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Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

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Estórias abensonhadas. Lembro bem, também porque o recordo muitas vezes, o jardim onde li parte dos contos deste livro do Mia Couto. Como me lembro dele, também, pela curiosidade que me despertava e desperta a forma como, quais legos, construía e constrói palavras com outras palavras.

Como no fundo transporta para a escrita o que pensa de nós, pessoas, conforme escreveu noutro conto, mas de um outro livro: “Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens” (seres humanos, diria eu).

Bem o compreendo e sinto por estes dias.

Depois da Teresa Raquel Pereira, que saiu, primeiro, para a porventura mais bela tarefa de uma vida (dar vida) e que hoje coordena a área “Smart Child” da Fundação Primavera, na sexta-feira foi o último dia de trabalho connosco da Quaiela Costa. Daquela nossa task-force inicial de 4 pessoas que apoiaram a instalação da Fundação Mendes Gonçalves, particularmente entre janeiro e abril de 2025, passamos a restar apenas nós, Maria Beatriz Filipe.

Os quatro sabemos como foram aqueles dias, semanas, meses. Intensos, “abensonhados”. Acho que também sabemos e sentimos (pelo menos eu sei e sinto) que, quando nos cruzamos, verdadeiramente, com um conjunto de pessoas com quem temos um objetivo e propósito comum, “saímos” diferentes de como “entrámos”. Vemos, fazemos, sentimos e somos de forma diferente. E contribuímos para que outras e outros vejam, façam, sintam e sejam de forma diferente.

Penso mesmo (e muitas vezes) que uma das mais bonitas formas de impacto de uma entidade da economia social como é a nossa Fundação Mendes Gonçalves e minha, a partir do meu atual papel e responsabilidade, é conectar pessoas com uma visão e missão que possa nelas ficar, sempre. Que possa influenciar que em cada papel futuro, pessoal ou profissional, lá esteja a sensibilidade, a responsividade, a atenção ao outro e ao que a/o rodeia.

Mais, no nosso caso, a ideia maior da filantropia de proximidade e a crença baseada na agência de que é possível, também pela educação, nutrição e regeneração, um mundo melhor com mais possibilidades de bem-estar e futuro para todos. Teresa Raquel Pereira e Quaiela Costa, levam-no para sempre convosco? E fazem por se cumprirem e estarem bem?

E nós Maria Beatriz Filipe, hoje com a Inês Queiroz, o Manuel Paiva dos Santos, a Vanessa Esteves e, de certa forma, a Liliana Oliveira e a Madalena Bento (e “amanhã” com as duas pessoas que brevemente se juntarão), continuamos este nosso caminho, “abensonhado”?

Tenho muita sorte por o poder fazer convosco e por, todos os dias, me fazerem ver, fazer, sentir e ser de forma diferente…

“Porque [sou], em todo o tempo, ainda nascente”.

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Nós, verdadeiramente, não sabemos

Certamente já viveram acontecimentos de vida significativos que, mais ou menos positivos, foram para vós transformadores e tornaram claras questões que podiam não ser claras antes.

 

Assim aconteceu comigo. Amanhã, dia duplamente importante para a nossa família, é um daqueles dias em que ela poderia sorrir, orgulhosa. Não pode. Perdemo-la antes de ter oportunidade de conhecer quem amanhã cumpre mais uma bonita etapa profissional e quem amanhã cumpre mais um aninho. Perdemo-la e essa perda tornou claro, claríssimo, para mim algo que, sabendo, talvez não sentisse como passei a sentir: nós, verdadeiramente, não sabemos. Julgamos, pensamos, cremos que sim, mas, muitas vezes, não sabemos. E inscrevermos isso em nós é exigente, duro até, mas, simultaneamente, muito libertador.

 

Há semanas, aquando da missão Ártemis II em torno da Lua e do que invariavelmente sucede quando os seres humanos realizam feitos extraordinários (o consequente surgimento de narrativas de que tudo é falso, de que só alguns predestinados sabem a verdade), o jornal Público publicou um “Prova dos factos” que garante – sim é necessário hoje garanti-lo – que “fomos mesmo à Lua” mas que “narrativas que garantem que é encenado existem desde 1969”.

