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Godinho fez música da expressão “homem dos 7 instrumentos” que, de frase em frase, “segue para a rosa-dos-ventos”. Imagem dos 4 pontos cardeais, volta completa ao horizonte (diferentes lados). Imagem que ampla, inclui, por oposição à da fotografia que nas palavras de Sontag enquadra, excluindo.

Penso-o ao reflectir a polarização societal Mundo fora que por cá teve ressonância no brutal homicídio de Bruno Candé. Creio as reacções paradigmáticas de 3 fenómenos: “tunelamento”– foco num determinado ponto negligenciando outros relevantes; julgamento– procura de respostas imediatas e certas não raras vezes baseadas em preconceitos estigmatizantes para os quais depois procuramos “factos”; redes sociais – algoritmos que nos dão mais do que vá vimos (conhecemos) e confirmam / aprofundam as nossas crenças.

A democracia vive do diálogo e discussão construtiva, dificultados quando se extrema e polariza. Protegê-la implica prevenir a polarização promovendo maior interesse e conhecimento do outro, mais proximidade, empatia e valorização da diversidade. Para tal, muito contribuiriam outros algoritmos das redes sociais que, inspiradas no “paternalismo libertário”, sem nos impor, nos dessem acesso ao contraditório e a outros pontos de vista. Algoritmos mais “rosa-dos-ventos”, menos “fotografia”

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