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O Psicólogo Responde – Existe uma relação entre ter baixos recursos financeiros e a saúde mental? (CNN Portugal; 05.03.2023)

Existe uma relação entre ter baixos recursos financeiros

e a saúde mental?

Sim, existe e devemos ser totalmente claros na resposta a esta importante pergunta. Viver em situação de pobreza e de exclusão, tantas vezes a ela associada, é um dos principais determinantes de doença, incluindo doenças mentais. Nesse sentido, a vulnerabilidade económica provoca stresse e sofrimento psicológico e afecta a saúde mental e o bem-estar.

Esta associação, que intuímos nas nossas relações e no nosso dia-a-dia, está hoje amplamente documentada por investigação que, inclusivamente, estuda impactos ao longo da vida e não apenas no presente. É por isso possível afirmar que o bem-estar financeiro, ou seja, a percepção de que temos condições materiais para satisfazer as principais necessidades e cumprir as principais aspirações, é um importantíssimo indicador de bem-estar. Já a sua ausência associa-se a problemas de saúde mental como a ansiedade, a depressão, o stresse, o uso abusivo de substâncias, problemas de sono e alimentares ou o isolamento.

Ter baixos recursos financeiros está também ligado a níveis menores de literacia em saúde mental. Resulta, também, em maior dificuldade em ter tempos de descanso, actividade física ou de lazer e, portanto, em menos oportunidades de autocuidado. Quem vive com dificuldades económicas tende a ter maior impulsividade, mais dificuldade em planear o futuro e a cometer mais erros, porque da escassez de recursos resulta um efeito túnel (concentração quase exclusiva numa necessidade premente que pode ser, por exemplo, o pagamento de uma conta, de uma dívida ou de uma renda) e, logo, menor disponibilidade emocional e cognitiva para a tomada de decisões e para a gestão do dia-a-dia.

Não se podendo dizer que viver em situação de vulnerabilidade económica resulta automaticamente no desenvolvimento de doença mental, importa ter presente que esta condição é um factor de risco. Como é, até, um dos factores de risco de suicídio.

Importa, porém, sublinhar que esta relação não é unidireccional, antes bidireccional. Ou seja, conforme a vulnerabilidade económica pode potenciar problemas de saúde mental, também problemas de saúde mental, como o stresse, a ansiedade ou a depressão, podem conduzir a uma maior probabilidade de se viverem situações de precariedade, desemprego ou pobreza. Nesse sentido, devemos ter presente a existência de uma relação cíclica entre estas duas dimensões de vida das pessoas. Quando uma piora a probabilidade da outra piorar aumenta.

Imaginemos uma corrida com outra pessoa e com diferentes séries em que se chegarmos em primeiro, partimos 100 metros mais à frente e se chegarmos em segundo 100 metros mais atrás. Imaginemos ainda alguém que parte atrás e perde a primeira série. Na série seguinte parte ainda mais atrás e a probabilidade de perder aumenta, aumentando também a possibilidade de na série a seguir partir ainda mais atrás e de voltar a perder. É um pouco assim com este ciclo dado que é ainda mais difícil a quem vive com vulnerabilidades económicas recuperar de um problema de saúde mental e a quem vive com problemas de saúde mental sair de uma situação de vulnerabilidade económica.

É por tudo isto que investir na promoção da saúde e da saúde mental também é garantir um mais eficaz combate à pobreza e à exclusão.

Sugestões:

Se vive em situação de pobreza ou de exclusão recuse, activamente, sentir-se (ou que o façam sentir) culpado por essa circunstância. A pobreza não resulta, na grande maioria das situações, de erros ou falhas pessoais, mas de circunstâncias sociais que a determinam.

Partilhe as suas preocupações e sentimentos. Partilhar as nossas preocupações com alguém em quem confiemos, incluindo as financeiras, pode fazer-nos sentir menos sós, mais apoiados e, até, ajudar-nos a encontrar novas estratégias e formas de resolução de problemas ou a lidar melhor com as nossas preocupações e sentimentos.

A pobreza, colocando em perigo maioritariamente a saúde e bem-estar das pessoas que a vivem, afecta todas pessoas, venham ou não a viver nessa condição, pelo que o seu combate deve ser abraçado por todas as pessoas.

Se estiver numa situação em que sente que necessita de apoio psicológico solicite-o junto do centro de saúde ou da unidade de saúde mais próxima de si. Pode, também, em situação de crise, contactar o serviço de aconselhamento psicológica do SNS24 (808 24 24 24) a qualquer hora e em qualquer dia da semana (chamada gratuita) e em situação de emergência o INEM (112).

