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Dia Mundial do Ambiente

9 em cada 10 Portuguesas/es entende a crise climática que vivemos como um problema muito sério para o Mundo. Foi este o enquadramento da produção do “Bom dia Portugal” (RTP) para a conversa que partilho, no Dia Mundial do Ambiente (5.6).

Mais, 1 em cada 5 entende mesmo que as alterações climáticas são o mais grave problema societal que enfrentamos, dados de um trabalho da Comissão Europeia que posicionam Portugal como um dos países da UE onde a preocupação é mais significativa.

Na entrevista começo por referir que os dados não serão alheios ao facto de uma grande percentagem de população viver na faixa litoral e ao impacto das alterações climáticas (aumento da temperatura, seca, etc.) têm em actividades económicas importantes para o país como a agricultura, as pescas ou o turismo. Não são também alheios às situações de catástrofe como inundações e, particularmente, aos incêndios rurais que, em conjunto, são factores de preocupação das pessoas com impacto na sua saúde, incluindo mental, e bem-estar.

Continuo referindo que, além das perdas e da necessidade de adaptação, há também sentimentos de desesperança relativamente ao futuro – estamos a ficar sem algo e sentimo-nos impotentes para travar essa perda – que, por vezes, se manifestam em problemas comportamentais e de saúde mental, nomeadamente ansiedade (especialmente na população mais jovem), depressão e stresse, incluindo pós-traumático.

Procuro, também e sugerindo a leitura do documento “Combate às alterações climáticas | O papel dos psicólogos” da Ordem dos Psicólogos Portugueses (link abaixo), reforçar que a psicologia, enquanto ciência que estuda o comportamento e os processos de tomada de decisão, pode assumir um importante contributo:

  1. a) na compreensão do comportamento humano e no desenho de intervenções comportamentais e políticas públicas eficazes na mudança de comportamento e combate às alterações climáticas;
  2. b) na adaptação da população, nomeadamente na forma como se pode capacitar e promover competências e resiliência individual e comunitária face às alterações climáticas;
  3. c) na mitigação dos problemas com intervenção psicológica junto da população com problemas de saúde mental.

Termino reforçando o papel da agência nos desafios que atrás refiro. Sentirmos que estamos a fazer algo, a dar o nosso contributo, é, além de promotor da mudança individual e colectiva, um elemento protector da nossa saúde, incluindo mental, e bem-estar.

Juntas e juntos, enquanto seres humanos e na relação com o ecossistema, enfrentamos já desafios muito significativos. Não deixemos de falar sobre a crise climática, no Dia Mundial do Ambiente e em todos os restantes dias do ano. Em casa. Na nossa comunidade. Façamos algo, por nós, pelas e pelos nossos, por quem se nos seguirá. Para que ultrapassemos mais este desafio.

Documento OPP – “Combate às alterações climáticas | O papel dos psicólogos”

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Reconhecer

Reconhecer é um verbo poderoso. “Relevante em várias áreas científicas”, acompanha-nos “em momentos significativos da nossa vida pessoal, profissional e em sociedade”, sendo “essencial na forma como nos relacionamos connosco, com as outras pessoas e com o que nos rodeia.”

“Reconhecer”, 84º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte da afirmação do quão relevante é o reconhecimento individual. “Sentirmo-nos ou não reconhecidas/os pelo que somos, pelo nosso valor e valores e pelo que conseguimos, impacta a visão que temos sobre nós próprios e, nesse sentido, a construção da nossa identidade, auto-estima (…) e a nossa saúde e bem-estar.” Sublinha, também, que “num nível interpessoal, o auto e heteroreconhecimento promove uma maior compreensão, entendimento e uma atitude, tendencialmente, mais empática face às outras pessoas (…) apoiando a nossa identificação em sociedade, a validação e o entendimento mútuo.”

Defende, depois, que “a validação e o entendimento mútuo são, por sua vez, pilares essenciais ao reconhecimento mútuo e este decisivo na construção de uma visão partilhada sobre direitos, deveres e desafios societais das pessoas, (…) bem como à coesão, desenvolvimento e prosperidade social e factor protector face a formas de resolução de conflitos não construtivas” para afirmar que é da percepção da necessidade desse reconhecimento mútuo, também político, que também resulta a proposta de dois Estados para a partilha da Palestina da ONU.

