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Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

E finalmente sobre o 5º Congresso da OPP…

Volto ao 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Faço-o 39 dias após o seu “fim”. Número de dias que se estima que, com a tecnologia actual, poderia demorar uma viagem até Marte mesmo quando, pelo facto da Terra e Marte estarem em órbitas elípticas relativas do Sol, a sua distância se alterar ao longo do tempo (entre 55 e 400 milhões de km).

 

Uso esta “imagem” para 3 notas finais sobre o congresso, que se somam ao que já aqui, aqui e aqui reflecti: a) a importância de conversas interdisciplinares e de se discutirem desafios das pessoas e sociedade; b) a equipa que o planeia e operacionaliza; c) a sua permanência (com maior ou menor proximidade) e o 6º Congresso da OPP.

 

a) Falar é, por si só, importante. Este congresso, marcado pelo (re)encontro, permitiu-o, estimulou-o, motivou-o. Entre pares e entre pessoas de diferentes idades, experiências, contextos e áreas científicas, em diálogos também interdisciplinares, com a sociedade e cultura. Isto reconhecendo que à complexidade dos desafios individuais e societais devem corresponder respostas também elas complexas e interdisciplinares, a partir das ciências e áreas profissionais que “orbitam” os desafios. Que reflictamos, colaboremos, encontremos novas respostas e nos desenvolvamos a partir delas.

 

b) Do planeamento (coordenado pelo Francisco Miranda Rodrigues) à operacionalização (coordenada pela Clara Silva), ao contrário do habitual em congressos com este número de participantes (cerca de 1500), toda a sua organização recaiu na órbita da OPP, nas suas pessoas e equipa. Acrescenta-se proximidade, personalização e relação ao evento, além de uma experiência (e história) crescente, pese embora o desafio de se organizar um grande evento concomitante à gestão das restantes acções do dia-a-dia. Parabéns à equipa que o fez e faz com este nível de empenho, qualidade e superação;

 

c) Finalmente, a ideia do não-término. Verdadeiramente os congressos da OPP não terminam considerando que é a distância para o próximo que se vai alterando. Dos cerca de 670 dias que agora faltam aos 0, aquando do início do 6º Congresso da OPP/XII Congresso da Federação Iberoamericana de Psicologia, cujo planeamento terei a honra e responsabilidade de coordenar (Lisboa; Setembro de 2024; em breve mais informações aqui https://congresso.ordemdospsicologos.pt/2024-2/).

 

Continuemos as conversas… Agora, amanhã e no Congresso em 2024. Obrigado a todas e todos que participaram e fizeram este.

 

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Democracia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Pobreza e Desigualdade Política

7-0 ao FMI mas que resultado no combate à Pobreza? (CNN Portugal; 17.10.2022)

Ao contrário do futebol, a pobreza não tem um lado que vence e outro que perde ou lados que empatam. Com a pobreza, todas e todos perdem. As pessoas que a vivem e que são privadas da sua dignidade, da sua possibilidade de saúde e bem-estar, de desenvolvimento e autodeterminação. As pessoas que, neste momento, não a vivendo, são parte da sociedade que a gera, reproduz e, por vezes, a esconde, tornando-se mais desigual, menos justa e coesa e logo menos promotora de equidade e de possibilidades para todas as pessoas. As instituições, particularmente os governos democráticos, que, não a erradicando, se desacreditam e fragilizam, geram desconfiança e menor participação e distanciam-se das necessidades e expectativas das pessoas, particularmente as com maiores vulnerabilidades, alimentando a polarização e o ódio às outras e aos outros. A pobreza, conforme alguns partidos procuram ser, é um fenómeno catch all, “apanha” todas e todos.

Os “7-0”, ironia de António Costa a propósito da maior aproximação das previsões económicas do Governo face às do FMI, não tem paralelo com as previsões do Governo face às de outros organismos a propósito da evolução anual do risco de pobreza e exclusão. A razão? O governo não prevê. Estabelece um objectivo para 2030 (“redução para 10% da população”), expresso no Programa de Governo com remissão para a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 mas, apesar de estimar no quadro macroeconómico e no Orçamento do Estado o PIB, a inflação, a evolução da taxa de desemprego, remunerações médias e até o preço do petróleo não prevê o impacto das medidas a que se propõe e da evolução dos indicadores socioeconómicos na percentagem de pessoas que em Portugal viverão em situação de pobreza (ou risco de pobreza) e exclusão em 2023.

