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Comportamento COVID-19 Psicologia

Da disponibilidade…

Amígdalas cerebelosas. Duas pequenas esferas de neurónios, parte do nosso sistema límbico. Cruciais às emoções e,assim, ao nosso comportamento, decisões, bem-estar.

Partilham nome com as amígdalas da garganta que, ao inflamar (em crise), provocam amigdalites.

Não estão descritas ‘amigdalites cerebelosas’ para crises que nos provocam ‘inflamações’ de emoções. Não estão, mas existem. Em algumas pessoas agora mesmo e a propósito do muito desafiante COVID-19. Não estão, mas previnem-se: ´lutando contra´ os nossos ´enviesamentos de disponibilidade´ de informação (quantos responderiam Espanha se perguntasse qual o país da península ibéria com maior risco de pobreza?); ’lutando contra’ contágios e atitudes nossas de “consideração extrema” ou de “desconsideração extrema” das situações, procurando, construindo e partilhando informação fidedigna actualizada (DGS/OMS); dando ‘nome’ às nossas emoções ‘negativas’(aos medos, ansiedades), reconhecendo-as (algo que só por si provoca a sua diminuição), aceitando-as, ultrapassando-as, ‘desinflamando-as´.

Porque enfrentar este grande desafio chamado COVID-19 a todos compete.

 

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Psicologia

Dia L / Para uma Escola + sustentável – Contributos da Psicologia para a acção climática

Dezembro, 2012. A.Lanza, 20 anos, dispara vários tiros de várias armas entre a sua casa e a Escola primária de Sandy Hook matando 28 pessoas onde se incluem a sua mãe, alunos, a minha colega psicóloga da Escola (M. Sherlach) e ele próprio.

“Temos de nos coordenar e tomar medidas significativas para prevenir mais tragédias como esta, independentemente das questões políticas” diz Obama, num emocionado discurso, suscitando um debate profundo na sociedade Americana. Tocava-se no fundo. Nada podia ficar igual, a começar na legislação de uso e porte de arma, mas…

Dezembro,2019. Austrália ardia, tocava-se no fundo. Nada podia ficar igual, a começar nos combustíveis fósseis, mas…

Foi assim que na 5ªF – nas conferências do “Dia L/Para uma Escola + sustentável” da ES António Arroio e a convite da Luisa Mota – comecei uma conversa com alunos sobre contributos da Psicologia para a acção climática.

Sobre o porquê deste (poderoso) mas. Sobre contributos específicos na prevenção, mitigação, resposta aos problemas, crises e catástrofes, desenho de políticas e na promoção da mudança comportamental.

Deste dia, crê-se, surgirão projectos para acções concretas dos alunos no seio da comunidade escolar.

Deste dia trago um enorme encorajamento face ao futuro a partir da reflexão e visão destes jovens.

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Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Lugar(es) da Psicologia

Desde há uns meses partilho no LinKedIn algum pensamento em torno de assuntos emergentes na sociedade e/ou em mim. Também desde há uns meses tenho outra oportunidade de pensar os contributos da Psicologia (da ciência, dos profissionais) na sociedade e nos seus complexos desafios.

Faço-o como membro da comissão organizadora (CO) do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, presidida pela Raquel Raimundo, que partilho com a Carla Fernandes, catarina Alvarez, Edite Queiroz, Renata Benavente e Verónica Ferreira. 

Congresso que se propõe pensar o “Tempo da Psicologia”e ousar novas abordagens,‘abrindo-se’ à rua, à tecnologia, ao debate com outras áreas de saber e artísticas.

Regresso a uma CO de um Congresso da OPP 6 anos depois (2º; CO presidida por Francisco Miranda Rodrigues), após ser voluntário no 1º (David Neto) e membro nos 3º (Miguel Ricou) e 4º (Eduardo Carqueja) da fantástica equipa de colaboradores da OPP que os constrói (alguns como a Sarah Freire e a Clara Silva já não connosco).

Este é também um contributo meu de ‘inscrição’, como o é o LinKedIn e este Lugar da Psicologia, lugar em construção onde reúno o que vou fazendo, pensando, escrevendo.

Aqui, no LinKedIn ou no Congresso, encontremo-nos, discutamos e reflictamos. Juntos.

O mundo isso (nos) exige.

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Comportamento Democracia Política Psicologia

Ainda o ‘vento’…

“Sopra um vento soberanista e autoritário sobre o mundo.”

Revisito esta frase do J.Fernandes e o trabalho de dois psicólogos que me ajudam a pensá-la. Um refere hoje no Público que o aumento “da ansiedade, do medo e da percepção das ameaças” decorrente da globalização explica este ‘vento’.

