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Sofia Corradi

Coincidentemente estava de regresso a Itália, pela primeira vez, aquando da sua morte, na “sua” Roma. Estávamos a 17.10 último e saber da morte de Sofia Corradi, “mãe do (programa) Erasmus”, fez-me reviver memórias muito concretas e importantes da minha vida.

Para mim, que cresci num contexto relativamente distante dos grandes centros (de Portugal e, mais ainda, da Europa), com limitado acesso a determinados estímulos e à possibilidade de viajar, o meu Erasmus foi uma fantástica e única oportunidade de experimentar algo que mudou a forma como via a Europa e, de certa forma, me passei a ver e os outros me passaram a ver, tal o que me transformou.​

O meu Erasmus, iniciado no Inverno de 2004 com base numa Turim onde nevou muito (sim, sou eu…) é a prova de que foi e é possível promover algo com que a Sofia Corradi sonhou: desenvolver pessoas pelo estimular de relações que atravessam países e culturas e do reforço da coesão a partir da diversidade. E isto não é de somenos, para mais num tempo onde viajar era ainda um privilégio e de ausência de redes sociais como hoje as conhecemos.

Estou bastante certo do impacto incrível que aquele tempo teve na expansão do meu horizonte de possibilidades, pessoais e profissionais. Talvez por isso não me surpreenda a cada vez mais robusta evidência científica que demonstra como a qualidade e diversidade das relações impactam positivamente as oportunidades que temos ao longo da vida, sobretudo para quem provém de contextos mais vulneráveis (veja-se o recente relatório da BI Team – https://www.bi.team/wp-content/uploads/2025/12/Friends-with-benefits-How-to-connect-communities-to-create-opportunities.pdf​ – que demonstra como o capital social decorrente de ligações e relações entre pessoas de contextos socioeconómicos diversos aumenta de forma substancial as oportunidades de quem cresce em meios mais desfavorecidos.

E, se isto foi importante há 20 anos, é-o hoje, também, ainda que eventualmente por diferentes motivos. Já não será, tanto, pela ausência de estímulos, possibilidade de viajar e de conhecer realidades diversas. Antes, talvez, como política pública de promoção da equidade e como forma de “combater” os aparentes níveis de bem-estar mais baixos, cada vez mais cedo e durante cada vez mais tempo (https://www.publico.pt/2025/09/08/p3/noticia/ficar-infelizes-cedo-lomba-infelicidade-desapareceu-mundo-2146170). Indicadores que parecem ser sinal de que algo de estrutural não está a funcionar bem na forma como nos relacionamos connosco, com os outros e com o que nos rodeia e em como o decréscimo das relações significativas e de pertença e a ausência de diversidade nas mesmas parecem para isso concorrer.​

Manter o legado da Sofia Corradi é, por isso, contribuir para que ninguém fique confinado e condicionado ao seu ponto de partida e isso faz-se, também, estimulando mais relação e maior diversidade nas relações, com impacto na abertura de possibilidades e no bem-estar.

Aqui estou para o atestar. Obrigado Sofia.

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Educação Política Psicologia

1 em cada 4

“1 em cada 4 – Falar sobre Saúde Mental” foi o título que o Município de Caldas da Rainha escolheu para uma iniciativa que, em outubro passado, a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, visou a criação e divulgação de 4 episódios de um podcast com este nome.

Sim, “1 em cada 4” para nos recordar que, à elevada prevalência de problemas na área da saúde mental em Portugal e à forma como os dados portugueses comparam muito mal com os dados da grandíssima maioria dos países europeus, normalmente não corresponde um nível de comunicação e interesse público (e, já agora, dos decisores) em linha com estes indicadores, nem, infelizmente, níveis elevados (por vezes sequer razoáveis) de literacia da população nesta área.

Também por isso, creio ser muito relevante que as autarquias, em maior proximidade com as pessoas e comunidades impactadas significativamente por estes problemas, promovam iniciativas que permitam a discussão (informada) destes temas, com a participação das pessoas e que visem a melhoria da literacia da população na área da saúde mental.