Não o faz. Como, e apesar de ter já implementado um conjunto de importantes medidas que nela constam, não teve ainda oportunidade de nomear a coordenação e a comissão de acompanhamento da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030, estratégia aprovada e publicada ainda em 2021 e que prevê, no seu articulado, que até Junho de 2022 essa comissão (ainda inexistente) apresentaria o Plano de Acção 2022-2025. Nem coordenação, nem comissão, nem plano, duas propostas de Orçamento do Estado (2022 e 2023) depois para anos com a maior taxa de inflação das últimas três décadas (2022) e, em previsão, uma das maiores deste período (2023) e quando sabemos que a “inflação real” que incide sobre a população com maior escassez económica é significativamente superior à taxa de inflação (média). Nem coordenação, nem comissão, nem plano, num período em que a trajectória descendente dos indicadores de pobreza, consistente de 2014 a 2019, se inverteu, tendo a taxa de risco de pobreza (após transferências sociais) medida pelo INE aumentado de 16.2% em 2019 para 18,4% em 2020 e a de risco de pobreza ou exclusão social medida pelo Eurostat aumentado de 20% em 2020 para 22,4% em 2021, passando Portugal do 13º para o 8º país da União Europeia com maior percentagem de população nesta situação.

Previmos, mas podemos prever muito mais. Decidimos e aplicamos medidas, algumas delas relevantes, mas podemos decidir e fazer muito mais. Desenhamos e publicamos estratégias, mas podemos operacionalizar e concretizar muito mais. Isto implica priorizarmos o combate à pobreza, intencionalizá-lo e considerá-lo em todas as políticas (públicas). Implica uma atitude de não complacência com a pobreza, com a não utilização e operacionalização dos instrumentos ao nosso dispor para a sua erradicação e com a ineficácia de políticas (públicas) neste âmbito.

Assim pode ser amanhã. Dia que se segue ao dia em que celebramos globalmente o objectivo da erradicação da pobreza e em que, um pouco por todo o Mundo e em Portugal existirão manifestações de intenções, apresentação de propostas e debate público neste domínio. Amanhã e depois podemos concretizar as intenções, implementar as propostas e, particularmente, continuar e aprofundar este debate, tornando-o persistente e saliente, onde hoje é estranhamente ausente, considerando que a pobreza e a pobreza multidimensional (a que não se refere apenas à dimensão económica e que remete para a escassez de acesso à educação, saúde e condições de vida consideradas mínimas necessárias) é um dos principais determinantes da saúde (e da saúde mental), da educação ou da justiça. Amanhã comecemos por mobilizar a sociedade civil e considerar os diversos contributos, porque apenas com todas e todos podemos tornar o combate à pobreza desígnio nacional (conforme a Estratégia bem prevê) e vencer este complexo desafio. Complexo, mas possível, assim o queiramos e assim, com determinação, estimulemos, permitamos e utilizemos o contributo de pessoas e organizações investidas neste objectivo.

Um exemplo, as psicólogas e psicólogos em Portugal e a Ordem dos Psicólogos Portugueses. Considerando os contributos da ciência psicológica nesta área (nomeadamente os impactos da escassez no desenvolvimento, capacidade cognitiva e de planeamento e tomada de decisão) e a associação cíclica e forte entre situações de pobreza e exclusão e problemas de saúde mental (stresse, ansiedade e depressão), a Ordem dos Psicólogos Portugueses encontra-se a promover o projecto .Final à Pobreza, visando um mais intencional e informado contributo da ciência e da profissão para um ponto final à pobreza. Projecto que resultará numa estratégia que visará mais e melhor formação e recursos para a prática de psicólogas e psicólogos nesta área e contributos para a promoção de literacia na sociedade civil sobre este fenómeno, as suas causas, consequências e formas de o mitigar. Projecto que contribuirá para melhor informação para o desenho de políticas públicas nesta área e para promover redes de cooperação nacional e internacional junto do que é, não por acaso, o primeiro dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Tudo porque o dia que hoje se celebra deve ser o nosso dia-a-dia. Toda e qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição socioeconómica, é impactada pela sua situação de pobreza actual, potencial ou pelas situações de pobreza ao seu redor. Toda e qualquer pessoa tem um papel na sua erradicação, algo possível, conforme o caminho percorrido nas últimas décadas no Mundo demonstra, mas que depende de essa ser (a) prioridade das prioridades de todas e todos.

Continuamos amanhã?

