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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Dia Europeu das Fundações e Doadores

Ontem… Ontem comemoramos o Dia Europeu das Fundações e Doadores, dia relevante de visibilidade, num momento de particular desafio, para o sector fundacional e filantrópico na Europa. Dia também para comemorarmos a vitalidade e dinamismo do sector em Portugal, com um conjunto de novas Fundações a surgirem nos últimos meses e anos e com o processo de reforço e desenvolvimento da filantropia estratégica.

Ontem… Ontem a Fundação Mendes Gonçalves comemorou pela primeira vez este dia, em actividade. Fê-lo participando nas comemorações e apresentando a Fundação numa iniciativa do Centro Português de Fundações. Fê-lo, também e simbolicamente, publicando o seu primeiro Plano Estratégico (2025-2028), aprovado pelos seus Órgãos Sociais a 22 de Setembro, plano que orientará e enquadrará a sua acção e cada um dos planos de atividades dos próximos anos. Agradecendo muito a todas as pessoas que contribuíram para este documento, incluindo a toda a equipa e órgãos sociais da Fundação, convido à sua leitura – https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/09/Plano-Estrategico-2025-28.pdf – e destaco os seus 6 objetivos estratégicos:

. Estruturar e consolidar a Fundação Mendes Gonçalves como uma organização de referência em inovação social, baseada na filantropia de proximidade;

. Desenvolver e implementar um ecossistema educativo de qualidade, centrado na criança, enraizado no território, baseado na evidência e replicável;

. Promover estilos de vida saudáveis e dignos através da nutrição e da segurança alimentar, como fundações do bem-estar e da equidade;

. Regenerar os solos, os ecossistemas e os vínculos comunitários, através da agricultura regenerativa e da valorização do saber local;

. Ampliar o impacto da Fundação através da comunicação estratégica, da transferência de conhecimento e da influência em políticas públicas;

. Inspirar para multiplicar: transformar o exemplo em possibilidades.

Ontem… Ontem cumpri 9 meses nesta minha função na Fundação Mendes Gonçalves e ao serviço desta incrível missão. Data bonita. Obrigado pela oportunidade. Obrigado por o fazermos, juntos, pelo futuro de todos.

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Comportamento Democracia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Política

12.06.2012, gestão do bem-comum e inovação social

Recuemos ao dia 12 de Junho de 2012. Comemorava-se mais um Dia Nacional da Rússia e centenas, senão milhares, de adeptos da Rússia marcharam em comemoração deste dia em plena capital da Polónia, situação que resultou em confrontos com adeptos da Polónia. Mais tarde jogar-se-ia um Polónia-Rússia do Europeu de Futebol de 2012 e, mais uma vez, o o futebol cruzava-se com tensões políticas históricas e com desafios societais complexos. Também neste dia o Mundo perdia Elinor Ostrom.

Elinor Ostrom, além de ter sido a primeira mulher a receber o prémio Nobel da Economia (em 2009, a par de Oliver Williamson), estudou e reflectiu durante décadas sobre a gestão do bem-comum (ou dos bens comuns). No seu discurso de aceitação desse Nobel – intitulado “Beyond Markets and States: Polycentric Governance of Complex Economic Systems” [Para além dos Mercados e do Estado: Governança Policêntrica de Sistemas Económicos Complexos] e cuja leitura muito aconselho – sublinha a necessidade de desenvolvermos abordagens colaborativas e baseadas na inovação para a resolução dos desafios mais complexos, defendendo que a gestão eficaz dos recursos comuns e a resposta a problemas sociais complexos exigem sistemas de governo policêntricos, com diferentes camadas de tomada de decisão que envolvam diferentes pessoas e as comunidades locais e organizações não governamentais a par dos governos.

Partilho-o a propósito de uma reflexão que considero muito relevante e que li, em artigo no Público da autoria da Sofia Lai Amândio e Jürgen Howaldt e cuja leitura também aconselho, intitulado: “Vinte anos de políticas de inovação social na Europa em risco” (https://lnkd.in/d8mEqBEz).

