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Avó.

Hoje perdi a minha avó. A minha “última avó”, depois de perder os meus avôs e a minha outra avó.

Tínhamos 51 anos de diferença, quase tantos quantos os anos que a Constituição hoje cumpre. Uma curiosidade que, creio, não esquecerei.

Porque é demasiado simbólico. Ela nunca teve a oportunidade de, como eu, de como nós, aprender a ler e escrever. Sim, de aprender a ler e a escrever. Sabia, no entanto, muito, fez muito, trabalhou – sempre – muito. É muito responsável, também e a par dos meus pais e deste nosso país, pelas oportunidades muito diferentes das dela – e das dos meus pais – que tive e que ajudaram a construir-me conforme parte de vós me conhece. No que de menos bom tenho e sou mas, também, no que de bom terei, serei e procuro fazer e contribuir.

Lembro-a, muito. E em particular nestas areias na Nazaré, anos e anos junto daquela bola Nivea e quando amealhava todo o ano para poder levar os netos – todos os netos – aqueles dias do ano, de férias. De férias para nós porque, também ali, ela, todos os dias, trabalhava, trabalhava, trabalhava no que mais próximo de umas férias ela aspirou.

Viva à minha avó e a tantas avós deste país.

Viva a Constituição e o caminho que – apesar de todas as dificuldades e do que podemos, enquanto país, ainda melhorar – fizemos.

Que não nos esqueçamos. Como eu não me esquecerei de ti, avó.

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Uma salva de palmas…

Alguma vez se perguntaram pela história da letra – parte do imaginário coletivo – conforme habitualmente em Portugal, em português, cantamos a melodia do “Parabéns a você”?

Hoje penso nisso porque, para mim (para nós), passam 11 anos de um daqueles (não muitos) momentos em que podemos verdadeiramente dizer que passa a existir um antes e um depois. Neste meu e nosso caso, um AB e DB, a juntar ao AC e DC.

Mas a letra… Recuemos a 1942 e a um concurso da Rádio Tupi do Rio de Janeiro que levou 5000 pessoas a proporem letras em português para a melodia do “Happy birthday to you”. Bertha Celeste Homem de Mello, uma professora, poetisa e farmacêutica venceu e pôs milhões, de geração em geração, a cantar a quadra que propôs: “Parabéns a você | nesta data querida | muita felicidade | muitos anos de vida”, com uma ligeira variação no Brasil (“Parabéns pra você”) e em Portugal (“muitas felicidades”).

Era e é uma letra mais personalizada, próxima e envolvente face à original. Mais comunitária pelas “almas” que se reúnem para a cantar e celebrar o “dia de festa”. Letra que me faz evocar outro aniversário e o evento que há duas semanas o celebrou.

Falo do 57º aniversário (30º enquanto Fundação Comunitária) da Fundação CEBI, uma referência (exemplo, inspiração, …) no papel das Fundações Comunitárias na organização e tentativa de resolução dos desafios das comunidades, a partir e com a participação das próprias comunidades.

Falo do aniversário e da oportunidade que me foi dada de, representando a Fundação Mendes Gonçalves, participar na mesa-redonda “Futuro das Fundações Comunitárias em Portugal” com o Ricardo Garcia (Centro Português de Fundações), @Jaime Ramos (Fundação ADFP) e Eduardo Graça (CASES) com moderação do Luís Ferreira Lopes.

No meu contributo – além de enquadrar a Fundação Mendes Gonçalves e a sua visão de filantropia de proximidade a partir da vontade/generosidade do seu Fundador (Carlos Goncalves) e reforçar a importância do espaço e do enquanto o micro (da realidade personalizada, com os nomes das pessoas) dos desafios mais macro das sociedades – destaquei: a) o papel que as fundações comunitárias podem ter em respostas sociais mais eficazes, eficientes, personalizadas, na promoção da inovação social e na progressiva valorização e melhor perceção de todo o sector filantrópico pela maior confiança das comunidades nas Fundações Comunitárias; b) como podem contribuir para a resiliência das comunidades, para os seus processos de adaptação a novas realidades ou para a agilização da resposta a situações de catástrofe; ou c) como é fundamental para o futuro aumentar a diversidade, incluindo de pessoas mais jovens, nas equipas dirigentes, como forma de aumentar a representatividade, aproximar as respostas dos públicos e capacitar a sociedade civil para novas formas de intervenção e contributo para as comunidades.

