Categories
Big Data Comportamento Desafios da Psicologia Tecnologia

Pensa que ser adolescente hoje é mais, menos ou igualmente difícil quando comparado com ser adolescente há 20 anos?

Pensa que ser adolescente hoje é mais, menos ou igualmente difícil quando comparado com ser adolescente há 20 anos? Foi esta a pergunta-base do estudo publicado no Verão passado do @Pew Research Center que partilho e cuja consulta e reflexão recomendo.

Além do grafismo particularmente interessante e do universo de 1453 mães, pais e adolescentes dos EUA ter referido que é hoje mais difícil (69% das mães/pais e 44% das/os adolescentes, face a 15% das mães e pais e 12% das/os adolescentes que consideram ser hoje mais simples), importa, creio, que paremos um pouco para reflectir sobre os principais motivos pelos quais as mães e pais suportam a sua percepção: a tecnologia, internet e, em particular as redes sociais, além da grande pressão para corresponderem às expectativas.

Curiosamente, apesar da percentagem ser significativamente mais baixa, as mães e os pais que consideram que é mais simples ser-se hoje adolescente face há 20 anos suportam essa percepção exactamente no acesso à tecnologia, em especial à internet, embora a percentagem que refere as redes sociais como fundamento para essa maior facilidade seja muito baixa (3% face a 47% que refere a tecnologia de forma geral).

Já as e os adolescentes consideram que o factor preponderante para a sua percepção de que é hoje mais difícil é a maior pressão e a dificuldade em cumprir expectativas, não deixando de salientar as redes sociais e as mudanças percepcionadas como negativas na sociedade e no Mundo. Noutro prisma, as e os adolescentes que dizem ser hoje mais simples que há 20 anos mencionam, também, a tecnologia e a internet como os maiores contribuidores par esta mudança positiva.

Em síntese, e numa síntese que sugiro que nos mobilize enquanto sociedade, temos as exigências, as expectativas e os recursos (ou ausência deles) para se atingirem e cumprirem as expectativas, por vezes “colocadas” ou parte da vida com cada vez mais intensidade e cada vez mais cedo – pensemos na quantidade de crianças e adolescentes que têm hoje explicações no 2º ou 3º ciclos, quando não no 1º ciclo e da procura/escolha de Escolas que atribuem melhores notas. E temos a tecnologia e a internet, incluindo as redes sociais, que sendo maioritariamente atribuídas à dificuldade podem ser, também, motor de maior facilidade.

Coragem e determinação a lidar e orientar/regular a utilização da tecnologia e das redes sociais e foco no bem-estar será determinante para não permanecermos indiferentes a esta percepção e, eventual, nova realidade. Se nada fizermos estaremos a falhar às e aos mais jovens e tudo o que se possa fazer mais tarde será sempre mais difícil e com mais custo do que o que podemos fazer já, hoje.

Pelo futuro de todos.

Categories
Big Data Marketing Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Psicologia e Marketing; Diálogos da Psicologia

Na última quinta-feira passaram 15 dias sobre o 11 de Setembro de 2019.

“15 dias e 18 anos sobre o mesmo 11 de Setembro mas de 2001. Estou certo que todas/os recordamos esse dia. Que temos imagens mentais do que vimos (apoiadas no que fomos e vamos vendo, ano após ano). Que alguns de nós se lembram até onde estavam quando nos chegou a informação do que aconteceu. Eu lembro-me, exactamente.

Vem isto a propósito de ter ouvido a história de Robyn, uma recém estudante de Psicologia da Universidade de Columbia.

A Robyn nasceu a 03 de Novembro de 2001, 7 semanas depois do 11 de Setembro e é uma das e dos 108 jovens apelidados de “Children of 9.11”, todas e todos com idades muito próximas (no máximo 9 meses de diferença), cujos ataques “roubaram” o pai antes de terem oportunidade de o conhecer (no caso dela Robert, que havia sabido exactamente um mês antes numa ecografia que (ela) seria uma menina e que nesse dia lhe comprou um coelho de peluche que ainda hoje guarda). A par destes há nos EUA cerca de 3000 jovens e jovens adultos que tinham até 18 anos naquele dia que lhes retirou a mãe, o pai ou ambos.