 

Tiago Pereira

O Psicólogo Responde – Existe uma relação entre ter baixos recursos financeiros e a saúde mental?

CNN Portugal; 05.03.2023

https://cnnportugal.iol.pt/dossier/o-psicologo-responde-existe-uma-relacao-entre-ter-baixos-recursos-financeiros-e-a-saude-mental/64009f010cf2cf9224fb8645

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Comportamento Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia Tomada de Decisão

o medo persistente de que o declínio seja inevitável…

Temos de nos mobilizar contra o “medo persistente de que o declínio seja inevitável e da próxima geração ter que diminuir as suas aspirações”. Assim o disse Obama, no seu discurso de tomada de posse para o seu primeiro mandato, em Janeiro de 2009.

Era, apesar de tudo, um Mundo diferente do de hoje. Mas este receio pairava nos EUA. Pairava numa parte significativa do Mundo. Receio que, ao invés de haver diminuído, provavelmente se agudizou com os desafios que se colocaram aos países e ao Mundo no período que dista daquele discurso a hoje, mais particularmente nesta terceira década deste nosso século XXI.

Por cá estávamos entre a publicação da Lei que criara a Ordem dos Psicólogos Portugueses em 4 de Setembro de 2008 e a nomeação da sua comissão instaladora que aconteceria, apenas, em Abril de 2009. Com ela, e com o contributo de tantas e tantos psicólogos, houve também a afirmação (e um reconhecimento e valorização) da psicologia, enquanto ciência e prática fundamental no apoio às pessoas, particularmente em situações de maior vulnerabilidade e/ou sofrimento e enquanto ciência e conhecimento fundamental ao desenho de políticas (públicas) e ao contributo para transformações sociais fundamentais à possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação. Fundamentais à equidade e coesão social.

Este relevante caminho, e a perspectiva de que se possa continuar e aprofundar, motiva-me e, mesmo perante desafios significativos na sociedade, anima-me no presente e para o futuro. Como me anima o compromisso da EFPSA (European Federation of Psychology Students’​ Associations) com este propósito, expresso, por exemplo, em duas iniciativas para as quais dei um singelo contributo há meses e há dias:

a) A “Call to Action – Students Building Community Psychology”, que advoga por mais sensibilização e formação das e dos estudantes de psicologia na Europa na área da Psicologia Social e Comunitária e para contributos da psicologia nos principais desafios societais | http://efpsa.org/wp-content/uploads/2022/08/Call_to_Action_Paper_EFPSA.pdf

b) O seu 37º Congresso cujo tema “Information is transformation: Unravelling Psychology’s role in policy-making” [Informação é transformação: Desvendando o papel da psicologia no desenho de políticas (públicas)], onde os contributos da psicologia na área da pobreza e da exclusão foram discutidos e onde tive oportunidade de voltar a estar e discutir com o inspirador Eldar Shafir.

Temos de nos mobilizar contra o “medo persistente de que o declínio seja inevitável… Disse-o Obama, há 14 anos. Dizemo-lo hoje, juntos.

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Ao redor... (Revista Sábado) COVID-19 Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia Tomada de Decisão

COVID-19, 20, 21, 22, 23, … (Ao redor…; 20.03.2023)

Acordamos um dia para, tão somente, mais um dia como tantos outros na nossa vida. Mas eis que algo significativo nele sucede e o terminamos a sentir que o Mundo desabou. Sei que sabem do que escrevo. Já o sentimos, certamente. É que, ao contrário das transformações positivas na nossa vida, normalmente incrementais, morosas e sem “uma data”, há mudanças e/ou perdas bruscas que decorrem de um acontecimento muitas vezes imprevisto, datado. Com dia, hora e até local.

E, se assim é com cada uma e um de nós, assim é com o Mundo e com o que dele nos chega, particularmente via comunicação social e redes sociais. Como a prosperidade e as melhorias não têm, normalmente, data e não se compadecem com a actualidade do dia-a-dia, chega-nos, desequilibradamente, mais informação sobre acontecimentos negativos súbitos que processamos e integramos, também, através de mecanismos de generalização e considerando e focando mais a nossa atenção em factos ou aspectos negativos face a positivos, algo que configura o apelidado “viés da negatividade”.

Tudo isto ajuda a explicar porque nos é tão simples de evocar ou ter presente datas de acontecimentos negativos significativos. Como recordamos onde estávamos, por vezes até o que estávamos a fazer, quando soubemos dos atentados nos Estados Unidos da América em 11 de Setembro de 2001 ou dos incêndios de 15 de Outubro de 2017 em Portugal. Como recordamos as datas relativas aos primeiros casos confirmados, à primeira morte ou ao primeiro dever de recolhimento obrigatório em Portugal em virtude da COVID-19 em 2020.