Este podcast de que vos falo visou exatamente esse propósito e permitiu o debate sobre Saúde Mental vs. Doença Mental, Doença Mental Grave, Acesso aos cuidados de Saúde Mental e respostas locais, além do episódio para o qual fui convidado e dei um contributo – e que convosco aqui partilho: https://youtu.be/gl4Bvs3xlto?si=EAayJClYRJm79WyK – em torno da Comunicação sobre Saúde Mental: A importância e as boas práticas.

Fi-lo a convite e com a Adriana Oliveira Brites, a quem volto a agradecer a confiança, numa conversa que versou a importância de falar abertamente sobre saúde mental na sociedade atual, as barreiras que se colocam a que se fale mais sobre estes temas, o papel dos media e das redes sociais, bem como as boas (e menos boas) práticas de comunicação num momento de transformação da forma de acesso à informação e de maiores possibilidades de partilha de (des)informação.

Um pequeno contributo que partilho para um importante tema que diz respeito a todos. Falar sobre saúde mental, com informação séria e com cuidado, é uma das melhores formas de reduzir o estigma, aumentar a compreensão e literacia nesta área e de suscitar, junto da sociedade civil e decisores políticos, a urgência que o tema merece, porquanto condiciona e impede o pleno florescimento e o bem-estar, no presente e para o futuro, de um número muito significativo de pessoas, famílias e comunidades.

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Uma salva de palmas…

Alguma vez se perguntaram pela história da letra – parte do imaginário coletivo – conforme habitualmente em Portugal, em português, cantamos a melodia do “Parabéns a você”?

Hoje penso nisso porque, para mim (para nós), passam 11 anos de um daqueles (não muitos) momentos em que podemos verdadeiramente dizer que passa a existir um antes e um depois. Neste meu e nosso caso, um AB e DB, a juntar ao AC e DC.

Mas a letra… Recuemos a 1942 e a um concurso da Rádio Tupi do Rio de Janeiro que levou 5000 pessoas a proporem letras em português para a melodia do “Happy birthday to you”. Bertha Celeste Homem de Mello, uma professora, poetisa e farmacêutica venceu e pôs milhões, de geração em geração, a cantar a quadra que propôs: “Parabéns a você | nesta data querida | muita felicidade | muitos anos de vida”, com uma ligeira variação no Brasil (“Parabéns pra você”) e em Portugal (“muitas felicidades”).

Era e é uma letra mais personalizada, próxima e envolvente face à original. Mais comunitária pelas “almas” que se reúnem para a cantar e celebrar o “dia de festa”. Letra que me faz evocar outro aniversário e o evento que há duas semanas o celebrou.

Falo do 57º aniversário (30º enquanto Fundação Comunitária) da Fundação CEBI, uma referência (exemplo, inspiração, …) no papel das Fundações Comunitárias na organização e tentativa de resolução dos desafios das comunidades, a partir e com a participação das próprias comunidades.

Falo do aniversário e da oportunidade que me foi dada de, representando a Fundação Mendes Gonçalves, participar na mesa-redonda “Futuro das Fundações Comunitárias em Portugal” com o Ricardo Garcia (Centro Português de Fundações), @Jaime Ramos (Fundação ADFP) e Eduardo Graça (CASES) com moderação do Luís Ferreira Lopes.

No meu contributo – além de enquadrar a Fundação Mendes Gonçalves e a sua visão de filantropia de proximidade a partir da vontade/generosidade do seu Fundador (Carlos Goncalves) e reforçar a importância do espaço e do enquanto o micro (da realidade personalizada, com os nomes das pessoas) dos desafios mais macro das sociedades – destaquei: a) o papel que as fundações comunitárias podem ter em respostas sociais mais eficazes, eficientes, personalizadas, na promoção da inovação social e na progressiva valorização e melhor perceção de todo o sector filantrópico pela maior confiança das comunidades nas Fundações Comunitárias; b) como podem contribuir para a resiliência das comunidades, para os seus processos de adaptação a novas realidades ou para a agilização da resposta a situações de catástrofe; ou c) como é fundamental para o futuro aumentar a diversidade, incluindo de pessoas mais jovens, nas equipas dirigentes, como forma de aumentar a representatividade, aproximar as respostas dos públicos e capacitar a sociedade civil para novas formas de intervenção e contributo para as comunidades.

