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COVID-19 Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

1 ano…

Há um ano (13.3.20) a Ordem dos Psicólogos Portugueses criou o gabinete de crise COVID-19 que coordeno. Ano incerto, intenso e exigente, que nos colocou à prova nas capacidades de adaptação, resiliência e de superação.

Ano em que a responsabilidade (propósito) que me foi confiada – a par do apoio/carinho da nossa casa, do empenho de toda a nossa OPP e da inspiração de tantas pessoas, incluindo colegas psicólogas/os – foi essencial ao meu bem-estar.

Ano em que todas/os perdemos e muitas/os perderam muito. Em que se mudou, no presente e para o futuro, na importância conferida à literacia em saúde psicológica; no acesso directo (24h/7) a psicólogas/os via Serviço Aconselhamento Psicológico SNS24; no aconselhamento e apoio à tomada de decisão do governo pela recente criação da task force da ciência comportamental. No micro e macro, ainda que com imenso caminho a percorrer, mais psicologia e mais psicólogas/os mais acessíveis e a contribuir já hoje mas para futuro.

Pensar um dia pode passar por pensarmos 3 aspectos bons dele (aumenta a percepção de controlo) e agradecermos/celebrarmos algo com alguém (aumenta o sentimento de pertença). Faço-o, assim por importante, para este ano. Muitos desafios nos esperam. As pessoas e o país precisam de mais (e melhor) psicologia junto de si.

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COVID-19 Ordem dos Psicólogos Portugueses

Plano de recuperação (e de resiliência?)

Partilho a reflexão de Sábado com a Marisa Caetano Antunes na SIC Notícias que tocou:

1) dificuldades e problemas de saúde psicológica e mental actuais da população (e de grupos específicos) decorrentes (não apenas) da crise de saúde pública e sócio-económica;

2) 70000 atendimentos do serviço de aconselhamento psicológico (SNS24) sinal da sua premência e de que as pessoas, quando têm acesso, procuram ajuda. Resposta porém incompleta porque, suportando a gestão de emoções, é como uma rotunda com diversas saídas (auto-cuidado, emergência) com uma fundamental encerrada pela insuficiência de psicólogas/os nos cuidados de saúde primários (CSP) para intervenções continuadas quando necessárias;

3) (não)investimento na saúde mental (bem-estar e existência de competências/recursos para a adaptação a acontecimentos e se cumprirem propósitos de vida – não apenas ausência de doença mental) expresso em a) o caricato da Ministra da Saúde referir que parte do atraso do concurso de 40 psicólogas/os para os CSP (existem apenas 250) que decorre há 30 meses se dever à pandemia (o que teria que ocorrer para maior rapidez?); b) um plano de recuperação e resiliência que prevê (bem) verbas nesta área mas apenas para resposta à doença mental sendo, nesta área, de recuperação mas não de resiliência.

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Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Falhar melhor.

“Falhar melhor”. Guardo esta expressão do incrível Beckett que nos deixou neste dia (1989). É parte da minha vida, muito presente em momentos como o de ontem em que assumi a responsabilidade que nos (e me) foi confiada de sermos membros dirigentes da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

“Sinceramente não sei. Se soubesse actuava sobre as causas”, respondeu Marta Temido sobre o porquê da não adesão significativa à app Stayaway Covid. Falhar é natural. Falhar melhor implica uma atitude de busca do porque falhamos. Testando antes (o nome, logo, processos da app foram testados e implementados os mais eficazes?), acompanhando (com comunicação adequada à percepção estudada dos utilizadores) e avaliando (acessibilidade/ obstáculos de quem utiliza/não utiliza). Estudando factores emocionais, cognitivos, comportamentais e contextuais da decisão.

Falhar melhor no processo de vacinação implicará reflectir sobre esta experiência. Testanto antes, nomeadamente a comunicação, até ao nível do texto da SMS, decisivo à logística e preventivo das impactantes faltas às marcações. Acompanhando a percepção de risco e comunicando sobre ela. Avaliando facilitadores/obstáculos do processo e agindo. Tudo para, conforme Beckett, “falhar melhor.”

Assim procurarei sempre fazer nas funções que me foram confiadas.

