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Revista Associação Portuguesa de Horticultura

“Mudar da “sustentabilidade” para a regeneração”. Estávamos em 2007 quando Bill Reed publicou um artigo com este título, com a palavra sustentabilidade entre as aspas que aqui mantenho e com um gráfico que enquadra, na sua visão, uma “trajectória do desenho de respostas ambientalmente responsáveis”. No fundo, como caminharmos das, como nomeia, práticas convencionais, verdes e depois sustentáveis (neutras), para práticas restaurativas, reconciliatórias e, finalmente, regenerativas (positivas)… Porque sermos neutros, em diferentes áreas, é hoje insuficiente.

No desenho dos programas estruturais da Fundação Mendes Gonçalves procuramos ser consequentes com esta necessidade, hoje ainda mais premente, e com a importância que este caminho que pode desempenhar já no presente, para o futuro e numa perspectiva intergeracional. Pretenderemos, com o programa, “cuidar, através da regeneração dos solos e da biodiversidade, para que o planeta e as comunidades tenham um futuro melhor” e, a partir deste intuito e enquadrado na missão, valores e “forma de fazer” da Fundação, desenhamos as bases do programa cuja informação e nota conceptual podem ser aqui consultadas – https://lnkd.in/dbVwf-DU.

Parte importante deste nosso trabalho assenta, não apenas na produção de conhecimento, mas na sua transferência, quer para a informação a processos de formação, de práticas ou desenho de políticas, quer para mais sensibilidade e literacia da sociedade relativa a práticas neste âmbito e aos seus potenciais impactos.

Nesse sentido, foi com enorme satisfação que vimos a Associação Portuguesa Horticultura dedicar a sua revista (n.º 156; Abril de 2025) à “Saúde do Solo” e participamos numa peça da responsabilidade da Nélia Silva (obrigado!) com título: Fundação Mendes Gonçalves – Nutrir o futuro através da regeneração dos solos (https://lnkd.in/dTtHwYNe).

Na peça, além da experiência de práticas regenerativas de produção realizadas e promovidas pela Casa Mendes Gonçalves, com participações do João Ferreira e do Carlos Goncalves, procuro enquadrar o modelo da Fundação Mendes Gonçalves, reforçando os seus princípios relativos à procura da revitalização da filantropia de proximidade e o compromisso com a co-criação e envolvimento de diferentes parceiros, bem como a forma como o programa Regenerar se liga com os programas Educar e Nutrir na missão maior da Fundação.

Futuro este que, como o Carlos Goncalves sempre refere e a peça expressa, dependendo de mudanças no Mundo, só se concretizará verdadeiramente se “primeiro mudarmos o que está à nossa volta”. Tudo faremos para contribuir para tal. Oxalá o consigamos, juntos, pelo futuro de todos.

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23.04.2025 | Fundação Mendes Gonçalves

23 de Abril. Dia Mundial do Livro, Dia de São Jorge (nome do meu querido Pai) e, agora, da Fundação Mendes Gonçalves.

Na quarta-feira, 23 de Abril de 2025, exactamente um ano após a publicação do seu reconhecimento em Diário da República (Despacho n.º 4386/2024), lançamos e apresentamos publicamente a Fundação Mendes Gonçalves (FMG).

Um dia bonito. Um lugar especial. Um conjunto de pessoas incríveis. Um momento a apontar à eternidade, da Golegã para o Mundo.

E, um livro, uma rosa e uma Fundação…

Como estou grato. E como estou comprometido e empenhado nesta missão de Nutrir Futuros para Renegerar Legados e de Regenerar Legados para Nutrir Futuros.

Obrigado Carlos Goncalves, pela bondade de teres sonhado a Fundação, pela generosidade de a teres tornado possível e por todos (tantos) os contributos.

Obrigado a todas as pessoas que nos últimos meses, comigo, se envolveram na sua instalação, particularmente à Conceição Zagalo, presidente da Comissão Executiva da FMG e à Liliana Valpaços, Maria Beatriz Filipe, Quaiela Costa, Teresa Raquel Pereira e Andresa Oliveira.

Obrigado a todos os membros do Conselho de Administração e do Conselho de Curadores da Fundação Mendes Gonçalves (https://fundacaomendesgoncalves.org/orgaos-sociais/).