Tiago Pereira

 

7-0 ao FMI mas que resultado no combate à Pobreza?

in CNN Portugal; 17.10.2022

https://cnnportugal.iol.pt/tiago-pereira/pobreza/tiago-pereira-7-0-ao-fmi-mas-que-resultado-no-combate-a-pobreza/20221017/634d2ca80cf2f9a86ebafb96

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Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Tenho uma “memória profissional” com cerca de 5 anos que dificilmente esquecerei. Uma reunião (com a Isabel Trindade) com responsáveis da área dos seguros, onde procurávamos uma colaboração que permitisse maior sensibilização às seguradoras para a inclusão de actos na área da saúde mental, incluindo a psicologia. Pior que a ausência de abertura, foi o desconhecimento demonstrado sobre o trabalho das psicólogas e psicólogos e a desconsideração de algo com relevância social e ligação à saúde e bem-estar. Penso nisso e penso na forma como recordarão essas pessoas a reunião e a sua atitude.

Penso como terão visto a hoje maior seguradora na saúde em Portugal lançar em 01.11.2021 uma cobertura compreensiva na área da saúde mental, que inclui actos das/os psicólogas/os, nas suas diversas áreas de actividade, numa perspectiva de prevenção e promoção. Que os inclui através de uma rede e de um sistema de reembolso de 50% do valor das sessões (até 300€/ano) de profissionais fora da rede. Como terão visto que a seguradora tenha investido, também, na promoção do bem-estar, da literacia em saúde e saúde mental e no desenvolvimento de programas específicos para acontecimentos de vida, valorizando, na rede, as e os psicólogos especialistas com um valor/sessão melhorado.

Falo da Multicare. E falo de um trabalho de colaboração com a Ordem dos Psicólogos Portugueses que acompanhei e acompanho de forma próxima e que começou no início da pandemia por COVID-19. Colaboração com diversos marcos. A consultoria ao desenho da abordagem compreensiva à saúde mental e os primeiros artigos publicados. A simbólica (porque pela primeira vez a saúde mental foi tema neste evento da Fidelidade) participação que tive no “Pensar Maior – Saúde”, no Dia Mundial da Saúde, na sessão que partilho, onde estive com a Inês Pimenta de Castro.

Como foi, ainda, a assinatura do protocolo de colaboração ou a sessão da passada 3ªF, onde, além de intervenção da Alexandra Antunes, com quem tenho partilhado este trabalho, e do Francisco Miranda Rodrigues, participei numa conversa sobre saúde mental com o António Raminhos sob moderação da Isabel Silva. Conversa onde, reforçando a importância desta cobertura, sublinhei a necessidade do reforço urgente de psicólogas e psicólogos nos centros de saúde e outras unidades dos cuidados de saúde primários.

“Aquilo que são os nossos problemas não nos define. Nós não somos os nossos problemas. Nós temos problemas ou não temos problemas e, essencialmente, temos ou não temos recursos para lidar com esses problemas. E temos de ter recursos para lidar com esses problemas”. Assim fechei a intervenção no “Pensar Maior – Saúde”. Aqui está mais um, particularmente relevante. Juntos devemos exigir que os cuidados de saúde primários possam, verdadeira e rapidamente, ser outro. Outro, fundamental.

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Dia Internacional da Erradicação da Pobreza

“Continuamos amanhã?”, perguntava ontem a fechar o artigo que escrevi para a @CNNPortugal (ver abaixo) a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, nele refiro que “o dia que hoje [ontem] se celebra deve ser o nosso dia-a-dia. Toda e qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição socioeconómica, é impactada pela sua situação de pobreza actual, potencial ou pelas situações de pobreza ao seu redor. Toda e qualquer pessoa tem um papel na sua erradicação, algo possível, conforme o caminho percorrido nas últimas décadas no Mundo demonstra, mas que depende de essa ser (a) prioridade das prioridades de todas e todos.”

“Continuamos amanhã?”, pergunto, porque, “ao contrário do futebol, a pobreza não tem um lado que vence e outro que perde ou lados que empatam. Com a pobreza, todas e todos perdem.” Pessoas, sociedade e instituições (democráticas). Também, porque, enquanto país, “previmos, mas podemos prever muito mais [nomeadamente o impacto de medidas na taxa de (risco de) pobreza, não considerada no quadro macroeconómico ou Orçamento do Estado]. Decidimos e aplicamos medidas, algumas delas relevantes, mas podemos decidir e fazer muito mais [particularmente na pobreza infantil e nas pessoas em situação de desemprego, sem apoios sociais]. Desenhamos e publicamos estratégias, mas podemos operacionalizar e concretizar muito mais. Tudo “isto implica priorizarmos o combate à pobreza, intencionalizá-lo e considerá-lo em todas as políticas (públicas). Implica uma atitude de não complacência com a pobreza, com a não utilização e operacionalização dos instrumentos ao nosso dispor para a sua erradicação e com a ineficácia de políticas (públicas) neste âmbito.”

