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Fact Check – PHDA

A 30 de Julho de 1962 a capa do New York Times assinalava o pedido de “desculpas incondicionais” do presidente Eisenhower (EUA) à Suécia. Pedido de desculpas relativo a um discurso que havia feito 2 anos antes onde associara as políticas sociais da Suécia a um caminho para um país de “pecado, nudez, consumo excessivo de álcool e suicídio”. Sabemos, ainda melhor hoje e com maior escala de dados, a evolução da Suécia nestes 60 anos. Mas já sabíamos da inversão da taxa de suicídio, particularmente nos homens a partir dos anos 50, e que sendo ainda muito alta nos anos 60, muito decresceu, sendo já há anos mais baixa que a dos EUA.

Sabemos. Sabíamos. Mas a utilização de informação não factual ou de desinformação em política não é um fenómeno de hoje. Como não o é noutros aspectos da nossa vida, do marketing à saúde, incluindo, pela sua sensibilidade, a saúde mental e parentalidade. Tem passado. Tem presente, expandido pela diminuição de mediadores na comunicação, pela tecnologia que aumenta o acesso e pelos algoritmos das redes sociais que estimulam a sua (rápida) propagação e polarização. Terá futuro, com tecnologias ainda mais poderosas e, potencialmente, impactantes.

Pelo seu papel na saúde e bem-estar de indivíduos, na saúde pública, equidade e coesão da sociedade, projectos diversos de fact check são fundamentais ao tempo que vivemos. Partilho um, da autoria da Ana Kotowicz, uma importante colaboração do Observador com o Facebook, com contributo meu.

Trata-se do “Fact Check – Teste online permite fazer diagnóstico de perturbação de hiperatividade com défice de atenção?” a propósito de uma publicação assim resumida pela jornalista: “Nas redes sociais, um destes testes [Motion Induced Blindness] está a ser partilhado como uma forma de testar, muito rapidamente, se se tem Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA). O problema? Não é verdade, como explica ao Observador o psicólogo Tiago Pereira.” Continua referindo que argumento existir “um aspeto positivo que leva a que este tipo de publicações apareçam”, a crescente “procura de informação sobre o tema e isso é bom” e que “a parte menos boa é que a informação factual coabita com informação não factual e enganadora, assim como a ciência coabita com a pseudociência nas redes sociais.”

Na peça refiro-me, ainda, a dados de prevalência e questões associadas ao diagnóstico de PHDA e aponto a especial “perversidade” da publicação dado que num dos poucos estudos que existem sobre a utilização do teste para diagnóstico de PHDA as/os autores “reconhecem [sublinhando-o] que não é possível utilizar esta ilusão visual para fazer um diagnóstico”.

Como o pedido desculpas, o fact check não resolve tudo, bem sabemos. Mas também sabemos da importância de repor a factualidade, a ciência, e, particularmente, de criarmos espaço, contexto e estímulo nas redes sociais e na sociedade que, com liberdade, não permita a diluição da fundamental separação entre ciência e pseudociência e factos e opiniões.

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Desenvolver perspectiva e construir esperança como antídoto para os desafios do presente e do futuro

“Não, acho que os tempos eram outros (…) Vivíamos em tempos sem medo do futuro. Com uma grande expectativa em relação ao que poderia vir do futuro.” Recentemente, num podcast, ouvi a Eurodeputada Marisa Matias dizê-lo”, após explicar um dia-a-dia particularmente exigente, como um momento da sua vida. “Sem medo do futuro. Com uma grande expectativa”. E perspectiva.

“Desenvolver perspectiva e construir esperança como antídoto para os desafios do presente e do futuro”, 63º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte do quanto mudou desde “o tempo em que a geração de 70 pensava o futuro quando adolescentes e jovens adultas/os”.

O quanto “mudaram as circunstâncias, a rapidez com que mudam e como nos impactam. Mudou a forma como acedemos e comunicamos as circunstâncias.” (…) O quanto hoje “tendemos para o presente, como que estimulados por media e por redes sociais que reforçam a propensão humana de considerarmos mais o caso que a tendência, mais o negativo que o positivo.” (…) O quanto isto concorre “para que o medo emerja e se propague” (…) e nos impele “para nos comportarmos, nos movermos, nos mobilizarmos mais pelo evitamento do que não queremos, do que não gostamos, do que não acreditamos, de quem não queremos que pela procura do que queremos, do que gostamos, do que acreditamos, de quem queremos (…) Para, fundamentalmente, descrermos das outras e dos outros e da sociedade. Para desacreditarmos de nós. Para perdermos a perspectiva.”