Obrigado a todo o Board, equipas e colegas da Casa Mendes Gonçalves e obrigado por tantas e tantos terem estado num primeiro momento de apresentação da Fundação, dois dias antes (21.4.2025), para a equipa da Casa.

Obrigado pela exemplar apresentação e gestão do evento Fernanda Freitas e obrigado a todas as pessoas que, comigo, no evento intervieram: Carlos Goncalves, Conceição Zagalo, Pedro Abrunhosa (que bonitas palavras, melodias e o “fazer o que ainda não foi feito”), Conceição Calhau, João Ferreira, Liliana Valpaços, Pedro Cunha, Karim Merali, Ana Avillez, Eduardo Marçal Grilo, presidente do Conselho de Curadores da FMG, e Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação. Além, claro está, da bela e “responsabilizante” mensagem do Sr. Presidente da República ali partilhada e lida.

Obrigado a todas as pessoas que deram cor e calor aquele dia e aquele momento, com a sua presença e carinho. Obrigado Rute Dinis de Sousa.

Obrigado, ainda, a muitas e muitos que não tendo podido estar connosco naquele dia, não deixaram, à sua forma, de estar e de me e nos acompanhar e apoiar.

Obrigado.

Juntos. Pelo futuro de todos.

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Crítica-Elogio

Hoje começa uma semana muito importante para mim e para um conjunto de pessoas que, primeiro confiaram no meu contributo para reflexão e desenho de um plano estratégico, depois confiaram-me o meu actual papel e, finalmente, me acolheram. Será uma semana com um conjunto de iniciativas no âmbito do lançamento da @Fundação Mendes Gonçalves, iniciativas estas que começam hoje e culminam, quarta-feira, dia 23 de abril, com o evento público que o assinala. Até lá, duas sugestões:

  1. Se quiserem conhecer mais e acompanhar a actividade da @Fundação Mendes Gonçalves, sugiro seguirem o perfil aqui no LinkedIn que já nos próximos dias passará, com regularidade, a partilhar e informar sobre a acção da Fundação;

  1. Noutro prisma, partilho abaixo mais um episódio do “Descubra as Diferenças” do canal Canal S+ onde, com a Irina Gomes, desta vez converso e reflicto sobre crítica e elogio.

Depois de o haver feito em torno do binómio “revolta-apaziguamento” [1ª temporada | https://lnkd.in/dqWv82uw] e do binómio “indiferença-empatia” [2ª temporada | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_sa%C3%BAde-activity-7304782430350024704-Sf13?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU], voltei para, desde logo, procurar sublinhar a relevância que a crítica, quando construtiva, assume no nosso processo de reflexão e melhoria, particularmente, na nossa forma de comunicar, decidir ou agir. Também para assinalar a importância de prepararmos e reflectirmos o momento, o contexto e a forma de realizarmos críticas, considerando o impacto que podem ter na/o outra/o e termos presente que, enquanto seres humanos, a nossa tendência – a tendência de quem recebe feedback – é, em geral, considerar mais os aspectos menos positivos da comunicação face aos mais positivos.

Falamos, também, da importância da segurança (psicológica), do reconhecimento e da legitimação/validação no quadro das relações e do feedback. Do elogio, do auto-elogio e da relevância de reconhecermos o que conquistamos/conseguimos. Ainda de liderança e da importância de quem lidera construir relações de confiança e presença e de adoptar estilos de comunicação não-ambivalentes, para que o seu feedback possa ser validante, acolhido e promotor de desenvolvimento em contexto profissional. Falamos, finalmente e não menos importante, de relações de proximidade (amorosas, filhas/os-pai/mãe, …) e de como a crítica/elogio é determinante na comunicação e na nossa relação connosco e com as outras e outros.

Espero que gostem… E venha de lá esta semana que, significativamente (para mim), termina a 25.4.

