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Debate à 5ª Psicologia

Intervenção psicológica em contexto escolar e pandemia COVID-19

A 12.3 recebíamos o anúncio que (quase) todos esperávamos. Nessa 5ªF, com 78 casos positivos, o governo anunciava que na 2ªF seguinte as Escolas de todos os níveis encerrariam até, pelo menos, 9.4. Nesse 16.3 as Escolas não abriram e a Ministra da Saúde anunciou a primeira vítima mortal por COVID-19.

Amanhã decorrerá o 7º #debateà5a. Live da Ordem dos Psicólogos Portugueses por mim promovido e moderado que procura aprofundar temas que cruzam (desafios da) sociedade e contributos da ciência psicológica com o mote, simples, de promover mais perspectivas.

Esta edição, intitulada “Intervenção psicológica em contexto escolar e pandemia COVID-19”, conta com Luís Tavares (psicólogo do Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita; Barreiro) e Sofia Mendes (psicóloga do Agrupamentos de Escolas Gaia Nascente).

Nela debateremos os impactos da pandemia na Educação, abordando questões como a equidade, saúde psicológica, educação inclusiva e o sucesso educativo num tempo onde os processos de ensino-aprendizagem são predominantemente realizados à distância e mediados por tecnologias.

Discutiremos práticas e o papel das/os psicólogas/os com intervenção em contexto escolar. Pensaremos a preparação do próximo ano lectivo e o que poderão (deverão) representar as “5 semanas de recuperação” ontem anunciadas.

26.06.20; 22h, aqui

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COVID-19 Psicologia

Portugal vence a COVID-19 (TSF)

No início da semana que agora termina, a TSF emitiu o seu 6º episódio do “Portugal Vence a COVID-19”.

Programa que nasce de uma parceria da TSF com a Fundação Manuel António da Mota e a Mota-Engil e que visa a promoção à 11ª edição do Prémio Manuel António da Mota, que este ano distinguirá instituições com intervenção relevante na pandemia que vivemos e nas suas consequências, nomeadamente “nas áreas do combate à pobreza e exclusão social, saúde, educação, emprego, inovação e empreendedorismo social, inclusão digital e tecnológica e apoio à família.”

A Ordem dos Psicólogos Portugueses foi uma das instituições reconhecida pelo seu contributo no período que vivemos e, por isso, selecionada pela TSF para este “Portugal Vence a COVID-19”.

Assim, a partir do meu papel de coordenador do gabinete de crise COVID-19 da OPP, participei neste trabalho da jornalista Sara de Melo Rocha que aqui partilho.

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COVID-19 Desafios da Psicologia Psicologia

Colaborar e comunicar em tempos de mudança e incerteza (ISPA; 26.05.2020)

Rui Marques, presidente do Instituto Padre António Vieira e da Academia Ubuntu, referiu-se recentemente à Era que vivemos e que no dia-a-dia construímos, como a “Era do risco”. Vivemos, diz, “sucessivos ciclos de medo, ora da invasão de estrangeiros, ora do terrorismo, ora agora da pandemia”.

Vivemos na, mas também, da incerteza. Incerteza em grande medida resultante dos que hoje são os grandes desafios societais da “Era do risco” e da mudança particularmente veloz resultante, também, da actual revolução tecnológica.

Com este cenário, creio que a todas/os resulta evidente a importância que a ciência psicológica assume e assumirá na compreensão destes fenómenos e no apoio aos processos de adaptação que deles, necessariamente, resultarão.

Assim, e em plena vivência de uma pandemia que levou, literalmente, meio mundo ao confinamento, creio difícil imaginar um contexto mais pertinente a uma reflexão sobre como “Colaborar e comunicar em tempos de mudança e incerteza”, a partir da Psicologia (da sua investigação, da sua prática).

Debate promovido pelo ISPA, aqui disponível: https://lnkd.in/dd26JGV

Obrigado Pedro Almeida, pelo convite, pelo estímulo e pelo interessante painel e reflexão.

