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Fundação Mendes Gonçalves

Regenerar 2026

Falta agora uma semana. Uma semana para o 23.04.26. Para o Fórum Regenerar 2026. Para o 1º aniversário da Fundação Mendes Gonçalves (FMG).

 

Têm sido dias, semanas e meses muito intensos mas, simultaneamente, de uma incrível viagem e compromisso de um conjunto significativo de pessoas. A edificar, estruturar e iniciar a atividade da FMG e a torná-la parte de um ecossistema maior, procurando co-construir com outros “pelo futuro de todos”.

 

Para mim, em particular, foi e é uma oportunidade extraordinária pela qual me sinto grato a cada dia. Por ter podido participar no seu início e desenvolvimento, a partir da visão e da generosidade do nosso Fundador, Carlos Goncalves, com a Conceição Zagalo e a Liliana Valpaços – imensamente responsáveis por tudo quanto se construiu. Depois, como parte da task-force de instalação com a Maria Beatriz Filipe, a Quaiela Costa e a Teresa Raquel Pereira (que semanas aquelas!). Agora com a sua equipa (Inês Queiroz; Manuel Paiva dos Santos; Quaiela Costa e Vanessa Esteves), com 3 pessoas que são, também, equipa (Liliana Oliveira, Madalena Bento e Maria Beatriz Filipe) e com tantas outras que dia-a-dia, em diversas áreas, suportam a nossa atividade (e suportam-nos). Finalmente, com os nossos Órgãos Sociais cujo apoio, estímulo e confiança são parte essencial do todo que conduz a que façamos uma avaliação muito positiva do que já foi possível caminhar e construir – em breve aqui partilharei o Relatório de Atividades 2025 para que possam por vós verificar sem o meu viés.

 

Mas (desculpem o entusiasmo e agradecimento), queria hoje escrever-vos em modo convite: Para que se juntem a nós, na 5ªF, 23.04, na Golegã, para celebrar este caminho e refletirem, connosco, sobre este poderoso conceito que prosseguimos – a Regeneração. Para, como afirmamos no nosso programa Regenerar, reforçarmos “uma cultura de regeneratividade, que reconheça a interdependência profunda dos ecossistemas naturais e humanos, que promova a responsabilidade de todos (indivíduos, organizações e comunidades) na renovação e melhoria do solo, da água, da biodiversidade, da saúde, do bem-estar coletivo, das relações sociais, da intergeracionalidade e da diversidade cultural. Que estimule a nossa capacidade criativa de (re)imaginar o futuro, espelhada num evento anual e global sobre regeneração em diferentes áreas [o Fórum Regenerar 2026, para o qual convido (inscrições gratuitas mas obrigatórias, abaixo].

 

Para o Fórum e para os momentos de convívio e celebração – o almoço, com uma iniciativa que procuramos “recuperar” e o sunset de 1º aniversário da FMG, com uma atuação do coro “As meninas de Alcorriol” num encontro improvável com Raze, um Dj. Ambos no jardim da Casa Estúdio Carlos Relvas, parte de nós também, não fora ele, como a RTP em tempos o apresentou, “o primeiro amador da fotografia em Portugal – amador aqui com o sentido de maior”.

 

Maior, visionário, devoto à cultura e com capacidade de “(re)imaginar o futuro.”

 

Juntam-se para o (re)imaginar?

 

Até lá.

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Avó.

Hoje perdi a minha avó. A minha “última avó”, depois de perder os meus avôs e a minha outra avó.

Tínhamos 51 anos de diferença, quase tantos quantos os anos que a Constituição hoje cumpre. Uma curiosidade que, creio, não esquecerei.

Porque é demasiado simbólico. Ela nunca teve a oportunidade de, como eu, de como nós, aprender a ler e escrever. Sim, de aprender a ler e a escrever. Sabia, no entanto, muito, fez muito, trabalhou – sempre – muito. É muito responsável, também e a par dos meus pais e deste nosso país, pelas oportunidades muito diferentes das dela – e das dos meus pais – que tive e que ajudaram a construir-me conforme parte de vós me conhece. No que de menos bom tenho e sou mas, também, no que de bom terei, serei e procuro fazer e contribuir.

