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Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

“Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade”, digo.

“O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu”, digo também.

O ECO publicou recentemente o 1º artigo que escrevi na minha nova condição na nova Fundação Mendes Gonçalves: “Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos”.

Nele enquadro o que atrás refiro nas tendências humanas de naturalização (de quase tudo, logo também da ideia de interior) e societais de polarização (de quase tudo, logo também da clivagem litoral-[suposto] interior).

Afirmo, depois e no entanto, que se “a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.”

“Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares” (…) A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Goncalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” (e, conceptualmente, como resumidamente descrevo no artigo) definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.”

“O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.”

“Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.”

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