vem…

A chuva voltou. Como que a relembrar o fim de mais um Agosto que desafia o conceito “silly season” (política). Se em 2020 estávamos nos primeiros 6 meses de uma “não-esperada” pandemia, com muitas incertezas, mas fortes consequências sócio-económicas; em 2022 estamos nos primeiros 6 meses de uma “não-esperada” Guerra, com muitas incertezas, mas fortes consequências sócio-económicas. Uma crise de saúde pública que acelerou transformações; uma crise humanitária, alimentar e energética, que se somam à crise climática e que aceleram transformações.

“O momento em que vivemos parece estar estruturado por uma série de crises graves (…) Acredito que aquilo que estamos a passar trata-se de uma grande mudança (…) o fim da abundância”. Excertos de um marcante discurso de E. Macron, em conselho de ministros, neste Agosto de 2022. Discurso em que apelou à “sobriedade voluntária” das pessoas face às limitações nas matérias-primas, energia e água.

Os próximos meses trarão uma realidade (de crise(s), de escassez de matérias-primas, de questionamento) que até há bem pouco tempo na Europa parecia temporalmente distante – do passado e de um futuro distante. Mas aqui estamos. Ouvimos Duarte Cordeiro anunciar medidas de racionamento para Portugal. Ouvimo-las em França ou na Alemanha.

Acontece, porém, que o “fim da abundância” só é possível para alguns (países) e algumas pessoas (dentro dos países) que vive(ra)m a “abundância”. Tal qual a “sobriedade voluntária” apenas é possível para alguns (países) e algumas pessoas (dentro dos países) que podem não ser “sóbrias”. “Abundância” que, também nestes países, não foi suficiente (mesmo que com melhorias) para erradicar a pobreza e, ainda menos, diminuir as fortes desigualdades (ver imagem).

Se a abundância não o permitiu, desafiante mas possível é, o seu fim, corresponder, como defendi em Agosto de 2021, a um “desacelerar, desapegar, diversificar, diminuir e reduzir a caminho de um menos que, conforme Adjaye preconiza, pode ser mais. De um menos que pode não apenas ser conciliável com o bem-estar, mas até seu gerador. De um menos que previne a desigualdade e iniquidade e que promove a partilha e a coesão social.” (“Menos”)

Macron também disse que “a nossa liberdade, o regime de liberdade no qual nos habituámos a viver, tem um custo”, sendo essencial que as políticas e as e os políticos respondam às pessoas, particularmente as com maiores vulnerabilidades.

Isso e que nunca esqueçamos que os melhores garantes de desenvolvimento sustentável e da possibilidade de bem-estar para todas e todos são um planeta viável, de paz e direitos humanos e sociedades democráticas, inclusivas e de equidade.

A mudança, por mais exigente que venha a ser, pode contribuir neste sentido. Assim nos unamos, queiramos e nos mobilizemos.

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Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade Psicologia Tomada de Decisão

Inflação e Insegurança Económica

Posto de escuta. A nova rúbrica do jornal PÚBLICO propõe-se partilhar “notícias fora do radar”. Na 2ªF (22.08) apresentou-nos a Afriski, a única estância de esqui de África, situada no Lesoto. Notícia duplamente contraintuitiva por não ser propriamente comum associarmos uma estância de esqui ao período de Verão que vivemos e ao Sul de África.

Li a notícia no dia que seguiu à publicação da peça da Catarina Silva na Notícias Magazine (21.08) intitulada “Guia para lidar com a ansiedade provocada pela inflação”. Tema menos contraintuitivo, diria, face ao momento que vivemos e viveremos e aos impactos do mesmo nas pessoas, particularmente nas com maiores vulnerabilidades sociais e económicas. Tema, no entanto, com uma nuance eventualmente mais contraintuitiva, considerando os significativos impactos da inflação e da crise sócio-económica potencial na população mais jovem, população a quem muitas vezes se atribui uma suposta “ausência de responsabilidade” que, existindo, poderia ser protectora dos seus impactos.

No meu contributo para a peça (que partilho), abordo esta questão específica também a propósito do impacto “da crise socioeconómica do início da década passada” na população mais jovem há época, com “impacto muito grande na ansiedade, depressão e noutros problemas de saúde mental” que ajudam a explicar porque chegamos ao período pré COVID-19 como um dos países da União Europeia com mais carga de doença mental. Foco, também, a associação desta situação à maior precariedade da população jovem e à fase de “criar bases, de tomar decisões, construir família, procurar casa” para concluir que “não me surpreende, assim, que sejam os jovens os mais impactados” por “mais uma crise que vem interromper o seu movimento de autonomia”.

