Categories
Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Combater a pobreza, o desígnio.

(combater o) “medo persistente de que o declínio dos EUA seja inevitável e da próxima geração ter que diminuir as suas aspirações.”

Há precisamente 11 anos Obama sinalizava-o no seu discurso de tomada de posse.

(combater a) “pior doença que uma pessoa pode ter – ser pobre.”

A pobreza nesta excelente entrevista da Céu Mateus –  https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/a-pior-doenca-que-uma-pessoa-pode-ter-e-ser-pobre

Dois ‘combates’ relacionados e essenciais hoje. Não há bem-estar com pobreza e a promoção do bem-estar faz-se (muito) da erradicação da pobreza.

Ser pobre hoje é ter elevado de risco de doença, de stress, de baixa auto-estima, de, de. A pobreza, injusta, custa muito aos países, em custos sociais, de saúde, de, de. Isto apesar de ser pobre hoje não ser uma inevitabilidade.

A pobreza combate-se intervindo nos determinantes sociais, com intervenções sociais/comunitárias.

Combate-se intervindo nos determinantes pessoais, promovendo competências, promovendo a auto-estima, a auto-eficácia.

Combate-se intervindo nas consequências, apoiando/suportando as pessoas, as famílias.

Combater a pobreza não custa mais do que a pobreza nos custa.

Ousemos (seriamente) erradicar a pobreza. Testar numa comunidade. Avaliar custos/benefícios. É um dever que temos. Pela justiça e bem-estar de todos.

Categories
Democracia Política Psicologia

(boas) políticas públicas e defesa da democracia

Ontem alguém com responsabilidades políticas (e públicas) dizia-nos que o combate ao populismo também se fazia com melhores políticas públicas e com outra relação entre Estado e cidadãos. Nada mais certo.

O populismo combate-se com políticas eficazes que respondam às expectativas dos cidadãos,às desigualdades e promovam o desenvolvimento sustentável e o bem-estar. Combate-se com democracia que por sua vez vive “da auto-contenção dos líderes/decisores (da não utilização de instrumentos democráticos para fragilizar o contraditório e o sistema pesos-contrapesos) e do trabalho conjunto com os adversários políticos.” (Levitsky & Ziblatt; Como morrem as democracias)

Num momento sem igual em que “o ecossistema digital beneficia personagens polarizadoras(…)porque os seus algoritmos vivem do envolvimento emocional das pessoas” (A.Marantz; Anti-social), os políticos e a sociedade civil devem responder integrando mais as pessoas e a ciência no desenho, implementação e avaliação das políticas (públicas).

As pessoas, através de iniciativas como as “Oficinas de Participação” promovidas pelo Governo. A ciência, neste caso a comportamental e psicológica, por exemplo conforme conversávamos na reunião.

Tudo urgente porque “a história nunca se repete, mas muitas vezes rima”. Se rima, Mark Twain.

Categories
Psicologia Tecnologia

(só) 13 anos de iPhone.

iPhone

A 9.1.07 Steve Jobs apresenta-o na Macworld. “De quando em vez um produto revolucionário muda tudo”, diz.

Penso… Há 13 anos e 1 dia apenas a sua equipa conhecia a palavra iPhone. Hoje tantos a conhecemos e reconhecemos o seu legado no desenvolvimento dos smartphones e seu enraizamento no modo de vida de tantas pessoas.

Sinto este enraizamento com a “minha” Courrier Internacional. Há largos anos que a cada mês a leio. A deste mês trata também de “um ‘produto’ revolucionário (que) muda tudo” – os algoritmos que decidem.

Sistemas de inteligência artificial que analisam dados para identificar riscos de maus tratos, reincidência criminal, doenças, etc.

Sistemas desenvolvidos por seres humanos e, assim, potenciadores dos seus preconceitos e enviesamentos. Sistemas discriminadores de mulheres em concursos, de minorias na saúde e na justiça. Sistemas que erram e que necessitam de uma “reflexão ética profunda e de supervisão” (Hannh Fry; Olá Futuro).

Sistemas (e revolução, portanto) que precisam da Psicologia: do seu conhecimento da pessoa e da tomada de decisão; do seu insight ético; do seu papel nas adições “à tecnologia” ou nos desafios das transformações na educação e no mundo do trabalho…

Enfim, do seu papel na adaptação (também psicológica) da pessoa a (mais) esta revolução.

Categories
Comportamento Política Psicologia

Eficiência do Estado 2020

“E se não salvo a ela, não me salvo a mim.”

