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Fundação Mendes Gonçalves

Videocast: Educar, Regenerar, Nutrir

Educar. Regenerar. Nutrir. São estes os três programas estruturais da Fundação Mendes Gonçalves, programas que procuram corporizar a sua missão, valores, “formas de fazer” (https://fundacaomendesgoncalves.org/a-fundacao/?doing_wp_cron=1751249006.0186150074005126953125) e como entendemos os desafios que se colocam – no presente e para o futuro – à nossa comunidade (a Golegã), à região ao seu redor, a Portugal e ao Mundo, conforme as quatro “ondas” da matriz de impacto da Fundação.

Para apresentarmos e discutirmos um pouco mais detalhadamente estes 3 programas, além das suas notas conceptuais (aqui disponíveis: https://fundacaomendesgoncalves.org/como-atuamos/?doing_wp_cron=1751249162.8239328861236572265625https://fundacaomendesgoncalves.org/como-atuamos/?doing_wp_cron=1751249162.8239328861236572265625) convidamos 3 pessoas-chave às áreas destes 3 programas para uma primeira edição de uma iniciativa da Fundação Mendes Gonçalves que se concretizou sob a forma de um videocast, cuja versão resumida apresentamos aquando da sessão de lançamento da Fundação no passado dia 23 de Abril.

Falo do Pedro Cunha (programa Educar), do João Ferreira (programa Regenerar) e da Conceição Calhau (programa Nutrir). O videocast teve a moderação da Liliana Valpaços e nele participei também, procurando cerzir os diferentes contributos e enquadrá-los no quadro do que nos propomos conceptual e operacionalmente ser e fazer.

Creio que o videocast (aqui disponível: https://www.youtube.com/watch?v=csxIKT9bTUc) é uma excelente oportunidade para conhecerem um pouco melhor a Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, verem/ouvirem 3 pessoas completamente comprometidas com a área da educação (em especial na primeira infância) e seu impacto, nas práticas regenerativas e seu papel na preservação das pessoas, comunidades e ecossistemas e da nutrição enquanto elemento essencial à saúde e bem-estar. E para sentirem, como nós, como estas 3 dimensões se cruzam, interligam e podem ser chave no presente e para o futuro.

Brevemente teremos outras edições desta iniciativa – sugestões de temas / formatos são bem-vindas – pelo que vos convido, caso ainda não o tenham feito, a seguir as redes sociais da Fundação Mendes Gonçalves e/ou a subscrever a nossa newsletter (https://fundacaomendesgoncalves.org/contactos/).

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Comportamento Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves

Marra, comunidade.

O último filme de Ken Loach – The Old Oak – trata duas dimensões societais particularmente prementes e, conforme é comum aos principais desafios societais, trata dois temas interconectados entre si: por um lado, os fenómenos migratórios e os respectivos processos de inclusão e, por outro, a força da comunidade e os seus impactos, nos seus diversos e múltiplos sentidos. Não sendo – na minha opinião – o melhor dos seus filmes, creio que merece ser visto. Visto e reflectido.

Nele há uma pequena cadela que cumpre um acontecimento – logo um papel – importante e simbólico. Chama-se “Marra”, nome que advém de uma expressão utilizada frequentemente por comunidades de trabalhadoras/es mineiras/os (cujo filme em parte retrata) e que significa algo próximo da ideia de colega/companheiro/camarada… No fundo um/a de nós, alguém que cuida de nós.

Ora este cuidar – um cuidar pela e a partir da comunidade – é mensagem-chave da Fundação Mendes Gonçalves. Como referimos, nascemos do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do nosso fundador, Carlos Goncalves, com o “cuidar do presente e contribuir para a construção de um futuro promissor e para um Mundo mais sustentável e com mais oportunidades para todas as pessoas”. Um futuro que, ousando nós querer seja mais “equitativo, saudável, sustentável e com bem-estar para todos/as” implica o “cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera”. Pois, “cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade.”

Esta mensagem-chave, quer o Carlos Goncalves, quer eu, procuramos transmitir à Ilídia Pinto na conversa/entrevista que permitiu um trabalho para o Diário de Notícias e Dinheiro Vivo que muito agradecemos. No trabalho é destacada a construção do Centro Educativo – porque [o Carlos] “acredita, como eu também acredito, que a educação de qualidade é aquilo que pode ser mais transformador de uma sociedade e mais empoderador, funcionando como um elevador social” – e como os programas “Educar, Regenerar e Nutrir são os três pilares prioritários, numa lógica de filantropia de proximidade, contribuindo para o progresso da região e do país. Da Golegã para o mundo é o mote definido”, conforme apresenta a peça.