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Três Pontos” | Catástrofes ambientais e saúde mental

Podemos, ao menos algumas e alguns, procurar desconsiderá-lo… Podemos, mas todos sabemos e sentimos a crescente frequência e intensidade dos fenómenos climatéricos extremos. Em Portugal e no Mundo, temperaturas mais elevadas e extremadas, seca, incêndios, mas também inundações ou furacões, para dar apenas alguns exemplos, impactam, significativamente, a vida, a saúde, incluindo a saúde pública e mental, e o bem-estar de pessoas e comunidades, particularmente as com maiores vulnerabilidades. Isto além do quanto desafiam economias, sociedades, sistemas políticos e ecossistemas, forçando a necessidade do rápido desenvolvimento de estratégias de adaptação para serem mitigados estes efeitos adversos. ​

Conforme aqui escrevi – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_creio-prov%C3%A1vel-que-n%C3%A3o-tenham-existido-muitos-activity-7297174202934005761-c8xd?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU – segundo o Global Risks Report 2025 do World Economic Forum, os eventos climatéricos extremos são mesmo considerados, hoje, um dos principais riscos globais (2º mais identificado) e o principal dos riscos ambientais.

É por via desta relevância (social) que saúdo a iniciativa da @Universidade Aberta de realizar um episódio do seu pod e videocast “Três Pontos” sobre a temática das catástrofes ambientais e saúde mental, agradecendo terem-me confiado esse contributo que aqui partilho convosco (em vídeo no link abaixo, em podcast aqui: https://open.spotify.com/episode/30RVfMUFqrpzOXWvVofpuc). Na entrevista, que permite este trabalho, respondo a 3 questões em concreto:

a) Como é que as catástrofes ambientes afectam a saúde mental?

b) Que estratégias comunitárias podem ser implementadas?

c) O que podemos fazer para evitar a exaustão emocional e a consequente apatia climática?

Convido-vos a ouvir, reflectir, eventualmente comentar. E convido-vos a terem sempre presente que há cada vez mais evidência científica que demonstra a forma como tendemos a subestimar o apoio colectivo às acções e transição climática. Dito de outra forma, tendemos a pensar que estamos mais isolados nesta defesa e na defesa de ações, medidas e políticas que apoiem a transição do que realmente estamos, tendo isso forte impacto nas nossas práticas e, inclusivamente, no grau de definição das próprias políticas (públicas) muito dependentes da percepção da sua aceitação/defesa por parte das populações.

 

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Pensa que ser adolescente hoje é mais, menos ou igualmente difícil quando comparado com ser adolescente há 20 anos?

Pensa que ser adolescente hoje é mais, menos ou igualmente difícil quando comparado com ser adolescente há 20 anos? Foi esta a pergunta-base do estudo publicado no Verão passado do @Pew Research Center que partilho e cuja consulta e reflexão recomendo.

Além do grafismo particularmente interessante e do universo de 1453 mães, pais e adolescentes dos EUA ter referido que é hoje mais difícil (69% das mães/pais e 44% das/os adolescentes, face a 15% das mães e pais e 12% das/os adolescentes que consideram ser hoje mais simples), importa, creio, que paremos um pouco para reflectir sobre os principais motivos pelos quais as mães e pais suportam a sua percepção: a tecnologia, internet e, em particular as redes sociais, além da grande pressão para corresponderem às expectativas.

Curiosamente, apesar da percentagem ser significativamente mais baixa, as mães e os pais que consideram que é mais simples ser-se hoje adolescente face há 20 anos suportam essa percepção exactamente no acesso à tecnologia, em especial à internet, embora a percentagem que refere as redes sociais como fundamento para essa maior facilidade seja muito baixa (3% face a 47% que refere a tecnologia de forma geral).

Já as e os adolescentes consideram que o factor preponderante para a sua percepção de que é hoje mais difícil é a maior pressão e a dificuldade em cumprir expectativas, não deixando de salientar as redes sociais e as mudanças percepcionadas como negativas na sociedade e no Mundo. Noutro prisma, as e os adolescentes que dizem ser hoje mais simples que há 20 anos mencionam, também, a tecnologia e a internet como os maiores contribuidores par esta mudança positiva.

Em síntese, e numa síntese que sugiro que nos mobilize enquanto sociedade, temos as exigências, as expectativas e os recursos (ou ausência deles) para se atingirem e cumprirem as expectativas, por vezes “colocadas” ou parte da vida com cada vez mais intensidade e cada vez mais cedo – pensemos na quantidade de crianças e adolescentes que têm hoje explicações no 2º ou 3º ciclos, quando não no 1º ciclo e da procura/escolha de Escolas que atribuem melhores notas. E temos a tecnologia e a internet, incluindo as redes sociais, que sendo maioritariamente atribuídas à dificuldade podem ser, também, motor de maior facilidade.