Continua afirmando que “infelizmente, com fases e momentos históricos apesar de tudo distintos, mas com momentos tenebrosos, como os ataques terroristas inqualificáveis, perpetrados pelo Hamas, em Israel, a 7 de Outubro do ano passado e os crimes e atrocidades cometidas pelo exército de Israel, em Gaza daí até hoje, nunca os dois Estados foram reconhecidos pela totalidade ou quase totalidade dos países, entre si e, também por isso, nunca a paz foi verdadeiramente cumprida.”

“Pese embora os enormes desafios que se colocam e que determinam que este reconhecimento não seja consensual, é hoje claro que, conforme o não reconhecimento de pessoas e comunidades as impacta significativamente, o não reconhecimento do Estado da Palestina contribui para um quadro de incerteza e de confusão, por vezes propositada, entre organizações terroristas e o povo palestiniano. Contribui, também, para a diminuição das condições e contexto para que a Palestina possa criar e desenvolver as suas instituições, preservar a sua segurança, oferecer horizontes de esperança e futuro à sua população, no seu país e, com isso, fortalecer a prevenção do terrorismo.”

“Reconhecermos é uma ferramenta poderosa, ao alcance de todas/os, local e globalmente, para construirmos mais relação connosco, com as outras/os e em comunidade. É, também, uma ferramenta para validar, para caminharmos para uma sociedade de direitos, deveres e de maior equidade. Para nos acolhermos e construirmos paz. Comecemos por reconhecer.”

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Eleições 04.06

A semana que agora começa tem duas eleições para quem é psicóloga e psicólogo em Portugal e não votou antecipadamente ontem: as eleições Europeias no Domingo; as eleições para o Conselho de Supervisão da Ordem dos Psicólogos Portugueses já amanhã, dia 4.6.

Numa e noutra o nosso voto, a nossa voz, a nossa participação é, além de um direito, que importa também respeitar pelo seu exercido, uma responsabilidade, porquanto são eleições fundamentais no presente e para o futuro da Europa (e do Mundo), do país e para a psicologia enquanto profissão e seu contributo.

As de amanhã, com especificidades. Desde logo a facilidade de participação, considerando a possibilidade de votação num horário longo (até às 20h), através de qualquer dispositivo móvel (telemóvel, tablet ou pc), a partir de qualquer lugar e das informações que as/os eleitoras/es recebemos.

As de amanhã, elegendo 4 pessoas para um mandato curto (cerca de 6 meses, até pouco depois das eleições gerais do final do ano) mas determinante desse novo órgão da Ordem. Dois membros da OPP e dois não membros da OPP (em pares), através do método de Hondt, algo que, com apenas duas listas candidatas, faz do seu voto, de cada voto, ainda mais significativo e decisivo.

As de amanhã, onde se confrontam duas visões para o Conselho de Supervisão, para a sua constituição, para o cumprimento das suas atribuições e para a coesão dos diversos órgãos da OPP e da sua missão, conforme aqui procurei reflectir.

As de amanhã onde, infelizmente, não tivemos (pelo menos ainda, até à hora em que escrevo) oportunidade de aceder às motivações, compromisso e projecto das/os candidatas/os de uma das listas na primeira pessoa, algo importante num órgão de “eleição pessoal”. Aqui partilho o vídeo de apresentação das/os candidatas/os da Lista B – Mobilizar os Psicólogos e aqui o documento de apresentação da sua candidatura.

Não deixe de participar nestas eleições. Não deixe de contribuir, de forma informada, para este importante processo da sua Ordem. Use do seu voto. Defenda e promova a profissão em benefício de mais e melhores serviços de psicologia nas mais diversas áreas de actividade e de mais e melhor acesso aos mesmos pelas pessoas. Defenda e promova a profissão em benefício de um maior contributo da ciência e prática psicológica para a sociedade.

Amanhã com alegria e determinação voto Lista B – Mobilizar os Psicólogos. Pela clareza da visão da equipa candidata e do seu compromisso com a Ordem. Gostava de o fazer consigo e com outras e outros colegas comprometidos com esta ideia e projecto. Amanhã vote e mobilize colegas para votar. Por si. Por todas e todos.

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Ser adolescente hoje e o dever de ajudar a desligar (Ao redor…; 22.05.2024)

Lembro-me muito bem da primeira vez que saí de comboio na impressionante Estação do Oriente para, depois de uma caminhada, entrar nesse outro Mundo que foi a “Expo 98” para um rapaz de 14 anos que crescia fora de um grande centro urbano. Se pensar um pouco, a Estação, embora hoje mais envelhecida, não mudou muito. Como não mudou a linha do Norte e o comboio regional que me levou do Entroncamento ao Oriente. Já ser um/a adolescente de 14 anos em Portugal mudou significativamente.