Peça que viaja, depois, pelos motivos, propósito e missão e posicionamento da Fundação Mendes Gonçalves, bem como pelas actividades previstas para 2025 e pela forma como estamos a pensar e projectar os próximos anos, particularmente até 2032… Conforme referi e é escrito na peça, 2032 “será uma boa altura, decorridos que estejam oito anos de funcionamento da FMG, para se fazer uma primeira avaliação de fundo sobre o que se conseguiu cumprir ou não, mas também para nos debruçarmos sobre a sua missão e refletir sobre os 80 ou os 800 anos, como o Carlos costuma dizer, seguintes da Fundação Mendes Gonçalves”.

Link: https://www.dn.pt/economia/construção-do-centro-educativo-da-fundação-mendes-gonçalves-arranca-este-ano-vai-custar-10-milhões

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Comportamento Filantropia

Não, não são todos iguais…

Os políticos são todos iguais. As instituições são todas iguais. Os polícias, os do partido X ou Y… Os católicos, muçulmanos, hindus, judeus ou budistas são todos iguais. Os do Benfica, Sporting, Porto. Os da cidade ao lado daquela onde vivemos. Do bairro ou da aldeia Z. Os americanos, os alemães, os chineses. Os empresários? Todos iguais.

 

Vivemos um tempo que conjuga a existência de abundante informação (e desinformação), as múltiplas, rápidas, repetidas e, normalmente, com pouco contexto formas como a informação nos chega e de necessidade de evocação muito rápida da informação para participação (social, e particularmente em redes sociais) e tomada de decisão. Um contexto que nos expõe profundamente a uma característica muito humana: a nossa tendência para a generalização, particularmente quando apenas temos informação parcial sobre algo. Tendência que, sucessivamente, nos expõe à nossa tendência para polarização e criação de grupos. Que sucessivamente…

 

Não, hoje não vou por aqui.

 

Antes, convido-vos a conhecerem – quem não conhece – e/ou lerem/escutarem o Carlos Goncalves, grande impulsionador e líder de sempre da Casa Mendes Gonçalves e fundador da Fundação Mendes Gonçalves em conversa com a Cátia Mateus (O CEO é o limite).

 

Não vou eu escrever sobre ele para, também eu, não trazer mais viés a este texto. Apenas vos deixo este convite na certeza de que não, os políticos, os, as, os, as, os, … não são todos iguais. Os empresários e os líderes também não. O Carlos Goncalves mostra-o, todos os dias.

 

Obrigado, também por isso.

 

Link para reportagem e para o podcast 

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Educação Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Uma Aventura na Curva do Rio

Por vezes penso o quanto o tempo e os acontecimentos actuais, em Portugal e no Mundo, exigem de nós um exigente equilíbrio entre o (re)conhecimento do passado, a (boa) convivência com o presente e, especialmente, uma atitude de idealismo realista (e realismo idealista como Timothy G. Ash define) face ao futuro.

Há, apesar de tudo, práticas e símbolos que nos fazem crer possível este equilibrio e que servem de exemplo, até pelo quanto nos marcam enquanto sociedade e comunidade. Um exemplo? A série de livros “Uma Aventura” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Desde 1982 e o “Uma Aventura na Cidade” passaram 43 anos e 67 outros “Uma Aventura”. Sendo mais novo que a série, não sei quantos destes existiam quando li o meu primeiro, muito provavelmente trazido pela carrinha da @Fundação Calouste Gulbenkian (que projecto incrível), que parava em frente à Escola da minha aldeia a 50 metros do lugar onde cresci. Passaram mais de 30 anos desse momento e seria então inimaginável para mim pensar que um dia mais tarde estaria a participar na apresentação de uma edição (a 68 – “Uma Aventura na Curva do Rio”), num concelho vizinho ao da minha aldeia (Golegã), edição cuja história decorre exactamente na Golegã e em lugares a ela próximos e versa, também, a Casa Mendes Gonçalves (que apoiou o projecto) e a Fundação Mendes Gonçalves à qual, como sabem, dedico o meu empenho e compromisso.