 

Este “Prova dos factos” cita um artigo que escrevi com um amigo e colega (Miguel Ricou), em 2021, quando coordenava o Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses, num tempo em que a incerteza e o desconhecido eram parte permanente do dia-a-dia. Escrevemos então o agora citado: que quem acredita em teorias da conspiração procura, no fundo, uma sensação de segurança e controlo, “a segurança de que a pessoa sabe o que se passa, de que detém um conhecimento superior face aos outros e às narrativas oficiais”. Uma ilusão entendível, humana se quisermos, mas tremendamente perigosa a meu ver.

 

Quem acredita que sabe tudo tende a fechar-se ao outro. Quem recusa a incerteza torna-se menos disponível para aprender, adaptar-se e de, genuinamente, relacionar-se. A humildade de aceitarmos que não sabemos (tudo), que podemos estar errados, que há mais do que o que vemos e que as outras pessoas são, também elas, capazes não é uma fraqueza. É uma força, felizmente também humana, que nos aproxima dos outros e de ser e estar mais, melhor.

 

O “Global Flourishing Study”, o maior estudo sobre florescimento, confirma-o: o que mais nos faz florescer não é a certeza (e controlo), nem a riqueza. São, antes, as relações que estabelecemos connosco, com os outros (com abertura à surpresa e diferença e sem julgamento) e com o que nos rodeia. É, antes, como nos integramos e contribuímos em comunidade e como criamos sentido e propósito.

 

Por isso na Fundação Mendes Gonçalves procuramos algo que vai além dos projetos e programas: novas formas de estar em e criar comunidade. Acreditando que o florescimento e um futuro de maior e mais equitativo bem-estar começa precisamente no reconhecimento de que não estamos sozinhos e que não sabemos e podemos tudo, sós.

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Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Política

“Qual o lugar – atual e potencial – da nutrição no quadro da economia social e da filantropia em Portugal e no Mundo?”

“Qual o lugar – atual e potencial – da nutrição no quadro da economia social e da filantropia em Portugal e no Mundo?”, perguntei a abrir…

A nutrição está no centro de alguns dos maiores desafios societais do nosso tempo. Da promoção da saúde ao bem-estar, da coesão territorial e social à sustentabilidade. No entanto, e paradoxalmente, está ainda relativamente ausente das agendas estratégicas da economia social e da filantropia em Portugal. Com exceções importantes, que reconhecemos e valorizamos. Mas com um espaço enorme por ocupar.

Também por isso recebemos com ainda maior gratidão o voto de confiança da Associação Portuguesa de Nutrição (uma das exceções relevantes) para que, neste nosso início de atividade, a Fundação Mendes Gonçalves estivesse presente no mais importante congresso que anualmente debate a alimentação e a nutrição em Portugal. Um convite que agradecemos na pessoa da Helena Real, que muito nos honrou e que permitiu que, àquele contexto, levássemos esta questão e reflexão.

Mas, mais, permitiu também que levássemos informação sobre o que enquanto Fundação, com um pilar e programa estrutural que cruza nutrição, estilos de vida e bem-estar (o programa Nutrir), estamos a construir e desenvolver nestas áreas, com exemplos concretos como são o projeto “Ambientes que Nutrem”. Bem como permitiu a sinalização da nossa vontade de contribuir para este ecossistema, a partir da convicção de como uma Fundação de proximidade com uma comunidade, com a nossa missão, pode e deve ter a nutrição no centro da atuação.

Saímos orgulhosos. De ter estado. De ter partilhado. De ter contribuído. E, sobretudo, de nos termos relacionado e comprometido, também, a procurar colaborar para que no futuro possa existir mais “nutrir” na economia social e na filantropia.

Por isso a fechar a intervenção disse: “Certamente outro. Maior, mais estratégico e com mais impacto. Outro, pelo futuro de todos”. Respondi assim à pergunta inicial que havia colocado, comprometendo-nos com este caminho.