Lembro-a, muito. E em particular nestas areias na Nazaré, anos e anos junto daquela bola Nivea e quando amealhava todo o ano para poder levar os netos – todos os netos – aqueles dias do ano, de férias. De férias para nós porque, também ali, ela, todos os dias, trabalhava, trabalhava, trabalhava no que mais próximo de umas férias ela aspirou.

Viva à minha avó e a tantas avós deste país.

Viva a Constituição e o caminho que – apesar de todas as dificuldades e do que podemos, enquanto país, ainda melhorar – fizemos.

Que não nos esqueçamos. Como eu não me esquecerei de ti, avó.

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Educação Filantropia Pobreza e Desigualdade

Ainda os 1000 dias e as oportunidades que se abrem…

Quem por aqui me vai lendo sabe a importância que atribuo aos primeiros 1000 dias e à relevância da estimulação/educação de qualidade no período dos 0 aos 3 anos. A par da possibilidade de relações e vinculações seguras com as figuras parentais e/ou cuidadoras/es e de uma nutrição de qualidade, será um dos investimentos mais efetivos que a sociedade pode fazer, considerando a sua custo-efetividade, o impacto positivo na vida de bebés/crianças e suas perspetivas futuras e como combate a desigualdade e injustiça social e promove a equidade.

Este investimento depende da maior consciência da sociedade da importância deste período, algo que beneficia de mais discussão pública, a par da cada vez mais clara e robusta evidência científica em torno do desenvolvimento do cérebro do bebé e das suas capacidades desde o período intrauterino (gravidez) até aos 2 anos (os tais 1000 dias).

Há portanto que criar oportunidades e aproveitar as que finalmente se abrem em Portugal em áreas para as quais a Fundação Mendes Gonçalves tem também procurado contribuir, a partir através dos programas Educar e Nutrir:

a) Utilizar, efetivamente, as “Orientações pedagógicas para creche” (publicadas há já 2 anos) para estimular junto das creches, um repensar de práticas e intencionalizar a promoção de uma estimulação e educação de qualidade, a partir de mais e mais efetiva formação das/os profissionais, da partilha de práticas e da criação de comunidades que aproximem diferentes instituições;

b) Advogar para que, conforme as orientações pedagógicas, as creches (como acontece noutros ciclos) possuam orientações claras sobre as refeições – e seus momentos e espaços – algo essencial à formação das primeiras relações com os alimentos e importante na promoção precoce de comportamentos alimentares saudáveis e sustentáveis;

c) Finalmente, e porque sabemos que por diversas razões (por indisponibilidade de vagas; viverem em pequenas freguesias/lugares ou apenas por preferência das/os cuidadores) muitos bebés/crianças não frequentam a creche, usarmos do recente debate de projetos de Lei, da aprovação de um projeto de resolução (n.º 673/XVII/1.ª) e da criação pelo Governo de um grupo de trabalho para “re-olharmos” a resposta das Amas e garantirmos mais qualificação e formação inicial e contínua e melhor enquadramento, acompanhamento e partilha de práticas, visando a promoção de práticas com mais efetividade e qualidade.

A Fundação Mendes Gonçalves tem procurado dar contributos nestas áreas, participando e incentivando debates públicos, redes de colaboração e desenvolvendo ou prevendo projetos como a Escola Mendes Gonçalves e o seu Centro de Formação Profissional dedicado ao período 0-3 anos, o “Ambientes que Nutrem” ou o “Cuidar em Rede”, projeto em que apoiamos a formação, formalização e acompanhamento de um conjunto de Amas no concelho da Golegã e região ao redor.

Contem, portanto, connosco.

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Comportamento FMG Fundação Mendes Gonçalves

O espaço das refeições é um educador silencioso

Creio que o sabemos mas importa que o lembremos: cada refeição na primeira infância é muito mais importante que o mero cumprir de uma necessidade (biológica). É um espaço, tempo e momento de relação, com os alimentos, com as pessoas e com o que rodeia os bebés e as crianças, que pode, verdadeiramente, nutrir – ou não – o futuro dessa criança e da sua comunidade.

Na Fundação Mendes Gonçalves e no nosso Programa Nutrir, assumimos a “nutrição saudável como um bem público”. Assumimos que uma nutrição saudável não promove apenas a saúde da população, mas também a equidade e a justiça social, e promove a economia e a sustentabilidade ambiental.