Como todas as pessoas adultas, mais ou menos jovens, já tiveram 14 anos esta afirmação será das poucas que hoje não gera na sociedade um debate polarizado. Todas e todos os que temos bastante mais do que 14 anos sabemos que se tivéssemos vivido essa idade com o acesso às tecnologias, à internet e às redes sociais hoje existente; com as fotos e vídeos permanentemente a guardarem momentos e a serem partilhadas e comentadas; ou se tivéssemos vivido com a pressão da felicidade, do mérito, da voragem da competitividade e da necessidade permanente de adaptação a transformações muito rápidas teríamos, certamente, vivido uma adolescência muito diversa e experimentado um conjunto muito diferente de desafios, experiências e possibilidades. Também entenderíamos, talvez de forma mais sentida, o enorme paradoxo desta ser a época de maior abundância em termos de recursos, acesso, literacia, possibilidades de diversão e entretenimento e, simultaneamente, uma das épocas onde, pelo menos desde que existem registos e indicadores robustos, diferentes condições e problemas de saúde mental são mais e mais cedo prevalentes e desafiam e impactam o quotidiano e o bem-estar nestas idades.

Perceberíamos, ainda, creio, porque é que o tão relevante – e hoje crescentemente densificado em Lei – “Direito a desligar” e desconectar do trabalho, fora do horário de trabalho, tende a equivaler-se ao “Direito a desligar” e desconectar da internet e das redes sociais por adolescentes, em determinados momentos do seu dia. Como, tais direitos, dependem, tanto do dever das organizações, líderes e da sociedade de legitimarem, respeitarem e promoverem este direito junto de cada trabalhador/a, como do dever de cada organização, pessoa adulta e da sociedade perceberem a importância, promoverem e estimularem esse direito junto dos e das adolescentes.

A este propósito penso muitas vezes no quão seria diferente para mim (talvez mesmo decisivo) a possibilidade, hoje existente, de 24 sob 24 horas, via internet rápida e redes sociais, estar conectado a amigas, amigos, a pessoas conhecidas próximas e não tão próximas. No quão importante foi – perdendo naturalmente outras possibilidades de relação e mecanismos de conexão fundamentais em determinadas situações (pensemos na pandemia por COVID-19 – ter oportunidade para me aborrecer, para, à noite, no meu quarto, casa ou rua, poder estar só, a pensar no que aconteceu naquele dia, a elaborar o que fiz, aprendi ou senti. No quão importante foi não estar sempre em “directo”, numa linguagem jornalística, e no quanto isso me foi permitindo sentir, também, mais previsibilidade, estabilidade e segurança, factores fundamentais ao bem-estar.

Hoje, em particular em dias difíceis, um/a adolescente com um telemóvel no seu quarto, casa ou rua, pode, se com maior dificuldade de autoregulação ou regulação na sua utilização, viver numa espécie de montanha russa sem pausas nas sensações e emoções. Vive permanentemente activada/o, é a cada momento estimulado e invadido com novas informações, dúvidas e sensações que não guardam espaço para elaborar, para descansar, para desligar. Para sair do turbilhão da nova informação, interacção, emoção e organizar e integrar ideias, algo relevante em todos os nossos momentos de vida, mas particularmente relevante numa época como a da adolescência onde tudo é vivido com tremenda intensidade, onde os grupos e a percepção dos pares é tão decisiva na construção da identidade, na percepção das outras, dos outros e do Mundo ao redor e no desenvolvimento da autonomia.

Mais, hoje, somos desafiados por novas adições (jogo online), dependências (smartphone) e problemas (cyberbullying) que nesse 1998 não facilmente imaginaria (embora existissem e permaneçam outras adições, dependências e problemas), conforme hoje não imaginamos novas adições, dependências e problemas com os quais, possivelmente, nos confrontaremos nos próximos anos. Não pensava, também pela perspectiva de cada vez maior participação e empoderamento das meninas, raparigas e mulheres que hoje assistiríamos a um recrudescimento da violência no namoro e doméstica, da desigualdade de género nestas e noutras idades e de um discurso público que, não raras vezes, a legitima ou, no mínimo, não condena veementemente.

Com este cenário e com a perspectiva de potencial aprofundamento desta situação no futuro, desde logo pela evolução da tecnologia e seus impactos, talvez não seja fácil estar optimista. Apesar de tudo, não deixo de assim o sentir. Também.