“Continuamos amanhã?”, porque, conforme terminei a conversa de Sábado com a @Carla Rocha (Quarto do Fundo; Renascença) há, felizmente, “muitas pessoas e organizações sensibilizadas para esta problemática” e para um contributo para um ponto final à pobreza, título do projecto da @Ordem dos Psicólogos Portugueses (https://finalapobreza.pt) que visa um maior contributo da psicologia enquanto ciência e profissão para este complexo, mas possível, desafio societal.

“Continuamos amanhã?”, porque, pela relação cíclica e forte existente, conforme terminei a intervenção (que partilho) na Antena Aberta (@Antena 1) de ontem, o combate à pobreza depende de priorizarmos o apoio económico às pessoas em situação de escassez e maior vulnerabilidade, mas também de priorizarmos a promoção da saúde mental e bem-estar e apoiarmos de forma próxima e contingente as pessoas em sofrimento psicológico ou com doença mental.

Continuamos hoje, amanhã e depois?

Que o façamos pois, juntas e juntos, podemos contribuir para um ponto final à pobreza.

…

“7-0 ao FMI mas que resultado no combate à Pobreza?” [CNN Portugal: 17.10.2022]

 

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Tempo da Psicologia (Ao redor…; Sábado; 28.09.2022)

Faltam poucos dias para passarem quatro anos sobre esse 10 de Outubro de 2018. Nesse dia Mundial da Saúde Mental visitávamos um conjunto de projectos da Associação CRESCER. Acompanhamos uma equipa do “É uma rua” a um dos espaços da cidade de Lisboa onde intervém, de acordo com a metodologia de Redução de Riscos e Minimização de Danos. Como naquele dia, ouço-o contar-nos a sua história, que incrivelmente poderia ser a de quase todas e todos nós, como havia entrado e logo saído de diversas respostas e como acumulava diversas condições de vulnerabilidade: as suas dependências, particularmente de álcool e drogas, a sua condição de pessoa sem-abrigo, a sua solidão e problemas de saúde (significativos) variados. Ouço-o, como vejo, uma pessoa com especiais responsabilidades políticas que nos acompanhava, com uma sensibilidade que me impressionou, olhar a medicação que este senhor trazia num saco e mais tarde comentar, apenas connosco, que ali estavam muitas centenas, senão milhares, de euros investidos. Nesse e noutros momentos desse final de dia e noite de visita a outros projectos e pessoas apoiadas pela CRESCER, a clareza, pela realidade, do quão socialmente determinada é a saúde e do quão, sem promoção integrada da saúde e da saúde mental e sem apoio e integração social e comunitária das pessoas, não podemos aspirar a intervenções eficazes e à melhor utilização dos recursos disponíveis. Do quão pode ser relevante a psicologia, enquanto ciência e profissão, para a saúde e bem-estar das pessoas e para a sustentabilidade dos sistemas públicos.

Tempo da Psicologia. É este o mote que reúne em Aveiro, a partir de hoje, cerca de 1500 pessoas, maioritariamente psicólogas e psicólogos, para o 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Também quatro anos após o 4º Congresso e com uma pandemia por COVID-19, uma Guerra no continente europeu e uma nova crise socioeconómica no horizonte. Os mesmos quatro anos que passaram entre as eleições de 2018 e de Domingo em Itália e entre os 4% e os 26% do partido de direita nacionalista “Irmãos de Itália”, liderados pela provável futura chefe de governo, Giorgia Meloni, que confirmam o caminho de progressiva implementação e “normalização” de ideias e ideais anti-imigração, do questionamento de direitos humanos, da ciência e das instituições e do crescimento do autoritarismo, com consequente diminuição da liberdade e das garantias Mundo fora. Quatro anos que confirmam a velocidade e volatilidade deste tempo, a complexidade e globalidade dos desafios, a enorme incerteza que vive(re)mos.