E… Para a menina CEBI – e para o conjunto de Fundações que dão um importante contributo para as comunidades – uma salva de palmas.

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Educação Fundação Mendes Gonçalves

Sempre a Educação

“Sempre a Educação”. Título escolhido por Eduardo Marçal Grilo, presidente do Conselho de Curadores (CC) da Fundação Mendes Gonçalves para um artigo (https://expresso.pt/opiniao/2025-12-03-sempre-a-educacao-1defb76b) publicado no Expresso a propósito do Dia Internacional da Cidade Educadora.

No artigo sublinha “a grande importância que deve ser atribuída à formação das crianças dos 0 aos 6 anos de idade e, portanto, à frequência das creches e dos jardins de infância pois é nestas idades que se criam as raízes e as bases em que assenta toda a integração das crianças na sociedade, em especial as que pertencem aos grupos mais desfavorecidos.” Nada mais relevante. Nada mais conectado com a ação e missão da Fundação Mendes Gonçalves.

Nada, também, mais próximo das conclusões do “Talis Starting Strong 2024” (https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2025/12/results-from-talis-starting-strong-2024_763cbc56/20af08c0-en.pdf), importante estudo da OECD – OCDE que, embora sem dados de Portugal, destaca a relevância da educação na primeira infância enquanto algo fundamental ao desenvolvimento educativo e social de bebés e crianças. Afirma o seu enorme “potencial de resposta a um conjunto significativo de desafios” ainda que sublinhando a necessidade de uma “força de trabalho capacitada e motivada para lidar com as exigências únicas de promover o desenvolvimento, a aprendizagem e o bem-estar dos bebés e das crianças mais pequenas”, algo que prosseguimos também na Fundação Mendes Gonçalves e que é base da proposta de Centro de Desenvolvimento Profissional que prevemos associar à Escola Mendes Gonçalves.

Finalmente, nada, ainda, mais próximo do estudo da The Royal Foundation Centre for Early Childhood sobre as “atitudes da sociedade civil sobre a educação na primeira infância” (https://centreforearlychildhood.org/wp-content/uploads/2025/05/The-Royal-Foundation-Centre-for-Early-Childhood_Public_Perceptions_Survey_second_release_April_2025.pdf). Estudo que destaca a relevância atribuída a este período pela sociedade civil, a necessidade de políticas de apoio às famílias, considerando a sua importância para o desenvolvimento de bebés e crianças, mas que, simultaneamente, parece não encontrar espelhado o papel fundamental que a educação (de qualidade) dos 0 aos 3 anos pode desempenhar, algo que reforça a necessidade de continuarmos a promover conhecimento e literacia e a contribuir para um sobressalto da sociedade civil perante a necessidade de aumentar (a qualidade d)a oferta, algo que a Fundação Mendes Gonçalves também persegue.

Termino como termina o artigo o nosso Presidente do CC, dizendo que como otimista que sempre foi (eu acompanho) está “seguro de que o país vai conseguir ultrapassar este desafio que não é fácil, mas que tem condições para poder vencer. O país precisa de gente nova, bem formada, com pensamento próprio, responsável e pró-ativa. Para isso nada melhor que “Um bom começo” para a sua educação e formação.”

Vamos a isso?

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Dois Eventos um mote: Criar Comunidade

Criar confiança, segurança, comunidade. Na mesma semana pude participar e intervir em dois eventos que, tratando de contextos e focos claramente diversos, tinham como resposta central aos desafios que tratavam estas três poderosas palavras-chave ao bem-estar na contemporaneidade. Confiança. Segurança. Comunidade.

O primeiro (11.11), um painel em torno da “Inovação territorial no Ribatejo: parcerias e soluções para o território do futuro” onde, com o João Cascalheira e o Paulo Gonçalves e no âmbito do Encontro Fidelidade Comunidade – Edição Centro-Sul) (obrigado pelo convite e confiança, Teresa Ramalho e toda a equipa), reflectimos sobre como a as parcerias e as redes de inovação e partilha são fundamentais para “aproximar, valorizar e transformar as comunidades locais”, conforme o mote do Encontro. Discutimos, no fundo, como a criação de rede e comunidade entre organizações é fundamental para, sucessivamente, desenvolver e implementar práticas que respondam aos desafios específicos de cada território e, nesse sentido, para contribuirem para (criar) comunidades mais resilientes e preparadas para os seus desafios individuais e colectivos.