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Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses

Mobilizar os Psicólogos

Recuemos a 22.10 mas de 1980. Pensemos a Psicologia em Portugal naquele momento e agora, hoje. Pensemos nas/os colegas que, em condições muito exigentes, fundaram e desenvolveram a ciência e a profissão em Portugal e formaram gerações de psicólogas/os onde me incluo. Pensemos nas/os colegas que criaram a nossa Ordem, no que se construiu e no quão se afirmou e valorizou a profissão nos últimos 10 anos.

Com a OPP desenvolvi-me pessoal e profissionalmente. Primeiro, voluntariamente, na preparação das Especialidades e organização de congressos. Depois, enquanto trabalhador, como COO, Chefe de Gabinete do Bastonário e Coordenador do Gabinete de Crise COVID-19. Hoje, numa equipa de excelência que se propõe, pela mobilização das/os psicólogas/os, continuar a construir uma Ordem ainda mais próxima e mais forte.

Uma Ordem que contribua para uma ciência e prática psicológicas mais responsivas e interventivas nos complexos desafios societais presentes e futuros. Uma Ordem que incentive e promova a excelência na intervenção psicológica mais micro, acessível a todos os cidadãos, em todo o seu ciclo de desenvolvimento em diferentes contextos, contingente aos seus acontecimentos de vida mais significativos. Uma Ordem capaz de advogar por maior presença da Psicologia em áreas macro, promovendo mais literacia em saúde psicológica, maior articulação com decisores e a sua efectiva utilização no desenho de políticas.

Hoje sinto-me profundamente comprometido e estou empenhado em contribuir para uma Ordem que promova uma Psicologia ao serviço da equidade, bem-estar e coesão social.

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Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Lugar(es) da Psicologia

Desde há uns meses partilho no LinKedIn algum pensamento em torno de assuntos emergentes na sociedade e/ou em mim. Também desde há uns meses tenho outra oportunidade de pensar os contributos da Psicologia (da ciência, dos profissionais) na sociedade e nos seus complexos desafios.

Faço-o como membro da comissão organizadora (CO) do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, presidida pela Raquel Raimundo, que partilho com a Carla Fernandes, catarina Alvarez, Edite Queiroz, Renata Benavente e Verónica Ferreira. 

Congresso que se propõe pensar o “Tempo da Psicologia”e ousar novas abordagens,‘abrindo-se’ à rua, à tecnologia, ao debate com outras áreas de saber e artísticas.

Regresso a uma CO de um Congresso da OPP 6 anos depois (2º; CO presidida por Francisco Miranda Rodrigues), após ser voluntário no 1º (David Neto) e membro nos 3º (Miguel Ricou) e 4º (Eduardo Carqueja) da fantástica equipa de colaboradores da OPP que os constrói (alguns como a Sarah Freire e a Clara Silva já não connosco).

Este é também um contributo meu de ‘inscrição’, como o é o LinKedIn e este Lugar da Psicologia, lugar em construção onde reúno o que vou fazendo, pensando, escrevendo.

Aqui, no LinKedIn ou no Congresso, encontremo-nos, discutamos e reflictamos. Juntos.

O mundo isso (nos) exige.

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Educação Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

A prática profissional da psicologia escolar.

Ainda ontem ouvia Malcolm Gladwell referir-se aos argumentos e narrativas escritas imperfeitas como as ‘mais interessantes’, por mais ‘significativas’, por não óbvias. “Puzzles imperfeitos” dizia, que não nos dão tudo, que não cumprem tudo o que prometem, deixando espaço à ‘implicação’, ao compromisso e à construção de significado a cada leitor/a.

Reflexão curiosa poucas horas antes da publicação do livro “A prática profissional da psicologia escolar”, escrito pela minha colega Sofia Mendes e editado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Curiosa porque o livro é escrito em puzzle, peça a peça, a partir de anos de prática, investigação, reflexão e compromisso da Sofia com a profissão e com a sua intervenção em contexto escolar. Puzzle, história, que merece ser continuado.

Curiosa porque eu, como tantas/os colegas, também para ele contribui pela prática e investigação e contribuo (e contribuirei) pela reflexão e compromisso.

E, se curiosos (como eu), porque não ouvirem esta nossa conversa à volta do livro? E, se curiosos (como eu), porque não o lerem? Implicando-se, comprometendo-se e dando-lhe um significado. Colocando mais uma peça neste puzzle que, imperfeito, se vai construindo… Neste puzzle que também é a psicologia e a intervenção dos psicólogos em contexto escolar em Portugal.