Ps1. Digo saímos porque, ali estive, em representação de toda a nossa equipa – a quem agradeço – e junto com a Vanessa Esteves, colega com maior responsabilidade nos trabalhos que a Fundação Mendes Gonçalves tem desenvolvido no seu programa “Nutrir” e que, numa próxima oportunidade, trocará de lugar comigo numa apresentação desta natureza;

Ps2. Este apenas para quem lá esteve… Foram bastante mais de 50 (mais de 100, até) as pessoas que fizeram o que pedi… Obrigado. Estou, portanto, a aguardar as alvíssaras da minha equipa. Com enorme expectativa… 😊

Ps3. Não hoje. Hoje são para uma outra pessoa da nossa equipa, que cumpre um dia especial e que todos os dias nos torna melhores.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

A regeneração começa com Comunidade

“Há um ano lançámos a Fundação Mendes Gonçalves com a convicção simples, mas ambiciosa, do seu Fundador [Carlos Goncalves]: a de que a regeneração deve começar localmente, através das relações, do conhecimento e do compromisso de longo prazo com as comunidades e os territórios. Ao olhar para trás, para o nosso 1º ano, acredito que o que construímos não é apenas uma Fundação, mas uma plataforma para a ação coletiva, enraizada no cuidado, na responsabilidade e na coragem de pensar de forma diferente sobre o futuro.”

Assim começa o artigo que partilho (“Regeneration begins with Community” [A regeneração começa com Comunidade]) publicado pela European Community Foundation Initiative (ECFI) e que resulta da reflexão sobre o Fórum Regenerar 2026 (que organizamos para debater de forma ampla a regeneração e comemorar o nosso 1º aniversário) e sobre o intercâmbio de Fundações Comunitárias que trouxe à Golegã e ao Fórum as Fundação Narciso Ferreira e a Fundació Comunitària Raimat Lleida (no âmbito do programa Peer-to-Peer Exchange, apoiado pela ECFI).

Mais, foca também o nosso primeiro ano de atividade, “um período de escuta, aprendizagem e construção.” Um período onde “investimos na criação de parcerias, no reforço dos ecossistemas locais, no avanço de projetos ligados à literacia alimentar, à agricultura regenerativa e à educação, ao mesmo tempo que lançámos as bases para estruturas de impacto de longo prazo, capazes de apoiar a transformação territorial.” Um período, também como refiro, em que procuramos agir a partir da visão que “a mudança significativa exige um trabalho paciente: construir confiança, ligar atores que normalmente não colaboram e criar condições para a inovação enraizada nas realidades locais.”

Isto num país como Portugal onde os laços familiares permanecem significativos (1); num contexto onde uma parte significativa dos jovens europeus, existindo condições, gostavam de poder viver junto das suas comunidades de proveniência (2); e, necessariamente, num período de elevado desafio e de problemas significativos nas áreas do bem-estar e da saúde mental da população mais jovem (3 e 4), a criação de comunidade nos territórios – também a partir de organizações da/na comunidade, próximas, que inspirem confiança e segurança – torna-se ainda mais relevante.

Por isso afirmo a fechar o artigo que “as Fundações Comunitárias criam espaços onde os territórios aprendem uns com os outros, adaptam ideias às realidades locais e fortalecem um ecossistema europeu partilhado, assente na proximidade, participação e confiança” e que “a regeneração só se torna possível quando é coletiva (…) [só] quando comunidades, instituições, agricultores, educadores, fundações e cidadãos trabalham em conjunto em torno de uma visão partilhada, a regeneração deixa de ser uma aspiração abstrata e torna-se um caminho prático para futuros mais resilientes e de esperança”.

Artigo completo: https://communityfoundations.eu/knowledge-item/regeneration-begins-with-community/

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

A Fundação Mendes Gonçalves e as suas formas de fazer….

Desde cedo procuramos na Fundação Mendes Gonçalves definir, primeiro, um conjunto de “formas de fazer” que nos ajudam, enquanto equipa, a planear, preparar e operacionalizar a ação e as ações da Fundação e, depois, a inscrevê-las – conforme o inscrever que o José Gil tão bem definiu – enquanto conjunto de princípios e orientações no quotidiano e dia-a-dia da Fundação, construindo-o a partir desses importantes e estruturantes alicerces.

