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Coerentemente incoerente.

Enquanto se aguarda um parecer, mantém-se agendado para 6ªF o debate na AR do PL144/XIV (Chega) que visa o “agravamento de penas em situações de abuso sexual de menores” e a “criação da pena acessória de castração química”.

Sendo “excepcional o poder de rejeição de iniciativas”, como refere o presidente da AR, é inquietante que não exista maior sobressalto na sociedade a este propósito.

Senão vejamos:

a) O PL refere “números avassaladores deste tipo de criminalidade” / “tendo esta prática obtido resultados muito satisfatórios no combate ao tipo de criminalidade” sem dados/fontes que o sustentem;

b) Aborda o ex. francês não referindo que a legislação o admite mas dependendo da autorização do próprio;

c) Não sendo jurista, creio óbvio que viola claramente princípios da integridade e da limitação das penas existentes em Portugal.

Este PL é exemplar na exploração da percepção / emoção da pessoa contra a factualidade, ‘cavalgando´ instintos de medo, generalização ou urgência; Anna Rosling Rönnlund.

André Ventura fá-lo recorrentemente, contra a ciência e os direitos. Tal como sugere que uma colega deputada seja “devolvida ao seu país de origem” e, simultaneamente, considera existir um “conluio antidemocrático” dos que se opõem à discussão deste PL.

Pode alguém ser coerentemente incoerente?

Pode.

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Qual será o átomo da sociedade?

Trabalhei muito recentemente um documento que partia desta pergunta, feita reflexão em mim.

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) a discriminação?

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) violências múltiplas?

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) a iniquidade?

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) a desconfiança? A desinformação?

Creio simples que tendamos a responder que são as políticas, as tomadas de decisão, os exemplos. Factores externos a nós. Creio, no entanto, que sendo estes factores muito relevantes (na prevenção / promoção de determinados comportamentos), são-no em muito também pelo que influenciam na narrativa que construímos sobre o nosso comportamento, narrativas decisivas ao comportamento futuro. Pelo que entendo que a resposta está mesmo no comportamento.

O comportamento, multifactorialmente determinado.

O comportamento, onde a história, as experiências e as narrativas de cada pessoa tanto pesam.

O comportamento, que contagia, que se reforça, tendendo a norma na pessoa, no grupo, na sociedade.

Que estudemos, que percebamos o comportamento.

O comportamento, como átomo da sociedade.

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Futuro da Psicologia Psicologia Uncategorized

Psicologia – 10 trends to watch in 2020

“Se eu vi mais longe foi por estar sobre ombros de gigantes”.

Há mais de 300 anos, Isaac Newton escrevia-o numa carta a R.Hooke, partilhando do pensamento atribuído a B.Chartres (séc.XII) e afirmando a sua visão da ciência como uma construção colectiva.

Tenho esta frase sempre presente em mim. Hoje pensei nela ao ler as “10 trends to watch in 2020” da Psicologia publicadas na Monitor deste mês,revista da American Psychological Association.

Mas recuemos a Agosto de 2003 quando ainda estudante me inquietava a escolha de área que teria que efectuar no ano lectivo seguinte, preocupação creio comum a muitos dos hoje Psicólogos. Nesse mês realizou-se a 111ª Convenção da APA, onde a Suzanne Johnson (em 2019 esteve na Ordem dos Psicólogos Portugueses para um workshop na área da Diabetes) participou num simpósio sobre a prática da Psicologia em 2020.

Aí discutiu-se o futuro papel das alterações demográficas, da tecnologia, da alteração de perfil dos consumidores e da prestação de serviços na área da saúde e respectivos impactos na prática da psicologia.

Ora, as tendências agora publicadas ‘sobre ombros de gigantes’ são, além de responsivas a desafios emergentes na sociedade, um ‘ver mais longe’ do aí discutido. Obrigado à APA. Trends aqui: https://lnkd.in/gfah8WG