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COVID-19 Psicologia

Entrevista Psis21 Especial COVID-19 (Ordem dos Psicólogos Portugueses; Maio de 2020)

– Qual o objectivo da criação de um Gabinete de Crise dentro da estrutura da OPP para a pandemia COVID-19? 

Tendo em consideração a informação disponível e o desfasamento temporal face à evolução do vírus e da doença noutros países (incluindo na Europa), cedo percebemos o fortíssimo impacto que teria no quotidiano do país e as suas consequências directas e indirectas. Nesse momento já trabalhávamos com a DGS na elaboração de um primeiro documento sobre comunicação de riscos e crise baseada na percepção de riscos e entendemos que, enquanto associação pública profissional de uma área tão relevante nas áreas do comportamento, saúde pública e psicológica, teríamos que assegurar condições para reforçar a colaboração com as autoridades (de saúde, de educação, …) e com decisores; disponibilizar conteúdos e conhecimento, contribuindo para a literacia da população e para a informação do debate público sobre temas relevantes, directa ou indirectamente, relacionados com a COVID-19 e as suas consequências; manter toda a nossa resposta aos membros, sem quebra das nossas atribuições, criando / reforçando medidas de apoio e desenvolvendo e disponibilizando ferramentas de apoio à prática.

Neste sentido, entendeu-se importante a criação de um gabinete de crise como estrutura de operacionalização de um plano específico de resposta à crise que vivemos que, articulado com a Direcção da OPP, teve e tem capacidade e competência para reajustar, do ponto de vista das prioridades e da afectação de recursos, a equipa da OPP, os diferentes órgãos sociais, grupos de trabalho, mobilizando também outras colaborações com psicólogas/os ou outras entidades.

– Qual a estratégia adoptada a nível interno? 

Numa atitude que procuramos sempre de total abertura e transparência com todas/os, priorizando a segurança de cada trabalhador/a, começámos por preparar a organização para o teletrabalho, para as novas necessidades daí decorrentes e para as relacionadas com o papel da organização na situação de crise. Esta estratégia implicou a flexibilização das equipas, tendo-se criado uma Task Force específica para coordenação e apoio à produção de conteúdos para sociedade em geral e para psicólogas/os e que incluiu FAQ, documentos de apoio e propostas de conteúdo para diferentes produtos gráficos ou vídeo (coordenada pela Andresa Oliveira e que conta total, parcial ou pontualmente com a Ana Faria, Catarina Silva, Edite Queiroz, Joana Monteiro, Sara Cabaço e Sofia Nobre).

Foi também reforçada a equipa da formação coordenada pela Patrícia Vieira. Esta equipa foi responsável pela rápida passagem de toda a formação da OPP (efectivos e psicólogos juniores) para formato à distância, acompanhando o crescimento muito significativo dos números de formação e-learning (com a sua gratuitidade) e b-learning (sessões síncronas). Além das actividades de formação, a equipa passou a acompanhar os Fóruns OPP entretanto criados (10), as formações associadas às linhas de aconselhamento psicológico do SNS 24 (LAP SNS24), de informação e outras linhas de apoio e o acompanhamento e gravação dos webinars disponibilizados pela OPP (20). Finalmente, reforçou-se a equipa de comunicação e imagem, coordenada pelo Duarte Zoio, para melhorar a resposta de produção e design de documentação e outros produtos gráficos e vídeo.

Além deste reforço, sentimos necessidade de reestruturar as equipas de atendimento e apoio ao membro (coordenada pelo Bruno Soares) e área financeira (coordenada pela Esmeraldina Contramestre), no sentido de se assegurar todo o atendimento à distância, a distribuição de correio, a emissão de facturas e outros documentos de pagamento e o envio de vinhetas profissionais e outros documentos aos membros, ainda que a partir de fora das instalações da OPP. Procurámos, ainda, melhorar a capacidade de resposta aos membros em áreas relacionadas com a actividade profissional, ética ou de acompanhamento aos apoios às linhas de informação e LAP SNS24, através de uma equipa coordenada pelo Pedro Félix. Finalmente, realce para todo o suporte da equipa de informática (coordenada pelo Bruno Rodrigues), essencial ao assegurar da (infra)estrutura que permitiu disponibilizar rapidamente todas as ferramentas de apoio ao trabalho à distância à equipa da OPP, além do reforço das plataformas que permitiram, imediatamente, o incremento da resposta aos membros, por exemplo nas áreas de formação, desenvolvimento profissional ou de autocuidado (fóruns).

