Terminou na 6ªF o 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses. Com o mote “Tempo da Psicologia”, cerca de 1500 pessoas, parte significativa psicólogas e psicólogos, encontraram-se em Aveiro para discutirem, reflectirem e pensarem conjuntamente o país e o Mundo, nos seus desafios e complexidades, e os contributos da ciência e prática da psicologia para as pessoas e sociedade. Eu fui mais uma dessas pessoas.
Entre outros contributos (que aqui discutirei noutro momento), participei/dinamizei três iniciativas dedicadas ao complexo desafio societal da pobreza e, de certa forma, associadas ao projecto https://finalapobreza.pt: uma conversa com a @Maria João Marques que cruzou Economia e Psicologia – “Pobreza: um círculo vicioso ou viciado?”; a apresentação/moderação do keynote do @Eldar Shafir – “A pobreza e a escassez mental”; a sessão prática de recolha de contributos para a estratégia “.Final à Pobreza”.
Além do significativo de podermos num congresso da OPP aprofundar o tema, a presença no Congresso do @Eldar Shafir resultou em importantes peças na comunicação social que permitiram que o tema pobreza, normalmente pouco saliente por pouco glamoroso (como a @Maria João Marques bem definiu), fosse abordado e notícia: “Há algo cómico quando nos preocupamos com o bife que um pobre come” (@PÚBLICO) ou “A mentalidade da escassez ou como um bom cockpit faz um bom piloto” (@CNN Portugal).
Destes três momentos, e das conversas sucessivas, guardo cinco reflexões: a) A ciência, só por si, não é suficiente pois, a cada vez mais clara percepção das causas e das consequências da pobreza, não tem sido suficiente na mudança de percepção da sociedade sobre o fenómeno e na definição de políticas (públicas); b) À (promoção da) mudança individual pelas psicólogas e psicólogos é fundamental associar-se a (promoção da) mudança societal; c) É fulcral reforçarmos o contributo da psicologia na dimensão macro do fenómeno da pobreza e, não apenas, nos impactos da mesma no micro observado nas diversas áreas de intervenção da psicologia; d) Outras áreas científicas reconhecem cada vez mais e melhor o contributo da psicologia e, pessoas e sociedade, “exigem-lhe” um contributo maior; e) Além de justo, é possível solucionar este complexo desafio. É possível uma sociedade sem (ou com níveis residuais de) pessoas em situação de pobreza, investindo na mudança societal e na promoção da saúde mental de pessoas e comunidades.
Cinco reflexões a que junto entusiasmo e a determinação de me associar a tantas outras pessoas no contributo (singelo) para um ponto final à pobreza e o orgulho de ver tantas e tantos colegas a identificarem-se e comprometerem-se enquanto cidadãs e cidadãos e psicólogas e psicólogos. Obrigado, mobilizemo-nos.