Mas, também no podcast, conta-nos que o seu pai acordava todas as noites para, de madrugada, a ir buscar a Coimbra, podendo assim trabalhar à noite enquanto estudava (…) “Sem medo do futuro. Com uma grande expectativa”. E esperança.

Uma esperança possível (…) não um desejo passivo. Não forças que ilegitimam as dúvidas, as dificuldades, a sobrecarga. Antes uma esperança enquanto energia que nos activa, pela agência (…) que previne que nos movamos pelo evitamento.

“Uma esperança possível e que, também pela ciência que a estuda, sabemos que se desconstrói quando, perante a adversidade, a raiva ou a fúria bloqueiam objectivos perspectivados (…) Mas, ao contrário, que se constrói, que se pode promover, ensinar, educar. Uma esperança que depende de identificarmos um caminho e de navegarmos através dele com sentido de agência e de controlo (…) Uma esperança, individual e colectiva, que nos pode activar, enquanto indivíduos e sociedade, e se sobrepor ao medo e ao evitamento.”

“A perspectiva e a esperança são antídotos poderosos para os impactos negativos dos complexos desafios do presente e do futuro. São veículos essenciais para navegar o Mundo actual e as suas circunstâncias, para a nossa adaptação e bem-estar. E, se forças existem que os desafiam, são também possíveis de ensinar, de educar, de desenvolver e, particularmente, de construir. Também pela ciência. Também com psicólogas e psicólogos, como motor junto de indivíduos e da sociedade.”

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APA 2023 | You belong here

“You belong here”. Este “pertences aqui” foi a impactante assinatura da Convenção da American Psychological Association de 2023. E o “pertences aqui” ganha particular relevância quando ali estamos, num país e numa associação com enormes complexidades, entre as e os que constroem e desenvolvem a nossa ciência (das/os jovens investigadoras/es às históricas referências) e que, dia-a-dia, um pouco por todo o Mundo, a advogam e praticam, por vezes em condições muito exigentes.

Pertences aqui. Pertencemos aqui. A uma ciência e profissão que tem a possibilidade mas, sobretudo, o dever de olhar o micro mas também o macro, de olhar o local, o nacional, o regional, o global. Uma ciência e profissão que deve integrar isso mais e mais nas suas práticas de investigação e intervenção, incorporando especificidades e, mesmo que muito mais difícil, aproximando a ciência das pessoas que pretende impactar na forma como a faz e a transfere para a sociedade civil, para decisoras/es e nas suas práticas, aumentando a sua eficácia e eficiência, o impacto e garantindo mais confiança das pessoas na ciência e nos profissionais.

Uma ciência e uma prática que deve prosseguir o multilateralismo. Uma ideia de construção conjunta a partir de uma base identitária de uma psicologia no quadro dos direitos humanos a contribuir para a possibilidade de autodeterminação de todas as pessoas. Algo para o qual procurei contribuir na sessão (e grupo de discussão) “Moving Forward a Global Perspective: Developing Effective Strategies” [Construindo uma Perspectiva Global: Desenvolver Estratégias Específicas], onde coordenei o grupo de trabalho em torno dos contributos da psicologia para a erradicação da pobreza, conjuntamente com a representação da USAID – Bureau for Humanitarian Assistanceque coordenou o grupo sobre a erradicação de terapias de reconversão sexual e oFernando de la Mora Salcedo das United Nations que coordenou o grupo dos contributos para a melhoria de acesso a serviços na área da saúde mental.

Uma ciência e uma prática que deve advogar pela saúde pública e pela protecção das pessoas. Num tempo de crescente obscurantismo e de desafios e questionamento à ciência, reforçar a sua ligação às pessoas, promover a confiança e a forma como “entrega” resultados positivos é fundamental. Também aqui, algo para o qual procurei contribuir na sessão “Is Psychotherapy a Separate Profession from Therapy Delivered by Psychologists?” [É a Psicoterapia uma profissão separada da Psicologia?] num quadro internacional, discussão a partir da realidade e dos contributos dos EUA discutidos pela Amanda Clinton, Ph.D., de Espanha pelo Manuel Berdullas (Consejo General de la Psicología de España) e de Portugal, por mim apresentados e reflectidos, com contributos fundamentais do David Dias Neto.

Isto, além dos diversos encontros/reuniões com associações congéneres e com boas e importantes, creio, perspectivas para o futuro, também para a psicologia em Portugal.

Pertences aqui. Pertencemos aqui.

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14.600 dias na Terra

Hoje é um dia diferente para mim. Um daqueles em que, necessariamente, olho os dias, todos os dias, que vivi. Faço-o pensando-me hoje, no presente, e, de certa forma, como me fui pensando e imaginando a chegar ao dia de hoje, em cada momento já vivido.