Passaram três anos e recordo cada um destes momentos, colectivos, e um outro, muito próximo. Sexta-feira, 13 de Março de 2020, dia da criação do gabinete de crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses e dia em que fui nomeado seu coordenador. Sabia e sabíamos, por essa altura, que algo significativo aí viria, mas era-me e era-nos, creio, impossível nesse momento perspectivar claramente os múltiplos impactos que a pandemia teria no Mundo, em Portugal e em cada uma e um de nós. Nessa altura e, em bom rigor, talvez ainda hoje na sua totalidade.

Nos três anos que decorreram entre esse dia e a passada segunda-feira 13 de Março, dia em que terminou a estrutura do gabinete de crise e em que, formalmente, deixei as funções de seu coordenador, muito mudou. No Mundo, onde se interrompeu a descida progressiva da percentagem de pessoas com fome e em pobreza extrema. Em Portugal, onde assistimos a uma diminuição da esperança média de vida à nascença, algo que já não sucedia desde 1996, e onde a COVID-19 irrompeu como responsável por entre 5 e 10% das mortes totais nos anos de 2020, 2021 (o pior, com 9,6%) e 2022, num total de mais de mais de 26.000 mortes a que se junta um número indeterminado, mas muito significativo, de complicações sucessivas e/ou doenças agravadas na população. Onde, também por isto, pela crise socioeconómica decorrente da pandemia e pelas fortes restrições e alterações aos padrões de vida, aumentou consideravelmente o sofrimento psicológico e, em alguns casos e particularmente junto de grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade, aumentou a prevalência de dificuldades de saúde mental ou mesmo de doença mental, particularmente associadas ao stresse, à ansiedade e à depressão. Onde, ainda e por muito relevante, muitas crianças e jovens, também particularmente em situação de maior vulnerabilidade, viram impactados e prejudicados os seus percursos escolares e educativos em virtude do encerramento das Escolas e de outras actividades, com perdas significativas e de exigente (para alguns, impossível) recuperação. Perdas que agravam a já de si grave crise na área da saúde mental da população mais jovem, não apenas resultante da pandemia, manifesta, por exemplo, nos dados que demonstram o aumento do mal-estar (físico e psicológico), da insatisfação com a vida e dos comportamentos auto lesivos.

Finalmente, a pandemia impactou significativamente o bem-estar de forma geral. Hoje mesmo, Dia Internacional da Felicidade, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas publicou o relatório da felicidade mundial (2020-2022) onde Portugal mantém o 56º lugar, 22 lugares abaixo do 34º de 2019, numa análise que engloba as dimensões do rendimento disponível, do apoio social, da esperança de vida com saúde, da liberdade, generosidade e da percepção da corrupção, todas directa ou indirectamente influenciadas pela pandemia.

Pandemia que, mais que transformar, acelerou mudanças “sem data” e enfatizou iniquidades e vulnerabilidades. Mudanças na forma de comunicar, de aprender ou de trabalhar. Mudanças na ciência e na utilização do seu conhecimento, por exemplo na produção de vacinas. Mudanças no reconhecimento da importância da literacia em saúde e em ciência ou da prevenção do obscurantismo e da desinformação. No reconhecimento, ainda, da importância da confiança nos sistemas e em decisores e mediadores, incluindo jornalistas e profissionais de saúde. Enfatizou que “não estamos todas e todos no mesmo barco”, tal qual trouxe mais certeza da incerteza, das vulnerabilidades das pessoas e sistemas e de futuras crises de saúde pública.

Pandemia que, também mais que transformar, tornou mais consciente a importância da saúde mental, particularmente da população mais jovem, e da resiliência de pessoas e comunidades. Reforçou a necessidade de mitigar a precariedade, a pobreza e a exclusão social, promovendo a coesão social e factores protecores. A necessidade de reforçar a equidade, a proximidade e a contingência do apoio na área da saúde mental e de priorizar a possibilidade e a oportunidade de bem-estar para todas as pessoas.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a pandemia juntou, por via das funções que assumi, o enorme desafio pessoal de adaptação à realidade que impôs ao meu maior desafio profissional. Trouxe-me desafio, mas envolvimento, comprometimento e propósito ao que foi o meu contributo, pequeníssima parte do contributo maior (será ainda maior em futuras crises) da ciência psicológica e, particularmente, das psicólogas e psicólogos junto de pessoas, organizações e no apoio à tomada de decisão. “…viu-o lá fora, na viela, por trás da cerca alta. Um homem possante, um gigante escondido por trás da cerca de um metro e oitenta, a pá despontando de tempo a tempos, devolvendo a neve ao céu”, excerto do “A primavera há-de chegar, Bandini”. Primavera que chega hoje. Oportunidade para “devolvermos a neve ao céu” e de nos mobilizarmos para que a “Primavera” chegue a e para todas as pessoas.

