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Dia Internacional da Mulher Psicologia

Mulher.

Esta minha fotografia é parte de um bonito projecto da minha 2x colega Edite Queiroz que assinala o Dia Internacional da Mulher 2020 na Ordem dos Psicólogos Portugueses e a dramática injustiça da “situação das mulheres [ser] pior que a dos homens pelo simples facto de serem mulheres.” (António Guterres).

Há pouco deparei-me com esta foto da AP de uma manifestação hoje em Bishkek (Quirguistão) cidade onde a amplitude térmica do dia foram 8ºC.

Coincidência simbólica porque neste 8.3 assinalam-se ‘amplitudes’: as que persistem em tantos indicadores entre M/H no nosso país (risco de pobreza, salários, violências…); mas também as entre mulheres mundo fora, mundo onde persiste a mutilação genital ou a impossibilidade das mulheres irem à Escola ou se manifestarem, como aqueles homens de cara tapada demonstram.

Todos (quem educa, lidera,se relaciona) temos um papel no combate a estas ‘amplitudes’. Creio no entanto que nós psicólogos temos especial contributo (e responsabilidade) não fora também objecto da nossa intervenção a garantia de maior autodeterminação e bem-estar da pessoa, pela promoção do seu autoconhecimento, competências e possibilidades.

Tive, tenho e terei mulheres extraordinárias perto de mim. Pessoas que para o serem tiveram e têm sempre que o ser ainda mais.

Obrigado a vocês.

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Comportamento COVID-19 Psicologia

Da disponibilidade…

Amígdalas cerebelosas. Duas pequenas esferas de neurónios, parte do nosso sistema límbico. Cruciais às emoções e,assim, ao nosso comportamento, decisões, bem-estar.

Partilham nome com as amígdalas da garganta que, ao inflamar (em crise), provocam amigdalites.

Não estão descritas ‘amigdalites cerebelosas’ para crises que nos provocam ‘inflamações’ de emoções. Não estão, mas existem. Em algumas pessoas agora mesmo e a propósito do muito desafiante COVID-19. Não estão, mas previnem-se: ´lutando contra´ os nossos ´enviesamentos de disponibilidade´ de informação (quantos responderiam Espanha se perguntasse qual o país da península ibéria com maior risco de pobreza?); ’lutando contra’ contágios e atitudes nossas de “consideração extrema” ou de “desconsideração extrema” das situações, procurando, construindo e partilhando informação fidedigna actualizada (DGS/OMS); dando ‘nome’ às nossas emoções ‘negativas’(aos medos, ansiedades), reconhecendo-as (algo que só por si provoca a sua diminuição), aceitando-as, ultrapassando-as, ‘desinflamando-as´.

Porque enfrentar este grande desafio chamado COVID-19 a todos compete.

 

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Psicologia

Dia L / Para uma Escola + sustentável – Contributos da Psicologia para a acção climática

Dezembro, 2012. A.Lanza, 20 anos, dispara vários tiros de várias armas entre a sua casa e a Escola primária de Sandy Hook matando 28 pessoas onde se incluem a sua mãe, alunos, a minha colega psicóloga da Escola (M. Sherlach) e ele próprio.

“Temos de nos coordenar e tomar medidas significativas para prevenir mais tragédias como esta, independentemente das questões políticas” diz Obama, num emocionado discurso, suscitando um debate profundo na sociedade Americana. Tocava-se no fundo. Nada podia ficar igual, a começar na legislação de uso e porte de arma, mas…

Dezembro,2019. Austrália ardia, tocava-se no fundo. Nada podia ficar igual, a começar nos combustíveis fósseis, mas…

Foi assim que na 5ªF – nas conferências do “Dia L/Para uma Escola + sustentável” da ES António Arroio e a convite da Luisa Mota – comecei uma conversa com alunos sobre contributos da Psicologia para a acção climática.

Sobre o porquê deste (poderoso) mas. Sobre contributos específicos na prevenção, mitigação, resposta aos problemas, crises e catástrofes, desenho de políticas e na promoção da mudança comportamental.

Deste dia, crê-se, surgirão projectos para acções concretas dos alunos no seio da comunidade escolar.

Deste dia trago um enorme encorajamento face ao futuro a partir da reflexão e visão destes jovens.

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Coerentemente incoerente.

Enquanto se aguarda um parecer, mantém-se agendado para 6ªF o debate na AR do PL144/XIV (Chega) que visa o “agravamento de penas em situações de abuso sexual de menores” e a “criação da pena acessória de castração química”.

Sendo “excepcional o poder de rejeição de iniciativas”, como refere o presidente da AR, é inquietante que não exista maior sobressalto na sociedade a este propósito.