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Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Speaking of Psychology; Episódio International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action


“Marcelo Rebelo de Sousa address the summit telling attendees they chosen the right subject to tackle first because of the global nature of climate change…”

Assim é introduzida – no último episódio do podcast Speaking of Psychology – parte do discurso do Presidente da República na International Summit on Psychology and Global Health. Episódio que recorda este significativo evento, organizado pela American Psychological Association e pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e que trouxe a Lisboa mais de 43 associações internacionais de Psicologia, representantes de mais de 1 milhão de psicólogas/os dos 5 continentes.

Nesta Summit,um pouco como aqui procurei demonstrar https://lnkd.in/gpSWkmw , discutiram-se formas de colaboração internacional, procurando-se,através de compromissos conjuntos e de cada associação,mobilizar a Psicologia e as/os psicólogas/os de todo o Mundo para o enormíssimo desafio societal e geracional que é a emergência climática. …

“Temos que ter uma resposta global. Nenhum país por si,nem mesmo uma superpotência,pode responder a este desafio”.

Ouve-se do Presidente da República. Para os países. Para as Associações de Psicologia.

Aqui: https://lnkd.in/gyM5vXS

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Behavioural Insights Comportamento Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

O contributo dos psicólogos diferencia-se do de outros profissionais? Psicologia e ciências comportamentais (PsiCarreiras Summit)


“Temos de revitalizar o século das luzes e reafirmar o nosso compromisso de honrar os seus valores de liberdade,respeito pelo conhecimento e democracia”.

Stiglitz a defender o respeito pelo conhecimento a par com a liberdade e a democracia, valores que urge defender contra movimentos que, com diversas motivações/organizações, prosseguem a opressão, o obscurantismo e o populismo.

Quando fronteiras (Suécia/Brexit) e muros regressam ao Mundo (EUA/Cisjordânia), progredindo até na Europa (Grécia-Macedónia-Sérvia-Hungria), há muros fundamentais a construir. Não entre países mas entre valores. Entre a liberdade e a opressão, entre a democracia e o populismo. Não entre o diverso conhecimento científico (inter ou intra-ciências) mas entre o respeito pelo conhecimento e o obscurantismo.

Urge reforçar a identidade dos psicólogos, sem muros internos, conforme urge afirmar a Psicologia no panorama da ciência, sem muros externos, pelo respeito pelo conhecimento, afirmando-nos pelo contributo junto das pessoas e comunidades nos principais desafios societais.

Na próxima 6F na #psicarreirassummit discutirei com o Eduardo Sá, o Jaime Ferreira da Silva e a Teresa Espassandim a Psicologia, sem muros, e o seu papel diferenciado e liderante na psicoterapia, no coaching e nas ciências comportamentais.

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Climate change and Psychology: Past, present and a better future (Moderação International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action)

Há uma semana começava em Lisboa a International Summit on Psychology and Global Health – A Leader in Climate Action, momento histórico para a Psicologia a nível mundial.

Da Summit, organizada pela APA e pela OPP resultaram uma proclamação e uma resolução conjunta (https://lnkd.in/g8xZNab), além de compromissos de cada uma das 42 Associações nacionais e internacionais de Psicologia, dos 5 continentes,para promover os contributos da Psicologia e das/os psicólogas/os na crise climática.

Além de ter tido a oportunidade de trabalhar na sua organização, moderei na sessão aberta a mesa “Climate change and Psychology: Past, present and a better future” onde intervieram os tão inspiradores quanto conhecedores Janet Swin e José Palma-Oliveira.

Como aí referi, se a Psicologia estuda há décadas o comportamento, as suas motivações e a tomada de decisão,é urgente (re)posicioná-la como ciência que informa e que é decisiva na decisão política e no desenho das políticas.

“Encorajados pela recente onda de preocupação” mas também por uma de optimismo, assumamos, psicólogas/os, a nossa responsabilidade, multipliquemos e apliquemos o nosso contributo neste enorme desafio societal.

Pelas pessoas. Por um mundo com futuro. Por um futuro com mais bem-estar e equidade para todas/os.

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Behavioural Insights Comportamento Emergência Climática Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Emergência climática: O meu papel. O nosso papel.

“A vida, exigente, quer a resposta certa ao mesmo tempo da pergunta difícil formulada.”

Recentemente li num artigo esta impactante frase de Gonçalo M. Tavares. Pensei, porque pensava vagamente nas questões associadas à emergência climática: A vida, exigente, implica uma resposta (certa, convicta) para a pergunta difícil (que temos de formular) – O que fazer face à emergência climática? O que fazer?

