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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

A regeneração começa com Comunidade

“Há um ano lançámos a Fundação Mendes Gonçalves com a convicção simples, mas ambiciosa, do seu Fundador [Carlos Goncalves]: a de que a regeneração deve começar localmente, através das relações, do conhecimento e do compromisso de longo prazo com as comunidades e os territórios. Ao olhar para trás, para o nosso 1º ano, acredito que o que construímos não é apenas uma Fundação, mas uma plataforma para a ação coletiva, enraizada no cuidado, na responsabilidade e na coragem de pensar de forma diferente sobre o futuro.”

Assim começa o artigo que partilho (“Regeneration begins with Community” [A regeneração começa com Comunidade]) publicado pela European Community Foundation Initiative (ECFI) e que resulta da reflexão sobre o Fórum Regenerar 2026 (que organizamos para debater de forma ampla a regeneração e comemorar o nosso 1º aniversário) e sobre o intercâmbio de Fundações Comunitárias que trouxe à Golegã e ao Fórum as Fundação Narciso Ferreira e a Fundació Comunitària Raimat Lleida (no âmbito do programa Peer-to-Peer Exchange, apoiado pela ECFI).

Mais, foca também o nosso primeiro ano de atividade, “um período de escuta, aprendizagem e construção.” Um período onde “investimos na criação de parcerias, no reforço dos ecossistemas locais, no avanço de projetos ligados à literacia alimentar, à agricultura regenerativa e à educação, ao mesmo tempo que lançámos as bases para estruturas de impacto de longo prazo, capazes de apoiar a transformação territorial.” Um período, também como refiro, em que procuramos agir a partir da visão que “a mudança significativa exige um trabalho paciente: construir confiança, ligar atores que normalmente não colaboram e criar condições para a inovação enraizada nas realidades locais.”

Isto num país como Portugal onde os laços familiares permanecem significativos (1); num contexto onde uma parte significativa dos jovens europeus, existindo condições, gostavam de poder viver junto das suas comunidades de proveniência (2); e, necessariamente, num período de elevado desafio e de problemas significativos nas áreas do bem-estar e da saúde mental da população mais jovem (3 e 4), a criação de comunidade nos territórios – também a partir de organizações da/na comunidade, próximas, que inspirem confiança e segurança – torna-se ainda mais relevante.

Por isso afirmo a fechar o artigo que “as Fundações Comunitárias criam espaços onde os territórios aprendem uns com os outros, adaptam ideias às realidades locais e fortalecem um ecossistema europeu partilhado, assente na proximidade, participação e confiança” e que “a regeneração só se torna possível quando é coletiva (…) [só] quando comunidades, instituições, agricultores, educadores, fundações e cidadãos trabalham em conjunto em torno de uma visão partilhada, a regeneração deixa de ser uma aspiração abstrata e torna-se um caminho prático para futuros mais resilientes e de esperança”.

Artigo completo: https://communityfoundations.eu/knowledge-item/regeneration-begins-with-community/

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

A Fundação Mendes Gonçalves e as suas formas de fazer….

Desde cedo procuramos na Fundação Mendes Gonçalves definir, primeiro, um conjunto de “formas de fazer” que nos ajudam, enquanto equipa, a planear, preparar e operacionalizar a ação e as ações da Fundação e, depois, a inscrevê-las – conforme o inscrever que o José Gil tão bem definiu – enquanto conjunto de princípios e orientações no quotidiano e dia-a-dia da Fundação, construindo-o a partir desses importantes e estruturantes alicerces.

Essas formas de fazer são as que partilho na imagem que acompanha esta publicação, com a sua explicação breve. Quando, com algumas pessoas converso sobre elas, não raras vezes pedem-me exemplos concretos de formas da sua concretização. Hoje, sem me pedirem 😊, venho partilhar uma.

No Fórum Regenerar 2026 – https://www.youtube.com/watch?v=byt4pi1ahJQ – tivemos dois convidados internacionais com intervenções mais estruturantes: Ray Archuleta (Ray The Soul Guy | “Regenerar é possível”) e Madalena Tedeschi (Reggio Children | “Educar Muda o Mundo”). Entre as intervenções para as pessoas que participaram no Fórum e outras que possam com elas contactar (foram gravadas e serão, como outros conteúdos, em breve disponibilizadas), procuramos, em equipa, formas de garantir mais possibilidades de promoção de literacia e conhecimento e de atender às dimensões da advocacia e comunicação a partir da presença destas duas pessoas de referência – pela experiência e projetos que representam – em duas áreas fundamentais para a Fundação: a Regeneração e a Educação.

O exemplo simples que trago relaciona-se com a forma como nos organizamos em equipa para promover a possibilidade de ponte com órgãos de comunicação social e, dessa forma, intencionalizarmos estas dimensões a partir da presença e participação no Fórum Regenerar 2026. Desse trabalho resultaram as duas entrevistas que aqui, convosco, partilho de seguida e que trago como exemplo da procura quotidiana de nos cumprirmos, cumprindo a nossa missão através da inscrição e compromisso com os nossos valores e “formas de fazer”.

Ray Archuleta – “A saúde do solo é uma questão de segurança nacional” | https://jornalptgreen.pt/noticia/ray-archuleta-a-saude-do-solo-e-uma-questao-de-seguranca-nacional/

Madalena Tedeschi – “Há uma escola onde se “aprende a aprender” e até miúdos da creche ensinam os educadores” | https://sapo.pt/artigo/ha-uma-escola-onde-se-aprende-a-aprender-e-ate-miudos-da-creche-ensinam-os-educadores-69fb4132f00315c827257194

Boas (e inspiradoras e, quem sabe, co-criadoras) leituras.

E… Sugestões são sempre bem-vindas…

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Relatório de Atividades (e Contas)2025 | Fundação Mendes Gonçalves

À enorme oportunidade e responsabilidade que sinto e sentimos, corresponde a vontade de mostrarmos e prestarmos contas sobre o caminho que percorremos, sobre o como e o porquê de o assim termos percorrido e sobre os resultados que conseguimos e não conseguimos com ele.

Este princípio assiste ao nosso trabalho, dia-a-dia, e assitiu à forma como procuramos, junto com os nossos Órgãos Sociais, preparar o nosso Relatório de Atividades (e Contas) de 2025, nosso 1º ano de atividade.

Porém, este princípio, assiste também à forma como o pretendemos partilhar – aqui o meu singelo contributo para isso | https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2026/04/relatorio-atividades-2025.pdf – incluindo o seu envio a um conjunto de entidades e organismos públicos (por prestação de contas e para afirmação da nossa disponibilidade para colaborar junto com estas entidades) e, ainda, com a solicitação, também no relatório, de partilha de comentários e sugestões pois… “Crescemos juntos”. Faça-o, também aqui…

Depois, permitam-me duas partilhas sobre o relatório e sobre esse 2025:

a) Um agradecimento às pessoas que vêem na foto abaixo e que, lado-a-lado, constroem o que somos e seremos. Da esquerda para a direita o Manuel Paiva dos Santos, a Madalena Bento, a Vanessa Esteves, a Inês Queiroz, o Carlos Goncalves (nosso fundador e inspirador), a Conceição Zagalo (nossa presidente do Conselho Executivo e energia), a Liliana Oliveira, a Maria Beatriz Filipe, a Quaiela Costa e eu, grato que sou por aqui caber.

b) O testemunho que escrevi para o relatório. Diz:

“Mesmo na – quase sempre boa – agitação do meu dia-a-dia houve uma constante deste meu 2025: uma sensação de enorme privilégio de poder fazer e ser parte da instalação e início de atividades da Fundação Mendes Gonçalves. Isso e, simultaneamente, um misto de comprometimento e peso da responsabilidade deste meu contributo. Foi, por isso e como é possível imaginar, um ano intenso. De trabalho, é certo. Mas também de uma palavra que, infelizmente, tende para “ser gasta” mas que creio aqui apropriada: propósito.

Meu e de um conjunto de pessoas que, ainda que não significativo em número, significam tudo para a FMG, parte delas não “dando tanto a cara como eu” mas igualmente parte relevante deste processo.

Neste 2025 procuramos, juntos, transformar ideias e uma visão estratégica numa estrutura, em planeamento e em caminho. Fizêmo-lo e percorrêmo-lo num trabalho paciente, nem sempre visível mas intencional, onde esteve sempre presente o compromisso com a missão, os valores e as formas de fazer da FMG que a cada momento procuramos respeitar e consolidar.

Que, ao ler estas palavras e este relatório, o reveja e, de certa forma, se reveja nele – nos caminhos, opções e nas possibilidades que ele espelha de 2025. Mas mais… Que, como nos inspira a continuar e a aprofundar, nos próximos anos, esta ideia e visão, a/o inspire a poder associar-se-nos, seja de que forma for… Pelo futuro de todos.”

Obrigado.

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Educação Filantropia Pobreza e Desigualdade

Ainda os 1000 dias e as oportunidades que se abrem…

Quem por aqui me vai lendo sabe a importância que atribuo aos primeiros 1000 dias e à relevância da estimulação/educação de qualidade no período dos 0 aos 3 anos. A par da possibilidade de relações e vinculações seguras com as figuras parentais e/ou cuidadoras/es e de uma nutrição de qualidade, será um dos investimentos mais efetivos que a sociedade pode fazer, considerando a sua custo-efetividade, o impacto positivo na vida de bebés/crianças e suas perspetivas futuras e como combate a desigualdade e injustiça social e promove a equidade.

Este investimento depende da maior consciência da sociedade da importância deste período, algo que beneficia de mais discussão pública, a par da cada vez mais clara e robusta evidência científica em torno do desenvolvimento do cérebro do bebé e das suas capacidades desde o período intrauterino (gravidez) até aos 2 anos (os tais 1000 dias).

Há portanto que criar oportunidades e aproveitar as que finalmente se abrem em Portugal em áreas para as quais a Fundação Mendes Gonçalves tem também procurado contribuir, a partir através dos programas Educar e Nutrir:

a) Utilizar, efetivamente, as “Orientações pedagógicas para creche” (publicadas há já 2 anos) para estimular junto das creches, um repensar de práticas e intencionalizar a promoção de uma estimulação e educação de qualidade, a partir de mais e mais efetiva formação das/os profissionais, da partilha de práticas e da criação de comunidades que aproximem diferentes instituições;

b) Advogar para que, conforme as orientações pedagógicas, as creches (como acontece noutros ciclos) possuam orientações claras sobre as refeições – e seus momentos e espaços – algo essencial à formação das primeiras relações com os alimentos e importante na promoção precoce de comportamentos alimentares saudáveis e sustentáveis;

c) Finalmente, e porque sabemos que por diversas razões (por indisponibilidade de vagas; viverem em pequenas freguesias/lugares ou apenas por preferência das/os cuidadores) muitos bebés/crianças não frequentam a creche, usarmos do recente debate de projetos de Lei, da aprovação de um projeto de resolução (n.º 673/XVII/1.ª) e da criação pelo Governo de um grupo de trabalho para “re-olharmos” a resposta das Amas e garantirmos mais qualificação e formação inicial e contínua e melhor enquadramento, acompanhamento e partilha de práticas, visando a promoção de práticas com mais efetividade e qualidade.

A Fundação Mendes Gonçalves tem procurado dar contributos nestas áreas, participando e incentivando debates públicos, redes de colaboração e desenvolvendo ou prevendo projetos como a Escola Mendes Gonçalves e o seu Centro de Formação Profissional dedicado ao período 0-3 anos, o “Ambientes que Nutrem” ou o “Cuidar em Rede”, projeto em que apoiamos a formação, formalização e acompanhamento de um conjunto de Amas no concelho da Golegã e região ao redor.

Contem, portanto, connosco.

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Filantropia Política

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

A filantropia, tantas vezes vista como gesto distante, nasce da presença, da relação e da ligação aos territórios e às suas pessoas. Aproximar quem generosamente doa de quem dessa doação mais pode beneficiar é, verdadeiramente, construir comunidade.

Chamamos-lhe filantropia de proximidade, e queremos afirmá-la como resposta relevante para desafios sociais complexos com aplicação local e de pertinência global. Afirmar uma forma de agir que transcende o “quê” ou o “quanto”, intencionalizando, também, o “como” e o “porquê”. Uma forma de filantropia onde os impactos positivos da doação vão suplantar os importantes resultados dos projetos. Em que não se trata apenas de atingir objetivos, mas sim de, no processo, estabelecer relações e criar confiança junto das pessoas, incrementando regularidade e contributos adicionais para esse círculo virtuoso.

Na promoção e efetividade do conceito de filantropia de proximidade, as fundações comunitárias, baseadas e fortemente relacionadas e enraizadas numa comunidade, podem e devem assumir um papel relevante. Devem, para isso, ser capazes de incorporar e comprometer-se com as pessoas e, com elas, aprender e dialogar. Devem valorizar a diversidade de perspetivas e focar-se nas suas carências, desafios e expetativas, procurando, em conjunto, co-construir as melhores soluções. Devem existir e cumprir a sua missão, enquanto parte da comunidade que cuidam.

Recentemente, num encontro promovido pela ECFI (Iniciativa Europeia de Fundações Comunitárias), pude discutir e trabalhar com líderes de fundações de tipologias muito diversas: com décadas de existência e recém-criadas; baseadas em comunidades de países com severos constrangimentos democráticos ou onde estão há décadas fortemente implementadas e onde são muito reconhecidas; com recursos relativamente limitados e com estruturas de grande dimensão. Pude testemunhar o incrível trabalho que fazem e o quanto se assumem parte das comunidades que protegem e cuidam. Pude igualmente comprovar o quão complexo é trabalhar com comunidades expostas a situações de maior vulnerabilidade, mas como, com persistência e empenho, é possível ultrapassar dificuldades. O quanto, também, contribuem para que estas pessoas (ou grupos) deixem um lugar de meras recetoras de apoios e/ou intervenções para serem parceiras e promotoras de mudança. São histórias de vidas que mudam para melhor. De comunidades que se fortalecem e se tornam mais resilientes.

Vivemos um tempo particularmente exigente, de grandes ameaças, de transformações constantes, de aprofundamento da insatisfação e do ressentimento, de agravamento das desigualdades. Um tempo em que urge retomar o envolvimento e a conexão e que, nesse sentido, beneficia do balanço de ações de filantropia de escala global com ações de proximidade e base comunitária. Co-construir soluções colaborativas, no nosso caso a partir do coração do Ribatejo, que, quem sabe, influenciem políticas públicas e que inspirem outros territórios, da Golegã para o Mundo.

É tempo de, em Portugal, revitalizarmos a filantropia de proximidade, trabalhando lado a lado para o futuro de todos. Este não é um caminho que percorremos sozinhos.  Contamos com o Centro Português das Fundações que valoriza e promove o papel das fundações comunitárias, incentivando uma abordagem colaborativa e territorial que procura aproximar a filantropia do quotidiano das comunidades, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo. Algo que discutimos, também recentemente, num debate sobre o futuro das Fundações Comunitárias em Portugal, a propósito da comemoração do 57.º aniversário da CEBI (30º enquanto Fundação Comunitária), um exemplo para tantas outras que com ela se relacionam e nela se inspiram.

Que saibam que também na Fundação Mendes Gonçalves estamos comprometidos com este o desenvolvimento e robustez das Fundações Comunitárias em Portugal e com o seu papel na promoção de territórios mais justos, resilientes e prósperos, com responsabilidade, coragem e convicção. Para um país e um Mundo melhores.

 

Tiago Pereira

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

in Líder, 10.12.2025

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

 

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Desafios da Psicologia Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos

Desde 2021 mantenho a tradição de terminar o ano a escrever um artigo com um desejo para o ano seguinte. Fi-lo até ao ano passado na rubrica “Ao Redor” (Revista SÁBADO) e desejei “Construirmos mais Paz” (para 2022); “Promovermos mais bem-estar para todas e todos” (2023); “Um país mobilizado contra a violência doméstica” (2024) e “Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” (para este 2025).

Agora fi-lo na Líder – Ideias que fazem futuro com um artigo chamado “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” que funciona como o meu desejo para 2026. Resumidamente trata:

. A ideia de que a “filantropia, tantas vezes vista como gesto distante, nasce da presença, da relação e da ligação aos territórios e às suas pessoas” e que “aproximar quem generosamente doa de quem dessa doação mais pode beneficiar é, verdadeiramente, construir comunidade.”

. Da afirmação da filantropia de proximidade “como resposta relevante para desafios sociais complexos com aplicação local e de pertinência global” e do papel das Fundações Comunitárias na sua promoção.”

. O momento que vivemos “particularmente exigente, de grandes ameaças, de transformações constantes, de aprofundamento da insatisfação e do ressentimento, de agravamento das desigualdades.” (…) “um tempo em que urge retomar o envolvimento e a conexão e que, nesse sentido, beneficia do balanço de ações de filantropia de escala global com ações de proximidade e base comunitária. Co-construir soluções colaborativas, no nosso caso [Fundação Mendes Gonçalves] a partir do coração do Ribatejo, que, quem sabe, influenciem políticas públicas e que inspirem outros territórios, da Golegã para o Mundo.”

. O nosso compromisso com o “desenvolvimento e robustez das Fundações Comunitárias em Portugal e com o seu papel na promoção de territórios mais justos, resilientes e prósperos, com responsabilidade, coragem e convicção. Para um país e um Mundo melhores.”

…Já em 2026, com o contributo de todos. Bom 2026.

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Links para artigos:

. “Um desejo para 2022? Construirmos mais Paz” | https://lnkd.in/dwvEuytM

. “Um desejo para 2023? Promovermos mais bem-estar para todas e todos” | https://lnkd.in/dU93aNUW)

. “Um desejo para 2024? Um país mobilizado contra a violência doméstica” | https://lnkd.in/dSQNKBzr).

. “Um desejo para 2025? Protegermos e cumprirmos a universalidade dos Direitos Humanos” | https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_um-desejo-para-2025-protegermos-e-cumprirmos-activity-7275429657066295296-AnB4?utm_source=share&utm_medium=member_ios&rcm=ACoAABUdsUoBSQRUD9nKHxubGYmf2eFYmTQWxqU

. “Revitalizar a filantropia de proximidade: Contribuir lado a lado para o futuro de todos” | https://lidermagazine.sapo.pt/revitalizar-a-filantropia-de-proximidade-contribuir-lado-a-lado-para-o-futuro-de-todos/

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Um pedaço do início do meu dia…

Hoje partilho convosco um pedaço do início da minha manhã. Estou no Norte de Itália, ao qual volto quase 21 anos depois (fui estudante Erasmus em Turim), para participar, em representação da Fundação Mendes Gonçalves, numa iniciativa da European Community Foundation Initiative. Iniciativa que junta Fundações Comunitárias de 15 países, com o objectivo de contribuirmos para a reflexão e discussão sobre a sua resiliência, considerando o actual contexto e os desafios complexos que vivemos. Em Portugal… Na Europa (e Mundo). Um “deep dive”, como chamam.

Um “deep dive” que se sucede a outro que fiz (3ªF) em Reggio Emilia. Reuniões de trabalho sobre a abordagem de educação Reggio Emilia e a prioridade dada pela comunidade ao desenvolvimento infantil precoce que, há já largas décadas, contribui decisivamente para a construção e empoderamento da comunidade local e com um exemplo de referência de educação de qualidade dos 0-6.

Com este contexto, esta manhã sai para uma pequena corrida. Nela ouvi um podcast e uma Ted Talk que, quando parei, vi também. Chama-se “Baby Brains: Unlocking our Humanity” | https://www.youtube.com/watch?v=PDefVd8DRxM], é proferida pela neurocientista Rebecca Saxe e, tendo já 10 anos, está nos primórdios do acesso a mais e melhores dados (ainda insuficientes, mas, paradoxalmente, já relevantes) sobre o processo de desenvolvimento cerebral nos bebés e, sucessivamente, sobre a importância dos primeiros mil dias para o desenvolvimento ao longo de toda a vida, equidade e para uma vida com mais possibilidade de bem-estar para mais pessoas. À parte desta viagem histórica, a um início ainda recente, a humanidade que ouvirão/verão, mesmo com métodos “pouco convencionais” tem presente que é muito mais difícil estudar o cérebro do bebé que o cérebro adulto porque, ao contrário das pessoas adultas, os bebés “não seguem instruções” e “dão arrotos, fazem cocó e adormecem durante as experiências”.

Ouvi, depois, o episódio “Sabotage by Smartphone” [https://podcasts.apple.com/pt/podcast/sabotage-by-smartphone/id73802620?i=1000731887418] do “The Documentary” BBC sobre o aliciamento feito via redes sociais a adolescentes/jovens Ucranianos para realizarem acções de sabotagem no próprio país… A certa altura pergunta-se a uma psicóloga porquê jovens e como podem fazê-lo a troco da promessa de dinheiro, apesar das consequências potenciais que enfrentam, e porque as redes que o promovem procuram jovens: entre outras questões porque “os jovens tendem a considerar menos o médio/longo prazo nas suas decisões”.

Ora, vivemos um tempo em que temos de ousar sair do “apenas presente” e considerar o médio/longo prazo, contribuindo para um Mundo melhor para as gerações que se nos seguem, actuais e futuras. Na Fundação Mendes Gonçalves procuramos fazê-lo dia-a-dia… Trabalhar pelo futuro de todos, também porque, quando com propósito, cada pessoa estará, não apenas a contribuir para o futuro de todas as pessoas mas para o seu bem-estar presente e futuro.

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Filantropia Fundação Mendes Gonçalves

Dia Europeu das Fundações e Doadores

Ontem… Ontem comemoramos o Dia Europeu das Fundações e Doadores, dia relevante de visibilidade, num momento de particular desafio, para o sector fundacional e filantrópico na Europa. Dia também para comemorarmos a vitalidade e dinamismo do sector em Portugal, com um conjunto de novas Fundações a surgirem nos últimos meses e anos e com o processo de reforço e desenvolvimento da filantropia estratégica.

Ontem… Ontem a Fundação Mendes Gonçalves comemorou pela primeira vez este dia, em actividade. Fê-lo participando nas comemorações e apresentando a Fundação numa iniciativa do Centro Português de Fundações. Fê-lo, também e simbolicamente, publicando o seu primeiro Plano Estratégico (2025-2028), aprovado pelos seus Órgãos Sociais a 22 de Setembro, plano que orientará e enquadrará a sua acção e cada um dos planos de atividades dos próximos anos. Agradecendo muito a todas as pessoas que contribuíram para este documento, incluindo a toda a equipa e órgãos sociais da Fundação, convido à sua leitura – https://fundacaomendesgoncalves.org/wp-content/uploads/2025/09/Plano-Estrategico-2025-28.pdf – e destaco os seus 6 objetivos estratégicos:

. Estruturar e consolidar a Fundação Mendes Gonçalves como uma organização de referência em inovação social, baseada na filantropia de proximidade;

. Desenvolver e implementar um ecossistema educativo de qualidade, centrado na criança, enraizado no território, baseado na evidência e replicável;

. Promover estilos de vida saudáveis e dignos através da nutrição e da segurança alimentar, como fundações do bem-estar e da equidade;

. Regenerar os solos, os ecossistemas e os vínculos comunitários, através da agricultura regenerativa e da valorização do saber local;

. Ampliar o impacto da Fundação através da comunicação estratégica, da transferência de conhecimento e da influência em políticas públicas;

. Inspirar para multiplicar: transformar o exemplo em possibilidades.

Ontem… Ontem cumpri 9 meses nesta minha função na Fundação Mendes Gonçalves e ao serviço desta incrível missão. Data bonita. Obrigado pela oportunidade. Obrigado por o fazermos, juntos, pelo futuro de todos.

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12.06.2012, gestão do bem-comum e inovação social

Recuemos ao dia 12 de Junho de 2012. Comemorava-se mais um Dia Nacional da Rússia e centenas, senão milhares, de adeptos da Rússia marcharam em comemoração deste dia em plena capital da Polónia, situação que resultou em confrontos com adeptos da Polónia. Mais tarde jogar-se-ia um Polónia-Rússia do Europeu de Futebol de 2012 e, mais uma vez, o o futebol cruzava-se com tensões políticas históricas e com desafios societais complexos. Também neste dia o Mundo perdia Elinor Ostrom.

Elinor Ostrom, além de ter sido a primeira mulher a receber o prémio Nobel da Economia (em 2009, a par de Oliver Williamson), estudou e reflectiu durante décadas sobre a gestão do bem-comum (ou dos bens comuns). No seu discurso de aceitação desse Nobel – intitulado “Beyond Markets and States: Polycentric Governance of Complex Economic Systems” [Para além dos Mercados e do Estado: Governança Policêntrica de Sistemas Económicos Complexos] e cuja leitura muito aconselho – sublinha a necessidade de desenvolvermos abordagens colaborativas e baseadas na inovação para a resolução dos desafios mais complexos, defendendo que a gestão eficaz dos recursos comuns e a resposta a problemas sociais complexos exigem sistemas de governo policêntricos, com diferentes camadas de tomada de decisão que envolvam diferentes pessoas e as comunidades locais e organizações não governamentais a par dos governos.

Partilho-o a propósito de uma reflexão que considero muito relevante e que li, em artigo no Público da autoria da Sofia Lai Amândio e Jürgen Howaldt e cuja leitura também aconselho, intitulado: “Vinte anos de políticas de inovação social na Europa em risco” (https://lnkd.in/d8mEqBEz).

Artigo que, fazendo uma resenha histórica do caminho percorrido nos últimos anos na área da inovação social na União Europeia, reflecte sobre os riscos de regredirmos nos estímulos e suporte conferidos à co-criação e à participação mais ampla na reflexão e desenho de respostas para os desafios societais complexos que vivemos: “A experiência dos últimos 20 anos prova que a inovação social não é acessória. É indispensável para enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro sustentável.”

Enfrentar desafios societais, fomentar coesão e abrir caminho a um futuro mais sustentável com co-criação, inovação social e com modelos policêntricos de gestão e preservação do bem-comum.

Que não desistamos… Pelo presente. Pelo futuro de todos.

Ps. O Polónia-Rússia desse dia terminou 1-1.

Ps2. Nesse Europeu, co-organizado pela Polónia e Ucrânia, Portugal foi eliminado nas meias-finais, em grandes penalidades, pela Espanha (que o venceria). Esse jogo aconteceu na cidade de Donetsk, num estádio que, tendo sido inaugurado em 2009, desde 2014 não recebe qualquer jogo, em resultado de uma Guerra com já mais de uma década que nos últimos 3 anos e meio se agudizou e tomou proporções que em 2012 dificilmente se imaginariam.

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Comportamento Educação Filantropia Fundação Mendes Gonçalves Futuro da Psicologia Política Psicologia

2 bebés. 2 Mundos.

Hoje nascerão certamente dois bebés, sem problemas de saúde, cuja família vive em Birmingham. Espera-se, no entanto, que daqui a 5 anos um deles possa ter mais de 4 meses de atraso em termos desenvolvimentais e 4 a 5 vezes mais probabilidade de desenvolver um problema de saúde mental que o outro. A diferença? Um destes bebés nascerá em contexto de pobreza e o outro não. Hoje (2025!), nada mudando, é o que os espera no Reino Unido (UK).

A desigualdade é, certamente, uma das causas maiores das camadas de ressentimento, desconfiança e desesperança que pairam sobre um UK que, pós-Brexit, parece caminhar para que Nigel Farage, um dos seus mais radicais e sinistros obreiros – porque optou por declaradamente ludibriar, se não mentir, aquando da campanha do referendo – possa vir a ser o seu primeiro-ministro.

Nessa Birmingham, na convenção do Reform UK (o seu partido de direita populista/radical, já líder na maioria das sondagens), Farage anunciou a adesão ao partido de Nadine Dorries, ex-ministra da cultura de Boris Johnson e outrora sua grande apoiante que defende hoje que Partido Conservador está “morto” e que só Farage pode “mudar o UK”.

Infelizmente conhecemos cada vez melhor esta proposta de mudança que “varre” a Europa e as Américas do Norte e do Sul e como se foca em políticas de curto prazo, de questionamento de direitos humanos que muitas/os consideramos universais e de fragilização das instituições democráticas e da política baseada em factos e evidência (científica).

Ora, as desigualdades que atrás menciono persistirão se nada de significativo for feito para prevenir a exposição de bebés e crianças a situações de pobreza e exclusão e, particularmente, para os que nascem em alguns contextos considerando que os valores e princípios destas políticas ao invés de os protegeram, tendem a vulnerabilizá-los mais, com graves consequências para o seu desenvolvimento e possibilidade de bem-estar futuros e para o contrato e coesão social.

O “Child Poverty Action Group” publicou este ano o relatório “Building Blocks – How to deliver a child poverty strategy” cuja leitura recomendo. Dele, com o meu viés, destaco:

. A importância de definir metas/objectivos e serem publicamente assumidos;

. Uma reforma dos diversos apoios sociais informada pela ciência;

. Expandir refeições escolares gratuitas, habitação social e creches (de qualidade);

. Garantir responsabilização através de uma monitorização independente dos resultados das políticas;

. E, finalmente, investir nos primeiros 1000 dias de vida, quando comprovadamente as políticas de equidade têm maior impacto e custo-efectividade, se perspectivadas a médio/longo prazo.

Vamos a isso?

Ps. O presente texto poderia ser totalmente sobre Portugal se alterando – apenas – a menção a uma cidade, o nome de um partido, do seu líder, de um/a sua/seu apoiante e de alguns (poucos) números.