Essas formas de fazer são as que partilho na imagem que acompanha esta publicação, com a sua explicação breve. Quando, com algumas pessoas converso sobre elas, não raras vezes pedem-me exemplos concretos de formas da sua concretização. Hoje, sem me pedirem 😊, venho partilhar uma.

No Fórum Regenerar 2026 – https://www.youtube.com/watch?v=byt4pi1ahJQ – tivemos dois convidados internacionais com intervenções mais estruturantes: Ray Archuleta (Ray The Soul Guy | “Regenerar é possível”) e Madalena Tedeschi (Reggio Children | “Educar Muda o Mundo”). Entre as intervenções para as pessoas que participaram no Fórum e outras que possam com elas contactar (foram gravadas e serão, como outros conteúdos, em breve disponibilizadas), procuramos, em equipa, formas de garantir mais possibilidades de promoção de literacia e conhecimento e de atender às dimensões da advocacia e comunicação a partir da presença destas duas pessoas de referência – pela experiência e projetos que representam – em duas áreas fundamentais para a Fundação: a Regeneração e a Educação.

O exemplo simples que trago relaciona-se com a forma como nos organizamos em equipa para promover a possibilidade de ponte com órgãos de comunicação social e, dessa forma, intencionalizarmos estas dimensões a partir da presença e participação no Fórum Regenerar 2026. Desse trabalho resultaram as duas entrevistas que aqui, convosco, partilho de seguida e que trago como exemplo da procura quotidiana de nos cumprirmos, cumprindo a nossa missão através da inscrição e compromisso com os nossos valores e “formas de fazer”.

Ray Archuleta – “A saúde do solo é uma questão de segurança nacional” | https://jornalptgreen.pt/noticia/ray-archuleta-a-saude-do-solo-e-uma-questao-de-seguranca-nacional/

Madalena Tedeschi – “Há uma escola onde se “aprende a aprender” e até miúdos da creche ensinam os educadores” | https://sapo.pt/artigo/ha-uma-escola-onde-se-aprende-a-aprender-e-ate-miudos-da-creche-ensinam-os-educadores-69fb4132f00315c827257194

Boas (e inspiradoras e, quem sabe, co-criadoras) leituras.

E… Sugestões são sempre bem-vindas…

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Fundação Mendes Gonçalves

Reforço da Equipa

“Os museus são instituições que procuram representar a diversidade natural e cultural da Humanidade, desempenhando um papel essencial na proteção, preservação e transmissão do património.”

Hoje, 18 de maio, comemora-se o Dia Internacional dos Museus e esta é uma passagem da “Recomendação relativa à Proteção e Promoção dos Museus e das Coleções, da sua Diversidade e do seu papel na Sociedade” da UNESCO. É, também, uma passagem que sublinha o papel dos Museus na “proteção, preservação e transmissão do património”, base do que venho convosco hoje partilhar.

Estamos, na Fundação Mendes Gonçalves, a iniciar um processo de reforço da equipa. São duas novas pessoas para duas funções que se juntarão à equipa, também, para “proteção, preservação e transmissão do património” da Fundação e do trabalho desenvolvido e a desenvolver. As funções são:

. Diretor/a do Programa Educar (inclui o projeto da Escola Mendes Gonçalves) | Mais informação aqui: https://fundacaomendesgoncalves.org/2026/05/15/diretor-a-programa-educar/ e perfil que procuramos aqui: https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/05/Diretora-Programa-Educar-FMG-2026.pdf

. Gestor/a Candidaturas e Projetos: Mais informação aqui: https://fundacaomendesgoncalves.org/2026/05/15/gestor-a-candidaturas-e-projetos/ e perfil que procuramos aqui: https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/05/Gestora-Candidaturas-FMG-2026.pdf

Quem por aqui me acompanha e lê sabe certamente o quanto valorizo a (nossa) equipa e a sua coesão e o quão a sinto fulcral, a par da “inscrição” dos valores e formas de fazer da Fundação, na dinâmica do dia-a-dia e no cumprimento da nossa missão e objetivos. Também quem aqui me acompanha – e vai conhecendo o projeto e projetos da Fundação Mendes Gonçalves – creio que reconhecerá (algum) interesse nestas possibilidades e neste potencial juntar-se a esta equipa.

