“Ninguém vai ficar para trás” (Von der Leyen) / “Plano não pode colocar o país como em FEV20 mas mais resiliente do ponto de vista social” (A. Costa).

Frases-chave da visita da presidente da CE a Portugal agora discutida pelo sucedido no Conselho de Estado. Frases que remetem para compromissos da Psicologia: pensar “as margens” e contribuir, pela promoção da inclusão, para a equidade e coesão social; contribuir para mais prevenção, literacia, capacitação e desenvolvimento de competências, visando maior resiliência pessoal e social.
A COVID-19 é (mais) um dos complexos desafios societais: crise climática, pobreza e iniquidades, saúde e bem-estar… Em todos, uma constante: o papel do nosso comportamento e dos processos de tomada de decisão. Em todos, um caminho: a afirmação da Psicologia como principal ciência do comportamento e das ciências do comportamento como fundamentais na sua resposta.
São prementes planos de recuperação a isso sensíveis, catalisadores de políticas (públicas) mais permeáveis ao conhecimento da Psicologia e de maior acessibilidade dos cidadãos aos serviços de Psicologia. Sobre isto procurei reflectir hoje na mesa “Pensar o futuro da Intervenção Psicológica”, um momento especial ao permitir-me um 3º papel num ENEP depois do de participante e de organizador.

Amanhã, com a sua 11ª edição, regressará o 
Penso-o ao reflectir a polarização societal Mundo fora que por cá teve ressonância no brutal homicídio de Bruno Candé. Creio as reacções paradigmáticas de 3 fenómenos: “tunelamento”– foco num determinado ponto negligenciando outros relevantes; julgamento– procura de respostas imediatas e certas não raras vezes baseadas em preconceitos estigmatizantes para os quais depois procuramos “factos”; redes sociais – algoritmos que nos dão mais do que vá vimos (conhecemos) e confirmam / aprofundam as nossas crenças.
A democracia vive do diálogo e discussão construtiva, dificultados quando se extrema e polariza. Protegê-la implica prevenir a polarização promovendo maior interesse e conhecimento do outro, mais proximidade, empatia e valorização da diversidade. Para tal, muito contribuiriam outros algoritmos das redes sociais que, inspiradas no “paternalismo libertário”, sem nos impor, nos dessem acesso ao contraditório e a outros pontos de vista. Algoritmos mais “rosa-dos-ventos”, menos “fotografia”