Coragem e determinação a lidar e orientar/regular a utilização da tecnologia e das redes sociais e foco no bem-estar será determinante para não permanecermos indiferentes a esta percepção e, eventual, nova realidade. Se nada fizermos estaremos a falhar às e aos mais jovens e tudo o que se possa fazer mais tarde será sempre mais difícil e com mais custo do que o que podemos fazer já, hoje.

Pelo futuro de todos.

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Comportamento Democracia

2 em 18

2 mulheres em 18 candidatas e candidatos do PS à presidência das 18 câmaras municipais do distrito do Porto. 11%. Um terço do um terço (33%). Infelizmente podiam ser outros e muito variados os exemplos mas o fundo é o mesmo: não basta parecer, tem (mesmo) que ser.

Ser-se consequente.

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0-3, regeneração

Um conjunto de regiões do país estão a ser sofrer/sofreram com o impacto da depressão Martinho que, desde ontem e até aos próximos dias, junta chuva e ventos impressionantes. Condições adversas que desafiam pessoas e (infra)estruturas. Condições adversas que (creio que para todos será perceptível), a serem quotidianas / permanentes, alterariam/transformariam a nossa forma de viver e os nossos próprios processos de interacção, aprendizagem e desenvolvimento.

Vem isto a propósito de nem sempre esta simples reflexão ser feita (ou pelo menos sermos consequentes com ela) relativamente a bebés e crianças que vivem, permanentemente, em situação de adversidade… De tempestade. E a propósito de, não raras vezes, não re reconhecer o impactos dessas situações e, ainda que existam, se “culpar” excessivamente a/o aluna/o por não atingir determinados resultados (desde logo de desempenho escolar) ou mesmo, em sentido mais amplo, tendermos maioritariamente a culpabilizar pessoas que vivem em situação de pobreza por viverem em situação de pobreza.

Ora, a este propósito, duas notas (também em jeito de convite) a partir de contributos que procurarei dar amanhã:

a) É crucial que, enquanto país e rapidamente, passemos a complementar o debate público sobre o acesso à educação (em particular nos 0-3 anos) com a qualidade que resulta desse acesso e internacionalizar-se, na sociedade civil e nos meandros da decisão (política), a importância de uma educação de qualidade no período 0-3 enquanto garante fundamental de uma base minimamente equitativa de oportunidades de desenvolvimento entre bebés e crianças em Portugal. No fundo, um contributo para mitigar (ou pelo menos prevenir que se aprofundem) desvantagens que, por vezes, existem desde literalmente o dia 0 de vida e cujo impacto de uma educação de qualidade pode ser decisivo. Sobre isso conversarei, na próxima 6ªF, a convite da Câmara Municipal de Mafra (que agradeço, informações abaixo) na sessão “A importância dos primeiros mil dias e a injustiça das injustiças” (e sabem qual é a injustiça das injustiças?);

b) É crucial tornar o verbo regenerar e os seus múltiplos significados mais saliente… Também amanhã, numa colaboração da Nova School of Business and Economics (Centro de Conhecimento “Leadership for Impact”) e a Casa Mendes Gonçalves, participarei na 1ª fase de uma iniciativa que convido a conhecerem e que pretende contribuir para a “aceleração” e desenvolvimento de projectos de impacto na área ambiental e, mais particularmente, da regeneração (https://lnkd.in/diyYnqCF), tema para uma conversa que terei com o Carlos Goncalves, também a propósito deste conceito no quadro dos programas, actividades e da visão e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Temas relevantes também ao momento que vivemos. Temas que não tocam apenas algumas e alguns, antes todos, hoje e para o futuro. Temas que devemos discutir, discutir e discutir, tornando-os salientes e quotidianos na agenda das/os decisoras/es.

Lá vos espero…

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Heckman

Este é apenas um exemplo… Alicia, filha de Alfredo Quintana, guarda-redes de Andebol do FCPorto e da selecção nacional falecido há 4 anos, brinca com Gustavo Capdeville, guarda-redes do SLBenfica e da selecção nacional depois de um FCP-SLB. Vem ela propósito de ontem ter visto uma imagem de um jogador da selecção de rugby do País de Gales com um/a bebé ao colo, logo após um jogo intenso, e dois jogadores adversários de Inglaterra a brincar/interagir com a/o bebé. Mas podia vir a propósito, também e num sentido menos positivo, de Alan Kurdi, o menino sírio da camisola vermelha que morreu há quase 13 anos e cuja imagem, caído numa praia da Turquia, quem viu não mais esquecerá.

