9 em cada 10 Portuguesas/es entende a crise climática que vivemos como um problema muito sério para o Mundo. Foi este o enquadramento da produção do “Bom dia Portugal” (RTP) para a conversa que partilho, no Dia Mundial do Ambiente (5.6).
Mais, 1 em cada 5 entende mesmo que as alterações climáticas são o mais grave problema societal que enfrentamos, dados de um trabalho da Comissão Europeia que posicionam Portugal como um dos países da UE onde a preocupação é mais significativa.
Na entrevista começo por referir que os dados não serão alheios ao facto de uma grande percentagem de população viver na faixa litoral e ao impacto das alterações climáticas (aumento da temperatura, seca, etc.) têm em actividades económicas importantes para o país como a agricultura, as pescas ou o turismo. Não são também alheios às situações de catástrofe como inundações e, particularmente, aos incêndios rurais que, em conjunto, são factores de preocupação das pessoas com impacto na sua saúde, incluindo mental, e bem-estar.
Continuo referindo que, além das perdas e da necessidade de adaptação, há também sentimentos de desesperança relativamente ao futuro – estamos a ficar sem algo e sentimo-nos impotentes para travar essa perda – que, por vezes, se manifestam em problemas comportamentais e de saúde mental, nomeadamente ansiedade (especialmente na população mais jovem), depressão e stresse, incluindo pós-traumático.
Procuro, também e sugerindo a leitura do documento “Combate às alterações climáticas | O papel dos psicólogos” da Ordem dos Psicólogos Portugueses (link abaixo), reforçar que a psicologia, enquanto ciência que estuda o comportamento e os processos de tomada de decisão, pode assumir um importante contributo:
- a) na compreensão do comportamento humano e no desenho de intervenções comportamentais e políticas públicas eficazes na mudança de comportamento e combate às alterações climáticas;
- b) na adaptação da população, nomeadamente na forma como se pode capacitar e promover competências e resiliência individual e comunitária face às alterações climáticas;
- c) na mitigação dos problemas com intervenção psicológica junto da população com problemas de saúde mental.
Termino reforçando o papel da agência nos desafios que atrás refiro. Sentirmos que estamos a fazer algo, a dar o nosso contributo, é, além de promotor da mudança individual e colectiva, um elemento protector da nossa saúde, incluindo mental, e bem-estar.
Juntas e juntos, enquanto seres humanos e na relação com o ecossistema, enfrentamos já desafios muito significativos. Não deixemos de falar sobre a crise climática, no Dia Mundial do Ambiente e em todos os restantes dias do ano. Em casa. Na nossa comunidade. Façamos algo, por nós, pelas e pelos nossos, por quem se nos seguirá. Para que ultrapassemos mais este desafio.
Documento OPP – “Combate às alterações climáticas | O papel dos psicólogos”