Hoje é um dia diferente para mim. Um daqueles em que, necessariamente, olho os dias, todos os dias, que vivi. Faço-o pensando-me hoje, no presente, e, de certa forma, como me fui pensando e imaginando a chegar ao dia de hoje, em cada momento já vivido.
Faço-o e faço-o com um grande sorriso. São 14.600 dias de curiosidade, de descoberta e de um processo de preenchimento. Dias, dias e dias a cumprirem dimensões expectáveis, mas, principalmente, a surpreenderem-me e a sugerirem-me o menos expectável. O menos expectável bom, muitas vezes. O menos expectável, menos bom, poucas vezes. O menos expectável, muito bom, felizmente, mais vezes. Pessoal e profissionalmente.
Um pequeno exemplo que beneficia do efeito de recência. Cresci, profissionalmente, desde quando era ainda apenas um estudante de psicologia, interessado e admirado pela forma como a American Psychological Association e a The British Psychological Society tinham capacidade de transferir a investigação científica em psicologia para o quotidiano do nosso dia-a-dia, para os desafios que se colocavam a pessoas e sociedade, para a afirmação da nossa ciência e dos seus profissionais e para a forma como a ciência psicológica poderia melhor informar as políticas públicas. Cresci assim e hoje, singelamente, procuro também eu fazê-lo.
Cresci, profissionalmente, a ler as revistas dessas Associações, particularmente a “The Psychologist”. Cresci e este mês, mês deste meu dia, num momento dos claramente menos expectáveis mas muito bons da minha vida, a edição da “The Psychologist” tem uma entrevista minha (cujo link abaixo partilho) sobre um tema que de uma ou de outra forma me tem acompanhado – a pobreza, a desigualdade, os seus impactos e como, a partir da psicologia, podemos contribuir para a sua mitigação e erradicação e para a promoção da saúde e bem-estar de todas as pessoas.
Nela, a propósito de uma pergunta, falo do “20.000 dia na Terra”, documentário que trata 24 horas fictícias de vida do Nick Cave e de onde provém a frase destacada na entrevista: “Let’s raise this flame of great things that can be built” [“Façamos crescer a chama das grandes mudanças que podemos construir”, numa tradução minha]. É um mote perfeito para estes meus não 20.000 mas 14.600 dias na Terra. Ajudar a fazer crescer, convosco, esta chama.
Que tenham mais um bom dia na Terra. Obrigado a todos quantos os vão partilhando comigo. Tudo de bom.
Entrevista “The Psychologist” (July/August 2023) | https://www.bps.org.uk/psychologist/lets-raise-flame-great-things-can-be-built