Nem rivalidades desportivas, nem frases/pensamentos tipo “vai para a tua terra” sobrevivem, geralmente (sublinho, geralmente), a bebés/crianças, tal é o nosso instinto protector e de carinho e cuidado. Do mais bonito que o Mundo nos dá.

Mas, se assim é face a situações particulares, temo que um conjunto de forças e dinâmicas actuais (políticas e sociais) possam obstaculizar a uma visão da importância de investirmos, hoje, nos bebés/crianças para, hoje e amanhã, todos beneficiarmos enquanto comunidade e sociedade desse investimento.

Podia enumerar diversas e variadas forças/dinâmicas. Destaco quatro:

a) O crescimento do populismo e, com ele, de um estímulo a políticas tendentes a ganhos mais imediatos e tangíveis, retirando foco/prioridade ao investimento significativo nos primeiros anos de vida, com resultados a médio/longo prazo;

b) A crescente desconsideração da ciência face a percepções e visões mais “puramente” ideológicas e/ou assentes numa suposta meritocracia, algo que periga a utilização dos recursos onde e quando se mostram mais eficientes e eficazes;

c) O enfraquecimento do conceito de direitos humanos universais e uma menor atenção à procura da promoção da equidade e da possibilidade de autodeterminação, com intervenções robustas junto das/os bebés/crianças em situação de maior vulnerabilidade;

d) A quebra da confiança, a maior dificuldade de diálogo e colaboração entre decisoras/es políticos e de continuidade de políticas fragilizam investimentos a médio/longo prazo;

Razões que, creio, nos devem preocupar e fazer regressar a Heckman, prémio Nobel de Economia e que na sua célebre equação refere: “A maior taxa de retorno do desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível, desde o nascimento até os cinco anos de idade, em famílias vulneráveis. Começar na idade de três ou quatro anos é um pouco tarde demais, pois significa não reconhecer que habilidades geram habilidades de uma forma complementar e dinâmica. Os esforços devem concentrar-se nos primeiros anos em busca de maior eficiência e eficácia.”

Regressemos a Heckman e – apesar do tempo, do dia-a-dia muito complexo e das forças que nos arrastam para o que de mais imediato existe – não esqueçamos de a cada dia prepararmos, enquanto comunidade e sociedade, o futuro.

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Dois e quinhentos…

Lembram-se da moeda de dois e quinhentos? Pela dimensão e pelo valor (baixo) era a que mais usávamos para fazer os fios que trazíamos ao pescoço. Íamos, normalmente de bicicleta, até às proximidades das estações dos Riachos ou Entroncamento (preferencialmente) e avaliávamos pela localização (antes ou depois da paragem) o melhor local para as colocar na linha para que, depois, o comboio passasse sobre elas, não as projetando para onde não as encontrássemos. Desse encontro (moeda na linha-comboio) resultava a moeda espalmada que, um furinho depois, virava esse fio com história própria, pelo tipo de comboio, velocidade, lugar. Não havia duas moedas espalmadas iguais. Dois fios iguais.

Tínhamos uma relação especial com o comboio. Levava-nos a Lisboa. A Coimbra. Ao Porto. Não mais saiu do meu imaginário. Em Portugal. Fora de Portugal. Também por isso, quando penso numa associação entre transportes e Casa Branca, penso na estação-interface que conecta as linhas ferroviárias de Évora e Beja. Nos últimos dias, porém, vi Casa Branca associada ao transporte rodoviário e enquanto stand de veículos de uma marca específica e um Presidente da República dos EUA vendedor (e comprador) de carros.

Não vivi – aqui em Portugal, no meu tempo de vida – um processo de passagem de uma democracia (mesmo com desafios) a uma autocracia, como outras pessoas com outra idade viram em Portugal e outras pessoas da minha idade vive(ra)m noutros países. Sei, porém, e pelo que hoje vamos vendo e sabendo deste Mundo, que neste processo tendemos, enquanto seres humanos, a colocar sucessivos limites, dizendo para nós próprios que dali não passam, que aquilo é o limite inultrapassável. Parte disto é explicado por um viés cognitivo, o viés da normalidade que, grosso modo, determina que tendamos a normalizar situações, mesmo quando mais extremas. Viés que resulta da dificuldade do nosso cérebro em processar mudanças abruptas e imprevisíveis, o que conduz à sua negação e/ou desconsideração de riscos/sinais.