Sobre (problemas de) saúde mental na população jovem volto a escrever em breve, reflectindo mais profundamente “os níveis de stress e ansiedade significativa” que na peça refiro, também, a propósito da “acumulação que vivemos e que inclui a Guerra na Ucrânia e as suas diversas consequências, mas também a crise com a COVID-19”. Acumulação de fenómenos que desafiam a previsibilidade e controlo, importantes ao bem-estar. Acumulação de fenómenos que pode acrescentar medo ao stress, impactando o sono, hábitos alimentares, a prática de actividade física ou conduzir a uma menor “propensão para nos relacionarmos com outras pessoas, numa espiral negativa”.

Contraintuitivamente ou não, nestes períodos, reforçar o autocuidado e o cuidado com outras e outros é algo protector. Como pode ser a “possibilidade de conversar com um/a profissional que dá algum sentido ao que a pessoa está a viver” pois, ao contrário do que muitas vezes consideramos, “a ajuda nem sempre necessita de ser algo muito prolongado no tempo”. Apoiemo-nos neste momento difícil, para que a ele melhor possamos resistir e nos adaptar, recordando outros momentos no passado em que já o fizemos e lutando por um futuro de maior possibilidade de bem-estar para todas e todos.

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Democracia Desafios da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Causa-Consequência…

“Uma pessoa quando pensa em problemas de saúde mental não pensa automaticamente em pobreza. São duas questões dissociadas, mas que vocês associam neste projecto. Interligam-nas. Com que objectivo?” Questão inicial que o Rodrigo Pratas me colocou em entrevista (Edição da Noite; SICNotícias; 12.08.22) a propósito da aprovação, em Conselho de Ministros, do reforço no Abono de Família e da Garantia para a Infância e com o intuito último de discutir a campanha “.Final à Pobreza”.

Entrevista 20 meses após aqui ter partilhado que uma das 100 medidas do programa de candidatura à Ordem dos Psicólogos Portugueses seria a implementação de “um programa de apoio e desenvolvimento profissional para o combate à pobreza e exclusão social”. Fi-lo em NOV2020, afirmando que, conforme refere Wallace-Wells em “A terra inabitável”, “a postura intelectual da impotência é sempre uma boa desculpa” mas “porque a rejeito e porque rejeito que nos puxem para trás, advogo uma Psicologia a responder com excelência a desafios micro, junto das pessoas nos seus contextos e acontecimentos de vida significativos, mas também macro.

Respondi que o https://finalapobreza.pt servia “desde logo para que se compreenda melhor esta relação causa-consequência” e a pobreza “enquanto um dos principais determinantes não apenas da saúde mental mas da saúde no global” (…), altamente condicionadora daquilo que são a dignidade humana, a capacidade das pessoas se cumprirem, florescerem.” Disse, ainda, ser “importantíssimo que a OPP e as psicólogas e psicólogos portugueses se associem a um esforço nacional de tornar o combate à pobreza um grande desígnio, como previsto na estratégia nacional de combate à pobreza” [eixo f].

Na entrevista, que partilho, afirmei os 4 domínios de contributo do projecto (profissão, sociedade civil, decisoras/es e cooperação), além dos impactos das sucessivas crises nas pessoas e comunidades. Discuti como os problemas de saúde mental da população contribuem para que em Portugal seja difícil sair (geracionalmente) da pobreza sem apoios sociais, o que faz com que devamos, naturalmente, reforçar apoios sociais, mas também as condições psicológicas da população, se quisermos ser eficazes. Finalmente, aprofundei essa necessidade de reforço do apoio e a necessária e possível complementaridade entre respostas mais remediativas e respostas preventivas/promotoras, fundamentais para o futuro do país e para, enquanto pessoas, famílias e comunidades, lidarmos melhor com a adversidade no presente e futuro.

Conforme também havia escrito, advogo “uma psicologia activista no combate à pobreza e à exclusão”. Espero que este possa ser um contributo e estímulo para que mais pessoas e mais psicólogas e psicólogos se envolvam neste fundamental desígnio: contribuir para um “. final à pobreza”.