“Sopra um vento soberanista e autoritário sobre o mundo.”
Revisito esta frase do J.Fernandes e o trabalho de dois psicólogos que me ajudam a pensá-la. Um refere hoje no Público que o aumento “da ansiedade, do medo e da percepção das ameaças” decorrente da globalização explica este ‘vento’.

F. Moghaddam estuda como hoje se “extremam e radicalizam” posições em política, distraindo apoiantes de “fraquezas próprias” pelo foco na “ameaça externa”. Se de um exemplo necessitássemos, convido ao gráfico abaixo e à reflexão sobre a não-oscilação da taxa de aprovação de Trump no processo de impeachment mesmo quando as graves revelações se sucediam.

Esta polarização da política é também determinada pelos efeitos da identidade de grupo que H.Tajfel descreveu há décadas quando, após sobreviver ao holocausto por um ‘efeito de grupo’, demonstrou experimentalmente que a simples pertença a grupos, mesmo randomizados ou não claramente definidos, gera fenómenos de defesa e valorização do “nós” face a um “outros” que discriminamos e, não raras vezes, hostilizamos.

Precisamos, talvez como nunca, de relação com outros diferentes de nós.
De capacidade empática. De curiosidade, humildade, abertura, aceitação.
De não cristalizarmos em nós e no nosso grupo.
Somos seres sociais. Não somos ‘redes sociais’.