Porquê? Porque as mesmas tecnologias que são base de alguns dos desafios e dos problemas hoje mais significativos são, também e quando ou se usadas com cuidado e com essa intencionalidade, potenciais ferramentas para outros resultados e para a promoção da equidade e do bem-estar hoje e no futuro.

Porquê? Porque há hoje, apesar de nem sempre ser de qualidade, muito mais compreensão pública do que significa ser adolescente e este período de desenvolvimento. Tal como mais informação, literacia e uma centração da população mais jovem nas questões da saúde, incluindo a saúde mental, e bem-estar que pressionam no sentido de mais respostas nesta área, mais contingentes aos problemas, mais qualificadas, de qualidade e eficientes.

Porquê? Porque, finalmente, os desafios e problemas são cada vez menos individuais mas mais geracionais, algo que sensibiliza a sociedade e impele a uma acção preventiva de procura de transformar e mudar o que na sociedade possa estar a concorrer para esta situação, aumentando o debate, entre outros, sobre os impactos e formas de utilização da tecnologia ou a necessidade de se repensar e promover a prática da actividade física, a alimentação saudável, hábitos de sono, competências sócioafectivas e emocionais ou o contacto com as outras e outros e com o meio ambiente, tudo elementos fundamentais à saúde e bem-estar das populações mais jovens.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, podemos observar extraordinários exemplos de envolvimento e participação cívica da população mais jovem que, desejo, serem primeiros passos para o reforço da perspectiva de comunidade e para a construção de propósito. Se assim for, e se investirmos em transformações cirúrgicas e na capacitação e empoderamento de crianças e adolescentes para os desafios que o Mundo e a sociedade se lhes coloca, estarei sempre mais próximo de cumprir este meu optimismo. No que me toca, para isso procurarei contribuir e para isso procurarei que contribuam.

 

Tiago Pereira

Ser adolescente hoje e o dever de ajudar a desligar

in Sábado (Ao redor…); 22.05.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/ser-adolescente-hoje-e-o-dever-de-ajudar-a-desligar

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Eleições Conselho de Supervisão OPP (04.06.2024)

Nada sobre nós sem nós! Este título de um livro que trata o empoderamento e participação das pessoas com deficiência, é hoje mensagem forte nos movimentos em torno da defesa dos direitos humanos. É, também, a mensagem que vos trago a propósito das Eleições para o Conselho de Supervisão da Ordem dos Psicólogos Portugueses da próxima 3ª feira, 4 de Junho. Trago-a em 2 dimensões:

 

1. Para partilhar convosco 4 ideias a propósito da lista que apoio e que julgo melhor poder cumprir, com conhecimento, isenção e responsabilidade, as competências deste novo órgão – Lista B | Mobilizar os Psicólogos:

 

a) Dois regulamentos estruturantes da OPP, aprovados em Assembleia de Representantes, aguardam a tomada de posse do órgão para serem por ele analisados – Especialidades e Estágios. Houve cuidado e intencionalidade de constituir a lista com 4 psicólogas/os que incluem colegas especialistas, mas, também (e creio relevante), colegas que realizaram o ano profissional júnior (estágio profissional), conhecendo e vivenciando esta etapa, factor importante ao contributo que poderão aportar;

 

b) Isto determina que, além de pessoas com mais experiência profissional, a lista contenha jovens profissionais, algo fundamental numa profissão jovem e com legado e num órgão que tem também como missão acompanhar o processo de integração na profissão, a formação e o estágio profissional. Mais, construiu-se uma lista com paridade de género, diversidade de contextos de actividade profissional, não com tendência exclusivamente académica e com pessoas de diferentes regiões do país, incluindo regiões autónomas;

 

c) No que se refere às/aos candidatas/os não membros da OPP, por princípio, não se incluíram profissionais que pela formação/actividade poderiam (se o desejassem) ser membros da OPP. Mais, procuraram-se profissionais com diversas formações mas, necessariamente, confortáveis com as principiais posições estratégicas que têm sido defendidas pela OPP, do referencial para a intervenção em contexto escolar, à prática da psicoterapia passando pela defesa da figura da/o psicóloga/o do trabalho nas organizações.

 

d) Constituir uma lista com uma visão coesa sobre o órgão e missão a que se propõe. Podem vê-lo no vídeo de apresentação das/os candidatas/os – https://www.youtube.com/live/ewsoCeaEkUg?si=UzA3eLJajClBNh1N.

