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Psicadélicos: Para quê e para quem

Na sexta-feira, a convite da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses (obrigado Renato Gomes Carvalho e toda a equipa pela confiança, pelo excelente evento e pelo que ele significa do vosso dedicado trabalho), realizei uma intervenção no Congresso das/os Psicólogas/os da Madeira sobre os contributos da psicologia para a compreensão (e mitigação) de fenómenos como a polarização e o extremismo. Intervenção desafiante também pelo momento, temática e carga emocional associada.

Nela sublinhei o paradoxo dos instrumentos da prática da psicologia e da ciência psicológica serem utilizados, simultaneamente, para a promoção da solidariedade e da perspectiva mas também para a manipulação e condicionamento, para a desinformação ou para a promoção da empatia (a propósito do papel fundamental da empatia nas dimensões sociais e políticas aconselho este excelente artigo do Pedro Adão e Silva ontem no Público: https://www.publico.pt/2024/10/20/opiniao/opiniao/declinio-empatia-risco-democratico-2108621).

Nela defendi que ao afastamento (polarização) devemos contrapor com o reforço da cooperação, dos diálogos construtivos e do reconhecimento.

Elementos que considero fundamentais e de coesão, particularmente em debates e temas que, por razões diversas (históricas, ideológicas, de estigma ou preconceito) podem ser divisivos.

Por isso, e porque passa amanhã um mês, aqui regresso para partilhar o vídeo-resumo de um debate com muito das características do que atrás refiro: “Psicadélicos: Para quê e para quem?”, organizado pela SafeJourney a propósito do livro “Psicadélicos em Português”, escrito pelo Pedro Teixeira, PhD e editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Debate moderado pelo José Maria Pimentel, em que estive com o Fernando Alvim, a Joana Bértholo, o Joaquim Evangelista e o Pedro Marques Lopes e onde, entre outros, procurei sublinhar:

a) A importância da participação da psicologia na investigação em curso e no debate sobre as potenciais utilizações dos psicadélicos, particularmente no que se refere à doença mental e aos processos de desenvolvimento;

b) Uma ideia de não conformismo que, creio, enquanto cidadãos e profissionais devemos ter perante o sofrimento e, especificamente, na procura de respostas seguras, eficazes e assentes em evidência para problemas que se demonstram resistentes a outras intervenções/tratamentos;

c) O não sucumbir a convenções e, quando a evidência científica o suporta, ousar contribuir para debates que apontem à “transformação social” visando maior equidade e possibilidade de autodeterminação, conforme aconteceu com a participação da psicologia em debates como os da homoparentaliade e co-adopção por casais homossexuais ou da utilização de telemóveis nos espaços escolares, para dar apenas dois exemplos.

Um debate estimulante, importante e que, julgo, merecedor de atenção e de ser continuado.

Vídeo-Resumo: “Psicadélicos: Para quê e para quem”

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