Faço-o e faço-o com um grande sorriso. São 14.600 dias de curiosidade, de descoberta e de um processo de preenchimento. Dias, dias e dias a cumprirem dimensões expectáveis, mas, principalmente, a surpreenderem-me e a sugerirem-me o menos expectável. O menos expectável bom, muitas vezes. O menos expectável, menos bom, poucas vezes. O menos expectável, muito bom, felizmente, mais vezes. Pessoal e profissionalmente.

Um pequeno exemplo que beneficia do efeito de recência. Cresci, profissionalmente, desde quando era ainda apenas um estudante de psicologia, interessado e admirado pela forma como a American Psychological Association e a The British Psychological Society tinham capacidade de transferir a investigação científica em psicologia para o quotidiano do nosso dia-a-dia, para os desafios que se colocavam a pessoas e sociedade, para a afirmação da nossa ciência e dos seus profissionais e para a forma como a ciência psicológica poderia melhor informar as políticas públicas. Cresci assim e hoje, singelamente, procuro também eu fazê-lo.

Cresci, profissionalmente, a ler as revistas dessas Associações, particularmente a “The Psychologist”. Cresci e este mês, mês deste meu dia, num momento dos claramente menos expectáveis mas muito bons da minha vida, a edição da “The Psychologist” tem uma entrevista minha (cujo link abaixo partilho) sobre um tema que de uma ou de outra forma me tem acompanhado – a pobreza, a desigualdade, os seus impactos e como, a partir da psicologia, podemos contribuir para a sua mitigação e erradicação e para a promoção da saúde e bem-estar de todas as pessoas.

Nela, a propósito de uma pergunta, falo do “20.000 dia na Terra”, documentário que trata 24 horas fictícias de vida do Nick Cave e de onde provém a frase destacada na entrevista: “Let’s raise this flame of great things that can be built” [“Façamos crescer a chama das grandes mudanças que podemos construir”, numa tradução minha]. É um mote perfeito para estes meus não 20.000 mas 14.600 dias na Terra. Ajudar a fazer crescer, convosco, esta chama.

Que tenham mais um bom dia na Terra. Obrigado a todos quantos os vão partilhando comigo. Tudo de bom.

Entrevista “The Psychologist” (July/August 2023) | https://www.bps.org.uk/psychologist/lets-raise-flame-great-things-can-be-built

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Comecemos com um minimal “Olá”

Há dias vi(mos) Kings of Convenience, banda norueguesa que vive de diálogos… Do diálogo entre dois amigos de quase sempre, Erlend e Erik, compositores e intérpretes. Do diálogo entre as suas guitarras, que parecem, em certos momentos, conversar entre si, e entre elas e o violino e contrabaixo que, em certos momentos, as acompanham. Do diálogo entre eles e um conjunto de pessoas “estranhas” que os escuta e segue, pessoas como eu.

Este encontro entre a música e o contactar ou falar com pessoas que nos são “estranhas” é, também, um diálogo entre dois elementos importantes ao meu e ao nosso bem-estar. A crescente compreensão dos fenómenos envolvidos e a investigação têm-no demonstrado, tal qual sublinham que tendemos a desconsiderar o quão importantes para nós podem ser / são as interacções sociais que temos com pessoas “desconhecidas” e o quanto podemos, a partir delas, aprender e nos sentir bem.

Acontece, porém, que existem hoje barreiras significativas a que falemos com pessoas nossas desconhecidas com frequência. A voracidade do tempo e das nossas múltiplas e permanentes ocupações e estímulos, a facilidade com que contactamos com pessoas nossas conhecidas e a forma como muitas vezes socialmente estamos pouco disponíveis para tal, ou porque através dos dispositivos móveis estamos “sempre a ouvir algo” (música, por exemplo) ou em interacção com “conhecidos” (redes sociais, por exemplo), obstaculizam o contacto com desconhecidas/os ao nosso redor. E, a menor oportunidade gera maior dificuldade e receio e, sucessivamente, o hábito de não o fazermos, hábito que se reforça e autoalimenta. De não conhecermos mais outras/os, de não as/os procurarmos perceber, compreender, colocarmo-nos no seu lugar. De não nos confrontarmos com novas pespectivas ou pontos de vista. De recebermos, menos. De termos menos feedback.

Este período, de férias para algumas pessoas, pré-férias para outras ou simplesmente de Verão, é um bom momento para, com a quebra de algumas rotinas, reflectirmos sobre isto e activarmo-nos para procurarmos mais quem e o que nos rodeia. Olharmos fora do nosso círculo, permitirmo-nos humanizar, iniciar diálogos e discussões construtivas. Contribuirmos, um pouquinho que seja, para quebrar este nós vs. outras/os que com intensidade e impacto crescente nos cerca e nos polariza. Contribuirmos, um pouquinho que seja, para promovermos a empatia, as relações, a confiança… A paz, conforme ela se pode promover, pelo esbater do receio do desconhecido, do medo da outra e do outro e pelo reforço da coesão.