“Somos encorajados por uma recente onda de preocupação…”

Esta frase surge na conclusão uma recente publicação (BioScience Journal) assinada por uma aliança de mais de 11.000 cientistas de 153 países a propósito da comemoração dos 40 anos da primeira Conferência Mundial do Clima (Geneve, 1979). Este documento, além de expor dados concretos (muito além do inquietante facto dos últimos 5 anos terem sido os anos mais quentes de sempre no planeta desde que existem estas medições) que complementam os do IPCC (https://www.ipcc.ch), foca as declarações de emergência climática por todo o Mundo (o parlamento Português aprovou por unanimidade uma declaração nesse sentido em Julho) e um compromisso de apoio aos decisores para uma transição justa para um futuro mais sustentável e equitativo a partir de seis passos para travar a emergência climática que vivemos (aqui nas palavras de Thomas Newsome, um dos promotores: https://www.youtube.com/watch?v=ikmI4wx9MRE&feature=emb_logo).

Creio como decisivo este compromisso de apoio aos decisores. A crise climática é hoje uma preocupação central no Mundo. Segundo o Eurobarómetro de Setembro, 23% dos Europeus consideram-na como o problema “mais sério que o mundo vive” e 9 em cada 10 Portuguesas/es considera-o como um problema muito sério (8 em 10 na Europa) e apenas 1 em cada 100 diz não considerar que seja um problema (6 em cada 100 na Europa).

Eu sou um daqueles 9 Portugueses. E um Português, psicólogo.

Não raras vezes quando falo dos contributos da Psicologia nesta matéria, algumas pessoas reagem com alguma perplexidade e dúvida. É compreensível, pela dificuldade de percepcionar como ´tangíveis´ esses contributos. Tal já não sucede quando acrescento que se a Psicologia estuda o comportamento e as razões (causas, factores) que levam as pessoas a comportarem-se como se comportam (e a decidirem como decidem), então a Psicologia e as/os psicólogas/os são um recurso importante na promoção de mudanças comportamentais (e na tomada de decisão), fundamentais na mitigação deste problema. E julgo possível conceptualizar o seu papel a quatro níveis:

Na mitigação da emergência climática: Por exemplo, através de contributos para a promoção de mensagens e comportamentos pró-ambientais, visando alterações no comportamento dos indivíduos, grupos e comunidades, através da utilização do conhecimento relativo à identidade de espaço, coesão social ou normas sociais / “green nudges” (um exemplo concreto: a maioria das famílias diminui o consumo de água de uma factura para a factura seguinte apenas por lhe ser dado conhecimento na factura de que consomem mais X% de água face a uma família semelhante no seu bairro ou freguesia). Ou, demonstrando como a ciência psicológica tem feito e o psicólogo David Uzzell tem advogado, que a informação mais “pessoal, imediata, concreta e local” é mais eficaz do que factos e estatísticas mais globais. Ou ainda, procurando envolver os cidadãos numa dimensão de justiça para com as comunidades mais sensíveis, vulneráveis e muitas vezes minoritárias (nos seus países, mas também em todo o mundo) algo que a psicóloga Janet Swim muito tem defendido pelo impacto que produz nas alterações comportamentais (a maioria das pessoas é sensível a estas questões e o sentimento de (in)justiça conduz a processos de engagement para a mudança).

Na prevenção dos problemas associados à emergência climática: Além da má nutrição, doenças infecciosas e poluição, fenómenos climatéricos extremos, como fogos rurais, cheias, furacões ou secas prolongadas serão mais frequentes e impactarão no  bem-estar e na saúde psicológica dos cidadãos. A Psicologia e as/os psicólogas/os devem, portanto, envolver-se no planeamento e na concretização de acções preventivas neste âmbito, desenvolvendo iniciativas em comunidades de maior risco a partir da evidência científica existente que, entre outras, podem passar por programas de promoção do coping e da resiliência das populações, pela participação na preparação das comunidades para a resposta e adaptação a estes fenómenos ou pela participação na definição de planos de intervenção ou de gestão e redução do stress.