O segundo (13.11), um painel intitulado “Navegar na Incerteza: Construir Confiança em Tempos de Mudança | Transformar a ansiedade em ação positiva e criar culturas resilientes” enquadrado no 3º Encontro da “Aliança Portuguesa para a Promoção da Saúde Mental no Trabalho” (obrigado pelo convite e confiança, Filipa Palha e toda a equipa). Também aqui discutimos a importância do alinhamento de valores, da versatilidade, do desenvolvimento pessoal e profissional enquadrados, sempre, nas dimensões da comunicação, da relação, da confiança e da segurança (incluindo a psicológica). Discutimos, no fundo, a criação, também, de comunidade, neste caso nas organizações e da sua relevância em tempos e contextos de maior incerteza, desafio e mudança.

Num e noutro momento esta ideia simples, mas decisiva, de criarmos (mais) comunidade também para resistirmos a um “tempo e ambiente de feição” ao ressentimento, ao afastamento e individualismo, à polarização. Comunidade… Na nossa vida pessoal e nos nossos territórios. Na nossa vida profissional e nas nossas organizações e equipas. Na nossa sociedade, também porque…

…”A minha humanidade está intrinsecamente ligada à tua e, por isso, eu sou humano porque pertenço, participo e partilho de um sentido de comunidade”. Disse-o Desmond Tutu, sintamo-lo verdadeiramente e que possamos agir na construção deste sentir e sentido de comunidade.

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Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Embaixadores Regenerativos

“A degradação do solo ameaça a biodiversidade e a segurança alimentar, colocando em risco a estabilidade dos ecossistemas”. Recentemente o “Agroportal” publicou uma notícia que assim começava para logo referir que “o nosso ambiente é crescentemente afetado pela perda de biodiversidade, a extinção de espécies e a degradação do solo, que avançam a um ritmo alarmante (…) de acordo com a FAO mais de 33% dos solos do planeta estão deteriorados, um número que compromete a estabilidade dos ecossistemas e a produção de alimentos”.

A degradação dos solos, sendo um desafio global, é já hoje um tremendo desafio em Portugal. Como referimos na nota conceptual do programa Regenerar da Fundação Mendes Gonçalves (https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-003-FRE-Nota-Conceptual-Regenerar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf) “vivemos uma crise ambiental que ameaça a saúde dos ecossistemas, a segurança alimentar e a estabilidade económica”.

Dizemo-lo e assumimos que “perante a insuficiência dos modelos convencionais, é urgente transitar para práticas regenerativas que restaurem o solo, exponenciem os recursos naturais e revitalizem as comunidades (…) A agricultura regenerativa propõe uma mudança de paradigma: não apenas proteger, mas regenerar o solo, a biodiversidade e os sistemas vivos. Baseia-se em princípios como minimizar a perturbação do solo, manter a cobertura vegetal, promover a biodiversidade, integrar animais e compreender o contexto local. Mais do que um conjunto de técnicas, é uma visão de cooperação com a natureza, de cuidado coletivo e de construção de resiliência para as gerações futuras.” Dizemo-lo e propomo-nos actuar no sentido da criação de possibilidades de “regeneração do solo, dos ecossistemas naturais e das comunidades, promovendo a resiliência e o bem-estar, com base na criação e partilha de conhecimento”.

É com este intuito que lançamos uma call para estudantes do ensino superior que se pretendam mobilizar enquanto embaixadores regenerativos, de acordo com estes princípios, valores e objectivos. A iniciativa é enquadrada num Living Lab da rede europeia de Living Labs e os participantes terão acesso, gratuito, a ser parte de um grupo (comunidade) com acesso a experiências práticas, ações de formação e eventos colaborativos com profissionais do setor, aproximando a teoria, o saber fazer e a aplicação no terreno. Serão desafiados a divulgar práticas regenerativas junto das suas instituições de ensino, comunidades e explorações agrícolas da sua região; sensibilizar colegas e agricultores para a importância da regeneração do solo e da biodiversidade; aplicar conhecimentos adquiridos em projetos e experiências práticas; a ser um agente de mudança, promovendo impactos positivos sociais, ambientais e económicos.