Tiago Pereira

COVID-19, 20, 21, 22, 23, …

in Sábado (Ao redor…); 20.03.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/covid-19-20-21-22-23-

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Ao redor... (Revista Sábado) COVID-19 Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

COVID-19, 20, 21, 22, 23, …

“Acordamos um dia para, tão somente, mais um dia como tantos outros na nossa vida. Mas eis que algo significativo nele sucede e o terminamos a sentir que o Mundo desabou. Sei que sabem do que escrevo. Já o sentimos, certamente (…) Passaram três anos e recordo (…) [a] Sexta-feira, 13 de Março de 2020, dia da criação do gabinete de crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses e dia em que fui nomeado seu coordenador. Sabia e sabíamos, por essa altura, que algo significativo aí viria, mas era-me e era-nos, creio, impossível nesse momento perspectivar claramente os múltiplos impactos que a pandemia teria no Mundo, em Portugal e em cada uma e um de nós.”

“COVID-19, 20, 21, 22, 23, …”, 54º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) reflecte sobre como a pandemia, “mais que transformar, acelerou mudanças “sem data” e enfatizou iniquidades e vulnerabilidades” e sobre o meu papel, e o de tantas e tantos outros psicólogos, ao longo da mesma.

Sobre como trouxe “mudanças na forma de comunicar, de aprender ou de trabalhar. Mudanças na ciência e na utilização do seu conhecimento, por exemplo na produção de vacinas. Mudanças no reconhecimento da importância da literacia em saúde e em ciência ou da prevenção do obscurantismo e da desinformação. No reconhecimento, ainda, da importância da confiança nos sistemas e em decisores e mediadores, incluindo jornalistas e profissionais de saúde.” Sobre como enfatizou que “não estamos todas e todos no mesmo barco”, tal qual trouxe mais certeza da incerteza, das vulnerabilidades das pessoas e sistemas e de futuras crises de saúde pública.”

Sobre como tornou “mais consciente a importância da saúde mental, particularmente da população mais jovem, e da resiliência de pessoas e comunidades. Reforçou a necessidade de mitigar a precariedade, a pobreza e a exclusão social, promovendo a coesão social e factores protecores. A necessidade de reforçar a equidade, a proximidade e a contingência do apoio na área da saúde mental e de priorizar a possibilidade e a oportunidade de bem-estar para todas as pessoas.”

“Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a pandemia juntou, por via das funções que assumi, o enorme desafio pessoal de adaptação à realidade que impôs ao meu maior desafio profissional. Trouxe-me desafio, mas envolvimento, comprometimento e propósito ao que foi o meu contributo, pequeníssima parte do contributo maior (será ainda maior em futuras crises) da ciência psicológica e, particularmente, das psicólogas e psicólogos junto de pessoas, organizações e no apoio à tomada de decisão (…) Primavera que chega hoje. Oportunidade para “devolvermos a neve ao céu” e de nos mobilizarmos para que a “Primavera” chegue a e para todas as pessoas.

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isto não é um cachimbo.

Na cultura existem objectos (livros, filmes, músicas ou quadros) que são mais conhecidos pelo objecto em si ou alguma das suas personagens/características do que pelo seu nome. Um exemplo, se falarmos do quadro “A traição das imagens” imagino que poucas pessoas pensem na imagem que evocam quando nos referimos ao quadro do “cachimbo”, embora este seja o seu nome. Pintado por René Magritte em 1929, permanece como um dos melhores exemplos do surrealismo ao “provocar” quem observa o quadro, desafiando a descrição do que é observado através da célebre frase “isto não é um cachimbo” abaixo da pintura de um cachimbo.

Penso-o a propósito da importância da literacia… Nas artes, certamente. Na ciência. Na área financeira. Na saúde e, mais especificamente, na saúde mental. Penso-o a propósito da colaboração da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Médis, também concomitante ao lançamento da sua nova cobertura compreensiva na área da saúde mental, e do meu contributo para se conhecer e reconhecer o burnout.