E… Para a menina CEBI – e para o conjunto de Fundações que dão um importante contributo para as comunidades – uma salva de palmas.

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Dois Eventos um mote: Criar Comunidade

Criar confiança, segurança, comunidade. Na mesma semana pude participar e intervir em dois eventos que, tratando de contextos e focos claramente diversos, tinham como resposta central aos desafios que tratavam estas três poderosas palavras-chave ao bem-estar na contemporaneidade. Confiança. Segurança. Comunidade.

O primeiro (11.11), um painel em torno da “Inovação territorial no Ribatejo: parcerias e soluções para o território do futuro” onde, com o João Cascalheira e o Paulo Gonçalves e no âmbito do Encontro Fidelidade Comunidade – Edição Centro-Sul) (obrigado pelo convite e confiança, Teresa Ramalho e toda a equipa), reflectimos sobre como a as parcerias e as redes de inovação e partilha são fundamentais para “aproximar, valorizar e transformar as comunidades locais”, conforme o mote do Encontro. Discutimos, no fundo, como a criação de rede e comunidade entre organizações é fundamental para, sucessivamente, desenvolver e implementar práticas que respondam aos desafios específicos de cada território e, nesse sentido, para contribuirem para (criar) comunidades mais resilientes e preparadas para os seus desafios individuais e colectivos.

O segundo (13.11), um painel intitulado “Navegar na Incerteza: Construir Confiança em Tempos de Mudança | Transformar a ansiedade em ação positiva e criar culturas resilientes” enquadrado no 3º Encontro da “Aliança Portuguesa para a Promoção da Saúde Mental no Trabalho” (obrigado pelo convite e confiança, Filipa Palha e toda a equipa). Também aqui discutimos a importância do alinhamento de valores, da versatilidade, do desenvolvimento pessoal e profissional enquadrados, sempre, nas dimensões da comunicação, da relação, da confiança e da segurança (incluindo a psicológica). Discutimos, no fundo, a criação, também, de comunidade, neste caso nas organizações e da sua relevância em tempos e contextos de maior incerteza, desafio e mudança.

Num e noutro momento esta ideia simples, mas decisiva, de criarmos (mais) comunidade também para resistirmos a um “tempo e ambiente de feição” ao ressentimento, ao afastamento e individualismo, à polarização. Comunidade… Na nossa vida pessoal e nos nossos territórios. Na nossa vida profissional e nas nossas organizações e equipas. Na nossa sociedade, também porque…

…”A minha humanidade está intrinsecamente ligada à tua e, por isso, eu sou humano porque pertenço, participo e partilho de um sentido de comunidade”. Disse-o Desmond Tutu, sintamo-lo verdadeiramente e que possamos agir na construção deste sentir e sentido de comunidade.

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“Não negue à partida uma ciência que não conhece.”

“Não negue à partida uma ciência que não conhece.” Imagino que parte das pessoas que me lê tenha presente no seu imaginário esta expressão. Usada por Alcina Lameiras, no momento áureo do esoterismo via linhas de valor acrescentado e/ou televendas, peca(va) pela referência à ciência face a práticas não científicas mas tem uma base que creio devermos considerar – não negarmos algo (apenas) porque não conhecemos.