A flexibilidade, atrás referida, foi chave no redesenho da estrutura e na reafectação dos recursos, viabilizando a capacitação da resposta específica da OPP à situação de crise sem que isso pusesse e ponha em causa qualquer das suas atribuições, mantendo-se todos os principais processos e apoios aos membros operacionais e tendo-se mesmo criado, reforçado e facilitado outros – também ao nível da gratuitidade de minutas, da facilitação de processos de mudança de estado ou de pedido de declarações.

– E do ponto de vista externo – quais foram os eixos estratégicos e de que forma se articularam?

A separação interno vs externo poderá não ser a mais descritiva da forma como estamos hoje organizados. Em todo o caso, além do reforço de ferramentas para a prática profissional das/os psicólogas/os nesta fase, procurando dar um contributo para o desafio que se lhes colocavam e colocam, foram estabelecidas parcerias estratégicas que permitiram reforçar o impacto, a eficácia, a disseminação e o alcance da nossa acção.

Além das autoridades e decisores (a seguir detalhadas), procuramos colaborações estratégicas com órgãos de comunicação social (OCS), como foram exemplo as parcerias com a TSF (Sem medo do medo) ou Rádio Renascença (Quarto do fundo), que acresceram às diversíssimas participações de psicólogas/os nos OCS neste período. Procuramos, também, parcerias com entidades para a produção de documentação específica para determinadas áreas ou ‘populações’, como são exemplos as associações patronais ou sindicatos, a Federação Nacional de Associações Juvenis, o SICAD ou a FENACERCI. Ainda, colaboramos com instituições na criação de linhas de aconselhamento psicológico, potenciando a formação preparada e disponibilizada para a LAP SNS24 e apoiando a identificação de psicólogas/os com as características solicitadas, como as linhas criadas pela Ordem dos Farmacêuticos, pela Associação de Profissionais Licenciados de Optometria e Câmara Municipal de Lisboa. Finalmente, reforçámos parcerias com associações internacionais, como as nossas congéneres de Angola, Cabo Verde e Moçambique, a EFPA ou um grupo informal de mais de 50 associações profissionais dos cinco continentes, resultante da SummitInternacional realizada em Novembro de 2019, em Lisboa.

Uma nota final para o investimento realizado no reforço dos Diálogos da Psicologia e na criação de três novos formatos live da OPP (Conversa à 3ª; Debate à 5ª e País em Pandemónio) com o último destes programas a ser claramente dirigido para a sociedade.

– De que forma foi feita uma concertação do trabalho da OPP com as entidades oficiais, nomeadamente Ministério da Saúde e Direcção Geral da Saúde?

Foram várias as formas e os momentos dessa concertação. Como atrás referido, desde antes dos primeiros casos em Portugal existiu uma colaboração directa com a DGS, trabalho que continuou e que se intensificou dando origem a documentos conjuntos da DGS / OPP sobre comunicação para decisores e mobilizadores sociais, autocuidado de profissionais de saúde, horários de actividades para crianças e adolescentes e  um webinar conjunto sobre o papel das/os psicólogas/os na crise que vivemos. Além destes contributos, a OPP procurou adoptar uma postura responsável de agente promotor de comportamentos pró-saúde e pró-sociais, seguindo sempre as recomendações das autoridades e sublinhando a importância de que todas/os assim o fizessem.