Mais, há três dimensões que ligam esta série e livro à Fundação e que procurei salientar na minha intervenção para uma sala com larguíssimas dezenas de crianças e de convidados:

  1. A forma como entendemos a filantropia de proximidade e o vínculo com o território e o facto do livro ter, no seu final, 40 páginas que celebram lugares e histórias, do passado, presente e futuro daquela comunidade;

  1. O legado, parte da nossa missão (Nutrir Futuros, Regenerar Legados), que mais “Uma Aventura” concretiza e o seu papel central na formação de leitores ao longo das últimas décadas, logo no concelho onde nasceu e viveu o Nobel da Literatura José Saramago;

  1. O seu papel na relação porque, como outras/os, li os livros e tive oportunidade de voltar a eles para os ler para (depois com) o meu filho mais velho e terei com o mais novo. Que as autoras não parem de nutrir esta bonita história.

E… Vêm aí as férias. Que tal ler com a/o sua/seu filha/o ou convidá-la/o a ler esta nova “Uma Aventura” e depois visitar a Golegã e a região ao seu redor, dando realidade ao imaginário do livro? Porque ontem, hoje e amanhã, estar em família e junto de quem incondicionalmente nos quer bem é fundamental ao nosso bem-estar. Porque ontem, hoje e amanhã, sentirmos o território e a natureza é fundamental ao nosso bem-estar. Finalmente, porque o nosso bem-estar é fundamental ao das outras pessoas e vice-versa… E vice-versa, não esqueçamos.

Ps. Um agradecimento ao Município da Golegã e ao Diogo Rosa pela colaboração, impulso ao projecto e convite.

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Democracia Emergência Climática Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade

Regenerar é possível…

Regenerar é possível.

Esta é uma mensagem-chave base do programa Regenerar – https://fundacaomendesgoncalves.org/como-atuamos/regenerar/ – da nossa Fundação Mendes Gonçalves. Algo em que acreditamos, com que estamos comprometidos e que mobiliza a nossa acção e participação no sentido da nossa missão e objectivos, a partir dos nossos valores e formas de fazer.

Pensamos, portanto, dia-a-dia, o que pode ser uma filantropia estratégica nesta área e como podemos potenciar o impacto da nossa acção, a partir dos recursos e possibilidades que temos.

Muito recentemente li dois artigos que ajudam a esta reflexão:

a) “A filantropia estratégica está viva e recomenda-se” (tradução minha) que sublinha o valor da filantropia estratégica no escalar projectos e movimentos para níveis nacionais (e internacionais, acrescento) e, logo, na melhor de vida das populações e ecossistemas; no suporte a movimentos sociais no contributo para a mudança de normas sociais e de políticas; e, finalmente, no contributo para responder às desigualdades e permitir que os projectos essenciais cheguem a quem deles pode mais beneficiar, tudo essencial para promovermos as práticas de agricultura (e produção e consumo em geral) regenerativa e expandir o conceito da regeneração a populações e comunidades (https://ssir.org/articles/entry/strategic-philanthropy-in-defense-of#);

b) “O futuro da agricultura assenta no passado”, um ensaio já com quase 5 anos que oferece uma excelente oportunidade de reflexão a partir da ideia de que as “rápidas transformações no clima (a que acrescento a degradação dos solos e da biodiversidade) forçam a agricultura a reinventar-se (..) e à necessidade de atender a culturas que, Mundo fora, lida(ra)m com desafios significativos nas condições da agricultura, desde há milhares de anos” (https://thecorrespondent.com/835/the-future-of-agriculture-lies-in-the-past)

Artigos que à sua forma são inspiração no nosso trabalho e sonho, trabalho sonho que vos convido a conhecerem no próximo dia 11 de Junho (Quarta-Feira) na Feira Nacional da Agricultura de 2025, em Santarém. Lá estaremos, prontos e disponíveis para a/o receber, a convite da Câmara Municipal da Golegã, no stand do Município. Durante esse dia daremos a conhecer, em maior detalhe e à procura de co-criarmos e co-construirmos, a Fundação Mendes Gonçalves, primeiro, o seu programa Regenerar e o documentário “Common Ground” que passaremos nesse dia, pelas 11h no Auditório do CNEMA/Feira.

Feira que este ano se dedica às “Biosoluções” com ambição de “promover as tendências de sustentabilidade ambiental do setor e proporcionar aos empresários um ponto de encontro que potencia contactos e negócios.”

Oxalá o consigamos. Tal qual consigamos que esta nossa participação, e a actividade e relações ali geradas ou desenvolvidas, permitam caminhos “para modos de produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o Planeta”, conforme o que defendemos no programa Regenerar.