Interessarmo-nos, conhecermos, compreendermos os fenómenos e dinâmicas que decorrem ao nosso redor e que têm impacto nas nossa vidas, nas vidas de outras e outros (pais, mães, irmã(o)s, pares, filhas/os) e na comunidade de que fazemos parte. Um exemplo: a nossa relação com a tecnologia e como isso influencia a relação das nossas filhas e filhos com smartphones e outros dispositivos com impacto no estabelecimento e dinâmica das relações (sociais), na comunicação e no acesso e partilha de informação.

Em concordância com a ideia de ser necessário que conheçamos e compreendamos, a direcção do Agrupamento de Escolas Fernado Casimiro Pereira da Silva (Rio Maior), a par da sua equipa de psicólogas (obrigado Tania Santos pela confiança) organizou o debate “Ligações Reais”, para o qual teve a amabilidade e gentileza de me convidar a partilhar reflexões. Do seu conjunto, partilho convosco quatro:

1) Persiste o desafio – comum a outras situações – de estabelecer ligações causais entre a utilização excessiva de dispositivos electrónicos e condições na área da saúde mental/outras dificuldades (resultados académicos, …). Há, no entanto, dados abundantes que associam o menor e o maior tempo de utilização a condições de saúde mental e outros indicadores negativos e recomendações internacionais insuficientemente cumpridas (desde logo, a não exposição de bebés a ecrãs de proximidade);

2) A forma como as importantes aplicações de controlo de utilização por parte das/os cuidadores têm algum “ricochete” na menor capacidade de auto-regulação das crianças/jovens;

3) A necessidade diminuir a exposição a ecrãs / redes sociais nos períodos nocturnos, considerando a importância do “descanso” e processamento emocional e o impacto nas alterações no sono, problema que parece agudizar-se nas crianças e jovens com múltiplas e significativas consequências negativas;

4) Finalmente, outro “ricochete”. Devemos, enquanto sociedade, reflectir sobre os limites da privacidade e a forma como, o facto de muitas vezes as/os cuidadoras/es advogarem-se do direito de tudo ver nos dispositivos das crianças/jovens para as/os proteger, poder passar uma mensagem incorrecta sobre a não-necessidade e direito à privacidade, com reflexos nas relações e, particularmente, em dimensões de violência nas relações e no namoro.

Esta última, um pouco em contraciclo com o que naturalmente poderíamos esperar em gerações onde os direitos humanos e a igualdade de género poderiam estar mais “inscritas”.

Urge discutir estes temas e os seus impactos. Os que já sentimos. Os que viremos a sentir.

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Entrevista Psis21 | VI Congresso OPP/XIII FIAP

 

“Um congresso que foi um ponto de encontro.” Expressão destacada da entrevista para a Psis21 da Ordem dos Psicólogos Portugueses sobre o privilégio (e responsabilidade) que foi para mim presidir à Comissão Organizadora (CO) do VI Congresso da OPP/XIII da FIAP.

Partilho abaixo o link mas, permitam-me antes três reflexões:

. Sobre mim e o Congresso: Fiz parte dos 6 Congressos OPP em momentos da minha vida bem distintos. Em 2012 (1º) fui voluntário de apoio às salas (lembram-se da intensidade desse congresso?) e apresentei uma comunicação livre. Em 2014 fiz parte da CO sendo responsável por dimensões operacionais. Em 2016 e 2018, enquanto COO da OPP, trabalhei na sua coordenação operacional. Em 2022, já no meu papel na direcção da OPP, e em 2024, em jeito síntese deste meu contributo, presidindo à CO.

. Sobre o Congresso: Foi, de facto, momento de encontro e relação, de construção de identidade e celebração de uma profissão (e ciência) que tem feito um caminho extraordinário. Digo-o eu e disseram-no diversas pessoas no congresso, incluindo o Sr. Presidente da República. Um congresso com equilíbrio financeiro, apesar das exigências colocadas com a sua realização no CCB. Congresso que se extendeu a toda a região da grande Lisboa, com 400 participantes a realizarem visitas a projectos. Que acolheu, envolveu e valorizou as e os psicólogos mais jovens. Que reforçou a colaboração com a American Psychological Association, com a organização conjunta da conferência “Mind, Technology and Societey” e com uma extensa comitiva que visitou instituições em Lisboa e Porto. Um congresso a enaltecer o dinamismo e qualidade da ciência psicológica, incluindo a fundamental (tão relevante e por vezes tão “esquecida”), e o papel da psicologia nos principais desafios societais.