Se assim é e se: a) se vêem connosco; b) se conhecem, eventualmente, alguém que vêem connosco ou c) se reconhecem o interesse destas possibilidades e pensam oportuno que mais pessoas as conheçam, peço que possam: a) candidatar-se; b) partilhar estas possibilidades com pessoas que conheçam; ou c) compartilhar este texto ou estas oportunidades.

Isto com um agradecimento meu, nosso. Obrigado.

Ps. A foto que partilho, da nossa equipa (junto com o nosso Fundador, Carlos Goncalves, a nossa presidente do Conselho Executivo, Conceição Zagalo, e a Direção de Comunicação do Universo Mendes Gonçalves que connosco trabalha quotidianamente – Maria Beatriz Filipe e Liliana Oliveira), é parte do Relatório de Atividades (e Contas) de 2025 da Fundação Mendes Gonçalves, que aqui volto a partilhar para quem quiser conhecer um pouco melhor as bases, a formação e o primeiro ano de atividade da nossa Equipa e Fundação. Aqui disponível: https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/04/relatorio-atividades-2025.pdf

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FMG Fundação Mendes Gonçalves Pobreza e Desigualdade

10 Km e a filantropia de proximidade

Quando, a viajar, estou num lugar que conheço menos bem, podendo, procuro correr nele, juntando gostos: esse, correr; esse, viajar, também correndo por ruas, dinâmicas e sensações diferentes, cruzando-me com outras pessoas nas suas atividades quotidianas.

Há alguns anos estive em Goldsmiths, uma Faculdade da University of London onde se lecciona/investiga psicologia. Fiquei lá próximo (New Cross) e numa manhã corri até ao Hyde Park. Corri de um lugar onde a esperança média de vida saudável para os homens é de 57,8 anos até outro onde é 67,7 anos (dados de 2025). Cerca de 10km, numa das principais capitais e cidades do Mundo, 10 anos de diferença.

“Envelhecer é uma experiência muito diferente para pessoas diferentes. Onde vivemos ou quanto dinheiro ganhamos são fatores importantes e moldam a nossa saúde quando somos mais velhos”. Di-lo Sarah Wilkinson, num relatório do Centre for Ageing Better, que afirma “que a esperança de vida saudável caiu para os níveis mais baixos no UK desde que os registos começaram há 15 anos, enquanto a diferença entre diferentes comunidades locais também atingiu os valores mais elevados de sempre nos homens.”

Outros ângulos haveria – a participação, resiliência, democracia, o bem-estar – mas trago este exemplo para que pensemos na relevância de trabalharmos com e a partir da comunidade, procurando respostas para os desafios (e oportunidades) específicos com que cada uma se confronta. Vem isto a propósito da oportunidade que tive de trazer esta dimensão de contributo para uma conversa sobre a importância dos dados no reimaginar da filantropia.

A convite da Rede Capital Social (obrigado!), com moderação da Inês Sequeira (muito obrigado!) comentei este tema com pessoas muito importantes para mim: o Ricardo Garcia, que tem sido um apoio e estímulo constante nestas minhas funções; o Pedro Calado, por quem nutro uma enorme admiração e que – como tive oportunidade de explicar – é responsável em grande medida pelo caminho profissional que percorri.

Comentei-o a partir da experiência da nossa Fundação Mendes Gonçalves e de como sentimos que o reimaginar da filantropia também pode decorrer de a aproximarmos (na participação, nas propostas/respostas e na relação) das pessoas, comunidades e de processos de co-construção e responsabilização. Como os dados ganham nome, história, experiências e como se pode construir em comunidade confiança para a entidade e para o sector.

Falei, também, de bem-estar e da população mais jovem e sua participação, mas a isso voltarei em breve. Hoje queria sublinhar a necessidade de colaborarmos para construir comunidade e para criar lugares mais resilientes e com mais oportunidades de bem-estar e futuro para todos. Queria sublinhar o papel que as Fundações Comunitárias e uma filantropia de proximidade podem nisso, e no aumento da confiança no sector, assumir e, simultaneamente, dizer que espero que quem me e nos ouviu possa tê-lo levado conseguido enquanto reimaginção possível da filantropia.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Relatório de Atividades (e Contas)2025 | Fundação Mendes Gonçalves

À enorme oportunidade e responsabilidade que sinto e sentimos, corresponde a vontade de mostrarmos e prestarmos contas sobre o caminho que percorremos, sobre o como e o porquê de o assim termos percorrido e sobre os resultados que conseguimos e não conseguimos com ele.