Esta é a segunda parte, normalmente não mencionada, da frase de Ortega y Gasset que todos conhecemos:

“Eu sou eu e a minha circunstância…”

Trago-a no início desta semana rica em debate e conteúdo político que nos levará à votação na generalidade na 6ºF da proposta do Orçamento do Estado (OE). O OE (como cada um/a de nós) é o OE e a sua circunstância e a resposta a parte dos desafios que procura atender não termina com as dotações (orçamentais) que propõe.

É neste sentido que incentivo a que depois do OE se discuta o Eficiência do Estado (EE), procurando-se a rentabilização dos recursos disponíveis para melhores políticas públicas.

Que se discuta um programa de eficiência do Estado e que este incorpore 3 temas que me são caros, pouco desenvolvidos em Portugal:

a) a disponibilização e utilização de dados existentes (ex. dados longitudinais da autoridade tributária seriam fulcrais para se estudar os impactos das políticas públicas);

b) a pilotagem/testagem de políticas/programas pré-implementação;

c) a informação das políticas públicas com conhecimento das ciências comportamentais – como nos comportamos, mudamos ou tomamos decisões (veja-se o livro de Kenneth Maton).

Porque, “se não a salvo a ela, não me salvo a mim”. Porque, o OE é o OE e a EE.

Categories
Futuro da Psicologia Psicologia Uncategorized

Psicologia – 10 trends to watch in 2020

“Se eu vi mais longe foi por estar sobre ombros de gigantes”.

Há mais de 300 anos, Isaac Newton escrevia-o numa carta a R.Hooke, partilhando do pensamento atribuído a B.Chartres (séc.XII) e afirmando a sua visão da ciência como uma construção colectiva.

Tenho esta frase sempre presente em mim. Hoje pensei nela ao ler as “10 trends to watch in 2020” da Psicologia publicadas na Monitor deste mês,revista da American Psychological Association.

Mas recuemos a Agosto de 2003 quando ainda estudante me inquietava a escolha de área que teria que efectuar no ano lectivo seguinte, preocupação creio comum a muitos dos hoje Psicólogos. Nesse mês realizou-se a 111ª Convenção da APA, onde a Suzanne Johnson (em 2019 esteve na Ordem dos Psicólogos Portugueses para um workshop na área da Diabetes) participou num simpósio sobre a prática da Psicologia em 2020.

Aí discutiu-se o futuro papel das alterações demográficas, da tecnologia, da alteração de perfil dos consumidores e da prestação de serviços na área da saúde e respectivos impactos na prática da psicologia.

Ora, as tendências agora publicadas ‘sobre ombros de gigantes’ são, além de responsivas a desafios emergentes na sociedade, um ‘ver mais longe’ do aí discutido. Obrigado à APA. Trends aqui: https://lnkd.in/gfah8WG

Categories
Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Speaking of Psychology; Episódio International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action


“Marcelo Rebelo de Sousa address the summit telling attendees they chosen the right subject to tackle first because of the global nature of climate change…”

Assim é introduzida – no último episódio do podcast Speaking of Psychology – parte do discurso do Presidente da República na International Summit on Psychology and Global Health. Episódio que recorda este significativo evento, organizado pela American Psychological Association e pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e que trouxe a Lisboa mais de 43 associações internacionais de Psicologia, representantes de mais de 1 milhão de psicólogas/os dos 5 continentes.

Nesta Summit,um pouco como aqui procurei demonstrar https://lnkd.in/gpSWkmw , discutiram-se formas de colaboração internacional, procurando-se,através de compromissos conjuntos e de cada associação,mobilizar a Psicologia e as/os psicólogas/os de todo o Mundo para o enormíssimo desafio societal e geracional que é a emergência climática. …

“Temos que ter uma resposta global. Nenhum país por si,nem mesmo uma superpotência,pode responder a este desafio”.

Ouve-se do Presidente da República. Para os países. Para as Associações de Psicologia.

Aqui: https://lnkd.in/gyM5vXS

Categories
Desafios da Psicologia Psicologia

Crise da Psicologia?

Um sentir mais pessoal sobre o (para alguns ainda menor) papel da psicologia.

A leitura do desafiante Psychology in Crisis em torno da crise da replicação da investigação em psicologia (open science collaboration).

Duas experiências dos meus últimos dias que alicerçam um desejo para a psicologia em 2020: pensarmos e trabalharmos num reforço da sua identidade, conforme o Miguel Ricou defende, assente numa definição clara do seu objecto e objectivo enquanto ciência e profissão, capaz de sustentar a sua diversidade – hoje, simultaneamente, uma das suas principais virtudes e fragilidades.

Só com mais identidade responderemos à “cultura de flexibilidade metodológica” e ao HARKing (hipótese pós-resultados) identificados no livro, acrescentando maior associação (crescendo amostras), mais partilha (melhorando dados) e mais presença científica (pelo rigor/qualidade e não apenas pela quantidade).