. Sobre a Revista: A sublinhar este contributo nos desafios societais. Leiam, sintam, espero, orgulhem-se… A coluna verde, da Telma Miranda a Carolina Garraio. A Sofia Athayde e como a psicologia contribui em papéis de gestão (pública) e decisão (política). Leiam a Andreia Ferreira sobre o seu ano profissional júnior de excelência. Leiam a Ana Fraga Silva, provedora das/os psicólogas/os júnior. A Edite Queiroz sobre psicologia e política. A Cristina Mendes Santos, prémio Mental Health 2024 (parabéns, Cristina). O Americo Nave sobre o Prémio Nacional de Psicologia 2024 da CRESCER (abraço, Américo e equipa). O Francisco Miranda Rodrigues em entrevista resumo de um percurso de profundo contributo para a OPP, para a profissão e para a sociedade (obrigado, Francisco). Leiam a Margarida Gaspar de Matos, a Filipa Maló Franco, o Hugo Fernandes e o Ricardo Almeida sobre justiça integeracional e os presidentes das DR em modo balanço.

Leiam, sintam, espero, orgulhem-se. Eu dei o melhor de mim. Senti. Sinto. Orgulho-me.

Entrevista/Vídeo: https://online.fliphtml5.com/PSIS21/qjuo/?utm_source=e-goi&utm_medium=email&utm_term=PSIS21+%2333…+EM+30+SEGUNDOS&utm_campaign=Ordem+dos+Psicólogos+Portugueses#p=29

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Os contactos laborais fora do horário de trabalho: Um elogio ao limbo

“…Sempre me fascinou, pelo seu lado simbólico, a forma como a igreja católica durante séculos resolveu a dissonância resultante da impossibilidade de acolhimento no céu de um bebé ou criança sem baptismo pela referência ao limbo, um lugar intermédio, de suspensão entre o céu e o inferno (…) Quando em 2007 essa interpretação se alterou, “o fim do limbo correspondeu a uma outra forma de resolução da dissonância”. No artigo, sugiro, porém e noutra área (laboral), “que seja a introdução do limbo uma outra forma de resolução de uma dissonância.”

“Os contactos laborais fora do horário de trabalho: Um elogio ao limbo”, 96º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista SÁBADO) trata “a nossa intenção de “despacharmos” assuntos, ainda que não urgentes, muitas vezes problemas, de nós para outras/os face a sabermos que não o devemos fazer em períodos em que essas outras e outros não estão em horário de trabalho.”

Sublinha que a “forma tradicional de se resolver esta dissonância – quando existente porque em culturas organizacionais com poucos limites nem chega a existir – é a racionalização que se a outra pessoa está fora do horário de trabalho “não irá ver” essa informação/comunicação ou, numa alternativa mais sofisticada, “se vir não era a isso obrigada e foi porque assim desejou”.

Ora, no artigo convoco “o limbo como uma outra forma, mais positiva creio, de resolver a presente dissonância.”

“A possibilidade de, de facto, “despacharmos” o trabalho, muitas vezes os problemas, de nós, porque o consideramos importante para nós, mas não os enviarmos nesse momento para outras pessoas, quando fora do seu horário de trabalho. Ferramentas simples como programar envios de emails ou de outras comunicações (face a enviar imediatamente) ou agendar reuniões onde se parte de um memorando já feito, mas que aguarda feito por esse momento para ser comunicado, ajudam nesse sentido e são um importante contributo que, se todos adoptássemos mais, apoiaria significativamente a possibilidade de conciliação de todos”.