Se te identificas, não deixes de te candidatar. Mais informações/inscrições: https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/11/19/fundacao-mendes-goncalves-abre-inscricoes-para-embaixadores-regenerativos/

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FMG

A Escola… E a co-criação e construção…

“Porque a concretização do direito à educação, consagrado (…) na Constituição da República Portuguesa, impõe ao poder político que crie e recrie as suas instituições para que todos os alunos possam, em igualdade de condições e circunstâncias, usufruir daquele direito e aceder a uma educação de qualidade (…) recentra-se a ação do Estado na Educação, assente na definição, implementação, avaliação e monitorização das aprendizagens, no quadro de orientações pedagógicas para a creche e a educação pré-escolar, e do currículo nacional, desde os 0 anos até à idade adulta…”

Estes excertos do DL 105/2025 que “cria o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P.” sublinham duas dimensões essenciais da missão e contributo da Fundação Mendes Gonçalves e do seu programa Educar: a promoção da equidade e a visão de uma sociedade com foco no futuro de todos; a importância de uma educação de qualidade no período 0-3 anos enquanto elemento para ela decisivo.

O ponto central desse contributo será a construção de uma Escola com Berçário, Creche, JI e EB 1C na Golegã com a ambição de ser integrada na rede pública (https://www.youtube.com/watch?v=99biJdnHfXI&t=2s). Um projecto da responsabilidade dos arquitectos japoneses Tezuka, que desenharam o Fuji, ainda hoje um dos equipamentos educativos mais reconhecidos do Mundo e que queremos que seja, além de um exemplo de educação de qualidade dos 0-10 anos, parte de uma rede de outros equipamentos associados e um centro de criação de conhecimento/ciência direccionada a estas idades e ao treino e desenvolvimento de profissionais de educação, com foco no período 0-3 anos.

Um contributo, portanto, para que a concretização da transferência da tutela pedagógica das creches para o Ministério da Educação – que tantas e tantos saúdam – redunde na promoção da sua qualidade e de caminharmos dos indicadores maioritariamente administrativos actuais para indicadores de qualidade centrados na criança e no seu desenvolvimento.

Mas, mais, queremos que esta Escola seja co-construida e participada a partir da comunidade. Isso fizemos nos últimos dois fins de semana, no âmbito de uma iniciativa que o nosso Fundador, Carlos Goncalves, promove anualmente durante a Feira Nacional do Cavalo. Na foto encontram-no, a par de outras duas pessoas fundamentais para este projecto – Conceição Zagalo, a nossa presidente do Conselho Executivo e Eduardo Marçal Grilo, o nosso presidente do Conselho de Curadores – a colocar um tijolo com um desejo para a futura Escola, junto dos muitos outros que recolhemos como contributo das muitas pessoas – a quem agradecemos – que nestes dias realizaram esta actividade e conheceram de perto a planta provisional do projecto. Muito obrigado.

Brevemente terão, cada um/a de vocês, oportunidade de também se envolverem e contribuírem para a concretização deste bonito projecto.

Ps. Se ainda não o fizeram convido-vos a subscreverem a newsletter da Fundação (no seu site) para receberem esta e outras informações.

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Comportamento Desafios da Psicologia Fundação Mendes Gonçalves

Voracidade…

Por estes dias pudemos confirmar a actual voracidade do tempo e da comunicação no espaço público… nos últimos 4 ou 5 dias, ainda as Autárquicas, as Presidenciais, as Leis dos “Estrangeiros” e Nacionalidade, o relatório do trágico acidente do Elevador da Glória, o debate sobre a proposta de projecto de Lei sobre as “roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto”, os julgamentos e crimes bastante mediatizados, os conflitos armados Mundo fora, etc, etc.

Tudo isto e a perda de Francisco Pinto Balsemão (e agora mesmo de Laborinho Lúcio), verdadeiros democratas, conforme tantas e tantos não se têm cansado e não se cansarão de, bem, sublinhar. O primeiro, aliás como o segundo, “dono” de um “projeto de sociedade, que nunca abandonou”, conforme Clara Ferreira Alves anotou. “Uma sociedade livre e civilista, sem tutelas militares ou policiais ou autocráticas. A sociedade civil era o sonho que ele ajudou a tornar realidade.”