Artigo que, fazendo uma resenha histórica do caminho percorrido nos últimos anos na área da inovação social na União Europeia, reflecte sobre os riscos de regredirmos nos estímulos e suporte conferidos à co-criação e à participação mais ampla na reflexão e desenho de respostas para os desafios societais complexos que vivemos: “A experiência dos últimos 20 anos prova que a inovação social não é acessória. É indispensável para enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro sustentável.”

Enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro mais sustentável com co-criação, inovação social e com modelos policêntricos de gestão e preservação do bem-comum.

Que não desistamos… Pelo presente. Pelo futuro de todos.

Ps. O Polónia-Rússia desse dia terminou 1-1.

Ps2. Nesse Europeu, co-organizado pela Polónia e Ucrânia, Portugal foi eliminado nas meias-finais, em grandes penalidades, pela Espanha (que o venceria). Esse jogo aconteceu na cidade de Donetsk, num estádio que, tendo sido inaugurado em 2009, desde 2014 não recebe qualquer jogo, em resultado de uma Guerra com já mais de uma década que nos últimos 3 anos e meio se agudizou e tomou proporções que em 2012 dificilmente se imaginariam.

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Comportamento Democracia Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global

Ainda a propósito da minha última partilha que começava com 2 bebés que terão hoje 4 dias, volto com outro recurso que complementa – porque amplifica a outros desafios societais – o texto da passada 2ªF que se referia principalmente à desigualdade/iniquidade.

Falo de uma publicação que parte da colaboração entre a American Psychological Association e as United Nations, da responsabilidade de Odile Frank intitulada: “Psychological aspects of multilateral social development policy and the global development agenda” [Aspectos psicológicos das políticas multilaterais de desenvolvimento social e a agenda de desenvolvimento global] | https://www.apa.org/international/united-nations/social-development-policy.pdf

Documento que parte da identificação de 3 dimensões psicológicas importante ao momento actual de progresso (ou da ausência de progresso ou mesmo do retrocesso) em vertentes da agenda global de desenvolvimento:

. O impacto da pobreza e exclusão no bem-estar e o que podemos fazer para o prevenir;

. A compartamentalização de disciplinas científicas (quando os desafios societais complexos carecem de abordagens interdisciplinares) e a centração em ideias (por vezes preconceitos) e modelos conceptuais de intervenção que nem sempre são os mais custo-eficazes, condicionando o progresso;

. A nível global as tensões mais hedoinistas de maximização e, consequente, concentração da riqueza e algum desequilibrar da balança para mais empatia que altruísmo – a empatia é importantíssima, não me entendam mal, mas, por si só, insuficiente à mudança.

Convido, pois, à sua leitura e a reflectirmos sobre:

. Como pode o desenho de políticas atender mais significativamente às questões sociais, valorizando o impacto nas pessoas e comunidades das necessárias decisões de base económica;

. Como podemos co-construir e desenvolver de forma eficaz e ampla a segurança económica de todos, a partir de redes de proteção mais inclusivas;

. Como podemos renovar e actualizar os princípios de solidariedade entre pessoas, comunidades e gerações, a partir do fortalecimento dos laços e da coesão social e intergeracional e da confiança nas instituições, visando sociedades e um Mundo mais resiliente e com futuro.

É difícil? Certamente.

Os temos ajudam? Nem por isso…

Mas ignorar que o necessitamos de fazer enfraquecerá, sempre e mais ainda, as instituições e a agenda de desenvolvimento global, com repercussões que imagino duras e que historicamente conhecemos com o sofrimento e sacrifício de muitas pessoas. Já fazer destes desafios desígnio, pode dar-nos um propósito, primeiro individual, depois de comunidade e, finalmente, global que estimule uma sociedade mais justa, equitativa e melhor equipada para o presente e futuro.

Farei por isso. Faremos por isso.

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Comportamento Educação Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia Política Psicologia

2 bebés. 2 Mundos.