Trabalhamos estes temas de diversas formas. Desde logo, pensando a importância dos espaços de alimentação na primeira infância em ambiente escolar e “familiar” com o projeto “Ambientes que Nutrem”. Nele reforçamos que não basta “pensar no que se coloca no prato”; é preciso pensar o ambiente físico, o tempo disponível, quem está presente, como se comunica e como se organizam as refeições.

Para tal desenvolvemos 3 recursos que queremos que sejam ferramentas de ação para famílias, profissionais de educação e saúde e decisores (políticos):

. Documento “Ambientes que Nutrem”;

. Flyer de sensibilização para famílias/profissionais;

. Policy brief dirigido a quem define políticas públicas e prioridades de investimento.

Simultaneamente realizamos ações dirigidas a creches e JI, na nossa região e no concelho de Lisboa, um evento de sensibilização e temos procurado estimular o debate público com participações em eventos e comunicação social (ex: https://observador.pt/2026/03/09/falta-de-regras-para-alimentacao-nas-creches-compromete-desenvolvimento-das-criancas/).

Tudo também a procurar evidenciar que tendemos a subestimamos a influência que realmente temos. Um/a educadora que organiza o espaço da sala e de refeição, um/a cozinheiro/a, um/a autarca que decide sobre um espaço de refeitório ou sobre as refeições escolares, um pai, mãe ou cuidador/a que cria uma rotina à mesa… Todos têm frequentemente mais poder do que imaginam para tornar os ambientes de alimentação mais nutritivos e a nutrição mais saudável, no sentido mais amplo das palavras.

É essa a verdadeira ambição do “Ambientes que Nutrem”: reunir e disponibilizar evidência científica, transferi-la para instrumentos de literacia, advocacia e informação das políticas públicas, garantir ferramentas objetivas e práticas para que cada pessoa, a partir dos seus papéis, possa usar melhor a influência que já tem – na creche, JI ou escola, em casa ou na comunidade – para cuidar melhor da alimentação na primeira infância.

Lembrando finalmente que “o espaço das refeições é um educador silencioso: Que a maneira como organizamos os refeitórios e as mesas de alimentação em casa também ensinam o que é comer, em grupo e família, e o que é partilhar e cuidar.”

……

Programa Nutrir (Nota Conceptual) | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-002-FNU-Nota-Conceptual-Nutrir_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

Ambientes que Nutrem | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/12/AmbientesQueNutrem.pdf

Ambientes que Nutrem [Policy Brief] | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/02/Policy-Brief-Ambientes-Que-Nutrem.pdf?eg_sub=3c14571f94&eg_cam=0253a7f3c60ca4c4228148170ae7a4b0&eg_list=14

Ambientes que Nutrem [Flyer Literacia] | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/02/Flyer-Ambientes-Que-Nutrem.pdf?eg_sub=3c14571f94&eg_cam=0253a7f3c60ca4c4228148170ae7a4b0&eg_list=14

…..

. No Need to Shout: Recognizing the Influence That’s Already Yours | @Vanessa Bohns | https://behavioralscientist.org/no-need-to-shout-recognizing-the-influence-thats-already-yours/

. Evento de Sensibilização – Cuidar da Primeira Infância | https://www.instagram.com/reel/DVRK3iigDIK/ |

. Fundação Mendes Gonçalves alerta para risco na alimentação das creches | @Lusa |https://noticiasdosorraia.sapo.pt/fundacao-mendes-goncalves-alerta-para-risco-na-alimentacao-das-creches/

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Democracia Educação FMG Fundação Mendes Gonçalves

Um outro Fuji, da Golegã para o Mundo

Hoje passam 42 anos do nascimento do projecto TED Conferences. Nascido no mítico 1984, o projecto cresceu e o seu lema – “ideias que merecem ser disseminadas” – levou (e continua a levar) reflexão e boas-práticas, nos mais diversos temas, aos quatro cantos do Mundo com uma energia, dinâmica e estilo muito próprios. Só aqui, no LinkedIn, tem mais de 24 milhões de seguidores (mais de dois “Portugais”), sendo a 5ª organização mais seguida logo após a Google, a Amazon, a Microsoft e o próprio LinkedIn. É obra.