 

Obrigado pela disponibilidade e coragem Teresa Jesus, Nuno Antunes, Ana Nascimento Sabino, António Fragoso, David Guedes, Carolina Garraio, Teresa Maneca Lima e Eduardo Fermé. Obrigado Miguel Ricou, seu (meu também e nosso em 2016) Mandatário, por continuares este caminho e propósito.

 

2. Não deixe que estas Eleições aconteçam sem a sua participação. Sem a sua voz. Vote e motive e mobilize colegas a votarem.

 

Eu, dia 4, voto alegre e convictamente Lista B | Mobilizar os Psicólogos. Pelos princípios e valores que defendo, que defendo para a Ordem. Para a afirmação e desenvolvimento da profissão e do seu, cada vez mais necessário e relevante, contributo para a sociedade.

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One Health to Planetary Health

O Dia da Criança é comemorado em diferentes datas de país para país. Em Portugal, celebramos esse (poder) ser criança a 1 de Junho, continuando a cumprir, por essa via, o apelo que resultou da Conferência Mundial do Bem-Estar das Crianças, que decorreu em Genebra num 1º dia de Junho: reconhecer, globalmente, a importância dos Direitos das crianças e do seu bem-estar.

Estávamos em 1925 e seria tão ousado pensar os Direitos e o bem-estar das crianças conforme eu e, provavelmente, quem me lê os pensamos, conforme talvez será hoje pensar a saúde, a partir dos sistemas de saúde dos países, a partir dos modelos “One Health” [Uma (só) Saúde] e “Planetary Health” [Saúde Planetária].

Neste 1 de Junho de 2024, a partir dos relevantes contributos da literacia em saúde, eu, a Ana Cadete, a Maria João Baptista, o Pedro Teixeira, a Susana Fonseca e o Xavier Teles Canavilhas, com coordenação da Cristina Vaz de Almeida, propomo-nos ousar pensar em como podemos caminhar para a “inscrição” destes conceitos nos sistemas de Saúde, no nosso sistema Saúde.

Fazêmo-lo num tempo em que (ainda) sentimos desafios imensos ao aprofundamento do investimento em prevenção da doença e promoção da saúde em Portugal e à assunção, clara e clarividente, do impacto da degradação dos ecossistemas, da crise climática ou da pobreza e das iniquidades económicas e sociais na saúde e no bem-estar.

Discuti-lo-emos num painel integrado no Cascais International Health Forum, organizado pelo FÓRUM SAÚDE XXI através de uma equipa liderada pelo Adalberto Campos Fernandes.

Que, exactamente 99 anos depois da Conferência Mundial do Bem-Estar das Crianças de 1925, esta nossa conversa possa inspirar-nos e, eventualmente, inspirar alguém mais, para contribuir(mos) para um planeta sustentável e para um Mundo de Direitos, de saúde e de bem-estar. Para as crianças, todas as crianças. Para todas e todos.

Venha daí e participe, também, nesta conversa e neste contributo.

Mais informações e inscrições (gratuitas, mas obrigatórias) aqui.

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Behavioural Insights Comportamento Congresso Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

VI Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses | XIII Congresso Ibero-Americano de Psicologia.

Faltam agora 4 meses para muitas e muitos de nós, espero, nos reunirmos e encontrarmos no VI Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses que, em virtude da presidência da Federación Iberoamericana de Asociaciones de Psicología (FIAP) pelo Bastonário da OPP (Francisco Miranda Rodrigues) decorrerá em simultâneo com o XIII Congresso Ibero-Americano de Psicologia.

Conforme há 10 anos, quando em 2014 se organizou o II Congresso da OPP em simultâneo com o IX Congresso Ibero-Americano, regressamos a Lisboa e ao Centro Cultural de Belém, depois de Congressos da OPP no Porto (2016), Braga (2018) e Aveiro (2022).

Foi exactamente no CCB e, mais especificamente, no caminho José Saramago – personalidade que procurou, também, pensar e discutir uma “sociedade ibero-americana” – que gravei o “vídeo convite” para o Congresso, cujo link abaixo partilho.

Um Congresso que, na linha dos anteriores, se propõe a uma discussão e debate interdisciplinar dos contributos e da colaboração potencial da ciência e da prática psicológica na resposta às necessidades e anseios das pessoas (nos seus mais diversos contextos, circunstâncias e acontecimentos de vida) e comunidades e aos principais desafios societais.