A colaboração com o Ministério da Saúde (MS) não se restringiu à DGS, tendo sido desenvolvidos trabalhos com a SPMS (Linha de Informação COVID-19 e LAP SNS24) e com o próprio MS, com quem articulámos em áreas políticas, apresentando contributos específicos sobre a estratégia seguida nas áreas da saúde psicológica / mental relativamente à situação que vivemos e viveremos e tendo a OPP estado representada pelo seu Bastonário nas reuniões periódicas do MS de acompanhamento e discussão da situação do país. Destaque ainda para colaborações com o Ministério da Educação visando a partilha de documentação, a criação de produtos conjuntos (autocuidado de professores e educadores) e um produto vídeo para o projecto #EstudoemCasa), com o Instituto de Segurança Social e para a participação de inúmeras/os psicólogas/os em representação da OPP em órgãos de consulta que têm contribuído para este momento do país, como é o caso do Conselho Nacional de Saúde.

– Esperava uma adesão tão grande dos psicólogos/as aos reptos que foram sendo lançados, nomeadamente no que diz respeito à angariação de profissionais para a Linha de Informação COVID-19 do SNS24 e depois para a Linha de Aconselhamento Psicológico do mesmo SNS24, criada de raiz ou para a rede de Agentes OPP para a Promoção de Comportamentos Pró-Saúde e Pró-Sociais?

Esta é talvez a pergunta mais simples de responder. Sim, sinceramente esperava. E esperava na medida em que desde cedo recebemos inúmeras manifestações de psicólogas/os no sentido de se disponibilizarem para algum apoio, em linha, com o que já havíamos assistido aquando dos graves incêndios de 2017 e com uma dimensão identitária da profissão – a procura de apoio ao outro, em particular nos momentos de especial dificuldade ou vulnerabilidade. Este movimento resultou em 800 colegas a manifestarem interesse em menos de 24h para reforçar a Linha de Informação COVID-19 do SNS24 (a SPMS seleccionou 200 e destes 63 transitaram para a LAP SNS24) e em termos hoje mais de 550 agentes OPP para a promoção de comportamentos pró-saúde e pró-sociais.

Devem realçar-se os mais de 80 projectos submetidos à via verde de apoio à investigação sobre o que vivemos, criada pela OPP, parte deles provenientes das instituições de ensino superior que, em Portugal, estão a formar as/os futuras/os psicólogas/os e sinal da participação da ciência psicológica na construção de evidência nesta área. Tal como creio devermos reconhecer o conjunto significativo de projectos que vimos serem criados por ou tendo a participação de psicólogas/os, numa clara demonstração do envolvimento da nossa classe profissional na resposta às necessidades das pessoas, das comunidades e do país.

– No que diz respeito à sociedade civil, o que foi feito? Considera que depois do trabalho realizado pela OPP e pelos psicólogos a nível nacional, que houve um aumento da percepção da relevância da Psicologia na gestão de crises como esta?

Devemos ter presente que a nossa leitura, a este nível, será sempre enviesada, ainda que existam elementos factuais que devem ser reflectidos. Desde logo, o número de iniciativas da OPP neste período (cerca de 650), a capacidade de produção e disponibilização de documentos ou outros produtos (cerca de 200) e os dados relativos a notícias e ao alcance das mesmas – os melhores números de sempre da OPP.

Estes dados corresponderão, certamente, a um reconhecimento da ciência psicológica no apoio à compreensão dos fenómenos que vivemos, do seu papel nas questões relacionadas com o comportamento dos indivíduos e da sociedade (incluindo a percepção do risco e as dimensões emocionais) e com a importância da saúde psicológica. No entanto, a este reconhecimento, também dos decisores, continua a não corresponder a existência de recursos condizentes com o potencial e a importância da resposta, sendo necessário um significativo crescimento do número de psicólogas/os nos cuidados de saúde primários onde existem hoje 2,5 (!) por cada 100.000 pessoas.