Do simbolismo variado (até pelo facto do Erik ser, também, psicólogo), às letras e às melodias profundas e introspectivas, é talvez um certo minimalismo tocante que melhor caracteriza os “Kings of Convenience”. Minimalismo que podemos e devemos usar para começar estes nossos diálogos com pessoas nossas desconhecidas… Comecemos com um minimal “Olá”. Surpreendamos. Deixemo-nos surpreender. No geral, fará e far-nos-á bem.

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A falácia do apelo pelo natural, a desigualdade e a negação da ciência (Ao redor…; 11.07.2023)

Eis-nos no Verão. Tempo propicio a pensarmos em nós, no nosso corpo e mente, na nossa saúde e bem-estar. Tempo propicio a associarmos o calor, por vezes extremo, a “bom tempo”. Os alimentos orgânicos ou biológicos a algo “mais saudável”. Tudo quanto é natural a algo “que faz bem”, é seguro e eficaz. Nada mais simples. Nada mais, sistematicamente, aprendido. Nada mais errado.

Não, calor, por vezes extremo, não é “bom tempo”. Não, os alimentos orgânicos ou biológicos não são sempre “mais saudáveis” e seguros. Não, há alimentos naturais que “não fazem bem” e que podem, potencialmente, ser mais perigosos que outros, não biológicos ou orgânicos. Não, há produtos químicos ou sintéticos que são muito mais benéficos face a naturais na promoção da saúde e do bem-estar.

A complexidade desta questão reside no facto dos produtos naturais serem associados a algo “saudável” e “seguro” estando hoje, e na nossa sociedade, abundantemente disponíveis e intensa (por vezes, eficazmente) promovidos e “marketizados”. Podemos, hoje, sem grande dificuldade quando existe poder de compra, alimentarmo-nos todo o dia com produtos orgânicos ou naturais, considerando que desde 2019 mais de 60% dos novos produtos alimentares colocados no mercado mencionam ser “orgânicos”, “naturais” e/ou “sem aditivos”.

O viés pró-natural conjuntamente com o viés desta crescente disponibilidade, reforça a preferência pelo natural e, de certa forma, a “falácia do apelo pelo natural” que justifica, também, porque acabamos a aceitar pagar mais por estes produtos (face a convencionais) e porque inferimos benefícios para a saúde e bem-estar destas escolhas, alimentando todo o ciclo atrás descrito. No entanto, estas nossas escolhas não resultam, necessariamente, de recomendações oficiais e, como Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, recentemente afirmou “a evidência científica até à data não corrobora que o consumo de alimentos biológicos possa estar associado a menor incidência de doenças crónicas associadas ao estilo de vida”.

Esta “falácia do apelo pelo natural” tem dois riscos que importa ter presentes. O primeiro relativo a uma potencial generalização da ideia de que os alimentos / produtos convencionais ou químicos são menos saudáveis ou prejudiciais, algo que poderá conduzir a que sejam menos consumidos / utilizados, penalizando particularmente as pessoas e famílias com maiores dificuldades económicas ou com menor acesso a estes produtos (por exemplo, também por viveram em zonas mais remotas).

O segundo relacionado com a associação entre o apelo pelo natural e a negação da ciência, muito expressa, por exemplo, na crescente desconfiança e recusa de terapêuticas químicas (antibióticos e medicação no geral, quimioterapia, …), de terapêuticas baseadas na evidência como a psicoterapia ou outras intervenções psicológicas ou na desconfiança e negação das vacinas, apesar de terem sido e serem algo absolutamente preponderante na melhoria global de bem-estar e qualidade de vida, no aumento da esperança média de vida e diminuição da mortalidade infantil ou na prevenção e erradicação de um conjunto de doenças nas últimas largas décadas.

Mesmo na União Europeia (noutros países os dados são ainda mais significativos), e mesmo ainda em período pré-pandemia (na pandemia alguns destes problemas foram agudizados), mais de 1 em cada 3 cidadãos diziam que as vacinas poderiam “causar as doenças para as quais criam imunidade” e quase 1 em cada 3 “diminuir o sistema imunitário”, sendo a confiança na imunidade natural associada a ideias pró-naturalistas e um dos factores que mais contribuem para a hesitação na vacinação.