Um congresso que contou com cerca de 700 submissões já analisadas num enorme e extraordinário trabalho de uma comissão científica superiormente presidida pela Isabel Soares e que tem uma call específica associada ainda aberta (ver link abaixo) para submissões para a revista científica da OPP. Um congresso que conta com um espaço específico de apresentação para as e os mais jovens – Espaço Jovem. Um congresso que procura uma nova e reforçada experiência de relação com o espaço, com outras/os congressistas nacionais e internacionais, com expositores e com patrocinadores. Um congresso, finalmente, que potencia a colaboração com um conjunto de entidades, incluindo a American Psychological Association, num evento colaborativo dentro do próprio congresso sobre novas tecnologias, inteligência artificial, contributos da psicologia e potenciais desafios e impactos na sociedade.

Com cerca de dois terços dos bilhetes presenciais já vendidos, nos próximos dias começaremos a conhecer o programa que, creio, estimulante e um contributo importante para pensar a psicologia em Portugal e no espaço Ibero-Americano.

Quando a 26.09.2010 caminho José Saramago foi inaugurado pela sua filha, ela disse sentir pena por “ele não estar aqui [lá] para ver”. No 2º dia do Congresso passarão 14 anos dessa dia e espero que esteja lá para ver. Para ver e contribuir para se construir um grande Congresso e, com ele, um importante contributo para a sociedade.

Link Congresso

Link Call Revista

Link Vídeo

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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Política Psicologia Tecnologia

Ser adolescente hoje e o dever de ajudar a desligar

“Hoje, em particular em dias difíceis, um/a adolescente com um telemóvel no seu quarto, casa ou rua, pode, se com maior dificuldade de autoregulação ou regulação na sua utilização, vive numa espécie de montanha russa sem pausas nas sensações e emoções.”

“Ser adolescente hoje e o dever de ajudar a desligar”, 83º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) pensa o quão diferente é ser-se um/a adolescente de 14 anos hoje face a 1998 (ou há alguns, não tantos, anos) e o quanto, os hoje mais velhos, “sabemos que se tivéssemos vivido essa idade com o acesso às tecnologias, à internet e às redes sociais hoje existente; com as fotos e vídeos permanentemente a guardarem momentos e a serem partilhadas e comentadas; ou se tivéssemos vivido com a pressão da felicidade, do mérito, da voragem da competitividade e da necessidade permanente de adaptação a transformações muito rápidas teríamos, certamente, vivido uma adolescência muito diversa e experimentado um conjunto muito diferente de desafios, experiências e possibilidades”.

“Perceberíamos, ainda, creio, porque é que o tão relevante – e hoje crescentemente densificado em Lei – “Direito a desligar” e desconectar do trabalho, fora do horário de trabalho, tende a equivaler-se ao “Direito a desligar” e desconectar da internet e das redes sociais por adolescentes, em determinados momentos do seu dia. (…) Hoje, em particular em dias difíceis, um/a adolescente com um telemóvel no seu quarto, casa ou rua, pode, se com maior dificuldade de autoregulação ou regulação na sua utilização, vive numa espécie de montanha russa sem pausas nas sensações e emoções. Vive permanentemente activada/o, é a cada momento estimulado e invadido com novas informações, dúvidas e sensações que não guardam espaço para elaborar, para descansar, para desligar. Para sair do turbilhão da nova informação, interacção, emoção e organizar e integrar ideias, algo relevante em todos os nossos momentos de vida, mas particularmente relevante numa época como a da adolescência onde tudo é vivido com tremenda intensidade, onde os grupos e a percepção dos pares é tão decisiva na construção da identidade, na percepção das outras, dos outros e do Mundo ao redor e no desenvolvimento da autonomia.”

“Com este cenário e com a perspectiva de potencial aprofundamento desta situação no futuro, desde logo pela evolução da tecnologia e seus impactos, talvez não seja fácil estar optimista”, refiro no artigo, dizendo que, “apesar de tudo, não deixo de assim o sentir. Também.”

Explico depois porquê e termino sublinhando que se “investirmos em transformações cirúrgicas e na capacitação e empoderamento de crianças e adolescentes para os desafios que o Mundo e a sociedade se lhes coloca, estarei sempre mais próximo de cumprir este meu optimismo.”

“No que me toca, para isso procurarei contribuir e para isso procurarei que contribuam.”

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Violência nas Escolas

Por estes dias, embora não pelos melhores motivos e até sem o melhor e, porventura, mais factual, enquadramento, discutiu-se a temática das práticas agressivas e da violência na Escola. Algo que, por si, tem já um enorme valor pela importância que tem para a prevenção e mitigação destes fenómenos a afirmação cabal da não complacência das Escolas e da sociedade com estas situações e o sublinhar da não inevitabilidade das mesmas.

