“As inseguranças, as comparações e a iniciação às redes sociais… A verdade é que acabamos por pensar pouco nos porquês das transformações que acontecem durante a adolescência.”
Excerto inicial da apresentação do episódio do podcast “(não) fica bem falar de…” sobre saúde mental na adolescência. Uma (para mim muito interessante – mas comentários são muito bem-vindos) conversa, que aqui partilho em vídeo, entre mim e uma perspicaz e incisiva Jessica Athayde, com quem partilho um tempo de adolescência necessariamente diferente do tempo de quem hoje vive este intenso e determinante período desenvolvimental.
Na conversa, conforme continua a apresentação do episódio, discutimos “o momento paradoxal em que vivemos, em que temos cada vez mais recursos, informação e sensibilidade para com este assunto, mas também uma pressão crescente e nunca vista no que toca aos desafios que se colocam à saúde mental dos adolescentes, especialmente no caso das [meninas e] mulheres.”
Abordamos questões tão diversas como complexas, da violência no namoro, à pressão para “estar bem”, do sono à forma como podemos e devemos manter canais de comunicação e espaço de segurança psicológica com as e os adolescentes. Falamos de cremes anti-rugas, de auto-estima, de idades que se cumprem e não se cumprem relativas às redes sociais e de como, eventualmente, mais literacia e regulação tenderão a funcionar melhor que proibição, também porque, de acordo com a investigação, nem tudo é negativo (embora por vezes muito seja) na exposição da população jovem às redes sociais.
Discutimos, como também refere a apresentação da conversa, “de que forma é que o contacto com as redes sociais afeta a auto-estima e a saúde mental a longo prazo” e como podem os e as adolescentes “lidar com a pressão de parecer sempre bem e sempre feliz”, procurando-se partilhar algumas pistas de reflexão para preocupações hoje comuns de mães, pais, cuidadoras/es, familiares, professoras/es, … relativas a este período.
Falamos, ainda, de sinais de preocupação e, eventualmente, de como procurar cuidar dos limites, por vezes muito pouco claros, entre o sofrimento e as vicissitudes naturais deste período e o sofrimento e vicissitudes que excedem o natural e nos devem mobilizar para respondermos e apoiarmos, individualmente. Conforme falamos que o número hoje muito significativo de condições na área da saúde mental da população mais jovem nos deve fazer reflectir, numa dimensão de esperança e optimismo que a conversa também comportou, como enquanto sociedade temos o dever de nos mobilizar para, progressivamente, produzirmos transformações societais que permitam mitigar o paradoxo acima referido e garantir mais possibilidade de saúde, incluindo mental, e bem-estar às e aos adolescentes e mais equidade no acesso a essas possibilidades.
Uma interessante conversa, dizia. Sobre uma muito desafiante e, também por isso, interessante idade. Obrigado à produção, pelo convite. Obrigado, Jessica.