“Seria um movimento de responsabilidade partilhada e de respeito de quem envia a mensagem ou comunicação não expor quem a recebe, ao mesmo tempo prevenindo a possibilidade de quem a recebe voltar a enviar para outra pessoa ou mesmo para quem inicialmente enviou, entrando-se num ciclo que (inter)fere (com) a saudável divisão entre tempo e espaço pessoal e familiar e laboral e que pode determinar a cultura de uma organização, estimulando a que diferentes pessoas na organização sintam que o correcto será contribuir para esse comportamento e ciclo.”

Creio que “podemos todos beneficiar de introduzir mais limbo e limbos nas nossas comunicações em contexto laboral. Podemos todos beneficiar do tempo e espaço que esse limbo nos dará estando mais disponíveis para nós, para nos compreendermos melhor e para compreendermos melhor o que e quem nos rodeia. Para sermos mais pessoa e, assim, mais e melhores profissionais. Para contribuirmos para um Mundo melhor para todos.”

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The Handbook of International Psychology

Estou certo que em algum momento já se cruzaram com uma das múltiplas e variadas possibilidades de utilização da frase “quem só de x sabe, nem de x sabe”. Abel Salazar fez dela lema para a medicina, conforme a compreendia, defendia, praticava. Julgo-a útil também a quem procura compreender, defender e praticar a psicologia.

Mas mais. Além da ligação entre ciências e saberes que procura suscitar, diria merecer ser complementada, hoje e num momento de maior complexidade, não linearidade e não isolamento a determinado local/território dos principais desafios societais, com uma dimensão contextual: “quem só sabe de x em y, verdadeiramente não sabe de x.”

É esta a matriz base do “The Handbook of International Psychology” que procurar “narrar a disciplina da psicologia, à medida que ela evolui em diferentes regiões, a partir da perspectiva daqueles que vivem e trabalham nos países sobre os quais escrevem”. A segunda edição, editada pela Routledge Taylor & Francis Group e a partir de hoje em pré-venda (link abaixo), compreende capítulos que descrevem e tratam mais de 100 países, organizados por região e continente.

A partir de um convite das e dos editores (Merry Bullock, Michael Stevens, Danny Wedding e Amanda Clinton, Ph.D.), eu, a Carolina Garraio, a Telma Miranda e a Sofia Ramalho dedicamo-nos a escrever aquele que é o capítulo do Handbook sobre Portugal.

Procura reflectir uma visão mais geral da evolução história e da participação e contributo para a sociedade portuguesa da psicologia, bem como questões relacionadas com a formação e treino de psicólogas e psicólogos em Portugal, organização da profissão, dimensões relacionadas com a investigação e a ciência psicológica e, ainda, perspectivas e desafios para o futuro da psicologia em Portugal.

Foi escrito por quatro psicólogas/os, de três diferentes gerações, que têm em comum a forma como pensam o presente da psicologia e como imaginam o futuro, na perspectiva em como pretendemos contribuir para que seja melhor e mais fácil para quem se nos segue, como o presente o é face ao passado, pelo contributo inestimável das enormes figuras que co-construíram o edifício da psicologia em Portugal que temos hoje, em momentos em que era ainda mais desafiante e duro face ao que é hoje (e, espero, seja amanhã) ser-se psicóloga/o em Portugal.

Uma palavra de agradecimento à Carla Moleiro, ao Daniel Rijo, ao Gün Semin, à Luisa Faria, à Maria Paula Paixão, à Paula Mena Matos e ao Telmo Mourinho Baptista por toda a colaboração na recolha de informação para este nosso contributo para um livro que, conforme Lori Foster e Christine Roland-Lévy referem, procura “captar a essência da psicologia global” e “compreender as dimensões internacionais da psicologia e das diversas formas como a profissão está organizada”.