É. Mesmo que nem todas as pessoas concordem com tudo (como poderia ser de outra forma?), assistimos nas últimas horas ao reconhecimento do legado de uma figura ímpar da democracia e liberdade. Uma pessoa que sempre lutou por uma sociedade civil, livre, civilista e empoderada. Atenta e com agência face aos problemas e às dificuldades que se colocam a nós próprios mas, também e particularmente, às outras e outros, particularmente às e aos com maiores vulnerabilidades. Uma sociedade civil, livre, civilista e participativa. Capaz de identificar e debater as necessidades e expectativas e de co-construir e implementar potenciais soluções que melhoram a vida das pessoas e das comunidades.

Um exemplo? O tenho “Voto na Matéria”, promovido pela UNICEF e cuja

edição de 2025 (https://lnkd.in/dUb5qxHe) demonstra que as “preocupações das crianças e jovens estão a mudar” e que a “pobreza e o custo de vida estão, pela primeira vez, entre as maiores preocupações de crianças e jovens, a par da saúde mental, discriminação e segurança digital”. Ora, não fora a voracidade deste nosso tempo e, talvez, ainda estivéssemos a viver ecos das “comemorações” próximas do Dia Mundial da Saúde Mental (10.10) e o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17.10).

Entendo e entendemos que parte do meu e nosso, Fundação Mendes Gonçalves, contributo é, junto da nossa comunidade e do nosso país, contribuir(mos) para estes temas também a partir do empoderamento e participação das pessoas e da sociedade civil. Partilho duas participações enquadradas nesse objectivo: a) um trabalho publicado no dia 10.10.2025 no Jornal Notícias de Ourém sobre Saúde Mental; b) A participação num evento, promovido anteontem pela Just a Change que tratou a (in)dignidade habitacional e, no caso da minha mesa, a sua relação com a saúde mental.

Temas fundamentais e preocupações “reais”, infelizmente por vezes secundados pela “voracidade” do tempo. Temas fundamentais à tal “sociedade livre e civilista”, de oportunidades para todas e todos puderem florescer e cumprir-se.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Um pedaço do início do meu dia…

Hoje partilho convosco um pedaço do início da minha manhã. Estou no Norte de Itália, ao qual volto quase 21 anos depois (fui estudante Erasmus em Turim), para participar, em representação da Fundação Mendes Gonçalves, numa iniciativa da European Community Foundation Initiative. Iniciativa que junta Fundações Comunitárias de 15 países, com o objectivo de contribuirmos para a reflexão e discussão sobre a sua resiliência, considerando o actual contexto e os desafios complexos que vivemos. Em Portugal… Na Europa (e Mundo). Um “deep dive”, como chamam.

Um “deep dive” que se sucede a outro que fiz (3ªF) em Reggio Emilia. Reuniões de trabalho sobre a abordagem de educação Reggio Emilia e a prioridade dada pela comunidade ao desenvolvimento infantil precoce que, há já largas décadas, contribui decisivamente para a construção e empoderamento da comunidade local e com um exemplo de referência de educação de qualidade dos 0-6.

Com este contexto, esta manhã sai para uma pequena corrida. Nela ouvi um podcast e uma Ted Talk que, quando parei, vi também. Chama-se “Baby Brains: Unlocking our Humanity” | https://www.youtube.com/watch?v=PDefVd8DRxM], é proferida pela neurocientista Rebecca Saxe e, tendo já 10 anos, está nos primórdios do acesso a mais e melhores dados (ainda insuficientes, mas, paradoxalmente, já relevantes) sobre o processo de desenvolvimento cerebral nos bebés e, sucessivamente, sobre a importância dos primeiros mil dias para o desenvolvimento ao longo de toda a vida, equidade e para uma vida com mais possibilidade de bem-estar para mais pessoas. À parte desta viagem histórica, a um início ainda recente, a humanidade que ouvirão/verão, mesmo com métodos “pouco convencionais” tem presente que é muito mais difícil estudar o cérebro do bebé que o cérebro adulto porque, ao contrário das pessoas adultas, os bebés “não seguem instruções” e “dão arrotos, fazem cocó e adormecem durante as experiências”.