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Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia

O melhor jardim-de-infância que já viu

Ontem comemorou-se em Portugal o Dia da Criança. Uma celebração, simbólica, que resulta da necessidade de uma justa e relevante homenagem às crianças que nos recorde os seus direitos, desde logo, mas particularmente o quão são o presente, o futuro e a base do legado que enquanto pessoas e sociedade pretendemos construir.

Presente, futuro e legado que, necessariamente, dependem do que fazemos hoje em períodos-chave do desenvolvimento das crianças, desde a gravidez à infância, com foco relevante no que conceptualmente hoje consideramos os primeiros 1000 dias. Que dependem, também, e numa perspectiva de promoção do desenvolvimento, florescimento e da promoção da equidade de acrescentarmos à narrativa e às políticas em torno do reforço da possibilidade de acesso à educação, a qualidade das práticas educativas no período dos 0-3 anos e da primeira infância de forma mais ampla, enquanto desígnio fundamental de cumprimento dos direitos de todas as crianças e de uma sociedade mais inclusiva e coesa.

Sabe, quem por aqui me acompanha, que estes aspectos são chave da missão e propósito da Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, do seu programa Educar. Saibam, também, que além da procura de uma filantropia de proximidade e do sustentar das nossas práticas numa cultura de evidência e estudo de impacto, queremos realizar a nossa acção em co-criação, promover e disseminar literacia e conhecimento e, pela advocacia e comunicação, influenciar políticas e práticas.

Esta “nossa forma de fazer” e a abertura e confiança da Fundação Santander Portugal (obrigado Inês Oom de Sousa e equipa) resultaram na organização conjunta de um evento dedicado à reflexão sobre o desenho de espaços educativos e o seu impacto nos processos de ensino-aprendizagem e bem-estar, dinamizado pelos arquitetos Takaharu e Yui Tezuka e Luis Oliveira (Tezuka Architects), aproveitando estarem em Portugal a propósito do lançamento da Fundação Mendes Gonçalves.

O evento, dedicado à disseminação de conhecimento (obrigado Pedro Cunha pela brilhante intervenção) e à advocacia junto de um conjunto de pessoas com capacidade de influência e decisão, partiu da apresentação do futuro Centro Educativo (0-10 anos) da Fundação Mendes Gonçalves, de que são responsáveis, mas, particularmente, do projecto do “Fuji Kindergarten”, “uma escola em Tóquio, [onde] crianças de 5 anos causam engarrafamentos e as janelas servem para o Pai Natal entrar (…) o JI mais adorável do mundo”.

A citação é a descrição da Ted Talk de T. Tezuka sobre “o processo de design [do Fuji] que permite às crianças serem realmente crianças”. Chama-se “O melhor jardim-de-infância que já viu” – https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen?subtitle=en – e data de Setembro de 2014.

Num Setembro próximo teremos, finalmente, um Centro Educativo por si desenhado na Europa, em Portugal, na Golegã.

Em rede, pretendemos. A inspirar, aspiramos. Da Golegã para o Mundo.

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Pobreza e Desigualdade Política

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos

Da crescente utilização de tecnologias no nosso dia-a-dia ao que vivemos aquando da pandemia por COVID-19. Do espectro da guerra na Europa a mudanças no quadro sociopolítico que nos pareciam impossíveis não há muitos anos. Enquanto seres humanos, tendemos a naturalizar quase tudo. Fizemo-lo, no país, com a ideia e, particularmente, com o que resulta da ideia, de interior.

Mas, se a tendência para a normalização decorre da condição humana, para a polarização é muito influenciada pelo contexto social. Das condições de vida à forma como as redes sociais determinam, hoje, o fluxo de informação e influenciam a formação de opiniões e identidades, tendemos para a criação de um nós versus outros e a afastar-nos, a polarizar. Fizemo-lo, no país, com uma progressiva clivagem litoral-interior e, particularmente, com o que dela resulta.

Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade. O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu, como é Portugal.

Mas, se a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.

Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares. Queremos fazê-lo aqui, numa Golegã a pouco mais de uma hora de distância de Lisboa e duas do Porto, onde cresce o sonho e floresce a ideia de cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera. Cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade. Com “inquie-tudo”. Com ética, transparência e integridade, sabendo que há sempre mais para aprender, melhorar, contribuir e transformar.

A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Mendes Gonçalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.