Síndrome hoje mais presente na sociedade, também pela maior consciência acerca do fenómeno e da pressão resultante das crises e da incerteza, das transformações no mercado de trabalho e dos desafios de conciliação da vida pessoal com a vida profissional.

No vídeo procuro afirmar como o burnout implica a triangulação da exaustação emocional resultante da dificuldade de gerir o stresse profissional com um menor envolvimento e propósito com e no trabalho e, finalmente, com um sentimento de perda de eficácia enquanto trabalhador/a. Poderá, esta tríade, estar ainda associada a outra sintomatologia (física e psicológica) e a dificuldades na gestão da vida pessoal e familiar mas apenas se cumpre nesta tríade, sem a qual teremos um quadro onde “isto não é burnout”.

Ainda no vídeo abordo questões da prevenção e do tratamento, sublinhando que além da dimensão individual relativa ao sofrimento psicológico, à gestão de emoções, à autorregulação e ao autocuidado é fulcral a dimensão organizacional. Porque, se as lideranças não estiverem atentas a este fenómeno e à promoção da saúde e do bem-estar das pessoas/equipas, dificilmente se mitigam e previnem estas situações.

Era, é e será fundamental que as organizações possam considerar e integrar nas suas práticas e dinâmicas os principiais determinantes do bem-estar no trabalho. Considerá-los de acordo com a evidência científica, avaliá-los e geri-los com as práticas que a ciência prova que, efectivamente, resultam.

Pela saúde e bem-estar das pessoas. Pela sustentabilidade e prosperidade das organizações e do país.

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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

Generalização, disponibilidade e desconfiança – Alterações ao regime jurídico das Ordens Profissionais (Ao redor…; 06.03.2023)

Generalização. “Não há atribuições colectivas de culpa em Portugal, Senhor Deputado”. Foi com estas palavras que o Presidente da Assembleia da República interrompeu o discurso inarrável de um Sr. Deputado em torno de um conjunto de generalizações, naquele caso, relativas à comunidade cigana em Portugal. A generalização induz que experiências ou conhecimentos focados ou limitados sobre um determinado tema sejam processadas como se referindo ao total das situações, algo que influencia a tomada de decisão, conduzindo a erros e ao reforço de estereótipos e preconceitos.

Disponibilidade. A heurística da disponibilidade é um processo cognitivo que explica porque percebemos como mais provável um determinado acontecimento se tivermos presente um evento semelhante próximo. Porque também, tantas vezes, assistimos a debates profundamente autorreferenciados em que boas ou menos boas experiências de alguém sobre um determinado acontecimento induzem a sua visão sobre essa temática e tendem a diminuir a probabilidade da pessoa procurar outros dados, informações, referências ou ângulos sobre o assunto.

Desconfiança. A confiança é um valor fundamental numa sociedade e é hoje abundante a investigação que demonstra que níveis mais elevados de confiança (nas instituições e nas e pessoas) têm um peso importante na percepção de bem-estar das populações. Noutro prisma, a desconfiança está associada aos conflitos sociais, à diminuição da participação social e pública das pessoas e à falta de coesão social.

A generalização, a heurística da disponibilidade (de informação) e a desconfiança são, no actual contexto, presença permanente no comentário e debate público em Portugal e, muitas vezes, princípios-chave na reflexão sobre a criação, revisão ou regulamentação (operacionalização) de Leis. O peso que um “caso” tem na percepção de que tudo é igual, que “algo que nos aconteceu” ou que “conhecemos” tem na nossa percepção de uma situação/problema e que a desconfiança impõe, prejudicam gravemente o debate público e a construção de soluções legislativas mais simples, ágeis, responsivas e personalizadas.

Temo-lo assistido em diversas situações. Voltamos a assistir no debate em torno da proposta de alteração ao Regime Jurídico das Associações Públicas Profissionais. Muitas e muitos dos que critica(ra)m o Sr. Deputado (e bem!) pela permanente generalização e atribuição de culpas colectivas debatem as Ordens Profissionais em Portugal usando da generalização e tratando 20 Ordens muito diferentes como se tudo e todas fossem iguais. Como se Ordens com inscrição obrigatória para a prática profissional fossem semelhantes a outras sem essa obrigatoriedade. Como se Ordens com várias dezenas de milhares membros ou com várias décadas fossem iguais a outras com poucos milhares de membros ou anos de existência. Ou como se todas as Ordens tivessem estágios profissionais não remunerados, de longos anos ou não tivessem já no seu estatuto definidos processos de reconhecimento de habilitações académicas e profissionais obtidas no estrangeiro. Como se um “caso” fosse a realidade, “caso” esse público ou, por vezes, resultante de uma experiência autorreferenciada, particularmente quando para ilustrar e confirmar uma ideia, a “sua ideia”, sobre um assunto. A isto acresce ainda o princípio da desconfiança e a ideia de que as Ordens, todas as Ordens, prosseguem agendas “corporativas” não compatíveis com o “interesse público”.

