
Por vezes penso o quanto o tempo e os acontecimentos actuais, em Portugal e no Mundo, exigem de nós um exigente equilíbrio entre o (re)conhecimento do passado, a (boa) convivência com o presente e, especialmente, uma atitude de idealismo realista (e realismo idealista como Timothy G. Ash define) face ao futuro.
Há, apesar de tudo, práticas e símbolos que nos fazem crer possível este equilibrio e que servem de exemplo, até pelo quanto nos marcam enquanto sociedade e comunidade. Um exemplo? A série de livros “Uma Aventura” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.
Desde 1982 e o “Uma Aventura na Cidade” passaram 43 anos e 67 outros “Uma Aventura”. Sendo mais novo que a série, não sei quantos destes existiam quando li o meu primeiro, muito provavelmente trazido pela carrinha da @Fundação Calouste Gulbenkian (que projecto incrível), que parava em frente à Escola da minha aldeia a 50 metros do lugar onde cresci. Passaram mais de 30 anos desse momento e seria então inimaginável para mim pensar que um dia mais tarde estaria a participar na apresentação de uma edição (a 68 – “Uma Aventura na Curva do Rio”), num concelho vizinho ao da minha aldeia (Golegã), edição cuja história decorre exactamente na Golegã e em lugares a ela próximos e versa, também, a Casa Mendes Gonçalves (que apoiou o projecto) e a Fundação Mendes Gonçalves à qual, como sabem, dedico o meu empenho e compromisso.
Mais, há três dimensões que ligam esta série e livro à Fundação e que procurei salientar na minha intervenção para uma sala com larguíssimas dezenas de crianças e de convidados:
- A forma como entendemos a filantropia de proximidade e o vínculo com o território e o facto do livro ter, no seu final, 40 páginas que celebram lugares e histórias, do passado, presente e futuro daquela comunidade;
- O legado, parte da nossa missão (Nutrir Futuros, Regenerar Legados), que mais “Uma Aventura” concretiza e o seu papel central na formação de leitores ao longo das últimas décadas, logo no concelho onde nasceu e viveu o Nobel da Literatura José Saramago;
- O seu papel na relação porque, como outras/os, li os livros e tive oportunidade de voltar a eles para os ler para (depois com) o meu filho mais velho e terei com o mais novo. Que as autoras não parem de nutrir esta bonita história.
E… Vêm aí as férias. Que tal ler com a/o sua/seu filha/o ou convidá-la/o a ler esta nova “Uma Aventura” e depois visitar a Golegã e a região ao seu redor, dando realidade ao imaginário do livro? Porque ontem, hoje e amanhã, estar em família e junto de quem incondicionalmente nos quer bem é fundamental ao nosso bem-estar. Porque ontem, hoje e amanhã, sentirmos o território e a natureza é fundamental ao nosso bem-estar. Finalmente, porque o nosso bem-estar é fundamental ao das outras pessoas e vice-versa… E vice-versa, não esqueçamos.
Ps. Um agradecimento ao Município da Golegã e ao Diogo Rosa pela colaboração, impulso ao projecto e convite.