Hoje nascerão certamente dois bebés, sem problemas de saúde, cuja família vive em Birmingham. Espera-se, no entanto, que daqui a 5 anos um deles possa ter mais de 4 meses de atraso em termos desenvolvimentais e 4 a 5 vezes mais probabilidade de desenvolver um problema de saúde mental que o outro. A diferença? Um destes bebés nascerá em contexto de pobreza e o outro não. Hoje (2025!), nada mudando, é o que os espera no Reino Unido (UK).

A desigualdade é, certamente, uma das causas maiores das camadas de ressentimento, desconfiança e desesperança que pairam sobre um UK que, pós-Brexit, parece caminhar para que Nigel Farage, um dos seus mais radicais e sinistros obreiros – porque optou por declaradamente ludibriar, se não mentir, aquando da campanha do referendo – possa vir a ser o seu primeiro-ministro.

Nessa Birmingham, na convenção do Reform UK (o seu partido de direita populista/radical, já líder na maioria das sondagens), Farage anunciou a adesão ao partido de Nadine Dorries, ex-ministra da cultura de Boris Johnson e outrora sua grande apoiante que defende hoje que Partido Conservador está “morto” e que só Farage pode “mudar o UK”.

Infelizmente conhecemos cada vez melhor esta proposta de mudança que “varre” a Europa e as Américas do Norte e do Sul e como se foca em políticas de curto prazo, de questionamento de direitos humanos que muitas/os consideramos universais e de fragilização das instituições democráticas e da política baseada em factos e evidência (científica).

Ora, as desigualdades que atrás menciono persistirão se nada de significativo for feito para prevenir a exposição de bebés e crianças a situações de pobreza e exclusão e, particularmente, para os que nascem em alguns contextos considerando que os valores e princípios destas políticas ao invés de os protegeram, tendem a vulnerabilizá-los mais, com graves consequências para o seu desenvolvimento e possibilidade de bem-estar futuros e para o contrato e coesão social.

O “Child Poverty Action Group” publicou este ano o relatório “Building Blocks – How to deliver a child poverty strategy” cuja leitura recomendo. Dele, com o meu viés, destaco:

. A importância de definir metas/objectivos e serem publicamente assumidos;

. Uma reforma dos diversos apoios sociais informada pela ciência;

. Expandir refeições escolares gratuitas, habitação social e creches (de qualidade);

. Garantir responsabilização através de uma monitorização independente dos resultados das políticas;

. E, finalmente, investir nos primeiros 1000 dias de vida, quando comprovadamente as políticas de equidade têm maior impacto e custo-efectividade, se perspectivadas a médio/longo prazo.

Vamos a isso?

Ps. O presente texto poderia ser totalmente sobre Portugal se alterando – apenas – a menção a uma cidade, o nome de um partido, do seu líder, de um/a sua/seu apoiante e de alguns (poucos) números.

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Política

Da Golegã para o Mundo…

Recentemente o Notícias do Sorraia veio conhecer mais aprofundadamente a história e propósito da Fundação Mendes Gonçalves. Conhecer, visitar os espaços, conforme são no presente e se perspectivam para o futuro, e conversar com o Carlos Goncalves, com a Conceição Zagalo e comigo.

Gostava, hoje, agradecendo o trabalho e o cuidado nele colocado, partilhá-lo e destacar deste três dimensões:

a) “Queremos transformar esta resposta numa referência nacional e demonstrar que, com o devido acompanhamento, é possível garantir um ambiente seguro, estimulante e afetivo fora das creches convencionais”, explicou Tiago Pereira. O modelo prevê a criação de mecanismos de supervisão contínua, formação especializada e avaliação de impacto, com vista à sua replicação noutros territórios e eventual integração como política pública”. Passagem em torno do projecto piloto relativo às Amas (Cuidar em Rede), cuja primeira fase de inscrições se iniciou no final da passada semana e que visa reforçar a oferta e a qualidade da oferta 0-3, complementar aos berçários e às creches, considerando a procura que existe para este tipo de respostas, a sua pertinência em alguns contextos (por exemplo em freguesias mais isoladas e/ou de menos dimensão) e o facto do crescimento da oferta de creche não conseguir ainda acompanhar as necessidades/procura, com claro prejuízo das famílias com menores níveis sócio-económicos;