Enquanto países como a Austrália – que segundo um relatório da Equipa de Planeamento do Serviço Nacional de Saúde Mental (NMHSPF), apenas consegue hoje preencher 35% dos 7787 lugares de psicólogas/os disponíveis por falta de profissionais – se vêm forçados a investimentos urgentes na formação e “captação” destes profissionais, em Portugal decorre um concurso, iniciado também há quatro anos, em que mais de 3000 psicólogas/os, muitas e muitos com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e a trabalharem já no SNS, procuram um dos 40 lugares para os cuidados de saúde primários. O estado e as famílias portuguesas investiram significativamente nas últimas quatro décadas na formação de profissionais de psicologia e, confrontados que estamos com problemas e desafios que as e os requerem e com o avanço da sua ciência, hoje com contributos em diversas áreas da sociedade e do ciclo de vida das pessoas, é tempo de apostarmos nas psicólogas e psicólogos e de lhes darmos mais oportunidades e condições de trabalho, particularmente no SNS.

Mas porquê? Porque, efectivamente, apesar das condições de vida em quase todo o Mundo terem melhorado substancialmente nas últimas décadas, os níveis de incerteza, precariedade, pressão e desigualdade constituem hoje factores de stress particularmente significativos. A eles, juntam-se, também em Portugal, níveis de literacia em saúde psicológica superiores (ainda que baixos), níveis de estigma inferiores (ainda que altos) e, particularmente, um capital social que faz com que as pessoas se mobilizem, bem, e pressionem por respostas para os seus problemas (e para os das pessoas ao seu redor), também de saúde mental, exigindo, bem também, mais possibilidade de autodeterminação, saúde e bem-estar, independentemente da sua condição. Acresce, depois, maior percepção e compreensão, de decisoras e decisores e das lideranças, do papel e contributo da psicologia no desenho de processos, de políticas e de interfaces, no desenvolvimento, consultoria e formação das pessoas e no apoio à mudança (social e individual) e promoção da inclusão, equidade e justiça social.

Mas há muito caminho por percorrer, muitas conversas para ter, muita interdisciplinariedade por co-construir. Este 5º congresso procurá-lo-á. Discutirá temas desafiantes, com psicólogas e psicólogos junto com profissionais de outras áreas e/ou decisoras e decisores, como a morte medicamente assistida, o rendimento básico incondicional, a semana de quatro dias e a necessidade ou não do aumento das penas máximas de prisão ou da legalização da prostituição ou trabalho sexual. Eu participarei em sessões nas áreas da pobreza, COVID-19 e promoção da saúde mental no ensino superior. Outras e outros, noutros desafios societais como a crise climática, a saúde pública, as migrações, a paz, as relações com a tecnologia e a inteligência artificial e promoção de locais de trabalho saudáveis, além dos mais variados contextos de actuação da psicologia e dos desafios da sua prática no presente e para o futuro. Isto num congresso que procura inovar na sustentabilidade (realizado em diversos espaços “caminháveis”, com utilização mínima de recursos substituídos por uma aplicação que garante a informação e interacção entre participantes) e na relação com a comunidade, promovendo visitas a espaços e projectos da cidade e actividades abertas, como o Mente.morfose, festival de cinema (e conversas) associado ao congresso e seus temas.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, como o responsável político que mencionei reconhece(u), o investimento feito naqueles medicamentos apenas pode ser eficaz se complementado com outras intervenções, sistémicas. A psicologia tem hoje um capital de conhecimento e uma força de trabalho capaz de oferecer garantias, às cidadãs e cidadãos e aos governos, de actuação nas consequências dos problemas e acontecimentos de vida significativos das pessoas, mas também, a montante, nas causas (muitas delas sociais) desses problemas. Com responsabilidade, procuraremos, hoje, amanhã e depois, discutir como o podemos fazer melhor, com todas e todos. Com empenho e foco nas pessoas, procuraremos mobilizar a profissão para um presente e futuro que se afigura desafiante, em Portugal e no Mundo.

 

Tempo da Psicologia

in Sábado (Ao redor…); 28.09.2022

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/tempo-da-psicologia

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Congresso Educação Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

5º Congresso da OPP – Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior

Passa amanhã uma semana do fim do 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses com mote “Tempo da Psicologia” e cuja cidade de Aveiro tão bem acolheu. Passa também uma semana de um dos momentos que nele dinamizei/participei (a par dos em torno do desafio societal da pobreza – https://lnkd.in/dPbCYhtC – e de outros sobre os quais ainda escreverei): a empowertalk “Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior”.