F. Moghaddam estuda como hoje se “extremam e radicalizam” posições em política, distraindo apoiantes de “fraquezas próprias” pelo foco na “ameaça externa”. Se de um exemplo necessitássemos, convido ao gráfico abaixo e à reflexão sobre a não-oscilação da taxa de aprovação de Trump no processo de impeachment mesmo quando as graves revelações se sucediam. 

Esta polarização da política é também determinada pelos efeitos da identidade de grupo que H.Tajfel descreveu há décadas quando, após sobreviver ao holocausto por um ‘efeito de grupo’, demonstrou experimentalmente que a simples pertença a grupos, mesmo randomizados ou não claramente definidos, gera fenómenos de defesa e valorização do “nós” face a um “outros” que discriminamos e, não raras vezes, hostilizamos. 

Precisamos, talvez como nunca, de relação com outros diferentes de nós.

De capacidade empática. De curiosidade, humildade, abertura, aceitação.

De não cristalizarmos em nós e no nosso grupo. 

Somos seres sociais. Não somos ‘redes sociais’.

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Comportamento Democracia Política Psicologia

Capicuas.

Esta semana começou numa capicua (02022020). Uma data cujo reverso é ela própria. A semana passada terminara com (imperfeitas) ‘capicuas’.

O histórico dia do Brexit cujo reverso não é ele próprio. Após um 2º referendo à presença (envolvimento) do Reino Unido na União Europeia, o leave venceu. Havia perdido por muito em 1975, venceu por pouco em 2016 (como agora o “leave means leave”).

O princípio do fim do processo de impeachment de Trump,  onde a novidade não terá sido tanto o resultado da votação, antes o seu advogado ter defendido que a “troca de favores” com o “objetivo da sua reeleição” não poderia ser punida por considerada de “interesse público”.

Num e noutro caso, o reverso não será o mesmo.

Num e noutro caso, com responsabilidades de diversas partes.

Num e noutro caso, explorando medos, tribalismos contemporâneos, fake news e análises de dados manipulatórias.

Num e noutro caso, confirmando o insight de Jorge A. Fernandes do Público: “Sopra um vento soberanista e autoritário sobre o mundo”.

Sopra e, como numa tempestade, temos que preparar-nos para os ventos (compreendê-los, prevê-los, ter um protocolo de actuação para eles) e cuidar dos seus danos nas pessoas, espaços e comunidade.

Tudo isto, com urgência e para diminuir o seu impacto.

Tudo isto, também com Psicologia.

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Educação Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

A prática profissional da psicologia escolar.

Ainda ontem ouvia Malcolm Gladwell referir-se aos argumentos e narrativas escritas imperfeitas como as ‘mais interessantes’, por mais ‘significativas’, por não óbvias. “Puzzles imperfeitos” dizia, que não nos dão tudo, que não cumprem tudo o que prometem, deixando espaço à ‘implicação’, ao compromisso e à construção de significado a cada leitor/a.

Reflexão curiosa poucas horas antes da publicação do livro “A prática profissional da psicologia escolar”, escrito pela minha colega Sofia Mendes e editado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Curiosa porque o livro é escrito em puzzle, peça a peça, a partir de anos de prática, investigação, reflexão e compromisso da Sofia com a profissão e com a sua intervenção em contexto escolar. Puzzle, história, que merece ser continuado.

Curiosa porque eu, como tantas/os colegas, também para ele contribui pela prática e investigação e contribuo (e contribuirei) pela reflexão e compromisso.

E, se curiosos (como eu), porque não ouvirem esta nossa conversa à volta do livro? E, se curiosos (como eu), porque não o lerem? Implicando-se, comprometendo-se e dando-lhe um significado. Colocando mais uma peça neste puzzle que, imperfeito, se vai construindo… Neste puzzle que também é a psicologia e a intervenção dos psicólogos em contexto escolar em Portugal.

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Democracia Política Psicologia

75 anos depois…

Há 75 anos aquele sombrio portão abria-se definitivamente.

Portão, lugar, que o nazismo queria “sem história” (Arendt).

Portão de uma das Auschwitz’s “construídas pelo ódio, pavimentadas de indiferença” (Kershaw).

Hoje é dia da memória. Da história. Inscrevê-lo, lembrando-o, é contributo mínimo do nosso dever para com tantos seres humanos que ali sofreram atrocidades inimagináveis. Inscrevê-lo, documentando-o, pela literatura, pelo cinema (quem não se recorda do Guido, do Brody ‘Pianista’ ou de Neeson como Schindler?) outro.

Inscrevê-lo procurando pela ciência prevení-lo ainda outro. Assim o fará amanhã com o fórum das políticas públicas o IPPS ISCTE, reflectindo sobre como podem estas melhorar, promovendo bem-estar, equidade e confiança dos cidadãos no sistema democrático. Assim fará 5ªF a Ordem dos Psicólogos Portugueses, no Diálogos da Psicologia, pensando as pontes da psicologia com o jornalismo (tão importante nestes fenómenos).