Curiosamente um dos seus últimos posts (https://www.linkedin.com/posts/this-kindergarten-school-is-designed-to-help-ugcPost-7430058540633006080-5tTY?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU), publicado há 4 dias, trata uma obra incrível –  a construção do Jardim-de-Infância (JI) Fuji, nos arredores de Tóquio, pela dupla de arquitectos Tezuka e decorre de um excerto de uma conferência TED do Takaharu Tezuka intitulada “O melhor JI que alguma vez viu”.

O excerto foca a forma como o desenho e a arquitectura do JI permite a sua abertura ao espaço exterior e ao redor, com a quase ausência de limites e barreiras entre espaço exterior e interior. Ainda o facto do projecto assentar na ideia de se fazer um “telhado”, utilizável e baixo (onde as crianças se pudessem ver entre os diferentes níveis do JI) e correr até ao infinito e a exploração, ao limite, da articulação com as árvores e com o espaço exterior no geral e sua utilização intencional para diminuir factores de tensão/stress e potenciar o “risco” controlado, a atividade física e a concentração em sala de aula.

Finalmente – e não menos importante – a forma como o desenho do espaço influencia positivamente a cooperação e o entendimento do JI como uma sociedade, de direitos e deveres de cada uma das partes, terminando com uma forte afirmação: “A arquitectura é capaz de mudar o Mundo | Uma das formas de o fazer é procurar mudar a vida das crianças”.

É, assim é. E assim procuramos fazer no trabalho que estamos – Fundação Mendes Gonçalves – a fazer para a construção da Escola Mendes Gonçalves, o primeiro projecto de um espaço escolar dos arquitectos Tezuka na Europa. Será em Portugal, na Golegã, e reunirá no mesmo espaço as respostas de Berçário, Creche, JI e Escola Básica de 1º Ciclo, integradas e a beber, entre outros, do conjunto de princípios e referenciais atrás referidos e da sua articulação com o seu projeto pedagógico. Mais, da sua articulação, também, com os Centros de Conhecimento e de Desenvolvimento Profissional previstos e com o que o Programa Educar da Fundação Mendes Gonçalves preconiza – “Educar com qualidade muda o Mundo”, sendo fundamental contribuir amplamente para uma educação de qualidade dos 0-10 anos, com especial enfoque no período 0-3 anos.

Um dia teremos uma nova história e, com ela, “ideias que merecem ser disseminadas”, da Golegã para o Mundo.

Ps. Mais e mais aprofundada informação e partilhas nos comentários.

…

“The best kindergarten you’ve ever seen” | Takaharu Tezuka | https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen

Projecto “Escola Mendes Gonçalves” | @Fundação Mendes Gonçalves | https://www.youtube.com/watch?v=99biJdnHfXI

Programa Educar | @Fundação Mendes Gonçalves | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-001-FED-Nota-Conceptual-Educar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

Fundação Mendes Gonçalves e Fundação Santander promovem debate sobre espaços educativos com Arquiteto Tezuka | @Fundação Mendes Gonçalves e @Fundação Santander | https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/04/25/fundacao-mendes-goncalves-e-fundacao-santander-promovem-debate-sobre-espacos-educativos-com-arquiteto-tezuka/?doing_wp_cron=1771819478.6236600875854492187500

 

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Educação FMG Pobreza e Desigualdade Política