Cerca de 6 meses após a apresentação da  1ª edição do Programa FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento / OPP “Saúde Mental no Ensino Superior”) a 11 de Abril (https://lnkd.in/deZNXHwS), ali estava para enquadrar a conversa, num momento subsequente à discussão com seguradoras sobre o acesso a serviços de psicologia e de se terem abordado estudos que indicam a saúde mental (incluindo dimensões de prevenção e promoção), como a área que a população mais jovem mais valoriza hoje num seguro de saúde. Ali estava, também, para enquadrar o trabalho e contributo da OPP e meu neste relevante programa, creio, atendendo aos desafios que se colocam à saúde mental das e dos jovens (incluindo estudantes de Ensino Superior) e que sublinhei a partir dos pontos cardeais: (N)otas (e a pressão colocada) – (O)utras/os (e a “obrigatoriedade de estar bem”) – (E)stabilidade (precariedade, incerteza e as dificuldades associadas a questões sócio-económicas) – (S)uporte (dificuldade e iniquidade de acesso contingente a apoio na área da saúde mental).

Mais de um ano após as (primeiras) conversas e o trabalho conjunto, particularmente com a Liliana Valpaços a quem agradeço o empenho, dedicação e a visão, ali estávamos, também, para apresentar os 3 projectos vencedores (de 32 candidaturas): Universidade da Madeira (Projecto Wellbeing) – Dora Pereira; Instituto Politécnico de Viana do Castelo(RES4ALL+) – Carla Faria; e Instituto Politécnico da Guarda (Desejar-Comunicar-Agir) – Odilia D. Cavaco.

Um momento de celebração e mais um marco do importante investimento da FLAD e da OPP na área da saúde mental e do Ensino Superior que pretendemos continuar e aprofundar, conforme também discutimos. Um momento que, conforme acabei por referir no final da sessão, gostaria que se repetisse no 6º Congresso da OPP em 2024, para apresentação dos projectos vencedores da 3ª Edição do Prémio. Para tal ou para todas e todos discutirmos outro tema, isto caso essa potencial edição do prémio não venha a existir por ter perdido o seu sentido, considerando que as instituições de ensino superior portuguesas assumem a área a promoção da literacia em e da saúde mental como verdadeiramente prioritárias no quadro da sua acção.

Parabéns à FLAD. Parabéns às IESP vencedoras. Obrigado Liliana.

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O desafio societal da pobreza no 5º Congresso da OPP

Terminou na 6ªF o 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses. Com o mote “Tempo da Psicologia”, cerca de 1500 pessoas, parte significativa psicólogas e psicólogos, encontraram-se em Aveiro para discutirem, reflectirem e pensarem conjuntamente o país e o Mundo, nos seus desafios e complexidades, e os contributos da ciência e prática da psicologia para as pessoas e sociedade. Eu fui mais uma dessas pessoas.

Entre outros contributos (que aqui discutirei noutro momento), participei/dinamizei três iniciativas dedicadas ao complexo desafio societal da pobreza e, de certa forma, associadas ao projecto https://finalapobreza.pt: uma conversa com a @Maria João Marques que cruzou Economia e Psicologia – “Pobreza: um círculo vicioso ou viciado?”; a apresentação/moderação do keynote do @Eldar Shafir – “A pobreza e a escassez mental”; a sessão prática de recolha de contributos para a estratégia “.Final à Pobreza”.

Além do significativo de podermos num congresso da OPP aprofundar o tema, a presença no Congresso do @Eldar Shafir resultou em importantes peças na comunicação social que permitiram que o tema pobreza, normalmente pouco saliente por pouco glamoroso (como a @Maria João Marques bem definiu), fosse abordado e notícia: “Há algo cómico quando nos preocupamos com o bife que um pobre come” (@PÚBLICO) ou “A mentalidade da escassez ou como um bom cockpit faz um bom piloto” (@CNN Portugal).

Destes três momentos, e das conversas sucessivas, guardo cinco reflexões: a) A ciência, só por si, não é suficiente pois, a cada vez mais clara percepção das causas e das consequências da pobreza, não tem sido suficiente na mudança de percepção da sociedade sobre o fenómeno e na definição de políticas (públicas); b) À (promoção da) mudança individual pelas psicólogas e psicólogos é fundamental associar-se a (promoção da) mudança societal; c) É fulcral reforçarmos o contributo da psicologia na dimensão macro do fenómeno da pobreza e, não apenas, nos impactos da mesma no micro observado nas diversas áreas de intervenção da psicologia; d) Outras áreas científicas reconhecem cada vez mais e melhor o contributo da psicologia e, pessoas e sociedade, “exigem-lhe” um contributo maior; e) Além de justo, é possível solucionar este complexo desafio. É possível uma sociedade sem (ou com níveis residuais de) pessoas em situação de pobreza, investindo na mudança societal e na promoção da saúde mental de pessoas e comunidades.