Na passada quinta-feira, a @Antena 1 dedicou mesmo o seu programa Antena Aberta a este tema e, tendo tido oportunidade de nele participar (contributo que abaixo partilho), procurei:

 

a) Sublinhar o que atrás refiro notando, também, que a violência em contexto escolar, aliás como a doméstica, não é um problema apenas do presente (embora, enquanto seres humanos, tendamos o colocar o foco no presente e nas questões mais negativas, dando-lhes uma atenção mais signficativa face a aspectos mais positivos e/ou antigos), procurando rebater uma ideia que havia sido levantada numa intervenção anterior que procurava defender que há 4 ou 5 décadas não existia violência no namoro e na Escola como hoje, infelizmente, existe;

b ) A necessidade de progressivamente se caminhar para uma alteração na forma como a sociedade olha, pena e classifica a Escola e a sua actuação. “Além do conhecimento, aprendizagem e resultados escolares (naturalmente muito importantes), a escola tem de preparar as crianças e jovens para a sua autorregulação comportamental e emocional, para a abertura ao outro e para a empatia”, e isso é um trabalho das Escolas que tem que ser reconhecido, contribuindo esse reconhecimento para maior envolvimento das Escolas na resposta, na ctuação e na prevenção dos fenómenos de violência;

c) Também o quão fundamental é, para a prevenção destas situações, a forma como a Escola pode (deve) contribuir para a promoção da possibilidade de ocupação com segurança e com propósito de tempos livres;

d) Ainda, que a Escola é hoje, felizmente e ao contrário de outros momentos históricos, para todas e todos, algo que necessariamente comporta desafios pela menor motivação de envolvimento de alguns/algumas estudantes ou pela necessidade de espaços e práticas mais inclusivas, dando apenas dois exemplos.

Finalmente, algo que acabei por não poder referir, mas cuja importância creio relevante. A par de docentes e de técnicas/os especializadas/os, incluindo psicólogas e psicólogos, devemos intencionalizar a participação e o papel do pessoal não docente nestas matérias. Mas, para isso, temos também e enquanto sociedade, de valorizar mais e mais esta função e papel – a todos os níveis – e, particularmente, empoderar estas pessoas para um complemento a cada dia mais essencial numa Escola em profunda transformação.

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A vergonha e a “expressão saudável das emoções” (Ao redor…; 08.05.2024)

A espaços estou a rever a série “Daniel Tigre” que há alguns anos descobri com o meu filho mais velho. Hoje vejo-a com o meu filho mais novo, interessado que está nestes desenhos animados e nas suas músicas que pede que coloquemos, particularmente aquando das nossas deslocações de carro. O argumento da série faz uma síntese honesta entre uma apenas aparente simplicidade e uma total intencionalidade no que pretende fazer sentir, reflectir, transmitir. Faz jus à pessoa e ao programa base da sua génese.

O filme “Um amigo Extraordinário” é uma interessante forma de conhecer essa pessoa e esse programa. Realizado por Marielle Heller, narra a criação e desenvolvimento de uma amizade improvável de um jornalista (Lloyd Vogel), convidado pela Esquire para realizar uma peça perfil sobre Fred Rogers e o seu “Mister Rogers Neighborhood”, programa infantil da televisão americana, extremamente popular na década de 1960. O filme retrata esta improvável amizade entre ambos, que surge a partir dos contactos e entrevistas iniciais de Lloyd a Fred Rogers e mostra-nos, logo no início, uma passagem onde Fred Rogers refere que o seu trabalho e o seu programa pretendem “propor ao Mundo uma forma saudável de lidar com as emoções”. Este programa inspira o mais recente “Daniel Tigre” que procura ajudar crianças, como os meus filhos, mas não apenas crianças, a entenderem e expressarem as suas emoções de forma mais saudável.