Estes princípios limitam o debate público e limitaram-nos neste processo em específico. Uma revisão de Lei que pretendia a modernização do regime jurídico das Associações Públicas Profissionais, partindo de outros princípios, que apontassem mais às especificidades das diversas Ordens, que atendessem menos à “percepção” e mais à “realidade e a factos” e que se baseassem no valor da confiança, permitiriam construir mais participadas e equilibradas respostas, logo soluções melhores que beneficiariam a sociedade e o interesse público.

Permitiriam, certamente, que se reflectisse mais profundamente a mais-valia das comissões responsáveis pela avaliação dos estágios profissionais serem constituídas, também, por elementos externos à profissão, sem experiência profissional, portanto, quando estas comissões servem o exacto propósito de avaliação do desenvolvimento de competências profissionais. Ou do órgão de supervisão, agora proposto, ser constituído por “40% de membros oriundos dos estabelecimentos de ensino superior que habilitem academicamente o acesso à profissão organizada em associação pública profissional, não inscritos na associação profissional”. Daqui decorre que, nos casos como na psicologia em que as e os docentes das Universidades são na sua grande maioria profissionais da área, o leque de recrutamento destes membros será diminuto e discriminará quem, na sua actividade académica, realiza acções de prática de extensão à comunidade, realiza investigação-acção, lecciona unidades curriculares que incorporem actos psicológicos (como a avaliação psicológica) ou, simplesmente, realize prática enquanto psicóloga/o, estando por isso inscrita/o na Ordem dos Psicólogos Portugueses. Ou, noutro prisma, que tal como sucede com a/o Provedor/a agora proposto, cuja remuneração do cargo está prevista no regime jurídico, se previsse a remuneração ou, no mínimo, um regime de faltas justificadas para o órgão jurisdicional da Associação Pública Profissional. Considerando a especial complexidade da actividade e a necessidade de ser reforçada no quadro da melhoria dos processos de auto-regulação das profissões seria algo fulcral, a par da introdução de mecanismos de mediação ética para algumas situações, da manutenção do escrutínio e eleição directa e do aumento do número de membros, pontos infelizmente não plasmados no novo regime jurídico, embora propostos, algo que parece incoerente com os objectivos propagados das alterações propostas, nomeadamente no que se refere ao aumento do escrutínio e melhoria da auto-regulação das profissões.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, tal qual era e será a primeira atribuição de qualquer Associação Pública Profissional “a defesa dos interesses gerais dos destinatários dos serviços”, importa que possamos caminhar para um debate público e para processos de co-construção de Leis que se baseiem menos na generalização, nas heurísticas de disponibilidade e autorreferenciação e na desconfiança. Ao contrário, é a identificação de particularidades, os dados de qualidade e escrutínio e a confiança mútua que abre espaço ao diálogo e à cooperação, que promove solidariedade e o respeito pelas especificidades e que estimula o envolvimento cívico e político. É a confiança mútua que permite a construção de mais eficazes soluções para os mais complexos problemas.

 

Tiago Pereira

Generalização, disponibilidade e desconfiança – Alterações ao regime jurídico das Ordens Profissionais

in Sábado (Ao redor…); 06.03.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/generalizacao-disponibilidade-e-desconfianca—alteracoes-ao-regime-juridico-das-ordens-profissionais

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A habitação… A habitação…

 

“É um princípio. É uma sensatez. É uma saúde.” Assim termina um texto de Miguel Esteves Cardoso sobre o debate público em curso em torno da habitação. Assim começou, também, a minha primeira intervenção na iniciativa “Os problemas da Habitação e do Arrendamento”, promovida pela Associação dos Inquilinos Lisboneses, onde debati, sob moderação da jornalista Filomena Lança, com o Francisco Louçã, o Gonçalo Antunes e a Sónia Alves.

Um princípio, considerando que a habitação (e o acesso à habitação) é hoje uma preocupação central e transversal da sociedade portuguesa, dizendo respeito a todas as pessoas e famílias, e não apenas a uma determinada faixa etária ou àquelas com rendimentos mais baixos.

Uma sensatez, considerando que as pessoas passam até 90% do seu dia em média em ambientes construídos (a maioria desse tempo em casa) e os riscos para a saúde (e saúde mental) e bem-estar associados aos lugares onde se vive.