1000 dias, investigação e equidade

“[Um desafio] é o bebé precisar de estar confortavelmente deitado no aparelho de ressonância magnética funcional acordado e sem se mexer”, disse ao Público uma investigadora, a propósito de um novo estudo com imagens da atividade do cerébro de bebés. Estudo que permite compreender que bebés pequenos (2 a 4 meses) “vêem o Mundo de forma mais complexa do que se imaginava” tendo já “capacidade de agrupar categorias – distinguir entre imagens de seres vivos e objectos – aos 2 meses”. Um passo importante para “ligar este tipo de imagem cerebral aos resultados cognitivos mais tarde na vida”.
Para tal e para crescermos em evidência e, espero, em sobressalto público e responsividade das/os decisoras/es e das políticas públicas à importância de cuidarmos os primeiros 1000 dias de vida, enquanto período fundamental de desenvolvimento e de promoção da equidade pelo cuidado, conforto e segurança, física e emocional do bebé, mas também pela educação e nutrição de qualidade.
Temos (Fundação Mendes Gonçalves) insistido no tema e na necessidade (de certa forma urgência), não raras vezes desconsiderada em função da necessidade (premente é certo) do mero reforço da oferta e da ausência de uma visão para as instituições educativas dos 0-3 anos voltada para uma estimulação e educação de qualidade. E temo-lo feito com ações concretas que apresentamos num evento que denominamos “Cuidar da Primeira Infância” [Golegã; 11.02.26] onde lançamos o “Cuidar em Rede”, uma rede de insituições educativas que incluem respostas de berçário, creche e JI da Golegã e dos concelhos limítrofes com a qual procuraremos, juntos, contribuir para uma educação de qualidade dos 0-6 anos e para um olhar proactivo para a importância da alimentação e nutrição. Agredecemos aos 5 municípios e às 9 instituições iniciais e nos próximos meses alargaremos a rede e o seu potencial de contributo.
Sabemos bem porque é que esta é uma prioridade de Portugal, “2º país da OECD – OCDE com maior nível de desigualdade de oportunidades” e 1º na responsabilidade das “circunstâncias herdadas, como o contexto socioeconómico dos pais”, na desigualdade – 40% face a uma média de 25% para toda a OCDE.
Complementarmente, como a American Psychological Association sublinha, a saúde mental começa com o começo da vida pelo que “além de reduzirmos as experiência adversas” de bebés/crianças necessitamos potenciar e promover os “aspectos positivos da infância, fundamentais para ajudar a suportar os riscos da vivência de experiências adversas no futuro” e “priorizar a prevenção, ajudando crianças a florescer antes de esperar que os problemas se aprofundem” para depois intervir.
Um e outro procuramos, a partir dos nossos recursos e capacidades, suportados na crença e compromisso forte com este caminho. Para fazer e fazer bem, junto com outras entidades, a partir da Golegã e região ao redor, procurando inspirar o país e, quem sabe, outras partes do Mundo.
Ps. Em comentário partilho links para mais e mais aprofundada informação.
Links Publicação:
“Bebés de dois meses vêem mundo de forma mais complexa do que cientistas imaginavam | @PÚBLICO |
https://www.publico.pt/2026/02/03/ciencia/noticia/bebes-dois-meses-veem-mundo-forma-complexa-cientistas-imaginavam-2163498
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Evento “Cuidar em Rede” | @Fundação Mendes Gonaçlves | https://fundacaomendesgoncalves.org/2026/02/11/apresentacao-da-fundacao-mendes-goncalves-2/
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Portugal é o 2.º país da OCDE com maior nível de desigualdade de oportunidades e grande parte da “culpa” é da profissão dos pais | @Expresso | https://amp-expresso-pt.cdn.ampproject.org/c/s/amp.expresso.pt/sociedade/2025-09-29-portugal-e-o-2.-pais-da-ocde-com-maior-nivel-de-desigualdade-de-oportunidades-e-grande-parte-da-culpa-e-da-profissao-dos-pais-7a3ac707?utm_term=Autofeed&utm_medium=Social&utm_source=LinkedIn
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Psychologists are reimagining how society supports children – New models of care, education, and prevention prioritize mental health across the life span | @American Psyhcological Association | https://www.apa.org/monitor/2026/01-02/trends-childhood-lifelong-mental-health?utm_source=linkedin&utm_medium=social&utm_campaign=apa-monitor&utm_content=childhood-lifelong-mental-health
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Comportamento Emergência Climática Fundação Mendes Gonçalves

Porque caem tantas árvores durante as tempestades?

“Porque caem tantas árvores durante as tempestades?”, interpela-nos Helena Freitas, num título de um texto que escreveu a propósito de “nos últimos anos Portugal [ter] assistido a um aumento significativo da queda de árvores durante tempestades intensas”, referindo-se – também – aos papel do solo. “Um dos fatores críticos [para tal] é o estado do solo [em Portugal]. Durante períodos de chuva intensa ou cheias, os solos ficam saturados de água e perdem grande parte da sua resistência. A água acumulada nos poros do solo reduz o atrito e a coesão que mantêm as raízes firmemente ancoradas. Nessas circunstâncias, árvores que permaneceriam estáveis em solos secos podem tombar mesmo sob ventos moderados. Este mecanismo é uma das explicações mais bem documentadas para a queda de árvores associada a tempestades”, escreve.