Senão vejamos:

a) O PL refere “números avassaladores deste tipo de criminalidade” / “tendo esta prática obtido resultados muito satisfatórios no combate ao tipo de criminalidade” sem dados/fontes que o sustentem;

b) Aborda o ex. francês não referindo que a legislação o admite mas dependendo da autorização do próprio;

c) Não sendo jurista, creio óbvio que viola claramente princípios da integridade e da limitação das penas existentes em Portugal.

Este PL é exemplar na exploração da percepção / emoção da pessoa contra a factualidade, ‘cavalgando´ instintos de medo, generalização ou urgência; Anna Rosling Rönnlund.

André Ventura fá-lo recorrentemente, contra a ciência e os direitos. Tal como sugere que uma colega deputada seja “devolvida ao seu país de origem” e, simultaneamente, considera existir um “conluio antidemocrático” dos que se opõem à discussão deste PL.

Pode alguém ser coerentemente incoerente?

Pode.

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Qual será o átomo da sociedade?

Trabalhei muito recentemente um documento que partia desta pergunta, feita reflexão em mim.

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) a discriminação?

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) violências múltiplas?

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) a iniquidade?

Qual o átomo de uma sociedade que preserva (e reforça, em alguns contextos) a desconfiança? A desinformação?

Creio simples que tendamos a responder que são as políticas, as tomadas de decisão, os exemplos. Factores externos a nós. Creio, no entanto, que sendo estes factores muito relevantes (na prevenção / promoção de determinados comportamentos), são-no em muito também pelo que influenciam na narrativa que construímos sobre o nosso comportamento, narrativas decisivas ao comportamento futuro. Pelo que entendo que a resposta está mesmo no comportamento.

O comportamento, multifactorialmente determinado.

O comportamento, onde a história, as experiências e as narrativas de cada pessoa tanto pesam.

O comportamento, que contagia, que se reforça, tendendo a norma na pessoa, no grupo, na sociedade.

Que estudemos, que percebamos o comportamento.

O comportamento, como átomo da sociedade.

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Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Lugar(es) da Psicologia

Desde há uns meses partilho no LinKedIn algum pensamento em torno de assuntos emergentes na sociedade e/ou em mim. Também desde há uns meses tenho outra oportunidade de pensar os contributos da Psicologia (da ciência, dos profissionais) na sociedade e nos seus complexos desafios.

Faço-o como membro da comissão organizadora (CO) do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, presidida pela Raquel Raimundo, que partilho com a Carla Fernandes, catarina Alvarez, Edite Queiroz, Renata Benavente e Verónica Ferreira. 

Congresso que se propõe pensar o “Tempo da Psicologia”e ousar novas abordagens,‘abrindo-se’ à rua, à tecnologia, ao debate com outras áreas de saber e artísticas.

Regresso a uma CO de um Congresso da OPP 6 anos depois (2º; CO presidida por Francisco Miranda Rodrigues), após ser voluntário no 1º (David Neto) e membro nos 3º (Miguel Ricou) e 4º (Eduardo Carqueja) da fantástica equipa de colaboradores da OPP que os constrói (alguns como a Sarah Freire e a Clara Silva já não connosco).

Este é também um contributo meu de ‘inscrição’, como o é o LinKedIn e este Lugar da Psicologia, lugar em construção onde reúno o que vou fazendo, pensando, escrevendo.

Aqui, no LinKedIn ou no Congresso, encontremo-nos, discutamos e reflictamos. Juntos.

O mundo isso (nos) exige.

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Comportamento Democracia Política Psicologia

Ainda o ‘vento’…

“Sopra um vento soberanista e autoritário sobre o mundo.”

Revisito esta frase do J.Fernandes e o trabalho de dois psicólogos que me ajudam a pensá-la. Um refere hoje no Público que o aumento “da ansiedade, do medo e da percepção das ameaças” decorrente da globalização explica este ‘vento’.

F. Moghaddam estuda como hoje se “extremam e radicalizam” posições em política, distraindo apoiantes de “fraquezas próprias” pelo foco na “ameaça externa”. Se de um exemplo necessitássemos, convido ao gráfico abaixo e à reflexão sobre a não-oscilação da taxa de aprovação de Trump no processo de impeachment mesmo quando as graves revelações se sucediam. 

Esta polarização da política é também determinada pelos efeitos da identidade de grupo que H.Tajfel descreveu há décadas quando, após sobreviver ao holocausto por um ‘efeito de grupo’, demonstrou experimentalmente que a simples pertença a grupos, mesmo randomizados ou não claramente definidos, gera fenómenos de defesa e valorização do “nós” face a um “outros” que discriminamos e, não raras vezes, hostilizamos. 