Estamos no terceiro ano, da terceira década do terceiro milénio e, num Mundo onde a ciência e conhecimento estão mais acessíveis que nunca, o espaço e o debate público é profundamente influenciado por teorias da conspiração, desinformação ou notícias falas e promessas acientíficas ou pseudocientíficas de resolução dos problemas, dos mais simples aos mais complexos. Como Steven Pinker refere, mesmo para problemas muito complexos e com muito sofrimento associado para pessoas, famílias e comunidades, “o problema é que as pessoas aceitem (e utilizem) as soluções encontradas para os problemas”, vencendo-se o obscurantismo, missão fundamental da sociedade hoje.

Missão fundamental, mas exigente, quando existe um valor monetário e comercial significativo associado a esta situação e cultura. Nos EUA, o sector da saúde mental foi no final de 2022 a área com maior investimento na saúde digital e, ao investimento, não correspondeu o desenvolvimento e a necessária utilização da ciência e da melhor evidência científica, algo particularmente notório na proliferação de “aplicações de saúde mental”, não baseadas em evidência científica. Aplicações que, não raras vezes, prometem soluções para problemas complexos como a ansiedade ou a depressão com apelativas, também por simples, “terapias naturais ou orgânicas” (falar com amigas/os, sair de casa, …), importantes certamente, mas nunca substitutas de intervenções convencionais baseadas na evidência como a intervenção psicológica ou psicofarmacológica, quando necessárias. Significativo valor monetário e comercial, portanto, que vive dos desafios do presente e para o presente, mas que impacta verdadeiramente o futuro de todas as pessoas, seja no fomento do discurso anticiência, seja no fomento da desconfiança, seja no fomento de discursos mais populistas, antipolítica e políticos. Todos, em todo o caso, têm em simultâneo e paralelo a colocação dos interesses pessoais de alguém, de algum movimento ou partido, de alguma empresa ou negócio, acima do bem-comum e uma não preocupação com as pessoas em situação de maior vulnerabilidade, com um futuro de confiança, de ciência e de coesão. Com um futuro mais potencialmente promotor e possibilitador de bem-estar para todos.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, passou a ser necessário “marchar” pelos factos, como assinalava recentemente um cartaz de um jovem numa manifestação por acções face à crise climática [“I can’t believe in marching for facts”]. Pelos factos, pela saúde pública e por acções contra a falácia do apelo pelo natural e contra a negação da ciência.

 

Tiago Pereira

A falácia do apelo pelo natural, a desigualdade e a negação da ciência

in Sábado (Ao redor…); 11.07.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/a-falacia-do-apelo-pelo-natural-a-desigualdade-e-a-negacao-da-ciencia

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A falácia do apelo pelo natural, a desigualdade e a negação da ciência

“Eis-nos no Verão. Tempo propicio a pensarmos em nós, no nosso corpo e mente, na nossa saúde e bem-estar. Tempo propicio a associarmos o calor, por vezes extremo, a “bom tempo”. Os alimentos orgânicos ou biológicos a algo “mais saudável”. Tudo quanto é natural a algo “que faz bem”, é seguro e eficaz. Nada mais simples. Nada mais, sistematicamente, aprendido. Nada mais errado.”

“A falácia do apelo pelo natural, a desigualdade e a negação da ciência”, 61º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) trata a “falácia do apelo pelo natural” e dois riscos dela decorrentes:

  1. A potencial generalização da ideia de que os alimentos / produtos convencionais ou químicos são menos saudáveis ou prejudiciais, algo que poderá conduzir a que sejam menos consumidos / utilizados, penalizando particularmente as pessoas e famílias com maiores dificuldades económicas ou com menor acesso a estes produtos (por ex., também por viveram em zonas mais remotas);
  2. A associação entre o apelo pelo natural e a negação da ciência, muito expressa, por ex., na crescente desconfiança e recusa de terapêuticas químicas (antibióticos e medicação no geral, quimioterapia, …), de terapêuticas baseadas na evidência como a psicoterapia ou outras intervenções psicológicas ou na desconfiança e negação das vacinas, apesar de terem sido e serem algo absolutamente preponderante na melhoria global de bem-estar e qualidade de vida, no aumento da esperança média de vida e diminuição da mortalidade infantil ou na prevenção e erradicação de um conjunto de doenças nas últimas largas décadas.

“Estamos no terceiro ano, da terceira década do terceiro milénio e, num Mundo onde a ciência e conhecimento estão mais acessíveis que nunca, o espaço e o debate público é profundamente influenciado por teorias da conspiração, desinformação ou notícias falas e promessas acientíficas ou pseudocientíficas de resolução dos problemas, dos mais simples aos mais complexos. Como Steven Pinker refere, mesmo para problemas muito complexos e com muito sofrimento associado para pessoas, famílias e comunidades, “o problema é que as pessoas aceitem (e utilizem) as soluções encontradas para os problemas”, vencendo-se o obscurantismo, missão fundamental da sociedade hoje.”

