“Mudar da “sustentabilidade” para a regeneração”. Estávamos em 2007 quando Bill Reed publicou um artigo com este título, com a palavra sustentabilidade entre as aspas que aqui mantenho e com um gráfico que enquadra, na sua visão, uma “trajectória do desenho de respostas ambientalmente responsáveis”. No fundo, como caminharmos das, como nomeia, práticas convencionais, verdes e depois sustentáveis (neutras), para práticas restaurativas, reconciliatórias e, finalmente, regenerativas (positivas)… Porque sermos neutros, em diferentes áreas, é hoje insuficiente.
No desenho dos programas estruturais da Fundação Mendes Gonçalves procuramos ser consequentes com esta necessidade, hoje ainda mais premente, e com a importância que este caminho que pode desempenhar já no presente, para o futuro e numa perspectiva intergeracional. Pretenderemos, com o programa, “cuidar, através da regeneração dos solos e da biodiversidade, para que o planeta e as comunidades tenham um futuro melhor” e, a partir deste intuito e enquadrado na missão, valores e “forma de fazer” da Fundação, desenhamos as bases do programa cuja informação e nota conceptual podem ser aqui consultadas – https://lnkd.in/dbVwf-DU.
Parte importante deste nosso trabalho assenta, não apenas na produção de conhecimento, mas na sua transferência, quer para a informação a processos de formação, de práticas ou desenho de políticas, quer para mais sensibilidade e literacia da sociedade relativa a práticas neste âmbito e aos seus potenciais impactos.
Nesse sentido, foi com enorme satisfação que vimos a Associação Portuguesa Horticultura dedicar a sua revista (n.º 156; Abril de 2025) à “Saúde do Solo” e participamos numa peça da responsabilidade da Nélia Silva (obrigado!) com título: Fundação Mendes Gonçalves – Nutrir o futuro através da regeneração dos solos (https://lnkd.in/dTtHwYNe).
Na peça, além da experiência de práticas regenerativas de produção realizadas e promovidas pela Casa Mendes Gonçalves, com participações do João Ferreira e do Carlos Goncalves, procuro enquadrar o modelo da Fundação Mendes Gonçalves, reforçando os seus princípios relativos à procura da revitalização da filantropia de proximidade e o compromisso com a co-criação e envolvimento de diferentes parceiros, bem como a forma como o programa Regenerar se liga com os programas Educar e Nutrir na missão maior da Fundação.
Futuro este que, como o Carlos Goncalves sempre refere e a peça expressa, dependendo de mudanças no Mundo, só se concretizará verdadeiramente se “primeiro mudarmos o que está à nossa volta”. Tudo faremos para contribuir para tal. Oxalá o consigamos, juntos, pelo futuro de todos.

Um conjunto de regiões do país estão a ser sofrer/sofreram com o impacto da depressão Martinho que, desde ontem e até aos próximos dias, junta chuva e ventos impressionantes. Condições adversas que desafiam pessoas e (infra)estruturas. Condições adversas que (creio que para todos será perceptível), a serem quotidianas / permanentes, alterariam/transformariam a nossa forma de viver e os nossos próprios processos de interacção, aprendizagem e desenvolvimento.