Este princípio assiste ao nosso trabalho, dia-a-dia, e assitiu à forma como procuramos, junto com os nossos Órgãos Sociais, preparar o nosso Relatório de Atividades (e Contas) de 2025, nosso 1º ano de atividade.

Porém, este princípio, assiste também à forma como o pretendemos partilhar – aqui o meu singelo contributo para isso | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/04/relatorio-atividades-2025.pdf – incluindo o seu envio a um conjunto de entidades e organismos públicos (por prestação de contas e para afirmação da nossa disponibilidade para colaborar junto com estas entidades) e, ainda, com a solicitação, também no relatório, de partilha de comentários e sugestões pois… “Crescemos juntos”. Faça-o, também aqui…

Depois, permitam-me duas partilhas sobre o relatório e sobre esse 2025:

a) Um agradecimento às pessoas que vêem na foto abaixo e que, lado-a-lado, constroem o que somos e seremos. Da esquerda para a direita o Manuel Paiva dos Santos, a Madalena Bento, a Vanessa Esteves, a Inês Queiroz, o Carlos Goncalves (nosso fundador e inspirador), a Conceição Zagalo (nossa presidente do Conselho Executivo e energia), a Liliana Oliveira, a Maria Beatriz Filipe, a Quaiela Costa e eu, grato que sou por aqui caber.

b) O testemunho que escrevi para o relatório. Diz:

“Mesmo na – quase sempre boa – agitação do meu dia-a-dia houve uma constante deste meu 2025: uma sensação de enorme privilégio de poder fazer e ser parte da instalação e início de atividades da Fundação Mendes Gonçalves. Isso e, simultaneamente, um misto de comprometimento e peso da responsabilidade deste meu contributo. Foi, por isso e como é possível imaginar, um ano intenso. De trabalho, é certo. Mas também de uma palavra que, infelizmente, tende para “ser gasta” mas que creio aqui apropriada: propósito.

Meu e de um conjunto de pessoas que, ainda que não significativo em número, significam tudo para a FMG, parte delas não “dando tanto a cara como eu” mas igualmente parte relevante deste processo.

Neste 2025 procuramos, juntos, transformar ideias e uma visão estratégica numa estrutura, em planeamento e em caminho. Fizêmo-lo e percorrêmo-lo num trabalho paciente, nem sempre visível mas intencional, onde esteve sempre presente o compromisso com a missão, os valores e as formas de fazer da FMG que a cada momento procuramos respeitar e consolidar.

Que, ao ler estas palavras e este relatório, o reveja e, de certa forma, se reveja nele – nos caminhos, opções e nas possibilidades que ele espelha de 2025. Mas mais… Que, como nos inspira a continuar e a aprofundar, nos próximos anos, esta ideia e visão, a/o inspire a poder associar-se-nos, seja de que forma for… Pelo futuro de todos.”

Obrigado.

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Educação Fundação Mendes Gonçalves Tomada de Decisão

Fórum Rege

Propósito. Como a sustentabilidade, é uma palavra poderosa que, infelizmente, também por isso e pela forma como tende a ser utilizada, significa hoje tudo e nada e é, não raras vezes, usada (e “abusada”) como mantra para o ultrapassar de todos os desafios e dificuldades, pessoais e profissionais.

Por isso hoje – Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho – permitam-me avançar deste “propósito” para uma triangulação do envolvimento, celebração e compromisso que sinto, dia-a-dia, no meu trabalho. E o Fórum Regenerar 2026 que na Fundação Mendes Gonçalves organizamos a 23 de abril foi um momento fantástico de sua demonstração.

No envolvimento que se sentiu naquela sala e jardim e no sentido do que ali se discutiu, sentiu e viveu. De tantas e tantos amigos, parceiros e companheiros de caminho que deram significado e coerência aquele momento.