Uma saúde, considerando a importância da previsibilidade, do controlo e da segurança para a saúde mental e bem-estar e a forma como as carências habitacionais, desde logo, e a instabilidade/precariedade habitacional impactam a saúde física e mental (particularmente questões associadas ao stresse, ansiedade e depressão), bem como penalizam processos de transição e adaptação em situações de adversidade ou aquando de acontecimentos de vida significativos.

Tal como havia referido em conversa com a @Helena Lins para uma recente reportagem da CNN Portugal, também neste debate procurei afirmar como o desafio da habitação se relaciona com outros desafios do país, nomeadamente a crise demográfica, a precariedade, pobreza e exclusão, as migrações ou, até, os significativos problemas de saúde pública associados ao isolamento/solidão e aos problemas de saúde mental. Tal qual procurei reflectir sobre como investir em habitação é, de certa forma, investir e melhorar a sustentabilidade de diversos serviços/sistemas da área da saúde, à segurança social, passando pelas áreas da educação, formação e emprego.

Ontem na Assembleia da República e hoje em Conselho de Ministros, Deputadas/os e Governo, aprova(ra)m medidas no âmbito da Habitação e do programa Mais Habitação. Que quem tem a responsabilidade de decidir o tenha em consideração e pense a habitação de forma ampla, nas suas fortes relações com a saúde (e saúde mental) e bem-estar e em como é essencial à dignidade, à possibilidade de desenvolvimento pessoal e autodeterminação das pessoas. Como é importante a uma sociedade mais coesa e de oportunidades para todas e todos.

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COVID-19 Desafios da Psicologia Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

13.03.2020 – 13.03.2023

Hoje passam 3 anos da criação do gabinete de crise COVID-19 da @Ordem dos Psicólogos Portugueses e da minha nomeação para seu coordenador. Hoje terminará, formalmente, o gabinete de crise COVID-19 da OPP e eu deixarei (formalmente) a sua coordenação.

Quem habitual ou ocasionalmente me lê sabe-me palavroso. Hoje, neste momento, não o serei. Quero apenas escrever, e com palavras dizer: Obrigado, obrigado, obrigado!

Ao @Francisco Miranda Rodrigues que confiou em mim e me confiou esta enorme tarefa e desafio.

À equipa, do gabinete e da OPP, incluindo todas as pessoas dos órgãos eleitos, comissões e grupos de trabalho, que, num contexto particularmente exigente, deu uma resposta excepcional, de envolvimento, de empenho e de vínculo com os valores da organização e com o seu (importante) papel social e de especial interesse público num momento de grave crise.

A quem, desapegadamente, se envolveu na actividade e no contributo da OPP ao longo da pandemia, particularmente nos momentos mais críticos. Foram centenas de psicólogas e psicólogos (e não apenas) e jamais esquecerei alguns dos muitos telefonemas que recebi, particularmente nos primeiros dias, com tantas e tantos colegas a disponibilizarem-se para o que pudesse ser necessário naquele momento.

Foram cometidos erros, certamente. Cometi erros, certamente. Mas orgulho-me, orgulho-me, orgulho-me.

Orgulho-me do contributo no período de pandemia, primeiro, das psicólogas e dos psicólogos a partir dos seus contextos de trabalho, por vezes com e em condições particularmente difíceis. Orgulho-me do contributo da OPP e da forma como, mantendo a sua actividade e as suas atribuições, procurou apoiar as pessoas, as famílias e o país (e não apenas). Finalmente, permitam-me, orgulho-me do meu próprio contributo naquele que foi, também certamente, o meu maior desafio profissional até hoje.

Orgulho-me, muito, muito, muito.

Agradeço, muito, muito, muito.

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Faz bem à saúde [Podcast]

“Desbloquear o acesso bloqueado”. Assim se intitulava uma recente newsletter, por mim assinada, que aqui partilharei integralmente no próximo Sábado. Procura pensar, em sete rápidos parágrafos, como chegamos à pandemia, o que sucedeu no período da pandemia e o que tem acontecido nos últimos e podemos esperar nos próximos meses relativamente à saúde mental em Portugal e ao acesso (e equidade de acesso) da população a serviços e profissionais nesta área.