Mais ainda, quando a “falácia do apelo pelo natural” gera um “significativo valor monetário e comercial, vivendo, portanto, dos desafios do presente e para o presente, mas impactando verdadeiramente o futuro de todas as pessoas, seja no fomento do discurso anticiência, seja no fomento da desconfiança, seja no fomento de discursos mais populistas, antipolítica e políticos.”

“Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, passou a ser necessário “marchar” pelos factos, como assinalava recentemente um cartaz de um jovem numa manifestação por acções face à crise climática [“I can’t believe in marching for facts”]. Pelos factos, pela saúde pública e por acções contra a falácia do apelo pelo natural e contra a negação da ciência.”

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Pobreza e desigualdades (ECP2023)

Quando estou fora de Portugal, num país onde compreendo a língua, alargo a rotina de “olhar” as primeiras páginas dos principais jornais portugueses aos principais jornais do país onde estou. Assim o fiz na passada semana com os jornais do Reino Unido e, apesar do momento que vivemos, apesar dos problemas sociais e económicos que a Europa enfrenta e em semana de comemoração do 75º aniversário de um @NHS (SNS do UK) particularmente desafiado na sua sustentabilidade, não vi as palavras “pobreza” ou “desigualdades” nessas primeiras páginas, mesmo quando fundamentais nestas questões.

Continuamos a falar desproporcionalmente muito pouco de pobreza e de iniquidades face ao quanto são determinantes da saúde (incluindo saúde mental), da educação e do bem-estar. Fazêmo-lo porque enquanto sociedade, erradamente, tendemos a olhar estes problemas como problemas das pessoas que vivem em situação de pobreza ou em risco de pobreza e não como problemas de todas as pessoas, ao perigarem a coesão social e impactarem toda a sociedade. Fazêmo-lo enquanto sociedade e, também de certa forma, enquanto psicólogas/os, quando pensamos apenas estes problemas como parte do “problema”/”circunstância” de um/a cliente específica/o e não enquanto problemas macro, sempre e necessariamente presentes na sociedade.

Assim comecei a minha intervenção inicial no Main Stage Event “Poverty and inequalities and the impact of these on mental health” [Pobreza e iniquidades e seus impactos na saúde mental] do 18º Congresso Europeu de Psicologia, um interessante debate com Bridgette Ricketts, Philip Murphy e Germán Gutiérrez, presidente da IUPsyS, moderado pelo @Jon Sutton.

No dia seguinte, procurei aprofundar este tema no meu Keynote no congresso: “Multiple contributions of psychology to a “Full Stop to Poverty” – The role of psychological science, practice and professional associations” [“Múltiplos contributos para um “.Final à Pobreza” – O papel da ciência e da prática psicológica e das suas associações profissionais”]. Discuti-o na sua centralidade para a psicologia e nos contributos da ciência e da prática das/os psicólogas/os para a sua compreensão e erradicação, a par do papel particularmente importante das associações profissionais no estímulo a que isto possa acontecer.

A fechar, e a partir de uma questão da @Claudia Hammond que me acompanhou no Keynote, afirmei o quão poderá ser diferenciador ter 27.000 psicólogas/os em Portugal nos níveis mais micro (contextos de intervenção profissional) e cívicos (contextos de cidadania) a contribuírem para o aumento de literacia da população e sociedade sobre este tema, para a advocacia no mesmo e para (a necessidade de) intervenções baseadas na evidência e na transferência da ciência para as políticas locais, regionais e nacionais. Mais, o quão poderá ser transformador se aos 27.000 juntarmos, criando comunidade e mobilizando, centenas de milhares na Europa e no Mundo a contribuírem para um .Final à Pobreza.

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Uns óculos para pensarmos as profissões no futuro e a solidão e isolamento

“Nós, enquanto seres humanos, somos no geral pouco eficazes a prever o futuro.” Ainda assim, acompanho o CEO da Apple quando, na recente apresentação do “Vision Pro”, referiu que, como os computadores pessoais e, mais tarde, os computadores portáteis, os computadores espaciais, conforme o definiu, representarão uma “nova era”.

“Uns óculos para pensarmos as profissões no futuro e a solidão e isolamento”, 60º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) reflecte sobre como um dispositivo que “permite aceder ao “Mundo digital” sem ecrãs físicos e interagir com o computador sem dispositivos “extra-humanos” como teclados, ratos ou superfícies”, imergindo totalmente o “Mundo digital” no real a partir apenas de uns óculos”, pode ser disruptivo, transformar-se e revolucionar a forma como se “projecta em Engenharia ou Arquitectura”, como se assistirá a espectáculos ou eventos desportivos e como se prestam serviços de Educação e Saúde.”

“Se as reuniões, a formação e o treino e intervenção à distância, aprofundadas na pandemia, melhoraram consideravelmente o quadro antes existente, particularmente para quem vive/trabalha em locais mais remotos, tudo tenderá a evoluir rapidamente para novas e potentes ferramentas que permitirão, através de experiências imersivas em tempo real cada vez mais simples e satisfatórias, o encontro de pessoas no “Mundo digital” a partir do seu “Mundo real”.

Assistiremos, potencialmente, a mudanças na forma de “formarmos (inicial e continuamente) profissionais de saúde, de treinarmos tarefas específicas, de realizarmos processos de articulação e intervisão interpares e de melhoria significativa da prestação de serviços (incluindo especializados), particularmente em contextos de difícil acesso e mais remotos. Na psicologia, juntar-se-á à evolução da utilização da realidade virtual e aumentada em intervenções psicológicas e psicoterapêuticas em diversas áreas (hoje já bastante testada e utilizada nas fobias), na complementaridade de intervenções (por exemplo, possibilitando experiências imersivas que potenciem a empatia), na realização de avaliação psicológica ou na assistência por parte de tradutores/interpretes em processos de intervenção.”

“Poderá, também, ter um positivo impacto nos serviços públicos e, até, em fenómenos particularmente relevantes em Portugal como a solidão/isolamento, a perda de população e serviços no interior ou a emigração. Mas pode, também e noutro prisma, se não utilizados responsavelmente, representar um conjunto de riscos também na questão da solidão/isolamento, na estigmatização/marginalização, na desinformação, na cibercriminalidade e, no limite, nos fenómenos de Guerra e conflito entre países.”

Deve, portanto, “para o bem da Humanidade, atender às evidências da ciência psicológica” e concorrer para “mais, mais próxima, personalizada e eficaz psicologia ao serviço das pessoas, do planeta, da prosperidade e da equidade.”

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Se uma parte relevante de nós se julga capaz de aterrar um avião comercial numa emergência apenas com o apoio da torre de controlo… (Ao redor…; 13.06.2023)

…porque haveria de considerar-se incapaz de realizar actos próprios de diferentes profissões e de escolher pessoas habilitadas, preparadas e competentes para junto de si realizarem determinados actos, sejam de índole jurídica, contabilística ou psicológica?

A “YouGov” é um grupo que se propõe recolher e disponibilizar dados que estimulem a reflectirmos como o “Mundo pensa”. Num seu recente estudo, uma em cada três das mais de 20.000 pessoas dos EUA que nele participaram referem sentirem-se “algo ou muito confiantes” em que conseguiriam aterrar um avião comercial, apenas com indicações da torre de controlo. Quase um em cada dois se considerarmos apenas os homens. Estes dados, numa tarefa de enormíssima complexidade e cuja probabilidade de sucesso é, de acordo com as/os especialistas, virtualmente 0, correspondem a um excelente exemplo de como o “Mundo pensa” e do excesso de confiança que pessoas, sem determinada competência e experiência para a realização de uma tarefa ou de um acto, têm sobre a sua capacidade de realizarem com sucesso essa tarefa ou acto. Trata-se do efeito descrito como “Dunning-Kruger”, fenómeno que, com maior ou menor consciência de cada um de nós, a todos impacta.

Felizmente, na grande maioria das situações, o seu impacto resume-se a discussões enviesadas, a impossibilidades como a grandíssima maioria das pessoas se considerar um/a condutor/a acima da média (algo estatisticamente impossível) ou a erros sem consequências graves. Porém, se pensarmos no pilotar de um avião comercial ou em possíveis exemplos das três áreas profissionais acima referidas, as consequências podem ser muito graves e impactar decisiva e significativamente os direitos, a segurança, a saúde ou até a vida de pessoas. Podem impactar o interesse público e o bem-comum.

Não se tratando de situações decididas por mais sorte ou azar, falamos de competência, incompetência e da capacidade de reconhecimento das mesmas por cada pessoa, em cada momento, face a cada situação. Falamos do quão potencialmente graves podem ser os seus efeitos quando patentes em pessoas “com poder”, formal ou não, sobre outras pessoas, sem (possibilidade de) controlo por pares, situações possíveis em actividades profissionais em que existe a percepção por parte de clientes de que estão perante um/a especialista na área em que procuram ajuda. Clientes estes, muitas vezes, em situação de vulnerabilidade a propósito do próprio pedido de ajuda e/ou de desequilíbrio de informação e conhecimento potencial face à pessoa que procuram.