Cinco reflexões a que junto entusiasmo e a determinação de me associar a tantas outras pessoas no contributo (singelo) para um ponto final à pobreza e o orgulho de ver tantas e tantos colegas a identificarem-se e comprometerem-se enquanto cidadãs e cidadãos e psicólogas e psicólogos. Obrigado, mobilizemo-nos.

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Tempo da Psicologia

Estamos a minutos do início do 5º Congresso da @Ordem dos Psicólogos Portugueses. “Quatro anos após o 4º Congresso e com uma pandemia por COVID-19, uma Guerra no continente europeu e uma nova crise socioeconómica no horizonte.” Os mesmos quatro anos que passaram entre as eleições de 2018 e de Domingo em Itália e entre os 4% e os 26% do partido de direita nacionalista “Irmãos de Itália” (…) que confirmam o caminho de progressiva implementação e “normalização” de ideias e ideais anti-imigração, do questionamento de direitos humanos, da ciência e das instituições e do crescimento do autoritarismo, com consequente diminuição da liberdade e das garantias Mundo fora. Quatro anos que confirmam a velocidade e volatilidade deste tempo, a complexidade e globalidade dos desafios, a enorme incerteza que vive(re)mos.”

“Tempo da Psicologia”, 42º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) trata o mote do congresso, enquadrando-o no tempo que vivemos. “Mas porquê?”, pergunto no texto. “Porque, efectivamente, apesar das condições de vida em quase todo o Mundo terem melhorado substancialmente nas últimas décadas, os níveis de incerteza, precariedade, pressão e desigualdade constituem hoje factores de stress particularmente significativos. A eles, juntam-se, também em Portugal, níveis de literacia em saúde psicológica superiores (ainda que baixos), níveis de estigma inferiores (ainda que altos) e, particularmente, um capital social que faz com que as pessoas se mobilizem, bem, e pressionem por respostas para os seus problemas (e para os das pessoas ao seu redor), também de saúde mental, exigindo, bem também, mais possibilidade de autodeterminação, saúde e bem-estar, independentemente da sua condição. Acresce, depois, maior percepção e compreensão, de decisoras e decisores e das lideranças, do papel e contributo da psicologia no desenho de processos, de políticas e de interfaces, no desenvolvimento, consultoria e formação das pessoas e no apoio à mudança (social e individual) e promoção da inclusão, equidade e justiça social.”

“Mas há muito caminho por percorrer, muitas conversas para ter, muita interdisciplinariedade por co-construir.” No congresso procurá-lo-emos, discutindo temas desafiantes e inovando na sua sustenatabilidade e na relação com a comunidade local, incluindo visitas a projectos e actividades a si abertas, como o festival de cinema Mente.morfose.

É que, “na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor (…) a psicologia tem hoje um capital de conhecimento e uma força de trabalho capaz de oferecer garantias, às cidadãs e cidadãos e aos governos, de actuação nas consequências dos problemas e acontecimentos de vida significativos das pessoas, mas também, a montante, nas causas (muitas delas sociais) desses problemas. Com responsabilidade, procuraremos, hoje, amanhã e depois, discutir como o podemos fazer melhor, com todas e todos. Com empenho e foco nas pessoas, procuraremos mobilizar a profissão para um presente e futuro que se afigura desafiante, em Portugal e no Mundo.”

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Comportamento Congresso Democracia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Da capilaridade e interdisciplinariedade…

Foi também em Junho (1712) que Rousseau nasceu. Considerado um dos grandes influenciadores da Revolução Francesa e dos seus valores (Igualdade, Liberdade e Fraternidade), o seu mais importante livro (“Do contrato social”) defende que a liberdade, bem-estar e a segurança dos seres humanos depende e é preservada pelo contrato social. Além de sustentar ideias próximas da justiça social e direitos humanos, Rosseau introduziu o conceito de “interesse público”. Deixou-nos um intenso legado quando desapareceu, também, a 2 de Julho (1778).

Foi em Junho (mas de 2022, 310 anos após o seu nascimento) que uma menina perdeu trágica e precocemente a possibilidade de viver e se cumprir. Mês em que a CMTV superou “o recorde de audiências”, conforme assinala a capa do “Correio da Manhã” de 2 de Julho (mas de 2022, 244 depois da morte de Rosseau) e após 10 dias em Junho com uma cobertura inenarrável e deontologicamente questionável desse desaparecimento, com consequências nas pessoas, comunidade e instituições.