No meu último artigo nesta rubrica – Propósito e os 50 anos do 25 de Abril – referi-me a um certo e inquietante “vazio”, também de comunidade e propósito, que tende a “ser ocupado por grupos ou ideias mais fundamentalistas e/ou populistas, quer eles sejam religiosos (como assistimos em muitas parte do Mundo e a partir das mais diversas religiões), quer sejam políticos (como assistimos em muitas parte do Mundo e em Portugal), quer eles resultem da combinação de ambos, numa procura de associação das pessoas a algo que as transcende e a um horizonte de transformação e poder na sociedade, que lhes devolva uma sensação de pertença a algo maior, de poder, segurança, previsibilidade e algum controlo.” Grupos e ideais que proclamam estes vazios, vivendo deles, e que, não raras vezes tendo como móbil o ressentimento e o ódio, tendem para a legitimação de atitudes e comportamentos, particularmente junto de grupos minoritários ou em situação de maior vulnerabilidade, não-enquadrados em dimensões de valores socialmente maioritários. Para a legitimação e para a anulação, entre outras, de uma emoção cuja complexidade e valor para a vivência em sociedade e para a coesão social nem sempre são reconhecidos – a vergonha.

Por estes dias temos vivido, a maioria de nós creio com significativa apreensão, os inenarráveis acontecimentos numa freguesia da cidade do Porto na madrugada da passada sexta-feira, onde um conjunto de pessoas se reuniram para, violentamente, agredirem um conjunto de outras pessoas que em comum, aparentemente, tinham apenas a condição de habitarem na mesma casa e serem imigrantes a residir em Portugal. Inenarráveis acontecimentos que apenas merecem repúdio veemente, mas que não anularam espaço para, como atrás referia, alguns grupos, com diferentes fins, os relativizarem ou, no mínimo, procurarem enquadrar comportamentos não enquadráveis em qualquer contexto de Direitos Humanos.

Estas atitudes, primeiro presumidas pelos grupos que perpetuam este tipo de actos e violência, depois concretizadas, a par de outras atitudes e comportamentos em áreas chave e modelo da sociedade, particularmente para a população mais jovem – da política ao futebol, passando pela cultura e pelo ambiente online – criam condições óptimas para que um conjunto de atitudes negativas e de emoções fortes face aos outros (sejam esses outros, outros porque adversários políticos ou desportivos, porque provenientes de um outro país ou porque de uma outra religião ou orientação sexual) terminem em comportamentos de conflito destrutivo, agressivos, violentos, discriminatórios ou mesmo xenófobos ou racistas.

Esta “passagem ao acto”, normalmente em grupo, decorre, desde logo, da incapacidade de uma expressão das emoções de forma saudável e da mobilização das mesmas no sentido de formas assertivas de procura de resolução, construtiva, dos conflitos e dificuldades. Decorre, também, da “perda” de vergonha ou de formas de projecção não elaboradas da vergonha em comportamentos conflituantes e/ou violentos, que potenciam a disrupção que, podendo ter tanto de positivo – pela possibilidade de afirmação, mudança e minimização das consequências potencialmente negativas, incluindo nas dimensões da saúde mental,  – como de negativo, quando permite ultrapassar a sensação de “inadequação pessoal” que dela resulta, possibilitando romper com as convenções sociais e comporta processos de justificação ou legitimação de comportamentos atentatórios, por exemplo, de bens ou pessoas em sociedade. Decorre, finalmente, de uma consideração quase exclusiva do presente e do curto prazo, estimulando comportamentos cujas consequências mais a médio, longo prazo e no legado face às novas gerações podem ser profundamente negativas, valendo isso pouco face aos potenciais ganhos de causa para determinados grupos e objectivos no curto prazo.

É também por isso que o sentido de comunidade e propósito, como aqui referi no último artigo, têm um papel importantíssimo para uma vivência plena dos Direitos Humanos em sociedade. Enquanto seres sociais, vemo-nos, também, a partir do olhar de quem nos rodeia e construímo-nos em relação, connosco, com os outros e com o que nos rodeia. Em momentos de maior incerteza, de mudança mais significativa, mais rápida e mais imprevisível existem tensões para a polarização e para o tribalismo que tornam ainda mais urgente o reforço desse sentido de comunidade e propósito. Até porque, como um dos mais reconhecidos psicólogos e humanistas também de apelido Rogers (Carl) afirmava, curiosa e paradoxalmente, “é quando nos aceitamos como somos que podemos mudar.” Aceitação. Mudança.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, é fundamental investirmos e educarmos para a expressão saudável das emoções enquanto base da convivência, do respeito e promoção da diversidade e da coesão social. Enquanto base, também, da aceitação e da possibilidade de mudança. Como Fred Rogers defendia esta é uma responsabilidade individual e colectiva. Minha, certamente. E de cada um/a de nós.

 

Tiago Pereira

A vergonha e a “expressão saudável das emoções”

in Sábado (Ao redor…); 08.05.2024

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/a-vergonha-e-a-expressao-saudavel-das-emocoes