Na resposta aos problemas associados à emergência climática: Nomeadamente, com intervenção psicológica baseada na vasta evidência científica, em situações como as migrações, os problemas de saúde mental associados a este tipo de fenómenos, desde os mais comuns – stress, a ansiedade e depressão – aos mais complexos – por exemplo, a perturbação de stress pós-traumático. Em todos eles um denominador comum, intervenções mais próximas e imediatas ao problema (por exemplo os primeiros socorros psicológicos), também por mais curtas mas eficazes, demonstram-se claramente custo-efectivas, poupando recursos e sofrimento, pois previnem o desenvolvimento de perturbações nos meses e anos subsequentes aos acontecimentos.

Na participação e no contributo para o desenho de políticas: Quer elas sejas centradas nas alterações comportamentais ou nas recompensas (ou penalizações) a atribuir aos cidadãos e organizações face a alguns comportamentos (por exemplo, produção de resíduos comuns Vs recicláveis), utilizando os inputs do conhecimento e da ciência psicológica sobre o comportamento, pensamento (e consequentes enviesamentos) e sentimentos associados a este tema dos cidadãos, dos cidadãos líderes de organizações e dos cidadãos decisores.

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É, no entanto, ainda comum as campanhas que vemos a este respeito parecerem privilegiar o ambiente face às pessoas, que parecem surgir em segundo lugar e o seu bem-estar e felicidade ter necessariamente de ser sacrificado em prol do ambiente. Ora, é hoje claro que as narrativas mais eficazes são em torno dos ganhos e não das perdas, pelo que são tão relevantes projectos como o da Ayr, uma ferramenta de mobilidade sustentável desenvolvida por uma empresa Portuguesa sedeada em Matosinhos (CEiiA)  e agora disponibilizada na cidade de Nova Iorque. Esta tecnologia permite, com facilidade para a/o utilizador/a, “medir” (a não produção / emissão de CO2) e “recompensar” (atribuir um valor, por exemplo para utilizar noutras viagens ou serviços) a opção por deslocações “menos poluentes” na cidade, salientando os aspectos positivos desta opção e incentivando-a. Reforçando-a.

“The global is also local, the global is here.”

Afirmou David Uzzell no Dia da Psicologia nas Instituições Europeias, uma iniciativa realizada em Janeiro de 2019 e promovida pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) com o apoio da ex-Eurodeputada Sofia Ribeiro, para discutir o papel da Psicologia e das/os psicólogas/os face aos grandes desafios societais – migrações, crise climática, emprego e bem-estar e saúde mental.

“O global é também local”. Porque as cheias de Veneza, são e serão também as cheias do Rio Tejo. Porque os incêndios da Austrália, são e serão também, os nossos incêndios rurais. Porque um furação como o Dorian, poderá passar no futuro em Portugal, conforme o Lorenzo passou recentemente na região autónoma dos Açores. Por isto e porque…

“O global é aqui”. Em Lisboa, a partir de hoje e até Sábado, na International Summit on Psychology and Global Health – A leader in Climate Action. Esta cimeira resulta – literalmente – de anos de maturação de uma ideia conjunta da OPP com a American Psychological Association (em particular nas pessoas da Amanda Clinton e Arthur Evans) em torno de ´como criar condições para discutir o papel da Psicologia e das/os psicólogas/os nos principais desafios societais num contexto transnacional (para problemas complexos e globais, uma visão global da Psicologia)´, tendo resultado nesta organização conjunta da OPP com a APA que permite a reunião de representantes de 43 associações nacionais, transnacionais e federações que representam – literalmente – milhões de psicólogas/os dos cinco continentes para discutir contributos globais da Psicologia e das/os psicólogas/os para esta área.

Porque consideramos essencial um (re)posicionar à escola global da Psicologia enquanto ciência que informa e é determinante na decisão política e no desenho de políticas que localmente tenham em consideração as pessoas, grupos e comunidades e as envolvam, trabalhar-se-á num modelo para a integração dos contributos de todas as entidades presentes, em forma de três produtos: uma proclamação (já fechada); uma resolução final (já em draft) e um white paper final que reunirá os contributos de todas as organizações a entregar às Nações Unidas. Nesta edição em torno da crise climática. Noutras, se existirem outras, relativamente a “outras crises”, que aí estão e, certamente, aí virão.

São pequenos estes meus e nossos passos, é certo. Mas são passos. E contributos. Juntemo-los aos demais.

Sejamos “encorajados” por uma “onda de preocupação”. 

Sejamos “encorajados” por uma outra “onda” mas de optimismo.

Meu. Nosso.