Muitas e muitos pensam-no hoje sobre Trump ou os avanços de algumas forças políticas na Europa que, dizendo-se salvíficas, não mais pretendem que alterar os pressupostos da sociedade para que possam beneficiar do caos e prosperar no imediato, mesmo que isso signifique destruir um caminho de procura de maior equidade e dignidade de todas as pessoas e a coesão social a médio/longo prazo.

A este viés associa-se muitas vezes o do optimismo… A crença, não raras vezes irracional, de que o de menos bom é mais provável noutras pessoas/contextos do que connosco/no nosso país.

Estamos num tempo em que inacreditáveis acontecem todos os dias. Ontem, hoje, amanhã, certamente. Reconheçamos os nossos vieses e não naturalizemos os inacreditáveis. Reconheçamos os nossos vieses e não consideramos que a nós/cá não chegará. Reconheçamos os nossos vieses e mobilizemo-nos para, juntos, resistirmos e defendermos a democracia e uma sociedade coesa e de direitos. Hoje, amanhã, pelo futuro de todos.

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Indiferença-Empatia

Voltei recentemente ao canal Canal S+ para, com a Irina Gomes, gravar um novo episódio do “Descubra as Diferenças”, agora para a sua 2ª temporada.

Há alguns meses havia gravado um outro, relativo ao binómio “revolta-apaziguamento”, que por aqui partilhei numa publicação que assim terminava: “Finalmente, um conselho para quando nos sentirmos revoltados? [havia-me sido pedido] Tentarmos definir exactamente o que nos está a fazer sentir o que estamos a sentir (não deixar que fique difuso) e perceber o que podemos fazer para o alterar, mesmo que decidamos nada fazer. Se assim fizermos, estaremos a garantir agência e controlo sobre a situação. Estaremos a criar perspectivas e diversificar o que pode ser a nossa actuação e como podemos lidar com a situação, ajudando-nos isso a lidar melhor com ela, a sentirmo-nos mais equilibradas/os e, potencialmente, melhor. Mais em paz.”

Hoje volto para partilhar este novo episódio em torno do binómio “indiferença-empatia” onde começo por desafiar a ideia de que é “mais fácil a indiferença”, sublinhando que o bem-estar individual depende do bem-estar colectivo e logo da possibilidade de bem-estar das/os outras/os, mesmo quando um conjunto de alterações na sociedade, na forma como gerimos e vivemos o nosso (acelerado) tempo e as nossas interações e comunicações (em bolhas, junto de pessoas que pensam como nós e mais individualizados), possam “empurrar” nesse sentido.

Falamos depois de empatia e de como desenvolvê-la. Do seu poder, relevância, da forma como nos prepara para lidarmos com o dia-a-dia e com novas situações e influencia a nossa abertura ao que nos rodeia e às outras e outros. Mas também de alguns dos seus limites, com exemplos concretos, e de como pode estar também ligada a dificuldades de alteração de comportamentos/rotinas, a excessivo envolvimento emocional ou mesmo a situações de (justificação de) abusos, condicionando-nos o bem-estar.

Falamos, depois, de compaixão e desse “passo em frente” face à empatia, porque envolve a agência sucessiva perante a situação, para não nos limitarmos à compreensão (empatia) e fazermos algo a partir dessa compreensão, seja face a nós, seja face a outras e outros.

Falamos de reconhecimento e validação de emoções e de como isso é fundamental nas relações e na criação de canais de comunicação (seguros), por exemplo com crianças/adolescentes. De como pararmos e guardarmos espaço para conversas importantes pode ser relevante na conexão emocional.

E finalmente de como podemo-nos aproximar, passo a passo, experiência a experiência, do que nos é mais diverso, mais afastado. Expandirmo-nos. Algo fundamental, não apenas para a nossa capacidade empática, mas que nos prepara melhor para o Mundo interconectado em que vivemos e para criarmos comunidade.

E como é importante hoje criarmos comunidade.