Ouvi, depois, o episódio “Sabotage by Smartphone” [https://podcasts.apple.com/pt/podcast/sabotage-by-smartphone/id73802620?i=1000731887418] do “The Documentary” BBC sobre o aliciamento feito via redes sociais a adolescentes/jovens Ucranianos para realizarem acções de sabotagem no próprio país… A certa altura pergunta-se a uma psicóloga porquê jovens e como podem fazê-lo a troco da promessa de dinheiro, apesar das consequências potenciais que enfrentam, e porque as redes que o promovem procuram jovens: entre outras questões porque “os jovens tendem a considerar menos o médio/longo prazo nas suas decisões”.

Ora, vivemos um tempo em que temos de ousar sair do “apenas presente” e considerar o médio/longo prazo, contribuindo para um Mundo melhor para as gerações que se nos seguem, actuais e futuras. Na Fundação Mendes Gonçalves procuramos fazê-lo dia-a-dia… Trabalhar pelo futuro de todos, também porque, quando com propósito, cada pessoa estará, não apenas a contribuir para o futuro de todas as pessoas mas para o seu bem-estar presente e futuro.

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Dia Mundial da Saúde Mental e dia da atribuição do Prémio Nobel da Paz

Hoje é Dia Mundial da Saúde Mental. Dia que sublinha a importância da saúde mental na possibilidade autodeterminação, de bem-estar individual e colectivo e de desenvolvimento e coesão social. Dia, também, de lembrarmos que “há palavras e expressões cuja definição mais comummente utilizada é a ausência do seu contrário” e que “assim é com a saúde mental”.
“Muitas pessoas definem e entendem saúde mental como um estado em que não se tem uma doença mental (…) [porém] a saúde mental vai muito além da ausência de doença mental, correspondendo aos recursos (internos e externos) que cada pessoa tem para lidar e se adaptar aos seus acontecimentos de vida e à sua possibilidade de florescimento e de bem-estar global.”
Este ano a data coincide com a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2025 pelo que recupero um texto que escrevi e publiquei na Revista SÁBADO a 30.12.21 intitulado: “Um desejo para 2022? Construirmos mais paz”.
Faço-o porque – tendo nas últimas horas surgido notícias promissoras face à terrível situação de Gaza e à libertação dos reféns que persistem dos horríveis atentados do 07.10.23 – não me recordo de outro ano onde tanto se falou sobre quem poderia receber o Prémio Nobel da Paz nos dias anteriores à atribuição.
Faço-o, também e como para a saúde mental, para sublinhar, ainda antes de conhecermos a/o ou as/os vencedoras/es, que a Paz é mais do que a ausência de guerra. Que o “próprio Instituto para a Economia e a Paz publica dois “rankings” que organizam anualmente um conjunto de países: Paz Global [Global Peace Index], classificando a apelidada “Paz negativa” (ausência de violência, conflito destrutivo e guerra) (…) e Paz Positiva [Positive Peace Index], partindo do reconhecimento de que a Paz é mais que a ausência dos indicadores anteriores, ao analisar a civilidade, a cooperação e o cuidado (com outras e outros).”
Apesar de escrito no final de 2021 e do Mundo ter mudado incrivelmente, convido à sua leitura e convido, neste dia, a que reflictamos sobre o conceito de saúde mental, enquanto mais que a ausência de doença mental, e sobre o conceito de Paz, enquanto mais que a ausência de guerra. Que reflictamos neles, na relação entre eles e no que podemos para eles contribuir… Individual e colectivamente.
É que “na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, construir futuro e construir futuro com possibilidade de bem-estar depende de construirmos harmonia, civilidade e de cooperarmos. Dependente de desenvolvermos a partilha, a pertença e a gratidão. De pensarmos que não há individual sem colectivo e colectivo sem individual. De integrarmos que não confiar nas e nos outros e nas instituições em democracia é, antes de mais, não confiarmos em nós, nas pessoas que fazem as instituições e os governos. Depende, pois, de investirmos na paz e na sua promoção e de fazermos do cuidado com as outras e os outros o principal cuidado connosco. 2022 [e 2025] é tempo para nos juntarmos, relacionarmos e para construirmos mais paz.”