Ao reconhecimento deveria, ainda, corresponder uma maior participação da Psicologia ao longo de todo o ciclo de vida e contextos das pessoas, pois é promovendo competências e recursos (psicológicos) – na primeira infância, na Escola/Universidade, na comunidade/cidade, no local de trabalho, na prática desportiva ou em qualquer instituição onde esteja inserida, no contexto da saúde e em momentos de maior vulnerabilidade – que se preparam as comunidades para serem mais resilientes às adversidades e as pessoas para vivenciarem e ‘resistirem’ aos acontecimentos de vida mais negativos.

– Do ponto de vista pessoal, qual a maior lição que retirou do trabalho realizado enquanto coordenador deste Gabinete de Crise da OPP para a pandemia COVID-19?

É uma “lição prática”, no sentido em que guardarei sempre em mim como um exemplo concreto, adaptado a uma organização, do que atrás referi. Que quando existem competências (instaladas) e recursos (internos, de cada trabalhador/a; e externos, com as ferramentas disponibilizadas e com o reforço do trabalho em equipa, dos canais de comunicação e até dos momentos conjuntos de lazer) estamos mais capazes de enfrentar as adversidades e de nos adaptarmos às situações daí decorrentes. Assim foi com a equipa da OPP e creio que, assim tendo sido, tivemos mais e melhores condições de cumprir o papel que penso competir a uma associação pública profissional de Psicologia num desafio de saúde pública como o que enfrentamos e cujas consequências perdurarão. Guardarei esta equipa, as suas competências, resiliência, energia e empenho e, com ela, um exemplo concreto da importância da prevenção e da promoção de desenvolvimento e competências, objecto maior da Psicologia. Guardarei o seu e nosso contributo que, sendo muito distinto da exigência do das/os psicólogas/os dos Hospitais, das Estruturas Residenciais de Pessoas Idosas ou dos que trabalham directamente com as populações com maiores vulnerabilidades, julgo poder orgulhar-nos… Orgulhar-nos e, bem, representar a Psicologia e as/os psicólogas/os portuguesas/es.

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Entrevista Revista Psis21 – Especial COVID-19

Passam hoje 80 dias da formalização da criação do Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses, por mim coordenado. 80 dias, uma “volta ao mundo” no emblemático romance sobre o qual recentemente escrevi. 80 dias, tempo também para um balanço que fiz em entrevista na PSIS21 especial COVID-19 que aqui partilho: https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/psis21_especial_covid.pdf

Entrevista que toca a criação do gabinete de crise, os seus objectivos e estratégias adoptadas. Que reflecte o que já foi feito e os fundamentos e impactos dessa acção. Que pensa as parcerias desenvolvidas e o papel da ciência psicológica e das/os psicólogas/os no desafio que vivemos. Que olha a equipa OPP e uma “lição” que guardarei: “quando existem competências (instaladas) e recursos (internos, de cada trabalhador/a; e externos, com as ferramentas disponibilizadas e o reforço do trabalho em equipa)” temos “mais e melhores condições de cumprir o papel que penso competir a uma associação pública profissional de Psicologia num desafio de saúde pública como o que enfrentamos… Guardarei esta equipa, as suas competências, resiliência, energia e empenho e, com ela, um exemplo concreto da importância da prevenção e da promoção de desenvolvimento e competências, objecto maior da Psicologia”.

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Estima e culpa; COVID-19 (Público; 02.05.2020)

Foi hoje publicado no jornal Público um trabalho da jornalista Sónia Trigueirão que trata as questões associadas à culpa e ao estigma relativos à COVID-19 e ao enorme desafio, de múltiplas consequências, que enfrentamos.

Nesse trabalho abordo as questões do estigma e as causas da deslocação de “o que culpar?” para “quem culpar?”, muito assente na forma como tomamos decisões (com os automatismos e enviesamentos associados) e no medo, reacção emocional hoje intensificada, propagada e generalizada. Medo que permite que adoptemos comportamentos de protecção mas que, pela irracionalidade, motiva também comportamentos discriminatórios e estigmatizantes, perigosos para a comunidade.