Ao contrário do interesse do público, o “interesse público de Rosseau”, resulta da vontade geral das pessoas e, grosso modo, do contrato social. Advogo que o contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos na possibilidade de autodeterminação, de saúde e bem-estar das pessoas se faz com intervenções e apoios directos (às pessoas) mas, complementarmente, com maior capilaridade da psicologia. Capilaridade e interdisciplinariedade, contribuindo para uma sociedade mais sensitiva e responsiva à compreensão do comportamento das pessoas e grupos e dos impactos na saúde (e saúde mental) e bem-estar, presentes e futuros, de determinadas experiências/acontecimentos.

Isso faz-se, a meu ver, com participação cidadã e profissional de psicólogas/os no “contrato social”, como é exemplo o contributo da Ordem dos Psicólogos Portugueses na “Diretiva para a cobertura informativa televisiva de guerras e conflitos armados” que afirma que “na exibição de declarações de pessoas em manifesta situação de vulnerabilidade física, emocional ou psicológica, deve assegurar-se o seu obrigatório consentimento, preservar a sua identidade e garantir a sua segurança.”

Faz-se, a meu ver, com psicólogas e psicólogos a dinamizarem e se envolverem em conversas com outras disciplinas e em torno dos contributos da psicologia em áreas e desafios diversos, conforme objectivo do nosso 5º Congresso onde se discutirá, por exemplo, o “Jornalismo e desafios societais”. Este e dezenas de outros temas em sessões, incluindo práticas, visitas, debates, entrevistas, cinema… Oportunidades para “sair do dia-a-dia” e apoiar a nossa reflexão enquanto psicólogas/os “contribuidores” para a mudança social.

No congresso ou não, permitamo-nos ir além do nosso dia-a-dia para irmos além do muito que já contribuímos. As pessoas esperam-no. Os desafios societais exigem-no.

 

 

 

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A psicologia e a crise climática…

Jacob Rees-Mogg foi indigitado Ministro da Economia, com a área da Energia, do novo governo do Reino Unido. Como sabem, confio muito na possibilidade de mudança e de reparação (mal seria). Em todo o caso, não deixa de ser inquietante que, alguém que há pouco atribuia ao “alarmismo climático” os “preços elevados da energia” e considerava “irrealistas as projecções científicas das mudanças futuras relativas ao clima” porque as/os “meteorologistas têm dificuldade em prever correctamente o tempo”, assumir esta responsabilidade no UK. A isto acresce, ainda, considerar uma “oportunidade interessante” a possibilidade de se voltar a usar o “fracking” para exploração de gás, com todas as suas consequências factuais – na saúde e ambiente – e potenciais.

Além de inquietante tem duas consequências possíveis que devemos ter presentes e procurar mitigar: a) Sabemos hoje, também pela ciência, que a informação e a comunicação sobre as causas humanas do aquecimento global aumentam o envolvimento das pessoas com as questões associadas à crise climática e que este envolvimento, sendo fundamental à mudança necessária (de atitudes, comportamentos e políticas) é, naturalmente, condicionado por lideranças que questionam e procuram fragilizar, explicita ou implicitamente e com motivações distintas, o amplo consenso científico hoje existente e a confiança na ciência produzida nesta área; b) Facilmente constatamos que estes efeitos não se restringem a um país, impactando outros, bem como quão fundamental é uma resposta concertada a nível global para enfrentar desafios societais complexos, como a crise climática.

Em a) e b) temos (Ordem dos Psicólogos Portugueses) e tenho investido, procurando espaço e oportunidade para o meu, naturalmente singelo, contributo. Fi-lo, recentemente, associando-me à II Semana de Psicologia, conjunto de iniciativas promovido pela Associação de Psicólogos Brasileiros em Portugal (que saúdo), exactamente numa conversa com a Patrícia Egerland (sua Vice-Presidente) que partilho. Conversa que focou contributos da psicologia na crise climática que vivemos, com impactos significativos no Brasil e em Portugal. Conversa que abordou, também, a dignidade e direitos humanos, a colaboração nesta área ou a necessidade de cooperarmos e de fortalecermos e agilizarmos a resposta da nossa ciência e das psicólogas e psicólogos aos desafios das pessoas, comunidades e sociedade.

Ao contrário do que o “honorável cavalheiro do século XVIII” (como Rees-Mogg por vezes é apresentado) também disse – que enquanto humanidade “não deveríamos lutar pela mitigação das alterações climáticas, antes adaptarmo-nos a elas” – creio existir caminho a percorrer na prevenção e mitigação de desafios societais complexos (também, mas não apenas, na crise climática) e que existem contributos fundamentais da psicologia enquanto ciência e prática para tal, além dos para a necessária adaptação e reparação relativa às suas múltiplas consequências na saúde e bem-estar das pessoas.