Este é momento para todos nos associamos à dor da perda e ao sofrimento do conjunto de pessoas impactadas pela forte tempestade da última semana e pelas condições meteorológicas dos últimos (e, eventualmente, próximos) dias e suas terríveis consequências.

Sendo-o, é fundamental, diria até por respeito a este sofrimento, que não saltemos deste fenómeno para um outro futuro sem espaço de reflexão na sociedade civil e decisoras/es sobre o que podemos fazer para prevenirmos, na medida do possível, e estarmos mais preparados e resilientes para enfrentarmos, enquanto comunidade e país, este tipo de fenómenos climatéricos, que infelizmente tudo indica tenderão a ser mais intensos e frequentes.

Também em texto de opinião, Pedro Adão e Silva refere que a Agência Europeia do Ambiente estima que, desde 2000, Portugal tenha perdas anuais de cerca de 630 milhões de euros (acima da média europeia) derivadas de fenómenos climáticos extremos (incêndios, inundações, tempestades). Podemos e devemos portanto perguntar-nos sobre o que podemos fazer e mobilizarmo-nos nesse sentido. Um caminho possível? Pensarmos o solo e internacionalizarmos os objetivos da nova directiva europeia que, desde Novembro, insta os países membros a monitorizarem os seus solos e promoverem um conjunto de ações no sentido de os tornar mais saudáveis e resilientes como factor-chave para a segurança alimentar, qualidade da água e ambiente. Acrescento, para a prevenção e resiliência face a fenómenos climatéricos extremos.

Este (novo) olhar para o solo, para a sua actual degradação e para a sua (potencial) regeneração, tem tanto de fundamental quanto de possível e desejável.

Como Thomas Oudman e Charles Mann referem, “pensando as práticas ancestrais” e, com ciência, trazendo-as para a contemporaneidade a partir de “culturas que previnam a desertificação e poluição e promovam a biodiversidade, trabalhando com a natureza e não contra a natureza.”

Como, na Fundação Mendes Gonçalves procuramos contribuir, a partir do programa Regenerar, para maior investigação e conhecimento, literacia, advocacia e para estimular mudanças de práticas para solos mais saudáveis e resilientes.

 

Para leituras aprofundadas e/ou complementares:

. Helena Freitas | Porque caem tantas árvores durante as tempestades? | https://www.linkedin.com/posts/hfreitas_porque-caem-tantas-árvores-durante-as-tempestades-activity-7422962653251371008-QX3A/?originalSubdomain=pt

. Pedro Adão e Silva | As tempestades, a Kristin e a aprendizagem coletiva | https://www.publico.pt/2026/02/01/opiniao/opiniao/tempestades-kristin-aprendizagem-coletiva-2163188

. Directive (EU) 2025/2360 of the European Parliament and of the Council of 12 November 2025 on soil monitoring and resilience (Soil Monitoring Law) | https://eur-lex.europa.eu/eli/dir/2025/2360/oj/eng

. Thomas Oudman e Charles Mann | The future of agriculture lies in the past | https://thecorrespondent.com/835/the-future-of-agriculture-lies-in-the-past

. Fundação Mendes Gonçalves | Nota Conceptual – Programa Regenerar | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/07/NC-003-FRE-Nota-Conceptual-Regenerar_Funda‡AEoMendesGon‡alves-0_VF_CAPA.pdf

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Filantropia Política

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

A filantropia, tantas vezes vista como gesto distante, nasce da presença, da relação e da ligação aos territórios e às suas pessoas. Aproximar quem generosamente doa de quem dessa doação mais pode beneficiar é, verdadeiramente, construir comunidade.

Chamamos-lhe filantropia de proximidade, e queremos afirmá-la como resposta relevante para desafios sociais complexos com aplicação local e de pertinência global. Afirmar uma forma de agir que transcende o “quê” ou o “quanto”, intencionalizando, também, o “como” e o “porquê”. Uma forma de filantropia onde os impactos positivos da doação vão suplantar os importantes resultados dos projetos. Em que não se trata apenas de atingir objetivos, mas sim de, no processo, estabelecer relações e criar confiança junto das pessoas, incrementando regularidade e contributos adicionais para esse círculo virtuoso.