A ciência demonstra que investir nos primeiros anos de vida tem um impacto duradouro na saúde, aprendizagem e bem-estar individual, bem como na produtividade, equidade e coesão social. Heckman, prémio Nobel de Economia, define numa célebre equação que o melhor “retorno em desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível”, principalmente “desde o nascimento e até os cinco anos de idade e em famílias com maiores vulnerabilidades”. Devemos, assim, concentrar-nos nos primeiros anos para uma maior eficiência e eficácia do investimento, reforçando, desde logo, a qualidade em educação que depende de relações seguras, práticas pedagógicas baseadas em evidência científica sólida, do envolvimento das famílias e da comunidade, bem como do contacto com a natureza. Queremos fazê-lo a partir do Centro Educativo (Berçário, Creche, Jardim-de-infância e EB 1º ciclo) que construiremos, que ambicionamos que integre a rede pública na Golegã e das colaborações que dele resultarão na criação e transferência de conhecimento.

Os princípios da produção e da agricultura regenerativa propõem uma mudança de paradigma fulcral: não apenas proteger, mas, antes, regenerar. Regenerar o solo, aumentar biodiversidade e os sistemas vivos. Isto minimizando a perturbação do solo, mantendo a cobertura vegetal, valorizando a biodiversidade, integrando, intencionalmente, animais e, principalmente, compreendendo e respeitando o contexto local. É uma visão que será por nós advogada, de cooperação com a natureza, de cuidado coletivo e de construção de resiliência e de futuro para as gerações que se nos seguem.

Hábitos de nutrição saudável e segurança alimentar contribuem para prevenir ou adiar o surgimento de doenças não transmissíveis, algumas crónicas e hoje responsáveis maiores pela perda de anos de vida com qualidade no nosso país, como são exemplo as doenças cardiovasculares, a diabetes ou a obesidade. Paralelamente, e porque relacionada com o bem-estar, uma nutrição saudável surge associada a menores níveis de ansiedade, depressão e declínio cognitivo, diminui gastos em saúde, aumenta a produtividade, melhora o comportamento e desempenho escolar das crianças, bem como o seu desenvolvimento cerebral e imunitário. Mais, facilita a adoção de outros comportamentos parte de um estilo de vida saudável, nomeadamente a cessação ou menor consumo de tabaco e álcool e a prática de atividade física, mitigando desigualdades sociais e de saúde. É, portanto, fulcral a um pensamento e investimento de futuro, equidade e desenvolvimento.

O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.

Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.

Juntos, concretizaremos a nossa missão: Nutrir Futuros, Regenerar Legados. Da Golegã para o Mundo.

 

Tiago Pereira

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

in Eco; 06.05.2025

https://eco.sapo.pt/opiniao/pela-nao-normalizacao-da-ideia-de-interior-pelo-futuro-de-todos/

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Política

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

“Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade”, digo.

“O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu”, digo também.

O ECO publicou recentemente o 1º artigo que escrevi na minha nova condição na nova Fundação Mendes Gonçalves: “Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos”.

Nele enquadro o que atrás refiro nas tendências humanas de naturalização (de quase tudo, logo também da ideia de interior) e societais de polarização (de quase tudo, logo também da clivagem litoral-[suposto] interior).

Afirmo, depois e no entanto, que se “a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.”

“Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares” (…) A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Goncalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” (e, conceptualmente, como resumidamente descrevo no artigo) definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.”

“O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.”

“Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.”

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Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Raio X

“And now for something completety different”… Eu, de outra forma.

Na passada 6ª feira participei num evento promovido no âmbito do projeto NHNAI (Um novo humanismo na era das neurociências e da inteligência artificial) que, pela pertinência e actualidade, vos sugiro conhecerem.

Fi-lo a convite da Rita Francisco e para debater com a Ana Rita Silva, o Jorge Amorim e o Nuno Loboantunes, com moderação da Bárbara Wong, o desenvolvimento humano dentro do tema mais amplo do evento: “Ser humano na era da inteligência artificial: Desafios da coexistência” (https://nhnai.pt/desafios-coexistencia/). Foi uma interessante conversa marcada, também, pelo que ainda não sabemos e não podemos saber do futuro e as dúvidas que temos sobre o presente, mas informada pelo que sabemos do passado.

A certa altura o Nuno Lobo Antunes disse ter tido como professor de Português o Vergílio Ferreira. Eu, admirador da sua obra literária, em particular do “Em nome da Terra”, e “percorredor” assíduo e apaixonado dos espaços do “Aparição” (estudei e vivi em Évora) não pude não o sentir como algo excepcional e que isso não ressoasse em mim por estes dias. Daí que pensei numa forma que em tempos li, por si escrita, de pensar o tempo: “O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou.”

Assim é. O que passa depressa é o tempo que passou.