Não raras vezes estas/es “sobreviventes”, uma das quais a Robyn, confessam desconforto com esta etiqueta. Ela vai estudar Psicologia na esperança de desenvolver competências para ajudar estas pessoas. Pessoas como estas. Para melhor as perceber e melhor as ajudar.

Eu, a Robyn e tantas/os que partilhamos hoje esta sala estudamos Psicologia e, com histórias naturalmente diversas, tendemos para um denominador comum – tivemos, temos, interesse em contribuir para uma maior equidade social e desenvolver ferramentas baseadas em evidência científica para compreender melhor como e porquê pensamos o que pensamos, sentimos o que sentimos, nos comportamos como nos comportamos, tomamos decisões como tomamos.

Anos e anos deste estudo sistemático têm disponibilizado um campo de evidência e um campo científico importantíssimo ao mundo e num conjunto amplo de áreas, não apenas na Psicologia. Um campo de evidência cada vez mais relevante que, por exemplo, deu à humanidade, três prémios Nobel nos últimos 20 anos, dois no campo de Economia e um na Medicina.

É esse campo que temos explorado com estes Diálogos da Psicologia e de que falaremos hoje relativamente à área do Marketing. Da dialética, do diálogo entre a Psicologia e esta área do saber. Afinal, como poderíamos promover (ou vender) sem olhar ao que as pessoas querem e à forma como decidem?”

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Foi assim que na quinta feira passada iniciei a moderação do Diálogos Psicologia na Ordem dos Psicólogos Portugueses. Caminhamos neste debate a partir das relações entre a Psicologia e o Marketing, passamos pelo papel das narrativas, reflectindo a partir do impacto que têm (veja-se os fenómenos resultantes da narrativa pós-11 de Setembro e do seu impacto em áreas fundamentais para o bem-estar como a guerra, a discriminação, o terrorismo, as migrações e refugiadas/os), de como se constroem e impactam nos acontecimentos (veja-se os estudos na área das narrativas e da economia e pense-se no impacto que a narrativa económica pode ter em potenciar crises económicas) e, consequentemente, do papel das narrativas na comunicação e no Marketing.

Pensamos também o papel do Big Data, que a American Psychological Association considerou como uma das 10 tendências para a Psicologia em 2019, reflectindo sobre dois discursos (Sala Oval e Mesquita de Baltimore) do presidente Obama pós-atentados de San Bernardino em 2015 e as fortes implicações da crescente facilidade de acesso a grandes quantidades de dados no Marketing e na Psicologia.

Tal qual fizemos com as fake news (e deep fake), partindo dos novos veículos (particularmente as redes sociais) que facilitam a sua disseminação e cristalização. Neste ponto introduzimos também o desafio que se coloca à Psicologia com a emergência do “populismo em ciência” e de todos os fenómenos que brotam à sua volta, pelo que pensamos em como promover e comunicar a própria Psicologia e em como as/os Psicólogas/os, pessoas geralmente como a Robyn que procuram ferramentas para ajudar os outros e que não raras vezes sentem constrangimentos na sua promoção, se podem melhor e mais eficazmente promover.

Foi um momento particularmente rico e interessante. Obrigado à Rute Ferreira e ao Francisco Baptista, pela partilha de conhecimentos, de experiências e pelos desafios que nos deixaram. Obrigado ao Duarte Zoio pela reflexão, pelos contributos e por ser o grande impulsionar deste tema nestes Diálogos. Diálogos também imaginados pelo sempre impulsionar Nuno Colaço e possíveis pelo compromisso da grande equipa, um/a por um/a, que a Ordem dos Psicólogos Portugueses tem. É, na verdade.

Obrigado a todas/os.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem