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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

2 anos…

9 de Agosto de 2023 é uma data fundamental – fundacional – da Fundação Mendes Gonçalves. Apesar do lançamento (23 de Abril) e do início da actividades terem acontecido apenas em 2025, no passado Sábado passaram 2 anos da publicação do primeiro Estatuto da Fundação Mendes Gonçalves e, logo, da sua instituição.

Foi nesse sentido e porque relevamos a importância da celebração e do legado – inscrito aliás com valor maior da Fundação Mendes Gonçalves e da sua missão (“Nutrir Futuros, Regenerar Legados”) – que comemoramos este momento, também com uma newsletter da qual gostava de destacar junto de vós duas importantes partes para uma melhor compreensão deste projecto. A saber:

a) Um sentido texto – https://fundacaomendesgoncalves.org/2025/08/08/o-papel-da-lideranca-que-cuida-testemunho-de-conceicao-zagalo/ – da nossa presidente do Conselho Executivo (Conceição Zagalo) intitulado “O Papel Da Liderança Que Cuida”. Texto que trata a história da ligação da “nossa” Conceição Zagalo ao projecto Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, a forma como entende e pensa o seu enquadramento no Universo mais amplo da Mendes Gonçalves e a liderança, visão e inspiração do seu Fundador, Carlos Goncalves;

b) Uma grande reportagem – https://recordeuropa.com/videos/fala-portugal/grande-reportagem-golega-raizes-de-bem-estar-31-07-2025-289162?eg_sub=e40d275d04&eg_cam=adfb2b7a45193ef999e8895a879c777d&eg_list=12 – realizada pela TV Record Europa relativa ao nosso projecto e ao passado, presente e o que perspectivamos para o futuro da Fundação Mendes Gonçalves e do seu compromisso, contributo e impacto. Reportagem que, focando o impacto local e a forma como se imagina e propõe disseminar práticas e o impacto Mundo forma, destaca mais significativamente os projectos do futuro Centro Educativo e do programa Regenerar.

Uns minutos de leitura e uns minutos de um vídeo numa viagem ao que – dois anos volvidos da instituição e alguns meses depois da criação do plano estratégico (de que me orgulho ter dado um significativo contributo) e do início de actividade e constituição da primeira equipa (de que muito me orgulho ser parte) – vamos dia-a-dia construindo, em equipa e na relação da equipa com as restantes equipas do Universo Mendes Gonçalves e com os nossos Órgãos Sociais (obrigado a todas/os), na procura de cumprir, com compromisso, responsabilidade e qualidade, a missão que nos foi confiada pelo Carlos Goncalves: contribuir para um (melhor) futuro de todos, da Golegã para o Mundo.

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Democracia Educação Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

Uma bala de prata para a promoção da equidade

1, 2, 3, (…) 1000… “Pensemos os primeiros mil dias de vida. É neste período, dos 9 meses de gestação aos primeiros 2 anos de vida extrauterina, que o nosso cérebro sofre um maior e mais rápido desenvolvimento. Nesse sentido, além de ser uma janela importantíssima de oportunidade, esse período é também tempo de vulnerabilidade, devendo, pelo impacto que se revela nesse início de vida e pelas consequências inegáveis para o futuro, merecer uma especial atenção por parte das políticas públicas que visem a equidade.”

Num período em que publicamente se debate a relevância da estimulação e da relação e vínculo mãe-bebé/criança e o currículo de crianças/jovens em matérias que envolvem o desenvolvimento e a cidadania, venho partilhar um artigo que escrevi para o Jornal de Notícias. Começa com o excerto anterior e chamei-lhe “Uma bala de prata para a promoção da equidade”.

Nele – abordando os estudos do Prémio Nobel da Economia James Heckman que demonstram a maior eficiência das políticas públicas que visam a equidade quando decorrem no período da primeira infância – destaco 3 prioridades que me parecem essenciais e, particularmente, possíveis de implementar pela existência de recursos e por serem mobilizadoras de diversas forças políticas/movimentos da ciência e sociedade civil:

a) “Políticas que, com eficácia e eficiência, no período da gravidez e primeiros 3 anos de vida, reduzam a exposição dos bebés e crianças ao stresse resultante de situações de escassez, exclusão e/ou pobreza e providenciem suporte emocional, desenvolvimento de competências parentais e condições, visando comportamentos parentais de maior segurança e promoção de desenvolvimento;

b) Políticas que, com eficácia e eficiência, revitalizem e robusteçam em recursos o modelo de intervenção na infância e o conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde para responder, precocemente e de forma contingente, às primeiras necessidades de bebés, crianças e famílias;

c) Políticas que, com eficácia e eficiência, generalizem a possibilidade de acesso à educação dos 0-3 e a incluam, definitivamente, como parte essencial do sistema educativo, pensando-as não apenas na importante dimensão do cuidado e da segurança, mas como focos essenciais de promoção de desenvolvimento e equidade, pela sua qualidade educativa também resultante de uma formação mais sensível a estas idades e comprometida com a redução das desigualdades dos profissionais de educação.”

Termino, afirmando que a considero que “uma missão coletiva onde a sociedade civil, logo cada um de nós, tem um papel de advocacia, de pressão e de cidadania amplo.”

“Porque sem mais equidade e porque sem mais possibilidades de futuro para todos limita-se a mobilidade, a justiça e a coesão social. Limita-se a possibilidade de bem-estar individual e, assim, a possibilidade de bem-estar da comunidade.”

Link para Artigo: https://www.jn.pt/opiniao/artigo/uma-bala-de-prata-para-a-promocao-da-equidade/17856531

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Comportamento Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Vieira…

Uma vieira. Uma bonita taça, redonda. A sua preparação, a atenção, o foco, o cuidado, o carinho nela colocada:

“É para provar? | Sim, por favor.”

Um olhar para a taça, as texturas e aromas, o simples, mas belo, que acompanha a vieira. O provar e um acenar de aprovação.

“Está perfeita.”

Um esgar de alívio, mas ainda intranquilo.

“Está boa?”, pergunta quem a idealizou, projectou, cozinhou.

“Está mais do que perfeita. Inclui na ementa | Sim, chef. Obrigada.”

E aí sim, um sorriso.

Assim começa o terceiro episódio da quarta temporada da série The Bear. São 3 minutos incríveis ao som de Slow Disco, uma música de St Vincent cujo refrão nos interpela com a questão: “Am I thinking what everybody’s thinkin’?” [Estou a pensar o que todos pensam?]. E quem sabe, sim.

A jovem chefe Sydney da série, brilhante à sua forma, naquele contexto de pressão, de exigência, de uma solitude estranha (mesmo que “nunca se esteja sozinho num restaurante”), ouve do chefe Carmy (Bear) o feedback de uma (acção) perfeita logo traduzida e reinterpretada por si de outra forma. Mesmo aquando de uma perfeição, realmente perfeita, conforme podemos perceber e sentir ao longo do episódio.

Esta busca pela perfeição (mais que perfeita), que a série tão bem explora; esta tendência para a impossibilidade e, até, para a irreversibilidade da falha, do erro, da não perfeição que o contexto da série (as cozinhas e os restaurantes) tão bem explora; este “cada segundo conta”, mantra da série, tão contemporâneo, tão presente, tão violento por vezes, fazem-nos duvidar, proteger, estar permanentemente em “modo alerta/segurança” e, por isso, tendermos a confiar tão pouco em nós, desde logo, e nas outras e outros, particularmente quando por nós sentidas e sentidos como verdadeiramente outras e outros. Fazem-nos assim e fazem-nos quebrar enquanto comunidade, simultaneamente coesa e aberta. Mexem com a nossa possibilidade de bem-estar.

Também por isso, creio, valem tanto os minutos do episódio (ou da série, toda), como os que nos levem a ler, por exemplo, este texto sobre o Harvard Study (que tem o link para uma Ted Talk do seu, há época, director – https://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/). Um estudo que acompanha e segue pessoas desde 1938 – em diferentes fases e com diferentes grupos – e que nos ajuda, com evidência, a pensar sobre a saúde (e doença) e o bem (e mal)-estar. Um estudo que demonstra o quanto as relações e o quão nos sentirmos bem nas nossas relações e comunidade (até mais que a fama/reconhecimento e o dinheiro) determina o nosso bem-estar e a nossa saúde.

Relações, comunidade e propósito. O que queremos, @Fundação Mendes Gonçalves, contribuir para co-construir, estudar impacto e, quem sabe, inspirarmos outras e outros. Isso procuramos. Procuraremos.. Juntos, pelo futuro de todos.

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Comportamento Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves

Marra, comunidade.

O último filme de Ken Loach – The Old Oak – trata duas dimensões societais particularmente prementes e, conforme é comum aos principais desafios societais, trata dois temas interconectados entre si: por um lado, os fenómenos migratórios e os respectivos processos de inclusão e, por outro, a força da comunidade e os seus impactos, nos seus diversos e múltiplos sentidos. Não sendo – na minha opinião – o melhor dos seus filmes, creio que merece ser visto. Visto e reflectido.

Nele há uma pequena cadela que cumpre um acontecimento – logo um papel – importante e simbólico. Chama-se “Marra”, nome que advém de uma expressão utilizada frequentemente por comunidades de trabalhadoras/es mineiras/os (cujo filme em parte retrata) e que significa algo próximo da ideia de colega/companheiro/camarada… No fundo um/a de nós, alguém que cuida de nós.

Ora este cuidar – um cuidar pela e a partir da comunidade – é mensagem-chave da Fundação Mendes Gonçalves. Como referimos, nascemos do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do nosso fundador, Carlos Goncalves, com o “cuidar do presente e contribuir para a construção de um futuro promissor e para um Mundo mais sustentável e com mais oportunidades para todas as pessoas”. Um futuro que, ousando nós querer seja mais “equitativo, saudável, sustentável e com bem-estar para todos/as” implica o “cuidar das pessoas e dos ecossistemas. Do que nasce, cresce e se regenera”. Pois, “cuidar é cultivar o potencial das ideias, das pessoas, das famílias e da comunidade.”

Esta mensagem-chave, quer o Carlos Goncalves, quer eu, procuramos transmitir à Ilídia Pinto na conversa/entrevista que permitiu um trabalho para o Diário de Notícias e Dinheiro Vivo que muito agradecemos. No trabalho é destacada a construção do Centro Educativo – porque [o Carlos] “acredita, como eu também acredito, que a educação de qualidade é aquilo que pode ser mais transformador de uma sociedade e mais empoderador, funcionando como um elevador social” – e como os programas “Educar, Regenerar e Nutrir são os três pilares prioritários, numa lógica de filantropia de proximidade, contribuindo para o progresso da região e do país. Da Golegã para o mundo é o mote definido”, conforme apresenta a peça.

Peça que viaja, depois, pelos motivos, propósito e missão e posicionamento da Fundação Mendes Gonçalves, bem como pelas actividades previstas para 2025 e pela forma como estamos a pensar e projectar os próximos anos, particularmente até 2032… Conforme referi e é escrito na peça, 2032 “será uma boa altura, decorridos que estejam oito anos de funcionamento da FMG, para se fazer uma primeira avaliação de fundo sobre o que se conseguiu cumprir ou não, mas também para nos debruçarmos sobre a sua missão e refletir sobre os 80 ou os 800 anos, como o Carlos costuma dizer, seguintes da Fundação Mendes Gonçalves”.

Link: https://www.dn.pt/economia/construção-do-centro-educativo-da-fundação-mendes-gonçalves-arranca-este-ano-vai-custar-10-milhões

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Comportamento Filantropia

Não, não são todos iguais…

Os políticos são todos iguais. As instituições são todas iguais. Os polícias, os do partido X ou Y… Os católicos, muçulmanos, hindus, judeus ou budistas são todos iguais. Os do Benfica, Sporting, Porto. Os da cidade ao lado daquela onde vivemos. Do bairro ou da aldeia Z. Os americanos, os alemães, os chineses. Os empresários? Todos iguais.

 

Vivemos um tempo que conjuga a existência de abundante informação (e desinformação), as múltiplas, rápidas, repetidas e, normalmente, com pouco contexto formas como a informação nos chega e de necessidade de evocação muito rápida da informação para participação (social, e particularmente em redes sociais) e tomada de decisão. Um contexto que nos expõe profundamente a uma característica muito humana: a nossa tendência para a generalização, particularmente quando apenas temos informação parcial sobre algo. Tendência que, sucessivamente, nos expõe à nossa tendência para polarização e criação de grupos. Que sucessivamente…

 

Não, hoje não vou por aqui.

 

Antes, convido-vos a conhecerem – quem não conhece – e/ou lerem/escutarem o Carlos Goncalves, grande impulsionador e líder de sempre da Casa Mendes Gonçalves e fundador da Fundação Mendes Gonçalves em conversa com a Cátia Mateus (O CEO é o limite).

 

Não vou eu escrever sobre ele para, também eu, não trazer mais viés a este texto. Apenas vos deixo este convite na certeza de que não, os políticos, os, as, os, as, os, … não são todos iguais. Os empresários e os líderes também não. O Carlos Goncalves mostra-o, todos os dias.

 

Obrigado, também por isso.

 

Link para reportagem e para o podcast 

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Educação Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Uma Aventura na Curva do Rio

Por vezes penso o quanto o tempo e os acontecimentos actuais, em Portugal e no Mundo, exigem de nós um exigente equilíbrio entre o (re)conhecimento do passado, a (boa) convivência com o presente e, especialmente, uma atitude de idealismo realista (e realismo idealista como Timothy G. Ash define) face ao futuro.

Há, apesar de tudo, práticas e símbolos que nos fazem crer possível este equilibrio e que servem de exemplo, até pelo quanto nos marcam enquanto sociedade e comunidade. Um exemplo? A série de livros “Uma Aventura” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Desde 1982 e o “Uma Aventura na Cidade” passaram 43 anos e 67 outros “Uma Aventura”. Sendo mais novo que a série, não sei quantos destes existiam quando li o meu primeiro, muito provavelmente trazido pela carrinha da @Fundação Calouste Gulbenkian (que projecto incrível), que parava em frente à Escola da minha aldeia a 50 metros do lugar onde cresci. Passaram mais de 30 anos desse momento e seria então inimaginável para mim pensar que um dia mais tarde estaria a participar na apresentação de uma edição (a 68 – “Uma Aventura na Curva do Rio”), num concelho vizinho ao da minha aldeia (Golegã), edição cuja história decorre exactamente na Golegã e em lugares a ela próximos e versa, também, a Casa Mendes Gonçalves (que apoiou o projecto) e a Fundação Mendes Gonçalves à qual, como sabem, dedico o meu empenho e compromisso.

Mais, há três dimensões que ligam esta série e livro à Fundação e que procurei salientar na minha intervenção para uma sala com larguíssimas dezenas de crianças e de convidados:

  1. A forma como entendemos a filantropia de proximidade e o vínculo com o território e o facto do livro ter, no seu final, 40 páginas que celebram lugares e histórias, do passado, presente e futuro daquela comunidade;

  1. O legado, parte da nossa missão (Nutrir Futuros, Regenerar Legados), que mais “Uma Aventura” concretiza e o seu papel central na formação de leitores ao longo das últimas décadas, logo no concelho onde nasceu e viveu o Nobel da Literatura José Saramago;

  1. O seu papel na relação porque, como outras/os, li os livros e tive oportunidade de voltar a eles para os ler para (depois com) o meu filho mais velho e terei com o mais novo. Que as autoras não parem de nutrir esta bonita história.

E… Vêm aí as férias. Que tal ler com a/o sua/seu filha/o ou convidá-la/o a ler esta nova “Uma Aventura” e depois visitar a Golegã e a região ao seu redor, dando realidade ao imaginário do livro? Porque ontem, hoje e amanhã, estar em família e junto de quem incondicionalmente nos quer bem é fundamental ao nosso bem-estar. Porque ontem, hoje e amanhã, sentirmos o território e a natureza é fundamental ao nosso bem-estar. Finalmente, porque o nosso bem-estar é fundamental ao das outras pessoas e vice-versa… E vice-versa, não esqueçamos.

Ps. Um agradecimento ao Município da Golegã e ao Diogo Rosa pela colaboração, impulso ao projecto e convite.

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Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia

O melhor jardim-de-infância que já viu

Ontem comemorou-se em Portugal o Dia da Criança. Uma celebração, simbólica, que resulta da necessidade de uma justa e relevante homenagem às crianças que nos recorde os seus direitos, desde logo, mas particularmente o quão são o presente, o futuro e a base do legado que enquanto pessoas e sociedade pretendemos construir.

Presente, futuro e legado que, necessariamente, dependem do que fazemos hoje em períodos-chave do desenvolvimento das crianças, desde a gravidez à infância, com foco relevante no que conceptualmente hoje consideramos os primeiros 1000 dias. Que dependem, também, e numa perspectiva de promoção do desenvolvimento, florescimento e da promoção da equidade de acrescentarmos à narrativa e às políticas em torno do reforço da possibilidade de acesso à educação, a qualidade das práticas educativas no período dos 0-3 anos e da primeira infância de forma mais ampla, enquanto desígnio fundamental de cumprimento dos direitos de todas as crianças e de uma sociedade mais inclusiva e coesa.

Sabe, quem por aqui me acompanha, que estes aspectos são chave da missão e propósito da Fundação Mendes Gonçalves e, particularmente, do seu programa Educar. Saibam, também, que além da procura de uma filantropia de proximidade e do sustentar das nossas práticas numa cultura de evidência e estudo de impacto, queremos realizar a nossa acção em co-criação, promover e disseminar literacia e conhecimento e, pela advocacia e comunicação, influenciar políticas e práticas.

Esta “nossa forma de fazer” e a abertura e confiança da Fundação Santander Portugal (obrigado Inês Oom de Sousa e equipa) resultaram na organização conjunta de um evento dedicado à reflexão sobre o desenho de espaços educativos e o seu impacto nos processos de ensino-aprendizagem e bem-estar, dinamizado pelos arquitetos Takaharu e Yui Tezuka e Luis Oliveira (Tezuka Architects), aproveitando estarem em Portugal a propósito do lançamento da Fundação Mendes Gonçalves.

O evento, dedicado à disseminação de conhecimento (obrigado Pedro Cunha pela brilhante intervenção) e à advocacia junto de um conjunto de pessoas com capacidade de influência e decisão, partiu da apresentação do futuro Centro Educativo (0-10 anos) da Fundação Mendes Gonçalves, de que são responsáveis, mas, particularmente, do projecto do “Fuji Kindergarten”, “uma escola em Tóquio, [onde] crianças de 5 anos causam engarrafamentos e as janelas servem para o Pai Natal entrar (…) o JI mais adorável do mundo”.

A citação é a descrição da Ted Talk de T. Tezuka sobre “o processo de design [do Fuji] que permite às crianças serem realmente crianças”. Chama-se “O melhor jardim-de-infância que já viu” – https://www.ted.com/talks/takaharu_tezuka_the_best_kindergarten_you_ve_ever_seen?subtitle=en – e data de Setembro de 2014.

Num Setembro próximo teremos, finalmente, um Centro Educativo por si desenhado na Europa, em Portugal, na Golegã.

Em rede, pretendemos. A inspirar, aspiramos. Da Golegã para o Mundo.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Política

Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos.

“Hoje basta sairmos dos grandes centros urbanos para que a ideia de interior se comece a impor, como se passássemos uma fronteira física a caminho de uma outra realidade”, digo.

“O discurso no espaço mediático, as diversas categorizações da ruralidade aos territórios de baixa densidade, muitas das quais “bem-intencionadas”, reforçam uma certa diferença, um “uns” e “outros”, de maiores ou menores possibilidades e oportunidades, que não deveria ter e ser sentido, mais num país relativamente pequeno do continente europeu”, digo também.

O ECO publicou recentemente o 1º artigo que escrevi na minha nova condição na nova Fundação Mendes Gonçalves: “Pela não-normalização da ideia de interior. Pelo futuro de todos”.

Nele enquadro o que atrás refiro nas tendências humanas de naturalização (de quase tudo, logo também da ideia de interior) e societais de polarização (de quase tudo, logo também da clivagem litoral-[suposto] interior).

Afirmo, depois e no entanto, que se “a ideia de interior, verdadeiramente, começa na nossa cabeça, é inegável que temos um exigente caminho pela frente, sobretudo na construção de um futuro equitativo, sustentável e com mais possibilidade e oportunidade de bem-estar para todas as pessoas. Uma ação colaborativa, entre diferentes entidades e atores, de diversos setores, público, social e privado, é essencial para atingir este fim, comunidade a comunidade, território a território.”

“Queremos para isso contribuir na Golegã e, a partir da Golegã e da região ao seu redor, co-construir e inspirar outros a fazerem-no noutras cidades, vilas e lugares” (…) A Fundação Mendes Gonçalves nasce do compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do seu fundador, Carlos Goncalves, com o cumprir deste objetivo, agindo localmente, mas colaborando e inspirando globalmente. A partir verbos “educar”, “regenerar” e “nutrir” (e, conceptualmente, como resumidamente descrevo no artigo) definiremos e concretizaremos a nossa ação, procurando revitalizar uma filantropia comunitária ou de proximidade, pelo futuro de todos.”

“O desafio que abraçamos é grande, ainda que o ponto de partida seja um território com apenas um pouco mais de 80km2 e 5000 habitantes. Mas contribuiremos mesmo para uma educação de qualidade, capaz de gerar mudança. Contribuiremos mesmo para a regeneração dos solos e para modos produção e consumo mais inclusivos e sustentáveis, que desenvolvam os ecossistemas e preservem o planeta. Contribuiremos mesmo para uma nutrição e estilos de vida saudáveis como fontes de bem-estar e florescimento.”

“Contribuiremos. No plural. Com todas e todos e para todas e todos. Pela cocriação, através de alianças estratégicas que empoderem comunidades. Pela promoção da literacia e transferência de conhecimento. Advogando e comunicando, para influenciar políticas públicas, inspirar e disseminar boas práticas. Validando cientificamente e monitorizando o impacto.”

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Comportamento Educação Filantropia Pobreza e Desigualdade Política Psicologia Tomada de Decisão

Heckman

Este é apenas um exemplo… Alicia, filha de Alfredo Quintana, guarda-redes de Andebol do FCPorto e da selecção nacional falecido há 4 anos, brinca com Gustavo Capdeville, guarda-redes do SLBenfica e da selecção nacional depois de um FCP-SLB. Vem ela propósito de ontem ter visto uma imagem de um jogador da selecção de rugby do País de Gales com um/a bebé ao colo, logo após um jogo intenso, e dois jogadores adversários de Inglaterra a brincar/interagir com a/o bebé. Mas podia vir a propósito, também e num sentido menos positivo, de Alan Kurdi, o menino sírio da camisola vermelha que morreu há quase 13 anos e cuja imagem, caído numa praia da Turquia, quem viu não mais esquecerá.

Nem rivalidades desportivas, nem frases/pensamentos tipo “vai para a tua terra” sobrevivem, geralmente (sublinho, geralmente), a bebés/crianças, tal é o nosso instinto protector e de carinho e cuidado. Do mais bonito que o Mundo nos dá.

Mas, se assim é face a situações particulares, temo que um conjunto de forças e dinâmicas actuais (políticas e sociais) possam obstaculizar a uma visão da importância de investirmos, hoje, nos bebés/crianças para, hoje e amanhã, todos beneficiarmos enquanto comunidade e sociedade desse investimento.

Podia enumerar diversas e variadas forças/dinâmicas. Destaco quatro:

a) O crescimento do populismo e, com ele, de um estímulo a políticas tendentes a ganhos mais imediatos e tangíveis, retirando foco/prioridade ao investimento significativo nos primeiros anos de vida, com resultados a médio/longo prazo;

b) A crescente desconsideração da ciência face a percepções e visões mais “puramente” ideológicas e/ou assentes numa suposta meritocracia, algo que periga a utilização dos recursos onde e quando se mostram mais eficientes e eficazes;

c) O enfraquecimento do conceito de direitos humanos universais e uma menor atenção à procura da promoção da equidade e da possibilidade de autodeterminação, com intervenções robustas junto das/os bebés/crianças em situação de maior vulnerabilidade;

d) A quebra da confiança, a maior dificuldade de diálogo e colaboração entre decisoras/es políticos e de continuidade de políticas fragilizam investimentos a médio/longo prazo;

Razões que, creio, nos devem preocupar e fazer regressar a Heckman, prémio Nobel de Economia e que na sua célebre equação refere: “A maior taxa de retorno do desenvolvimento na primeira infância ocorre quando se investe o mais cedo possível, desde o nascimento até os cinco anos de idade, em famílias vulneráveis. Começar na idade de três ou quatro anos é um pouco tarde demais, pois significa não reconhecer que habilidades geram habilidades de uma forma complementar e dinâmica. Os esforços devem concentrar-se nos primeiros anos em busca de maior eficiência e eficácia.”

Regressemos a Heckman e – apesar do tempo, do dia-a-dia muito complexo e das forças que nos arrastam para o que de mais imediato existe – não esqueçamos de a cada dia prepararmos, enquanto comunidade e sociedade, o futuro.

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Desafios da Psicologia Filantropia FMG Fundação Mendes Gonçalves

Ambição Moral

Fórum Philea, Gent, Maio de 2024. Rutger Bregman, que acabara de publicar o seu novo livro intitulado “Ambição Moral – Como parar de desperdiçar o talento e começar a fazer a diferença”, sobe ao palco e afirma que a própria filantropia vem-se “confrontando com uma ambição moral que resulta da mistura de algum activismo com espírito empreendedor, dirigidos ao desmantelar de barreiras sistémicas” que persistem na sociedade. Mais, diz que para ser bem-sucedida nessa missão a filantropia deve reimaginar-se a partir de uma mudança fundamental: que as pessoas em situação de maior vulnerabilidade deixem de ser receptoras de caridade e surjam como parceiros [acrescento promotores] da mudança.

É. Num momento em que, apesar da abundância de conhecimento e da utilização de recursos, a desigualdade cresce em parte significativa do Mundo… Em que se assiste a alguma quebra das pequenas doações e de alguma “filantropia” comum/quotidiana e de maior proximidade Mundo fora, importa que a (excelente) notícia da presente expansão da filantropia em Portugal possa co-existir com a mudança que Darren Walker propõe: que a filantropia avance do foco exclusivo no que (what) se passa, concentrando-se, também, no como (how) e no porque é que (why) assim se passa. Isto, em cada desafio societal complexo. Isto no Mundo, em Portugal e em cada uma das suas regiões, concelhos, lugares.

Penso que este movimento é fundamental para garantir maior confiança nas organizações sociais e filantrópicas e chave para uma mobilização comunitária que resulte na inscrição de que o nosso bem-estar individual está intimamente relacionado com a possibilidade de bem-estar colectivo e que, como Bregman propõe neste seu novo livro, caminhemos de uma definição de sucesso baseada maioritariamente em ganhos pessoais/individuais para uma que inclua o benefício da comunidade/sociedade.

Curiosamente – e curiosamente começa por “c” – a confiança, a par da competência, conexão, caracter e compaixão é parte de um modelo proposto por R. Lerner relativo ao desenvolvimento positivo (saudável) da população mais jovem. O modelo, originalmente apelidado de 5 “C” e recentemente utilizado pela Teresa Raquel Pereira no seu excelente trabalho de doutoramento, recebeu mais tarde um novo “c” relativo ao contributo (para a sociedade). Eu ouso acrescentar dois outros “c”: criatividade e comunidade.

Ficamos com 8 “C” que nos ajudam a posicionar aquilo que, a partir da visão, sonho e generosidade do Carlos Goncalves, temos agora enquanto oportunidade e missão da Fundação Mendes Gonçalves. A busca deste benefício da comunidade e, a partir dela, da sociedade. De uma filantropia de proximidade, que estimule e inspire outras e outros e focada no como e no porquê dos desafios, para neles intervir. Contribuir. Com a ambição moral de ter as pessoas como agentes promotores da mudança. Necessária. Fundamental.

Um 8 que + ou – 90 graus vira infinito… Porque infinito é o caminho da Golegã para o Mundo. O caminho a percorrer.