Foi enviada quando passavam 3 anos após a confirmação dos primeiros casos de infecção por COVID-19 em Portugal. Desse momento para cá, persistindo problemas significativos de acesso e significativas iniquidades no acesso, há duas novas, distintas e importantes respostas nesta área. O serviço de aconselhamento psicológico do SNS24 que permite, sem barreiras e 24h por dia / 7 dias por semana, o acesso a aconselhamento psicológico gratuito e que conta já cerca de 210.000 atendimentos. O caminho de integração e consideração da Psicologia pelas principais seguradoras, iniciado em 2021 pela que tem a maior cobertura no país e continuado em Fevereiro último pela segunda maior. Ambas, em colaboração com a @Ordem dos Psicólogos Portugueses, desenvolveram modelos compreensivos que consideram, também, as dimensões de prevenção e promoção da saúde mental e actos nas diversas áreas de actividade da Psicologia e das psicólogas/os, quer via reembolso directo aos clientes que as/os procuram fora da rede ou com preços de rede, com uma das seguradoras a diferenciar já os montantes de pagamento a psicólogas/os especialistas, valorizando-os.

No âmbito das iniciativas de lançamento desta nova cobertura, junto com a Patrícia Figueiredo, gravei um episódio do podcast “Faz bem à saúde” em torno da temática “Doença mental: conhecer e prevenir”. No episódio, abordamos o contínuo saúde–doença mental e questões em torno da literacia, autocuidado e promoção da saúde mental e da prevenção e intervenção na doença mental, incluindo questões associadas ao acesso e ao papel e agência de cada pessoa nestas matérias, quer relativamente a si, quer relativamente às pessoas próximas de si.

Como terminava a newsletter, é fundamental “avogar e contribuir para o progressivo desbloquear deste acesso bloqueado”. Um advogar que terá tanta mais força e será tão mais sucedido quantas mais pessoas nele participem.

Dizia, ainda e finalmente, que “reforçamos o nosso compromisso e empenho por mais equipas e serviços de Psicologia, mais contingentes, capacitados, empoderados e com mais recursos. Mais eficazes, equitativos e acessíveis para todas e todos os cidadãos.”

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Generalização, disponibilidade e desconfiança – Alterações ao regime jurídico das Ordens Profissionais

“Não há atribuições colectivas de culpa em Portugal, Senhor Deputado”. A generalização induz que experiências ou conhecimentos focados ou limitados sobre um determinado tema sejam processadas como se referindo ao total das situações, influenciando a tomada de decisão e conduzindo a erros e ao reforço de estereótipos e preconceitos” (…) Já a heurística da disponibilidade explica porque percebemos como mais provável um acontecimento se tivermos presente um evento semelhante próximo e porque tantos debates são autorreferenciados (…) A desconfiança está associada aos conflitos sociais, à diminuição da participação social e pública e à falta de coesão social.

“Generalização, disponibilidade e desconfiança – Alterações ao regime jurídico das Ordens Profissionais”, 53º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) discute como tantas vezes são estes os “princípios-chave na reflexão sobre a criação, revisão ou regulamentação de Leis. “O peso que um “caso” tem na percepção de que tudo é igual, que “algo que nos aconteceu” ou que “conhecemos” tem na nossa percepção de uma situação/problema e que a desconfiança impõe, prejudicam gravemente o debate público e a construção de soluções legislativas mais simples, ágeis, responsivas e personalizadas.”

“Temo-lo assistido em diversas situações. Voltamos a assistir no debate em torno da proposta de alteração ao Regime Jurídico das Ordens Profissionais. Muitas e muitos dos que critica(ra)m o Sr. Deputado (e bem!) pela permanente generalização e atribuição de culpas colectivas debatem as Ordens Profissionais em Portugal usando da generalização e tratando 20 Ordens muito diferentes como se tudo e todas fossem iguais.”

Estes princípios limitam o debate público e limitaram-nos neste processo em específico. “Permitiriam que se reflectisse mais profundamente a mais-valia das comissões responsáveis pela avaliação dos estágios profissionais serem constituídas, também, por elementos externos à profissão, sem experiência profissional (…) Que limita e discrimina docentes que realizam actividades enquanto psicólogas/os ao prever que o órgão de supervisão, agora proposto, seja constituído por “40% de membros oriundos dos estabelecimentos de ensino superior que habilitem academicamente o acesso à profissão organizada em associação pública profissional, não inscritos na associação profissional” (…) Que é incoerente ao não prever melhores condições, incluindo a possibilidade da mediação ética para algumas situações, para o Conselho Jurisdicionional, nomeadamente a possibilidade de remuneração ou de um regime de faltas justificadas.”

“…É a identificação de particularidades, os dados de qualidade e escrutínio e a confiança mútua que abre espaço ao diálogo e à cooperação, que promove solidariedade e o respeito pelas especificidades e que estimula o envolvimento cívico e político. É a confiança mútua que permite a construção de mais eficazes soluções para os mais complexos problemas.”