b) “Conceição Zagalo, presidente do Conselho Executivo da Fundação, sintetiza o espírito da missão nos “três F’s”: fundamento, fertilidade e futuro. “Fundamento, porque partimos de uma base sólida de valores. Fertilidade, porque queremos multiplicar impacto. Futuro, porque temos a obrigação de garantir que o sonho que nos foi confiado não se esgota em nós.” Frase que sintetiza, claramente, a forma com nos posicionamos e como queremos, a partir do respeito e compromisso histórico e de legado com o passado, estruturar estrategicamente o presente para um futuro de e com impacto a partir da missão da Fundação Mendes Gonçalves;

e

c) “Queremos provar que é possível construir, no chamado interior, um modelo de desenvolvimento que sirva verdadeiramente as pessoas”, afirmou o fundador [Carlos Goncalves]. “O nosso objetivo é criar aqui condições para que cada criança, cada jovem e cada adulto possa realizar os seus projetos de vida.” No fundo, agir pelo futuro de todos…

Link para notícia completa aqui: https://noticiasdosorraia.sapo.pt/da-golega-para-o-mundo-fundacao-mendes-goncalves-quer-ser-motor-de-uma-sociedade-melhor/

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Democracia Desafios da Psicologia Educação FMG Fundação Mendes Gonçalves Política Psicologia

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

Pensemos os primeiros 1000 dias de vida. É neste período, dos nove meses de gestação aos primeiros dois anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.

Conjugando estas evidências com o conjunto de estudos sobre a maior eficiência e custo-eficácia (melhores resultados com menores custos) das políticas públicas neste período – bem demonstradas, entre outros, pelo prémio Nobel da Economia James Heckman – talvez tenhamos mesmo uma bala de prata para a promoção da equidade. Desde logo, através de políticas com eficácia e eficiência que, no período da gravidez e primeiros três anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento. Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção precoce na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias. Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.

Esta é uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo. Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.

 

Tiago Pereira

Uma bala de prata para as políticas públicas de promoção da equidade

JN, 30.07.2025

https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

2 anos…

9 de Agosto de 2023 é uma data fundamental – fundacional – da Fundação Mendes Gonçalves. Apesar do lançamento (23 de Abril) e do início da actividades terem acontecido apenas em 2025, no passado Sábado passaram 2 anos da publicação do primeiro Estatuto da Fundação Mendes Gonçalves e, logo, da sua instituição.

Foi nesse sentido e porque relevamos a importância da celebração e do legado – inscrito aliás com valor maior da Fundação Mendes Gonçalves e da sua missão (“Nutrir Futuros, Regenerar Legados”) – que comemoramos este momento, também com uma newsletter da qual gostava de destacar junto de vós duas importantes partes para uma melhor compreensão deste projecto. A saber:

a) Um sentido texto – https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/08/08/o-papel-da-lideranca-que-cuida-testemunho-de-conceicao-zagalo/ – da nossa presidente do Conselho Executivo (Conceição Zagalo) intitulado “O Papel Da Liderança Que Cuida”. Texto que trata a história da ligação da “nossa” Conceição Zagalo ao projecto Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, a forma como entende e pensa o seu enquadramento no Universo mais amplo da Mendes Gonçalves e a liderança, visão e inspiração do seu Fundador, Carlos Goncalves;

b) Uma grande reportagem – https://recordeuropa.com/videos/fala-portugal/grande-reportagem-golega-raizes-de-bem-estar-31-07-2025-289162?eg_sub=e40d275d04&eg_cam=adfb2b7a45193ef999e8895a879c777d&eg_list=12 – realizada pela TV Record Europa relativa ao nosso projecto e ao passado, presente e o que perspectivamos para o futuro da Fundação Mendes Gonçalves e do seu compromisso, contributo e impacto. Reportagem que, focando o impacto local e a forma como se imagina e propõe disseminar práticas e o impacto Mundo forma, destaca mais significativamente os projectos do futuro Centro Educativo e do programa Regenerar.