Reflicto ainda sobre como os próprios, cada um e a sociedade podemos contribuir para que quem sente culpa, vergonha ou estigma por ter sido infectado e poder ter infectado outros, substitua sentimentos “persistentes de discriminação e preconceito por sentimentos de integridade e respeito”.

Aqui.

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Instinto do Medo (Sem Medo do Medo; TSF; 26.03.2020)

Por estes dias em que se recomendam leituras, ler o “Factfulness”, do especialista em saúde internacional Hans Rosling, pode ser algo paradoxal. Ao excelente exercício que nos propõe de confronto com estereótipos, preconceitos, falhas de informação e de processamento que justificam a proposta de 10 instintos que distorcem a nossa perspectiva da realidade, contrapõe-se um subtítulo de livro desafiador ao momento que vivemos – “Dez razões pelas quais estamos errados acerca do mundo – E porque as coisas estão melhor do que pensamos”. Um destes 10 instintos é o do medo.

O medo, emoção hoje intensamente parte do nosso quotidiano, que partilhamos com outros na nossa casa, na nossa rua, na nossa cidade, no nosso país, em grande parte do nosso mundo. O medo, enquanto padrão de reacção emocional semelhante ao padrão do vírus, que viaja e contagia, conforme Danielle Ofri descreveu aquando da gripe H1N1.

O medo que nos permite activar ‘defesas’, cumprir recomendações das autoridades e adoptar comportamentos pró-saúde. Que motiva a alteração de comportamentos ou hábitos (como os de etiqueta respiratória) ou a aceitação de perdas (como as decorrentes do distanciamento ou isolamento social).

Mas também, o medo que nos impele a não considerarmos os factos (agindo com irracionalidade) e a assumirmos como ponto de partida o ‘menos bom dos outros’, o seu egoísmo. Que motiva que pessoas (por exemplo, portadoras de um vírus ou vítimas de violência) escondam factos para não serem estigmatizadas, desprotegendo quem, também por medo, as estigmatiza. Que motiva reacções como a acusação (e agressão) a professores em missão de cooperação em Baucau (Timor-Leste), por supostamente serem responsáveis pela existência de casos no país, desprotegendo quem acusa pois poderão ‘perder’ estes professores.

O medo, emoção hoje intensamente parte do nosso quotidiano, que, também paradoxalmente, nos protege e nos desprotege.

Que o medo que nos protege vença.

Tiago Pereira; Sem Medo do Medo (TSF); 26.03.2020

Com áudio aqui: https://www.tsf.pt/programa/sem-medo-do-medo/instinto-do-medo-11987719.html

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O perigo do estigma (Sem Medo do Medo; TSF; 25.03.2020)

A necessidade de nos relacionarmos com outros é a nossa principal ‘adição’. Não o álcool, as drogas, os ecrãs ou a internet. Aliás, estas resultam em muito da necessidade que alguns sentem em se relacionar. Somos seres sociais e, quando confrontados com um vírus que nos diminui a possibilidade de nos relacionarmos e nos traz ansiedade e medo, é natural que procuremos (os) culpados. Nesse movimento, não raras vezes de desresponsabilização, podemos estigmatizar e discriminar os outros e, ao fazê-lo, desprotegemo-nos porque acabamos por promover que esses outros escondam factores de risco (contactos com pessoas infectadas ou viagens para locais com transmissão comunitária activa) para não serem estigmatizados ou discriminados.

Assim, tal como o combate ao vírus e a protecção mútua a todos compete, o combate à estigmatização também depende de todos:

a)     Da comunicação social, que deve ser parceira das autoridades na disseminação de informação credível e de recomendações baseadas na evidência científica, evitando utilizar linguagem potencialmente estigmatizante (“vírus chinês”);

b)    Dos decisores e mobilizadores sociais, que devem orientar a sua acção para a promoção de comportamentos pró-saúde, mas também pró-sociais, não contribuindo para a estigmatização e desinformação, colectivizando a responsabilidade ao invés de a individualizar e apelando à cooperação de todos;

c)     De cada um de nós, que temos o dever de cumprir rigorosamente as recomendações das autoridades, consultar e partilhar apenas informação de fontes credíveis e não estigmatizantes, adoptar comportamentos pró-sociais de solidariedade, altruísmo e empatia e procurar evitar enviesamentos cognitivos e estereótipos (um carro de supermercado cheio pode corresponder a compras para uma família numerosa ou também para ajudar um vizinho).