A expressão com que começo este texto foi cunhada pelos Monty Python para um “best of” televisivo dos seus sketches. Uso-a, juntando a ideia de sketches (pequenos apontamentos) do tempo que passou e passei para partilhar convosco o resultado de um convite generoso do Canal S+ para gravar um episódio do Raio X, programa que, de acordo com a sinopse, “consiste numa entrevista de fundo a um profissional na área da saúde (…) o objetivo do programa é através de uma conversa descontraída e informal traçar o perfil humano dos entrevistados e das suas histórias de vida.”

Uma oportunidade extraordinária para, quando em breve se cumprem 20 anos do início do meu estágio académico (para o ano de ser psicólogo) e quando acabo de realizar uma mudança profissional significativa, pensar o meu percurso, da minha infância e crescimento, família e grupo de amigas/os, às escolhas relativas ao meu percurso académico e, depois, profissional. Tudo, naturalmente, com base central nas minhas dimensões mais pessoais e familiares (❤️❤️❤️) e como se foram e vão cruzando e conciliando com as minhas actividades profissionais, com especial foco na minha actual condição de CEO da Fundação Mendes Gonçalves, do seu processo de instalação e lançamento, sua missão e o que e como se procurará contribuir para o desenvolvimento da Golegã, da região ao redor, de Portugal e do Mundo, com um foco pelo futuro de todos.

São cerca de 50 minutos de mim que abaixo partilho, guiados pelo Vasco Domingos, a quem agradeço, também, o convite, cuidado e a conversa.

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

Diálogos Cruzados: A responsabilidade social da psicologia

Hoje partilho umas palavras convosco, profundamente sentidas, escritas para uma pessoa que, creio, não as lerá. Não é seu hábito partilhar este espaço virtual connosco e não é minha intenção com ela as partilhar, directamente. Antes aqui as escrever, deixar e, quem sabe, um dia se cruze com elas ou alguém as partilhe com ela…

Convidou-me para ontem voltar à Universidade onde estudei e cresci, antes de mais como pessoa e cidadão, mas, também, como profissional. À Universidade, também, onde, depois e em parte também com ela, pude trabalhar e contribuir para a investigação e, sobretudo, formação de (futuros) colegas. À Universidade, finalmente, onde, também com ela, iniciei um processo que a envolvia que, por vicissitudes (boas, maioritariamente), não terminei e que parte do lamento que sinto por isso ter acontecido advém do quanto ela desejava que assim não tivesse sido e o quão era para si importante.

Fi-lo para falar sobre algo sobre o qual falamos muito e muitas vezes nos últimos 20 anos: a responsabilidade social da psicologia nos diversos momentos do país e do Mundo que vivemos. Fi-lo, também, porque ela tem uma capacidade (escrevo-o propositadamente) profundamente profunda a si de acreditar e confiar, não naturalmente sem se por vezes desiludir e frustrar. Junta-lhe a capacidade de reconhecer, muitas vezes muito além do que lhe é reconhecido.

Foi, é, uma pessoa fundamental no meu percurso. Não certamente por ser a professora com mais publicações, daquelas que valem muitos pontos em avaliações e CV, mas, nos bons e menos bons momentos lá estava. Sempre, comigo, connosco, dando valor à palavra relação naquilo que tem de melhor, mas também no que tem de desafiante e nos faz crescer. Partilhava com entusiasmo os novos textos, livros, o que sabia, não guardando para si e fazendo-o com o entusiasmo com que eu, anos antes, partilhava música com amigas/os. Fora sempre assim…

Estimulou-me a pensar a psicologia além da psicologia. Estimulou-me a pensar-la a contribuir para políticas públicas. A contribuir para uma sociedade e um Mundo melhor, para cada pessoa. É, por isso, parte fundamental do caminho que me trouxe à Fundação Mendes Gonçalves e do meu contributo, junto com o de outras pessoas, para a afirmação da missão, valores e da nossa forma de fazer: https://fundacaomendesgoncalves.org/a-fundacao/

Espero que se reveja. Espero que se orgulhe.

Características suas e uma dimensão mais activista e ligada ao movimento feminista e à cultura brasileira lembram-me uma frase que há dias me foi recordada por uma outra pessoa amiga: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso… Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

Uma frase da Clarice Lispector que devemos guardar, fundo, connosco, no que queremos e desejamos. Para nós e para as outras e outros.

Eu procuro fazê-lo. Como procuro não me esquecer de quem é muito importante e a quem estou muito grato.

Obrigado, Madalena Melo.