Na promoção e efetividade do conceito de filantropia de proximidade, as fundações comunitárias, baseadas e fortemente relacionadas e enraizadas numa comunidade, podem e devem assumir um papel relevante. Devem, para isso, ser capazes de incorporar e comprometer-se com as pessoas e, com elas, aprender e dialogar. Devem valorizar a diversidade de perspetivas e focar-se nas suas carências, desafios e expetativas, procurando, em conjunto, co-construir as melhores soluções. Devem existir e cumprir a sua missão, enquanto parte da comunidade que cuidam.

Recentemente, num encontro promovido pela ECFI (Iniciativa Europeia de Fundações Comunitárias), pude discutir e trabalhar com líderes de fundações de tipologias muito diversas: com décadas de existência e recém-criadas; baseadas em comunidades de países com severos constrangimentos democráticos ou onde estão há décadas fortemente implementadas e onde são muito reconhecidas; com recursos relativamente limitados e com estruturas de grande dimensão. Pude testemunhar o incrível trabalho que fazem e o quanto se assumem parte das comunidades que protegem e cuidam. Pude igualmente comprovar o quão complexo é trabalhar com comunidades expostas a situações de maior vulnerabilidade, mas como, com persistência e empenho, é possível ultrapassar dificuldades. O quanto, também, contribuem para que estas pessoas (ou grupos) deixem um lugar de meras recetoras de apoios e/ou intervenções para serem parceiras e promotoras de mudança. São histórias de vidas que mudam para melhor. De comunidades que se fortalecem e se tornam mais resilientes.

Vivemos um tempo particularmente exigente, de grandes ameaças, de transformações constantes, de aprofundamento da insatisfação e do ressentimento, de agravamento das desigualdades. Um tempo em que urge retomar o envolvimento e a conexão e que, nesse sentido, beneficia do balanço de ações de filantropia de escala global com ações de proximidade e base comunitária. Co-construir soluções colaborativas, no nosso caso a partir do coração do Ribatejo, que, quem sabe, influenciem políticas públicas e que inspirem outros territórios, da Golegã para o Mundo.

É tempo de, em Portugal, revitalizarmos a filantropia de proximidade, trabalhando lado a lado para o futuro de todos. Este não é um caminho que percorremos sozinhos.  Contamos com o Centro Português das Fundações que valoriza e promove o papel das fundações comunitárias, incentivando uma abordagem colaborativa e territorial que procura aproximar a filantropia do quotidiano das comunidades, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo. Algo que discutimos, também recentemente, num debate sobre o futuro das Fundações Comunitárias em Portugal, a propósito da comemoração do 57.º aniversário da CEBI (30º enquanto Fundação Comunitária), um exemplo para tantas outras que com ela se relacionam e nela se inspiram.

Que saibam que também na Fundação Mendes Gonçalves estamos comprometidos com este o desenvolvimento e robustez das Fundações Comunitárias em Portugal e com o seu papel na promoção de territórios mais justos, resilientes e prósperos, com responsabilidade, coragem e convicção. Para um país e um Mundo melhores.

 

Tiago Pereira

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

in Líder, 10.12.2025

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

 

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Democracia Emergência Climática Psicologia

2026

Nos últimos tempos, para parte significativa de pessoas (em que me incluo), não é fácil olhar para o Mundo com bastante optimismo. À desigualdade, juntam-se os frequentes fenómenos climatéricos extremos, a polarização e divisões crescentes, a desinformação, o autoritarismo, conflitos geopolíticos e a guerra que nos (me) inquietam.

Mas, como que paradoxalmente, 2025 foi um ano em que muitas coisas correram realmente bem. Uma pessoa, muito importante para mim e que desde há muito me “faz” mais optimista, partilhou um artigo comigo (ver comentário), mesmo no final do ano, com 1084 boas notícias de 2025 em áreas como o ambiente, os direitos humanos (sim, os direitos humanos), a economia ou a tecnologia. Dois exemplos: a primeira dessas notícias é sobre como a IA está a contribuir para se produzir melhor vinho; a última sobre como 2025 foi o ano desde 2006 com menor número de “assassinatos em massa” nos EUA.