Uns minutos de leitura e uns minutos de um vídeo numa viagem ao que – dois anos volvidos da instituição e alguns meses depois da criação do plano estratégico (de que me orgulho ter dado um significativo contributo) e do início de actividade e constituição da primeira equipa (de que muito me orgulho ser parte) – vamos dia-a-dia construindo, em equipa e na relação da equipa com as restantes equipas do Universo Mendes Gonçalves e com os nossos Órgãos Sociais (obrigado a todas/os), na procura de cumprir, com compromisso, responsabilidade e qualidade, a missão que nos foi confiada pelo Carlos Goncalves: contribuir para um (melhor) futuro de todos, da Golegã para o Mundo.

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Democracia Educação Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Uma bala de prata para a promoção da equidade

1, 2, 3, (…) 1000… “Pensemos os primeiros mil dias de vida. É neste período, dos 9 meses de gestação aos primeiros 2 anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.”

Num período em que publicamente se debate a relevância da estimulação e da relação e vínculo mãe-bebé/criança e o currículo de crianças/jovens em matérias que envolvem o desenvolvimento e a cidadania, venho partilhar um artigo que escrevi para o Jornal de Notícias. Começa com o excerto anterior e chamei-lhe “Uma bala de prata para a promoção da equidade”.

Nele – abordando os estudos do Prémio Nobel da Economia James Heckman que demonstram a maior eficiência das políticas públicas que visam a equidade quando decorrem no período da primeira infância – destaco 3 prioridades que me parecem essenciais e, particularmente, possíveis de implementar pela existência de recursos e por serem mobilizadoras de diversas forças políticas/movimentos da ciência e sociedade civil:

a) “Políticas que, com eficácia e eficiência, no período da gravidez e primeiros 3 anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante de situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições, visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento;

b) Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;

c) Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.”

Termino, afirmando que a considero que “uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo.”

“Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.”

Link para Artigo: https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Comportamento Desafios da Psicologia Política Psicologia

Nuno Portas, tolerância, liberdade, ternura

“Camila Sosa Villada, escritora, actriz, travesti”, escreveu Isabel Lucas em Abril deste ano para titular a sua entrevista para o Ipsilon (Público) a Camila Villada acentuado, a seguir, uma frase sua: “Cada dia era o último dia”.

Este “cada dia era o último dia” é uma descrição de Camila do que refere ser o facto das pessoas travestis estarem, a cada dia, perante um abismo. Escreve-o e descreve-o, com profundidade e intensidade, no seu primeiro livro – “As Malditas”.

História em parte autobiográfica, que acabo de ler num momento particularmente sensível do nosso país onde a intolerância, a reacção hostil ao diverso e a invisibilidade parecem cavalgar um território não imune ao ressentimento, onde a vergonha (de insultar, inventar, mentir, lubridiar e de assumir publicamente os instintos mais básicos) parece ter desaparecido e extremamente permeável aos discursos e narrativas simplistas e de facção (nós vs. outras/os) e à balada da (des)informação das redes sociais.

Que acabo de ler, também, no momento do desaparecimento de Nuno Portas, figura e pessoa maior de um tempo que, em parte, pude viver e de um tempo em que benefício significativamente do seu trabalho, pensamento e, por vezes abnegação. Seu e de seus companheiros de tempo, mesmo quando uns e outras/os, naturalmente, não concordavam em tudo.

Também no Público na homenagem de Paulo Portas (e da família) ao Pai leio: “o nosso Pai [Nuno Portas] viveu a vida que quis viver e não me lembro de o ouvir falar pelos outros, ou por nós. É um homem inteiramente livre e ensinou-nos a viver apenas como a nossa liberdade determinasse. Numa família tão plural, essa lição de tolerância e ternura está guardada nos nossos corações.”