De uma ou de outra forma, ao inscrevermos, combatemos os ‘antis’ e o negacionismo que cresce em alguns grupos (veja-se a capa do jornal i de hoje e pensem-se nas comunidades Tutsi, Rohingya, …). Se rima… Se rima…

 

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Pobreza e Desigualdade Política Psicologia

Combater a pobreza, o desígnio.

(combater o) “medo persistente de que o declínio dos EUA seja inevitável e da próxima geração ter que diminuir as suas aspirações.”

Há precisamente 11 anos Obama sinalizava-o no seu discurso de tomada de posse.

(combater a) “pior doença que uma pessoa pode ter – ser pobre.”

A pobreza nesta excelente entrevista da Céu Mateus –  https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/a-pior-doenca-que-uma-pessoa-pode-ter-e-ser-pobre

Dois ‘combates’ relacionados e essenciais hoje. Não há bem-estar com pobreza e a promoção do bem-estar faz-se (muito) da erradicação da pobreza.

Ser pobre hoje é ter elevado de risco de doença, de stress, de baixa auto-estima, de, de. A pobreza, injusta, custa muito aos países, em custos sociais, de saúde, de, de. Isto apesar de ser pobre hoje não ser uma inevitabilidade.

A pobreza combate-se intervindo nos determinantes sociais, com intervenções sociais/comunitárias.

Combate-se intervindo nos determinantes pessoais, promovendo competências, promovendo a auto-estima, a auto-eficácia.

Combate-se intervindo nas consequências, apoiando/suportando as pessoas, as famílias.

Combater a pobreza não custa mais do que a pobreza nos custa.

Ousemos (seriamente) erradicar a pobreza. Testar numa comunidade. Avaliar custos/benefícios. É um dever que temos. Pela justiça e bem-estar de todos.

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Democracia Política Psicologia

(boas) políticas públicas e defesa da democracia

Ontem alguém com responsabilidades políticas (e públicas) dizia-nos que o combate ao populismo também se fazia com melhores políticas públicas e com outra relação entre Estado e cidadãos. Nada mais certo.

O populismo combate-se com políticas eficazes que respondam às expectativas dos cidadãos,às desigualdades e promovam o desenvolvimento sustentável e o bem-estar. Combate-se com democracia que por sua vez vive “da auto-contenção dos líderes/decisores (da não utilização de instrumentos democráticos para fragilizar o contraditório e o sistema pesos-contrapesos) e do trabalho conjunto com os adversários políticos.” (Levitsky & Ziblatt; Como morrem as democracias)

Num momento sem igual em que “o ecossistema digital beneficia personagens polarizadoras(…)porque os seus algoritmos vivem do envolvimento emocional das pessoas” (A.Marantz; Anti-social), os políticos e a sociedade civil devem responder integrando mais as pessoas e a ciência no desenho, implementação e avaliação das políticas (públicas).

As pessoas, através de iniciativas como as “Oficinas de Participação” promovidas pelo Governo. A ciência, neste caso a comportamental e psicológica, por exemplo conforme conversávamos na reunião.

Tudo urgente porque “a história nunca se repete, mas muitas vezes rima”. Se rima, Mark Twain.

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Psicologia Tecnologia

(só) 13 anos de iPhone.

iPhone

A 9.1.07 Steve Jobs apresenta-o na Macworld. “De quando em vez um produto revolucionário muda tudo”, diz.

Penso… Há 13 anos e 1 dia apenas a sua equipa conhecia a palavra iPhone. Hoje tantos a conhecemos e reconhecemos o seu legado no desenvolvimento dos smartphones e seu enraizamento no modo de vida de tantas pessoas.

Sinto este enraizamento com a “minha” Courrier Internacional. Há largos anos que a cada mês a leio. A deste mês trata também de “um ‘produto’ revolucionário (que) muda tudo” – os algoritmos que decidem.

Sistemas de inteligência artificial que analisam dados para identificar riscos de maus tratos, reincidência criminal, doenças, etc.

Sistemas desenvolvidos por seres humanos e, assim, potenciadores dos seus preconceitos e enviesamentos. Sistemas discriminadores de mulheres em concursos, de minorias na saúde e na justiça. Sistemas que erram e que necessitam de uma “reflexão ética profunda e de supervisão” (Hannh Fry; Olá Futuro).

Sistemas (e revolução, portanto) que precisam da Psicologia: do seu conhecimento da pessoa e da tomada de decisão; do seu insight ético; do seu papel nas adições “à tecnologia” ou nos desafios das transformações na educação e no mundo do trabalho…

Enfim, do seu papel na adaptação (também psicológica) da pessoa a (mais) esta revolução.