Na celebração do nosso 1º aniversário… 1 ano e que ano!

No compromisso. Que sinto e sentimos. E que afirmamos com uma declaração que sinaliza o caminho que nos propomos prosseguir, para o qual pretendemos juntar outros agentes e parceiros e cuja avaliação pretendemos fazer na 2ª edição do Fórum Regenerar (2028). Na declaração que partilhei no Fórum comprometemo-nos a:

. Educar com evidência e cuidado: advogar e contribuir para o desenvolvimento de um ecossistema educativo de qualidade dos 0 aos 10 anos (…);

. Nutrir com equidade e dignidade: promover a literacia alimentar, a segurança nutricional e estilos de vida e hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis (…);

. Regenerar solos, ecossistemas e comunidades: promover e disseminar práticas de agricultura regenerativa baseadas na evidência científica (…);

. Comunicar, advogar e multiplicar (…);

. Apoiar projetos de impacto na Regeneração: preparar e lançar um Fundo de Apoio de Investimento de Impacto, com contributo da Fundação Mendes Gonçalves mas aberto a diferentes participações.

Fizemo-lo referindo que (…) “Hoje, reunidos na Golegã, no 1º Fórum Regenerar, afirmamos uma crença e a convicção que partilhamos ao longo deste dia: é possível e é imperativo regenerar (…) convidamos fundações e outras organizações da economia social, entidades públicas e privadas e todos os agentes do bem-comum, alinhados com esta visão, a construírem, em parceria connosco, este futuro coletivo. Partilhando e envolvendo-se com esta declaração, assumindo o compromisso de contribuir para uma cultura de regeneração e de agir, dia-a-dia e a partir de cada território, na direção de um futuro de maior equidade, coesão social e regeneração”.

No fórum Regenerar 2028 prestaremos contas. E demonstraremos envolvimento, celebraremos e voltaremos a comprometer-nos, pois:

“Juntos, cuidamos.

Juntos, regeneramos.

Juntos, criamos e inspiramos futuros. De todos.”

Declaração Inspirando Futuros | Uma Declaração para Regenerar no presente e para o futuro: https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/04/INSPIRANDO-FUTUROS-Declaracao-Regenerar-2026.pdf

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Fundação Mendes Gonçalves

1 ano de FMG

Se a 23.04.2025, quando publicamente apresentamos e “lançamos” a Fundação Mendes Gonçalves (FMG), tivéssemos marcado a nossa posição relativa ao Sol, hoje chegaríamos a essa mesma posição. A esse mesmo lugar.

Cumpre-se hoje uma volta, um ano, o primeiro ano. Cheio, intenso, imenso…

Um ano em que este nosso Mundo muito mudou, bem o sabemos. Um ano em que a FMG se procurou estruturar e consolidar para se disponibilizar a, para ele, contribuir.

Parte de quem aqui me lê fez e faz parte deste ano. Pelo que, muito simplesmente, vos agradeço. O compromisso e empenho. A confiança e amizade. A vontade de o fazerem, de transformarem, de contribuirem, também connosco. O acolhimento. O reconhecimento. Obrigado, tudo farei e faremos para continuarmos a merecer tudo isto, base para mais melhor conseguirmos contribuir.

Espero, daqui a pouco, ver algumas e alguns de vós no Fórum Regenerar 2026 – https://fundacaomendesgoncalves.org/2026/03/19/regenerar-2026/?media_link=1 – e/ou, mais tarde, no momento de celebração do aniversário da Fundação, ao final da tarde (17h) no Jardim da Casa Estúdio Carlos Relvas, na Golegã.

Espero, também, que algumas e alguns dos que não verei hoje – mas que estão sempre connosco – consigam sentir que este momento é também seu, por serem parte.

Espero, finalmente, que me saibam particularmente grato e que hoje é um dia bonito.

Obrigado. Obrigado. Obrigado.

Ps. Deixo-vos com a boa memória do Evento de Lançamento da Fundação Mendes Gonçalves | 23.04.2025 | https://www.youtube.com/watch?v=PCavbxjWz_4