Vivemos uma pandemia democrática, que a todos afecta e que nos pode infectar a todos, sem excepção. Contudo, as suas consequências directas (saúde) e indirectas (económicas e sociais – violência e desigualdades) não o são. Não esqueçamos os que, de nós, estão mais vulneráveis pelo contacto com a doença ou com as suas consequências, hoje e amanhã. Invistamos na coesão, não na estigmatização.

“Hoje a nossa maior força é estarmos afastados. Porém, separados estamos mais unidos do que nunca”.

Tiago Pereira; Sem Medo do Medo (TSF); 25.03.2020

Com áudio aqui: https://www.tsf.pt/programa/sem-medo-do-medo/o-perigo-do-estigma-11980984.html

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TotoVírus

“Dou-te 20 valores; és um 13 no Totobola”.

Parte do “brilhozinho nos olhos” (Sérgio Godinho), toca no meu imaginário também ao referir-se ao emblemático 1Xis2 do jogo que permite escolher uma tripla garantindo à partida o acerto numa das 13 apostas.

Ao Totobola associo o que chamo ‘atitude Totovírus´ de algumas pessoas face ao COVID-19.

Pela abordagem de jogo (não-científica) à situação, confundindo prevenção com contenção (ex. mortes por AVC vs COVID-19), comparando os seus efeitos com os de outros vírus com vacina ou utilizando acriticamente médias, negligenciando grupos vulneráveis (ex. seniores).

Porque utilizam leituras 1X2 (ganhas à partida) face às medidas implementadas: se a situação vier a ter pouco impacto, foram excessivas; se vier a ter muito impacto, foram insuficientes/tardias; se forem um sucesso, não foram mais do que a ‘obrigação’ das autoridades.

Precisamos de adoptar uma atitude de fairplay social: optimismo factual, comportamentos de segurança e autocuidado (também emocional) e de heterocuidado (amigos, familiares, outros cidadãos).

Precisamos mutuamente de nos proteger e de confiar e cuidar de quem, pessoas como nós, tem hoje a dura missão de, dia-a-dia, transferir e aplicar o conhecimento (científico) do vírus e da sua propagação para a resposta a este grande desafio.

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Dia Internacional da Mulher Psicologia

Mulher.

Esta minha fotografia é parte de um bonito projecto da minha 2x colega Edite Queiroz que assinala o Dia Internacional da Mulher 2020 na Ordem dos Psicólogos Portugueses e a dramática injustiça da “situação das mulheres [ser] pior que a dos homens pelo simples facto de serem mulheres.” (António Guterres).

Há pouco deparei-me com esta foto da AP de uma manifestação hoje em Bishkek (Quirguistão) cidade onde a amplitude térmica do dia foram 8ºC.

Coincidência simbólica porque neste 8.3 assinalam-se ‘amplitudes’: as que persistem em tantos indicadores entre M/H no nosso país (risco de pobreza, salários, violências…); mas também as entre mulheres mundo fora, mundo onde persiste a mutilação genital ou a impossibilidade das mulheres irem à Escola ou se manifestarem, como aqueles homens de cara tapada demonstram.

Todos (quem educa, lidera,se relaciona) temos um papel no combate a estas ‘amplitudes’. Creio no entanto que nós psicólogos temos especial contributo (e responsabilidade) não fora também objecto da nossa intervenção a garantia de maior autodeterminação e bem-estar da pessoa, pela promoção do seu autoconhecimento, competências e possibilidades.

Tive, tenho e terei mulheres extraordinárias perto de mim. Pessoas que para o serem tiveram e têm sempre que o ser ainda mais.

Obrigado a vocês.