Só com mais identidade conseguiremos transmitir mais confiança e segurança na nossa ciência e prática e estaremos mais preparados para responder às enormes expectativas que recaem em nós: assumirmo-nos como ciência liderante na área do comportamento; investigarmos e trabalharmos no apoio à resolução dos principais desafios societais, em prol de maior equidade e bem-estar.

Todos somos poucos nesta tarefa.

Categories
Behavioural Insights Comportamento Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

O contributo dos psicólogos diferencia-se do de outros profissionais? Psicologia e ciências comportamentais (PsiCarreiras Summit)


“Temos de revitalizar o século das luzes e reafirmar o nosso compromisso de honrar os seus valores de liberdade,respeito pelo conhecimento e democracia”.

Stiglitz a defender o respeito pelo conhecimento a par com a liberdade e a democracia, valores que urge defender contra movimentos que, com diversas motivações/organizações, prosseguem a opressão, o obscurantismo e o populismo.

Quando fronteiras (Suécia/Brexit) e muros regressam ao Mundo (EUA/Cisjordânia), progredindo até na Europa (Grécia-Macedónia-Sérvia-Hungria), há muros fundamentais a construir. Não entre países mas entre valores. Entre a liberdade e a opressão, entre a democracia e o populismo. Não entre o diverso conhecimento científico (inter ou intra-ciências) mas entre o respeito pelo conhecimento e o obscurantismo.

Urge reforçar a identidade dos psicólogos, sem muros internos, conforme urge afirmar a Psicologia no panorama da ciência, sem muros externos, pelo respeito pelo conhecimento, afirmando-nos pelo contributo junto das pessoas e comunidades nos principais desafios societais.

Na próxima 6F na #psicarreirassummit discutirei com o Eduardo Sá, o Jaime Ferreira da Silva e a Teresa Espassandim a Psicologia, sem muros, e o seu papel diferenciado e liderante na psicoterapia, no coaching e nas ciências comportamentais.

Categories
Educação Política Psicologia

Estado da (Psicologia da) Educação

Foi hoje publicado o Estado da Educação 2018 e, com ele, indicadores muito positivos para um país que em 1970 tinha 26% da população analfabeta e 0,6% com ensino superior. Positivos mas também desafiantes porque, se na globalidade os indicadores melhoraram muito, ainda nos mobilizam.

Também hoje começou o seminário Psicologia da Educação, co-organizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e DGE. 800 participantes, 700 destes colegas psicólogas/os com intervenção em contexto escolar.

Também aqui aspectos positivos, como o aumento de psicólogas/os e a crescente valorização do seu papel, mas também desafios à sua intervenção.

Reflectimos sobre a necessidade de uma visão positiva e pró-activa das/os psicólogas/os, como tão bem a Profª Margarida Gaspar de Matos sublinhou. Assistimos à apresentação do livro “A prática da psicologia escolar” da Sofia Mendes, alguém que muito contribui para a inscrição (conforme José Gil define) da psicologia neste contexto.

O relatório, o seminário o reencontro com tantas/os colegas tornam saliente em mim o desafio da promoção da utilização da Psicologia no desenho de políticas e o artigo que recentemente escrevi a este propósito.

Também na legislação na Educação, embora com pontos positivos (como o DL da Educação Inclusiva) persistem tantos desafios…

Categories
Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Climate change and Psychology: Past, present and a better future (Moderação International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action)

Há uma semana começava em Lisboa a International Summit on Psychology and Global Health – A Leader in Climate Action, momento histórico para a Psicologia a nível mundial.

Da Summit, organizada pela APA e pela OPP resultaram uma proclamação e uma resolução conjunta (https://lnkd.in/g8xZNab), além de compromissos de cada uma das 42 Associações nacionais e internacionais de Psicologia, dos 5 continentes,para promover os contributos da Psicologia e das/os psicólogas/os na crise climática.

Além de ter tido a oportunidade de trabalhar na sua organização, moderei na sessão aberta a mesa “Climate change and Psychology: Past, present and a better future” onde intervieram os tão inspiradores quanto conhecedores Janet Swin e José Palma-Oliveira.

Como aí referi, se a Psicologia estuda há décadas o comportamento, as suas motivações e a tomada de decisão,é urgente (re)posicioná-la como ciência que informa e que é decisiva na decisão política e no desenho das políticas.

“Encorajados pela recente onda de preocupação” mas também por uma de optimismo, assumamos, psicólogas/os, a nossa responsabilidade, multipliquemos e apliquemos o nosso contributo neste enorme desafio societal.

Pelas pessoas. Por um mundo com futuro. Por um futuro com mais bem-estar e equidade para todas/os.