A acrescentar complexidade à situação somemos à sobrevalorização das nossas competências o viés do optimismo, ou seja, a tendência também comum nos seres humanos para sobrestimarmos a possibilidade de vivenciarmos situações positivas no futuro. A eles, a “ditadura da autorreferenciação”, pela qual as pessoas tendem a generalizar as suas experiências, percepcionando-as como “a realidade” única. Ainda um momento e contexto onde o acesso à informação é simples e rápido e em que a exposição, por via por exemplo de séries ou filmes, às mais diversas situações nos permitem percepcionar como próximas, simples e com “finais felizes” determinadas circunstâncias complexas (quem nunca viu um filme de um potencial desastre aéreo de final feliz e herói/heroína improvável?). Tudo a reforçar a sobrevalorização das nossas competências particularmente em áreas que nos despertam interesse mas que não conhecemos com profundidade, a partir da formação, treino, experiência e realidade.

Com este quadro de referência, e mesmo considerando o aumento global da literacia das populações em áreas diversas, creio restar clara e compreensível a necessidade de organização e regulação profissional em áreas com impacto significativo nas pessoas e no interesse público. De um quadro comum base de necessidade de uma (“boa”) formação académica, complementada com treino, experiência e formação (específica) profissional, com compromisso e responsabilização com a excelência das práticas assentes num quadro ético e deontológico, numa atitude de desenvolvimento profissional contínuo, potenciados por processos de validação e melhoria conjunta entre colegas da mesma profissão e no quadro de equipas e trabalhos multidisciplinares.

Por tudo isto, e pelo seu reforço, devíamos mobilizar-nos enquanto sociedade, coesa. Acontece, porém, como aqui escrevi no início de Março (Generalização, disponibilidade e desconfiança – Alterações ao regime jurídico das Ordens Profissionais), que debates públicos assentes na disponibilidade restrita de informação, na generalização e na desconfiança são “limitados” e não permitem “promover solidariedade, respeito pelas especificidades” e “construir mais participadas e equilibradas respostas, logo soluções melhores que beneficiariam a sociedade e o interesse público”. Assim tem sido com o “debate” em curso das propostas de alteração aos estatutos das Ordens Profissionais, modelo em que o Estado delega, sob sua tutela e supervisão, competências e atribuições diversas a um conjunto de associações públicas profissionais por ele legitimadas.

O presente “debate” é caracterizado pela desconfiança e pela narrativa de “corporativismo” das Ordens, nada mais injusto para parte delas, cujos órgãos são muitas vezes pressionados nesse sentido pelos seus membros, mantendo, porém, o foco no contributo para mais equitativo acesso a melhores serviços dos seus profissionais pela população e no desenvolvimento da profissão com vista ao interesse público. Diminui-se, assim, o envolvimento cívico, a construção conjunta, e abre-se espaço para, à boleia de resultar num potencial crescimento económico, assistirmos a propostas de maior desregulação da actividade profissional em áreas que envolvem direitos fundamentais, desprotegendo a sociedade e as pessoas, particularmente as em situação de maior vulnerabilidade ou impossibilitadas de decisões totalmente informadas e em liberdade. Urge que nos questionemos se os valores em que assenta este “debate” são os adequados a mudanças com impacto no presente e no futuro e se, ainda que se concretizando os benefícios económicos estimados com a desproteção das pessoas, isso resultaria em aumento do seu bem-estar, fim último que creio que decisores e a sociedade prosseguem com o objectivo de crescimento económico.

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, a ideia feita do “declínio moral” das pessoas pode ser uma “ilusão” percebida como verdade ao longo dos últimos 70 anos (!), conforme um importante estudo recente demonstra. Cabe, pois, a quem nos governa, estimular a reflexão, a construção conjunta, projectar o futuro e decidir, procurando prevenir os enviesamentos e os efeitos do momento e do contexto que ajudam a explicar o comportamento e tomada de decisão de pessoas individuais. Cabe serem, também, responsivos à expectativa das pessoas de ter instituições de proximidade que reforçam a confiança mais empoderadas e uma sociedade civil mais forte e participativa no sentido do bem-comum. Confiemos mais. Co-construamos mais. A sociedade não se faz “num dia” e é imensamente perigoso o caminho de muito pôr em causa por uma vitória, num processo ou num “irritante”. Pirro, o Rei de Epicuro e da Macedónia, teria certamente algo a dizer sobre isso.

 

Tiago Pereira

Se uma parte relevante de nós se julga capaz de aterrar um avião comercial numa emergência apenas com o apoio da torre de controlo…

in Sábado (Ao redor…); 13.06.2023

https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/tiago-pereira/detalhe/se-uma-parte-relevante-de-nos-se-julga-capaz-de-aterrar-um-aviao-comercial-numa-emergencia-apenas-com-o-apoio-da-torre-de-controlo