De tolerância e de ternura, que se guarda, que se inscreve, nos corações dos que toca e dos que o rodeiam e nele se inspiram. Uma lição que contrasta com a frase final (pequeno mas inócuo spoiler, desculpem) do livro de Camilla Villada: “Nós, as esquecidas, já não temos nome. É como se nunca tivéssemos estado ali.”

Que não nos esqueçamos, nunca. Do e do que representa Nuno Portas. De todas as pessoas.

E que não esqueçamos que, por vezes, pequenas lutas (eventuais vitórias) no presente têm significativos e não previstos impactos no futuro. E que não esqueçamos que por vezes, pequenas lutas programáticas ou ideológicas (eventuais vitórias) no presente têm reais e não previstos impactos na vida de pessoas reais, concretas. As ou os sem nome são, afinal, muitos nomes, muitas vidas, muitas histórias, não raras vezes de muito empenho, sacrifício e sofrimento de pessoas. De pessoas como cada um/a de nós.

Parte, portanto, de nós.

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Comportamento Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Vieira…

Uma vieira. Uma bonita taça, redonda. A sua preparação, a atenção, o foco, o cuidado, o carinho nela colocada:

“É para provar? | Sim, por favor.”

Um olhar para a taça, as texturas e aromas, o simples, mas belo, que acompanha a vieira. O provar e um acenar de aprovação.

“Está perfeita.”

Um esgar de alívio, mas ainda intranquilo.

“Está boa?”, pergunta quem a idealizou, projectou, cozinhou.

“Está mais do que perfeita. Inclui na ementa | Sim, chef. Obrigada.”

E aí sim, um sorriso.

Assim começa o terceiro episódio da quarta temporada da série The Bear. São 3 minutos incríveis ao som de Slow Disco, uma música de St Vincent cujo refrão nos interpela com a questão: “Am I thinking what everybody’s thinkin’?” [Estou a pensar o que todos pensam?]. E quem sabe, sim.

A jovem chefe Sydney da série, brilhante à sua forma, naquele contexto de pressão, de exigência, de uma solitude estranha (mesmo que “nunca se esteja sozinho num restaurante”), ouve do chefe Carmy (Bear) o feedback de uma (acção) perfeita logo traduzida e reinterpretada por si de outra forma. Mesmo aquando de uma perfeição, realmente perfeita, conforme podemos perceber e sentir ao longo do episódio.

Esta busca pela perfeição (mais que perfeita), que a série tão bem explora; esta tendência para a impossibilidade e, até, para a irreversibilidade da falha, do erro, da não perfeição que o contexto da série (as cozinhas e os restaurantes) tão bem explora; este “cada segundo conta”, mantra da série, tão contemporâneo, tão presente, tão violento por vezes, fazem-nos duvidar, proteger, estar permanentemente em “modo alerta/segurança” e, por isso, tendermos a confiar tão pouco em nós, desde logo, e nas outras e outros, particularmente quando por nós sentidas e sentidos como verdadeiramente outras e outros. Fazem-nos assim e fazem-nos quebrar enquanto comunidade, simultaneamente coesa e aberta. Mexem com a nossa possibilidade de bem-estar.

Também por isso, creio, valem tanto os minutos do episódio (ou da série, toda), como os que nos levem a ler, por exemplo, este texto sobre o Harvard Study (que tem o link para uma Ted Talk do seu, há época, director – https://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/). Um estudo que acompanha e segue pessoas desde 1938 – em diferentes fases e com diferentes grupos – e que nos ajuda, com evidência, a pensar sobre a saúde (e doença) e o bem (e mal)-estar. Um estudo que demonstra o quanto as relações e o quão nos sentirmos bem nas nossas relações e comunidade (até mais que a fama/reconhecimento e o dinheiro) determina o nosso bem-estar e a nossa saúde.

Relações, comunidade e propósito. O que queremos, @Fundação Mendes Gonçalves, contribuir para co-construir, estudar impacto e, quem sabe, inspirarmos outras e outros. Isso procuramos. Procuraremos.. Juntos, pelo futuro de todos.