Link para Pré-Venda: https://www.routledge.com/The-Handbook-of-International-Psychology/Bullock-Stevens-Wedding-Clinton/p/book/9781138925120?srsltid=AfmBOooUbElXBJvS-zxKc5B04D8i5QlI7q58O6HjdP8ODo-seZR-U2xJ

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Psicadélicos: Para quê e para quem

Na sexta-feira, a convite da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses (obrigado Renato Gomes Carvalho e toda a equipa pela confiança, pelo excelente evento e pelo que ele significa do vosso dedicado trabalho), realizei uma intervenção no Congresso das/os Psicólogas/os da Madeira sobre os contributos da psicologia para a compreensão (e mitigação) de fenómenos como a polarização e o extremismo. Intervenção desafiante também pelo momento, temática e carga emocional associada.

Nela sublinhei o paradoxo dos instrumentos da prática da psicologia e da ciência psicológica serem utilizados, simultaneamente, para a promoção da solidariedade e da perspectiva mas também para a manipulação e condicionamento, para a desinformação ou para a promoção da empatia (a propósito do papel fundamental da empatia nas dimensões sociais e políticas aconselho este excelente artigo do Pedro Adão e Silva ontem no Público: https://www.publico.pt/2024/10/20/opiniao/opiniao/declinio-empatia-risco-democratico-2108621).

Nela defendi que ao afastamento (polarização) devemos contrapor com o reforço da cooperação, dos diálogos construtivos e do reconhecimento.

Elementos que considero fundamentais e de coesão, particularmente em debates e temas que, por razões diversas (históricas, ideológicas, de estigma ou preconceito) podem ser divisivos.

Por isso, e porque passa amanhã um mês, aqui regresso para partilhar o vídeo-resumo de um debate com muito das características do que atrás refiro: “Psicadélicos: Para quê e para quem?”, organizado pela SafeJourney a propósito do livro “Psicadélicos em Português”, escrito pelo Pedro Teixeira, PhD e editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Debate moderado pelo José Maria Pimentel, em que estive com o Fernando Alvim, a Joana Bértholo, o Joaquim Evangelista e o Pedro Marques Lopes e onde, entre outros, procurei sublinhar:

a) A importância da participação da psicologia na investigação em curso e no debate sobre as potenciais utilizações dos psicadélicos, particularmente no que se refere à doença mental e aos processos de desenvolvimento;

b) Uma ideia de não conformismo que, creio, enquanto cidadãos e profissionais devemos ter perante o sofrimento e, especificamente, na procura de respostas seguras, eficazes e assentes em evidência para problemas que se demonstram resistentes a outras intervenções/tratamentos;

c) O não sucumbir a convenções e, quando a evidência científica o suporta, ousar contribuir para debates que apontem à “transformação social” visando maior equidade e possibilidade de autodeterminação, conforme aconteceu com a participação da psicologia em debates como os da homoparentaliade e co-adopção por casais homossexuais ou da utilização de telemóveis nos espaços escolares, para dar apenas dois exemplos.

Um debate estimulante, importante e que, julgo, merecedor de atenção e de ser continuado.

Vídeo-Resumo: “Psicadélicos: Para quê e para quem”

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Eleições OPP

Foram recentemente publicadas as 3 listas candidatas às eleições da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Sou candidato da lista “Mais Ordem, Mais Profissão”, liderada pela Sofia Ramalho, candidata a Bastonária.

A Sofia, além de uma notável colega, é minha companheira de percurso (aquando das minhas funções de COO da OPP e, hoje, juntos na sua Direcção) e uma amiga, muito próxima. É uma pessoa muito importante para mim e para o que hoje sou. Vivemos momentos significativos e com ela aprendi (aprendo) muito.

Por conhecer bem as suas capacidades humanas e profissionais e os seus valores e por ela conhecer bem a realidade da profissão, das/os psicólogas/os (das/os mais jovens às e aos mais experientes), da OPP e suas equipas e das suas relações de colaboração em Portugal e no Mundo, confio muito nela para nos representar, com a equipa plural e coesa que apresenta.

Confio que continuará(ão) – inovando e aprofundando – um caminho iniciado ainda antes da criação da OPP que tem, não sem erros, certamente, e, particularmente, não sem desafios e dificuldades, sido muito bem sucedido, com contributo de todos os profissionais nos seus locais de trabalho e centenas com funções na OPP, primeiro sob a liderança do Telmo Mourinho Baptista, hoje do Francisco Miranda Rodrigues. Caminho de afirmação, autonomização, capacitação, mobilização e valorização da psicologia e das/os psicólogas/os, de um relevante contributo da ciência e prática para os principais desafios das pessoas e da sociedade e de reconhecimento e confiança na OPP.

Da minha parte ela contará com o meu apoio e contributo e as psicólogas e psicólogos, caso me confiem esse papel, contarão com o meu compromisso na Assembleia de Representantes, órgão para o qual sou 1º candidato (Região Sul) de uma equipa que considero de excelência. Tal como considero a da Direcção Nacional e as equipas lideradas pela Ana Paula Alves, Carla Fernandes, Gaspar Ferreira, Marco Santos e Sérgio Viana, respectivamente para a Delegação Regional da Madeira, Sul, Norte, Açores e Centro; pelo Jaime Ferreira da Silva, Miguel Ricou e Sofia Mendes para os Conselhos de Especialidade de Psicologia do Trabalho, Social e das Organizações, Clínica e Saúde e Educação e o Fernado Barbosa, a Maria Conceição Matos e as Teresa Jesus e Ana Nascimento Sabino do Conselho Jurisdicional, Fiscal e de Supervisão.

Espero que as/os psicólogas/os se envolvam e contribuam com propostas e com as necessárias críticas a este processo. Mobilizem-se e mobilizem outras/os para que comecemos 2025 com uma equipa na OPP preparada e capaz de responder aos desafios da profissão e sociedade. Que confiem na Sofia e na equipa que lidera. Ela merece-o.

Ps. A foto que partilho não é a nossa melhor… Mas é profundamente simbólica pelo momento e local (sede da UNICEF). Lembra o que partilhamos sobre os primeiros mil dias e primeira infância, a equidade e sobre a amplitude do nosso papel, do macro ao micro, nos múltiplos contextos, no bairro, comunidade, país e Mundo.

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JO 2024

Ontem a judoca Patrícia Sampaio fez história e ganhou a primeira medalha dos Jogos Olímpicos de Paris de 2024 para Portugal. Isto horas depois de Ana Cabecinha, após concluir na última posição os 20km de marcha, dizer que “foi o que se conseguiu arranjar” porque “a melhor medalha está fora deste percurso”.

Que muito “conseguiu arranjar” quando termina uma prova particularmente dura, três meses após ser mãe (receber a tal medalha). Mas, sabem qual o clube e onde treinam a terceira classificada dos Jogos Olímpicos de 2024 na sua categoria de judo e uma atleta que cumpriu 5 Jogos Olímpicos com três top-10 na Marcha?

É. Faltam “os grandes”, particularmente do futebol. Mas o Desporto, e com ele os Jogos, são isso mesmo.

Anteontem emocionei-me ao ver um jovem, natural da pequena aldeia onde nasci e onde parte da minha família vive, realizar uma extraordinária prova de triatlo e terminar, como a enorme foto de José Sena Goulão (LUSA) demonstra, abraçado ao colega, companheiro e amigo Vasco Vilaça que terminou imediatamente antes dele.

Falo do Ricardo Batista. Formou-se e compete pelo Clube de Natação de Torres Novas, clube que muito me deu e continua a dar. Lá atrás, quando ano após ano lá treinava e competia. Lá não tanto atrás, quando, por via de uma touca do Clube, me deu oportunidade de reencontrar uma pessoa e (re)iniciar uma importante amizade para mim e para a minha família próxima.

Viva o Desporto;

Viva os Jogos;

Viva as e os atletas;

Viva os pequenos lugares tão parte do Mundo como quaisquer outros lugares;

Viva a amizade!