Precisamos, talvez como nunca, de relação com outros diferentes de nós.

De capacidade empática. De curiosidade, humildade, abertura, aceitação.

De não cristalizarmos em nós e no nosso grupo. 

Somos seres sociais. Não somos ‘redes sociais’.

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Comportamento Democracia Política Psicologia

Capicuas.

Esta semana começou numa capicua (02022020). Uma data cujo reverso é ela própria. A semana passada terminara com (imperfeitas) ‘capicuas’.

O histórico dia do Brexit cujo reverso não é ele próprio. Após um 2º referendo à presença (envolvimento) do Reino Unido na União Europeia, o leave venceu. Havia perdido por muito em 1975, venceu por pouco em 2016 (como agora o “leave means leave”).

O princípio do fim do processo de impeachment de Trump,  onde a novidade não terá sido tanto o resultado da votação, antes o seu advogado ter defendido que a “troca de favores” com o “objetivo da sua reeleição” não poderia ser punida por considerada de “interesse público”.

Num e noutro caso, o reverso não será o mesmo.

Num e noutro caso, com responsabilidades de diversas partes.

Num e noutro caso, explorando medos, tribalismos contemporâneos, fake news e análises de dados manipulatórias.

Num e noutro caso, confirmando o insight de Jorge A. Fernandes do Público: “Sopra um vento soberanista e autoritário sobre o mundo”.

Sopra e, como numa tempestade, temos que preparar-nos para os ventos (compreendê-los, prevê-los, ter um protocolo de actuação para eles) e cuidar dos seus danos nas pessoas, espaços e comunidade.

Tudo isto, com urgência e para diminuir o seu impacto.

Tudo isto, também com Psicologia.

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Educação Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

A prática profissional da psicologia escolar.

Ainda ontem ouvia Malcolm Gladwell referir-se aos argumentos e narrativas escritas imperfeitas como as ‘mais interessantes’, por mais ‘significativas’, por não óbvias. “Puzzles imperfeitos” dizia, que não nos dão tudo, que não cumprem tudo o que prometem, deixando espaço à ‘implicação’, ao compromisso e à construção de significado a cada leitor/a.

Reflexão curiosa poucas horas antes da publicação do livro “A prática profissional da psicologia escolar”, escrito pela minha colega Sofia Mendes e editado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Curiosa porque o livro é escrito em puzzle, peça a peça, a partir de anos de prática, investigação, reflexão e compromisso da Sofia com a profissão e com a sua intervenção em contexto escolar. Puzzle, história, que merece ser continuado.

Curiosa porque eu, como tantas/os colegas, também para ele contribui pela prática e investigação e contribuo (e contribuirei) pela reflexão e compromisso.

E, se curiosos (como eu), porque não ouvirem esta nossa conversa à volta do livro? E, se curiosos (como eu), porque não o lerem? Implicando-se, comprometendo-se e dando-lhe um significado. Colocando mais uma peça neste puzzle que, imperfeito, se vai construindo… Neste puzzle que também é a psicologia e a intervenção dos psicólogos em contexto escolar em Portugal.

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Democracia Política Psicologia

75 anos depois…

Há 75 anos aquele sombrio portão abria-se definitivamente.

Portão, lugar, que o nazismo queria “sem história” (Arendt).

Portão de uma das Auschwitz’s “construídas pelo ódio, pavimentadas de indiferença” (Kershaw).

Hoje é dia da memória. Da história. Inscrevê-lo, lembrando-o, é contributo mínimo do nosso dever para com tantos seres humanos que ali sofreram atrocidades inimagináveis. Inscrevê-lo, documentando-o, pela literatura, pelo cinema (quem não se recorda do Guido, do Brody ‘Pianista’ ou de Neeson como Schindler?) outro.

Inscrevê-lo procurando pela ciência prevení-lo ainda outro. Assim o fará amanhã com o fórum das políticas públicas o IPPS ISCTE, reflectindo sobre como podem estas melhorar, promovendo bem-estar, equidade e confiança dos cidadãos no sistema democrático. Assim fará 5ªF a Ordem dos Psicólogos Portugueses, no Diálogos da Psicologia, pensando as pontes da psicologia com o jornalismo (tão importante nestes fenómenos).

De uma ou de outra forma, ao inscrevermos, combatemos os ‘antis’ e o negacionismo que cresce em alguns grupos (veja-se a capa do jornal i de hoje e pensem-se nas comunidades Tutsi, Rohingya, …). Se rima… Se rima…