Neste Mundo desafiante, complexo, polarizado, assumir estes paradoxos, como assumir as nuances conforme Anne-Laure Fayard pensa (ver comentário) é, por si, um acto de coragem. Reconhecer a complexidade, resistindo à tensão simplista e aos binários tipo “tudo certo” Vs. “tudo errado”. Abraçar a incerteza, a diversidade e reforçar o diálogo abrindo espaço a soluções criativas e coletivas é fundamental para navegar o dia-a-dia e o Mundo actual.

Isso e, nesse movimento, exercitarmos (sim, exercitarmos) a esperança e o optimismo. Identificar riscos e perigos, procurar a agência possível sobre os mesmos e desenvolver e treinar as nossas capacidades de propor alternativas e procurar novas possibilidades. Tudo isto em cima do conhecimento que temos de que os seres humanos são, no geral, mais “bons de coração” do que por vezes consideramos… Veja-se o artigo que, também abaixo, partilho em torno de 10 evidências científicas que vão desde a capacidade de partilhar das crianças muito pequenas (1ª) à forma como têm sido questionados nos métodos e resultados um considerável número de estudos/experimentos muito mediáticos em torno do “pior” dos seres humanos (10º).

Por aqui anda a minha reflexão sobre este 2026… Recusar cinismos paralisantes (quando não desculpabilizantes) na exacta medida da recusa de uma tendência para uma negação ingénua da realidade complexa e desafiante que viveremos e viveremos. Mais, usar dados, a experiência, as evidências… Usar da nuance, da relação e cooperação e da base da generosidade humana para pensar 2026 pessoal e profissionalmente com um optimismo realista.

Pelo meio, procurar dar um humilde contributo, também nos meus papéis mais pessoais e profissionais, para um Mundo um pouco melhor. No presente e para o futuro.

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Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

Desde 2021 mantenho a tradição de terminar o ano a escrever um artigo com um desejo para o ano seguinte. Fi-lo até ao ano passado na rubrica “Ao Redor” (Revista SÁBADO) e desejei “Construirmos mais Paz” (para 2022); “Promovermos mais bem-estar para todas e todos” (2023); “Um país mobilizado contra a violência doméstica” (2024) e “Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” (para este 2025).

Agora fi-lo na Líder – Ideias que fazem futuro com um artigo chamado “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” que funciona como o meu desejo para 2026. Resumidamente trata:

. A ideia de que a “filantropia, tantas vezes vista como gesto distante, nasce da presença, da relação e da ligação aos territórios e às suas pessoas” e que “aproximar quem generosamente doa de quem dessa doação mais pode beneficiar é, verdadeiramente, construir comunidade.”

. Da afirmação da filantropia de proximidade “como resposta relevante para desafios sociais complexos com aplicação local e de pertinência global” e do papel das Fundações Comunitárias na sua promoção.”

. O momento que vivemos “particularmente exigente, de grandes ameaças, de transformações constantes, de aprofundamento da insatisfação e do ressentimento, de agravamento das desigualdades.” (…) “um tempo em que urge retomar o envolvimento e a conexão e que, nesse sentido, beneficia do balanço de ações de filantropia de escala global com ações de proximidade e base comunitária. Co-construir soluções colaborativas, no nosso caso [Fundação Mendes Gonçalves] a partir do coração do Ribatejo, que, quem sabe, influenciem políticas públicas e que inspirem outros territórios, da Golegã para o Mundo.”

. O nosso compromisso com o “desenvolvimento e robustez das Fundações Comunitárias em Portugal e com o seu papel na promoção de territórios mais justos, resilientes e prósperos, com responsabilidade, coragem e convicção. Para um país e um Mundo melhores.”

…Já em 2026, com o contributo de todos. Bom 2026.

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Links para artigos:

. “Um desejo para 2022? Construirmos mais Paz” | https://lnkd.in/dwvEuytM

. “Um desejo para 2023? Promovermos mais bem-estar para todas e todos” | https://lnkd.in/dU93aNUW)

. “Um desejo para 2024? Um país mobilizado contra a violência doméstica” | https://lnkd.in/dSQNKBzr).

. “Um desejo para 2025? Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_um-desejo-para-2025-protegermos-e-cumprirmos-activity-7275429657066295296-AnB4?utm_source=share&utm_medium=member_ios&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU

. “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” | https://lidermagazine.sapo.pt/revitalizar-a-filantropia-de-proximidade-contribuir-lado-a-lado-para-o-futuro-de-todos/